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quinta-feira, 14 de abril de 2011

A House of Lords mostra como deveria / poderia actuar a nossa Assembleia da República em benefício do desporto nacional

Os ingleses apesar de eurocépticos acabam de aprovar um relatório que apoia a actuação da União Europeia e o orçamento para o desporto, ver aqui.

Os Lordes ingleses são apoiantes incondicionantes do seu desporto e incentivam a UE a actuar em dois níveis distintos ao nível dos clubes de base e no topo através do diálogo com os agentes de ambos os sectores.

Afirmam que o desporto não devia ser olhado como uma área periférica e que a Europa ganharia mais caso o desporto fosse observado como um instrumento eficaz e poderoso na realização de objectivos transversais ao espectro político.

Sugerem que o desporto deve ser um elemento essencial em todas as políticas porque é vulnerável às consequências não intencionais da legislação de outras áreas.


Há que distinguir dois pontos principais na actuação dos Lordes britânicos:
  1. Fazem um relatório crítico sobre a política desportiva europeia;
  2. O relatório é divulgado publicamente na Europa é elogiado e um exemplo.


Quando fará a nossa Assembleia da República um relatório crítico sobre o desporto português com qualidade de nível europeu?

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A oposição dorme. O que fazer no próximo ciclo legislativo?

A actual legislatura desenvolveu-se sob o signo do modelo de política desportiva dos anos noventa.

Os aprendizes de Mirandela da Costa pensam ter feito melhor e emendado o mestre.

Uma coisa foi o mestre de um determinado tempo e a outra é imitar tergiversando o tempo, as causas e as consequências.

Tudo isto é possível porque também a oposição não olha para o desporto como um elemento que lhe dê votos.

Albertina Dias, Teresa Machado, Vanessa Fernandes e a juventude portuguesa não têm na Assembleia da República quem compreenda os fracassos do nosso modelo desportivo e a destruição de futuro que o modelo desportivo actual vai perpetrando.

Portugal é um país com uma cultura desportiva limitada face à europeia dando azo a que líderes mais emproados consigam audiências excessivas para o conteúdo ético e substantivo do seu discurso e principalmente dos seus actos.

A informação da opinião pública do futebol, de jornais generalistas e de semanários, televisões e revistas produz ruído bastante para que os líderes do associativismo evitam assumir um protagonismo contra-corrente.

Aliás a oposição partidária olha para o projecto dominante na legislatura desportiva como um modelo perfeito que cala as federações independentemente do estrangulamento efectuado.

Algumas ideias, três, deveriam ser assumidas pelos partidos da oposição e que são semelhantes ao que a União Europeia fez na criação da sua política desportiva comunitária, a saber:

•Compreender o desporto português e os princípios que o devem suportar:
-Analisar o caso do futebol fazendo um Relatório Independente ou relatório Arnaut (2005), ou
-Fazer um Livro Branco do Desporto português, aplicado a todas as federações e que a UEFA e a FIFA aceitam.

•Rever a legislação e o quadro institucional do desporto nacional propondo um novo modelo alternativo às Leis de Bases actuais, uma vez que o Tratado de Lisboa (2007), realizado pela UE foi um pontapé de saída que não é o caso de Portugal.

•Fazer estudos económicos e sociais:
- Criar uma Conta Satélite do Desporto como a feita durante a presidência Austríaca em 2006, e/ou
- Fazer um estudo actualizado sobre a Importância económica do desporto, e/ou
- Fazer a análise das características económicas do desporto português europeu como realizado nos Relatórios Amnyos (2007 e 2008).

A Europa foi eficaz de 2004 a 2010 com o apoio de todo o associativismo europeu e sem dramas na comunicação social.

Não acompanhar a Europa é uma altivez que Portugal protagoniza estando na cauda desportiva da Europa e, com a ainda excepção de algum futebol, Portugal não dá lições desportivas por essa Europa fora.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Que dirão Teresa Machado e Albertina Machado à magna decisão? E a AR? O que faz a AR?

Diz o Público que “Uma verba de 45 mil euros vai ser colocada à disposição de Vanessa Fernandes, para financiar a sua recuperação desportiva.”

A frase é vaga como demonstra o jornal depois, porque refere: “Esta verba engloba os montantes de apoio que estavam previstos na sua totalidade para o corrente ano no que respeita à bolsa da atleta e do seu treinador (para os Jogos Olímpicos de Londres 2012) e igualmente ‘os apoios previstos no quadro competitivo da Federação Portuguesa de Triatlo’, adianta o COP, num comunicado publicado no seu site.”

Ou seja, dada a dimensão mediática da atleta o COP parece nada fazer e depois de saber da baixa da atleta garante-lhe e à federação que planeou mal a actividade todo o dinheiro anterior sem uma reformulação pública da política.

Que dirão Albertina Dias e Teresa Machado, elas que foram até ao fim do arco-íris e verificaram que não havia nenhum pote de ouro.

O fracasso da actuação da federação e do COP observa-se nos problemas de saúde que impedem a atleta de se dedicar à modalidade visando um resultado olímpico específico e que tanto a federação como o COP não explicaram ao país com transparência que tenham feito todo o possível equivalente ao que outros países fazem e face às necessidades específicas da Vanessa Fernandes de todos os portugueses.

A transparência das explicações é devida por se tratarem de dinheiros públicos.

Não estando a atleta na melhor forma e havendo Jogos Olímpicos para o ano e o país em crise profunda, os dinheiros assegurados são para que objectivos? Estes dinheiros poderão ser aplicados noutros atletas e noutras modalidades com maior potencial no actual momento ou não e porque razão?

O problema de momento não são os fracassos porque os desafios aparecem em projectos de elevado risco como os olímpicos e o que interessa é a forma como são resolvidos e, neste caso, a explicação do COP é tudo menos transparente e parece menos curial atribuir o mesmo financiamento entre duas situações distintas de uma atleta que afiança estar sem forma competitiva e receber à mesma todo o dinheiro que teria se estivesse em plena forma.

O COP sabendo da situação há muito tempo não fez um inquérito à destruição do capital desportivo e humano da Vanessa Fernandes nem apresentou nenhum relatório sobre todo o processo de preparação da atleta.

Aliás o desenvolvimento da jovem aparece como uma actuação contrária à formação e desenvolvimento de uma atleta de elevadíssimo nível e que terá não só destruído muito do potencial da atleta como aplicado a outros jovens estes fugiram da modalidade face aos métodos excessivos aplicados a todos.

O COP não se responsabiliza pelo que se passou com a Vanessa Fernandes e predispõe-se a usar fundos públicos para cavalgar mediaticamente o infortúnio da atleta atribuindo-lhe esses fundos como se ela estivesse na plenitude da sua forma em 2011 para ser medalhada em 2012, em Londres.

A esta destruição da juventude portuguesa através do desporto a Assembleia da República não olha e não vê, não inquere, não audita, não estrutura boas leis e instituições modernas e competitivas.

A Assembleia da República só pode estar distraída e desconhecer o significado do desporto moderno para a projecção global e para o futuro de Portugal.

E isso já acontece há algum tempo porque continuamos a estar na cauda da Europa e a AR não o vê.