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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O problema do risco moral

Os eleitores elegem os governos esperando determinados resultados a partir das promessas feitas pelos candidatos eleitorais.

Porém, o funcionamento das instituições que são lideradas pelo candidato vencedor tem características que os candidatos dominam e que são difíceis de controlar pelos eleitores.

O risco moral é o eleitor esperar que o PSD faça diferente e melhor do que o PS e depois não consegue distinguir a actuação de um e do outro.

No caso do desporto a austeridade imposta pela Troika amarra 3 candidatos que assinaram as propostas dos estrangeiros e o votante desportivo não compreende a relação entre as medidas da Troika e os desafios do desporto.

O discurso do candidato vencedor fala de austeridade, fica contente com os sub-20 e dá-lhes os parabéns pessoalmente na final, diz que vai poupar milhões com uma fusão de vários organismos, fala de sub-facturação na máquina do Estado e nada deste discurso fala dos desafios antigos do desporto nem dos novos que estão a surgir.

Os eleitores estão em branco porque eventualmente as suas preocupações serão:

  1. Como aumentar o consumo desportivo da população portuguesa para mais de 60% do seu total?
  2. Como capturar os benefícios externos gerados para dentro do próprio desporto?
  3. Como capturar os benefícios externos gerados para benefício escolar e de saúde dos jovens?
  4. Qual a dimensão do benefício total gerado pelo produto desportivo antes e depois de alcançada a meta dos 60% de prática?
  5. O discurso da austeridade e a poupança com a fusão terá impactos negativos no consumo desportivo de que dimensão? 
  6.  Que outras medidas deveriam estar a ser anunciadas?
O candidato vencedor é que conhece ou vai passar a conhecer a máquina do Estado para o desporto e isso levanta outro conjunto de questões:
  1. Está a orgânica do Estado e das federações preparada para desenvolver o consumo desportivo para mais de 60% da população?
  2. Se o produto económico do desporto valer 1,5 mil milhões de euros como diz o INE e o crescimento para os 60% de consumo desportivo valer 2,5 mil milhões de euros, está a orgânica do Estado preparada para regular bem esses 2,5 MM€?
  3. Ou pelo contrário a máquina do Estado e os eleitores estão mal preparados para implementar medidas de alavancagem do produto desportivo nacional? 
  4. Por exemplo, os apoios que o desporto tem dado para o desporto automóvel podem sustentar-se no orçamento do desporto ou deveriam ser contidos e diminuídos pela parte do desporto, indo buscar valias aos sectores do turismo e da economia que beneficiam dos 96 milhões de euros indicados pelo estudo económico do ACP? 
A questão relevante do risco moral é que a máquina do Estado nem o seu eleitorado não estará preparada 
para produzir desporto para a média europeia. Vejamos dois pontos:

  1. Em termos económicos pode dizer-se que a estrutura administrativa e jurisdicional criada é incapaz de produzir o diferencial de 1000 milhões de euros de produto desportivo necessário a Portugal aproximar-se mais rapidamente da média europeia. Estamos mal ao nível da máquina do Estado.
  2. Nenhum país do ocidente europeu durante o século XX e neste início de século XXI desenvolveu o seu desporto sem recurso a medidas de desenvolvimento sustentado e de eficiência económica. Os países do leste europeu procuraram manter resultados com a sua transição no início dos anos noventa e agora estão imparáveis. Estamos mal ao nível do conceito nacional de desenvolvimento do desporto.


Há desafios novos, muitos que são velhos, que surgem todos os dias e demonstram como tem havido lacunas de capital de regulação pública.

Esses desafios são a arbitragem, a compra de direitos do futebol profissional, a competitividade do futebol profissional, o imenso pacote das infraestruturas, a criação e formação de quadros técnicos qualificados, a falência dos clubes desportivos de base, o desporto para os jovens, o erro mantido da Fundação INATEL, a compreensão do desporto automóvel e das super-motos, o alto rendimento desportivo e a produtividade olímpica, os talentos desportivos nacionais, o mercado dos jovens jogadores profissionais,os mega-eventos desportivos, etc.

A regulação pela via legislativa do modelo desportivo português tem quase cem entradas no site do IDP e está feito com uma racionalidade que impede a competitividade desportiva, económica e social dos parceiros privados e que os leva a assumir comportamentos que visam a captura de rendas públicas.

O Estado tem pouca capacidade de regulação e potenciação pelo mercado privado destas parcerias como se observa nas palavras do presidente do ACP dizendo publicamente que o Estado lhe deve 2 milhões de euros de subsídios atrasados.

A máquina do Estado tem de ser capaz de atribuir aos agentes privados exactamente o valor de subsídio público equivalente ao benefício que a população beneficia e no caso vertente é questionável que tal esteja a acontecer estando o Estado a atribuir subsídios que não beneficiam os consumidores desportivos e são externalizados para agentes da indústria automóvel e do turismo.

O que acontece é que a máquina do Estado não tem a capacidade para analisar os impactos das suas medidas e a conceber medidas de racionalização e eficiência no mercado do desporto nacional que beneficiem as população e os agente locais.

A actual máquina do Estado central dá sinais à sua máquina local para racionalizar a sua acção em direcção aos agentes económica e socialmente mais activos não contrariando os ciclos de prosperidade e de declínio sectorial e sendo pró-cíclica investe nos mais activos no momento do crescimento e retira aos mais carentes no momento da austeridade.

Laurentino Dias terá dado subsídios ao desporto automóvel em 2008 com o momento de expansão económica e depois terá revisto esse posicionamento com a contracção o que parece ter sido correcto.

Ter-lhe-à faltado know-how administrativo, técnico e político para suportar a alteração da política adequada ao novo momento da economia do país.



Neste novo momento da economia do desporto a necessidade de uma nova máquina do Estado e das federações vai para bastante mais além do que as medidas de austeridade anunciadas a contento da Troika.

domingo, 21 de agosto de 2011

O fim da Parque Expo e do prenúncio da extinsão do Polis e o Desporto


O Programa Pólis tinha princípios que faziam algum sentido e que nos habituamos a beneficiar à medida que as cidades se tornavam mais bonitas, ordenadas e mostravam como tinhamos uma cultura e meios para a concretizar.

Como tantos projectos o Estado terá investido demasiado nem sempre valorizando o sentido público. O seu fim como outras do pacote de medidas anunciadas durante 6 anos, todos os dias, às 8 horas da noite por José Sócrates haviam de ter um fim.

O desporto nunca teve um programa estrutural de desenvolvimento sustentado anunciado por José Sócrates, às 8 horas da noite, de um dia qualquer dos 6 anos que passaram.

