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terça-feira, 21 de junho de 2011

Álvaro Santos Pereira está enganado

No blogue Colectividade Desportiva, aqui, um anónimo cita:

'Álvaro Santos Pereira - Ministro da Economia - in "Portugal na Hora da Verdade", pág. 323: 'E se fôssemos um pouco mais longe e, para além destes cortes, extinguíssemos organismos como o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres e o Instituto da Construção e do Imobiliário, cortássemos para metade as despesas do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça e do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, e em 20% as do Instituto do Desporto(...)'.

Há três questões em relação à afirmação de Álvaro Santos Pereira nesta citação:
  1. Não tem razão em relação ao desporto porque o impacto seria mau e com impactos negativos de ainda maior expressão noutros ramos inclusive na economia. Acontece que ASP não fará a ideia do que é economicamente o desporto europeu e em particular o português. Em concreto do ponto de vista económico, e até prova em contrário, os seus conhecimentos relacionam-se com o modelo de desporto americano o que é limitativo da sua compreensão do modelo de desporto europeu.
  2. Estas afirmações deveriam ser confrontadas pelos líderes desportivos com provas das consequências da medida proposta. O desporto não tem os líderes e não tem as equipas de conhecimento para elaborarem os processos para informação ministerial do que fazer para que o país e os outros sectores beneficiem do desenvolvimento sustentado do desporto.
  3. A homogeneidade de princípios de actuação deste governo tem duas hipóteses contrárias:
    1. Constitui uma equipa conhecedora do desporto português e das alternativas de desenvolvimento e aplica as medidas de austeridades mediante filtros capazes de projectarem o desporto português corrigindo os fracassos actuais e promovendo o bem comum.
    2. Constitui uma equipa estritamente fiel aos princípios de austeridade e suporta a prazo um sucesso equivalente e mais do que proporcional ao dos últimos seis anos de governação José Sócrates.
Em síntese:
  1. as ideias preconcebidas sobre o desporto são muitas e algumas são muito prejudiciais ao desporto
  2. o desporto não tem líderes à altura da crise, visão, estratégia, nem capital humano ao nível do exigido pelas crises
  3. o futuro está todo na actuação no governo PSD/CDS

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A problemática dos estudos

O desporto português tem falta de algumas coisas de que os números da prática desportiva da população e dos resultados internacionais demonstram poderiam ser muito melhores.

Houve outros países da dimensão de Portugal como a Grécia que deram esse salto.

Portugal não o deu no passado.

Portanto, há falta de muitas coisas, não é uma, nem duas, nem três, são muitas.

Essa diferença vê-se também na reputação do desporto português que não é reconhecida pela sociedade e pela economia nacional enquanto a cultura é reconhecida apesar de ter só mil milhões de euros de produto económico, e o desporto ter 1,5 mil milhões de euros segundo o INE.

Na área que trabalho a economia e as estatísticas de produção desportiva, há falta de uma estrutura nacional eficiente de produção de estatísticas e de análise pelos agentes desportivos, que legislatura após legislatura com altos e baixos não avançou.

Sou o único a fazer com regularidade determinadas análises e quando um partido deixa para a véspera das eleições a publicação de um texto sobre os seus números e a sua análise, a coisa não funciona assim noutros lados.

Faltam investigadores que peguem nos números disponibilizados pelo aparelho de produção estatística e façam análises.

Procurar condicionar os resultados para aparecer bem na foto é louvável em família, quando se trata dos resultados desportivos nacionais é para ver com cautela e respeito por quem depende dessa informação para trabalhar.

O que acontece também é que as federações e as universidades não usam as estatísticas do desporto para trabalhar e pensarem o seu futuro.

Se pensassem há muito que tinham exigido aos governos outros posicionamentos políticos sobre as estatísticas.

Aliás os governos condicionaram e fizeram crer que as coisas como estão é que estão bem e daí as federações e as universidades crerem que esse é o seu bem, o que é compreensível, até ao dia em que o país com este comportamento vai à falência e as pessoas acham as consequências, daquilo que foram os seus actos, muito injustas.

