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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Crónica do Desporto que passa

Um dos elementos que admira é a má constituição das instituições públicas e em que o Tribunal de Contas, o Ministério das Finanças ou a Reforma Administrativa se alguma vez actuam, fazem-no de forma inconsistente.

O Desporto contou ao longo dos anos com medidas contraditórias que se observava não estarem a funcionar e que a política e a sua concepção passava à margem do sector e dos benefícios para a população.

Uma das questões fulcrais foi a das infraestruturas desportivas.

A história já vem de longe e à medida que os fundos comunitários se tornaram mais relevantes mais o desporto nunca encontrou o pé.

Em meados de noventa do século passado Portugal começou a compreender a forma de ir buscar à União Europeia meios para as infraestruturas desportivas e foi realizado um programa com um nome onde tinha 'Desporto Século XXI' o qual enquadrou a construção dos estádios do Euro 2004 e que consistia na proposta de construção de instalações de acordo com a preocupação dos presidentes das federações desportivas.

A ideia inicial quando fiz um documento interno com esse nome era um programa estrutural e de longo prazo do qual a SED da altura usou apenas o nome.

A questão das infraestruturas é relevante na política desportiva europeia e mundial e depois da vitória no Mundial de 1991 os eventos eram outra forma de canalizar rendas para as federações e clubes, a que se juntava agora a construção de infraestruturas que permitiam também novas rendas.

Os clubes de futebol queixavam-se da idade dos estádios, houve um acidente grave no José Alvalade, com feridos graves, havia a dívida ao fisco e segurança social que estava a ser pago pelo Totobola, a FPF avançou para o Euro2004 e as outras modalidades para outros eventos europeus e mundiais tendo ou não atletas para vencerem essas competições.

Houve problemas nos eventos sofrendo as federações por assumirem projectos muito acima das suas capacidades e quanto às infraestruturas as autarquias foram chamadas para garantirem meios obrigatórios por parte da UE e se encarregarem da gestão posterior qualquer que ela fosse.

Para além da construção e oferta dos espaços de prática os projectos de infraestruturas e eventos visavam a obtenção de rendas financeiras e a construção de infraestruturas desportivas que ficavam para além da prática desportiva que se conseguia fazer.

Nenhum programa de longo prazo foi concebido e a orgânica do desporto e as suas instituições foram esvaziadas de duas formas:

  1. a Secretaria de Estado do Desporto passou a servir-se do IDP como amanuense jurídico e multibanco, esta última na correcta definição de Manuel Brito, esvaziando as funções de concepção, preparação, estudo de políticas desportivas, produção estatística, programa de desenvolvimento desportivo, entre outras. Depois de Mirandela da Costa os Ministros do Desporto e os Secretários de Estado passaram a ter medo da sombra do Presidente da agência técnica e para além da nomeação de  líderes impreparados trataram de esvaziar a instituição não perspectivando que com esse acto era a decapitação técnica da instituição e da política pública desportiva que era perpetrada.
  2. o QREN retira ao desporto e ao IDP a existência de um departamento de concepção da integração da rede de infraestruturas impedindo o desporto de alguma vez ter uma compreensão por inteiro de um plano de investimento em infraestruturas desportivas com impacto directo no desenvolvimento sustentado. Sem estudos, análises e estatísticas na área onde se investiram milhares de milhões de euros (quem sabe o que se fez?) as infraestruturas foram atiradas pelo país segundo perspectivas particulares que nunca foram postas no papel e publicadas para escrutínio social dos actos públicos. Acabados os fundos para o desporto(?) a realidade do QREN pode ser apelidada de negligente.
Para se compreender a racionalidade da Administração Pública diga-se que há quatro ou cinco anos a orgânica do IDP não tinha um departamento de infraestruturas, o que até era lógico porque havia o QREN para onde tinham sido externalizadas as funções de investimento em infraestruturas desportivas. Mas depois a orgânica foi emendada e o departamento das infraestruturas lá apareceu duplicando(?) as funções do QREN.

Isto para dizer que o Estado português tem um historial de criação orgânica de coisas que se fazem conforme sopra o vento na melhor das hipóteses. Não são aleatórias mas possuirão vantagens definidas pelo curto prazo e por interesses que não são concebidas segundo o interesse público e desportivo.

