No Caderno de Economia do Expresso, de 26 de Março de 2011, Nicolau Santos ilustrando o mercado da distribuição dá a imagem do que se passa em alguns sectores do desporto e da explicação para a morte dos clubes de bairro.
O que acontece na distribuição é que a concentração do comércio nas mãos dos hipermercados continente e Pingo Doce alcança 50% do mercado nacional da distribuição enquanto em Espanha os correspondentes Mercadona e El Corte Inglés têm uma quota inferior a 13%.
Se a história da morte das mercearias de bairro está por fazer quanto aos seus impactos sociais, no desporto essa realidade é fácil de equacionar no alto rendimento e no capital humano e social que é retirado ao país para o seu desenvolvimento sustentado.
Portugal está no último lugar europeu porque lhe falta o tecido associativo de base especializado para apurar localmente as valias humanas que os clubes locais fazem bem e de forma económica.
No desporto a morte do tecido associativo desportivo faz-se pela maior actuação das federações a nível local com preços socialmente mais elevados, pelo decréscimo da relevância das associações que acompanha o estrangulamento dos clubes locais, pelo surgimento dos ginásios nos bairros das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e das cidades médias aproveitando o desenraizamento das populações urbanas e pela valorização dos clubes médios e dos grandes clubes que conseguem ter sucesso num ambiente empresarial com finalidade lucrativa. Há clubes médios como Lisboa Ginásio ou o Ateneu com dificuldades de afirmação que anunciam a falência.
O associativismo desportivo de base e toda a sua estrutura são a base do desporto moderno.
A estrutura de produção privada criada em Portugal nos últimos anos não tem capacidade de se sustentar no mercado onde não consegue colocar a totalidade dos seus débitos e dependendo muito da acção do Estado caminha para a falência porque nenhum Estado europeu tem dinheiro para financiar toda a actividade desportiva e consegue através da racionalidade económica financia o potencial da actividade desportiva pelo seu custo mínimo.
Desta forma se demonstra uma vez mais que o problema é o país e o desporto tem uma menor 'culpa' do caminho que leva a falência do desporto nacional.
O sentido do que não se passa no menos excitante mercado económico de Portugal mas passa-se no mais excitante mercado económico do mundo
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domingo, 27 de março de 2011
sábado, 19 de março de 2011
O que é bom para os grandes clubes, é bom para o desporto e para os portugueses?
Os nossos grandes clubes são uma boa solução a nível europeu mas é necessário internalizar os seus benefícios sob pena da externalização, que se mantém, destruir a criação dos grandes clubes.
O caso das associações e dos estatutos da federação de futebol mostram que soluções que promovem apenas a partilha do bolo são difíceis de aceitar pelos perdedores.
Quando os níveis de procura desportiva nacional são os mais atrasados na Europa existem soluções que podem ajudar a rededifinir a partilha em crescimento.
O fracasso do Benfica na Champions League é o exemplo de que o modelo tem de ser melhorado para garantir uma maior sustentabilidade ao modelo dos nossos grandes clubes.
O Benfica parece estar preso por arames, o Porto tem um modelo que ninguém põe as mãos no lume, embora seja desportivamente exemplar na Europa e no mundo, e o Sporting está cheio de figuras que eventualmente se desvanecem com o prosseguir do campeonato como já aconteceu e ninguém se responsabiliza por nada do que se vai passando de menos bom.
A governance dos grandes clubes deve sustentar um modelo de produção de desporto que tenha os pés bens assentes na vitalidade da base e das estruturas intermédias do desporto português que actualmente está por dinamizar.
O modelo social, sem finalidade lucrativa, à semelhança do Barcelona, foi destruída nos anos noventa com a dispersão dos activos sociais acumulados durante décadas em bolsa, sem se garantir um modelo atraente para os grandes empresários portugueses que seriam os naturais investidores nos grandes clubes.
A política desportiva, a regulação pública, não assegurou condições de trabalho a investidores nacionais predispostos a arriscarem e a investirem a sua imagem num dos grandes clubes nacionais.
Se os seus propósitos são tão bons como os dos líderes tradicionais dos grandes clubes então é o modelo que não está cultural e civilizacionalmente a ser debatido.
A externalização de capitais a que se assiste não tem nome quanto àqueles que capturam as mais-valias e desse modo o débito acumulado não tem responsáveis visíveis.
