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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Em 'off' Vicente Moura terá mostrado o seu contentamento com a nomeação de Alexandre Mestre

Primeiro - Confirma-se a falta de projecto olímpico e de futuro para o desporto nacional

Nas últimas entrevistas a um ano dos Jogos Olímpicos Vicente Moura repetiu várias afirmações que já tinha feito anteriormente:
  1. foi empurrado para sair
  2. ficou porque quis
  3. os atletas devem prestar muita atenção com o que dizem
  4. não fala de medalhas
  5. acordou com o Secretário de Estado do Desporto, à altura, não falar de medalhas
  6. assinou um contrato-programa com o Estado apenas para o projecto olímpico ate 2012
    1. para receber cerca de 14 milhões de euros
    2. não definindo objectivos concretos mas propositadamente vagos
  7. os pagamentos estão a ser realizados atempadamente
  8. chegou ao fim e vai dar lugar a outros líderes mais jovens
Como conclusão surgem duas constatações:
  1. Vicente Moura está cansado porque repete as mesmas ideias há alguns meses a esta parte e já não esconde sequer que não olha para o futuro
  2. Já em 2008 Vicente Moura não tinha um projecto de futuro que não fosse o prolongamento da sua estadia no COP, para contradizer 'todos os que o empurravam'
Eu tenho respeito por Vicente Moura e pela via que conseguiu trilhar para acumular um capital de reputação do COP que antes era desconhecido face à dimensão entretanto alcançada.

A imagem exterior deste feito foram as vitórias dos grandes atletas portugueses em Jogos Olímpicos, foi a sede e todo o imobiliário construído e adquirido pelas federações e os momentos de euforia desportiva nacional que se cruzaram com o Euro 2004.

Outros dirigentes desportivos também tiveram percursos semelhantes e tenho por eles igual respeito variando claro está por motivos que não importa aqui acrescentar.

Não me custa reconhecer o mérito de pessoas que tenho criticado claramente ou de tantos outros com quem me cruzo nos blogues de forma mais forte.

Isto é para dizer que o respeito pela pessoa e pelo trabalho demonstrado existem e existe o sentido da crítica feita sobre o que vai acontecendo e que esta última parte é decisiva para conseguir distinguir o que faço daqueles que o não conseguem ou não querem fazer.


Segundo - todos contentes com Alexandre Mestre

Só a frontalidade perante os acontecimentos é que permite passar ao nível seguinte dada a gravidade do que se passa no desporto português.

O COP terá um presidente novo dentro de 12 a 18 meses.

O Governo que está em funções há mais de um mês irá trabalhar com as federações parcelarmente em mais de 25% do seu mandato, o que significa que terá de manter o diálogo fragmentado até ao fim.

Dado que o presidente do COP não fala do futuro, que não seja não falar de medalhas em 2012, o Governo não vai ter um interlocutor que represente o sistema desportivo.

Vai reunir com o Futebol e o Atletismo e todas as outras federações, uma à vez.

Certamente que todas vão ficar contentes com a nomeação de Alexandre Mestre mesmo que não tenham ideias para apresentar publicamente sobre o futuro do desporto português e das suas modalidades.


Terceiro - há um futuro?

Vamos supor que o óptimo de governance da política desportiva é ter um interlocutor único para a estratégia do desporto nacional.
Há duas formas de preencher o tempo até ter um líder do desporto português:
  1. trabalhar para conseguir os pagamentos atempados acordados para o COP fintando a austeridade
  2. trabalhar para o futuro com a austeridade
Vicente Moura está dentro da primeira hipótese e deveria ser dado a entender a outros líderes do desporto que o seu tempo já chegou ao fim há muitos anos e que não deveriam impedir por mais tempo que novos líderes assumam os destinos do desporto português.

Perder mais um ano num momento de crise profunda e múltipla, incluindo a austeridade, só para pessoas que já estão noutra.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Líderes desportivos fortes e o mercado privado nacional e internacional

O governo tem o desafio de gerar líderes associativos fortes capazes de mobilizar a opinião pública à volta das modalidades e das suas bandeiras sejam atletas, equipas ou treinadores.

