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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O desporto não necessita de esquizofrenia

O PSD tem tido entradas de leão no desporto esperemos que não tenha saídas de sendeiro. Os partidos políticos portugueses nunca se arrependem de nada e o PSD não seria a excepção se saísse como fez o PS.

Anunciar a fusão do desporto com a juventude sem fazer o estudo, como Laurentino Dias diz que está no Memorando da Troika e que o PSD assinou, sugere que foi uma medida apressada, para além de não juntar a Fundação INATEL indica que não tem a concordância do partido de coligação o CDS. A fusão, uma viagem a Bogotá para a final de sub-20 de futebol sem levar o secretário de estado e anunciar as facturas do IDP, ao contrário do que sugere certa ética de comportamento do bloco central, são três medidas de sinal político contrário que retiram sossego ao desporto principalmente quando acompanhadas de um silêncio absoluto quanto a medidas de política desportiva no sentido do desenvolvimento sustentado e maximização do bem-estar da população portuguesa.

O PS está sem fôlego. O seu homem para o desporto viveu na terça-feira no Parlamento a Diáspora política de toda a sua vida ao verificar que a ética que esperava do PSD e CDS não se tinha realizado e que pessoas que com ele trabalhavam uns dias antes não lhe tinham dado o mínimo sinal do que se estava a passar, nem a estrutura em que ele confiara e defendera durante 6 anos contra acusações várias de incapacidade, afinal ter-lhe-ia deixado uma encomenda tal que pelo menos inicialmente não se livrava do máximo desconforto e má publicidade políticos deixando em maus lençóis o trabalho político de toda a sua vida.

Nesta fotografia todos estão mal e não há um que se aproveite:

  • O PS criou o caso Queiroz e agora não tem de se queixar da esquizofrenia do opositor de política desportiva.
  • O PSD não tem e não está a tomar as medidas de política desportiva cautelares como os estudos aconselhados pela Troika.
  • O PSD está a trabalhar para a fotografia não fala de política desportiva ou de juventude que não tem, prega rasteiras à sua alternativa de poder para onde já comprou os vira-casacas do costume, vai às finais desportivas que enchem o olho da imprensa cor-de-rosa desportiva. 
  • O CDS enquanto parceiro governamental continua ausente do desporto apesar de conter uma fatia desportiva importante na actividade da Fundação INATEL.
  • Os outros partidos de esquerda não falam de política desportiva.
  • O Parlamento é um deserto de bom senso e maturidade. O Parlamento e as audições de desporto está cheio de jovens que falam e falam mal de juventude porque desconhecem, não sabem ter uma política de juventude, e de desporto nunca ouviram falar. 
  • Os partidos como um todo não discutem as suas juventudes e o mal que estão a fazer ao país.


Depois do caso INDESP, o Caso das facturas do IDP tem uma dimensão exasperante:
  • Quem dá a má imagem ao desporto é o PSD depois do PS ter criado o Caso Queiroz.
  • O PS não aprendeu nada com o Caso INDESP quando nomeou para a liderança da instituição pessoas inqualificáveis que depois acabou por tirar e que deixaram a sua marca de incapacidade que fragilizaram a estrutura cultural e ética da instituição.
  • O caso INDESP terá valido cerca de 60.000 contos.
  • O Caso das Facturas do IDP a confirmar-se a complicação e os seus valores são 1,2 milhões de contos, o que eleva a fasquia da inconformidade legal para níveis absolutamente inaceitáveis mesmo que nem um cêntimo de inconformidade seja inaceitável.


O norte cardeal da acção política no desporto tem de ser a política desportiva visando o bem-estar da população portuguesa.

Esquecendo este princípio parece valer tudo, a auto-promoção e a esquizofrenia, na política portuguesa.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Intervenção do Ministro Miguel Relvas no Parlamento

Junto o link de acesso ao debate, aqui.

Porque existem instituições falidas no desporto?

Um conceito alargado de falência em que as despesas são superiores à receitas passam pela existência de um conceito simples da missão da instituição, de instrumentos capazes de avaliar o cumprimento e o incumprimento dessa missão e de instrumentos de sancionamento dos resultados.

Uma síntese das instituições desportivas nacionais mostra as dificuldades imensas de reerguer um conjunto de activos que ao longo de muitas décadas foram maltratadas.
  1. A Fundação do Desporto criada no tempo de Mirandela da Costa falhou o seu objecto inicial de financiar o desporto. Os seus corpos directivos foram incapazes de levar a sociedade e o Estado, um dos associados, a regular bem a actividade, também foram incapazes de propor com efectividade medidas alternativas, a partir de determinada altura deixaram de ter voz e todos mantiveram as suas funções. Desconhece-se se continuam a receber pelo trabalho desenvolvido.
  2. A Confederação do Desporto criada no tempo de Mirandela da Costa teve lideranças distintas de Luís Santos e de José Manuel Constantino conseguindo receber dinheiros privados e públicos. A sua missão inicial foi alterada e a actual não tem razão de ser no desporto moderno europeu. A incapacidade das suas lideranças actuais é o de reconhecer o que é bom para o desporto e actuar em consonância. A junção com o Comité Olímpico sendo uma solução comum na Europa em Portugal prefere-se a indefinição e o empenhamento dos escassos recursos públicos e a perda de tempo das direcções de federações em reuniões escusadas. A Confederação hoje não conta com a presença das principais federações o que quer dizer que desportivamente está morta, menos para aqueles que não têm o que fazer de competitiva e socialmente útil.
  3. Muitas federações estão falidas, sendo financiadas em grande parte financiadas pelo Estado que não apresenta medidas de reforma destas importantes instituições desportivas nacionais.
  4. Há muitas instalações desportivas que as autarquias não sabem que destino dar na ausência de programas e de missões desportivas que o Estado português nunca definiu transmitindo ao nível local as imagens do seu desnorte e dos maus exemplos centrais.
  5. As autarquias necessitam de exemplos de como gerir, promover o bem estar e projectar o futuro das suas responsabilidades desportivas. O silêncio do Estado sobre esta matéria e os impactos negativos de múltiplos erros centrais nas diferentes facetas da política desportiva é prejudicial às populações locais e ao trabalho das federações e da sua estrutura federada.
  6. O Complexo Estádio Nacional variou entre o projecto de Mirandela da Costa de uma intensidade de capital desportivo e financeiro desmesurada e o completo desnorte de actuar sem verificação de condições mínimas de sustentabilidade desportiva, saneamento básico, ambiental ou de integração no todo da área metropolitana de Lisboa. O Euro2004 ao criar os modernos estádios do Benfica e do Sporting varreu para debaixo do tapete e para o futuro a viabilidade do Estádio Nacional.
  7. O IDP vai ser fundido o que demonstra a existência de um programa alternativo pelo actual governo. Já no passado o PS e o PSD actuaram sobre a orgânica desta agência pública que actualmente atravessa uma crise orgânica e de funcionalidade  profunda.
  8. A SED vai ser fundida o que sugere uma alteração de conceitos que não se percebeu se é por via da modernização do desporto ou do fracasso da juventude que não sendo extinta é fundida com o desporto.
O caso da privatização do Pavilhão Atlântico deveria levar o desporto a abrir um debate qualificado sobre o seu futuro.