Insisto no que tenho referido:

O desporto português necessita de estudo, análises, investigadores, órgãos de investigação, fóruns de debate alargado etc.

O desporto português necessita de democracia plena na sua produção e no seu consumo.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Ciência – fonte de ideias para inovar Portugal

Veja aqui o manifesto pela ciência.

São mais de 1100 os cientistas que já assinaram o manifesto pela ciência tal como antes houve vários da cultura.

No desporto não existe um grupo de catedráticos, um grupo de líderes federativos, uma mão cheia de personalidades do desporto a conceber e avançar e a motivar todo o desporto para um acto equivalente.

O desporto nõ precisa? Eu concordo que o desporto que é medíocre não necessita de manifestos nenhuns!

Barry Hatton um estrangeiro a residir em Portugal escreveu um livro chamado os Portugueses e onde diz no DN de hoje, na última página do caderno principal, que 'às vezes penso que estou a apregoar no deserto qunado digo que Portugal é um grande país'.

Diz o que creio já sugeri no caso do desporto: 'Há o bairro dos médicos, o bairro dos juízes, o bairro dos políticos ... vai-se multiplicando até chegar ao próprio carro, que é o bairro mais pequeno do País. Em vez de se juntarem e de remarem para o mesmo lado'.

Vamos fazer como os cientistas, que não podem ser acusados de não ter boas cabeças a pensar, e criar um manifesto pelo desporto português para ajudar o PSD e o PP a acertarem à primeira em cheio com as necessidades do desporto?

domingo, 8 de maio de 2011

O Estado deveria fazer um estudo sobre o futebol ou melhor ainda um Livro Branco sobre o desporto português

As outras modalidades estão convencidas de tudo o que lhes dizem sobre a maravilha da política desportiva nacional ficarão preocupados quando a Liga de Clubes de Futebol apresentar o seu estudo.

Mas o relevante é que o estudo da Liga vai de facto trazer as preocupações privadas do futebol e colocarão essas preocupações como objectivos públicos que interessam a todas as modalidades.



A história não é nova e temos comportamentos diferentes na União Europeia e na Austrália e em Portugal.
A União Europeia fez um estudo em parceria com a UEFA, o Relatório Independente (Arnaut). As outras federações criticaram o RI e a União Europeia fez rapidamente o Livro Branco onde aprofundou o trabalho anterior e manteve a estrutura e a formulação de política desportiva.

Na Austrália o Governo vai fazer um estudo sobre o seu futebol. Ver aqui. Trata-se de um estudo sobre o mega-evento da Taça da Ásia e que o Governo analisa os problemas de toda a modalidade.

Nos anos mais recentes a história em Portugal foi a destruição dos poucos esforços privados e não criação de estudos e análises por entes públicos sobre a produção desportiva nacional. Vejamos o exemplo da Liga de Clubes.

A Liga de Clubes fez há anos um estudo económico sobre a arbitragem que suportava o modelo da arbitragem liderado por Vítor Pereira o qual considerava ser o adequado para Portugal de acordo com o modelo da FIFA e UEFA que ele conhecia bem, como melhor árbitro nacional.

