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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Este COP está sempre a surpreender-nos

Há anos um funcionário do COP garantia num jornal de grande tiragem nacional, na página dos opinion makers importantes, que os Jogos Olímpicos em Portugal eram economicamente justificados e que havia estudos de grandes investigadores de economia que sustentavam a viabilidade ecoonómica dos Jogos Olímpicos e isso era o suficiente para Lisboa ser candidata.

Agora o chefe de missão a Londres, de seu nome Mário Santos e Presidente da Canoagem, diz que falta ao desporto um modelo de sustentabilidade económica porque já tem infra-estruturas. Ver no Diário de Notícias, aqui.

As suas frases merecem ser reproduzidas:
  1. ""Neste momento, Portugal tem infraestruturas (de qualidade) em várias modalidades. O grande desafio é criar um modelo de sustentabilidade que permita que estas sejam usufruídas não só pelo alto rendimento, mas também para a prática desportiva em geral, fundamental para o desenvolvimento da sociedade", afirmou.
  2. Mário Santos mostrou-se surpreendido pela ligação dos adeptos húngaros à canoagem, e sonha que esse cenário possa algum dia acontecer em Portugal: "Vão estar cá mais de 20.000 adeptos por dia a pagar para assistir a uma modalidade que não é o futebol. É uma realidade ainda distante para o nosso país". 
  3. "A Hungria suporta por inteiro uma modalidade que não o futebol: há um apoio político, do Estado, privado e da própria comunidade, que se envolve em tudo isto e com grande retorno" continuou Mário Santos. 
  4. Antes de marcar presença na Hungria, Mário Santos esteve em Londres durante uma semana em reuniões, e revelou, que nos contactos que manteve, verificou que os países mais prestigiados no "Mundo" do desporto revelam "um grande envolvimento da sociedade e das empresas na Missão Olímpica"."

As suas frases não são a política mas ajudam a definir objectivos e por isso são relevantes e ainda cima vinda do grupo de pessoas que trabalha para o COP e de quem se ouvem com frequência inverdades, assassinatos técnicos e demagogia a rodos.
 
Sobre as frases chamo a atenção do seguinte:
  1. O grande desafio é criar um programa de desenvolvimento sustentado desportivo, económico e social.
  2. Obviamente as medidas que alavancarão a procura desportiva da população. Está tudo no conceito de 'Desporto Com Todos' na inovadora e nunca tentada fórmula do programa xix governo que todos esperamos, sentados, que dê origem a uma copiosa literatura científica.
  3. Chama-se ao seu diagnóstico da sociedade e desporto húngaro literacia desportiva.
  4. O financiamento é também um acto de literacia desportiva. Colocar o desporto sob a liderança de interesses da grande finança pode ser uma consequência do movimento de apropriação das rendas do desporto mas não irá certamente gerar o grande envolvimento preconizado por Mário Santos.
Mário Santos tem um discurso que Vicente Moura tenta quando quer falar dos Jogos Olímpicos em Lisboa. Mário Santos não fala dos Jogos Olímpicos em Lisboa mas formula um discurso baseado em factos que deveriam ser inquestionáveis e adoptados há muito em Portugal.
 
Não tenho conhecimento que outro chefe de missão tenha feito constatações equivalentes a estas.
 
A realidade desportiva nacional é mais complexa do que as frases de Mário Santos mas as suas frases são importantes para demonstrar que o que está mal somos nós o nosso desporto e o nosso COP.
 