Os talentos desportivos exploram-se, quando aparecem aleatoriamente, e as organizações privadas desportivas são exauridas das rendas para além da racionalidade e do bem-estar social.

Sem politicas desportivas orientadas por objectivos sociais e um investimento estrutural eficiente, o comportamento dos agentes privados valoriza a obtenção de rendas com finalidade lucrativa e para além do ponto de equilíbrio.

O xix governo anuncia no seu programa o desenvolvimento das actividades que se relacionam com a gestão das actividades de alto rendimento, dos talentos aos eventos, como actividades que beneficiam o turismo.

Não é de esperar que o xix governo, ao contrário de José Sócrates, equacione um programa de desenvolvimento desportivo sustentado.

O xvii e xviii governos não desenvolveram programas estruturais para o desporto. O único que terá tido um sentido equivalente seriam os investimentos do QREN e de que se desconhecem documentos que demonstrem a razão e a dimensão do investimento assim como dos resultados esperados e dos conseguidos.

O que acontece com os jovens praticantes de excepção em todas as modalidades desportivas nacionais é a incapacidade de canalizar para o desporto meios que deslocando-se internamente pelo desporto geram efeitos multiplicadores e alavancam a sociedade e a iniciativa local em capital desportivo, económico e social.

Pelo contrário, os investimentos em infraestruturas estádios e outros equipamentos autárquicos feitos desgarradamente concentram a riqueza e os investimentos públicos em finalidades fora do desporto para gerar rendas sem uma relação com a efficiência da produção sustentada de desporto.

Actualmente, por um lado, a oposição PSD em Leiria não quer a privatização do Estádio Magalhães Pessoa, por outro, o ministério da agricultura privatiza o Pavilhão Atlântico.

A coerência nunca foi o ponto forte da política desportiva em Portugal.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Este COP está sempre a surpreender-nos

Há anos um funcionário do COP garantia num jornal de grande tiragem nacional, na página dos opinion makers importantes, que os Jogos Olímpicos em Portugal eram economicamente justificados e que havia estudos de grandes investigadores de economia que sustentavam a viabilidade ecoonómica dos Jogos Olímpicos e isso era o suficiente para Lisboa ser candidata.

Agora o chefe de missão a Londres, de seu nome Mário Santos e Presidente da Canoagem, diz que falta ao desporto um modelo de sustentabilidade económica porque já tem infra-estruturas. Ver no Diário de Notícias, aqui.

As suas frases merecem ser reproduzidas:
  1. ""Neste momento, Portugal tem infraestruturas (de qualidade) em várias modalidades. O grande desafio é criar um modelo de sustentabilidade que permita que estas sejam usufruídas não só pelo alto rendimento, mas também para a prática desportiva em geral, fundamental para o desenvolvimento da sociedade", afirmou.
  2. Mário Santos mostrou-se surpreendido pela ligação dos adeptos húngaros à canoagem, e sonha que esse cenário possa algum dia acontecer em Portugal: "Vão estar cá mais de 20.000 adeptos por dia a pagar para assistir a uma modalidade que não é o futebol. É uma realidade ainda distante para o nosso país". 
  3. "A Hungria suporta por inteiro uma modalidade que não o futebol: há um apoio político, do Estado, privado e da própria comunidade, que se envolve em tudo isto e com grande retorno" continuou Mário Santos. 
  4. Antes de marcar presença na Hungria, Mário Santos esteve em Londres durante uma semana em reuniões, e revelou, que nos contactos que manteve, verificou que os países mais prestigiados no "Mundo" do desporto revelam "um grande envolvimento da sociedade e das empresas na Missão Olímpica"."

As suas frases não são a política mas ajudam a definir objectivos e por isso são relevantes e ainda cima vinda do grupo de pessoas que trabalha para o COP e de quem se ouvem com frequência inverdades, assassinatos técnicos e demagogia a rodos.
 
Sobre as frases chamo a atenção do seguinte:
  1. O grande desafio é criar um programa de desenvolvimento sustentado desportivo, económico e social.
  2. Obviamente as medidas que alavancarão a procura desportiva da população. Está tudo no conceito de 'Desporto Com Todos' na inovadora e nunca tentada fórmula do programa xix governo que todos esperamos, sentados, que dê origem a uma copiosa literatura científica.
  3. Chama-se ao seu diagnóstico da sociedade e desporto húngaro literacia desportiva.
  4. O financiamento é também um acto de literacia desportiva. Colocar o desporto sob a liderança de interesses da grande finança pode ser uma consequência do movimento de apropriação das rendas do desporto mas não irá certamente gerar o grande envolvimento preconizado por Mário Santos.
Mário Santos tem um discurso que Vicente Moura tenta quando quer falar dos Jogos Olímpicos em Lisboa. Mário Santos não fala dos Jogos Olímpicos em Lisboa mas formula um discurso baseado em factos que deveriam ser inquestionáveis e adoptados há muito em Portugal.
 
Não tenho conhecimento que outro chefe de missão tenha feito constatações equivalentes a estas.
 
A realidade desportiva nacional é mais complexa do que as frases de Mário Santos mas as suas frases são importantes para demonstrar que o que está mal somos nós o nosso desporto e o nosso COP.
 
Indo de facto Vicente Moura embora como já prometeu, o surgimento de novas posições e protagonistas desportivos irá causar mossa nos privilegiados tradicionais mas fazer bem aos condenados do costume desportivo.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Diz um mega-rico americano: Stop Coddling the Super-Rich

Warren Buffet diz no New York Times aqui e aqui um resumo em português do Jornal de Negócios.

O artigo do NYT é o seguinte:

OUR leaders have asked for “shared sacrifice.” But when they did the asking, they spared me. I checked with my mega-rich friends to learn what pain they were expecting. They, too, were left untouched.


While the poor and middle class fight for us in Afghanistan, and while most Americans struggle to make ends meet, we mega-rich continue to get our extraordinary tax breaks. Some of us are investment managers who earn billions from our daily labors but are allowed to classify our income as “carried interest,” thereby getting a bargain 15 percent tax rate. Others own stock index futures for 10 minutes and have 60 percent of their gain taxed at 15 percent, as if they’d been long-term investors.

These and other blessings are showered upon us by legislators in Washington who feel compelled to protect us, much as if we were spotted owls or some other endangered species. It’s nice to have friends in high places.