Desmantelar o capital acumulado, como privatizar pura e simplesmente mesmo que existam erros significativos, tem um custo desportivo, económico e social superior ao trabalho de reconstrução do desporto nacional.

O silêncio de princípios a par do elogio tradicional ao futebol, independentemente do merecimento de atletas e treinador, augura dificuldades maiores para o desporto português.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Canoagem mostra que os erros do Triatlo podem não estar a ser apreendidos

A Canoagem apurou para Londres 2012 apenas duas embarcações o K4 Helena Rodrigues/Teresa Portela/Joana Vasconcelos/Beatriz Gomes e o K1 Fernando Pimenta, o que está longe das expectativas apregoadas.


Isto já se passou anteriormente que é o de se falar publicamente de resultados com base em factores não essenciais e sem um programa consolidado de alto rendimento.


Quem não é da Canoagem estava expectante nos resultados que surgiam e nas palavras dos responsáveis que não desmentiam e alimentavam certezas. Ainda recentemente cavalgando uns resultados parcelares o presidente e o treinador da Canoagem sugeriam a abertura dos cordões da bolsa pública.


Por um lado, era bom que a federação de Canoagem não alimentasse ilusões, equacionasse a sua realidade e indicasse quais são os seus objectivos reais para Londres 2012.


Por outro, há alguém que passados sessenta dias explique em termos de política desportiva o que se está a passar no alto rendimento sem cavalgar o trabalho de Ilídio Vale e dos miúdos que foram obrigados a emigrar?

Habemus Ministrum!

Segundo o Diário de Notícias aqui o Ministro do Desporto deslocou-se a Bogotá.

"O Ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, disse hoje que Portugal teve "uma derrota cheia de futuro" no Mundial de futebol sub-20 da Colômbia e apelou para que os clubes olhem para esta geração.


Em declarações à agência Lusa desde Bogotá, para onde viajou para poder acompanhar a selecção na final frente ao Brasil (derrota por 3-2 no prolongamento), Miguel Relvas mostrou-se orgulhoso da equipa.

"Todo o percurso da selecção nacional é um percurso brilhante. Podemos dizer que foi uma derrota cheia de futuro. Perdemos como podíamos ter ganho, conquistámos aqui mais uma geração de desportistas", disse o ministro, em declarações à agência Lusa.

Miguel Relvas falou no contributo dado pela selecção em termos de afirmação e falou no orgulho que sentiu no final, na hora de cumprimentar outros dirigentes.

"Depois desta caminhada saibam os clubes portugueses aproveitar estes jovens talentos, nós temos boa matéria-prima, e eu gostaria no próximo domingo, nos domingos seguintes, ver estes jovens no campeonato nacional", sublinhou.

O ministro falou na "esperança em uma oportunidade" deixada pelos futebolistas e deixou uma referência positiva a toda a comitiva da selecção, desde o chefe da delegação, ao treinador Ilídio Vale e a todos os jogadores.

O membro do governo mencionou a aposta que o executivo faz nas "camadas mais jovens" do país, salientando que além do futebol existe todo um potencial no desporto, na ciência, na educação ou na cultura.

"Esta nova juventude portuguesa é o selo da garantia para uma nova esperança para o nosso país", considerou Miguel Relvas.

Hoje, dia em que viaja para Portugal, Miguel Relvas ainda irá almoçar com a comitiva portuguesa e dar os parabéns a todos, reiterando o "orgulho" que os portugueses sentem no que fizeram."



A notícia tem tudo de um bom Ministro do Desporto:
  1. A vitória moral: Portugal teve "uma derrota cheia de futuro"
  2. A deslocação ao local da competição: ... desde Bogotá, para onde viajou para poder acompanhar a selecção na final frente ao Brasil
  3. A frase forte e vazia de sentido que ninguém vai seguir ou acredita: "Depois desta caminhada saibam os clubes portugueses aproveitar estes jovens talentos, nós temos boa matéria-prima, e eu gostaria no próximo domingo, nos domingos seguintes, ver estes jovens no campeonato nacional", sublinhou.

  4. O elogio e incentivo pueril e sem sentido político: O ministro falou na "esperança em uma oportunidade" deixada pelos futebolistas e deixou uma referência positiva a toda a comitiva da selecção, desde o chefe da delegação, ao treinador Ilídio Vale e a todos os jogadores.
  5. A inverdade de política desportiva e o governo está em todas e nunca erra: O membro do governo mencionou a aposta que o executivo faz nas "camadas mais jovens" do país, salientando que além do futebol existe todo um potencial no desporto, na ciência, na educação ou na cultura.
  6. A insistência no vazio:  "Esta nova juventude portuguesa é o selo da garantia para uma nova esperança para o nosso país", considerou Miguel Relvas.
  7. O almoço e o glorioso retorno pátrio: Hoje, dia em que viaja para Portugal, Miguel Relvas ainda irá almoçar com a comitiva portuguesa e dar os parabéns a todos, reiterando o "orgulho" que os portugueses sentem no que fizeram."
Estarei a ser excessivo.

Quantas vezes já viram as pessoas que trabalham no desporto estas cenas de recém-chegados.

Se este é o aquecimento para Londres, estamos conversados!

