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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Trichet: Crise mostra que Europa precisa de regras orçamentais mais duras

O presidente do Banco Central Europeu, aqui, refere a necessidade de medidas orçamentais mais duras.

No actual momento há vários sinais que demonstraram como o desporto teve sinais de que algumas coisas não corriam bem e deveria ter agido de outra forma.

Houve dois sinais importantes e que sugeriram um terceiro:
  1. o primeiro foram os resultados desportivos de Pequim em 2008 que deveriam ter alertado para outro posicionamento do desporto português voltado para a revisão do seu paradigma
  2. o segundo foi a crise económica de 2008 que sugeriu que as dificuldades ecoonómicas do sector estavam a ser mal resolvidas a par da excessiva dimensão legislativa
  3. a terceira foi a necessidade de uma nova liderança, instituições e governance
Não há uma bola de cristal para dizer o que se vai passar mas os inúmeros sinais internos e externos ao desporto são demasiado fortes.

Paul Krugman, um prémio Nobel da Economia de 2008, dizia há pouco que a Europa está mais indefesa do que a América porque eles têm o Partido Democrático de Obama e a Europa tem líderes europeus e nacionais localizados à direita do espectro político.

Já o tenho dito, no desporto europeu ninguém se preocupa com os países que estão na cauda do bem-estar desportivo.

No desporto é cada um por si custe o que custar.

Por isso as vitórias nacionais na Europa são tão festejadas e as derrotas rapidamente esquecidas a não ser para preparar a vitória (desforra) no ciclo seguinte.

É este o desafio maior do desporto português: ter de contar consigo próprio.

sábado, 23 de abril de 2011

Porque é que os capitais livres deste mundo não são atraídos pelo futebol português?

A resposta é complicada e obscura porque não se estuda, não se publicam números e análises adequadas à complexidade que o futebol moderno vai exigindo.

O futebol português não assegura margens interessantes num quadro de direitos de propriedade garantidos.

Seria interessante ter investidores internacionais nos clubes nacionais?

Porque não, se houver fair-play financeiro como propõe Platini?

Porque é que Gilberto Madail em todos os seus mandatos não desenvolveu a estruturação do futebol profissional português que alterasse a fisionomia e a sustentabilidade do futebol portuguêstanto desportiva, como económica e social?

Há certamente formas de defender o interesse dos sócios dando-lhes mais a palavra num quadro actual em que a transparência não é o maior dos predicados dos clubes portugueses.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Porque caiu Gilberto Madail?

As razões são várias:
  1. Do ponto de vista internacional o futebol português:
    1. Não é vibrante: as selecções inovaram há vinte anos e morre de Mundial para Mundial e o Porto por tradição o subsídio dos clubes de futebol portugueses saiu da Champions;
    2. É quesilento: Carlos Queiroz e José Mourinho não conhecem o fair-play europeu e arrogantemente combatem o fair-play europeu;
    3. A candidatura ao Mundial 2018 com a Espanha não tornou clara a relevância de Portugal e retirar GM é uma diminuição do actual apoio de Espanha;
  2. O futebol português sugere que é incompetente para resolver os seus problemas em casa e fazer subir à Europa apenas os grandes desafios e aqueles que marcam a diferença para o futuro europeu:
    1. O caso de Carlos Queiroz é um erro que nunca deveria ter saído de Portugal;
    2. O caso dos estatutos deveria ser resolvido entre-fronteiras;
  3. Os clubes grandes apresentam dificuldades financeiras e Portugal e a FPF não antecipam o fair-play financeiro de Michel Platini.

Gilberto Madail sempre actuou como José Sócrates forçando projectos extraordinários.

Nunca actuou no sentido de fortalecer o tecido desportivo do futebol, não reformou a federação, com o Euro 2004 passou a gerir com dinheiro na mão e o olho no negócio, como confessou ser o seu objectivo na candidatura conjunta com a Espanha para o Mundial de 2018.

O presidente da FPF durante inúmeros mandatos projectou-se servindo a UEFA e a FIFA, tendo usado as posições destas organizações internacionais para forçar os governos no sentido de interesses que nunca foram colocados com transparência.

Agora a FIFA deixou-o cair porque Gilberto Madail não sabe sair como tantos outrosentre nós. Tendo o hábito de forçar a mão espera que a queda não tenha consequências, porque ninguém em Portugal vai analisar publicamente os benefícios e as limitações da sua passagem pela FPF.