Last year my federal tax bill — the income tax I paid, as well as payroll taxes paid by me and on my behalf — was $6,938,744. That sounds like a lot of money. But what I paid was only 17.4 percent of my taxable income — and that’s actually a lower percentage than was paid by any of the other 20 people in our office. Their tax burdens ranged from 33 percent to 41 percent and averaged 36 percent.

If you make money with money, as some of my super-rich friends do, your percentage may be a bit lower than mine. But if you earn money from a job, your percentage will surely exceed mine — most likely by a lot.

To understand why, you need to examine the sources of government revenue. Last year about 80 percent of these revenues came from personal income taxes and payroll taxes. The mega-rich pay income taxes at a rate of 15 percent on most of their earnings but pay practically nothing in payroll taxes. It’s a different story for the middle class: typically, they fall into the 15 percent and 25 percent income tax brackets, and then are hit with heavy payroll taxes to boot.

Back in the 1980s and 1990s, tax rates for the rich were far higher, and my percentage rate was in the middle of the pack. According to a theory I sometimes hear, I should have thrown a fit and refused to invest because of the elevated tax rates on capital gains and dividends.

I didn’t refuse, nor did others. I have worked with investors for 60 years and I have yet to see anyone — not even when capital gains rates were 39.9 percent in 1976-77 — shy away from a sensible investment because of the tax rate on the potential gain. People invest to make money, and potential taxes have never scared them off. And to those who argue that higher rates hurt job creation, I would note that a net of nearly 40 million jobs were added between 1980 and 2000. You know what’s happened since then: lower tax rates and far lower job creation.

Since 1992, the I.R.S. has compiled data from the returns of the 400 Americans reporting the largest income. In 1992, the top 400 had aggregate taxable income of $16.9 billion and paid federal taxes of 29.2 percent on that sum. In 2008, the aggregate income of the highest 400 had soared to $90.9 billion — a staggering $227.4 million on average — but the rate paid had fallen to 21.5 percent.

The taxes I refer to here include only federal income tax, but you can be sure that any payroll tax for the 400 was inconsequential compared to income. In fact, 88 of the 400 in 2008 reported no wages at all, though every one of them reported capital gains. Some of my brethren may shun work but they all like to invest. (I can relate to that.)

I know well many of the mega-rich and, by and large, they are very decent people. They love America and appreciate the opportunity this country has given them. Many have joined the Giving Pledge, promising to give most of their wealth to philanthropy. Most wouldn’t mind being told to pay more in taxes as well, particularly when so many of their fellow citizens are truly suffering.

Twelve members of Congress will soon take on the crucial job of rearranging our country’s finances. They’ve been instructed to devise a plan that reduces the 10-year deficit by at least $1.5 trillion. It’s vital, however, that they achieve far more than that. Americans are rapidly losing faith in the ability of Congress to deal with our country’s fiscal problems. Only action that is immediate, real and very substantial will prevent that doubt from morphing into hopelessness. That feeling can create its own reality.

Job one for the 12 is to pare down some future promises that even a rich America can’t fulfill. Big money must be saved here. The 12 should then turn to the issue of revenues. I would leave rates for 99.7 percent of taxpayers unchanged and continue the current 2-percentage-point reduction in the employee contribution to the payroll tax. This cut helps the poor and the middle class, who need every break they can get.

But for those making more than $1 million — there were 236,883 such households in 2009 — I would raise rates immediately on taxable income in excess of $1 million, including, of course, dividends and capital gains. And for those who make $10 million or more — there were 8,274 in 2009 — I would suggest an additional increase in rate.

My friends and I have been coddled long enough by a billionaire-friendly Congress. It’s time for our government to get serious about shared sacrifice.

Warren E. Buffett is the chairman and chief executive of Berkshire Hathaway.

 
 
A última frase é particularmente tocante quanto à verdade dos factos.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O problema do desporto português são as leis e os líderes públicos

Começam a surgir e a resurgir questões que não encontram respostas mesmo depois de passados anos, legislaturas e décadas.

O livro de estatísticas de desporto assinado pelo jurista e Ex-Secretário de Estado Laurentino Dias e pelo Ex-Presidente do Instituto do Desporto de Portugal, Professor Doutor Luís Bettencourt Sardinha da Faculdade de Motricidade Humana, é peremptório ao demonstrar que a prática desportiva nacional decresceu as taxas de crescimento e estas estão estagnadas nos últimos anos. Os autores do documento estão acima de toda a suspeita de que houvesse manipulação de dados por analistas preconceituosos.

Com a taxa de crescimento dos últimos anos a andar entre os 0% e os 2% o associativismo desportivo nacional levaria décadas ou quase um século a obter a média europeia de praticantes desportivos inscritos nas federações e nos seus clubes. Isto significa que as políticas dos últimos anos são erradas e definitivamente não visam desenvolver eficiente e sustentadamente o desporto português.

E, contudo, o PSD/CDS decalcam os aspectos liberais e empresariais de uma proposta de governo como a do PS. O novo governo faz mais e nomeia figuras gradas da equipa anterior demonstrando que o PSD/CDS não tem alternativas para a política desportiva seguida pelo PS depois do Euro2004, acontecimento este que travou o desenvolvimento desportivo nacional nos últimos quase dez anos. Obviamente houve alguns vencedores e resultados desportivos mas o que interessa são os resultados agregados.

Ao fim de quase 40 anos há questões que roçam a perplexidade.
  • O desenvolvimento desportivo sustentado em termos europeus é o principal objectivo da política desportiva portuguesa, não é?
  • Porque é que se nomeiam há décadas juristas preferencialmente para resolver problemas do desenvolvimento desportivo sustentado?
  • Porque se nomeiam juristas que não conseguem aproximar Portugal da média europeia, nem conseguem conceber um programa e uma estratégia de sucesso, quando estes são elementos fundamentais para o desenvolvimento de outros países com sucesso desportivo?
  • A conclusão da relação entre o direito do desporto e o desenvolvimento desportivo português não devia ser da ineficiência do direito desportivo nacional para gerar o desenvolvimento sustentado em termos europeus?
  • Que leis e políticas são estas, as feitas pelos juristas portugueses, que não transmitem aos líderes privados do associativismo e das empresas desportivas condições de competitividade e desenvolvimento sustentado europeu mas que lhes permitem retornar ao controlo do sector e renomear elementos que se eternizam no carrocel político apesar da nulidade dos resultados de política?
  • Porque é que as equipas políticas podem revesar-se no poder político com projectos, ideias e protagonistas e os presidentes das federações têm de sair?