A comunicação social como não sabe o que é desporto, nem investe para elevar o nível do debate e os seus rendimentos financeiros, passa atestados de iliteracia para a posteridade através do que vai cronicando.

domingo, 21 de agosto de 2011

O fim da Parque Expo e do prenúncio da extinsão do Polis e o Desporto


O Programa Pólis tinha princípios que faziam algum sentido e que nos habituamos a beneficiar à medida que as cidades se tornavam mais bonitas, ordenadas e mostravam como tinhamos uma cultura e meios para a concretizar.

Como tantos projectos o Estado terá investido demasiado nem sempre valorizando o sentido público. O seu fim como outras do pacote de medidas anunciadas durante 6 anos, todos os dias, às 8 horas da noite por José Sócrates haviam de ter um fim.

O desporto nunca teve um programa estrutural de desenvolvimento sustentado anunciado por José Sócrates, às 8 horas da noite, de um dia qualquer dos 6 anos que passaram.

Os talentos desportivos exploram-se, quando aparecem aleatoriamente, e as organizações privadas desportivas são exauridas das rendas para além da racionalidade e do bem-estar social.

Sem politicas desportivas orientadas por objectivos sociais e um investimento estrutural eficiente, o comportamento dos agentes privados valoriza a obtenção de rendas com finalidade lucrativa e para além do ponto de equilíbrio.

O xix governo anuncia no seu programa o desenvolvimento das actividades que se relacionam com a gestão das actividades de alto rendimento, dos talentos aos eventos, como actividades que beneficiam o turismo.

Não é de esperar que o xix governo, ao contrário de José Sócrates, equacione um programa de desenvolvimento desportivo sustentado.

O xvii e xviii governos não desenvolveram programas estruturais para o desporto. O único que terá tido um sentido equivalente seriam os investimentos do QREN e de que se desconhecem documentos que demonstrem a razão e a dimensão do investimento assim como dos resultados esperados e dos conseguidos.

O que acontece com os jovens praticantes de excepção em todas as modalidades desportivas nacionais é a incapacidade de canalizar para o desporto meios que deslocando-se internamente pelo desporto geram efeitos multiplicadores e alavancam a sociedade e a iniciativa local em capital desportivo, económico e social.

Pelo contrário, os investimentos em infraestruturas estádios e outros equipamentos autárquicos feitos desgarradamente concentram a riqueza e os investimentos públicos em finalidades fora do desporto para gerar rendas sem uma relação com a efficiência da produção sustentada de desporto.

Actualmente, por um lado, a oposição PSD em Leiria não quer a privatização do Estádio Magalhães Pessoa, por outro, o ministério da agricultura privatiza o Pavilhão Atlântico.

A coerência nunca foi o ponto forte da política desportiva em Portugal.

sábado, 20 de agosto de 2011

Na privatização do Pavilhão Atlântico

Como demonstra a Ministra da Agricultura Conceição Cristas não existe um conceito desportivo na privatização do Pavilhão Atlântico.
O PA é um centro dedicado ao alto rendimento desportivo independentemente de ter funções igualmente significativas na margem da produção desportiva e de cultura.

A frase 'O Pavilhão Atlântico vai ser privatizado' é grave no que ao desporto e ao pacote desportivo de Lisboa enquanto capital de Portugal.

Que a Ministra não percebe de desporto foi patente e ainda bem que não se alongou.

As cidades de todo o mundo competem entre si com pacotes de actividades culturais e desportivas desde as actividades de excelência às mais corriqueiras destinadas ao consumo de massas.

Se eventualmente aparecer um promotor imobiliário que pretenda arrasar o Pavilhão Atlântico e fazer um prédio com concepção de um arquitecto estrangeiro, por exemplo o Calatrava, essa pretensão privada é aceitável para a ministra?

Os pacotes para a competição entre as cidades mundiais faz-se de actividades privadas e principalmente de produtos públicos que nenhum empresário atento e responsável assumiria privadamente. A ministra não esclareceu qual o seu conceito de PA que suporta a decisão política do seu governo de privatizar.

O desporto português tem acumulado activos materiais e possui hoje um capital de infraestruturas que nunca teve no passado e parece um erro tão grande privatizar cegamente, como foi negligente construir sem programas, estatísticas e estudos desportivos, económicos e sociais sobre os investimentos em infraestruturas desportivas.

Nenhum jornalista pediu explicações à ministra, da fundamentação e da consequência desportiva do seu acto de política desportiva, nem se a ministra tinha obtido a aprovação do ministro do desporto sobre esta matéria. Há, contudo, que não ter dúvidas que se é uma decisão do Governo, o Ministro do Desporto Miguel Relvas concordou com a privatização do Pavilhão Atlântico. Há, assim, uma sintonia nos dois partidos da coligação PSD e CDS na privatização do PA.

O Governo saberá o que faz mas os factos desportivos complexos, contraditórios eventualmente negativos e de consequências incontroláveis 'surgem todos os dias'.

Os três dossiers do Verão são a Liga de Clubes a braços com a redefinição do seu modelo desportivo e económico de futebol profissional, é a problemática das infra-estruturas, e a fusão entre o Desporto e a Juventude.

As três matérias o Governo de José Sócrates varreu para o Conselho Nacional do Desporto. É possível que o actual Governo para fazer distinto preparasse dossiers fundamentados para apresentar aos conselheiros quando vierem de férias para lhes pedir soluções sobre o que fazer a bem do Desporto nacional, sem ficar totalmente dependente das suas importantes sugestões sectoriais?

O facto mais curioso do actual governo do desporto é que mais depressa contrata e trabalha com eleitos e figuras gradas do antigo regime do que com aqueles que suportando alta soma de inconveniências assumiram posições críticas às políticas públicas de desporto durante as duas legislaturas passadas.

Afinal os antigos governos usaram largamente personalidades da 'oposição' e agora há que retribuir a gentileza.

Laurentino Dias que se cuide.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

O Pavilhão Atlântico "será privatizado"

Há a dificuldade de compreender o conceito desportivo do Pavilhão Atlântico.

O PA foi um investimento incluído num pacote indiferenciado com a Gare do Oriente, uma transformação urbana local e um oceanário, entre outros.

O pacote denominado Parque Expo deixou de fazer sentido público para o Estado português.

O oceanário parece que dá lucro e tem um conceito de utilidade pública.

