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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Porque existem instituições falidas no desporto?

Um conceito alargado de falência em que as despesas são superiores à receitas passam pela existência de um conceito simples da missão da instituição, de instrumentos capazes de avaliar o cumprimento e o incumprimento dessa missão e de instrumentos de sancionamento dos resultados.

Uma síntese das instituições desportivas nacionais mostra as dificuldades imensas de reerguer um conjunto de activos que ao longo de muitas décadas foram maltratadas.
  1. A Fundação do Desporto criada no tempo de Mirandela da Costa falhou o seu objecto inicial de financiar o desporto. Os seus corpos directivos foram incapazes de levar a sociedade e o Estado, um dos associados, a regular bem a actividade, também foram incapazes de propor com efectividade medidas alternativas, a partir de determinada altura deixaram de ter voz e todos mantiveram as suas funções. Desconhece-se se continuam a receber pelo trabalho desenvolvido.
  2. A Confederação do Desporto criada no tempo de Mirandela da Costa teve lideranças distintas de Luís Santos e de José Manuel Constantino conseguindo receber dinheiros privados e públicos. A sua missão inicial foi alterada e a actual não tem razão de ser no desporto moderno europeu. A incapacidade das suas lideranças actuais é o de reconhecer o que é bom para o desporto e actuar em consonância. A junção com o Comité Olímpico sendo uma solução comum na Europa em Portugal prefere-se a indefinição e o empenhamento dos escassos recursos públicos e a perda de tempo das direcções de federações em reuniões escusadas. A Confederação hoje não conta com a presença das principais federações o que quer dizer que desportivamente está morta, menos para aqueles que não têm o que fazer de competitiva e socialmente útil.
  3. Muitas federações estão falidas, sendo financiadas em grande parte financiadas pelo Estado que não apresenta medidas de reforma destas importantes instituições desportivas nacionais.
  4. Há muitas instalações desportivas que as autarquias não sabem que destino dar na ausência de programas e de missões desportivas que o Estado português nunca definiu transmitindo ao nível local as imagens do seu desnorte e dos maus exemplos centrais.
  5. As autarquias necessitam de exemplos de como gerir, promover o bem estar e projectar o futuro das suas responsabilidades desportivas. O silêncio do Estado sobre esta matéria e os impactos negativos de múltiplos erros centrais nas diferentes facetas da política desportiva é prejudicial às populações locais e ao trabalho das federações e da sua estrutura federada.
  6. O Complexo Estádio Nacional variou entre o projecto de Mirandela da Costa de uma intensidade de capital desportivo e financeiro desmesurada e o completo desnorte de actuar sem verificação de condições mínimas de sustentabilidade desportiva, saneamento básico, ambiental ou de integração no todo da área metropolitana de Lisboa. O Euro2004 ao criar os modernos estádios do Benfica e do Sporting varreu para debaixo do tapete e para o futuro a viabilidade do Estádio Nacional.
  7. O IDP vai ser fundido o que demonstra a existência de um programa alternativo pelo actual governo. Já no passado o PS e o PSD actuaram sobre a orgânica desta agência pública que actualmente atravessa uma crise orgânica e de funcionalidade  profunda.
  8. A SED vai ser fundida o que sugere uma alteração de conceitos que não se percebeu se é por via da modernização do desporto ou do fracasso da juventude que não sendo extinta é fundida com o desporto.
O caso da privatização do Pavilhão Atlântico deveria levar o desporto a abrir um debate qualificado sobre o seu futuro.

Desmantelar o capital acumulado, como privatizar pura e simplesmente mesmo que existam erros significativos, tem um custo desportivo, económico e social superior ao trabalho de reconstrução do desporto nacional.

O silêncio de princípios a par do elogio tradicional ao futebol, independentemente do merecimento de atletas e treinador, augura dificuldades maiores para o desporto português.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Deverá a direita fazer o que a esquerda não foi capaz de fazer?

Terá de ser o governo de direita!

É relevante introduzir medidas de racionalidade diferenciada pela cor partidária nos diferentes segmentos do mercado do desporto?