Indo de facto Vicente Moura embora como já prometeu, o surgimento de novas posições e protagonistas desportivos irá causar mossa nos privilegiados tradicionais mas fazer bem aos condenados do costume desportivo.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Em 'off' Vicente Moura terá mostrado o seu contentamento com a nomeação de Alexandre Mestre

Primeiro - Confirma-se a falta de projecto olímpico e de futuro para o desporto nacional

Nas últimas entrevistas a um ano dos Jogos Olímpicos Vicente Moura repetiu várias afirmações que já tinha feito anteriormente:
  1. foi empurrado para sair
  2. ficou porque quis
  3. os atletas devem prestar muita atenção com o que dizem
  4. não fala de medalhas
  5. acordou com o Secretário de Estado do Desporto, à altura, não falar de medalhas
  6. assinou um contrato-programa com o Estado apenas para o projecto olímpico ate 2012
    1. para receber cerca de 14 milhões de euros
    2. não definindo objectivos concretos mas propositadamente vagos
  7. os pagamentos estão a ser realizados atempadamente
  8. chegou ao fim e vai dar lugar a outros líderes mais jovens
Como conclusão surgem duas constatações:
  1. Vicente Moura está cansado porque repete as mesmas ideias há alguns meses a esta parte e já não esconde sequer que não olha para o futuro
  2. Já em 2008 Vicente Moura não tinha um projecto de futuro que não fosse o prolongamento da sua estadia no COP, para contradizer 'todos os que o empurravam'
Eu tenho respeito por Vicente Moura e pela via que conseguiu trilhar para acumular um capital de reputação do COP que antes era desconhecido face à dimensão entretanto alcançada.

A imagem exterior deste feito foram as vitórias dos grandes atletas portugueses em Jogos Olímpicos, foi a sede e todo o imobiliário construído e adquirido pelas federações e os momentos de euforia desportiva nacional que se cruzaram com o Euro 2004.

Outros dirigentes desportivos também tiveram percursos semelhantes e tenho por eles igual respeito variando claro está por motivos que não importa aqui acrescentar.

Não me custa reconhecer o mérito de pessoas que tenho criticado claramente ou de tantos outros com quem me cruzo nos blogues de forma mais forte.

Isto é para dizer que o respeito pela pessoa e pelo trabalho demonstrado existem e existe o sentido da crítica feita sobre o que vai acontecendo e que esta última parte é decisiva para conseguir distinguir o que faço daqueles que o não conseguem ou não querem fazer.


Segundo - todos contentes com Alexandre Mestre

Só a frontalidade perante os acontecimentos é que permite passar ao nível seguinte dada a gravidade do que se passa no desporto português.

O COP terá um presidente novo dentro de 12 a 18 meses.

O Governo que está em funções há mais de um mês irá trabalhar com as federações parcelarmente em mais de 25% do seu mandato, o que significa que terá de manter o diálogo fragmentado até ao fim.

Dado que o presidente do COP não fala do futuro, que não seja não falar de medalhas em 2012, o Governo não vai ter um interlocutor que represente o sistema desportivo.

Vai reunir com o Futebol e o Atletismo e todas as outras federações, uma à vez.

Certamente que todas vão ficar contentes com a nomeação de Alexandre Mestre mesmo que não tenham ideias para apresentar publicamente sobre o futuro do desporto português e das suas modalidades.


Terceiro - há um futuro?

Vamos supor que o óptimo de governance da política desportiva é ter um interlocutor único para a estratégia do desporto nacional.
Há duas formas de preencher o tempo até ter um líder do desporto português:
  1. trabalhar para conseguir os pagamentos atempados acordados para o COP fintando a austeridade
  2. trabalhar para o futuro com a austeridade
Vicente Moura está dentro da primeira hipótese e deveria ser dado a entender a outros líderes do desporto que o seu tempo já chegou ao fim há muitos anos e que não deveriam impedir por mais tempo que novos líderes assumam os destinos do desporto português.

Perder mais um ano num momento de crise profunda e múltipla, incluindo a austeridade, só para pessoas que já estão noutra.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O próximo Presidente do COP deve ser um líder forte, orgulhar-se dos atletas olímpicos e saber o que se passa nas federações

Quando o presidente do COP se reúne com o Ministro do Desporto deve ser incansável na promoção dos atletas olímpicos.

A população necessita da criação de um estado envolvimento pleno e de orgulho sincero pelos atletas e estes devem ser promovidos em todas as oportunidades pelo Governo, pelo COP e pela federação.

É triste ver um presidente do COP que fala do seu umbigo, do seu dinheiro que o Estado lhe dá e do seu projecto museológico.