Na ausência de uma cultura desportiva nacional o desporto português presta-se à existência de líderes das organizações desportivas que resolvem problemas que são pontuais, na perspectiva do desenvolvimento desportivo sustentado, enquanto é a política nacional que permite suportar projectos de efeito instantâneo como os eventos desportivos europeus e mundiais em inúmeras modalidades.

A queda de Gilberto Madail é todo um tratado do fim do modelo de desenvolvimento relacionado com o Euro 2004.

terça-feira, 22 de março de 2011

Salvar os dedos, preservar o futuro

A prática desportiva dos jovens deveria ser preservada a todo o custo.

O desporto já há muito deveria estar a passar a mensagem para a sociedade definindo as necessidades básicas, as novas relações e soluções de defesa do essencial para a actividade corrente.


Receio não haver condições para uma atitude de avaliação profunda das condições da situação do desporto porque o Conselho Nacional do Desporto é uma caixa de ressonância dos agentes mais activos, não existe o reconhecimento de líderes que tenham posições desenvolvimento sustentado, existe a reverência perante o curto prazo e as solicitações pontuais e não existe a capacidade de liderar um projecto de investigação rápido para projectar o desporto na actual situação de crise do país.


O desporto está assim por sua própria culpa.


As crises económica, orçamental, social e política começou há pelo menos dois anos e o desporto entreteu-se com os seus problemas e não sabe pensar a sua situação em contexto dinâmico do que faz a economia e a sociedade e ter a capacidade de dinamicamente responder a esses desafios que lhe exigem acção e não inação e cabeça na areia.


O Presidente do COP e o do Atletismo usam as entrevistas na Antena Um e no Record para anunciarem o Museu Olimpico e trocarem de galhardetes, os blogues do desporto discutem efemérides e o 'meu umbigo', os juristas a conformidade e a desconformidade da magnífica lei do desporto e arredores, e as Universidades cientificamente formam para o desemprego ... desportivo.

Se há sector em Portugal que não está à rasca é o do Desporto!


Diz-se que nos fornos de asfixia alemães as próprias mães quando chegava o momento final abandonavam os filhos e lutavam por um lugar na escapatória que inexoravelmente estava fechada.

O Desporto sem Princípios procura iludir a asfixia que vai sentindo e acenar para uma escapatória que não vai estar lá.

Sem uma visão estruturada do desporto, seja Pedro Passos Coelho, seja José Sócrates, terão uma dificuldade muito grande em resolver os actuais desafios do desporto visando o seu desenvolvimento.

O que irão fazer será responder aos agentes do desporto e do não-desporto mais activos e matar o futuro do desporto português em nome de uma ou das quatro crises que nenhuma se preocupa com a crise do próprio desporto.

domingo, 20 de março de 2011

Na reconsideração de Fernando Mota

As causas que geraram a demissão de Fernando Mota não se resolveram em alguns dias.

O tempo dirá qual foi o conjunto de causas internas e externas que levaram à demissão em primeiro lugar.

O atletismo e Fernando Mota têm sido o subsídio olímpico do desporto português e os erros que envolvem o olimpismo português relacionam-se com a insuficiente compreensão dos graus de liberdade que influenciam exteriormente o atletismo e as suas características internas, para estabelecer patamares de desenvolvimento nacional baseados na boa experiência e na correcção dos desafios que ainda não se resolveram

A reconsideração de FM tem de ser acompanhada com preocupação porque os seus graus de liberdade poderão ter diminuído.

Se houve razões da demissão, relacionadas com as condições de funcionamento do modelo de produção desportivo nacional, essas razões não se resolveram, nem foram explicadas e agora Fernando Mota arca sobre si responnsabilidades que estão para além da federação de atletismo.

Isto poderá não ser bom para o desporto, para o atletismo e a sua federação e para Fernando Mota.

Os Jogos de Londres estão feitos porque não é credível que as coisas se desajustassem ou melhorassem em um ano e poucos meses que faltam.