O PA será privatizado.

Esta privatização terá sido acordada com o Ministro do Desporto.

O projecto do Mar fica enriquecido com o oceanário e a ideia que surge é a da inutilidade pública do PA daí a sua privatização.

Ninguém fala em produto desportivo ou cultural público necessário à rendibilização do espaço PA.

Será que o Estado português vai privatizar o S. Carlos, o Estádio Nacional, o Pavilhão Carlos Lopes, os estádios municipais do Euro2004, individualmente ou por atacado?

Há alguém que explique o conceito e coerência das políticas que sustentam os actos que recaem sobre as infraestruturas do desporto?

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Crónica do Desporto que passa

Um dos elementos que admira é a má constituição das instituições públicas e em que o Tribunal de Contas, o Ministério das Finanças ou a Reforma Administrativa se alguma vez actuam, fazem-no de forma inconsistente.

O Desporto contou ao longo dos anos com medidas contraditórias que se observava não estarem a funcionar e que a política e a sua concepção passava à margem do sector e dos benefícios para a população.

Uma das questões fulcrais foi a das infraestruturas desportivas.

A história já vem de longe e à medida que os fundos comunitários se tornaram mais relevantes mais o desporto nunca encontrou o pé.

Em meados de noventa do século passado Portugal começou a compreender a forma de ir buscar à União Europeia meios para as infraestruturas desportivas e foi realizado um programa com um nome onde tinha 'Desporto Século XXI' o qual enquadrou a construção dos estádios do Euro 2004 e que consistia na proposta de construção de instalações de acordo com a preocupação dos presidentes das federações desportivas.

A ideia inicial quando fiz um documento interno com esse nome era um programa estrutural e de longo prazo do qual a SED da altura usou apenas o nome.

A questão das infraestruturas é relevante na política desportiva europeia e mundial e depois da vitória no Mundial de 1991 os eventos eram outra forma de canalizar rendas para as federações e clubes, a que se juntava agora a construção de infraestruturas que permitiam também novas rendas.

Os clubes de futebol queixavam-se da idade dos estádios, houve um acidente grave no José Alvalade, com feridos graves, havia a dívida ao fisco e segurança social que estava a ser pago pelo Totobola, a FPF avançou para o Euro2004 e as outras modalidades para outros eventos europeus e mundiais tendo ou não atletas para vencerem essas competições.

Houve problemas nos eventos sofrendo as federações por assumirem projectos muito acima das suas capacidades e quanto às infraestruturas as autarquias foram chamadas para garantirem meios obrigatórios por parte da UE e se encarregarem da gestão posterior qualquer que ela fosse.

Para além da construção e oferta dos espaços de prática os projectos de infraestruturas e eventos visavam a obtenção de rendas financeiras e a construção de infraestruturas desportivas que ficavam para além da prática desportiva que se conseguia fazer.

Nenhum programa de longo prazo foi concebido e a orgânica do desporto e as suas instituições foram esvaziadas de duas formas:

  1. a Secretaria de Estado do Desporto passou a servir-se do IDP como amanuense jurídico e multibanco, esta última na correcta definição de Manuel Brito, esvaziando as funções de concepção, preparação, estudo de políticas desportivas, produção estatística, programa de desenvolvimento desportivo, entre outras. Depois de Mirandela da Costa os Ministros do Desporto e os Secretários de Estado passaram a ter medo da sombra do Presidente da agência técnica e para além da nomeação de  líderes impreparados trataram de esvaziar a instituição não perspectivando que com esse acto era a decapitação técnica da instituição e da política pública desportiva que era perpetrada.
  2. o QREN retira ao desporto e ao IDP a existência de um departamento de concepção da integração da rede de infraestruturas impedindo o desporto de alguma vez ter uma compreensão por inteiro de um plano de investimento em infraestruturas desportivas com impacto directo no desenvolvimento sustentado. Sem estudos, análises e estatísticas na área onde se investiram milhares de milhões de euros (quem sabe o que se fez?) as infraestruturas foram atiradas pelo país segundo perspectivas particulares que nunca foram postas no papel e publicadas para escrutínio social dos actos públicos. Acabados os fundos para o desporto(?) a realidade do QREN pode ser apelidada de negligente.
Para se compreender a racionalidade da Administração Pública diga-se que há quatro ou cinco anos a orgânica do IDP não tinha um departamento de infraestruturas, o que até era lógico porque havia o QREN para onde tinham sido externalizadas as funções de investimento em infraestruturas desportivas. Mas depois a orgânica foi emendada e o departamento das infraestruturas lá apareceu duplicando(?) as funções do QREN.

Isto para dizer que o Estado português tem um historial de criação orgânica de coisas que se fazem conforme sopra o vento na melhor das hipóteses. Não são aleatórias mas possuirão vantagens definidas pelo curto prazo e por interesses que não são concebidas segundo o interesse público e desportivo.

É neste panorama que se vai debater no Parlamento a fusão do Desporto e da Juventude:
  1. um desporto que tem um mercado falido e que obriga há décadas as organizações privadas a actuações de risco e a valorizar a obtenção de rendas financeiras acima dos resultados desportivos e sociais e da dimensão económica material.
  2. uma administração pública 'irracional' que não sabe de desporto e principalmente não procura que o desporto tenha orgânicas e funções que maximizem o bem-estar social nacional e tantas vezes precipita  um sector como o desporto em tragédias comuns ditadas pela manutenção da apropriação de rendas de segmentos exteriores ao interesse desportivo e nacional.
  3. um parlamento com dois partidos e mais quatro partidos que se destacam pouco pelas suas propostas historicamente relevantes para o desenvolvimento desportivo sustentado e pelo envolvimento desportivo e social da população portuguesa.
  4. atletas da canoagem sequiosos de uma classificação olímpica e uma nova selecção de sub-20 treinada por um ex-treinador das camadas jovens do Futebol Clube do Porto que chega à final do campeonato do mundo em Bogotá, na Colômbia, demonstrando que em Portugal a produção de desporto de excelência é viável.