Quando o estudo foi apresentado na Alfândega do Porto Houve quem criticasse e disse que se procurava dar um passo maior do que a perna e que ia fazer diferente. Nada fez ao fim destes anos todos. A história restante é conhecida:
  1. A arbitragem da Liga foi queimada em lume brando pelo campeonato dos clubes profissionais falidos e pela comunicação social com as pequenas histórias de cada jogo;
  2. A federação não desenvolveu um novo modelo de arbitragem;
  3. Outros focos de instabilidade que podiam ter sido analisados e solucionados como a violência, a corrupção, a falência dos clubes, o fracasso das selecções de futebol e a sua reputação dão sinais para a sociedade negativos continuados.
Na perspectiva pública os elementos que interessa analisar são:
  1. O futebol português tem uma base social de apoio magnífica nacional e internacional;
  2. O futebol português pode chegar ao milhão de praticantes federados (desde que se equaciona assumir essa meta) e apenas tem 150.000;
  3. Os clubes de base, os clubes amadores pagam salários a amadores estrangeiros estão falidos e necessitam de aumentar o número dos seus praticantes e de resolver o problema dos amadores remunerados;
  4. Não há dinheiro público para dar prática formal através dos ginásios, academias e escolinhas à maior parte da juventude portuguesa, mas é através destas organizações que os actos de política se orientam colocando a racionalidade do edifício de produção do futebol de pernas para o ar;
  5. Na prática profissional há contradições relacionadas com os direitos de propriedade do associativismo desportivo que está a ser expropriado pelos agentes e pelos comportamentos liberalizantes que impedem a criação de uma massa crítica de capital humano, social e organizacional única capaz de sustentar quer o desporto profissional e a geração sustentada de capital financeiro nos clubes na I Liga, quer o aumento do produto apropriado pelos sectores a jusante consumidores de conteúdos relacionados com a comunicação social, o marketing, etc, quer a transfiguração das selecções nacionais de futebol.
Ou seja, o mais fácil seria o Estado fazer um Livro Branco do Desporto português para todas as modalidades, como fez a Europa.

Alguém virá dizer mas isso é o que é feito no Conselho Nacional de Desporto.

Ora isso não é correcto porque o que faz o CND nada é público.

A União Europeia e todos os países desenvolvidos do mundo que fazem estudos anunciam publicamente o que fazem e quem o faz. O CND tem um regime de concobinato naturalmente sigiloso e incapaz de resolver os problemas do país.

A União Europeia tem reuniões com os agentes privados do desporto europeu e tem uma base científica nos documentos de política que faz, que se sustentam em estudos e todos são do domínio público.

Os trabalhos da CND não se conhecem e quando as consequências dos seus putativos actos chegam ao domínio público verifica-se que são uma miséria para o interesse dos praticantes e dos agentes menos influentes e os grandes contentam-se com as migalhas que lhes chegam às mãos. Toda a situação é por demais deprimente e degradante e todos estão contentes dentro e fora do CND.


Quanto ao estudo da Liga de Clubes de futebol é mais provável que alguém faça o mesmo que já fez com Hermínio Loureiro, ex-presidente da Liga de Clubes e com Vítor Pereira presidente da arbitragem profissional.

Quando Fernando Gomes, actual presidente da Liga de Clubes, apresentar o seu estudo da I Liga virá alguém queimar o estudo e dizer que para nada serve e não vai apresentar nada em alternativa, prejudicando objectivamente o futebol e os agentes privados para toda a legislatura e mais uma década de divergência europeia.

Criticar por criticar sem a assumpção de fazer e dar a cara pelo feito é o que se faz.

Mas em Portugal remunera destruir o trabalho alheio, em particular o económico e o social, e se quando se tem a jactância de atentar contra o trabalho do melhor árbitro português, o que é que não se será capaz de fazer mais?

Com a crítica feroz ao estudo de Vítor Pereira destruindo o seu suporte técnico e económico a mensagem que se passou foi: se no desporto português vocês fizerem estudos económicos eu irei destruir o que fizerem.

O país tem 20% de pobres e pessoas com fome e 40% de pessoas que não pagam IRS, ou seja uma percentagem acumulado de 60% de população carenciada de desporto e houve a coragem de durante os últimos anos não se fazer o mínimo estudo sobre as características sociais e económicas da prática desportiva nacional.

Os líderes do desporto portugueses não têm a mínima ideia do que é que estão a fazer e quais os impactos das medidas que negociam.

Acerca do exercício físico e da Marcha e Corrida

A investigação na Universidade Técnica de Lisboa dá passos de gigante acerca do exercício físico e do programa Marcha e Corrida.
  1. Um estudo recente realizado pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano. Conclusão: Segundo conclusão do Instituto Superior de Economia e Gestão, da Universidade Técnica de Lisboa, cada português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, concluindo pela sua economia e que há áreas em que os portugueses não precisam da troika para nada.

domingo, 1 de maio de 2011

Como dinamizar o debate das políticas: o exemplo europeu e o português

I
A Europa nos anos sessenta verificou que o desenvolvimento desportivo lhe colocava questões sociais e através do Conselho da Europa encomendou estudos sociológicos.

