quinta-feira, 5 de maio de 2011

Puro como o cristal (do inglês 'cristal clear')

Nenhum partido apresentou as medidas estruturais da troika.

Todos concordarão que o caminho de Portugal era directo para o abismo.

Todos concordarão com os propósitos subjacentes às iniciativas da troika, embora discordando da sua formulação, dimensões e impactos particulares, são vitais para o país.

Conclusão

Se este é pacificamente o cenário nacional, é certo que a troika não falou do desporto, não vai falar e ninguém exterior ao desporto dará ao desporto o que a troika deu ao país ou dará o equivalente às características e necessidades do desporto.

Há quem engane João Lagos

O conhecido empresário do Estoril Open veio afirmar que paga mais impostos do que recebe de subsídios.

Enfim, toda a gente gostaria de receber do Estado mais do que paga de impostos mas isso tem a conhecida consequência de levar o Estado à falência e depois pedir muito dinheiro para pagar não só o capital que necessita para fornecer bens essenciais, como também para pagar os juros devidos à finança nacional e internacional.

Estão a enganar João Lagos!

Quem disse a João Lagos que ele devia exigir mais subsídios enganou-o e está a levá-lo a um beco sem saída que é a situação que o Open do Estoril tem há décadas a receber apoios públicos e o ténis nacional não tem estrelas, nenhum português vai longe no ténis como os espanhóis e apenas os mais ricos que praticam ténis engrossam as bancadas do Jamor.

João Lagos deveria assumir uma lógica empresarial mais agressiva perante o Estado português na óptica das políticas desportivas europeias.

Dizem a João Lagos que ele deveria exigir um estádio mas o Estado central e local não vê grande espingarda no pequeno Estoril Open sem estrelas portuguesas e sem estádios cheios e adeptos enlouquecidos às centenas de milhares, apenas com um mega-evento anual em território nacional e vai atrasando o passo ao centro de ténis de raiz para o maior evento português nesta modalidade.

João Lagos deveria exigir um programa para fomento da prática desportiva pelos jovens, pela oferta de ténis nas escolas e nos clube de bairro, por um programa de acompanhamento de talentos sério, por um programa de especialização e desenvolvimento de estrelas do ténis com base numa Escola Nacional de Ténis que bebesse das melhores mundiais e alguma coisa aprendesse com os espanhóis.

Com estas exigências a criatividade e empreendedorismo de João Lagos iria encontrar nichos de actividades no seio de um mercado competitivo de produção de ténis em múltiplas camadas sobrepostas capazes de gerar rendas eventualmente monopolistas interessantes em qualquer negócio, como se faz no desporto europeu. Passar de poucos milhares de praticantes para dezenas e centenas de milhar é o objectivo material de criação de massa crítica para suportar um alto rendimento com rendibilidades financeiras interessantes.

Enquanto João Lagos for aconselhado a capturar rendas dos frágeis líderes e orçamentos públicos, directamente para o seu mini-mega-evento nacional as taxas de rendibilidade que naturalmente consegue são desmotivadoras como João Lagos tantas vezes afiança na comunicação social nestes anos todos de Estoril Open.

Era bom que alguém convencesse João Lagos que neste momento de crise é relevante mexer no errado modelo de produção do ténis e do desporto português.

Essa pessoa deveria também asseverar a João Lagos que não pense em olhar apenas para o umbigo do ténis e exigir medidas para o ténis sem olhar e abranger a totalidade do desporto.

João Lagos deve ser convencido a, a partir da sua modalidade e do seu mega-evento, incentivar a modernização simultânea de todo o desporto português.

Sem o todo do desporto nacional o ténis é, salvo seja, uma mercearia no bairro do desporto europeu.

Com algumas adaptações os conselhos deste género aplicam-se a modalidades como o futebol, o atletismo, o voleibol, o andebol, o basquetebol, a ginástica, a natação para focar as modalidades com um discurso próximo de João Lagos com algumas matizes e peculiaridades.

O desafio das frágeis chefias intermédias

Um doutorando faz uma abordagem quantitativa demonstrando três aspectos:
  1. menos de 10% de praticantes de um segmento da prática desportiva em Portugal;
  2. mais de 70% de praticantes no mesmo segmento da prática desportiva na Catalunha;
  3. a situação de Portugal é insustentável e o doutorando apresenta um modelo alternativo baseado em inúmeras experiências europeias, cientificamente demonstrando a exequibilidade.
Segue-se o líder intermédio do sector que denota três aspectos:
  1. apresenta números absolutos da realidade actual, não os relativizando e citando apenas a realidade nacional;
  2. tem erros de raciocínio, de construção do modelo e apresenta uma política desacreditada;
  3. reafirma estar convencido que a política que apresentou é a melhor, apesar de ter conhecimento da intervenção que acaba de ser feita pelo doutorando e que esmaga a sua apresentação.
Os líderes desportivos actuais do desporto português, intermédios no exemplo que estou a apresentar, não têm cultura desportiva europeia em termos gerais, não assumem a cultura e a camisola da sua instituição baseando a sua actuação em princípios éticos, desportivos e sociais, não sabem defrontar e debater as dificuldades nacionais face a modelos teóricos e europeus alternativos.

Noutro nível o líder intermédio não foi capaz de dialogar com o doutorando nem durante a realização do evento, nem no seu final.

Este fracasso da liderança nacional continuará enquanto os líderes do desporto continuarem a ser escolhidos sem relação com o mérito e a capacidade de efectivamente terem e gerarem valor acrescentado para o desporto e a população portuguesa.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Memorando de Entendimento

Este documento deveria ser atentamente trabalhado pelo desporto nacional.