Em vez de criar leis em que apenas os deputados da nação e os líderes públicos acreditam, porque não fazer a avaliação do desempenho destes senhores e dar condições de trabalho aos líderes associativos e 'deixá-los trabalhar' como diz o Presidente da República, o Professor Doutor Anibal Cavaco Silva?

Com a ajuda do PSD e do CDS, seguindo o programa e a liderança desportiva do Ex-Primeiro-Ministro José Sócrates, Portugal vai chegar ao meio século com políticas desportivas recessivas e gravemente lesivas do interesse da sua população e do interesse nacional.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Os blogues como espaço de liberdade, de sobressalto e exaltação

A exaltação que refiro é o encontrar de soluções superiores. Não é a exaltação da exaltação.

Há momentos em que as coisas devem ser colocadas e depois esses momentos passam e não voltam para trás.

O discurso da ética e da determinação de combater as externalidades negativas do desporto faz-se inicialmente e depois retoma-se, fortalecendo-se na medida em que as circunstâncias o suscitam.

Não o fazendo, acaba-se por correr atrás do prejuízo que contamina não só quem teve o receio de equacionar o futuro, como o todo orgânico de que se faz parte.

O exemplo da agressão ao árbitro de futebol Pedro Proença é claramente o deixar-se ser ultrapassado pela circunstâncias porque não há uma posição inicial clara.

Houve um encontro com as polícias em que nada ficou para a história. Perdeu-se o momento. Agora o processo é o de correr atrás do prejuízo. As pessoas não sabiam que isto ia acontecer? Ou estas pessoas actuam por hábito em Portugal atrás do prejuízo do desporto e agora do Pedro Proença que ficou sem dois dentes? Parece que o processo não se agravou nos últimos anos e as pessoas estão virgens perante a complexidade da realidade desportiva que se deixou evoluir livremente e se contemporizou.


Há extremos nos blogues e há usos equilibrados e a capacidade de envolver a sociedade e o desporto no debate que devem ser usados.

O exemplo governamental recente é pré-século XXI com o controlo dos órgãos de comunicação social que se compram e vendem, com aspas e sem aspas, mas que é possível ter elementos que controlam e sugerem o que seria melhor. A preocupação de controlar existirá sempre.

O século XXI com a Internet exige estruturas de diálogo mais complexas capazes de evoluir positivamente com a abundância de informação e de interpretações avulsas e contraditórias.

Os blogues são uma fronteira actual a ser alimentada para melhor compreender o mercado, a política, a sociedade e os ideais.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A gota tem de dar com a perdigota

Só depois de conhecer o programa de governo é que se percebeu o que lá estava.

Com a nomeação completa do quadro humano de liderança compreende-se melhor o que estava escrito no programa.

Depois fazem-se contas para trás e para a frente e chegam-se a conclusões que se procuram sejam objectivas.

Fazer contas para trás e para a frente é ver o que se fez no passado, quais os resultados das políticas e projectar um futuro.

Isto nada tem de pessoal, há que compreender os factos e obter conclusões que sejam válidas para um conjunto de pessoas algumas das quais têm certamente ideias opostas e que é necessário demonstrar as sucessivas contradições encontradas e possíveis soluções.

Após o programa e as nomeações começam a surgir lacunas, por vezes pequenas fissuras que apenas se observam ao microscópio de quem está a olhar para o local certo.

Uma conclusão actual em que pouco se conhece das verdadeiras intensões é que a gota não estará a dar com a perdigota.

Respeito todas as pessoas mas quando se nomeiam as mesmas pessoas sucessivamente em legislaturas que fazem dezenas de anos a conclusão é que as coisas no desporto português vão continuar a ser iguais porque é isso que está escrito nos programas e é isso que fazem as pessoas nomeadas.


Vejamos um pequeno exemplo que as pessoas têm a sensibilidade que alguma coisa se passou de mal e não compreendem o quê.

Toda a gente sabe esta história.

Portugal tinha-se candidatado à Expo 98 e ganho, anos antes tinha feito o Mundial de Juniores de 1991 e tinha ganho a festa e o campeonato.

O país eufórico começava a mexer nos fundos comunitários e a saber levar esse dinheiro ao desporto e às suas infra-estruturas e as federações propunham o máximo de eventos que podiam.

O do futebol não foi o único mas foi o que mais ganhou porque a festa foi muito maior.

Os líderes políticos do desporto gostavam muito destas obras de desporto e incentivavam por escrito ou pela sua palavra os líderes desportivos a avançarem com propostas de eventos portugueses nas federações europeias e mundiais e eles assim faziam.

Alguns nem atletas de alta competição tinham e faziam eventos para os portugueses verem as estrelas dos outros.

Nunca. Repita-se: Nunca, nenhum grande líder político do desporto, de pois de 1995, fez um programa de longo prazo ou pediu aos líderes desportivos que justificassem o seu mega-evento num programa de longo prazo.

Este procedimento adaptado a um tempo de 'vacas gordas' nunca foi compreendido enquanto tal, nem qual o seu custo, lucro ou prejuízo para o desporto e que alternativas haveria para o desenvolvimento sustentado do desprto português.

Nunca foi feita uma avaliação dos milhões investidos e da sua relação entre o investimentode milhares de milhões de euros em infra-estruturas desportivas e o produto desportivo em benefício da população portuguesa.

Não há estatísticas e pode sugerir-se que a falha de produção de estatísticas das infra-estruturas se não foi propositada foi uma clamorosa negligência. Como é possível investir milhares de milhões de euros em infra-estruturas desportivas e nunca produzirestatísticas quer do investimento quer da sua produtividade e rentabilidade?

Nem o Tribunal de Contas nem as Finanças questionam esta realidade do desporto.

O hábito de Cavaco Silva de não fazer estudos económicos para apoiar a melhor decisão política enraizou-se na sociedade portuguesa, porque foi ele que recebeu o grosso dos grandes montantes e deveria ter agido com princípios económicos estritos e não o fez. Se os princípios económicos não foram aplicados em algum momento histórico fundamental foram no início da década de noventa.

Hoje o programa dos estádios do Euro 2004 fracassou enormemente e verifica-se que tudo está montado para criar eventos para beneficiarem o turismo, a trazer turistas para Portugal e oferece-se o Desporto numa bandeja de especialistas que já demonstraram todo o seu saber, tanto no Euro 2004 como em todas as dezenas de eventos desportivos que o desporto português pagou para as federações europeias e mundiais receberem as rendas que outros países e federações nacionais se recusavpor compreender quem ~são os ganhadores destas políticas de vacas gordas para fora do desporto.