A existência de um capital de liderança forte, coeso, realizador e competitivo para dentro e para fora do desporto é fundamental para o governo em dois domínios claros com consequências num terceiro:

  1. Uma capacidade de resposta competitiva aos actos do governo, nomeadamente às medidas de política visando agilizar o mercado e aumentar a sua produtividade.
  2. Uma imagem mobilizadora da opinião pública e com efeitos de alavancagem de patrocínios das empresas que procuram o desporto para a promoção dos seus serviços e actividades desportivas.
  3. A criação de oportunidades de centralizar o financiamento associativo no mercado privado.
Não basta definir um conjunto de novas relações entre a comunicação social e as federações, há a necessidade de criar quadros de relações económicas competitivas a tal ponto que passando as federações a trabalhar mais com os patrocinadores privados tenham a possibilidade de resolver com eficiência tanto os ciclos de produção desportiva, como a variação positiva ou negativa do interesse do patrocinador.

Não estou a dizer que os líderes actuais sejam fracos e também não me estou a referir a maus líderes desportivos. 

Estou a afirmar que eles devem ser fortes aos olhos daqueles que os vão financiar e consumir os produtos da sua estrutura de produção da sua actividade desportiva.

Estou a afirmar que para eles se tornarem fortes cabe ao Estado através de políticas públicas dar-lhes a oportunidade de assumirem em plenitude as responsabilidades que o país e o desporto hoje lhes exigem.

Há governos que preferem ou não conseguem robustecer a capacidade de liderança do associativismo e tornam-nos fracos.

O próximo Presidente do COP deve ser um líder forte, orgulhar-se dos atletas olímpicos e saber o que se passa nas federações

Quando o presidente do COP se reúne com o Ministro do Desporto deve ser incansável na promoção dos atletas olímpicos.

A população necessita da criação de um estado envolvimento pleno e de orgulho sincero pelos atletas e estes devem ser promovidos em todas as oportunidades pelo Governo, pelo COP e pela federação.

É triste ver um presidente do COP que fala do seu umbigo, do seu dinheiro que o Estado lhe dá e do seu projecto museológico.

Este é que foi o objecto da reunião, num momento tão difícil para o país e para o desporto?

Não é aceitável que não enalteça os atletas olímpicos, não fale das suas medalhas e nem tenha uma única palavra para as condições com que trabalham as federações que municiam com o capital desportivo extraordinário e raro as equipas nacionais presentes aos Jogos Olímpicos.

Obviamente presidente do COP que não representa ou representa mal, perante o Estado os interesses dos seus parceiros associativos então está a prejudicar os reais interesses dos seus parceiros.

Haverá falta de credibilidade de um líder que não defende com intransigência os interesses do desporto português.

É necessário que o desporto português tenha líderes fortes, capazes de equacionar políticas ambiciosas e não tenham o receio de meter as mãos no lume pelos seus objectivos, pelos seus atletas e pelos seus conseguimentos.

Só líderes desportivos fracos são protegidos por estratégias escondidas da opinião pública, como a de não falar de medalhas, nem enaltecer os campeões desportivos nacionais, nem defender o trabalho das federações e os seus desafios actuais.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Álvaro Santos Pereira está enganado

No blogue Colectividade Desportiva, aqui, um anónimo cita:

'Álvaro Santos Pereira - Ministro da Economia - in "Portugal na Hora da Verdade", pág. 323: 'E se fôssemos um pouco mais longe e, para além destes cortes, extinguíssemos organismos como o Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres e o Instituto da Construção e do Imobiliário, cortássemos para metade as despesas do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça e do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, e em 20% as do Instituto do Desporto(...)'.

Há três questões em relação à afirmação de Álvaro Santos Pereira nesta citação:
  1. Não tem razão em relação ao desporto porque o impacto seria mau e com impactos negativos de ainda maior expressão noutros ramos inclusive na economia. Acontece que ASP não fará a ideia do que é economicamente o desporto europeu e em particular o português. Em concreto do ponto de vista económico, e até prova em contrário, os seus conhecimentos relacionam-se com o modelo de desporto americano o que é limitativo da sua compreensão do modelo de desporto europeu.
  2. Estas afirmações deveriam ser confrontadas pelos líderes desportivos com provas das consequências da medida proposta. O desporto não tem os líderes e não tem as equipas de conhecimento para elaborarem os processos para informação ministerial do que fazer para que o país e os outros sectores beneficiem do desenvolvimento sustentado do desporto.
  3. A homogeneidade de princípios de actuação deste governo tem duas hipóteses contrárias:
    1. Constitui uma equipa conhecedora do desporto português e das alternativas de desenvolvimento e aplica as medidas de austeridades mediante filtros capazes de projectarem o desporto português corrigindo os fracassos actuais e promovendo o bem comum.
    2. Constitui uma equipa estritamente fiel aos princípios de austeridade e suporta a prazo um sucesso equivalente e mais do que proporcional ao dos últimos seis anos de governação José Sócrates.
Em síntese:
  1. as ideias preconcebidas sobre o desporto são muitas e algumas são muito prejudiciais ao desporto
  2. o desporto não tem líderes à altura da crise, visão, estratégia, nem capital humano ao nível do exigido pelas crises
  3. o futuro está todo na actuação no governo PSD/CDS