Há alguns anos foi destruído o único instrumento que fazia luz sobre a saúde dos grandes clubes e da I e II Liga e que era o Relatório feito pela Deloite e publicado pelo jornal a Bola.
O regulador privado a federação deixou morrer a iniciativa e não exigiu à sua associada a Liga de Clubes e ao Estado, o regulador público, para a necessidade desse relatório, assim como, para outros níveis de competição.
Os grandes clubes nacionais tanto podem chegar à final e vencer a Liga Europa como ficarem pelo caminho.
Neste momento existe um bom produto e há que melhorá-lo e dar-lhe melhores princípios europeus do fair-play financeiro, às lideranças que acumulam capital desportivo, humano e social, aos associados com direitos claros sem a presença de claques e de arruaças em todos os jogos ou de jogadores dopados commo refere a instituição que controla o doping.
O caso das associações e dos estatutos da federação de futebol mostram que soluções que promovem apenas a partilha do bolo são difíceis de aceitar pelos perdedores.
Quando os níveis de procura desportiva nacional são os mais atrasados na Europa existem soluções que podem ajudar a rededifinir a partilha em crescimento.
O fracasso do Benfica na Champions League é o exemplo de que o modelo tem de ser melhorado para garantir uma maior sustentabilidade ao modelo dos nossos grandes clubes.
O Benfica parece estar preso por arames, o Porto tem um modelo que ninguém põe as mãos no lume, embora seja desportivamente exemplar na Europa e no mundo, e o Sporting está cheio de figuras que eventualmente se desvanecem com o prosseguir do campeonato como já aconteceu e ninguém se responsabiliza por nada do que se vai passando de menos bom.
A governance dos grandes clubes deve sustentar um modelo de produção de desporto que tenha os pés bens assentes na vitalidade da base e das estruturas intermédias do desporto português que actualmente está por dinamizar.
O modelo social, sem finalidade lucrativa, à semelhança do Barcelona, foi destruída nos anos noventa com a dispersão dos activos sociais acumulados durante décadas em bolsa, sem se garantir um modelo atraente para os grandes empresários portugueses que seriam os naturais investidores nos grandes clubes.
A política desportiva, a regulação pública, não assegurou condições de trabalho a investidores nacionais predispostos a arriscarem e a investirem a sua imagem num dos grandes clubes nacionais.
Se os seus propósitos são tão bons como os dos líderes tradicionais dos grandes clubes então é o modelo que não está cultural e civilizacionalmente a ser debatido.
A externalização de capitais a que se assiste não tem nome quanto àqueles que capturam as mais-valias e desse modo o débito acumulado não tem responsáveis visíveis.
Há alguns anos foi destruído o único instrumento que fazia luz sobre a saúde dos grandes clubes e da I e II Liga e que era o Relatório feito pela Deloite e publicado pelo jornal a Bola.
O regulador privado a federação deixou morrer a iniciativa e não exigiu à sua associada a Liga de Clubes e ao Estado, o regulador público, para a necessidade desse relatório, assim como, para outros níveis de competição.
Os grandes clubes nacionais tanto podem chegar à final e vencer a Liga Europa como ficarem pelo caminho.
Neste momento existe um bom produto e há que melhorá-lo e dar-lhe melhores princípios europeus do fair-play financeiro, às lideranças que acumulam capital desportivo, humano e social, aos associados com direitos claros sem a presença de claques e de arruaças em todos os jogos ou de jogadores dopados commo refere a instituição que controla o doping.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Os grandes clubes portugueses: fundamentos económicos
Os grandes clubes portugueses serão monopólios em competição porque:
1 - O número de clubes é pequeno em Portugal mas é grande no continente europeu;
2 - Actuam num mercado sem barreiras à entrada, embora o esforço para lá se manterem seja enorme e o Boavista faliu, enquanto o Braga iremos ver o que lhe acontece. Em teoria não há barreiras à entrada, embora em Portugal elas se façam sentir e internacionalmente as barreiras não existam;
3 - Diferenciam os seus produtos, nas actividades oferecidas e têm um marketing agressivo na rotação das estrelas do futebol com o apoio da comunicação social;
4 - Caso um dos clubes baixe o preço os outros não irão sofrer um baixamento do seu consumo significativo. Ou colocado de outra forma os clientes de um clube não passarão para o outro;
5 - A curva da procura é decrescente;
6 - A curva da receita marginal está abaixo da curva da procura;
7 - Para maximizarem o seu rendimento os grandes clubes produzem uma quantidade tal onde o custo marginal é igual à receita marginal e cobram o preço mais alto dessa quantidade;
8 - O lucro económico no longo prazo é zero;
9 - Com os grandes estádios os grandes clubes podem discriminar o preço;
10 - Os estádios garantem o excesso de capacidade instalada no longo prazo.