A leitura às primeiras páginas mostra como o passado a que as federações se habituaram a trabalhar terá sido passado.

Poderá sempre haver criatividade nacional mas o desporto já está a pagar ainda antes do comboio arrancar.

Vamos a ver se os amigos de sempre conseguem uma saída airosa para os amigos do coração das federações.

O documento que a comunicação social disponibiliza tem 34 páginas e segundo parece existem outros. Ver o poste com o link aqui.

Não fala da cultura nem do desporto.

É tecnicamente denso e sucinto sem 'floreados' e dizendo apenas o essencial do que quer dizer.

Tem os seguintes capítulos:
  1. fiscal policy
  2. finantial sector regulation and supervision
  3. fiscal-structural measures
  4. labour market and education
  5. goods and services markets
  6. housing market
  7. framework conditions
O Memorando exige um trabalho com duas questões principais:
  1. estar aberto à concepção e criação de um novo modelo para a produção desportiva nacional
  2. explorar o Memorando da troika e outros que sejam disponibilizados desenvolvendo as melhores condições para o desporto
Há algumas questões interessantes no documento que tanto podem ser positivas como terem um impacto negativo significativo no desporto, por exemplo:
  1. ...
  2. minimizar o impacto das medidas de austeridade nos grupos vulneráveis
  3. recalibrar o sistema fiscal
  4. na administração central eliminar redundâncias, aumentar a eficiência,
  5. reduzir e eliminar serviços e manter a qualidade da oferta
  6. avaliar economicamente o valor dos resultados dos investimentos do Estado 
  7. reduzir as transferências do Estado para organizações públicas e outras organizações
  8. reduzir subsídios para produtores privados de bens e serviços
  9. ...
Desconheço se estas questões fazem tocar campainhas a alguém no desporto português actual.

Do ponto de vista económico a única forma do desporto fazer face a este memorando e a estes negociadores é saber o que quer e o que está disposto a fazer, olhando olhos nos olhos estes negociadores ou apenas a sociedade portuguesa e avançar com processos firmes baseados na palavra dada e no compromisso para o seu cumprimento.

Não vale a pena aprofundar a análise do documento se nada se for fazer de diferente.

Pescador desportivo morre em naufrágio perto de Moledo

No Diario de Noticias de hoje, aqui:
"Um homem com 50 anos morreu ao início da tarde de hoje no mar, em Moledo, Caminha, confirmou o capitão de porto daquela zona.
O alerta para as autoridades locais foi dado cerca das 12.30 por tripulantes de um outro barco do género que se encontrava perto do local e que "se terá apercebido do ocorrido", apontou ainda.
Os meios marítimos foram de "imediato accionados", mas quando chegaram ao local "o homem já estava cadáver", avançou ainda o capitão de porto.
Mamede Alves desconhece as causas do acidente, mas apontou as possibilidades de "doença súbita ou uma vaga de mar mais forte". "

Alguém deveria ter a ética de assumir a promoção do bem-estar nacional através do desporto

O Memorando de Entendimento, ver documento aqui, assinado entre a Troika e Portugal deveria alertar os líderes desportivos para o facto do desporto, quer queira quer não queira, ir mexer como nunca aconteceu no passado.

E o filme diz que vai mexer para pior.

O poste de José Manuel Constantino, aqui, mostra como as coisas más abundam referindo-se à má reputação do desporto e da administração pública, nomeadamente à crise da justiça, realça/alerta para a necessidade da defesa do interesse público e deixa a preocupação que apontam para melhores instituições no desporto.

Pelo seu lado o Memorando da Troika não fala do desporto como não fala da cultura.

Mas o Memorando vai afectar o produto desportivo e o da cultura tanto o produzido pelas organizações privadas como a actuação dos entes públicos.

A questão relevante é a necessidade do debate no desporto se voltar para o presente/futuro que aí está com toda a sua força e que o desporto não está a acompanhar.

É uma coincidência do arco-da-velha que a cultura receba 5 milhões de euros, e o desporto com 15% descontados às maiores federações se aproxime deste valor.

A questão relevante que subjaz ao poste de José Manuel Constantino é a questão das instituições do desporto que são frágeis.

Alguns factos demonstram como o desporto, com más instituições, perde o pé relacionado por exemplo com a perda do Tribunal Arbitral para o Ministério da Justiça à revelia do que acontece na Europa, com as dificuldades de distinguir juridicamente se as organizações desportivas são privadas ou públicas e agora a perda de 5 milhões de euros que por coincidência a cultura ganha.

Para encontrar um paralelo que o desporto poderia imitar veja-se que a ascendência da cultura começou nos anos noventa e enquanto o desporto se entreteve com o Euro2004 e malbaratou o capital aí conseguido com o sucesso desportivo, a cultura obteve maiores financiamentos e programas estruturais. Pode dizer-se que efectivamente os dinheiros dos estádios foram pagos pelas outras federações desportivas.

Os 15% são uma amostra da porta aonde o desporto vai bater violentamente.

Economicamente o desporto português está falido querendo com isto dizer que as suas organizações não têm estrutura, competitividade e agora acumulam a falta de reputação que lhes impede obter recursos e factores de produção na sociedade portuguesa.

A média do PIB desportivo europeu é de 2%, correspondente a mais de 8 mil milhões de euros se se aplicar a percentagem ao PIB nacional. O desporto português tem menos de 0,36% equivalente a 1,5 mil milhões de euros. Estes valores demonstram como a filosofia ou o modelo de produção de Portugal é ineficiente e impossível de ser rentável em termos europeus e necessita de ser alterado para que as organizações privadas desportivas trabalhem com o mercado privado e não estejam sob a dependência dos governos. É impossível qualquer governo nacional alcançar a dimensão de financiamento desportivo que os mercados privados geram.