Acho que é por vários motivos
  1. A direita e a esquerda têm princípios identitários que devem ser claros para compreender o que cada um faz.
  2. Quando se financiam grandes agentes desportivos existe na base uma preocupação de gerar uma capacidade de actuação nesses agentes e se não há uma preocupação de actuar sobre as falhas dos carenciados então pode dizer-se que se está perante um governo de direita. Resposta errada porque não tem sido a direita a fazê-lo.
  3. Há federações em Portugal que estão tecnicamente falidas. O governo que sistematicamente financia estas federações falidas será um governo de direita que favorece os patrões ou um governo de esquerda?
  4. Num sistema democrático e com liberdade de expressão, para a actuação de mercados competitivos, a distinção entre direita e esquerda é útil para analisar a verosimilhança das soluções possíveis.
Cavaco Silva no início da década de 90 não aceitou a existência de empresas tecnicamente falidas e que acumulavam dívidas aos trabalhadores, à segurança social e ao fisco.

Porque é que no desporto os governos aceitam trabalhar com federações tecnicamente falidas que recebem financiamentos públicos a quase 100%?

Irá o governo depositar nas federações falidas o escasso dinheiro da austeridade?

Poderá o governo de direita maioritário fazer o que a esquerda não conseguiu fazer em muitos anos ao confundir inúmeras características da produção eficiente de desporto trabalhando com algumas federações sem condições e delapidando recursos públicos escassos que poderiam servir melhor as outras federações?

O desporto leia-se COP e CDP não está preparado para ajudar as federações em dificuldades e a dialogar com o governo, que tem de cumprir as medidas de austeridade, sobre o que fazer no desporto.

Dizer que o desporto tem de ser financiado e não deve ser sujeito a medidas de austeridade pode ser uma irresponsabilidade face aos fracassos do mercado do desporto português impedindo ou dificultando a saída da crise.

As soluções para o desporto português não são simples, nunca foram e apenas a acção dos governos no passado permitiu o sucessivo agravamento. Agora com uma crise tremenda é que serão resolvidos? Que estratégia foi esta a seguida pelo COP e CDP?

O governo de maioria de direita tem um trabalho imenso pela frente no mercado do desporto.

Tem de ser o Governo de maioria e de direita porque os governos da maioria e da esquerda não resolveram os problemas que actualmente se vão colocar com transparência.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Mercado, política pública e regulação privada e pública

Um dos problemas do desporto português na última legislatura pode equacionar-se em três pontos:
  1. o desejo de introduzir um  novo conteúdo para o desporto (vindo do estrangeiro), com a pretensão de ser um novo paradigma
  2. a pretensão de substituir o conceito de desporto e não explicar como é que as federações iam aproveitar-se dele
  3. não valorizar o receio de perder protagonismo dos agentes privados os quais deveriam ser pelo contrário os primeiros convidados a partilhar o paradigma
O conceito novo foi o de actividade física e que incluía o de condição física.
As federações recearam o novo conceito e agiram no sentido de o congelar.
O mal estava feito:
  1. estabeleceu-se a confusão de conceitos
  2. falhou-se a mobilização estrutural para o novo conceito
  3. fragilizou-se o desporto e as federações
  4. contaminou-se a investigação científica do ciclo legislativo não se promovendo voluntariosamente todas as ciências necessárias ao desenvolvimento sustentado do desporto português

Uma política mal concebida em torno de um novo conceito

O conceito de desporto do Conselho da Europa roda à volta da actividade física e da competição, referindo a relevância das externalidades produzidas para a saúde e a educação entre outras.

Os economistas usam esta definição a que faltava encontrar a relação material e produtiva entre actividade física e competição.

Na minha tese indico que a competição usa-se em desporto para medir a actividade física.

Pelo conjunto de conceitos apresentado nota-se que existe uma relação intrínseca a todos, a saber:
  1. desporto é o nome do sector
  2. actividade física (exercício físico para um conceito mais preciso) é o elemento nuclear
  3. competição mede a actividade física
  4. condição física são benefícios imateriais produzidos pela actividade física e que geram externalidades quando beneficiam terceiros não envolvidos na transacção inicial
O conceito de desporto do Conselho da Europa fala da formalidade e aqui falta acrescentar quem são os produtores de actividade física no mercado do desporto:
  1. escolas
  2. clubes
  3. empresas, ginásioa e academias
  4. autarquias e outros departamentos públicos
Estas organizações transaccionam no mercado do desporto pacotes de três tipos de serviços:
  1. formação, da base ao topo da pirâmide
  2. treino, da base ao topo da pirâmide
  3. competição, da base ao topo da pirâmide
O político de desporto chegado aqui diria ao associativismo desportivo:
  1. os produtores fundamentais de desporto em todo o mundo são o associativismo desportivo produzindo desporto para os sectores menos ricos das populações
  2. as empresas surgem com uma oferta atraente para os sectores mais ricos da população
  3. há franjas em que ambos os tipos de organizações privadas se encontram no mercado e os mais atraentes para segmentos específicos da população podem ter chances de sucesso
Na concepção do governante a regulação seria feita por duas instituições
  1. as federações como proprietários do direito de produção de toda a actividade desportiva e que são os responsáveis primeiros da regulação privada usariam os conceitos para maximizar o seu produto desportivo, económico e social
  2. a função reguladora pública efectuada pelas instituições públicas complementaria a regulação privada em todos os domínios do conceito para alcançar o bem comum