Vamos colocar os limites da produção desportiva em dois pontos:
  1. Não existe um programa de criação de liderança moderna no sistema desportivo nacional. Há a necessidade de formar os dirigentes actuais nomeadamente os mais novos e há que preparar os atletas para o assumir de cargos e níveis de responsabilidades modernos. A reforma da governance e das instituições é fundamental. Tenho sugerido começar por juntar o COP e a CDP que constituíriam sinais às federações do que deveriam e poderiam fazer;
  2. Seria útil actuar sobre a base do modelo de produção promovendo um estilo de vida activo dos portugueses através da prática de actividade física e de desporto. A remoção das barreiras de acesso e a difusão de informação são actos necessários. Promover a oferta de oportunidades de prática através da disponibilização de infra-estruturas e de técnicos e voluntários qualificados é um outro vector de incentivo da prática.
Apenas atendendo aos princípios em primeiro lugar e possuindo mecanismos de debate público baseados em instituições fortes conseguiremos, por um lado, não destruir o capital que existe acumulado e, por outro, conseguiremos alavancar capital novo onde actualmente apenas se capturam valias fugazes e se delapida a sustentabilidade do desenvolvimento.

Boa sorte a  Fernando Mota

terça-feira, 15 de março de 2011

O dilema de Gilberto Madail

Gilberto Madail diz que se esforçou e agora não aceita a recriminação por aplicar um modelo institucional para a modalidade cuja recusa pelos seus associados poderá colocar a federação fora da lei.

Toda a discussão não consegue distinguir os objectivos dos associados de, por exemplo, dos objectivos de aumentar o produto desportivo da federação.

Alguns associados vêm uma ameaça ao seu modo de actuação e estão dispostos a levar a sua dúvida às últimas consequências.

Caminharam todos para um beco sem saída a falar sobre o que a FIFA e a UEFA querem e não falam sobre aquilo que quererá o praticante desportivo português ou se a reforma ora em discussão tem os impactos esperados de melhoria do produto do futebol em todas as suas dimensões e qual a dimensão dessa transformação.

É aqui que bate o saber fazer de Gilberto Madail que trouxe o Euro 2004 para Portugal, quase trazia o Mundial 2018, agora tem uns estatutos novos e não demonstrou aos seus associados se com esses estatutos os associados continuam a produzir o mesmo, se vão produzir mais, se deixarão de existir para, por exemplo, a modalidade dedicar-se apenas ao desporto profissional com jogadores estrangeiros.

Gilberto é um economista de formação e tem sensibilidade para os números relacionados com os negócios, como referiu sobre a candidatura ao Mundial2018, e esse é o problema dos associados a quem não terá sido explicado qual o seu benefício no negócio que querem à viva força que eles assumam.

Potencialmente podendo a federação de futebol passar de 140.000 praticantes para muitos mais praticantes, todo este litigar administrativo e jurídico ganharia em passar para o domínio desportivo e para a concepção de um outro modelo de desenvolvimento sustentado para o futebol português porque actualmente faltam elementos para compreender o que está bem e o que´se pode melhorar na produção do futebol português desde a sua base ao topo.

A Itália venceu a França no torneio das seis nações e nós quando é que o faremos?

Pela primeira vez a Itália venceu a França e isso demonstra que os resultados não estão feitos.

Tomás Morais foi o rosto de que no rugby Portugal pode subir a sua produção acentuadamente.

Aos resultados no alto rendimento juntou-se a adesão da população que esgotou a capacidade de produção dos clubes e das estruturas federadas.

O rugby deveria passar para a fase seguinte com dois objectivos:

1 - Consolidar os passos dados no alto rendimento para conseguir avançar para modelos de produção no alto rendimento ainda mais avançados. Este é um objectivo de qualidade e de excelência.

2 - Firmar e potenciar a adesão da população, da economia e da sociedade criando uma massa crítica capaz de exigir e consumir rugby de qualidade equivalente ao europeu. Este é um objectivo de quantidade e de qualidade. Por exemplo o rugby português deveria colocar em cima da mesa passar dos actuais 5.000 praticantes para os 50.000 no prazo de dez anos. O valor que indico é propositadamente descomunal como era o objectivo de fazer o que Tomás Morais fez numa modalidade como o rugby e como certamente pensarão os italianos.

Um e outro objectivo são aliciantes e estão interligados. É a massa crítica da base desportiva, económica e social que alavancará os meios fundamentais à optimização da excelência.