O desporto português não tem instituições capazes de fazer a mínima análise económica capaz e serão escassos os líderes capazes de assumir decisões competentes e competitivas caso sejam produzidos os instrumentos económicos necessários à racionalização da produção desportiva nacional para a média europeia.

De momento, o desporto não está preparado institucionalmente para compreender a sua realidade tanto desportiva, como económica, como social e face ao desvio que sofre da média europeia, não tem meios organizacionais e científicos para conceber um modelo novo e para equacionar soluções que compaginem e maximizem o seu interesse com o do país.

Era tempo de haver coragem e ir bastante fundo para encontrar a melhor saída para a crise do desporto.

Como se observa no Memorando e nos documentos da União Europeia a deriva e afastamento do desporto português não terá uma tábua de salvação miraculosa ou de última hora.

Ou o desporto tem a coragem de afastar desentendimentos pessoais e menores que marcaram o seu passado e responde a uma voz a estes imensos desafios ou vai cair fundo.

Eventualmente haverá agentes particulares a passarem por entre os pingos da chuva o que corresponderá a posições medíocres do ponto de vista do óptimo social europeu porque o seu lucro vai acompanhar a quebra mais geral do sector.

Ou o desporto se salva todo e por inteiro ou vai tudo ao fundo com os realmente pequenos ganhadores do costume.

É agora que o desporto português mais necessita de líderes de enorme dimensão ética, desportiva, social e política.

O desporto português descolou da Europa e está seguramente a descolar do país.

O desporto irá mais fundo do que os outros sectores com destaque para a cultura como os exemplos actuais bem demonstram.

Os líderes desportivos deveriam insistir que o desporto é um sector social

Sem porta-vozes sociais reconhecidos e com alguns maus protagonistas o desporto não consegue colocar as suas características junto dos locais onde se produz a política nacional.

Passaram-se vinte anos quando Porter reconheceu como um sector relevante para Portugal e o desporto português perdeu essa vantagem.

O desporto é considerado como um sector não social ligado a fracassos clamorosos como os estádios do Euro2004, que todos os dias os jornais glozam como fundamento da falência do país, os apitos, a dopagem e os processos judiciais intermináveis largamente protagonizados na comunicação social para uma discussão mais conseguida do que se torna a miséria do sector.

O desporto não tem protagonistas na comunicação social para dar a volta ao resultado falando das questões relevantes da política desportiva e dos interesses desportivos da população portuguesa.

A diferença com os outros sectores é imensa e o actual silêncio do desporto cava mais fundo a queda do sector.

As maiores federações perderão 15% de financiamentos base porque não pertencerão aos sectores sociais que a Troika não terá mexido,segundo se garante ao intervalo de um jogo da Champions League.

Ainda há algumas semanas a Cultura recebeu um pacote adicional de 5 milhões de euros.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O caso do ténis

O ténis é uma das modalidades que nunca conseguiu conquistar um título razoável de primeira grandeza para Portugal e, no entanto, tem empresários que se queixam constantemente da falta de apoio público para as suas iniciativas privadas.

Alguém deveria dizer a estes empresários que o dinheiro que lhes é dado impede Portugal de criar uma massa crítica de praticantes e consumidores de ténis de base capaz de alavancar o seu alto rendimento.

Mais, alguém deveria sugerir a estes empresários que, compreendendo que o seu empreendedorismo é de sucesso, que não se acanhem e uma vez que os seus esforços são mal protegidos pelos governos e autarcas, no desporto então era melhor levar a sua criatividade para outros sectores da actividade que os acolhessem como os empresários desejam.

Há alguns empresários que singraram no desporto e que sem saída no actual beco pressionam a esfera pública por vezes com maior sucesso que os líderes das federações.

Uns e outros encontram nas soluções com finalidade lucrativa a possibilidade de obterem rendas acessíveis e de curto prazo.

Tudo bem.

Agora o que uns e outros não se devem queixar é das dificuldades e do Estado lhes cortar o financiamento principalmente no actual momento de crise.

Há que escolher: ou o dinheiro público, de todos os portugueses, é colocado em rendas nos empresários e nas suas ligações desportivas ou há coerência e princípios para a aplicação dos dinheiros públicos e estes são aplicados na resolução das falhas dos mercados privados visando muito concretamente o aumento do produto desportivo nacional facilitando o desenvolvimento do consumo e da procura desportiva que os agentes privados capturarão a jusante com abundância.

A actual situação do desporto português demonstra que as opções de política no passado foram economicamente insustentáveis porque não geraram produto desportivo em toda a estrutura da pirâmide de produção desportiva.

Ouvir falar da João Lagos, da Parkalgar, do Euro2004 e de tantos outros projectos desportivos sustentados exclusivamente pelo esforço público por mais rendas que tenham sido pagas a organizações desportivas associativas a questão principal não é o dinheiro que foi empatado.

Haverá sempre agentes privados com finalidade lucrativa capazes de captar rendas desportivas com qualquer nível de produto desportivo.

O erro principal que se mantém é a incapacidade de tomar opções de fundo de acordo com princípios europeus e nacionais e trabalhar para alavancar o produto desportivo para níveis europeus.

O passado demonstrou que todo o financiamento recebido por João Lagos, a Parkalgar e o Euro2004 entre tantos outros gerou desporto para 45% dos portugueses e escassas medalhas e campeões mundiais e olímpicos.