1 - O número de clubes é pequeno em Portugal mas é grande no continente europeu;
2 - Actuam num mercado sem barreiras à entrada, embora o esforço para lá se manterem seja enorme e o Boavista faliu, enquanto o Braga iremos ver o que lhe acontece. Em teoria não há barreiras à entrada, embora em Portugal elas se façam sentir e internacionalmente as barreiras não existam;
3 - Diferenciam os seus produtos, nas actividades oferecidas e têm um marketing agressivo na rotação das estrelas do futebol com o apoio da comunicação social;
4 - Caso um dos clubes baixe o preço os outros não irão sofrer um baixamento do seu consumo significativo. Ou colocado de outra forma os clientes de um clube não passarão para o outro;
5 - A curva da procura é decrescente;
6 - A curva da receita marginal está abaixo da curva da procura;
7 - Para maximizarem o seu rendimento os grandes clubes produzem uma quantidade tal onde o custo marginal é igual à receita marginal e cobram o preço mais alto dessa quantidade;
8 - O lucro económico no longo prazo é zero;
9 - Com os grandes estádios os grandes clubes podem discriminar o preço;
10 - Os estádios garantem o excesso de capacidade instalada no longo prazo.
A economia dos grandes clubes portugueses
Os grandes clubes portugueses Benfica, Sporting e Porto criaram uma economia que tem qualidades e que deveria ser defendida.
O Manifesto dos sportinguistas
O Manifesto dos sportinguistas
António Fidalgo
João Barata
Luciano Amaral
Luis Sousa
Miguel Poiares Maduro
Pedro Fajardo
Pedro Lomba
Pedro Sousa
é apelativo para desenvolver algumas ideias sobre a racionalidade ecoonómica destas organizações económicas que são únicas na Europa e no mundo.
Estes três clubes portugueses têm a capacidade de todas as épocas desportivas terem uma equipa estabilizada e venderem os seus melhores jogadores, e apenas os melhores, e competir com outra equipa no ano seguinte.
Ninguém na Europa o faz porque apenas Portugal possui o saber comprar, desenvolver e vender contratos de jogadores de futebol conseguindo classificar-se como um dos melhores países europeus relativamente à sua dimensão humana e económica.
Se se considerar a proporção relativa entre os resultados do futebol e o restante produto desportivo, a distância ainda é maior do que noutros países e coloca certamente Portugal em primeiro lugar, porque apenas produzimos futebol enquanto os outros países europeus possuem uma massa critica humana, económica e desportiva superior à portuguesa.
Porém, os clubes estão em risco porque têm trabalhado com a magnífica criatividade e liberalidade dos seus dirigentes e adeptos o que se, por um lado, tem gerado resultados internacionais razoáveis, por outro, irão arriscar as novas leis da UEFA relacionadas com o fair-play financeiro, para além das dificuldades de resolverem características nacionais prejudiciais principalmente ao nível institucional e de governance.
Neste domínio os clubes portugueses necessitam de trabalhar com uma base de associativismo desportivo de base em vez de gerarem uma tragédia dos comuns ao nível das classes sociais carenciadas.
A captura sistemática das externalidades e dos talentos formados pelo associativismo de base impede estes pequenos e micro clubes de internalizarem os benefícios da sua actividade que é única e insubstituível.
São estes clubes que formam as populações consumidoras do desporto de alto rendimento gerado pelos grandes clubes.
Em Portugal a iliteracia desportiva gerou a aceitação irracional pela geração de capital financeiro por estes grandes clubes, aceitando a morte dos pequenos e micro clubes, que debilitam o desporto nacional, e impossibilitam a criação de capital humano e social para suportar o aumento da produtividade de Portugal em múltiplos domínios.
Reafirmo uma vez mais que a economia dos grandes clubes portugueses é única no mundo e que é a ciência, nomeadamente a económica, que lhe podem dar uma mão para ser assertiva no sucesso europeu no século XXI.
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