O desporto como produtor de bens cuja essência é a actividade física e visa o bem-estar de toda a população exige um programa estrutural e de longo prazo, de muito longo prazo.
Há razões que demonstram as consequências nefastas desta falta de programação.
Por tradição os ministros e os secretários de Estado, assim como, os presidentes da república, os primeiros-ministros e a Assembleia da República não falam estruturalmente sobre o desporto.
O discurso sobre desporto enquista-se no futebol profissional amedrontando os líderes públicos desprovidos de uma Visão enformadora das imensas e plurais potencialidades do desporto português.
Exemplo desta desconformidade é o responsável do COP com um discurso que repete sobre o que não fala, sobre as pressões para não falar, sobre as ilegalidades praticadas com o Estado, sobre as perseguições para correr com ele mas que ele os topo a todos, mas não projecta o futuro do que irão ser os futuros jogos olímpicos para Portugal e também critica as federações de que ele se alimenta, como as colectivas.
Noutra dimensão a lacuna da existência de um programa de longo prazo é tratada por opinion makers que questionam a razoabilidade das medalhas ou se o futebol profissional deve ou não receber financiamentos do Estado. No primeiro caso, das medalhas, há diferentes níveis de organização da produção de resultados desportivos e as medalhas constituem um indicador sintético que permitem apurar com exactidão o cumprimento de princípios de ética a que estão ligados os responsáveis das instituições desportivas, assim como, da boa aplicação de dinheiros públicos. No segundo caso, trata-se de uma falsa questão porque o Estado financia organizações privadas quando há falhas de mercado e constatando a existência de falhas é razoável o financiamento independentemente da finalidade da organização ser lucrativa ou não.
A falta do programa acontece a par da ineficiente contratação de estudos e análises, da falta de diálogo e de instituições de apuramento de consensos abertas à sociedade e capazes do nível mais alto de debate sobre políticas desportivas.
Os dois exemplos de opinion makers que indico são de funcionários ou de ex-funcionários com responsabilidades elevadas junto de decisores desportivos, demonstra a fragilidade tradicional da formação da decisão de política desportiva em Portugal. Esta forma de actuação esconde os fundamentos das decisões tomadas, quando não as aprofunda, quando não as discute aberta e tecnicamente e quando não aceita a avaliação das consequências da sua aplicação e do desempenho.
Em consequência os resultados desportivos são menores.
Esta é uma forma de actuação pública que afecta os líderes desportivos privados os quais apenas reivindicam o cumprimento do pagamento das tranches acordadas em contrato-programa num valor de dezenas de milhões de euros, o que não preocupa um Estado que deve milhares de milhões de euros em atrasados a múltiplos sectores económicos.
Libertar o desporto no domínio económico é favorecer o seu debate enriquecendo, através de instrumentos económicos bem solicitados e bem feitos, o debate dos parceiros desportivos.
O sentido do que não se passa no menos excitante mercado económico de Portugal mas passa-se no mais excitante mercado económico do mundo
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Os 13 milhões de dívida do futebol ao fisco
As dívidas ao fisco são uma responsabilidade dos clubes que não pagaram atempadamente obrigações várias ao Estado, quando todo o país fazia o mesmo na medida das suas possibilidades.
O Estado há vinte anos, creio durante as governações de Cavaco Silva, decidiu que se as empresas não pagavam ao fisco então eram inviáveis e deveriam falir.
Um caso emblemático foi do empresário da Oliva que assumiu em Tribunal o desvio dos dinheiros devidos ao Estado para pagamento de salários e foi condenado.
Nos clubes foi diferente porque tinham direitos de imagem a receber do Totobola e procedeu-se a um acerto de contas no Plano Mateus.
Entretanto, a majestática e corporativa Santa Casa da Misericórdia de Lisboa gestora do Totobola e de todos os outros jogos de fortuna e azar actuou durante anos para falir o Totobola e valorizar os jogos que beneficiavam mais as suas actividades sociais não promovendo o Totobola e criando sempre novos jogos no mercado das apostas populares.
O desporto, a Liga e a Federação e o Desporto, público e privado, depois de Mirandela da Costa, aceitaram fazer figura de corpo presente na mesa do Departamento de Jogos da SCML e não valorizaram os seus direitos de longo prazo e a sua eficiência na aplicação de dinheiros públicos acima de outros sectores sociais.
No caso concreto do futebol tanto a Liga de Clubes como a Federação foram negligentes nunca apresentando um programa ao Estado de resolução da dívida e de fomento do mercado do futebol.
Os clubes médios continuam a falir na procura de rendibilidades financeiras de alto risco na compra barata de capital humano africano, sul-americano e de leste (quando foi o tempo dele).
Os grandes clubes acumulam défices e todos acham normal tendo acabado com o único instrumento capaz de demonstrar a rendibilidade das contas que eram os relatórios da Deloite publicados pela Bola.
Os reguladores não se importam que o relatório não se publique nem que o futebol não tenha horizontes de longo prazo.
Há vários instrumentos que a Federação e a Liga deveriam criar e apresentar ao Estado como modelo de produção para o século XXI. Sucintamente:
Na Europa a UEFA fez um documento com a Visão do seu negócio e em conjugação com a União Europeia fizeram o Relatório Independente.