O desafio para o futuro na óptica deste poste são dois:
  1. investir os dinheiros públicos para aumentar o produto desportivo, em vez de suportar as rendas dos agentes privados;
  2. incentivar os agentes privados do desporto como a João Lagos, a Parkalgar e os donos dos estádios, com uma política fiscal activa no fomento da produção desportiva em vez de subsídios públicos a fundo perdido;
  3. esperar que os empresários históricos do desporto português consigam manter o seu sucesso e ser ainda mais bem sucedidos com um desporto português com um produto acima da média europeia.

Na Europa as federações são organizações de direito privado não são organizações de direito público


Segundo o professor José Manuel Meirim no Público de ontem, 1 de Maio de 2011:
“Um tema aliciante no âmbito do Direito do Desporto é o da dupla natureza do agir das federações desportivas, em particular em países que encaram essas entidades como, facilitando, uma forma de extensão dos poderes públicos. Saber o que é privado ou público no agir federativo tem implicações práticas, como bem o demonstra o processo de adaptação dos estatutos ao regime das federações desportivas.

Como refiro na minha tese as federações, agindo como monopólios em competição, são o elemento racionalizador da produção desportiva cujo modelo económico para funcionar com eficiência e maximizar o produto nacional ou o europeu tem dois reguladores: o privado e o público.

A União Europeia admite-o quando diz que cabe às federações gerirem a peculiaridade da sua produção respeitando a legislação europeia e a nacional dos diferentes países, sendo as federações inteiramente livres de regularem as suas competições, o seu processo de produção de desporto segundo o interesse dos seus associados e os seus objectivos sociais.

A União Europeia não tem um modelo de economia das federações e, por isso, ainda não definiu a racionalidade económica das federações.

Anda lá perto mas ainda não descobriu o caminho marítimo...


A afirmação do professor José Manuel Meirim de que, segundo o direito, há países que encaram as federações como uma forma de extensão dos poderes públicos é para a economia uma solução que não clarifica a natureza da propriedade e da racionalidade da decisão de produção da federação.

A economia considera a propriedade das modalidades desportivas como pertencente às federações, as quais são as entidades mais eficientes para produzirem através de processos de regulação privada a actividade desportiva, de cujo processo de produção são proprietárias.

Os contratos públicos com o Estado são contratos públicos que não alteram a propriedade privada e a maximização do produto segundo a óptica privada.

O contrato público é uma transacção (?) com o Estado para que o produto desportivo da federação alcance um nível superior de produção que a federação e a sua estrutura de produção, sem os incentivos atribuídos por contratos públicos, é incapaz de produzir e de oferecer no mercado do desporto.


O processo jurídico descrito pelo professor José Manuel Meirim para distinguir o privado do público é uma contradição e gera um prejuízo da legislação nacional sobre a estrutura federada.

É a eficiência da sua produção privada que o Estado procura quando contratualiza mais produto desportivo pela atribuição de meios públicos. Todos os interveneientes federações, associações, clubes e empresas são privados e não há vantagem para actuarem como entes e segundo racionalidade pública.

As federações em termos económicos não possuem uma dupla natureza que simplesmente não funciona. Os resultados desportivos nacionais demonstram que esta confusam jurídica nacional não resulta porque estamos na cauda da Europa.

O objecto do Estado no contrato programa é obter mais produto desportivo não é transformar a propriedade da federação.

A jurisdicionalização do desporto deveria ter limites porque é ineficaz e prejudica o desporto e o país.

As federações desportivas portuguesas têm objectivos privados e mantêm-nos apesar da confusão do legislador nacional que impede a responsabilização do agente privado de acordo com o direito de propriedade que lhe é reconhecido nacional e internacionalmente.

Tal como acontecerá nas legislações dos países mais desenvolvidos do mundo o direito público fica do lado do contrato programa e não altera o ser e os actos privados das federações desportivas.

Economicamente, penso eu de que...



Era bom que os juristas, os governos, as federações portuguesas do desporto conseguissem resolver definitivamente esta questão para que os desígnios públicos deixem  de fazer mossa na actuação das federações nacionais pela mão jurídica e elas consigam alcançar os níveis de produção da média europeia sem a trepidação permanente dos tantos conceitos imperfeitos que alguma ciência e doutrina nacionais possuem principalmente por parte do desporto.


Veja-se que enquanto a União Europeia resolveu as questões jurídicas que lhe chegavam a partir dos anos 70, até ao Tratado de Lisboa, tendo passado pelo Caso Bosman, sempre com soluções superiores os processos jurídicos portugueses continuam no ponto de partida das Leis de Bases que não conseguem resolver o ponto central que é o de definir com simplicidade cristalina se uma federação é privada ou é pública e onde acaba a pública para se dar a máxima latitude ao querer e ser privados.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Recorde mundial absoluto para o Futebol Clube do Porto dos 80 em 90 pontos possíveis

Há dois fracassos económicos para o facto do FCP ganhar 89% dos pontos, 80 pontos em 90 pontos possíveis, no campeonato de 2010/2011, da I Liga nacional:
  1. na regulação privada: federação e liga nacional;
  2. na regulação pública: governo.
Os dois reguladores, o público e o privado, falham ao admitirem a possibilidade de um clube acumular uma percentagem superior a 50% dos pontos possíveis a um clube do campeonato profissional.

Em consequência desta situação o campeonato da I Liga tem menores audiências nos campos e nas televisões e menores receitas de publicidade.

A falha da I Liga em criar um campeonato mais competitivo é uma consequência de não apenas esta falha da admissibilidade de percentagens anormais, que não se observa nos campeonatos europeus mais competitivos, e deve-se também a outras falhas, por exemplo, como a impossibilidade da Liga negociar os direitos de transmissão em conjunto para todos os clubes.