O atirar a actividade física para cima do desporto foi um acto que marcou a legislatura do desporto, pelo desejo excessivo de destruir o símbolo que o nome desporto é para grande parte do mundo.

Se a actividade física estivesse ausente do conceito de desporto a situação seria diferente.

O conceito do Conselho da Europa é bem conhecido pela ciência do desporto e é o conceito que também a União Europeia usa no Livro Branco.


Compreende-se como um conceito mal apropriado e insuficientemente concebido enquanto instrumento de regulação pública pode minar toda uma legislatura perdida de objectivos visando a maximização do bem comum para a população portuguesa.



O Governo de maioria vai necessitar de conceitos bem definidos, bem aplicados e principalmente bem explicados para uma adesão bem sucedida do associativismo desportivo e das empresas, visando o melhor para si próprios e para a socieade na perspectiva do novo governo.

Se o Governo de maioria conseguir desde uma fase inicial ter mão firme em conceitos básicos como estes que aqui são apresentados, então os agentes desportivos privados descansarão e darão um maior apoio às medidas de política preconizadas, talvez e inclusive as mais duras.

Complementarmente os conceitos apresentados têm consequências para a política pública e para o comportamento dos entes públicos que a maior parte dos países europeus prosseguem e que os tornam ricos em produção desportiva.



Nota final: As pistas sintéticas e conceptuais que aqui deixo são as da minha tese de doutoramento.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Alguém deveria ter a ética de assumir a promoção do bem-estar nacional através do desporto

O Memorando de Entendimento, ver documento aqui, assinado entre a Troika e Portugal deveria alertar os líderes desportivos para o facto do desporto, quer queira quer não queira, ir mexer como nunca aconteceu no passado.

E o filme diz que vai mexer para pior.

O poste de José Manuel Constantino, aqui, mostra como as coisas más abundam referindo-se à má reputação do desporto e da administração pública, nomeadamente à crise da justiça, realça/alerta para a necessidade da defesa do interesse público e deixa a preocupação que apontam para melhores instituições no desporto.

Pelo seu lado o Memorando da Troika não fala do desporto como não fala da cultura.

Mas o Memorando vai afectar o produto desportivo e o da cultura tanto o produzido pelas organizações privadas como a actuação dos entes públicos.

A questão relevante é a necessidade do debate no desporto se voltar para o presente/futuro que aí está com toda a sua força e que o desporto não está a acompanhar.

É uma coincidência do arco-da-velha que a cultura receba 5 milhões de euros, e o desporto com 15% descontados às maiores federações se aproxime deste valor.

A questão relevante que subjaz ao poste de José Manuel Constantino é a questão das instituições do desporto que são frágeis.

Alguns factos demonstram como o desporto, com más instituições, perde o pé relacionado por exemplo com a perda do Tribunal Arbitral para o Ministério da Justiça à revelia do que acontece na Europa, com as dificuldades de distinguir juridicamente se as organizações desportivas são privadas ou públicas e agora a perda de 5 milhões de euros que por coincidência a cultura ganha.

Para encontrar um paralelo que o desporto poderia imitar veja-se que a ascendência da cultura começou nos anos noventa e enquanto o desporto se entreteve com o Euro2004 e malbaratou o capital aí conseguido com o sucesso desportivo, a cultura obteve maiores financiamentos e programas estruturais. Pode dizer-se que efectivamente os dinheiros dos estádios foram pagos pelas outras federações desportivas.

Os 15% são uma amostra da porta aonde o desporto vai bater violentamente.