O desporto puro é o que faz a Europa mais desenvolvida

Os objectivos de política centram-se em Portugal do lado da argumentação política do que nos índices materiais de produção económica e social do desporto.

Portugal não tem o desporto segundo as características mais avançadas do mundo.

Esse modelo pratica-se na Europa e em países como o Canadá e a Austrália entre outros.

Criar o desporto do Século XXI em Portugal significa produzir desporto para uma percentagem significativa da população por exemplo acima dos sessenta por cento segundo indicadores de bem-estar humano, social e cultural.

Para que sessenta por cento da população pratiquem desporto é necessário ir ao encontro dessas populações perguntando-lhes o que querem consumir e equacionando o melhor produto desportivo, com as melhores técnicas e recursos humanos, a custos comportáveis com a bolsa desses consumidores e com as disponibilidades públicas, centrais e locais, que maximizam o produto desportivo nacional, a criação de postos de trabalho, o aumento do Produto Interno Bruto e as exportações.

Não há desporto puro quando se trata de produzir bem-estar para a população.

Pode haver pessoas que concebam formas de desporto puro.

Porém, o objecto da produção e do bem-estar nacional através do desporto, para uma percentagem tão grande da população, pode fazer-se de práticas que de acordo com os puristas estejam contaminadas por factores 'impuros' na sua concepção ideal.

O ideal, o puro de uma forma pragmática para Portugal é a sua capacidade de copiar o que de melhor fazem a Europa e os melhores países do mundo no domínio do desporto.

O desporto puro é o desporto que fazem bem feito os países que são melhores do que Portugal.

Este é o modelo de desenvolvimento sustentado que Portugal deve procurar produzir.

segunda-feira, 14 de março de 2011

O desafio do desporto nacional não são os impostos elevados

O aumento do IVA para a prática desportiva actual não é significativa para o desenvolvimento desportivo actual.

Na actualidade os líderes desportivos são inamovíveis tendo sido incapazes de alavancar o capital desportivo dos anos noventa e do início do século vinte e um para níveis superiores de performance desporiva europeia e global e foram também incapazes de suster as quebras desse importante capital que se observaram em Pequim.

A questão fundamental para as pessoas que trabalham no desporto é que devem esperar que as medidas de política tenham objectivos bem concebidos e sejam economicamente eficientes.

O aumento do IVA tem consequências que o desporto não controla.

O desporto não trabalhou para controlar o IVA ou para controlar algum dos seus factores de desenvlvimeno.

A sustentação do desenvolvimento é um processo exigente e complexo mas é o único que permite ultrapassar as médias euopeias.

Outros agentes como na cultura e o golfe fazem estudos e dizem que os fazem e usam em seu proveito as tendências da realidade económica e social nacional.

O desporto não só não faz estudos como tem posições de um extremo isolamento dizendo que existe um desporto ideal e que há pessoas que o querem destruir acusando a sociedade e a economia.

Pierre de Coubertin não diria melhor do desporto profissional e do alto rendimento.
Pierre de Coubertain não se reconheceria no desporto de hoje.
O desporto de hoje, como somatório de contradições, é o 'acquis' civilizacional e cultural que a União Europeia celebra para projectar para o século XXI.

Que tal fazer de outra maneira: Ir à luta e criar o desporto português do século XXI?

Para isto em vez de fecharmos os olhos à economia e à sociedade, que tal abrir os olhos e desafiar os agentes desportivos a fazerem como os outros fazem?

terça-feira, 8 de março de 2011

A crise do desporto e as medidas de austeridade actuais

A austeridade que começou a ser aplicada em 2011 vem encontrar um desporto em crise há alguns anos.

Como refiro noutro poste recente os períodos de desenvolvimento desportivo nacional nos últimos trinta e cinco anos são três:
1 - Modelo Melo de Carvalho, de 1974 ao início da década de 1980. Cerca de 7 anos.
2 - Modelo Mirandela da Costa, até 1995 ou 1997/8 com a atribuição da organização do Euro2004 a Portugal. Cerca de 15 anos.
3 - Modelo Euro 2004 apresenta limitações actualmente como a recusa de presidentes como na federação de futebol e no comité olímpico e a saída de um presidente com provas dadas como Fernando Mota da Federação de Atletismo e caso Portugal não conquiste medalhas em 2012 indica que há a necessidade de formular um novo modelo para o desenvolvimento desportivo nacional. Expectativa do modelo de cerca de 13 anos.