A federação e o Estado aceitam que haja inúmeros agentes que obtêm rendas de monopólio enormes para a pequena dimensão do desporto português.

O exemplo claro das mais valias geradas pelo desporto português está a criação de um grupo económico baseado nos direitos de transmissão televisiva. Não estou a adjectivar esse facto estou a evidenciar que o desporto português gera meios financeiros avultados. É evidente que houve mérito de alguém para que esse grupo se formasse e eventualmente alguma coisa que não corre bem porque há margens que continuam a sair do desporto sem que o regulador privado na federação ou o regulador público tenham uma atitude sequer que acompanhamento do que se faz na Europa.
A federação deveria ser a primeira interessada a suscitar a racionalidade económica dos campeonatos profissionais mas prefere não o fazer.

A actuação da federação de futebol prejudica o desporto quando os clubes vão à falência por actos de gestão sem nexo e equilíbrio e principalmente porque não racionalizando a regulação privada é fautora das condições de falência dos clubes.


Para os associados do Porto é uma maravilha mas a questão do ponto de vista do líder desportivo racional é se a existência de maior competitividade no campeonato e dentro da liga entre os diferentes campeonatos, do topo, do meio e do fim da tabela não deveriam ser maiores para entusiasmarem e predisporem os adeptos para a despesa em futebol profissional.

Afinal estamos a falar de quem também não consegue organizar as selecções nacionais para o mais alto nível de competição que a Espanha demonstra saber fazer.


Os 89% de pontos possíveis do FCP são uma anormalidade como tantas outras do futebol português e que prejudicam o desporto e o país.

domingo, 1 de maio de 2011

Como dinamizar o debate das políticas: o exemplo europeu e o português

I
A Europa nos anos sessenta verificou que o desenvolvimento desportivo lhe colocava questões sociais e através do Conselho da Europa encomendou estudos sociológicos.

Na década de setenta começaram a a surgir questões jurídicas entre as relações comerciais de agentes desportivos de países diferentes e a Europa iniciou decisões de índole jurídica.

Nessa altura chegaram as crises petrolíferas que alteraram a relação fiscal dos contribuintes europeus com a despesa pública em desporto e que impedia a realização dos objectivos sociais que a Europa desenvolvia há duas décadas e uma vez mais o Conselho da Europa foi chamado a responder às necessidades do desporto desta vez no domínio económico.

Assim se chega à década de noventa quando, já para o seu final e depois do Caso Bosman, a União Europeia constata pela primeira vez que o desporto é um mercado peculiar e pensa que os países não respondem por inteiro às necessidades de produção desportiva europeia por falhas no produto e na regulação nacional e faz um estudo sobre o mercado desportivo mais relevante.

O Relatório Independente, liderado pelo português José Luís Arnaut, equaciona as relações entre o futebol e a União Europeia. As outras modalidades recusam a futebolização e a União Europeia faz o Livro Branco e com esse documento lança pela primeira vez uma política desportiva de um continente, o europeu.

Actualmente a União Europeia contrata estudos a instituições universitárias em múltiplos domínios nomeadamente na sociologia e na economia.


Aqui chegados deve ainda acrescentar-se que a consistência das políticas europeias foram acompanhadas pelas universidades que responderam aos incentivos da União Europeia e depois fortaleceram as áreas de investigação nacional e são as mais activas que acompanham as actuais e continuadas solicitações europeias.

Acrescente-se que as federações europeias de desporto nacionais e continentais, são interessados activos no produto da investigação incentivando e beneficiando dos seus resultados.

Este processo europeu é claramente incentivado pelo Estado desde há mais de cinquenta anos.


II
Mirandela da Costa e João Boaventura, e a operacionalização de Manuel Boa de Jesus, foram dois líderes desportivos que colocaram Portugal durante os anos oitenta e início de noventa no panorama dos estudos europeus nas diferentes áreas do conhecimento. Houve uma participação alargada de dezenas de quadros nacionais nas reuniões europeias, foram realizados estudos que nunca mais se fizeram com a mesma intensidade em novas áreas do conhecimento, traduziram-se livros, manuais, fizeram-se conferências.

Depois deste período tal como na Europa as universidades acumularam de forma exponencial massa crítica nas ciências do desporto que perdiam, contudo, o contacto com a política nacional e a europeia.

Recentemente fazem-se tropelias como partidarizar a participação em conferências temáticas e onde pontificam juristas obviamente ignorantes das múltiplas áreas da ciência do desporto mas que por razões estranhas ao interesse do desporto nacional vão às reuniões e não fazem como se fazia nos anos oitenta e noventa em que havia relatórios das deslocações e documentos europeus que circulavam.


III
Hoje a Europa vai à frente e bem segura na criação de instrumentos de política desportiva novos, adequados ao continente mais competitivo do mundo, que os países europeus acompanham participando nos projectos, nas conferências temáticas e no incentivo à investigação em ciências do desporto intimamente relacionadas com as políticas para o desenvolvimento sustentado do desporto europeu nacional e continental.


IV
Sistematizando, há vários níveis e parceiros de intervenção no desenvolvimento das ciências do desporto e no debate da política desportiva nacional:
1.      O Estado é fundamental para promover o conhecimento novo que responde exactamente às necessidades do desenvolvimento desportivo nacional face aos objectivos nacionais e aos princípios definidos para o desporto europeu;
2.      As universidades para incentivarem a investigação nas suas instituições segundo as normas científicas que as colocarão entre as melhores;
3.      As organizações associativas e empresariais na resposta às oportunidades de mercado e da sociedade e na colocação de desafios ao Estado para a sustentação de novas áreas e nichos de produção desportiva portuguesa;
4.      A comunicação social tem um papel relevante mas que responderá primeiro aos seus objectivos sociais. Não têm que ser altruístas em relação ao desporto porque os seus objectivos serão a maximização do seu lucro e não o desenvolvimento desportivo. O Estado e o associativismo poderão ter um papel relevante neste domínio;
5.      Os blogues são elementos que as universidades e os líderes desportivos não aproveitam suficientemente porque os 4 pontos anteriores apresentam limitações e não alcançaram o seu potencial.