Este é que foi o objecto da reunião, num momento tão difícil para o país e para o desporto?

Não é aceitável que não enalteça os atletas olímpicos, não fale das suas medalhas e nem tenha uma única palavra para as condições com que trabalham as federações que municiam com o capital desportivo extraordinário e raro as equipas nacionais presentes aos Jogos Olímpicos.

Obviamente presidente do COP que não representa ou representa mal, perante o Estado os interesses dos seus parceiros associativos então está a prejudicar os reais interesses dos seus parceiros.

Haverá falta de credibilidade de um líder que não defende com intransigência os interesses do desporto português.

É necessário que o desporto português tenha líderes fortes, capazes de equacionar políticas ambiciosas e não tenham o receio de meter as mãos no lume pelos seus objectivos, pelos seus atletas e pelos seus conseguimentos.

Só líderes desportivos fracos são protegidos por estratégias escondidas da opinião pública, como a de não falar de medalhas, nem enaltecer os campeões desportivos nacionais, nem defender o trabalho das federações e os seus desafios actuais.

Quatro questões a dizer a Miguel Relvas, o Ministro do Desporto

Na sua audiência, para além de ter convidado o Primeiro-Ministro e o Ministro do Desporto para os Jogos Olímpicos, o Presidente do COP deveria ter:

  1. garantido o número de medalhas a que Portugal se candidatava;
  2. apresentado as contas do projecto Londres 2012 mesmo que corrigindo números, diminuindo uns e aumentando outros e assegurando que essas contas estavam a ser e seriam escrupulosamente cumpridas;
  3. assegurado que não se candidataria a um novo mandato à frente do COP;
  4. afirmado que estava a organizar eleições democráticas e competitivas abertas aos melhores candidatos nacionais a futuro líder do COP e do desporto português.
Segundo a comunicação social nenhuma destas questões foi tratada.

Na segunda questão é dito na comunicação social que os números se mantém o que sugere ou que há folga ou que no fechar das contas logo se vê. Terá sido perdida uma oportunidade de prestar contas ao novo responsável governamental apresentando com transparência os desafios colocados na liderança do projecto Londres 2012 para um porto condigno que é o que todos queremos que a selecção de Portugal cumpra.

Ganhar com mérito e perder com dignidade nos Jogos Olímpicos de Londres

Diz o site do COP, aqui, que na reunião com o Ministro Miguel Relvas foi dito que "a preparação olímpica se vai fazer nas melhores condições e, se possível, honrar o desporto português".


Este 'se possível' estará a referir-se a medalhas dizendo que 'se possível' se vai honrar o desporto português com medalhas.


Ora, alguns dos feitos do olimpismo de todos os tempos foram realizados com atletas que perderam e que deram lições de estoicismo e de valores olímpicos intemporais.


Chama-se a isto saber ganhar com  fair-play tendo mérito na vitória e dignidade na derrota. 


Por se saber perder com dignidade é que se deve dizer com ética, transparência e frontalidade quantas medalhas vai Portugal candidatar-se em Londres 2012.


Se bem que a comunicação social tenha uma interpretação de deve e haver medalhas estrita, o que efectivamente mancha a imagem do desporto é a actuação da liderança e aquilo que parecem ser problemas de treino e preparação olímpica.

O governo anterior aceitou primeiro que o COP não justificasse com transparência e um relatório independente o resultado de Pequim 2008 e depois aceitou que o COP não definisse as medalhas a que se candidata em Londres 2012.


Aceita o governo actual que toda esta situação se mantenha?


Esta situação será saudável para os atletas, a quem se pede a exemplaridade dos comportamentos?


Ou será que o COP diz ao Nelson Évora e aos atletas da canoagem: 'se possível' ganha a medalha?

O Museu do Desporto do Comandante Vicente Moura

Depois do Secretário de Estado do Desporto Alexandre Mestre ter referido na posse dos corpos directivos da CDP que se vivem tempos de austeridade o Comandante Vicente Moura procura o comprometimento do Ministro do Desporto Miguel Relvas com o seu Museu do Desporto.