Observemos as características de cada modelo:
Modelo 1 - Objecto fundamental desporto para todos e associativismo de base. Instrumento principal produção pública e associativa de desporto. Maior desafio é o nível de desenvolvimento desportivo baixo.
Modelo 2 - Objecto fundamental alto rendimento e secundarização da recreação. Instrumentos principais: incentivo público ao alto rendimento, reformulação do todo legislativo herdado, grande capacidade para conquistar espaço político para o desporto, criação da confederação para dividir as federações. Maior desafio acompanhar a solicitação da sociedade portuguesa no campo do desporto moderno. Maiores limitações esperar por impactos indirectos do alto rendimento para potenciar o desporto de base e a recreação, não ter conseguido tornar ainda mais complexa a política desportiva e fiucar fechado no direito do desporto. Melhores resultados as medalhas obtidas nos jogos olímpicos.
Modelo 3 - Objecto fundamental subordinação da política desportiva ao Governo (consequência do Caso INDESP). Instrumentos principais a política, o direito, o investimento em infra-estruturas, estádios e centros de alto rendimento, os eventos, o namoro aos ginásios e outros agentes com finalidade lucrativa. Maiores limitações a tradicional incapacidade nacional de trabalhar a base da pirâmide de produção desportiva, a ausência de debate transparente das medidas de política e dos seus resultados, acentuar da subsídio dependência das organizações associativas desportivas nacionais.

Actualmente as crises e as medidas de austeridade vão asfixiar o desporto e impedir os carenciados de praticarem desporto, os clubes terão maior dificuldade em maximizarem as suas receitas provenientes da prática desportiva, as autarquias poderão restringir o seu financiamento ao desporto, as empresas procurarão redefinir as suas políticas de marketing e não havendo casos de sucesso no alto rendimento e no trabalho dos clubes de base a origem privada de financiamento será limitada.

Faltam ao desporto atletas de alto rendimento assim como faltam as escolas de desporto reconhecidas nacional e internacionalmente.

Moniz Pereira foi uma escola reconhecida internacionalmente, assim como, Carlos Queiroz. O atletismo demonstrou poder produzir medalhas em todo o espectro da modalidade. Mas como noutras modalidades por exemplo o triatlo, o judo, o voleibol e a canoagem há trabalho, há resultados e pergunta-se há escola? Existe base científica e técnica, organizativa e governance para o futuro?

O futuro do desporto precisa de ir aonde ainda não foi em 35 anos de desenvolvimento desportivo o que o leva a afastar-se das médias desportivas europeias.

Para isso haverá a necessidade de contar com líderes desportivos capazes de exigir às universidades resultados consonantes com objectivos europeus. Face às hipóteses abertas pela investigação científica, os novos líderes do desporto deverão ser capazes de assumir a sua responabilidade e risco para objectivos europeus e universais.

Esta é a forma de ultrapassar as medidas de austeridade vigentes e mesmo outras mais que apareçam pela frente do desporto nacional.

O problema da austeridade para o desporto está no seu interior.

sábado, 5 de março de 2011

Freitas do Amaral, o Expresso e a PwC

Segundo o Expresso, de 5 de Março de 2011, pg. 40, do primeiro caderno, as três entidades pretendem medir Portugal com países iguais na população e no PIB.

Tenho feito estudos neste sentido e o Manifesto que promovi há dois anos começava com o quadro 1.
Quadro 1 - Indicadores desportivos europeus
Países abaixo da média
Média europeia, países na média
Topo europeu
Participação da população
(1) Portugal 22%, Grécia, 19%
35% - Itália, Alemanha, Espanha, França, Bélgica, Áustria, Luxemburgo
Dinamarca, 53%, com 70%, Finlândia, Suécia
Praticantes federados, % população, ocidente
Portugal 4,8%, Itália, 6%, Espanha 7%
21%, Finlândia, Irlanda, Bélgica, França
Áustria, 40%, Dinamarca, 55%
Praticantes federados, % população, ex-Leste
Polónia, 0,3%, com 1% Roménia, Bulgária
7% - Eslováquia, Estónia
República Checa, 24%
Técnicos no desporto, empregos / 1.000 hab.
Portugal 2, Chipre, Grécia
5, Estónia, Alemanha
Holanda, 7
Praticantes federados por técnico, número
Hungria, 7, Estónia 14
38, Portugal 30, Holanda 44
França, 79
Voluntários no desporto, % população
(1) Portugal, 1,7%, Itália, Irlanda
3,7%, Áustria, Luxemburgo, Rep. Checa
Finlândia, Holanda, 10%
Jogos Olímpicos, total medalhas, ocidente
Portugal 22, (2), Luxemburgo, 3, Islândia, 4
268, Holanda, Polónia, Finlândia
Alemanha, 845, Reino Unido, 738
Jogos Olímpicos, total medalhas, ex-Leste
Macedónia, 1, Lituânia, 16
161, República Checa
Rússia, 565, Hungria, 468