Há um facto incontornável no desporto português:
  1. A responsabilidade do desenvolvimento sustentado da produção desportiva para benefício e bem-estar da população portuguesa, equivalente à média europeia, é uma responsabilidade do Estado português:  Governos, Parlamento, Partidos, Ministérios e outras instituições públicas.
  2. Não é uma responsabilidade das organizações privadas, quer associativas, quer empresariais, mesmo que o produto desportivo privado tenha uma relevância incontornável para o consumo desportivo de Portugal alcançar a média europeia.
  3. Também deve ser possível analisar até que ponto é responsabilidade das autarquias.
Há interesse em focar bem o factor de ineficiência do modelo desportivo português. 
O órgão que concebe os objectivos, equaciona os instrumentos e aplica a política desportiva nacional é o Estado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A produção de actividades para a Juventude e o Desporto

Nada diz que a produção de serviços para benefício da Juventude tenha de ser por inteiro uma produção da administração pública e, em particular, da central.

A concepção do mercado da Juventude estará equivocada se a política pública levanta barreiras à produção privada ou coloca dinheiro em actividades irracionais do ponto de vista económico e do ponto de vista do interesse social e dos jovens em particular.

O associativismo juvenil e o seu empreendedorismo possuem qualidades que estão subavaliadas e insuficientemente promovidas e reguladas com ineficiência.

Mais ainda, quando é a administração central a produzir retalho imiscuindo-se num nível de produção para o qual não possui informação, interesse e especialização como acontece no INATEL e na Juventude está-se perante a negação do princípio europeu da subsidiaridade.

Há recursos públicos centrais que estão a ser aplicados na produção de retalho, cultura, desporto, restauração e alojamentos nas pousadas, os quais quando muito seriam atribuídos às autarquias locais ou contratualizados com  organizações privadas sem finalidade lucrativa, como as organizações associativas, ou com empresas.

Não estaria fora de contexto a privatização das micro-organizações, actualmente geridas pela administração central no INATEL e na Juventude, em modelos que maximizassem o bem-estar social através da produção privada.

Aliás o caso do INATEL se revertesse para o mesmo pacote em que foi metido o Desporto e a Juventude traria  horizontes mais amplos na Juventude, no Desporto e na Cultura.

O INATEL terá ficado no parceiro menor da coligação o que não ajudará a equacionar uma solução se houver falta de entendimento entre as partes.

De acordo com o figurino tradicional o CDS terá a preocupação de ocupar os lugares do INATEL sendo-lhe de difícil aceitação entregar o 'ouro ao bandido', mesmo sendo o parceiro de coligação.

Outra hipótese socialmente mais interessante seria a coligação criar uma estrutura na SED e IDP com funções amplas girando à volta do desporto e incluindo o universo do lazer desportivo capaz de ampliar significativamente o consumo de actividades físicas pela população portuguesa e conseguindo criar bases de consolidação da actividade de alto rendimento.

Enquanto o PS esvaziou o IDP e o Desporto, a hipótese do PSD e do CDS com o anúncio da fusão do Desporto e da Juventude parece ir em sentido contrário o que tendo sucesso a reforçar o Desporto trará benefícios políticos mais interessantes do que o emagrecimento e clausura efectuado no passado.

O programa do xix governo fala daquela coisa divertida que é o 'Desporto Com Todos', que ninguém sabe o que isso é e fala em inúmeros factores do alto rendimento. Ou seja, o programa do xix governo tem coisas que era útil conseguir concretizar passando por cima da sua letra de forma, através do debate com os parceiros desportivos, económicos e sociais.

Estarão o PSD e o CDS capazes de mostrar uma determinação comum em dar um melhor desporto ao país do que os governos anteriores?

Em particular sobre o impacto da Juventude na orgânica do Desporto

O xix governo deveria ter decidido estudar em profundidade a realidade da juventude.

A extinção agora ou dentro de 6 meses, deveria ter avançado para criar juízo e bem-estar social no paraíso em Portugal das jotas do PSD e do PS. Mais ninguém em Portugal beneficia desta situação. Os postos de trabalho certamente seriam encontrados noutros sectores socialmente melhor justificados.

Por um lado, ninguém sabe o que são, o que faz a estrutura da Juventude, que benefícios gera para a sociedade e quanto valem para os jovens e para o país o dinheiro nela investido. Também não se estudam outras formas melhores de fazer o que faz a Juventude indo ao encontro dos desafios dos jovens e principalmente dos carenciados. O PS nunca apresentou estas contas nem equacionou alternativas, sugerindo que, para o PS, a estrutura tem benefícios que não é preciso estudar nem justificar publicamente. O que quer que o PSD e o CDS fizessem o PS está contra: esta é a cartilha recente.

Por outro lado, por exemplo, a juventude que quer consumir bom desporto e boa cultura necessitam de organizações de base activamente culturais e desportivas com objectivos amplos e intervenção generosa que não se confundam com as escolinhas e outras estruturas que oferecem serviços privados à classe média e para cima.

Devia ser acordado pelo Parlamento que a Juventude seria tendencialmente extinguível em N meses antes de 2013. Ou que fosse feito um estudo por uma autoridade independente ou grupo de especialistas nomeados pelo Parlamento que analisasse o trabalho feito e acumulado e as alternativas.

O xix governo do PSD e do CDS decidiram pela fusão de uma coisa que eles acham que não está bem e o PS acha que tudo está uma maravilha e nada deve ser mexido a exemplo do que fez em 6 anos.

O propósito de análise e eventual reformulação profunda esclareceria as funções da SED e da SEC clarificando-lhes uma área de intervenção para toda a população a começar nos escalões jovem da população carenciada. Este posicionamento valorizaria o euro investido no desporto e na cultura orientando-se para a resolução das maiores carências actuais da população.

Fundir Desporto e Juventude sem tornar socialmente transparente a segunda é uma fusão que prejudica o Desporto porque é uma fusão com um todo viscoso como o alcatrão.

O Desporto já tem problemas próprios de opacidade que bastam para agora ter dentro de casa a Juventude que o PSD e o CDS não querem tomar uma atitude corajosa e adequada às dificuldades que o xix governo apresentou ao país e equacionou soluções umas e outras aprovadas eleitoralmente.

O principal ponto da análise da Juventude é a sua utilidade social e a opacidade de conhecimento social da sua realidade.