As fissuras surgem de inúmeros factores que estão a ser mal articulados e vão transformar-se primeiro em rachas e depois em fracturas de maior dimensão.


O programa e as pessoas estão voltados para os eventos e o tempo das vacas gordas passou. Há quem diga que nunca existiu verdadeiramente e continua a haver pessoas que vivem noutro planeta.

A crise da dívida soberana dos Estados Unidos mostra que a solução liberal de não investir e de não combater a retração económica com investimento vai causar estragos eventualmente globais.

Os dados que estão lançados no desporto são capazes de fazer frente a este processo?

Parece que a gota não está a dar com a perdigota.

Quem sou eu para sugerir que as apostas estão erradas?

Afinal se os mais altos expoentes desportivos ficam até ao fim, porque é que aqueles que os suportam não agem em conformidade com aquilo que os seus olhos vêem os seus maiores fazer contra toda a racionalidade ou mesmo simples bom-senso?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Europa e Portugal: a diferença pelo produto desportivo

São duas realidades opostas no domínio do desporto.

A análise económica e de outras áreas do conhecimento é inequívoca no que a Europa constrói no domínio do desporto e aquilo que Portugal faz.

A Europa é o único elemento que permite construir um horizonte material sólido.

O comportamento dos agentes desportivos nacionais, públicos e privados, contradiz o que a Europa faz e impede o bem-estar europeu da população nacional.

Não há que confundir os elementos nacionais que vogam a estratosfera europeia e aquilo que fazem e trazem para o todo nacional.

A actuação europeia dos especialistas de desporto nacionais faz-se segundo o 'saber-fazer' e a liderança europeia e em Portugal os especialistas de desporto portugueses comportam-se como os operários e os funcionários de base portugueses em qualquer outra função e que os fazem tão apreciados, segundo dizem, dos europeus mesmo dos mais desenvolvidos.

Os especialistas nacionais transferidos para Portugal ou nascidos no solo nacional o seu objecto é a captura de rendas e a externalização de benefícios dos segmentos vitais da produção desportiva, minando a racionalidade peculiar do produto desportivo europeu.

A capacidade de acompanhar os modelos de pensamento desportivo europeus mais avançados não lhes dá a compreensão do que se passa no solo pátrio e querendo impor racionalidades que julgam fundamentais não compreendem, e até que ponto quererão compreender, a diferenciação nacional que faz a riqueza europeia e o mercado desportivo mais competitivo do mundo.

Enquanto na Europa o processo de produção de política desportiva afasta elementos menos significativos em Portugal é possível pelos jogos partidários e corporativos haver elementos que legislatura após legislatura falham objectivos nacionais simples, como a produção de estatísticas e a prestação de contas desportivas, e que impedem a construção de um modelo que internalize as valias e impeça o acumular de erros e singularidades nefastas.

Houve a oportunidade de criar uma realidade com jogadores de grande qualidade existentes no mercado da política desportiva nacional. Porém, escolhem-se jogadores que não fizeram história em campeonatos anteriores e que também fracassaram.

Algumas limitações do programa para a legislatura até não seriam graves havendo agentes capazes de levantar a cabeça dos negócios pequenos em que se envolvem e olhar a totalidade do tabuleiro de jogo.

A magia do desporto de Carlos Lopes a Nelson Évora, de Eusébio, Figo a Cristiano Ronaldo e de tantos outros que noutras modalidades alcançam os mais altos lugares é a sua capacidade de jogarem para além do espaço desportivo em que se defrontam com o adversário directo e do seu conhecimento acima e para além do imediato.

Mas os elementos capazes de levantar a cabeça e pensar o jogo onde estão e quem são?

Porque é que em Portugal esses elementos são preteridos, vilependiados e escorraçados?

Uma coisa é certa: Certa bancarrota e alguns dos limites do desporto português deve-se certamente aos elementos que se vão sentando em cima do pote e principalmente daqueles que justificam o injustificável não percebendo o seu contributo decisivo para o caminho que o desporto trilha e que foi por si escolhido.

A dificuldade de Portugal singrar não se deve à dificuldade dos cargos e à oposição das condições de base nacionais mas sim à clara incapacidade de quem está em cima do pote de lhe dar a aplicação útil para o futuro desportivo nacional.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sobre a Natação diz Luís Leite no Colectividade Desportiva

Ver aqui.

«não posso deixar de fazer algumas referências às classificações obtidas pela Natação portuguesa nos Campeonatos do Mundo em Shanghai, a 12 meses dos Jogos Olímpicos de Londres.


Assim:

1) Portugal apenas conseguiu apresentar 8 nadadores;

2) Apenas um nadador (Diogo Carvalho) conseguiu ser semi-finalista, com um 12º e um 14º lugares nos 200m e 400m estilos, com mínimos olímpicos, classificações consideradas excelentes;

3) Apenas mais um nadador (Simão Morgado), com 30 anos (notável!), conseguiu ficar na 1ª metade da classificação, em 22º lugar nos 100m Mariposa;

4) Os restantes 6 representantes de Portugal ficaram todos na 2ª metade da classificação nas respectivas disciplinas;

5) 28 países obtiveram medalhas, sendo 19 países europeus;

6) Portugal foi um dos poucos países europeus que nem um finalista conseguiu, apesar de na Natação apenas participarem um máximo de dois atletas por país, ao contrário do Atletismo, em que podem participar três, mais os anteriores campeões do mundo;

7) A Natação é claramente uma modalidade olímpica importante, que acaba por ser um espelho fiel do desenvolvimento desportivo dos países;»

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Vindo de quem vem, o alerta é pertinente

Luís Marques Mendes no Correio da Manhã de hoje, página 2, ex-líder do PSD, fala da estratégia desastrosa dos maiores clubes nacionais nas suas políticas de contratação de jogadores para a nova época.

As suas últimas palavras são:

«As suas decisões situam-se no mesmo plano das políticas erradas que o país seguiu nos últimos anos. Só que falta saber qual a troika que vai pôr ordem nesta desordem. Do que ninguém duvida é que, pelo andar da carruagem, o desastre é inevitável.»

Pode acrescentar-se que já não é apenas o facto do desastre das políticas dos clubes é também a imagem que LMM capta do que andam a fazer os expoentes do desporto português e dos impactos sobre todo o desporto e das soluções para a crise actual.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O programa de longo prazo do desporto português

O programa deve ter vários capítulos ou ordens de preocupação que são sucintamente:
  1. produto desportivo
  2. produção e factores
    1. associativismo e empresas
    2. recursos humanos
    3. infra-estruturas
    4. ...
  3. dimensão económica e social
  4. suporte legislativo
Não é meu objectivo esgotar matérias mas antes apontar áreas de complementaridade e sequenciamento.
Por exemplo, o produto surge em primeiro lugar para determinar o desporto a produzir, enquanto a economia avalia as possibilidades e as dinâmicas macro e o direito equaciona os actos da legislatura quanto à produção, subsídio e à criação de leis e regulamentos.