Economicamente o desporto português está falido querendo com isto dizer que as suas organizações não têm estrutura, competitividade e agora acumulam a falta de reputação que lhes impede obter recursos e factores de produção na sociedade portuguesa.

A média do PIB desportivo europeu é de 2%, correspondente a mais de 8 mil milhões de euros se se aplicar a percentagem ao PIB nacional. O desporto português tem menos de 0,36% equivalente a 1,5 mil milhões de euros. Estes valores demonstram como a filosofia ou o modelo de produção de Portugal é ineficiente e impossível de ser rentável em termos europeus e necessita de ser alterado para que as organizações privadas desportivas trabalhem com o mercado privado e não estejam sob a dependência dos governos. É impossível qualquer governo nacional alcançar a dimensão de financiamento desportivo que os mercados privados geram.

O desporto português não tem instituições capazes de fazer a mínima análise económica capaz e serão escassos os líderes capazes de assumir decisões competentes e competitivas caso sejam produzidos os instrumentos económicos necessários à racionalização da produção desportiva nacional para a média europeia.

De momento, o desporto não está preparado institucionalmente para compreender a sua realidade tanto desportiva, como económica, como social e face ao desvio que sofre da média europeia, não tem meios organizacionais e científicos para conceber um modelo novo e para equacionar soluções que compaginem e maximizem o seu interesse com o do país.

Era tempo de haver coragem e ir bastante fundo para encontrar a melhor saída para a crise do desporto.

Como se observa no Memorando e nos documentos da União Europeia a deriva e afastamento do desporto português não terá uma tábua de salvação miraculosa ou de última hora.

Ou o desporto tem a coragem de afastar desentendimentos pessoais e menores que marcaram o seu passado e responde a uma voz a estes imensos desafios ou vai cair fundo.

Eventualmente haverá agentes particulares a passarem por entre os pingos da chuva o que corresponderá a posições medíocres do ponto de vista do óptimo social europeu porque o seu lucro vai acompanhar a quebra mais geral do sector.

Ou o desporto se salva todo e por inteiro ou vai tudo ao fundo com os realmente pequenos ganhadores do costume.

É agora que o desporto português mais necessita de líderes de enorme dimensão ética, desportiva, social e política.

O desporto português descolou da Europa e está seguramente a descolar do país.

O desporto irá mais fundo do que os outros sectores com destaque para a cultura como os exemplos actuais bem demonstram.

domingo, 27 de março de 2011

Maravilhoso mundo da distribuição

No Caderno de Economia do Expresso, de 26 de Março de 2011, Nicolau Santos ilustrando o mercado da distribuição dá a imagem do que se passa em alguns sectores do desporto e da explicação para a morte dos clubes de bairro.

O que acontece na distribuição é que a concentração do comércio nas mãos dos hipermercados continente e Pingo Doce alcança 50% do mercado nacional da distribuição enquanto em Espanha os correspondentes Mercadona e El Corte Inglés têm uma quota inferior a 13%.

Se a história da morte das mercearias de bairro está por fazer quanto aos seus impactos sociais, no desporto essa realidade é fácil de equacionar no alto rendimento e no capital humano e social que é retirado ao país para o seu desenvolvimento sustentado.

Portugal está no último lugar europeu porque lhe falta o tecido associativo de base especializado para apurar localmente as valias humanas que os clubes locais fazem bem e de forma económica.

No desporto a morte do tecido associativo desportivo faz-se pela maior actuação das federações a nível local com preços socialmente mais elevados, pelo decréscimo da relevância das associações que acompanha o estrangulamento dos clubes locais, pelo surgimento dos ginásios nos bairros das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e das cidades médias aproveitando o desenraizamento das populações urbanas e pela valorização dos clubes médios e dos grandes clubes que conseguem ter sucesso num ambiente empresarial com finalidade lucrativa. Há clubes médios como Lisboa Ginásio ou o Ateneu com dificuldades de afirmação que anunciam a falência.

O associativismo desportivo de base e toda a sua estrutura são a base do desporto moderno.

A estrutura de produção privada criada em Portugal nos últimos anos não tem capacidade de se sustentar no mercado onde não consegue colocar a totalidade dos seus débitos e dependendo muito da acção do Estado caminha para a falência porque nenhum Estado europeu tem dinheiro para financiar toda a actividade desportiva e consegue através da racionalidade económica financia o potencial da actividade desportiva pelo seu custo mínimo.