domingo, 19 de junho de 2011

Que critérios de avaliação para o desempenho das lideranças no desporto

Alguns critérios ajudam a conceber estilos de liderança mais activa para o desporto:
  1. ter uma visão para a modalidade, implicando haver a apresentação das ideias por escrito e outras formas publicitadas na internet e um debate
  2. promover uma governance interna auditada por entidades independentes, como concursos efectuados na comunicação social e acontece com as empresas privadas
  3. criar programas com um modelo de desenvolvimento incluindo metas quantificadas
  4. ter estatísticas publicitadas na internet sobre os resultados alcançados
  5. colocar praticantes da modalidade em programas de formação para profissões e para líderes dentro e fora da modalidade ou do desporto
  6. colocar atletas e treinadores em lugares elegíveis para as eleições internas nas federações e organizações nacionais e também nas internacionais da modalidade
  7. Concepção de uma estruturação visando a modernidade dos clubes e organizações desde a base atentando os valores humanos e de liderança que vão surgindo para renovação do topo com elementos provenientes das estruturas locais de sucesso
  8. capacidade de apresentação ao desporto e fora do desporto de soluções inovadoras possuindo líderes activos nas estruturas de direcção do desporto nacional
  9. garantir um relacionamento próximo entre a universidade e a modalidade em múltiplos domínios
  10. ter uma boa imagem na opinião pública e uma presença assídua nos órgãos de comunicação social
  11. assegurar níveis de financiamento, independência e sustentabilidade plurais tanto do Estado como do mercado privado
  12. ser reconhecido pela independência de defesa dos interesses do desporto e da modalidade face aos agentes de maior poder político ou económico
Esta lista mostra que o grau de abertura para reformar profundamente o desporto pode passar por instrumentos e procedimentos que envolvem a sociedade e todo o desporto e não um certo maniqueísmo relacionado com o bem do jurídico e da lei de bases e do mal de tudo o resto.

Francisco Assis do PS contra a juventude do novo governo PSD-PP

O Desporto tem para a troca se Francisco Assis quiser ficar com alguns seniores e deixar jovens subirem na hierarquia de liderança do desporto.

O argumento da falta de experiência choca com o sucesso de José Mourinho e de Tomás Morais e da afirmação que se pede a atletas cada vez mais jovens em inúmeras modalidades. Ver aqui notícia sobre José Mourinho.

O argumento choca com imagens de ministros por essa Europa onde a juventude é superior à senioridade.

No desporto outra situação é distinta da Europa.

A Europa assume a liderança das instituições pelos antigos atletas como Platini, tendo também exemplos de excesso como Blatter. Em Portugal um levantamento da situação permitiria verificar se a percepção de primazia a pessoas reformadas, com larga disponibilidade de militares e dos juristas, é uma realidade clara ou tendencial.

Há razões da fraca valorização da técnica para a ultrapassagem destas mesmas profissões e de desenvolvimento pleno dos atletas tanto os de maior sucesso como outros que teriam na ascenção na estrutura de liderança a afirmação de qualidades e do capital desportivo angariado na competição de alto rendimento.

Este é um dos aspectos a desenvolver futuramente o da avaliação do desempenho de direcções e organizações desportivas que não acompanha e se distingue claramente da avaliação de desempenho que os atletas são sujeitos na competição.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A liderança no desporto: falam José Constantino e António Barreto

Hoje estive com um ex-colega que não falava há muitos anos mas sempre nos fomos acompanhando.

O fundo da conversa foram os desafios das federações em geral e da sua em particular no respeitante à produção desportiva de base.