Na década de setenta começaram a a surgir questões jurídicas entre as relações comerciais de agentes desportivos de países diferentes e a Europa iniciou decisões de índole jurídica.

Nessa altura chegaram as crises petrolíferas que alteraram a relação fiscal dos contribuintes europeus com a despesa pública em desporto e que impedia a realização dos objectivos sociais que a Europa desenvolvia há duas décadas e uma vez mais o Conselho da Europa foi chamado a responder às necessidades do desporto desta vez no domínio económico.

Assim se chega à década de noventa quando, já para o seu final e depois do Caso Bosman, a União Europeia constata pela primeira vez que o desporto é um mercado peculiar e pensa que os países não respondem por inteiro às necessidades de produção desportiva europeia por falhas no produto e na regulação nacional e faz um estudo sobre o mercado desportivo mais relevante.

O Relatório Independente, liderado pelo português José Luís Arnaut, equaciona as relações entre o futebol e a União Europeia. As outras modalidades recusam a futebolização e a União Europeia faz o Livro Branco e com esse documento lança pela primeira vez uma política desportiva de um continente, o europeu.

Actualmente a União Europeia contrata estudos a instituições universitárias em múltiplos domínios nomeadamente na sociologia e na economia.


Aqui chegados deve ainda acrescentar-se que a consistência das políticas europeias foram acompanhadas pelas universidades que responderam aos incentivos da União Europeia e depois fortaleceram as áreas de investigação nacional e são as mais activas que acompanham as actuais e continuadas solicitações europeias.

Acrescente-se que as federações europeias de desporto nacionais e continentais, são interessados activos no produto da investigação incentivando e beneficiando dos seus resultados.

Este processo europeu é claramente incentivado pelo Estado desde há mais de cinquenta anos.


II
Mirandela da Costa e João Boaventura, e a operacionalização de Manuel Boa de Jesus, foram dois líderes desportivos que colocaram Portugal durante os anos oitenta e início de noventa no panorama dos estudos europeus nas diferentes áreas do conhecimento. Houve uma participação alargada de dezenas de quadros nacionais nas reuniões europeias, foram realizados estudos que nunca mais se fizeram com a mesma intensidade em novas áreas do conhecimento, traduziram-se livros, manuais, fizeram-se conferências.

Depois deste período tal como na Europa as universidades acumularam de forma exponencial massa crítica nas ciências do desporto que perdiam, contudo, o contacto com a política nacional e a europeia.

Recentemente fazem-se tropelias como partidarizar a participação em conferências temáticas e onde pontificam juristas obviamente ignorantes das múltiplas áreas da ciência do desporto mas que por razões estranhas ao interesse do desporto nacional vão às reuniões e não fazem como se fazia nos anos oitenta e noventa em que havia relatórios das deslocações e documentos europeus que circulavam.


III
Hoje a Europa vai à frente e bem segura na criação de instrumentos de política desportiva novos, adequados ao continente mais competitivo do mundo, que os países europeus acompanham participando nos projectos, nas conferências temáticas e no incentivo à investigação em ciências do desporto intimamente relacionadas com as políticas para o desenvolvimento sustentado do desporto europeu nacional e continental.


IV
Sistematizando, há vários níveis e parceiros de intervenção no desenvolvimento das ciências do desporto e no debate da política desportiva nacional:
1.      O Estado é fundamental para promover o conhecimento novo que responde exactamente às necessidades do desenvolvimento desportivo nacional face aos objectivos nacionais e aos princípios definidos para o desporto europeu;
2.      As universidades para incentivarem a investigação nas suas instituições segundo as normas científicas que as colocarão entre as melhores;
3.      As organizações associativas e empresariais na resposta às oportunidades de mercado e da sociedade e na colocação de desafios ao Estado para a sustentação de novas áreas e nichos de produção desportiva portuguesa;
4.      A comunicação social tem um papel relevante mas que responderá primeiro aos seus objectivos sociais. Não têm que ser altruístas em relação ao desporto porque os seus objectivos serão a maximização do seu lucro e não o desenvolvimento desportivo. O Estado e o associativismo poderão ter um papel relevante neste domínio;
5.      Os blogues são elementos que as universidades e os líderes desportivos não aproveitam suficientemente porque os 4 pontos anteriores apresentam limitações e não alcançaram o seu potencial.