Isto faz-se na Europa.
Lá longe na Europa.
O Estado há vinte anos, creio durante as governações de Cavaco Silva, decidiu que se as empresas não pagavam ao fisco então eram inviáveis e deveriam falir.
Um caso emblemático foi do empresário da Oliva que assumiu em Tribunal o desvio dos dinheiros devidos ao Estado para pagamento de salários e foi condenado.
Nos clubes foi diferente porque tinham direitos de imagem a receber do Totobola e procedeu-se a um acerto de contas no Plano Mateus.
Entretanto, a majestática e corporativa Santa Casa da Misericórdia de Lisboa gestora do Totobola e de todos os outros jogos de fortuna e azar actuou durante anos para falir o Totobola e valorizar os jogos que beneficiavam mais as suas actividades sociais não promovendo o Totobola e criando sempre novos jogos no mercado das apostas populares.
O desporto, a Liga e a Federação e o Desporto, público e privado, depois de Mirandela da Costa, aceitaram fazer figura de corpo presente na mesa do Departamento de Jogos da SCML e não valorizaram os seus direitos de longo prazo e a sua eficiência na aplicação de dinheiros públicos acima de outros sectores sociais.
No caso concreto do futebol tanto a Liga de Clubes como a Federação foram negligentes nunca apresentando um programa ao Estado de resolução da dívida e de fomento do mercado do futebol.
Os clubes médios continuam a falir na procura de rendibilidades financeiras de alto risco na compra barata de capital humano africano, sul-americano e de leste (quando foi o tempo dele).
Os grandes clubes acumulam défices e todos acham normal tendo acabado com o único instrumento capaz de demonstrar a rendibilidade das contas que eram os relatórios da Deloite publicados pela Bola.
Os reguladores não se importam que o relatório não se publique nem que o futebol não tenha horizontes de longo prazo.
Há vários instrumentos que a Federação e a Liga deveriam criar e apresentar ao Estado como modelo de produção para o século XXI. Sucintamente:
- Um relatório dos relatórios e contas sobre todos os campeonatos amadores e profissionais;
- Racionalidade dos campeonatos e programa de longo prazo;
- Concepção do estilo de jogo português e dos objectivos técnicos e desportivos no longo prazo.
Na Europa a UEFA fez um documento com a Visão do seu negócio e em conjugação com a União Europeia fizeram o Relatório Independente.
Isto faz-se na Europa.
Lá longe na Europa.
sábado, 5 de março de 2011
'País assustado' diz a Bola de hoje 5Março2011
Talvez não seja pelas boas razões.
Já antes do Euro 2004 a partir da altura em que se definiu que o Euro 2004 iam ser os estádios e o selecionador brasileiro que o futebol português necessitava de mais coisas.
1 - A inexistência de atletas jovens para as selcções de futebol não parece preocupar.
2 - Também é motivo de menor atenção a inexistência de um plano de longo prazo para o futebol mesmo quando pensamos ser campeões dos campeonatos em que entramos.
3 - A falência dos clubes de base não é relevante.
4 - Os processos que acabam na acusação dos líderes dos clubes médios e a falência dos clubes também não. Porque é que Faro não tem um clube na primeira divisão ou o Estrela da Amadora são exemplos sintomáticos de crise associativa nos clubes médios.
5 - A formação escolar dos jovens e das estrelas que andam pelas selecções não tem análises de situação.
6 - A promoção de ex-grandes atletas na estrutura de liderança do futebol também é um facto sem relevância.
Qualquer que seja a razão imediata do país como o Porto, Benfica e Sporting a ficarem uns dias sem a Liga Europa ou as selecções percam uns jogos ou campeonatos na secretaria da UEFA e da FIFA sempre se podem acrescentar mais seis argumentos que os afastarão por décadas.
Mas estes seis casos aqui indicados não assustam em Portugal.
Já antes do Euro 2004 a partir da altura em que se definiu que o Euro 2004 iam ser os estádios e o selecionador brasileiro que o futebol português necessitava de mais coisas.
1 - A inexistência de atletas jovens para as selcções de futebol não parece preocupar.
2 - Também é motivo de menor atenção a inexistência de um plano de longo prazo para o futebol mesmo quando pensamos ser campeões dos campeonatos em que entramos.
3 - A falência dos clubes de base não é relevante.
4 - Os processos que acabam na acusação dos líderes dos clubes médios e a falência dos clubes também não. Porque é que Faro não tem um clube na primeira divisão ou o Estrela da Amadora são exemplos sintomáticos de crise associativa nos clubes médios.
5 - A formação escolar dos jovens e das estrelas que andam pelas selecções não tem análises de situação.
6 - A promoção de ex-grandes atletas na estrutura de liderança do futebol também é um facto sem relevância.
Qualquer que seja a razão imediata do país como o Porto, Benfica e Sporting a ficarem uns dias sem a Liga Europa ou as selecções percam uns jogos ou campeonatos na secretaria da UEFA e da FIFA sempre se podem acrescentar mais seis argumentos que os afastarão por décadas.
Mas estes seis casos aqui indicados não assustam em Portugal.
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