Desta forma se demonstra uma vez mais que o problema é o país e o desporto tem uma menor 'culpa' do caminho que leva a falência do desporto nacional.

terça-feira, 15 de março de 2011

O dilema de Gilberto Madail

Gilberto Madail diz que se esforçou e agora não aceita a recriminação por aplicar um modelo institucional para a modalidade cuja recusa pelos seus associados poderá colocar a federação fora da lei.

Toda a discussão não consegue distinguir os objectivos dos associados de, por exemplo, dos objectivos de aumentar o produto desportivo da federação.

Alguns associados vêm uma ameaça ao seu modo de actuação e estão dispostos a levar a sua dúvida às últimas consequências.

Caminharam todos para um beco sem saída a falar sobre o que a FIFA e a UEFA querem e não falam sobre aquilo que quererá o praticante desportivo português ou se a reforma ora em discussão tem os impactos esperados de melhoria do produto do futebol em todas as suas dimensões e qual a dimensão dessa transformação.

É aqui que bate o saber fazer de Gilberto Madail que trouxe o Euro 2004 para Portugal, quase trazia o Mundial 2018, agora tem uns estatutos novos e não demonstrou aos seus associados se com esses estatutos os associados continuam a produzir o mesmo, se vão produzir mais, se deixarão de existir para, por exemplo, a modalidade dedicar-se apenas ao desporto profissional com jogadores estrangeiros.

Gilberto é um economista de formação e tem sensibilidade para os números relacionados com os negócios, como referiu sobre a candidatura ao Mundial2018, e esse é o problema dos associados a quem não terá sido explicado qual o seu benefício no negócio que querem à viva força que eles assumam.

Potencialmente podendo a federação de futebol passar de 140.000 praticantes para muitos mais praticantes, todo este litigar administrativo e jurídico ganharia em passar para o domínio desportivo e para a concepção de um outro modelo de desenvolvimento sustentado para o futebol português porque actualmente faltam elementos para compreender o que está bem e o que´se pode melhorar na produção do futebol português desde a sua base ao topo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Formas alternativas de actuação para a política desportiva

Outras formas são, por exemplo, aquelas que criam, através de bons instrumentos de regulação, mais produto desportivo e mais valor económico e social.

Refere José Manuel Meirim a determinado passo da sua crónica de hoje no jornal Público (a divisão em seis pontos é minha):

"Como eles dizem (os alunos de JMM), então é assim:
1 - publica-se a lei,
2 - endereçam-se deveres ao Estado, organizadores e clubes;
3 - não se cumpre a lei; registam-se cenas graves de violência;
4 - faz-se um seminário ou uma conferência para debater o magno problema;
5 - cria-se uma comissão para "estudar a coisa e eventuais alterações à lei". 6 - As claques actuam a seu belo prazer, com o silêncio e omissão dos poderes públicos e desportivos."

Vejamos uma forma alternativa:
1 - Detecta-se um problema;
2 - Analisa-se o problema, encontrando soluções alternativas com a geração de resultados diferenciados;
3 - Afirma-se o objectivo de política pública e o instrumental para resolver o problema inicial, segundo os princípios de política;
4 - Publica-se o instrumental porque em geral uma lei sozinha não faz a Primavera;
5 - Passado um determinado tempo, se não houver um sinal de alerta anterior previsto no instrumental de política, faz-se uma avaliação do problema, das intenções do instrumental e dos resultados obtidos;
6 - O processo pode voltar ao início caso se detectem problemas ou os instrumentos continuam bons e mantêm-se em vigor até nova avaliação periódica ou um sobressalto.

Parece, e realço parece, que o seminário realizado pela Liga de Clubes terá sugerido que há problemas na lei que a impedem do seu sucesso. O receio de actuar por parte do Estado pode ser uma das razões mas há certamente outros problemas que levam à entropia de todos os agentes.

Nomeadamente se a economia do desporto profissional nacional beneficia de rendas da economia da violência para sobreviver, talvez seja melhor compreender para além do labirinto jurídico e político.

Ver o meu poste anterior.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Que dirão Teresa Machado e Albertina Machado à magna decisão? E a AR? O que faz a AR?

Diz o Público que “Uma verba de 45 mil euros vai ser colocada à disposição de Vanessa Fernandes, para financiar a sua recuperação desportiva.”