É neste panorama que se vai debater no Parlamento a fusão do Desporto e da Juventude:
  1. um desporto que tem um mercado falido e que obriga há décadas as organizações privadas a actuações de risco e a valorizar a obtenção de rendas financeiras acima dos resultados desportivos e sociais e da dimensão económica material.
  2. uma administração pública 'irracional' que não sabe de desporto e principalmente não procura que o desporto tenha orgânicas e funções que maximizem o bem-estar social nacional e tantas vezes precipita  um sector como o desporto em tragédias comuns ditadas pela manutenção da apropriação de rendas de segmentos exteriores ao interesse desportivo e nacional.
  3. um parlamento com dois partidos e mais quatro partidos que se destacam pouco pelas suas propostas historicamente relevantes para o desenvolvimento desportivo sustentado e pelo envolvimento desportivo e social da população portuguesa.
  4. atletas da canoagem sequiosos de uma classificação olímpica e uma nova selecção de sub-20 treinada por um ex-treinador das camadas jovens do Futebol Clube do Porto que chega à final do campeonato do mundo em Bogotá, na Colômbia, demonstrando que em Portugal a produção de desporto de excelência é viável.

Há um facto incontornável no desporto português:
  1. A responsabilidade do desenvolvimento sustentado da produção desportiva para benefício e bem-estar da população portuguesa, equivalente à média europeia, é uma responsabilidade do Estado português:  Governos, Parlamento, Partidos, Ministérios e outras instituições públicas.
  2. Não é uma responsabilidade das organizações privadas, quer associativas, quer empresariais, mesmo que o produto desportivo privado tenha uma relevância incontornável para o consumo desportivo de Portugal alcançar a média europeia.
  3. Também deve ser possível analisar até que ponto é responsabilidade das autarquias.
Há interesse em focar bem o factor de ineficiência do modelo desportivo português. 
O órgão que concebe os objectivos, equaciona os instrumentos e aplica a política desportiva nacional é o Estado.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Em particular sobre o impacto da Juventude na orgânica do Desporto

O xix governo deveria ter decidido estudar em profundidade a realidade da juventude.

A extinção agora ou dentro de 6 meses, deveria ter avançado para criar juízo e bem-estar social no paraíso em Portugal das jotas do PSD e do PS. Mais ninguém em Portugal beneficia desta situação. Os postos de trabalho certamente seriam encontrados noutros sectores socialmente melhor justificados.

Por um lado, ninguém sabe o que são, o que faz a estrutura da Juventude, que benefícios gera para a sociedade e quanto valem para os jovens e para o país o dinheiro nela investido. Também não se estudam outras formas melhores de fazer o que faz a Juventude indo ao encontro dos desafios dos jovens e principalmente dos carenciados. O PS nunca apresentou estas contas nem equacionou alternativas, sugerindo que, para o PS, a estrutura tem benefícios que não é preciso estudar nem justificar publicamente. O que quer que o PSD e o CDS fizessem o PS está contra: esta é a cartilha recente.

Por outro lado, por exemplo, a juventude que quer consumir bom desporto e boa cultura necessitam de organizações de base activamente culturais e desportivas com objectivos amplos e intervenção generosa que não se confundam com as escolinhas e outras estruturas que oferecem serviços privados à classe média e para cima.

Devia ser acordado pelo Parlamento que a Juventude seria tendencialmente extinguível em N meses antes de 2013. Ou que fosse feito um estudo por uma autoridade independente ou grupo de especialistas nomeados pelo Parlamento que analisasse o trabalho feito e acumulado e as alternativas.

O xix governo do PSD e do CDS decidiram pela fusão de uma coisa que eles acham que não está bem e o PS acha que tudo está uma maravilha e nada deve ser mexido a exemplo do que fez em 6 anos.

O propósito de análise e eventual reformulação profunda esclareceria as funções da SED e da SEC clarificando-lhes uma área de intervenção para toda a população a começar nos escalões jovem da população carenciada. Este posicionamento valorizaria o euro investido no desporto e na cultura orientando-se para a resolução das maiores carências actuais da população.

Fundir Desporto e Juventude sem tornar socialmente transparente a segunda é uma fusão que prejudica o Desporto porque é uma fusão com um todo viscoso como o alcatrão.

O Desporto já tem problemas próprios de opacidade que bastam para agora ter dentro de casa a Juventude que o PSD e o CDS não querem tomar uma atitude corajosa e adequada às dificuldades que o xix governo apresentou ao país e equacionou soluções umas e outras aprovadas eleitoralmente.