Avançámos várias ideias nem sempre coincidentes e permitiu ver que de parte a parte havia argumentos fortes e possibilidades de desenvolvimentos.

Entretanto José Constantino no Colectividade Desportiva, aqui, fala do voluntarismo e António Barreto numa entrevista no jornal i, aqui, fala do direito das pessoas poderem trabalhar até mais tarde sem serem obrigadas a sair.

Creio que o âmbito da nota do primeiro são os cargos de liderança e os do segundo aquelas actividades em que o limite de idade é uma imposição legal, não se referindo necessariamente aos lugares de chefia.

Aceitando a argumentação de António Barreto em relação ao diferimento do limite de idade de acordo com condições do próprio individuo e das necessidades do seu trabalho é importante discutir as questões relacionadas com a liderança das organizações desportivas onde se eternizam líderes conhecidos.

Vicente Moura e Gilberto Madail creio que são líderes que se enquadram numa questão da liderança desportiva que deveria ser debatida publicamente.

Há vários casos que apontam para a sua saída e que se nõ houver um debate público tenderão a querer permanecer mais tempo.

As questões que apontam a sua saída são:
  1. foi durante a sua liderança que aconteceram alguns fracassos quer olímpicos quer do futebol
  2. particularmente, houve a falha de uma eleição internacional no caso do futebol, prejudicando gravemente a modalidade
  3. nenhum publica os benefícios materiais e financeiros que recebe pelo desempenho dos cargos que são também pagos por dinheiros públicos
  4. face a problemas havidos nenhum realizou uma auditoria externa e credível ao acontecido
  5. nenhum realizou um programa de desenvolvimento sustentado de longo prazo
  6. nenhum projectou a sua acção sobre o desporto nacional sendo certo que qualquer uma das actividades tem impactos decisivos e nem sempre positivos sobre o desporto nacional
Estes pontos sugerem que a sua saída permitiria a subida de dirigentes mais jovens como acontece no governo do país e também se observa noutras organizações desportivas europeias ao nível nacional.

Uma das lacunas da liderança nacional é a existência de líderes que se eternizam impedindo o acesso de líderes mais jovens, mesmo que venham a cometer erros.

Os velhos líderes do desporto português, quanto ao modo como  actuam e não quanto à idade têm um custo elevado para o desporto português.

Os velhos líderes são inquestionáveis pela distância que criam com a realidade e através do consumo de recursos públicos para sustentar necessidades distintas das necessidades dos atletas que competem e das organizações que produzem o desporto.

O que Gilberto Madail e Vicente Moura deveriam fazer era organizar eleições democráticas e competitivas garantindo o confronto transparente e a independência dos candidatos perante as direcções cessantes ou outras forças, ao mesmo tempo que assegurariam a definição clara do que é melhor para os respectivos sectores.

Mas esta perspectiva parece ser uma contradição nos termos.


Nesta altura o PSD e o PP tem o desafio de colocarem à frente do desporto alguém de dentro do sector capaz de uma dedicação extrema podendo rentabilizar não só o interesse dos partidos como o do desporto.

Outra solução mais usual é o descrédito sobre o sector e nos seus líderes e usar um quadro político partidário o que gera limitações óbvias a observar no último lugar que o desporto português ocupa genericamente na Europa.

Há pessoas no desporto, poucas mas há capazes de fazer um lugar politicamente coerente e potenciador do bem comum nacional através do desporto.

Também há pessoas que são um susto e isto aplica-se a qualquer um.


Terminarei dizendo que há necessidade de uma transformação geracional no desporto português e tudo vai depender do que o PSD e o PP conseguir decidir de bom para o desporto nas próximas horas.

domingo, 12 de junho de 2011

O desporto tem dez dias depois da posse

Aqui, segundo o Jornal i 'As bases programáticas saídas das negociações (entre o PSD e o PP) não vão constituir um programa de governo encerrado uma vez que cada ministro terá uma palavra a dizer nas questões mais operacionais. O programa terá de ser entregue até dez dias após a tomada de posse para depois ser discutido no Parlamento mas entre os dois partidos há o consenso de encurtar os prazos.'

Está o desporto pronto e apto a ter uma discussão urgente com o novo ministro do desporto, caso este tenha essa necessidade, sobre o fundamental para o sector para nos próximos anos fazer frente à austeridade e lançar as bases da conquista das metas europeias?