A frase é vaga como demonstra o jornal depois, porque refere: “Esta verba engloba os montantes de apoio que estavam previstos na sua totalidade para o corrente ano no que respeita à bolsa da atleta e do seu treinador (para os Jogos Olímpicos de Londres 2012) e igualmente ‘os apoios previstos no quadro competitivo da Federação Portuguesa de Triatlo’, adianta o COP, num comunicado publicado no seu site.”

Ou seja, dada a dimensão mediática da atleta o COP parece nada fazer e depois de saber da baixa da atleta garante-lhe e à federação que planeou mal a actividade todo o dinheiro anterior sem uma reformulação pública da política.

Que dirão Albertina Dias e Teresa Machado, elas que foram até ao fim do arco-íris e verificaram que não havia nenhum pote de ouro.

O fracasso da actuação da federação e do COP observa-se nos problemas de saúde que impedem a atleta de se dedicar à modalidade visando um resultado olímpico específico e que tanto a federação como o COP não explicaram ao país com transparência que tenham feito todo o possível equivalente ao que outros países fazem e face às necessidades específicas da Vanessa Fernandes de todos os portugueses.

A transparência das explicações é devida por se tratarem de dinheiros públicos.

Não estando a atleta na melhor forma e havendo Jogos Olímpicos para o ano e o país em crise profunda, os dinheiros assegurados são para que objectivos? Estes dinheiros poderão ser aplicados noutros atletas e noutras modalidades com maior potencial no actual momento ou não e porque razão?

O problema de momento não são os fracassos porque os desafios aparecem em projectos de elevado risco como os olímpicos e o que interessa é a forma como são resolvidos e, neste caso, a explicação do COP é tudo menos transparente e parece menos curial atribuir o mesmo financiamento entre duas situações distintas de uma atleta que afiança estar sem forma competitiva e receber à mesma todo o dinheiro que teria se estivesse em plena forma.

O COP sabendo da situação há muito tempo não fez um inquérito à destruição do capital desportivo e humano da Vanessa Fernandes nem apresentou nenhum relatório sobre todo o processo de preparação da atleta.

Aliás o desenvolvimento da jovem aparece como uma actuação contrária à formação e desenvolvimento de uma atleta de elevadíssimo nível e que terá não só destruído muito do potencial da atleta como aplicado a outros jovens estes fugiram da modalidade face aos métodos excessivos aplicados a todos.

O COP não se responsabiliza pelo que se passou com a Vanessa Fernandes e predispõe-se a usar fundos públicos para cavalgar mediaticamente o infortúnio da atleta atribuindo-lhe esses fundos como se ela estivesse na plenitude da sua forma em 2011 para ser medalhada em 2012, em Londres.

A esta destruição da juventude portuguesa através do desporto a Assembleia da República não olha e não vê, não inquere, não audita, não estrutura boas leis e instituições modernas e competitivas.

A Assembleia da República só pode estar distraída e desconhecer o significado do desporto moderno para a projecção global e para o futuro de Portugal.

E isso já acontece há algum tempo porque continuamos a estar na cauda da Europa e a AR não o vê.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

De 500 mil praticantes federados para os 2 milhões da média europeia

Multiplicar por 4 os praticantes federados portugueses é um objectivo equacionável se Portugal quiser chegar à média europeia como faz na cultura, na saúde e na educação, por exemplo.

Como chegar lá no caso do desporto?

A análise económica sugere que existem falhas por parte dos agentes privados e por parte do Estado.

Quanto à primeira falha, do mercado privado, Pigou sugere que o Estado deve intervir para orientar as federações para produzir mais produto desportivo.

Quanto à segunda falha, do Estado, diz Coase que as federações devem ser chamadas a cumprir funções que o Estado não consegue resolver com a mesma eficiência.

Parece um círculo vicioso e é antes um círculo virtuoso.

Primeiro, o Estado deve determinar qual o produto do mercado desportivo privado.

Segundo, deve estabelecer o que considera ser o óptimo social e estabelecer as metas mais elevadas a obter com a nova legislação, subsidiação e produto público.

Com este comportamento simples, e mais uns pós, a tratar noutra oportunidade, as federações portuguesas passarão a ter mais praticantes, mais patrocinadores, mais espectadores e mais dinheiro.

Para isso tanto a regulação privada como a pública deverão actuar até ao máximo das suas possibilidades de racinalidade e responsabilização.