O principal ponto da análise da Juventude é a sua utilidade social e a opacidade de conhecimento social da sua realidade.

O desafio das Juventudes do PSD e do PS deveria ter da parte dos restantes partidos CDS, PCP, BE e Verdes uma atitude socialmente útil e visando resolver os desafios que a população juvenil vai defrontar em 2012 e 2013. Esta urgência de curto prazo deveria ser equacionada numa perspectiva longa como a que atrás se sugere para o Desporto e a Cultura e igualmente envolvendo o poder local e outros ministérios.

Os desafios da juventude portuguesa definitivamente não deveriam ser e não são os problemas das juventudes partidárias segundo o modelo corrente.

O pedido, ver o poste anterior, do deputado Laurentino Dias não é usual

Para um Parlamento genericamente iliterato desportivamente e habituado ao comportamento sem guarda  dos governos, o oportuno pedido do deputado Laurentino Dias sugere várias questões:
  • No jogo jogado assiste-se à passividade do PSD e à iniciativa do PS:
    • O PSD nunca teve no Parlamento um deputado conhecedor e interventor sobre a política desportiva dos governos à medida que era feita, como este pedido que agora surge. Segundo parece, não terá questionado significativamente Pedro Silva Pereira ou Laurentino Dias em seis anos de mandato PS.
    • Laurentino Dias poderá passar a ser um referencial na política desportiva do Parlamento, quando o PS historicamente tem criticado as medidas legislativas do PSD como inócuas ou ineficientes.
    • A especialização do deputado Laurentino Dias é tão relevante quando surge como um especialista de política desportiva coisa que os seus pares não possuem esse conhecimento nem os restantes partidos acumularam conhecimento sobre o que é a politica desportiva moderna e as federações em geral 'comeram da mão' do ex-SED (estou obviamente a elogiá-lo positiva e negativamente).
    • O PSD acompanhou a performance do PS nos últimos anos e aceitou participar, através dos seus elementos mais significativos, em iniciativas de política desportiva contrárias aos princípios das ciências do desporto e aos princípios da União Europeia e das federações internacionais, quando, por exemplo, o PS lançou o Tribunal Arbitral dependente do Ministério da Justiça e não do Comité Olímpico de Portugal , o que as federações 'comeram e calaram'.
    • Os governos PS nunca usaram o desporto como exemplo maior da sua politica nacional como o actual governo quando usa a fusão de 4 órgãos públicos e a poupança de milhões em que o desporto surge como figura maior.
  • Há a necessidade de compreender como se chega a esta situação de um governo fundir institutos:
    • Não se percebe qual o serviço público e a política de juventude, que nos anos anteriores colocaram a administração central a produzir retalho do turismo, quando a lógica seria atribuir essa produção local a agentes locais às autarquias, a associações sem finalidade lucrativa ou a empresas.
    • O associativismo jovem é um sector transversal a muitos sectores como a cultura e o desporto e outras e a manutenção da juventude duplica funções que deveria estar claramente unificadas.
    • O desporto e a cultura precisam de associativismo e a manutenção do associativismo da juventude é uma forma de ruído e despesa pública duplicada com objectos distintos.
    • Provavelmente para não deitar a perder um investimento nacional acumulado seria útil pensar bem o que fazer e não actuar o Governo contra o Parlamento e o Parlamento contra o Governo chamando cada um a si a razão do que devia ser bem feito.
    • Como José Constantino já refere no Colectividade Desportiva há a necessidade de proteger o desporto. Fazer uma junção apressada sem tempo para estudar, por causa do papão da Troika que exige estudos públicos para outros sectores e não os exige no desporto, é um erro que o desporto irá pagar, como costumam ser as coisas para o desporto.
  • O que se irá passar equaciona-se antecipadamente:
    • Os protagonistas e o conteúdo do discurso são velhos conhecidos.
    • O modelo de Laurentino Dias bateu no fundo e tem problemas nas novas instalações, nos subsídios ao Turismo e às actividades desportivas que o sustentam, na governance das federações, no associativismo de base, no uso e abuso dos talentos desportivos nacionais, etc.
    • Todas estas características o turismo, os talentos, as instalações, etc são aspectos que o xix governo resume no seu programa, como o PS faria.
  • O que se devia passar, face a estas limitações?
    • A proposta de fusão do PSD deve ser vista como uma oportunidade de corrigir coisas que estão mal.
    • Seria pedir muito aos deputados da Nação portuguesa que por uma vez conseguissem olhar para a criação de um desporto bem concebido e bem debatido no Parlamento.
    • O deputado Laurentino Dias daria ao país e ao seu desporto um contributo inestimável conseguindo transformar o seu conhecimento especializado para corrigir aspectos menores e prejudiciais ao desporto da proposta do PSD.
    • O deputado Laurentino Dias deveria ser humilde ajudando o país e o Parlamento a corrigir alguns dos seus actos menos conseguidos, a evitar encher o debate com os seus feitos e a colocá-los numa perspectiva de relativização de uma realidade complexa como actualmente é a do desporto e a do país.
    • O ministro Miguel Relvas deveria dizer como pensa abrir o desporto à sociedade e ao seu escrutínio e como. Só este ponto seria um debate ganho para o desporto.
Por ser um primeiro debate sobre o desporto de uma oportunidade que o PSD deu e o PS aproveitou este não pode ser tomado como um debate final mas o início de um processo complexo e envolvente da sociedade e dos seus parceiros empreendedores e da área do conhecimento.