V
Mirandela da Costa e João Boaventura foram líderes que responderam às necessidades do desporto no seu tempo e cujo exemplo se mantém como uma referência para o futuro.

Falta vitalidade na sociedade civil do desporto

O desporto tem suficientes organizações e terá intelectuais capazes de intervir publicamente.
Outra situação é a vitalidade e a abertura de uma sociedade competitiva visando objectivos sociais e civilizacionais maiores.
Há inúmeras instituições que deveriam ser centros de debate, centro de transmissão de vitalidade à sociedade reflectindo as dificuldades e abrindo portas a ideias e a instrumentos antes da decisão de as aplicar e também com capacidade de observar a sua aplicação.

Não haverá necessidade de mais organizações sociais, clubes, grupos de reflexão, associações de finalidades desportivas diversas, blogues já não sei mas se houvesse mais o debate seria mais relaxado e variado.

Obviamente se há determinadas organizações políticas que estarão pela sua filosofia e prática recente reticentes à abertura à sociedade e ao debate público, outras deveria haver capazes de abrir novas fronteiras.
Há alguns anos propus num clube essa abertura e não consegui, mais tarde propus um manifesto, depois um blogue e actualmente estou para aqui…
Culpar o PS, José Sócrates e este Governo há-de render muito. A questão é que são necessários mais do que um para o tango e o que acontece pior é quando se sai da pista de dança apenas porque se procura outro para dançar o mesmo tango.

No desporto nada se aprende com os erros próprios e os dos outros.
O desporto tem de olhar para si próprio e conseguir ir mais longe.
É factual economicamente que o desporto está a patinar em gelo fino e a afundar seguramente no quadro europeu.
Este foi o procedimento do líder do PS em relação ao país durante os anos mais recentes e compreende-se que os dirigentes desportivos pelas condições dificílimas da sua governação federada e nas suas pequenas organizações em conseguirem comportar-se, verem mais longe e forçar o seu destino.
Um facto que demonstra como o desporto vai ser comido na grande voragem das medidas de austeridade é o Governo determinar cortes no apoio financeiro nas principais federações. Ora o desporto é um sector que gera externalidades abundantes para a educação e a saúde havendo propostas para que os cortes orçamentais em todos os sectores económicos tenham a excepção dos dois sectores da actividade, a educação e a saúde.
Há mais exemplos, relacionados com o mercado do produto desportivo, que deveriam ter sido apresentados publicamente ajudando o Governo e os partidos a compreenderem melhor os princípios desportivos europeus e a elaborarem melhores programas de desporto.
Isso era para ontem, definitivamente não é para depois de amanhã…

sábado, 30 de abril de 2011

O desafio do longo prazo

I
O nosso desporto trata das questões em compartimentos estanques no curto prazo e sem uma perspectiva de sustentabilidade de longo prazo.

A discussão económica em Portugal e no mundo é efervescente publicamente e trata das questões do médio e principalmente do longo prazo.

A sustentabilidade do crescimento económico é a proposta do FMI, enquanto o BCE prefere a sustentabilidade de um quadro de racionalidade económica com défices baixos pretendendo castigar os países que não conseguem essas metas.

Simultaneamente não pretendem usar a solidariedade perante o impacto das medidas que aplicadas a economias mais desenvolvidas geram falhas de mercado em economias menos desenvolvidas como a portuguesa durante a criação do euro e que obrigou ao aumento dos custos monetários da periferia.

II
Esta explicação económica ajuda a iluminar os erros e o atraso em que sobrevivem as federações desportivas dependentes do Estado para um produto único, o alto rendimento, de complexidade elevada na ausência de uma estrutura de mercado privado alavancada por políticas públicas orientadas para a base da pirâmide e acumuladas durante décadas.

O Modelo Europeu de Desporto tem sucesso porque investiu durante mais de meio século em desporto para todos e desencadeou medidas de especialização da sua prática desportiva de forma racional em todos os níveis de produção da pirâmide de produção de desporto.

III
O discurso dos líderes desportivos nacionais inexiste porque a única coisa que sabem fazer é exigirem meios directos e indirectos para o seu alto rendimento.

Os líderes desportivos não discutem medidas de longo prazo e das consequências directas e indirectas das políticas desenvolvidas.

Ficam contentes com o seu evento, com o seu CAR, com o apoio à sua acção de formação, range os dentes porque lhes é cortado o financiamento público, corta na sua actividade desportiva porque o Estado não cumpriu a sua obrigação, o que o Estado também aceita porque o objecto da política não é a maximização do produto desportivo em toda a sua latitude.

Cala-se. Está agradecido porque consegue pagar os compromissos directos da sua organização e de todos que dele dependem. Agradece aos que compreensivelmente aceitam o atraso nos pagamentos.

Sabe que ninguém lhe vai pedir para cumprir metas desportivas e sabe que também não deve fazer perguntas sobre o que se passa com o financiamento público desportivo, o que vai acontecer aos estádios, aos CAR’s e como vai ter mais praticantes.

Não lhe passa pela cabeça perguntar porque é que ele não é financiado pelos resultados conseguidos.

