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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

É importante ouvir Rummenigge


Rummenigge revoltado com a FIFA, aqui, na peça do Expresso

O ex-jogador alemão Karl-Heinz Rummenigge, presidente da Associação de Clubes Europeus, criticou Joseph Blatter e pediu uma revolução contra a corrupção na FIFA.

"Não aceito mais que sejamos liderados por pessoas que não são sérias e limpas. É altura de intervir. Porque saber que algo está errado obriga-nos a mudar." Karl-Heinz Rummenigge, ex-jogador alemão e presidente da Associação de Clubes Europeus, teceu duras críticas à FIFA e ao presidente Joseph Blatter, em entrevista ao "The Guardian" .
Rummenigge diz mesmo que "há um processo diário de corrupção" no organismo máximo que rege o futebol e não confia em Blatter. "Blatter diz que está a lutar contra a corrupção, mas a verdade é que ninguém acredita no que ele diz. Não estou optimista com o futuro do futebol porque eles acreditam que o sistema está e é perfeito. O futebol é uma máquina de dinheiro, Mundial após Mundial. E, para eles, isso é o mais importante, mais do que ter uma gestão séria e limpa", explicou.
O presidente da Associação de Clubes Europeus diz que o organismo - que sucedeu ao G14, que reunia os principais clubes europeus - quer ter mais protagonismo nas decisões referentes ao futebol mundial. Até porque, diz Rummenigge, são os clubes que detêm os passes dos jogadores, mas o calendário está apinhado de eventos de seleções, em excesso.
Rummenigge diz que todos os participantes do futebol mundial - clubes, federações, jogadores, árbitros e futebol feminino - devem ter uma voz ativa, e promete novidades nos próximos tempos, caso a situação não mude. "Vou-lhes dar uma oportunidade, mas estou pronto para uma revolução, se é a única forma de encontrar uma solução.

domingo, 26 de junho de 2011

A Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto e a FIFA

Segundo José Manuel Meirim, no Público, pg 37, de hoje, a FIFA critica dois pontos dos estatutos da FPF em que estes são coincidentes com a LBAFD.

Esses dois pontos são:
  1. a classificação de uma competição profissional cabe à federação e não às instituições públicas
  2. a separação de poderes impede o presidente da federação de assumir a presidência dos conselhos de justiça e jurisdicionais
O direito do desporto português necessita de um modelo adequado à liberdade e competitividade de actuação enquanto agentes privados do século XXI.

Hoje pode compreender-se que a Lei de Bases do Desporto de 2005 tinha uma dimensão liberal que os governos a partir de 2005 preferiram riscar e obrigar as federações a actuar como departamentos públicos.

Foram dois extremos que deveriam agora ser corrigidos porque o desporto português não pode andar sujeito a extremismos durante anos e anos.

Há que devolver a produção do desporto português ao mercado e recolocar a actuação do Estado para a produção do bem-estar.

A posição da FIFA abre uma janela de oportunidade e realça como certo pensamento único jurídico no desporto português deveria ser questionado por factores objectivos relacionados com a limitação de produção de desporto a que se assiste em Portugal.

A ser sustentável esta posição jurídica da FIFA, será útil observar que agentes do direito e agentes do desporto contestaram neste campo a LBAFD.

Fica uma janela de ar fresco à disposição do novo governo se de facto quiser e souber tocar este rabecão com sensibilidade e consenso dos interessados.

domingo, 19 de junho de 2011

Hulk não terá sido seleccionado para a selecção do Brasil

Não encontro onde está a notícia de ontem ou antes de ontem que dizia a não convocação de Hulk pela convocação de outro jogador mais jovem, à Messi, e de um grande clube, mas sem as provas dadas pelo jogador do Porto.

O mercado de formação de jogadores de futebol de alto nível parece ser inesgotável no Brasil e o trajecto dos clubes portugueses para a sua valorização tem dados mostras de estar a ser mais concorrido.

Também por estes dias noticiava-se que Mourinho, usava Ronaldo, o fenómeno, para seu olheiro no Brasil.