23.Agosto.2011 - Audição do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares (15h00).

A Comissão de Educação, Ciência e Cultura vai ouvir o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, na sequência da aprovação de um requerimento apresentado pelo GP/PS, que solicita esclarecimentos sobre a proposta de reorganização dos serviços sob a sua tutela. O texto do requerimento encontra-se em anexo. Carregue na imagem para a aumentar.


terça-feira, 2 de agosto de 2011

O novo Presidente do IDP é Augusto Fontes Baganha

Augusto Baganha foi um praticante desportivo de elite no basquetebol do Queluz e do Sporting, se não estou em erro, tem um conhecimento grande do IDP, da sua história, das Secretarias de Estado do Desporto, de inúmeras gerações de líderes, treinadores e atletas, das federações e dos clubes desportivos, com destaque para o seu Sporting, assim como, das relações entre o IDP e o associativismo desportivo.

Do ponto de vista partidário é desde sempre do PSD o que não o impede de ter relações afáveis com todos os seus colegas e próximos.

Para defrontar os seus maiores desafios o desporto necessita certamente de um Augusto Baganha no melhor dos melhores anos como atleta de excepção, se fôr permitida a comparação.

Força Presidente Baganha!

Augusto Baganha preside ao Instituto do Desporto de Portugal

O anuncio da nomeação de Augusto Fontes Baganha, aqui no Público.

JS condena fusão do IPJ com Instituto do Desporto

Aqui a posição da JS.

JSD aplaude urgência da reorganização da Política de juventude, mas discorda de fusão com o IDP

Aqui a posição da JSD sobre a fusao IDP e IPJ e Movijovem.

Fusão do Instituto de Desporto de Portugal. O Bloco de Esquerda faz perguntas ao Governo

Ver aqui., o texto seguinte:

«O Bloco quer esclarecimentos sobre a nomeação pelo governo de um presidente dum Instituto que o próprio governo já anunciou ir exitinguir.


1 de Agosto de 2011

Na passada sexta-feira, o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho anunciou, no debate parlamentar, que o seu Governo iria proceder à “fusão do Instituto Português da Juventude (IPJ) com o Instituto do Desporto de Portugal e a Movijovem”, numa lógica de poupança da despesa pública pela redução de cargos dirigentes.
No entanto, no dia a seguir a este anúncio, é publicitada a indicação do nome de Augusto Fontes Baganha para presidir ao Instituto de Desporto de Portugal, o qual será extinto caso a fusão anunciada seja concretizada.
Para o Bloco de Esquerda é preciso que o Governo esclareça se o anúncio do Primeiro-Ministro na Assembleia da República é para ser concretizado e, se assim for, como justifica já existir a indicação de um nome para presidir a um instituto que será extinto e junto com outros dois. Ao que parece, o Governo andou a combinar “sucessores” para os vários institutos do Estado ao mesmo tempo que anuncia, publicamente, uma redução dos cargos dirigentes.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Educação e Ciência Secretário de Estado do Desporto e Juventude, as seguintes perguntas:
1.Confirma o Secretário de Estado a fusão do Instituto do Desporto de Portugal com o Instituto Português de Juventude e a Movijovem, conforme anunciou o Primeiro-Ministro em debate parlamentar?
2.Se assim for, como justifica o Secretário de Estado que esteja a ser anunciado publicamente o nome de Augusto Fontes Baganha para presidir ao Instituto do Desporto de Portugal? Confirma a manutenção deste cargo dirigente e a indicação deste nome? »

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Que perguntas fazer sobre o IDP?