Teme perguntar porque é que ele que foi eficiente em certos vectores, tem cortes no financiamento e outros que estagnam há décadas mantém níveis de financiamento.

Sabe que existem estatísticas e estudos que lhe são favoráveis mas prefere não fazer alarde delas e trata-as para obter margens que lhe parecem douradas. Dizer-lhe que essas margens são ilusórias tem como resposta que “é o possível, meu bom amigo!”.

O líder desportivo nacional sabe que o apoio que recebe da sua federação europeia e da mundial depende de resultados em que ele se compromete e não pensa de forma nenhuma faltar aos compromissos que assume.

Ele vê as eleições como a continuação do espírito da ‘Lei de Bases do Sistema Desportivo’ de 1990 e que os programas partidários já começam a reiterar o seu propósito supremo, como sempre foi feito.

Espera que os novos líderes do desporto do novo governo mantenham as valências anteriores consubstanciadas nas caras que representam os ‘bons valores’ do desporto português.


IV
Algumas destas coisas vão acontecer certamente e misturadas com algumas certezas.

A capacidade do desporto português reagir ao novo quadro institucional e económico é frágil.

As federações vão defender a ‘obtenção do subsídio do trimestre passado’ porque lhe vão dizer que não vai haver ‘espaço para milagres’ face à situação do país e o desporto ‘é um sector como os outros’ e ‘tem culpas na bancarrota do país com os estádios do Euro2004’ e os ‘apitos’ demonstram que o desporto tem áreas de corrupção.

O FMI, o BCE e a União Europeia vão avançar com medidas que estão para além da compreensão das federações e estas vão dizer que ‘assim, não se pode trabalhar’.

Terão inteira razão.

Interessante do ponto de vista da análise, política, económica e social, será observar quanto tempo vão as federações desportivas nacionais compreender que o modelo de produção das Leis de Bases soberanas e do Euro2004 morreu e que o país está a acelerar a sua divergência com a Europa.

Os presidentes do Benfica, do Braga e do Porto vão dizer que nunca o mundo português brilhou tanto.

E, contudo, Portugal afasta-se na União Europeia do desporto.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ainda os estádios do Euro2004

A questão do investimento em infra-estruturas é um dos fracassos fundamentais da política desportiva vigente porque é um dos pilares das desconformidades desportivas nacionais.

Isto não tem a ver apenas com o PS porque veja-se que o PSD não tem um modelo alternativo e não conseguiu na primeira metade da década passada criar elementos racionalizadores do modelo na área das infra-estruturas. Aliás as mesmas pessoas, o mesmo conceito, as estruturas do costume passam pelas décadas fora sem o mínimo pestanejar às contradições que se avolumam.

Agora é Estela Barbot, aqui, que refere que 'não foi agora que o Estado Social foi posto em causa. Foram as pessoas que resolveram fazer estádios de futebol - dez quando chegavam oito - e tantas autoestradas. ... era melhor com esse dinheiro fazer um hospital novo, dar pensões dignas aos reformados'

A falência do Estado português aguça a crítica social social ao desporto e desde há muito os estádios constituem o exemplo acabado do despesismo e do inaceitável.

O exemplo clássico da economia é o Presidente da Câmara que decide fazer uma ponte no meio do deserto. Dá o investimento a um empreiteiro que emprega umas dezenas de pessoas durante uns meses, faz uma inauguração de estadão e depois a ponte fica às moscas porque não é necessária económica e socialmente.

O empreiteiro ganhou dinheiro, o banco movimentou capitais e ganhou juros do empréstimo, o presidente da câmara subiu no partido, houve pessoas que estiveram empregadas durante alguns meses e a população local paga impostos mais caros para pagar o investimento, o serviço da dívida e a manutenção de uma coisa que não serve de nada. No concelho vizinho outro autarca investe na criação de uma indústria e de postos de trabalho e todos os meses a autarquia exporta milhões com a nova infra-estrutura.

Este é o exemplo simples de investir dinheiros públicos para perder dinheiro e futuro e o investimento para o desenvolvimento sustentado.

O modelo actual do desporto português não sabe duas coisas:
  1. O que é o Estado Social no desporto;
  2. O que é fazer investimentos públicos que beneficiem o Estado Social no desporto.
O desporto não está preparado para os tempos muito difíceis que aí vêm e que vão ser muito violentos como assegura a consultora do FMI Estela Barbot.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Aprender com a Europa para produzir mais desporto

O presidente do grupo socialista europeu referiu que, aqui, algumas questões que era interessante os líderes federados lerem com atenção e conmpreenderem se terão algumas ilações a retirar para a sua situação ou não.
Diz Poul Rasmoussen cerca de negociações colectivas:


"Quando se ouve a Comissão Europeia a falar convosco, com Portugal, esse não é o meu caminho. Vocês precisam de negociar e de ser duros nas novas negociações(...) Há que perceber que não enfrentamos uma ditadura do FMI e da UE, são é negociações duras sobre o resgate e sobre as condições para receber a ajuda e auxílio", afirmou.

"A negociação colectiva é parte fundamental da moderna democracia e, basta olhar para a Escandinávia, para o meu país. Nós temos tido acordos colectivos em todos os anos desde 1945 e somos uma das economias mais fortes da Europa. A Alemanha tem também acordos colectivos. Por isso, penso que [a 'troika'] tem de dizer -- vamos para boas negociações com Portugal, vamos olhar para a economia, mas vamos perceber que os acordos colectivos vieram para ficar".



Em primeiro lugar há que negociar duramente, chame-se FMI,


 União Europeia ou Governo português;


em segundo lugar há que procurar as soluções que são seguidas


há dezenas de anos por essa Europa do desporto mais


competitivo do mundo.