Caso exista esta oportunidade, quem negoceia com o governo?

Todos os presidentes das federações?

Só alguns?

Gilberto Madail, Vicente Moura, Fernando Mota, ...?

O Conselho Nacional do Desporto?

Os tempos que aí vêem vão ser certamente estimulantes do ponto de vista da feitura da política e muito mais pressionantes do que foram há seis anos os da maioria PS.

Parece que o Governo vai ter de avançar sózinho, mesmo que estabeleça um mínimo de contactos em sigilo. As razões para avançar sózinho serão:
  1. o desporto não está preparado programaticamente para equacionar alternativamente austeridade e reforma estrutural
  2. o desporto não tem um líder num cargo de topo direccionado para o futuro
  3. o desporto não tem uma organização líder COP/CDP que represente o interesse comum dos produtores nacionais de desporto
  4. o desporto não tem nem reconhece em ninguém uma equipa de técnicos, cientistas e investigadores que lhe preparem em muito pouco tempo as alternativas fundamentais do seu futuro
  5. se o ministro do desporto disser hoje ao desporto que necessita de uma resposta face aos aspectos operacionais colocados pelo governo, a resposta do desporto será fragilmente sustentada
  6. o desporto está nas nuvens e não fez nada desde início da crise e na entrevista que deu o responsável pelo COP continuou a falar dos Jogos Olímpicos em Lisboa como motivo para a estruturação do sector
  7. os principais líderes do desporto estão de saída por antiguidade e é no mínimo complicado comprometer o desporto com quem está de saída ou com quem perdeu recentemente eleições internacionais que esperava ganhar para continuar
  8. a reestruturação orgânica e novas eleições, com líderes respeitados, dar-se-ão apenas dentro de muitos meses e vai ter de fazer parte das negociações do futuro
Mais uma vez o desporto parece continuar a não estar preparado para defrontar as necessidades do futuro qualquer que seja a forma que ele tome, sejam as necessidades do país que o governo vai assumir seja a sobrevivência de inúmeros sectores do desporto que vão sofrer imenso, como nunca viram, à medida que se efectivar o caderno de responsabilidades da troika.

O desporto necessita de um líder público enormemente comprometido com o desporto para além de uma dimensão intrinsecamente nacional.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O desporto merece um secretário de estado capaz de um nascimento de Portugal para o desporto europeu

Diz Joaquim Aguiar na RTPN no programa Directo ao Assunto, aqui, que a geração dos funcionários dos partidos criou pessoas que se deixam estar no sítio certo até alcançarem os lugares cimeiros. Finaliza dizendo que 'renovar é com os fundadores'.

Tem havido a nomeação de funcionários partidários no desporto que depois são substítuídos por outros funcionários partidários e essa nomeação é glosada pelos líderes associativos. Os cargos públicos da cadeia de liderança pública do desporto são ocupados por funcionários dedicados ao partido começando a ocupação dos lugares pelos lugares dos técnicos que trabalham com as direcções. Isto tem sido mau para o desporto e para os partidos porque ao prejudicar o desporto deveria prejudicar o partido.

Há as histórias sobre coisas que não dignificam quem ocupa os lugares e os partidos que nomearam os seus funcionários para líderes do desporto.

Desconhecendo o que é produzir a actividade desportiva é comum ouvi-los dizer questões que não são correctas ou não ouvi-los de todo porque se apercebem que o melhor é de facto calarem-se para não demonstrarem a sua ignorância sobre as matérias que tutelam.

Por vezes, também fazem promessas que depois não sabem cumprir e porventura não sabem que deviam cumprir, nem avaliam o mal que fazem pelas promessas que não cumprem.

Era bom que isto começasse a ser corrigido.


O desporto necessita de levantar voo para a Europa e isso apenas se fará com equipas bem formadas em múltiplos domínios, conhecedoras do que é o desporto e capazes de dialogar, assumir decisões, conseguir caracterizar os erros cometidos e propor soluções sem perder a face e sem diminuir os outros parceiros de viagem.

Conceber um desporto para a média europeia é um feito que o desporto não alcançou ainda.

Isso tem sido por vezes equacionado mas os caminhos percorridos nem sempre são os aconselhados e a falha surge mais cedo ou mais tarde.