Porque vejo a necessidade de apresentar esta elencagem. Na legislatura anterior a área das ciências sociais foi inexistente por esmagamento do orçamento público e do legislativo.

Em legislaturas anteriores houve a preferência pela contratação de empresas multinacionais que trazem modelos chave-na-mão e que acabam por perguntar a quem está o que é o desporto para poderem fazer o seu trabalho. Se se repetirem estas experiências e se chegar a bom porto, será a primeira vez.

Em legislaturas anteriores também não se usou apresentar uma Visão, um Livro Branco, uma prospectiva. Estes documentos são perigosos para os líderes públicos porque estabelecem horizontes aos líderes privados que politicamente não se querem assumir para a população portuguesa.

A existência de uma Visão, feito pela UEFA, ou de um Livro Branco, feito pela União Europeia, seriam documentos coom debate marcado para o Conselho Nacional do Desporto e para a Assembleia da República.

O Governo deverá apontar para níveis superiores de feitura de política desportiva acima do realizado no passado.

Isso seria benéfico para o desporto e a população portuguesa.

Novas regras de controlo financeiro na liga Espanhola

Ver o link da Futebol Finance aqui.

A necessidade de um programa de longo prazo

O desporto como produtor de bens cuja essência é a actividade física e visa o bem-estar de toda a população exige um programa estrutural e de longo prazo, de muito longo prazo.

Há razões que demonstram as consequências nefastas desta falta de programação.

Por tradição os ministros e os secretários de Estado, assim como, os presidentes da república, os primeiros-ministros e a Assembleia da República não falam estruturalmente sobre o desporto.

O discurso sobre desporto enquista-se no futebol profissional amedrontando os líderes públicos desprovidos de uma Visão enformadora das imensas e plurais potencialidades do desporto português.

Exemplo desta desconformidade é o responsável do COP com um discurso que repete sobre o que não fala, sobre as pressões para não falar, sobre as ilegalidades praticadas com o Estado, sobre as perseguições para correr com ele mas que ele os topo a todos, mas não projecta o futuro do que irão ser os futuros jogos olímpicos para Portugal e também critica as federações de que ele se alimenta, como as colectivas.

Noutra dimensão a lacuna da existência de um programa de longo prazo é tratada por opinion makers que questionam a razoabilidade das medalhas ou se o futebol profissional deve ou não receber financiamentos do Estado. No primeiro caso, das medalhas, há diferentes níveis de organização da produção de resultados desportivos e as medalhas constituem um indicador sintético que permitem apurar com exactidão o cumprimento de princípios de ética a que estão ligados os responsáveis das instituições desportivas, assim como, da boa aplicação de dinheiros públicos. No segundo caso, trata-se de uma falsa questão porque o Estado financia organizações privadas quando há falhas de mercado e constatando a existência de falhas é razoável o financiamento independentemente da finalidade da organização ser lucrativa ou não.

A falta do programa acontece a par da ineficiente contratação de estudos e análises, da falta de diálogo e de instituições de apuramento de consensos abertas à sociedade e capazes do nível mais alto de debate sobre políticas desportivas.

Os dois exemplos de opinion makers que indico são de funcionários ou de ex-funcionários com responsabilidades elevadas junto de decisores desportivos, demonstra a fragilidade tradicional da formação da decisão de política desportiva em Portugal. Esta forma de actuação esconde os fundamentos das decisões tomadas, quando não as aprofunda, quando não as discute aberta e tecnicamente e quando não aceita a avaliação das consequências da sua aplicação e do desempenho.

Em consequência os resultados desportivos são menores.

Esta é uma forma de actuação pública que afecta os líderes desportivos privados os quais apenas reivindicam o cumprimento do pagamento das tranches acordadas em contrato-programa num valor de dezenas de milhões de euros, o que não preocupa um Estado que deve milhares de milhões de euros em atrasados a múltiplos sectores económicos.

Libertar o desporto no domínio económico é favorecer o seu debate enriquecendo, através de instrumentos económicos bem solicitados e bem feitos, o debate dos parceiros desportivos.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O desporto português necessita de espíritos iluminados, liderança e democracia

A situação a que chega o Leiria só é possível pela falta de governance na liderança do desporto português com a falta de decisão sobre os problemas.

O futebol é a actividade desportiva com maior sucesso na opinião pública, apenas acompanhada pelo atletismo com menor visibilidade mediática e os problemas claramente não são resolvidos ao longo de anos e anos.

Há falta de decisão para o diagnóstico dos problemas, falta de estruturas e formas de consensualização das resoluções visando o bem comum,

Há líderes e estruturas corporativas que existem ou são nomeados pelo currículo que têm, fazem os seus trabalhos e depois vão-se embora sem terem acumulado alguma massa crítica no e para o desporto. Quando saem as empresas e organizações a quem encomendaram os trabalhos levam o dinheiro público e não se vê nenhum trabalho.

O caso do Leiria não é de hoje.

O Euro2004 foi em 2004 e já nessa altura se poderiam equacionar dificuldades futuras, passaram-se mais duas legislaturas e os débitos acumularam-se. Quem paga estes débitos acumulados?

Onde estão as soluções de política desportiva para o Leiria e os outros?

Isto é o que se passa no desporto português.

Isto é a causa da crise do Leiria e do futebol português ter chegado ao ponto a que chegou de mais uma região nacional se ver envolvida num processo de falência do seu maior clube de futebol.

O desaparecimento dos clubes de futebol é elevado mas a federação não estuda nem investiga o que há-de fazer e o Estado apesar de ter comprometido centenas de milhões de euros em estádios e de milhares de milhões de euros em actividades desportivas durante décadas não apresenta nem discute soluções com os parceiros privados e públicos.


A governance é fundamental porque só com ela é possível resolver problemas, acumular massa crítica e músculo para levar o desporto mais longe.

O futebol e o estádio do Leiria são o exemplo da necessidade de estudos e de centros de debate para uma decisão consensual.


Como tenho referido o estudo acabado de fazer pela Liga de Clubes é um bom estudo.

Porém, há falta de mais estudos e de líderes que consigam equacionar estudos, como Hermínio Loureiro e Vítor Pereira fizeram para a arbitragem profissional e como Fernando Gomes faz para a competitividade para além das 4 linhas.