O desafio das Juventudes do PSD e do PS deveria ter da parte dos restantes partidos CDS, PCP, BE e Verdes uma atitude socialmente útil e visando resolver os desafios que a população juvenil vai defrontar em 2012 e 2013. Esta urgência de curto prazo deveria ser equacionada numa perspectiva longa como a que atrás se sugere para o Desporto e a Cultura e igualmente envolvendo o poder local e outros ministérios.

Os desafios da juventude portuguesa definitivamente não deveriam ser e não são os problemas das juventudes partidárias segundo o modelo corrente.

Discutir o sentido das políticas desportivas e nacionais

Hoje o jornal i lança o alerta sobre as rendas pagas pelas instituições nomeadamente das lojas do cidadão e do IPJ lançando milhões inflamados para a opinião pública.

O jornal i foi atrás do discurso do xix governo que quer poupar milhões com o desporto e a juventude e nada mais anuncia, quando Londres ardeu após medidas de igual jaez do governo conservador e liberal do Reino Unido.

O jornal i está certamente do lado do governo e presta-se a indicar os milhões e milhões que se gastam por esse país em tudo, e mais alguma coisa, sem uma relação de causalidade pública ou social.

Quem já foi a uma loja do cidadão e saiu de lá minimamente satisfeito com o problema resolvido, apesar das bichas e outras inconveniências sabe que a utilidade das lojas do cidadão não se discute apenas com as rendas pagas.

Quem tem estado a desenvolver este espírito é certamente o xix governo quando não consegue equacionar as políticas sectoriais no todo das obrigações eleitorais e confunde os portugueses com o memorando da Troika e o seu nervosismo de querer fazer bem.

No caso do desporto é patente a incapacidade do xix governo transmitir com cabeça, tronco e membros a sua política tanto do desporto como da juventude, uma vez que os vai juntar e é aceitável a existência de mexidas nas políticas ensimesmadas do PS.

Os dias do xix governo passam-se, o silêncio torna-se ensurdecedor e a oposição joga nos pontos que lhe parecem fracos.

O ex-SED Laurentino Dias chama o Ministro Miguel Relvas não chama o SED Alexandre Mestre. Terá isto algum significado? Já o COP o tinha feito.

No desporto o PSD e o CDS parecem ter medo da herança do PS. Falam pouco, como antes acontecia e faziam, renomeiam personalidades de antanho...

Quanto ao desporto e à juventude que medidas deveriam aparecer no debate do Parlamento:
  • A ideia política de vários instrumentos para determinar bem a legislatura do desporto e da juventude: uma Visão com objectivos e metas, um Programa / Livro Branco equacionando o curto, o médio e o longo prazo, um Líder e uma Equipa, as instituições públicas e privadas com quem se vai trabalhar e o modo como se vai fazê-lo.
  • Equacionar novas orgânicas institucionais e técnicas, alternativas ao modelo pretérito, é consequência do ponto anterior. Quando se fala das rendas e das poupanças fundidas é bom que se saiba muito bem quais são e onde estão todas as letras ou a falta de detalhe técnico pode transmitir uma imagem errónea, como se vê no jornal i.

23.Agosto.2011 - Audição do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares (15h00).

A Comissão de Educação, Ciência e Cultura vai ouvir o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, na sequência da aprovação de um requerimento apresentado pelo GP/PS, que solicita esclarecimentos sobre a proposta de reorganização dos serviços sob a sua tutela. O texto do requerimento encontra-se em anexo. Carregue na imagem para a aumentar.


sábado, 13 de agosto de 2011

É para isto que serve o desporto?

A junção do IDP com outras instituições poupará milhões e afinal parece que será a única medida de corte na despesa do governo.

Isto vai acabar com o desporto a poupar milhões de euros para pagar às outras instituições por perda de expectativas criadas pelo XVIII governo.

Era bom que alguém explicasse bem, a dimensão e a consequência económica da decisão de junção de instituições.

Onde estão os outros cortes na despesa de 2011 para além do desporto, anunciados profusamente antes das eleições?

Como em todos os períodos de restrições anteriores há que ter a certeza que o desporto vai contribuir para as restrições e poupar no financiamento e nos resultados desportivos.

Há federações que se mostram disponíveis para baixar a produção desportiva na medida em que o Estado diminua o seu financiamento.

A sua única preocupação é saberem quanto vão poupar para eles próprios cortarem na sua produção desportiva.

Se isto parece uma contradição e um contrasenso ele tem sido aplicado abundantemente no passado mais lonngo e mais recente: são as federações desportivas que cortam na sua produção desportiva.

Assim, encontra-se um mesmo comportamento público e privado quando, por um lado, o XIX governo parece ter o comportamento liberal que Cameron no Reino Unido que antes dos tumultos 'poupa' milhões de libras esterlinas de financiamento público aos clubes de jovens e, por outro lado, a aceitação por parte dos líderes privados de todas as ilusões virtuosas de políticas restritivas sobre o bem-estar social da população portuguesa.

Era bom que se faça um bom discurso sobre o futuro do desporto português, não apenas quanto às ilusões do programa do governo mas igualmente quanto às consequências.

Estas avaliações até podem ser como a TSU que não convencem ninguém a não ser os oficiais da troika que pedem 'barba e cabelo'.

Era útil que alguém no desporto fizesse contas ao paraíso ou ao purgatório que se aproxima.

Economicamente não se trata de prejudicar o XIX governo mas antes de ajudar os líderes privados a ter uma ideia da complicada situação em que se encontra o desporto e depois a encontrarem uma saída a que têm direito e que é obrigação do Estado não só a eventualmente financiar mas também a ensinar e a dar condições para o sucesso da produção desportiva das federações, o que é um valor raro na governação desportiva nacional.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O problema do desporto português são as leis e os líderes públicos

Começam a surgir e a resurgir questões que não encontram respostas mesmo depois de passados anos, legislaturas e décadas.

O livro de estatísticas de desporto assinado pelo jurista e Ex-Secretário de Estado Laurentino Dias e pelo Ex-Presidente do Instituto do Desporto de Portugal, Professor Doutor Luís Bettencourt Sardinha da Faculdade de Motricidade Humana, é peremptório ao demonstrar que a prática desportiva nacional decresceu as taxas de crescimento e estas estão estagnadas nos últimos anos. Os autores do documento estão acima de toda a suspeita de que houvesse manipulação de dados por analistas preconceituosos.