Tem de ser uma pessoa com coragem política e capaz de trabalhar o partido sem sufocar o desporto porque tem de colocar o desporto a ajudar a resolução da crise nacional e colocar o desporto em trilhos definitivamente diferentes do passado.

Passos Coelho e Paulo Portas têm a palavra, mesmo que desconheçam a sua importância decisiva para a renovação do nosso desporto.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os fiéis da balança

Ontem dois responsáveis federativos estavam a conversar e queriam estar sós.

À sua responsabilidade têm milhares de praticantes e estão isolados nos seus cargos, contam com eles próprios e a experiência que a sua inteligência permitiu acumular.

Por vezes são solidários para transmitir dicas sobre o possível para conseguir margens que viabilizam as respectivas lideranças.

Muitas vezes chocaram e sabem bem das dores do outro e da respectiva mestria para sustentar o produto desportivo único de que cada um é responsável primeiro em Portugal.

A falta de confiança no mercado do desporto e de pluralidade de valias técnicas e organizacionais impede-os de actuarem para além de determinados limites.

Mesmo que no passado tenham ultrapassado limites e sido arrojados hoje os tempos são de restrição e é desajustado trilhar caminhos que a experiência lhes diz serem mais arriscados.

Por isso, não socializam os fracassos do mercado do desporto na opinião pública e o produto desportivo português é mais pequeno.

Eles são activos positivos para a convergência do desporto português.

O seu produto privado pode melhorar com políticas de reestruturação que estão entre as políticas fundamentais que terão dois objectivos:
  1. racionalizar o produto privado, maximizando-o e gerando uma nova mais-valia desportiva;
  2. maximizar o produto público complementando o privado.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sobre a junção das organizações associativas privadas

Não é possível colocar num programa partidário de governo a junção de organismos desportivos privados.

O que o programa do PSD não tem, nem o do PS, até agora são as políticas que definam a sustentabilidade das organizações a quem entregam recursos que são públicos para a obtenção de serviços públicos produzidos por entes privados.

Há situações de ineficiência contratual com o associativismo desportivo que prejudicam o Estado português e a produção de bens públicos no alto rendimento desportivo nacional.

Quando há demasiadas organizações, presidentes e vice-presidentes, vogais, administrativos, sedes e equipamento vário, viaturas, cartões de crédito, jantares no Casino Estoril isso será aceitável para as próprias organizações privadas e menos aceitável em organizações financiadas pelo erário público.

Note-se que se estas organizações desportivas privadas tivessem um currículo invejável e de sucesso desportivo como as suas congéneres europeias ainda seria possível compreender a complexidade da estrutura.

Conhecem-se exemplos de outros países exemplares desportivamente que juntaram o respectivo CO e a CD.

Porém, o desporto português com estas estruturas duplicadas demonstra que não consegue produzir porque são estruturas directivas pesadas e sem competências desportivas com raras excepções.

O atletismo, o judo, a canoagem e não me querendo alongar mais, outras pessoas poderão acrescentar outras modalidades, possuem valências e competências claramente de topo no desporto português.

Há organizações como o COP e a CDP que não se compreende bem o que fazem de útil para o produto desportivo português.

Foi isso que se perguntou a sociedade portuguesa em 2008 quando conheceu a ineficácia do contrato-programa para Pequim. Desde há muito o Estado tem feito pouco para esclarecer esta situação com risco acrescido para o financiamento público como se observa quando o COP faz um contrato-programa que não cumpre e mantém uma actuação como se fosse a organização com a melhor governance desportiva desta Europa que nunca conseguiu ser.

Há que compreender qual o âmbito da actuação das organizações desportivas de topo nacionais e estas têm duas opções:
  1. No âmbito da sua produção privada fazem o que muito bem entenderem com os seus capitais próprios, não dependendo financeiramente do Estado;
  2. Porque o Estado solicita produto desportivo público para gerar um bem-estar adicional para os portugueses e as federações aceitam produzir esses serviços, o Estado e as organizações privadas têm de acertar questões relacionadas com a estrutura de produção de serviços públicos por entes privados. Isto quer dizer que a produção de serviços públicos tem de ser feita segundo critérios de eficiência e de produtividade bem definidos que maximizem o output e o impacto dos fundos públicos.