Apesar do estudo da arbitragem de Vítor Pereira, Gilberto Madail deixou fugir de Portugal centenas de milhares de euros que as instituições internacionais do futebol tinham para a arbitragem amadora.

Pode acontecer que o estudo da Liga de Clubes, simplesmente caia em saco roto.


Como Passos Coelho terá dito o que está agora em causa não é o que os governos anteriores fizeram. De facto o relevante é o que o novo vai fazer.

Já chega de se perderem anos com não-soluções e justifica-se que as federações e o Estado trabalhem no desbravar das soluções com futuro.

Se Gilberto Madail se recandidatar a presidente da Federação é porque teve alguma graça de alguém, directa ou indirectamente, ou que nada se iria fazer, ou aceitando um novo mega-evento que é a especialidade corrente e que o desporto menos necessita de momento

Outro líder que tem fortes condições para se recandidatar a mais um mandato reside no COP que já apresentou o projecto do museu que o desporto necessita imensamente

Que esperança há que desta vez as coisas sejam melhores do que passado?

Provavelmente os dados foram lançados pelas pessoas que os têm nas mãos há muito

A prazo ver-se-à se houve ingenuidade, demasiada ambição ou um aproveitamento da nova oportunidade que foi facultada.



Nota marginal: hoje a cultura está a nomear responsáveis, a educação, a economia e outros ministérios mostram primeiras medidas. Outros no passado estiveram anos a trabalhar sem falarem com a economia e a sociedade que consome e produz desporto todos os dias.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

As sequelas do convívio imprudente do Mar pelo Desporto

O semanário Sol tem uma página com dois artigos sobre os mergulhos trágicos que terão tornado paralisados 20 jovens e outro artigo sobre as actividades radicais a que associam o acidente de mãe e filha em Espanha.

Os jornais não falam destes acidentes e as mortes têm sido menos frequentes nas páginas dos jornais e da restante comunicação social.

Os jovens entre os 10 e os 20 anos são os mais despreocupados e atingidos pela actividade de mar irresponsável.

os nadadores salvadores alertam que as juntas de freguesia e câmaras colocam autocarros de crianças nas praias sem monitores suficientes.

Nas actividade radicais a notícia refere 28 acidentes no surf, 15 no windsurf, 11 no bodyboard e 9 no kitesurf.

O programa do Governo parece ignorar esta situação da relação do desporto com o mar e quer pelo seu potencial quer por estes acidentes graves e muito graves justificam uma atenção do Governo para além do que possa ter sido feito no passado.

A relação do desporto com o mar é uma parte da solução do desenvolvimento e do combate à austeridade e não deve ser como uma parte do problema.

Posso estar enganado mas não sei de medidas que tenham sido accionadas nos últimos anos neste domínio.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Deja Vu

  1. O Presidente do COP a dizer que está satisfeito com o dinheiro que recebe. 
  2. O Presidente do COP a afirmar que a preparação está a decorrer como previsto. 
  3. O Presidente do COP a não falar de medalhas para Londres.
  4. O Presidente do COP a ir a conferências em Espanha sobre economia do desporto.
  5. Nenhum líder desportivo ou órgão da comunicação social a falar sobre os nossos campeões para Londres.
  6. Se não há comunicação social sobre os campeões, não há dinheiro privado e cabe ao Estado assumir toda a despesa. 
  7. As federações caladas ou a falar sozinhas.
  8. Gilberto Madail a preparar eleições com urgência (???)
  9. Gilberto Madail a não dizer se é ou não recandidato (!)
  10. As associações de futebol a prepararem as eleições na FPF.
  11. As associações de futebol a prepararem um dossier para entregar ao Secretário de Estado.
  12. Anónimos no Colectividade Desportiva a fazerem a lista das realizações desportivas 'às resmas' dos Governos José Sócrates.
  13. A Liga Portuguesa de Futebol Profissional faz um novo estudo agora sobre os desafios do futebol profissional. 
  14. A inexistência de debate social sobre uma Visão para o desporto português.
  15. A inexistência de debate técnico e público sobre o desporto português e as medidas de austeridade.
  16. ...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

É perigoso não ter aprendido porque é que o país foi à falência

É consequente que quem levou o país para a beira do precipício não reconheça esse seu acto, até porque ele nunca afirmou reconhecer o precipício ou negou-o que muitos viram e sugeriram.

Para certo fundamentalismo no PS recitar a cartilha do realizado pela enésima vez é coerente mas afecta as hipóteses de sobrevivência do país.

A herança do PS é uma parte do problema antes de ser da solução nacional. 

Eventualmente alguma da obra responde bem às necessidades, enquanto outra obra afecta a resolução das necessidades.

O governo actual está a descobrir todos os dias uma realidade que foi escondida dos portugueses e da oposição e isso acontece numa altura em que é necessário encontrar e viabilizar soluções para os problemas.

Um dos argumentos pesados dos extremistas que levaram o país para a beira do precipício é que 'obra é obra' e estatísticas são números que se alinham certinhos para demonstrar as coisas bonitas que foram feitas.

Ora, há obra que é obra para o empreiteiro e um custo para a população, os praticantes e as instituições do desporto.

Investir em obra para a inauguração política em alternativa à oferta de factores e condições de trabalho modernas e económicas foi a característica da actuação passada.

Recitar a obra é um ruído surdo que o PS por humildade deveria evitar, para ajudar o desporto e os seus líderes a focarem-se no futuro e não nas obras do passado que por si sós não resolvem as necessidades.

Outra questão é recitar estatísticas de uma forma que deixa deleitados todos os que não usam as estatísticas como instrumentos de trabalho. É lógico porque de facto durante a maior parte do tempo nada se fez, estruturou, criou parcerias ou promoveu publicamente. 

Há duas questões fundamentais para o Governo fazer:
  1. Levantar a cabeça como jogam o Eusébio, Figo, Rui Costa, ou Ronaldo, para citar os melhores, e o Secretário de Estado do Desporto tem de olhar o futuro, mostrá-lo e envolver o desporto e a sociedade.
  2. Identificar e equacionar a solução dos problemas conceptual e estruturalmente.
Se houve coisa que Laurentino Dias não fez foi levantar a cabeça e olhar o terreno de jogo por inteiro e a baliza adversária, identificada com os desafios do desporto português. Por isso não terá criado um futuro positivo nem conseguiu mobilizar a sociedade e principalmente listar as necessidades financeiras do desporto com o Ministério das Finanças.