Com a taxa de crescimento dos últimos anos a andar entre os 0% e os 2% o associativismo desportivo nacional levaria décadas ou quase um século a obter a média europeia de praticantes desportivos inscritos nas federações e nos seus clubes. Isto significa que as políticas dos últimos anos são erradas e definitivamente não visam desenvolver eficiente e sustentadamente o desporto português.

E, contudo, o PSD/CDS decalcam os aspectos liberais e empresariais de uma proposta de governo como a do PS. O novo governo faz mais e nomeia figuras gradas da equipa anterior demonstrando que o PSD/CDS não tem alternativas para a política desportiva seguida pelo PS depois do Euro2004, acontecimento este que travou o desenvolvimento desportivo nacional nos últimos quase dez anos. Obviamente houve alguns vencedores e resultados desportivos mas o que interessa são os resultados agregados.

Ao fim de quase 40 anos há questões que roçam a perplexidade.
  • O desenvolvimento desportivo sustentado em termos europeus é o principal objectivo da política desportiva portuguesa, não é?
  • Porque é que se nomeiam há décadas juristas preferencialmente para resolver problemas do desenvolvimento desportivo sustentado?
  • Porque se nomeiam juristas que não conseguem aproximar Portugal da média europeia, nem conseguem conceber um programa e uma estratégia de sucesso, quando estes são elementos fundamentais para o desenvolvimento de outros países com sucesso desportivo?
  • A conclusão da relação entre o direito do desporto e o desenvolvimento desportivo português não devia ser da ineficiência do direito desportivo nacional para gerar o desenvolvimento sustentado em termos europeus?
  • Que leis e políticas são estas, as feitas pelos juristas portugueses, que não transmitem aos líderes privados do associativismo e das empresas desportivas condições de competitividade e desenvolvimento sustentado europeu mas que lhes permitem retornar ao controlo do sector e renomear elementos que se eternizam no carrocel político apesar da nulidade dos resultados de política?
  • Porque é que as equipas políticas podem revesar-se no poder político com projectos, ideias e protagonistas e os presidentes das federações têm de sair?

Em vez de criar leis em que apenas os deputados da nação e os líderes públicos acreditam, porque não fazer a avaliação do desempenho destes senhores e dar condições de trabalho aos líderes associativos e 'deixá-los trabalhar' como diz o Presidente da República, o Professor Doutor Anibal Cavaco Silva?

Com a ajuda do PSD e do CDS, seguindo o programa e a liderança desportiva do Ex-Primeiro-Ministro José Sócrates, Portugal vai chegar ao meio século com políticas desportivas recessivas e gravemente lesivas do interesse da sua população e do interesse nacional.

domingo, 7 de agosto de 2011

A equipa do Titanic está reconduzida

O trabalho do Expresso de ontem mostra que os estádios foram um Titanic para alguns clubes.

Obviamente que a equipa que trabalha em Leiria é a que tem os pés menos assentes no desporto e é o elo fraco da equipas gestoras dos estádios do Euro 2004. No Expresso observa-se que os resultados da gestão da sociedade autárquica de gestão do complexo de Leiria é a que apresenta piores resultados desportivos e financeiros.

O que acontece, porém, é que todo o projecto dos estádios do Euro2004 apresenta dificuldades, alguns que o artigo refere e estendendo-se a todos os outros, como um dos clubes grandes o Sporting cujos resultados são baixos. Do Porto e do Benfica pouco se sabe para além das taxas de ocupação mais elevadas.

O mais interessante é que elementos que construíram os estádios, directa e indirectamente, foi reconduzida sugerindo que o Euro2004 continua a vender bem, apesar da realidade dos estádios demonstrada pelo Expresso ser bem clara para quem quiser ver. Esta é uma incapacidade bem portuguesa de não avaliar os resultados e as soluções que foram usadas para os obter.

Parte-se para mais outra legislatura cheia de líderes do Titanic ou de cidadãos cujos sucessos no mercado do desporto são desconhecidos e eventualmente desconhecedores do que é o desporto e de como o produzir com eficiência, o que é um péssimo sinal para o desporto português.

O Expresso são os olhos da sociedade portuguesa e mais uma vez demonstrou à sociedade que o desporto está em contradição com o actual momento nacional, não havendo um líder público ou privado no desporto que apresente corajosamente uma explicação para o que aconteceu de 1997 a 2005 e dê garantias que a solução a encontrar será a melhor para os portugueses e o desporto.

Este silêncio é ensurdecedor o que a análise que tenho feito neste blogue demonstra haver problemas e dificuldades vastas e sistémicas, o que o atraso na sua resolução só prejudicará as federações, os clubes e os atletas para além daqueles que trabalham no desporto.

Ou os responsáveis dão a cara e as suas soluções aparecem ou poderá concluir-se que o facto de não ter havido oposição ao desporto de José Sócrates apenas se deveu à inexistência de um projecto de oposição alternativo.

Será a equipa do Titanic capaz de pôr os estádios a flutuar e de rumar o desporto português para a média europeia?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Que perguntas fazer sobre o IDP?

I

Foram os últimos líderes bons no IDP?

Que imagem tem a sociedade e o desporto português dessa liderança?

Será útil ao desporto manter essa liderança ou com essas características à frente do IDP?

Quais os pontos frágeis dessa liderança?

Quais os seus pontos fortes?

Quais os pontos a preservar para o futuro?

II

Para que serve o IDP? O IDP é necessário para fazer o quê?

Distribuir dinheiro às federações mais importantes e aos empresários 'do desporto'? Fazer o que os políticos querem?

Na hipótese de extinsão do IDP, que outros órgãos do Estado podem substituir o IDP?

As Finanças podem substituir com vantagem o IDP na atribuição de financiamentos públicos aos entes desportivos?

Definida a função social do IDP, quanto ganha a sociedade por ter o IDP?

Quanto ganha a sociedade com o seu encerramento e, por exemplo, atribuição às Finanças da distribuição do dinheiro para os entes desportivos?

III

Sendo as federações as que melhor sabem produzir desporto para que serve o IDP?

Sendo as federações inteiramente autónomas e responsáveis do seu objecto social, perante os seus corpos sociais e perante a Lei de Bases e a Consituição, existe ou não uma vantagem na extinsão do IDP?