I

Foram os últimos líderes bons no IDP?

Que imagem tem a sociedade e o desporto português dessa liderança?

Será útil ao desporto manter essa liderança ou com essas características à frente do IDP?

Quais os pontos frágeis dessa liderança?

Quais os seus pontos fortes?

Quais os pontos a preservar para o futuro?

II

Para que serve o IDP? O IDP é necessário para fazer o quê?

Distribuir dinheiro às federações mais importantes e aos empresários 'do desporto'? Fazer o que os políticos querem?

Na hipótese de extinsão do IDP, que outros órgãos do Estado podem substituir o IDP?

As Finanças podem substituir com vantagem o IDP na atribuição de financiamentos públicos aos entes desportivos?

Definida a função social do IDP, quanto ganha a sociedade por ter o IDP?

Quanto ganha a sociedade com o seu encerramento e, por exemplo, atribuição às Finanças da distribuição do dinheiro para os entes desportivos?

III

Sendo as federações as que melhor sabem produzir desporto para que serve o IDP?

Sendo as federações inteiramente autónomas e responsáveis do seu objecto social, perante os seus corpos sociais e perante a Lei de Bases e a Consituição, existe ou não uma vantagem na extinsão do IDP?



Independentemente da ordem, a resposta a estas questões ajudam a observar se o XIX governo age bem no desporto.

Fundir ou extinguir

Helena Matos no Blasfémias, aqui, faz a pergunta se não seria melhor extingui-los mas refere-se apenas aos companheiros recentes do IDP.

Há muitos anos quando a recentemente falecida Professora Maria Lúcia Lepecki liderava a Travessa do Cotovelo, no canal 2, Helena Matos entrou em contacto comigo a perguntar-me se eu estava disponível para ir ao Travessa do Cotovelo que ia fazer um programa sobre o desporto. Eu disse-lhe que tinha de pedir autorização ao chefe e a resposta dele foi que eu não podia ir.

Eu não pertencia ao partido do chefe e o chefe nunca autorizaria uma coisa dessas.

A degradação da reputação do desporto teve mais um episódio confrangedor pela insistência dos líderes do desporto em projectarem para fora do desporto a sua menor dimensão política e social que é incapaz de gerar consensos e projectar uma imagem de grandeza sobre o exterior do pequeníssimo desproto português.

Não sei qual a razão porque Helena Matos não sugere a extinsão do IDP como sugere a dos outros.

Mas posso garantir que ela tem toda a razão de um ponto de vista de maximização do bem-estar dos jovens, das mulheres e dos carentes deste país cujo usufruto desportivo é dos mais baixos, leia-se medíocre, na Europa desenvolvida.

Em toda a Europa a produção de bem-estar desportivofaz parte dos seus genes da sua modernidade para o século XXI e os seus órgãos e agências públicas centrais são fundamentais para trabalharem esse objectivo maior.

O Bucha e o Estica

Confirma-se que a preocupação do Governo é a contracção do orçamento e da despesa e não é uma política desportiva distinta da legislatura anterior. O artigo do Correio da Manhã de hoje só fala em contracção não fala em políticas nem de desporto, nem de juventude, nem de tecnologias de informação.

Tem sido claros os posicionamentos de anónimos pró-PS elogiando as opções de política desportiva do governo PSD/CDS. Parte das novas chefias e núcleo duro técnico já nomeados trabalhou intimamente com Laurentino Dias e com Vicente Moura. Portanto, as críticas surgidas à política desportiva pretérita deveu-se a menos de uma mão de irredutíveis gauleses.

Segundo o Correio da Manhã será criado um Instituto Português de Desporto e Juventude (IPDJ) poupando-se com a fusão do Instituto do Desporto de Portugal, do Instituto Português da Juventude, da Movijovem e da Fundação para o Desenvolvimento das Tecnologias de Informação, 77 quadros dirigentes e 298 funcionários.

Com Laurentino Dias o IPJ foi o Bucha e o IDP o Estica.