V
Mirandela da Costa e João Boaventura foram líderes que responderam às necessidades do desporto no seu tempo e cujo exemplo se mantém como uma referência para o futuro.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Oxigenar as soluções

O desporto português está sufocado.

É comum ouvir que os dirigentes desportivos dizer não estão preocupados com os praticantes dos clubes.

A política desportiva dirige-se para pequenos e micro líderes de organizações que lutam pela sua sobrevivência num mercado falido e subsídio-dependente do Estado.

Com essas micro e pequenas organizações conseguem subir aos níveis mais altos da nação.

Falta estatura, a quem com eles lida, para lhes indicar princípios e soluções de responsabilização e risco que os tornem homens de maior impacto social e económico geradores de produto desportivo competitivo e de externalidades abundantes na educação, saúde, economia e segurança dos portugueses.

Os políticos no desporto não ouvem nem conversam partindo para soluções de complexidade crescente que aliás não admitem porque a sua capacidade de diálogo é curta.

Gilberto Madail perdeu a eleição na Europa porque a UEFA percebeu que quem não consegue aprovar estatutos, está num país em bancarrota, nem tem resultados nas selecções nem na champions league então é de uma segunda ordem. Não percebeu que o modelo do Euro2004 chegou ao fim e que a Europa percebeu que a magia de Portugal chegou ao fim.

Não percebeu que deveria já ter projectado Luís Figo para os areópagos europeus do futebol, como não percebeu que as selecções de jovens já não vencem nada e que todo o pudor foi perdido quando Portugal leva à Europa problemas de má educação entre dirigentes de topo como se fossem assuntos de Estado. Não é o único líder a trabalhar mal as suas estrelas porque outros dirigentes de outras federações e organizações desportivas nacionais fazem o mesmo.



As soluções que tenho apresentado neste blogue não têm a pretensão de se projectarem no sistema desportivo.

As máquinas políticas têm uma vida própria e todas as ideias levam uma volta significativa até sair um instrumento de política acabado.

As ideias que vou colocando visam oxigenar as soluções de política desportiva.

O medo de levar instrumentos inovadores aos dirigentes desportivos portugueses aceita as suas características: são fechados, pensam que sabem tudo, fazem o que pensam, destróem a diferença, falam do que não sabem.

Os dirigentes desportivos portugueses pensam que o Estado existe exclusivamente para lhes dar dinheiro.

Estão redondamente enganados.

Os dirigentes desportivos dos países mais ricos do mundo recebem muito menos dinheiro do Estado, por vezes nenhum, e movimentam montantes de capital que os dirigentes desportivos portugueses nem sonham alcançar. Também têm o orgulho de não dependerem do Estado para cumprir os seus objectivos sociais e económicos.

Ouvir os dirigentes desportivos é importante para conhecer os limites e os fracassos da produção desportiva privada.


A política desportiva nacional necessita do oxigénio das ciências do desporto e das outras áreas o que actualmente, ou é recusado, ou são encontradas formas de forçar a mão da política menor sem fôlego de longo prazo.

Há vários anos fiz calculos estatísticos e caracterizei certo nível de prática desportiva.
Anos depois uma investigação noutra área da ciência coincidiu na caracterização.
Foi correcto ter feito a investigação. Ambas as investigações.
O problema é não promover a divulgação, o debate e as conclusões sobre o que fazer com esse conhecimento.
O debate deve ser umacto fácil como respirar sendo igualmente vital.

A característica que detectei há alguns anos corresponde a uma falha da produção desportiva, permanece e não é resolvida.