Tudo estará mais no equilíbrio da utilização de jogadores estrangeiros, que Platini questiona, e na capacidade da estrutural empresarial e clubistica ser eficiente na contratação dos melhores ao melhor preço para formar equipas para o topo da tabela classificiativa das provas europeias.

Os treinadores dos escalões juvenis portugueses já se queixaram na falência da formação nacional para certas posições.

Esta é das áreas que nenhum líder do futebol português tem uma palavra a dizer e que produza nas suas estruturas um documento, propostas, análises, soluções para o futebol português.

Há três níveis distintos de intervenção:
  1. A Liga de clubes e o Sindicato. Podendo juntar-se os empresários de jogadores que terão uma posição liberal em relação aos estrangeiros mas que têm uma galinha de ovos de ouro nas suas mãos e a estão a estrangular.
  2. A federação que vê, sabe e olha e nada faz.
  3. O Estado que deveria fomentar o conhecimento do fracasso do mercado, promover o debate e propor soluções, incluindo em paralelo com soluções europeias e mundiais.
A FIFA e a UEFA têm posições sobre esta matéria pelo que o mínimo que se exigiria era que o Governo já tivesse há muito trabalhado as alternativas e o debate sobre as soluções nacionais.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Duas perguntas públicas à FPF

  1. A FPF considera que as eleições para presidente da FIFA devem ser adiadas ou mantidas?
  2. A FPF considera que a FIFA deve iniciar um processo de reforma estrutural como propõem outros membros?
Seria bom que as respostas públicas explicassem os motivos em que se baseiam as respostas dadas.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Porque caiu Gilberto Madail?

As razões são várias:
  1. Do ponto de vista internacional o futebol português:
    1. Não é vibrante: as selecções inovaram há vinte anos e morre de Mundial para Mundial e o Porto por tradição o subsídio dos clubes de futebol portugueses saiu da Champions;
    2. É quesilento: Carlos Queiroz e José Mourinho não conhecem o fair-play europeu e arrogantemente combatem o fair-play europeu;
    3. A candidatura ao Mundial 2018 com a Espanha não tornou clara a relevância de Portugal e retirar GM é uma diminuição do actual apoio de Espanha;
  2. O futebol português sugere que é incompetente para resolver os seus problemas em casa e fazer subir à Europa apenas os grandes desafios e aqueles que marcam a diferença para o futuro europeu:
    1. O caso de Carlos Queiroz é um erro que nunca deveria ter saído de Portugal;
    2. O caso dos estatutos deveria ser resolvido entre-fronteiras;
  3. Os clubes grandes apresentam dificuldades financeiras e Portugal e a FPF não antecipam o fair-play financeiro de Michel Platini.

Gilberto Madail sempre actuou como José Sócrates forçando projectos extraordinários.

Nunca actuou no sentido de fortalecer o tecido desportivo do futebol, não reformou a federação, com o Euro 2004 passou a gerir com dinheiro na mão e o olho no negócio, como confessou ser o seu objectivo na candidatura conjunta com a Espanha para o Mundial de 2018.

O presidente da FPF durante inúmeros mandatos projectou-se servindo a UEFA e a FIFA, tendo usado as posições destas organizações internacionais para forçar os governos no sentido de interesses que nunca foram colocados com transparência.

Agora a FIFA deixou-o cair porque Gilberto Madail não sabe sair como tantos outrosentre nós. Tendo o hábito de forçar a mão espera que a queda não tenha consequências, porque ninguém em Portugal vai analisar publicamente os benefícios e as limitações da sua passagem pela FPF.


Na ausência de uma cultura desportiva nacional o desporto português presta-se à existência de líderes das organizações desportivas que resolvem problemas que são pontuais, na perspectiva do desenvolvimento desportivo sustentado, enquanto é a política nacional que permite suportar projectos de efeito instantâneo como os eventos desportivos europeus e mundiais em inúmeras modalidades.

A queda de Gilberto Madail é todo um tratado do fim do modelo de desenvolvimento relacionado com o Euro 2004.