As juventudes partidárias estão em vias de perder o seu recreio pago pelo orçamento público, não sendo certo e desconhecendo-se qual a sua reacção. perderão a sua sede na Avenida da Liberdade e a Movijovem tinha a concurso a compra de 24 novas viaturas.

As notícias do desperdício no IDP apenas poderão dizer que se compraram mais de cem computadores o que podendo ser questionado tecnicamente fica longe de compra de duas dezenas de viaturas.

Outros aspectos interessantes são que, não se falando de políticas desportivas, toda a poupança alcançada reverterá para as finanças.

Também a Fundação INATEL enquanto área com uma dimensão recreativa no desporto que é significativa poderia ter integrado este pacote gerando ela tanto uma ainda maior poupança como a possível libertação de mais-valias para investir no desporto e o INATEL não é falado. Porquê? É um dos aspectos que valerá a pena observar.

O esforço do Governo parece ser significativo mas apenas gerará da parte do Bucha uma reacção que será curioso observar como o Estica responderá.

O programa do XIX governo e os quadros e técnicos já nomeados sugerem que a estrutura e actuação do passado se manterão com a característica liberal mais marcada porque claramente expressa no programa do governo.

Há que esperar maravilhas do Estica, já que o termo tremendo e outros deixarão de ter uma relação com as possibilidades reais colocadas no terreno. Pouco a pouco o Estica vai entrar no mundo onírico do passado/presente.

domingo, 31 de julho de 2011

Entre um murro no estômago e ficar com uma branca

Pedro Pestana Bastos, no Cachimbo de Margritte, aqui, está a favor da extinção do IDP.

PPB diz:
"Parece que a JSD está contra a fusão do Instituto da Juventude com a Movijovem e o Instituto do Desporto.

Eu também estou contra.
No estado do país são organismos da administração pública que deveriam ser extintos. O contribuinte agradecia. Ou será que não perceberam que não há dinheiro."

Laurentino Dias e toda a sociedade desportiva que contemporizou com o modelo de muitos anos não se vão reconhecer neste extremo de PPB. Mas toda a nomenclatura que produziu o desporto português nas últimas décadas e ainda ontem esteve no velódromo de Sangalhos a ver a conquista das medalhas pelas estrelas da Europa, pagas com o dinheiro da população local e do dinheiro que deveria ser investido, nesta fase, em alternativas desportivas, não compreende a dimensão do erro que vem acumulando.

Este pensamento de extinguir a agência pública do desporto é o de uma profunda iliteracia desportiva, em primeiro lugar, e de uma iliteracia europeia absoluta sobre os fundamentos greco-latinos da cultura e da civilização que emanou da Europa de há mais de 4 mil anos a esta parte para todo o mundo e cujo desporto é um elemento incontornável.

O poste no Cachimbo de Margritte é a ponta do icebergue dessa incompreensão social que foi formada pela actuação dos líderes desportivos incapazes de acumularem paciente e diligentemente o capital cultural e civilizacional que o desporto fez em toda a Europa e no mundo.

A falência do desporto moderno em Portugal deve-se à possibilidade de várias improbabilidades europeias:
  1. que o desporto é um bem privado e não público
  2. que os impactos do produto público do desporto podem ser obtidos apenas pela produção privada
  3. que os subsídios públicos para o desporto devem privilegiar os mega-eventos, os ralis, a fórmula um, os autódromos, o Paris-Dakar, e outros produtos desportivos que interessam ao turismo ter no seu cabaz de oferta turística nacional, como está expresso no programa do XIX governo constitucional
  4. que não havendo um produto público não há a necessidade de uma agência pública central
  5. que o desporto não é um sector vital, estrutural e central, para a criação do capital humano e social e o crescimento da produtividade da população e da sociedade portuguesa visando a média europeia
A actuação pública cada vez mais baseada em princípios de apropriação das rendas financeiras e do orçamento público do desporto pelos agentes politicamente mais activos tem um sentido de esvasiamento do produto desportivo enquanto capital comum da população portuguesa.

Haverá quem do PS esteja a gozar perdidamente e já a sonhar, com uma vingança fria, sobre a forma de levar ao Parlamento pós-Passos Coelho o documento a anular os actos agora feitos e a obter a maioria da votação parlamentar, incluindo das bancadas do PSD e do CDS.

Dizem os historiadores que a história primeiro acontece como tragédia e depois como comédia.