Ou os partidos concorrentes às eleições falam destas questões de maior competência para o objecto da política desportiva ou então as próximas eleições trarão mais do mesmo, com as mesmas pessoas, mesmo que o desporto e a cultura passem a estar no mesmo ministério.

Certamente que os agentes privados gostariam de obter o melhor resultados para os financiamentos públicos e gostariam de ouvir o que pensam os partidos concorrentes às eleições legislativas para poderem adequar o seu comportamento desportivo, económico e social.

Os líderes desportivos mais conscientes estarão preocupados porque notam a carência de iniciativas políticas e técnicas, documentos, especialistas, programas especializados para maximizar o produto desportivo e melhorar o bem-estar dos portugueses.

Os líderes das federações são obrigados a acompanhar duas organizações o COP e a CDP e sabem melhor do que ninguém que o seu trabalho é questionável e os resultados das suas modalidades no contexto europeu vai decaindo ou não cresce como estes líderes prometeram quando foram eleitos e alvitram que Portugal não possui uma liderança inequívoca no desporto.

Era bom que os partidos falassem sobre esta dificuldade de produtividade do desporto.

O debate eleitoral tem trazido a relevância da produtividade dos trabalhadores portugueses para o futuro da economia e do país.

Quando se falará da produtividade da liderança desportiva para o sucesso do desporto português?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

O desafio das frágeis chefias intermédias

Um doutorando faz uma abordagem quantitativa demonstrando três aspectos:
  1. menos de 10% de praticantes de um segmento da prática desportiva em Portugal;
  2. mais de 70% de praticantes no mesmo segmento da prática desportiva na Catalunha;
  3. a situação de Portugal é insustentável e o doutorando apresenta um modelo alternativo baseado em inúmeras experiências europeias, cientificamente demonstrando a exequibilidade.
Segue-se o líder intermédio do sector que denota três aspectos:
  1. apresenta números absolutos da realidade actual, não os relativizando e citando apenas a realidade nacional;
  2. tem erros de raciocínio, de construção do modelo e apresenta uma política desacreditada;
  3. reafirma estar convencido que a política que apresentou é a melhor, apesar de ter conhecimento da intervenção que acaba de ser feita pelo doutorando e que esmaga a sua apresentação.
Os líderes desportivos actuais do desporto português, intermédios no exemplo que estou a apresentar, não têm cultura desportiva europeia em termos gerais, não assumem a cultura e a camisola da sua instituição baseando a sua actuação em princípios éticos, desportivos e sociais, não sabem defrontar e debater as dificuldades nacionais face a modelos teóricos e europeus alternativos.

Noutro nível o líder intermédio não foi capaz de dialogar com o doutorando nem durante a realização do evento, nem no seu final.

Este fracasso da liderança nacional continuará enquanto os líderes do desporto continuarem a ser escolhidos sem relação com o mérito e a capacidade de efectivamente terem e gerarem valor acrescentado para o desporto e a população portuguesa.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Os líderes desportivos deveriam insistir que o desporto é um sector social

Sem porta-vozes sociais reconhecidos e com alguns maus protagonistas o desporto não consegue colocar as suas características junto dos locais onde se produz a política nacional.

Passaram-se vinte anos quando Porter reconheceu como um sector relevante para Portugal e o desporto português perdeu essa vantagem.

O desporto é considerado como um sector não social ligado a fracassos clamorosos como os estádios do Euro2004, que todos os dias os jornais glozam como fundamento da falência do país, os apitos, a dopagem e os processos judiciais intermináveis largamente protagonizados na comunicação social para uma discussão mais conseguida do que se torna a miséria do sector.

O desporto não tem protagonistas na comunicação social para dar a volta ao resultado falando das questões relevantes da política desportiva e dos interesses desportivos da população portuguesa.

A diferença com os outros sectores é imensa e o actual silêncio do desporto cava mais fundo a queda do sector.

As maiores federações perderão 15% de financiamentos base porque não pertencerão aos sectores sociais que a Troika não terá mexido,segundo se garante ao intervalo de um jogo da Champions League.

Ainda há algumas semanas a Cultura recebeu um pacote adicional de 5 milhões de euros.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Para quando e onde debates entre ex-responsáveis do desporto?

Não tenho visto e gostaria de ver o debate de políticas desportivas entre ex-dirigentes da administração pública desportiva, assim como entre líderes das organizações desportivas privadas.