Os dirigentes desportivos não olham, não vêem e menorizam.
Chegam a ser arrogantes na sua teimosia.
A sociedade portuguesa sabe disso.

Oxigenar as soluções é um atentado à forma de fazer a política desportiva nacional porque as pessoas que actualmente fazem a política desportiva vivem um mundo pequeno e à parte com um modelo de trabalho que se apurou apenas em Portugal nos últimos vinte anos.

Irá esse modelo ser questionado ou continuarão as suas características reverênciais?

segunda-feira, 7 de março de 2011

As ciências do desporto no seu labirinto

Na Europa e no mundo as ciências do desporto surgem e avançam na medida dos objectivos e das necessidades.

Será possível indicar os momentos de aparecimento de cada ciência surgindo na década de sessenta a sociologia através do Conselho da Europa. Nos anos setenta a União Europeia é confrontada com as solicitações de agentes desportivos que situados em países europeus diferentes lhe solicitam respostas que se encontram acima das jurisdições nacionais. Nos anos oitenta com o segundo choque petrolífero é a economia que surge para explicar como actuam os agentes desportivos no mercado. Simultaneamente a diversificação da procura desportiva devido ao investimento continuado da União Europeia no bem-estar desportivo dos seus concidadãos viabiliza a oferta desportiva com finalidade lucrativa através dos ginásios e academias suscitando o aparecimento da gestão do desporto, já na transição dos anos oitenta para os anos noventa. A meio desta década surge o Caso Bosman e a União Europeia constata que a política desportiva exige cada vez mais uma intervenção ao nível da União e em 2007 consagra-a no Tratado de Lisboa.

A economia do desporto acompanhou os cursos de gestão de desporto nos Estados Unidos onde em geral em cada curso a economia do desporto está presente. Também é frequente os grandes projectos desportivos serem acompanhados por estudos económicos.

Na Europa destaca-se a experiência de Limoges que desde início estabeleceu uma parceria entre o direito e a economia. Os países da Europa do norte, centro e sul também acompanham os seus projectos desportivos com estudos económicos, para além de possuírem programas e planos de desenvolvimento sustentado incluindo diferentes ciências do desporto.

Portugal acompanhou o desenvolvimento das ciências do desporto na Europa. Com Mirandela da Costa e João Boaventura na ex-Direcção Geral dos Desportos o país chegou a estar na frente da produção científica entre todos os países europeus.

Sem programas estruturais conjugando as diferentes ciências do desporto para maximizar o potencial das políticas nacionais o direito assumiu uma posição predominante junto dos políticos do desporto devido à sua presença na elaboração da Lei de Bases do Sistema Desportivo (LBSD) em 1990.

Na mesma altura da elaboração da LBSD, Mirandela da Costa fez o Plano Integrado de Desenvolvimento Desportivo (PROIDD), por solicitação de Roberto Carneiro, cujo princípio de avançar a par, o direito e a economia, se perdeu em Portugal.

Vinte anos depois observam-se diferenças fundamentais:
1.       A União Europeia tem um comportamento legislativo liberal deixando aos três níveis de subsidiariedade europeia (a União, os países e as autarquias) as responsabilidades próprias, definindo princípios éticos e legislativos gerais para suporte aos diferentes instrumentos de política. Neste sentido a União Europeia marcou a sua política desportiva com os seguintes instrumentos nos últimos sete anos:
a.       Relatório Independente em 2004;
b.      Livro Branco do Desporto em 2005;
c.       Conta Satélite do Desporto e 2006;
d.      Tratado de Lisboa em 2007;
e.      Estudos económicos a partir de 2008 para a produção de estatísticas europeias.
2.       Portugal se acompanha os projectos europeus em curso não o promove e concentra-se no direito do desporto:
a.       Portugal criou três leis de bases para o desporto o que é um caso único na Europa e nenhum outro sector económico português o fez;
b.      O direito do desporto desenvolveu-se e tem mercado para duas conferências anuais simultâneas.
c.       Tem cursos de licenciatura e de mestrado com predominância ou apenas de direito do desporto.
d.      Do ponto de vista administrativo as organizações do desporto podem trabalhar apenas com base na legislação pública, sendo que, a própria gestão do desporto enquanto área desportiva por excelência forma os seus alunos para o desemprego ou para outras áreas ou para tratarem da aplicação das leis e não para aplicarem os princípios que a gestão lhes ensina e aplicarem.
e.      As instituições públicas do desporto não possuem áreas relacionadas com as ciências sociais.