A história das leis de bases foi certamente a da tragédia, iremos ver que comédia para a história dará futuramente.

Só que o PS não deveria estar a gozar e a rir-se porque o drama do desporto são estas histórias de ineficácia política que se repetem ao longo das décadas e que prejudicam a população portuguesa em milhares de milhões de euros de bem-estar social.

sábado, 30 de julho de 2011

O IDP Morreu! Viva o Desporto!

A dúvida exige que se questione o grau de compreensão do que é o desporto português para o XIX governo.

O Conselho Nacional do Desporto foi um repositório de velhas figuras gradas do desporto com destaque para aqueles que através do futebol conseguem os lugares em programas de grande audiência e conteúdo desportivo inferior.

No passado ainda houve programas nas televisões que debatiam ideias gerais do desporto o que com a legislatura anterior foi definitivamente abolido.

A ordem foi calar o debate da qualidade, dos fundamentos e das vias do desenvolvimento sustentado.

A morte do IDP foi ditada pelo contrato-programa feito com o COP de cerca de 14 milhões de euros cujas funções públicas são de colocação orçamental e cabimentação administrativa e de nulidade de reolução de desafios.

O CND nada trabalhou de prospectiva e o IDP é um repositório de artigos legais sem expressão desportiva e sem investigação adequada aos desafios colocados pelo futuro do desporto nacional.

O livro de estatísticas publicado pelo IDP não fala do futuro nem discute as suas possibilidades.

O IDP foi morto por um conjunto de elementos onde o CND é a figura preponderante por, por assim dizer, conteria as forças capazes de questionar  se o Rei ia nu e quais as razões desse facto.

O CND e todos os seus componentes individuais marcam o cúmulo de uma política desportiva tendencialmente voltada para manter a situação desportiva igual a si memsa.

O IDP foi morto pela oposição que não o foi.

A oposição calou-se, teve os seus membros capturados por Laurentino Dias e por Vicente Moura.

Como se diz, iam-lhes comer às mãos, reverenciados e agradecidos sendo capazes se o mando o exigisse de matar.

Mataram o IDP e mataram o desporto.

Felizes estiveram e foram protagonistas em todas as cerimónias organizadas pela CDP, COP e organizações públicas.

Toda esta situação não é simples e o trabalho a realizar é tremendo, seguindo a terminologia em voga.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Apenas uma pergunta

Face a esta notícia, aqui:

"... a fusão, num único organismo, do Instituto Português da Juventude, Movijovem, Instituto do Desporto de Portugal e Instituto para o Desenvolvimento para as Tecnologias de Informação."


O Desporto Português sabe o que é o Desporto Português?
 
Não contesto a fusão, apenas pergunto se alguém antes da fusão sabe, tem bem presente quanto à realidade e quanto às opções de política o que é e o que se procura com o desporto português, e que esse conhecimento seja consensual entre os parceiros desportivos sobre o que é o Desporto Português.
 
Caso alguém o possa apresentar com claridade será possível compreender o que quer que se faça a seguir, com a fusão anunciada hoje na Assembleia da República pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.
 
A minha opinião é que ninguém sabe. Perderam-se mais duas legislaturas em que o desporto não acumulou governance, reputação e capital humano de excelência.
 
O facto que ninguém no desporto sabe que rumo está a ter o sector é que o líder do sector fala dos seus problemas e do que lhe aconteceu no passado e não fala nem de desporto, nem do futuro.
 
Obviamente a responsabilidade de Alexandre Mestre perante o Desporto e o Futuro Desportivo dos Portugueses é colossal.
 
O primeiro passo a analisar e compreender são as razões que sustentam esta medida de política.
 
O programa do PSD e do CDS não consideram a extinsão do IDP.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Estatísticas do Desporto

O Instituto do Desporto de Portugal acaba de colocar no seu site as estatísticas das federações.

Ver o link aqui.

Podem consultar-se as publicações do instituto e as estatísticas que actualmente estão no seu site e que irão estar no futuro no site da Fundação Francisco Manuel dos Santos, na base de dados PORDATA.

domingo, 3 de julho de 2011

Tenho tido o privilégio de trabalhar no IDP

Cheguei ao desporto e à ex-Direcção-Geral dos Desportos nos anos 80 de Mirandela da Costa e João Boaventura os quais abriam a agência técnica do desporto aos ares da Europa através da colocação de técnicos em todas as áreas que o Conselho da Europa dinamizava com estudos sobre os problemas reais dos sistemas desportivos nacionais.