Esta solução com as Finanças é dos elementos fundamentais porque ela tem de se solucionar fora das Finanças e no pleno acordo das Finanças para o processo.

Confuso? 

Esperemos que haja quem explique e rume em direcção à média europeia.

domingo, 26 de junho de 2011

Sempre à morte, Vanessa? Títula o Público

O artigo da revista Pública de hoje é uma boa peça jornalística escrita por Paulo Moura.

Tem uma lacuna.

Não ouviu os líderes nacionais, públicos e desportivos, nem outros pais de outros atletas.

Ficam para um próximo artigo.

O artigo tem bastantes elementos contraditórios tanto de princípios éticos e de governance como de características técnicas que justificam um relatório feito por entidades independentes, eventualmente por especialistas internacionais.

A questão é a seguinte: Houve tanta gente a acompanhar e a debruçar-se sobre 'o caso' Vanessa Fernandes que sem fazer uma avaliação independente nada se pode concluir quanto a princípios de política desportiva.

Esse relatório não sendo proposto pela Federação de Triatlo, nem pelo COP, nem pela agência técnica do Estado, deveria ser determinada pelo responsável público do desporto.

O 'caso' Vanessa Fernandes só é Vanessa Fernandes porque ela foi destruída por uma estrutura de liderança desportiva nacional que não estava à altura do seu pontencial, mesmo que com contradições e arestas, próprios da sua própria condição e singularidade.

A pergunta que se coloca é de saber como teria feito de diferente um outro líder de uma federação desportiva com resultados olímpicos.



Outra pergunta é se teria passado noutro país de sucesso como a Espanha.

O Público de hoje página 34 conta a história de Rafael Munoz um prodígio da Natação que subitamente abandonou a carreira, depois de se bater de igual para igual com Michael Phelps.

Mas o caso de um e de outra parecem diferentes porque o espanhol teve a crise desportiva mas não a pessoal e psíquica como atingido pela VF.



Há falta de estudos e de investigação no desporto português em múltiplos domínios quer na exploração do potencial num domínio que trabalha os limites humanos, físicos e mentais, organizativos e científicos, quer depois na avaliação ex-post dos resultados obtidos e da compreensão da forma como a  produção de alto rendimento decorre.

Afinal, segundo Maria Areosa, Vanessa Fernandes corria sempre em treino e em competição nos seus limites fisiológicos e psíquicos.

O que é a definição de alto rendimento de todas as eras.

O artigo de Paulo Moura sugere que a Vanessa Fernandes cumpriu e o Portugal do desporto e olímpico falhou.

Tem o país e o novo Governo a capacidade para estruturar uma visão crítica sobre o que se passou para bem do alto rendimento nacional e de todos os atletas de topo nacionais.

sábado, 25 de junho de 2011

O desporto come-se a si próprio

O país aplaude, gosta de desporto e se a alegria produzida é muita porque não comê-lo?

Dois exemplos de como se estraga aquilo que é bm feito no desporto português:

Estádio Universitário de Lisboa tem a haver meio milhão de euros cativados pelas finanças. Não tem com que pagar a fornecedores e treinadores e João Roquete o presidente diz que há hipóteses de fechar. Hoje vão fazer um piquenique para chamar a atenção para o caso. Vem descrito no Jornal de Negócios de ontem, na página 34. 

Sporting Clube de Portugal, aqui no jornal i, os olheiros que fizeram o sucesso da formação do clube estão a ser preteridos por estruturas burocráticas que impedem que o clube beneficie do conhecimento à flor da pele dos seus profissionais e que já demonstraram que o sabem fazer e que geraram benefícios desportivos e lucros económicos segnificativos paara o clube e o desporto português.

Como é que estas coisas acontecem?
O EUL tem uma frequência de um milhão de pessoas e é central numa área terciária e universitária das mais relevantes da cidade. O desporto e a oferta de actividades desportivas deveriam ser pronmovidas e a acção do estado e das finanças não deveria ser a de obter rendas mas a de promover ainda mais o usufruto desportivo do complexo.
No SCP os milhões gerados e os do Ronaldo e de outras importantes estrelas que segundo consta vão pingando tem na base o trabalho que liga o grande clube ao clube de base onde se realizam os jogos e os talentos promissores evoluem.

As Finanças e as Direcções do dos clubes portugueses matam os espaços desportivos, os clubes de base e os olheiros, em nome de tecnocracias, austeridades e modernidades de quem quer andar acima do limite de velocidade da base da pirâmide, em vez de a proteger e dar-lhe condições de sucesso.

Existe incompetência na compreensão do processo de produção do desporto que faz as sociedades modernas evoluírem a ritmos superiores e sustentados.

A actuação das Finanças portuguesas não é diferente do intermediário que compra e vende jogadores apenas com o objectivo de maximizar o su lucro, daquele que faz eventos sem um consumo privado assegurado, ou do construtor civil que faz o estádio quanto maior melhor, e do gestor de empresa pública de desporto que recebe 5 mil euros por mês, carro e cartão de crédito que a actividade desportiva que a sua empresa municipal não gera.

É esta incapacidade de produzir desporto que gera a má reputação, os erros existem das Finanças e do Governo, aos grandes clubes e empresários e às federações COP e CDP, tecnicamente os treinadores e professores de educação física, investigadores e faculdades do desporto não assumem um paradigma.



Necessitamos de um modelo de desenvolvimento desportivo.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Os dilemas velho bom aluno

Pedro Lains apresenta no Jornal de Negócios, aqui, como um Manifesto a alternativa que se coloca ao Governo entre 'Reformas e Ideologias'.

Põe a questão:
Ou Portugal adopta o modelo de Estado social de Bruxelas ou segue um modelo como o inglês que é um exemplo único na Europa desenvolvida.


O Desporto português tem vogado águas que, prosseguindo o modelo francês pelo seu intervencionismo, deixa contudo largas faixas do mercado livres para a captura de rendas excessivas sem a consolidação social que o modelo europeu continuamente advoga em todo o continente mais desenvolvido para o desporto e durante muitas décadas.

Os tempos que se avizinham serão do ponto de vista do debate do modelo de desenvolvimento nacional profícuos e podem abrir espaço a uma intervenção do PS numa próxima reencarnação como já aconteceu quando se fez a segunda Lei de Bases do Desporto a qual não teve a substância para suportar o embate da realidade desportiva e das fracturas que não assumiu nem procurou viabilizar.

Mas estou-me a adiantar ao que será ... e apesar das expectativas positivas, as coisas vão-se esclarecendo nem sempre com os melhores motivos e realizações