Independentemente da ordem, a resposta a estas questões ajudam a observar se o XIX governo age bem no desporto.

domingo, 31 de julho de 2011

Entre um murro no estômago e ficar com uma branca

Pedro Pestana Bastos, no Cachimbo de Margritte, aqui, está a favor da extinção do IDP.

PPB diz:
"Parece que a JSD está contra a fusão do Instituto da Juventude com a Movijovem e o Instituto do Desporto.

Eu também estou contra.
No estado do país são organismos da administração pública que deveriam ser extintos. O contribuinte agradecia. Ou será que não perceberam que não há dinheiro."

Laurentino Dias e toda a sociedade desportiva que contemporizou com o modelo de muitos anos não se vão reconhecer neste extremo de PPB. Mas toda a nomenclatura que produziu o desporto português nas últimas décadas e ainda ontem esteve no velódromo de Sangalhos a ver a conquista das medalhas pelas estrelas da Europa, pagas com o dinheiro da população local e do dinheiro que deveria ser investido, nesta fase, em alternativas desportivas, não compreende a dimensão do erro que vem acumulando.

Este pensamento de extinguir a agência pública do desporto é o de uma profunda iliteracia desportiva, em primeiro lugar, e de uma iliteracia europeia absoluta sobre os fundamentos greco-latinos da cultura e da civilização que emanou da Europa de há mais de 4 mil anos a esta parte para todo o mundo e cujo desporto é um elemento incontornável.

O poste no Cachimbo de Margritte é a ponta do icebergue dessa incompreensão social que foi formada pela actuação dos líderes desportivos incapazes de acumularem paciente e diligentemente o capital cultural e civilizacional que o desporto fez em toda a Europa e no mundo.

A falência do desporto moderno em Portugal deve-se à possibilidade de várias improbabilidades europeias:
  1. que o desporto é um bem privado e não público
  2. que os impactos do produto público do desporto podem ser obtidos apenas pela produção privada
  3. que os subsídios públicos para o desporto devem privilegiar os mega-eventos, os ralis, a fórmula um, os autódromos, o Paris-Dakar, e outros produtos desportivos que interessam ao turismo ter no seu cabaz de oferta turística nacional, como está expresso no programa do XIX governo constitucional
  4. que não havendo um produto público não há a necessidade de uma agência pública central
  5. que o desporto não é um sector vital, estrutural e central, para a criação do capital humano e social e o crescimento da produtividade da população e da sociedade portuguesa visando a média europeia
A actuação pública cada vez mais baseada em princípios de apropriação das rendas financeiras e do orçamento público do desporto pelos agentes politicamente mais activos tem um sentido de esvasiamento do produto desportivo enquanto capital comum da população portuguesa.

Haverá quem do PS esteja a gozar perdidamente e já a sonhar, com uma vingança fria, sobre a forma de levar ao Parlamento pós-Passos Coelho o documento a anular os actos agora feitos e a obter a maioria da votação parlamentar, incluindo das bancadas do PSD e do CDS.

Dizem os historiadores que a história primeiro acontece como tragédia e depois como comédia.

A história das leis de bases foi certamente a da tragédia, iremos ver que comédia para a história dará futuramente.

Só que o PS não deveria estar a gozar e a rir-se porque o drama do desporto são estas histórias de ineficácia política que se repetem ao longo das décadas e que prejudicam a população portuguesa em milhares de milhões de euros de bem-estar social.

sábado, 30 de julho de 2011

Na fusão do desporto com a juventude

Sugeri desde inícío do blogue em fevereiro a concentração no IDP de funções que estão noutros organismos como a Juventude e o INATEL.

Não posso pois regeitar a medida do governo de fundir o desporto e a juventude.

Não falarei das novas tecnologias que vêm com o pacote.

Há a necessidade de distinguir o desporto e a juventude.

O desporto é um sector produtivo para gerar bem estar, promover a auto-imagem e a auto-estime pessoal, local, regional e nacional e a juventude é um programa transversar a muitos sectores da actividade como o desporto, educação, saúde, economia, etc.

Os passos coerentes da fusão seriam:
  1. atribuir aos diferentes ministérios aquilo que lhes cabe da juventude
  2. reforçar a juventude no desporto com programas na área do desporto jovem principalmente no desequilíbrio entre homens e mulheres, os imigrantes, os carenciados, nomeadamente com programas entre a educação e o desporto
Para reforçar os benefícios da juventude o papel do desporto não é fazer tudo mas envolver o país.

Neste sentido há dois níveis fundamentais de diálogos públicos a encetar pelo Ministro do Desporto:
  1. O contacto com o Ministro da Educação
  2. O contacto com a Associação Nacional de Municípios
Há um terceiro nível de questões para o desporto trabalhar que é a estruturação da regulação pública do desporto através da reforma das funções centrais do desporto IDP ou seu sucedâneo as quais deverão incluir:
  1. o elevar das funções do IDP, que se conseguirá através de três medidas
    1. criar uma estrutura técnica desportiva competente de nível regional que se move entre autarquias, associações desportivas e a educação
    2. a desconcentração de funções administrativas de produção desportiva local para as autarquias
    3. a descentralizaçãode funções de regulação privada para o COP/CDP
  2. a especialização das funções centrais em áreas como:
    1. recreação, em termos gerais para potenciar os 99% do produto desportivo nacional (o número é propositadamente abrangente)
    2. alto rendimento, maximizar os actuais e restantes 1% do produto desportivo, vulgo Jogos Olímpicos
    3. desporto profissional, racionalizar o desporto profissional que está integrado no 1% anterior mas que é distinto e se relaciona mais com as modalidades de equipa. Actualmente e numa palavra o IDP enquanto organismo da função pública não sabe nada de desporto profissional
    4. prospectiva e investigação
Há a necessidade de criar massa crítica no desporto português sobre estas matérias e principalmente ir sugerindo soluções para que ou este governo as aproveita ou fora dele comece a haver capacidade de pensar e a acreditar que há mais soluções para além das que o governo promove.

Como se sabe no governo anterior houve terrorismo e propaganda que impedia a menor das discussões e contributos que saíssem fora do controlo de suas excelências.

Este governo tem um programa cujas entrelinhas se vão conhecendo e compreendendo.