Desde essa data a institucionalização jurídica foi uma tentação para os líderes públicos do desporto português a ponto de actualmente as reuniões técnicas que a União Europeia promove por essa Europa serem abandonados apesar de conhecidas ou terem o acompanhamento de um jurista, desconhecedor de matérias de outras ciências e que não apresenta relatórios das viagens que realiza.

O espírito inicial de Mirandela da Costa e de João Boaventura sempre foi o de acompanhar os projectos europeus, replicá-los, introduzir essas inovações nas políticas desportivas em Portugal e traduzir e publicar os documentos técnicos que se traziam.

As bibliotecas de desporto nacionais têm exemplares desse trabalho feito na ex-DGD e são muitos os especialistas e professores universitários que passaram pelos grupos de trabalho do Conselho da Europa levados pela mão de uma agência promotora de ciência e técnica.

Pode encontrar-se um paralelismo com o período que José Constantino esteve na Confederação do Desporto de Portugal em que produziu estudos vários ao contrário de líderes que nada publicaram.


Para o novo desporto há que reinventar novas instituições

Quando se sabe pouco de uma matéria, o que se faz parece imenso. Quando são conhecidos exemplos nacionais a realização é relativizada e pode ser tomada pela sua real valia.

O actual governo tem nas suas mãos o início de um novo período em que terá de criar políticas novas e instituições que actualmente 'não existem'.

Hoje o Público tem um artigo na sua revista Pública sobre o o surf intitulado 'Surfar para sair da crise'.

É um artigo de Alexandra Prado Coelho que descreve os novos horizontes que o surf abre para o desporto, o turismo e o país, terminando por salientar o que parecem para as pessoas entrevistadas os excessos de centros de alto rendimento nesta modalidade.

Definitivamente não basta ocupar os lugares e autoelogiar-se.

O desporto é uma construção laboriosa de muitas gerações cujos ganhos podem ser perdidos por pessoas que não tendo capacidades para o lugar a que chegam, destróem mesmo que sem querer o que gerações anteriores de líderes e técnicos acumularam.

Actualemtne assiste-se também à destruição do futuro com medidas e actos que prejudicam o futuro mesmo quando, por exemplo, se compram computadores novos.

As pessoas que passam em primeiro lugar deveriam respeitar o trabalho dos seus predecessores, em segundo deveriam promover a protecção desse capital acumulado no passado, em terceiro criar condições para que a acumulação de capital se continue a realizar durante toda a sua passagem e em quarto deveriam ser humildes quanto às características positivas da sua própria passagem.

É interessante notar como para pessoas que se autoelogiaram tanto durante tantos anos, surjam pessoas das universidades e produtores desportivos de base e uma revista de largo espectro a colocarem reticências a excessos realizados.

A ética e o respeito pelo trabalho dos outros e a humildade pelo seu próprio trabalho é a melhor forma de conseguir passar pelos cargos ajudando a criar instituições que projectam o desporto nacional para suportar e resolver da melhor forma as crises surgidas.


Afinal a principal questão a retirar é que é relevante começar por analisar atentamente o trabalho feito anteriormente para beneficiar de algum bom trabalho que tenha sido feito.

Isso parece surgir na questão da revisão da legislação do desporto.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

O dinheiro deve reverter para o IDP

Caso se concretize a perda da Secretaria de Estado do Desporto no novo governo, o desporto deveria sustentar que a poupança efectuada deveria ser aplicada na estruturação de um novo IDP que a estrutura funcional e da despesa actual são incapazes de assumir.

Sem obstaculizar outros cortes e outros financiamentos como os possíveis de um novo quadro de investimento central como QREN que se sugeriu virá a ser estruturado a seu tempo.


Trabalhando numa perspectiva de optimização óptima (passe a redundância) caso o novo IDP juntasse as suas funções às do velho INATEL e às do desporto escolar com uma forte articulação com o associativismo e as autarquias, os recursos do desporto deveriam ser concebidos em torno desse paradigma, de uma política renovada e sem igual no passado a única capaz de alavancar solidamente o nosso desporto para níveis europeus medianos.

O poste de José Manuel Constantino que cito no poste anterior deixa medidas cautelares a quem de direito.