É diferente dos 'opinion makers' correntes e ter pessoas que tenham ocupado cargos de responsabilidade na AP.

Não sei se a limitação é da comunicação social, jornais, rádios e televisões, ou se é falta de projecção por parte das máquinas partidárias.

Haverá faltas de ambas as partes.

Também não tenho visto investigadores e universitários.

Creio que estes seriam elementos qualificadores do debate público.

Eventualmente o ensimesmamento do CND levou a esta situação.

Nas diferentes áreas serão escassos os líderes desportivos com capacidade mediática e uma posição de política desportiva.

A criação de uma imagem é um percurso longo que tem sido destruído em Portugal e não construído.

O mau confronto partidário nacional tem destruído a reputação do desporto pela fuga à assumpção das suas responsabilidades, debate de ideias e de princípios de suporte às políticas e também à incapacidade demonstrada de actuação sobre os desafios colocados pelos desajustamentos do mercado do desporto.

O desporto não tem de concordar com o que os seus principais tribunos dizem mas tem de lhes dar espaço para que a imagem do desporto fora do desporto cresça, crescendo o desporto com eles.

São poucos, são escassos e são únicos.

Indubitavelmente são estrelas como os melhores atletas e fazem falta ao desporto português, principalmente no actual momento de crise e de desconhecimento que modelo de produção adoptar.

Eles são também os referenciais éticos.

Na voragem da comunicação social realçam-se os elementos 'contumazes' cujo exemplo pueril, pejorativo ou pecaminoso atraem, abafam e negam o que de luminoso, entusiasmante e positivo o desporto tem tanto para oferecer.

Sem estes líderes para formar uma opinião pública desportiva nacional assiste-se a enormidades por líderes de outros sectores que falam de desporto de acordo com as suas experiências pessoais que não são muito ricas desportivamente falando.

Era bom que a comunicação social formulasse pedidos de presença em debates sobre o futuro do desporto aos partidos, solicitasse e insistisse com os líderes das federações ou que procurasse ex-responsáveis desportivos no caso de falharem alguns contactos.

O desporto para ser pleno precisa de líderes que não tenham receio de debater as suas ideias democraticamente.

Sabe-se também como há instituições que cortam pernas mas é importante olhar para o futuro e ver o que é melhor para o desporto se o silêncio actual ou se um desporto frontal e efervescente de ideias e de respeito pelo outro.

É a isso que se chama fair-play e se incentiva os atletas a praticar. Não é?

sábado, 16 de abril de 2011

Os banqueiros unem-se para tratar dos seus problemas

Os presidentes das federações trabalham em separado com e sem crise.

Segundo se diz o PSD já reuniu com alguns presidentes considerados próximos das suas cores.

O PS terá feito o mesmo.

Este é o procedimento comum ao longo das décadas ouvem-se os presidentes das federações e alguns especialistas e está feito o trabalho para a legislatura do desporto.


Dentro de algum tempo começará a ver-se quem são os vencedores e os perdedores no mercado financeiro e no mercado do desporto.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Na demissão de Fernando Mota

Fernando Mota foi o único presidente de federação a saber conquistar medalhas olímpicas com regularidade nos jogos em que participou a sua modalidade.

Se o atletismo português não ganhou mais foi porque as condições políticas e institucionais eram frágeis e não permitiram ir mais longe.

Vai haver um antes e um depois de Fernando Mota no atletismo português porque a maior parte das suas vitórias foram-no nos últimos trinta anos, com a tendência que já vinha de trás com o trabalho de Moniz Pereira, por exemplo, Fernando Mota liderou a diversificação para as disciplinas mais técnicas, chamemos-lhes assim, da prática de alto rendimento mantendo o nível que o fundo e o meio-fundo tinha alcançado.

No Atletismo português não fomos pequeninos e pobres como costuma dizer quem não se responsabiliza quando deve fazê-lo, segundo a ética que prega aos atletas e treinadores, e nada ganha de nível mundial.

Também na responsabilização acaba por haver uma diferença na praxis de Fernando Mota.

O futuro dirá como o desporto português estará ainda no período de altissima performance que Fernando Mota demonstrou estar ao alcance de Portugal.

Está por demonstrar que havendo uma liderança de política desportiva pelos mais altos padrões europeus o potencial da liderança desportiva de Fernando Mota esteja afinal ainda por alcançar.