Num caso e no outro as federações não o fazem porque ignoram


os  termos e limites das suas negociações segundo não

conhecem história e a situação actual do desporto europeu.


Isto que Rasmoussen sugere é distinto da violência verbal que em blogues de desporto certas pessoas usaram em anos recentes.

No programa eleitoral do PS

Está lá tudo e falta tudo.

O objecto do programa é demonstrar que tudo está bem como sempre e esse é o seu problema.

Há que falar do programa futuro de acordo com os desafios actuais do desporto e o texto escrito é uma pressa de falar de tudo sem falar do que importa.

Um elemento fundamental será observar qual será o partido que falará do seu programa de desporto com taxas e estatísticas construindo a partir daí a sua proposta aos eleitores.

O programa eleitoral do PS para o desporto português de 2011 e, pelo menos, para o próximo ciclo olímpico é frágil.

José Sócrates, Pinto da Costa e José Mourinho são eticamente mal criados

Os três criaram uma reputação de agressividade fora do normal.

Se no início de cada um a novidade da agressividade era uma característica da mestria, a reputação desenvolvida joga contra e causa prejuízos que nenhum já controla ou quer alterar.

No país e no partido, no futebol e no Real Madrid são comportamentos que impedem que as melhores soluções sejam assumidas e sejam capazes de gerar benefícios.

Ontem é discutível se o pontapé de Pepe não deveria ter sido controlado previamente.

A estratégia do Real Madrid era mais activa/agressiva do que a do Barcelona e a pressão sobre a bola por parte dos seus jogadores muito mais exigente psicologicamente.

Mourinho sabe que por tradição os seus jogadores são expulsos e deveria trabalhar este aspecto muito mais.

Deveria assunir a não agressividade ao ponto de não se irritar com os árbitros tornando o prejuízo do confronto mais pesado para o Real Madrid.

Nenhum árbitro hoje tem receio de expulsar um jogador do Real Madrid de José Mourinho.

Nenhum árbitro hoje tem receio de expulsar o treinador do Real Madrid que se chama José Mourinho.

É óbvio que José Mourinho já trabalhou o bastante para exigir que nas sessões de treino dos árbitros na UEFA e na FIFA haja um capítulo José Mourinho.

O Barcelona fica quase com a eliminatória resolvida graças a José Mourinho que canaliza as suas frustações para o domínio em que não foi contratado e onde deveria ter um comportamento exemplar e distinto.

A reputação de violência, contrária ao fair-play desportivo europeu, continua a ser a falha da brilhante estratégia montada pelo ainda melhor treinador do mundo.

Os clubes quando contratam treinadores deveriam passar a incluir uma cláusula a exigir o ressarcimento ao clube pelas expulsões dos jogadores e do treinador acima de um determinado nível técnico.

As federações e as ligas poderiam rever os seus regulamentos das competições para erradicarem estas violência latente e contumaz de alguns protagonistas dos seus espectáculos.

Ver aqui as declarações de José Mourinho.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Programa eleitoral do PS

Está aqui.

Nos próximos dias farei a análise da parte do desporto que aparece em último lugar.

As infra-estruturas desportivas de Matosinhos

Aqui, descreve-se que a Câmara de Matosinhos aprovou a aquisição, a prestações, dos estádios do Leça e Leixões.

A comunicação social também anuncia a venda de três jogadores jovens do Leixões ao Benfica.

A história tem todos os ingredientes para deixar o Pacheco Pereira 'aos berros'. Evidentemente que o PP 'aos berros' é uma contradição nos termos.

O facto de Narciso Miranda ter votado contra e Guilherme Aguiar a favor são elementos de enriquecedores do processo.

Vejamos muito sucintamente alguns elementos:
  1. Há muitos clubes falidos e os seus líderes nada fazem;
  2. As estruturas do futebol não resolvem estes problemas que decorrem há muito tempo;
  3. Os estádios e espaços de prática são apetecíveis para os empresários do imobiliário por estarem no centro das cidades e terem um valor patrimonial significativo;
  4. As instalações desportivas são um capital público que pertence às respectivas populações e não é curial que os políticos locais ou centrais não criem condições para a manutenção desses espaços como capital público; 
  5. No passado quando as câmaras permitiam ao clube vender os espaços directamente aos empresários do imobiliário;
  6. A Câmara vai comprar a prestações o que é muito estranho no período de crise que atravessamos e face à enorme dívida que a Câmara de Matosinhos já tem;
  7. Haverá a possibilidade daqueles terrenos valerem mais do que o preço da compra?
  8. Na Europa esta venda de espaço desportivo para o imobiliário é proibido pelos lucros imorais que geram em benefício de um conjunto de pessoas e à custa do património público;
  9. À partida a Câmara de Matosinhos irá pagar um preço razoável, mas não se conhece quem avaliou o preço...
Um caso a acompanhar tanto na perspectiva da falência dos clubes envolvidos, da situação da Câmara de Matosinhos e do destino do património desportivo pertencente à população de Matosinhos.

A reputação do desporto em grande

Pacheco Pereira , aqui, diz várias coisas:
  • um dos problemas dos partidos é a sua transformação em oligarquias ...
  • são estruturas que priviligiam as carreiras interiores ...
  • faz com que as direcções estejam isoladas e não tenham a massa crítica à sua volta ...
  • acabam por se transformar como pessoas de uma claque de futebol ...
  • esse radicalismo é uma espécie de futebolização que os torna mediocres ...
Pode o desporto fugir a estas iamgens negativas coladas à sua pele?

Desta vez a reputação do desporto caiu vários graus!