Em 2012, por ser o ano dos Jogos Olímpicos de Londres, Portugal deveria realizar uma grande conferência anual na Fundação Calouste Gulbenkian ou na Alfândega do Porto juntando o maior número de participantes para debater o futuro do seu desporto.

A Europa suporta a sua política desportiva e o seu direito desportivo em estudos sociais para garantir aos agentes privados europeus um mercado racionalmente competitivo.

Numa palavra a economia do desporto português tem lacunas e falhas no mercado privado e na regulação pública provenientes das políticas desportivas nacionais, as quais se baseiam fundamentalmente no direito como instrumento de política.

Outras ciências do desporto deveriam levantar os olhos da bola e observar o campo de jogo.

Enquanto ciência e cientistas é isso que a sociedade lhes pede que façam.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Albertina Dias: Para mim, é como São Tomé: ver para crer

Albertina Dias como Teresa Machado são pontas do iceberg.

Alguém assume o desafio e assume-o cabalmente?
Falamos e não passamos do palavreado à prática.
Também não somos objectivos a analisar os desafios velhos e os novos.

Vejamos algumas questões:

1 - A Albertina Dias e a Teresa Machado valem tanto quanto as empregadas domésticas de nossa casa?

2 - 15 euros por hora é quanto valem os nossos melhores cem atletas?

3 - Quanto foram os milhares de euros investidos nestas atletas para se tornarem empregadas domésticas?

4 - Qual é o capital que está a ser perdido porque estas atletas, possuindo capacidades extraordinárias, apenas lhes é dado o trabalho de empregadas domésticas?

5 - Quantas mais Albertinas e Teresas, dos dois géneros, estão em risco de serem empregadas domésticas e equiparados?

6 - Quem deveria liderar o combate a este desafio?

7 - Este é um problema do Atletismo ou o Atletismo tem estes casos porque é o único que sabe produzir campeões europeus, mundiais e olímpicos com regularidade?

8 - Nós conhecemos a situação global dos atletas de alto rendimento e possuímos um plano para os valorizar sustentadamente?

9 - Nós conhecemos as soluções adoptadas pelos países mais desenvolvidos do mundo?

10 - O que fizeram até agora de concreto a Comissão de Atletas Olímpicos e a Associação de Atletas Olímpicos?

11 - A CAO e a AAO foram ouvidas por alguém que fez o que lhes era pedido ou simplesmente nada foi feito?

12 - O que é necessário acontecer para que o país seja competente a tratar dos seus atletas de alto rendimento?

Existem franjas, mais ou menos significativas, de praticantes desde os mais jovens aos veteranos que sem saberem corroeram o seu capital desportivo, familiar, económico, profissional e escolar e que por causa do percurso desportivo chegam a situações desesperadas.

Campeãs como Teresa Machado ou Albertina Dias são activos que outras sociedades protegem.

Nunca ouvi um dirigente desportivo português dizer que esta situação é intolerável. Nem a federações, nem à confederação, nem ao comité olímpico ouvi dizer que ia fazer um levantamento da situação e propor medidas ao Governo e à Assembleia da República.

Não conheço estudos sociais sobre a situação dos atletas portugueses de ontem, de hoje e de amanhã.

Esta situação é uma vergonha para a cultura desportiva portuguesa.

Os instrumentos fulcrais para resolver o desafio dos atletas de alto rendimento são:

1 - A ética para definir o objectivo e as metas
2 - A capacidade científica e técnica para criar o instrumental que acompanhe a vida daqueles que competem e com essa dedicação comprometem muito do seu futuro.