Foram encontrados os indicadores desportivos possíveis dos países da Europa do Atlântico aos Urais e do Mediterrâneo ao Círculo Polar Ártico.

Os indicadores encontrados foram: participação desportiva da população, percentagem de praticantes federados na população do ocidente e do leste, emprego de técnicos no desporto por mil habitantes, número de praticantes federados por técnico, voluntários no desporto em percentagem da população , medalhas dos jogos olímpicos do ocidente e do leste.

A pergunta era saber qual a situação genérica de Portugal se no topo europeu, na média ou na base.

A resposta veio clara: estamos abaixo da média europeia e mesmo os países de leste ainda mais pequenos do que Portugal começam a estar à nossa frente nestes indicadores de conforto e competitividade desportiva.

O facto de Portugal estar na média europeia no número praticantes por técnico, a realidade é que o valor de Portugal neste caso deveria ser menor para dar um maior conforto técnico aos praticantes. O valor médio da Holanda é o de um país que terá o dobro da prática desportiva de Portugal, ou seja, com uma estrutura de produção desportiva tecnicamente mais complexa.

Uma segunda pergunta foi saber a distância de Portugal aos valores da média e do topo europeu.
Quadro 2 – Quadro sintético da distância desportiva nacional para a Europa, crescimento percentual

Indicadores
Portugal
Europa
Crescimento % (1)
Média
Topo
Média
Topo
Participação da população, % população
22
35
70
159
318
Praticantes federados, % população, ocidente
4,8
21
55
488
1279
Técnicos no desporto, empregos por 1.000 habitantes
2
5
7
250
350
Voluntários no desporto, % população
1,7
3,7
10
218
588
Jogos Olímpicos, total medalhas, ocidente
22
268
845
1218
3841

Nota (1): A coluna do crescimento mostra para a participação da população que Portugal deve crescer 59% acima dos actuais 100%. Os praticantes federados para alcançarem a média devem crescer 388% para além dos actuais 100%, etc.

Ignorando a dificuldade de encontrar as estatísticas certas para esta realidade de mais do que 27 países europeus, os valores sugerem que a distância de Portugal à Europa do desporto é imensa.
A análise de Freitas do Amaral, do Expresso e da PwC é o exemplo que afinal também os outros sectores nacionais têm tido orientações que não são propriamente os níveis de competitividade com os nossos iguais por esse mundo fora.

Faz sentido usar as estatísticas do desporto para ajudar a criar melhores políticas desportivas e para avaliar os seus impactos e compreender as características do comportamento dos agentes privados.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ética para o desenvolvimento sustentado

Para produzir mais desporto há que conhecer o mercado e aquilo que fazem os outros sectores.
Olhar para eles é uma atitude correcta e em concreto a Cultura é um sector próximo do desporto que deu a volta e é socialmente remunerado pela correcta estratégia prosseguida.
Não se trata de criticar o desporto porque os outros fazem coisas que o desporto não faz.
Trata-se de pesar actos e resultados respeitando quem está e o que faz.
Ser um líder bom é complexo, ser um líder que produz resultados sustentados de desenvolvimento desportivo é ainda mais difícil.
Muito do que se passou e passa no desporto é igual ao que se passa noutros sectores.
Mas é importante procurar informação, conversar e discutir.
Como José Constantino refere no blogue Colectividade Desportiva há pouco debate no desporto português.
Há que respeitar e todos devem dar-se ao respeito para serem eles também respeitados.
Afinal se o desporto com um maior debate e discussão dos princípios, dos projectos e dos resultados se desenvolver mais do que acontece, todos beneficiamos não é?