Ver o site do COP aqui.

Não há razão plausível para que o Presidente do COP não se recandidate a novo mandato de 2013 a 2017.

O governo e os portugueses só vão ter boas notícias deste modelo de desenvolvimento desportivo.

sábado, 2 de julho de 2011

É necessário simplificar as coisas: A CDP de Luís Santos, Castelo Branco e José Constantino morreu

Eu estava a tornar tudo complicado.

A CDP morreu e as únicas pessoas interessadas na sua existência são as que lá estão.

Estas nem sequer representam nenhuma grande federação desportiva portanto o seu afastamento da realidade desportiva foi realizado pelos próprios que lá estão.

É necessário convencer o Estado que o dinheiro que é entregue à CDP é perdido para o desporto.

A função recreativa e as funções mais complexas que o associativismo não possui, não tem de ser 'pedidas' à CDP porque esta nunca as assumiu.

O COP pode avançar para novas medidas estruturas e funções de regulação privada sem negociar nada com a CDP.

A junção das duas instituições era apenas uma função de retórica que afinal pensando melhor não faz sentido, até porque as pessoas que estão na CDP não pescam absolutamente nada do que serão as novas funções necessárias ao associativismo português.

A CDP vai morrer por si própria se o Estado e as autarquias e as federações deixarem de financiar o CDP em critérios de amizade e de conveniência que não são públicos e aceites pela massa do associativismo desportivo.

A CDP de Luís Santos, Castelo Branco e José Constantino morreu.

Há que trabalhar o COP e com o COP, mesmo que ele não queira nem faça a mínima ideia do que faz e do que deverá fazer.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A junção das universidades Clássica e Técnica de Lisboa

Aqui, é noticiada no Sol a junção das duas universidades.

Com a nomeação de Nuno Crato para o Ministério da Educação e face aos trabalhos existentes entre as duas universidades a junção estará por pouco.

Será que o COP e a CDP já se reuniram?

As grandes federações concordam ou preferem não se incomodar?

Os elementos partidários nas direcções de todas as organizações do desporto já se pronunciaram sobre a hipótese da junção do COP e CDP ou é melhor não porque retiraria o emprego pago pelo Estado, a algumas pessoas?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Palavras de Vicente Moura em 2007

As frases, que estão aqui, falam por si:
(bold do autor do blogue)

"Outro resultado desse protocolo foi ter passado para o Comité Olímpico a responsabilidade de gestão do projecto, ou, por outras palavras: recebemos do IDP, com a mão esquerda, a verba de catorze milhões de euros, orçamentada para o projecto Pequim 2008, e com a mão direita entregamos essa verba às federações, mediante critérios definidos por nós. Acompanhamo-las depois e trabalhamos directamente com elas. Penso que se cumpriu com isto um slogan que é "menos Estado, melhor Estado!"."

VM confunde o facto de receber e entregar dinheiro com o aumento do produto que nesta altura esperava fosse muito significativa. Ver a frase seguinte:


"Nunca se obtiveram resultados sequer aproximados aos do ano passado,(em 2006) quer a nível continental, quer a nível mundial.
Já este ano (em 2007) Portugal está a progredir, com as federações e os técnicos a fazerem um belissimo trabalho.
Tenho também mencionado isto em diversas ocasiões: pela primeira vez temos onze atletas no nível de medalhados dum Projecto Olímpico, ou seja, temos onze atletas com possibilidades reais de ganhar medalhas nas proximas Olimpiadas!"


Depois continua com afirmações que se verificaram em Pequim em 2008 nunca se concretizarem:

"Em troca dos catorze milhões de Euros, escrevi uma carta, que está no IDP, a dizer que se dessem o apoio obteríamos quatro a cinco medalhas e sessenta e quatro pontos, quando nós nunca conseguimos ultrapassar os quarenta e quatro, quarenta e cinco.
Isto está escrito, o que significa que quando acabarem os Jogos Olimpicos alguem vai cobrar essa promessa…e eu próprio cobrarei a mim mesmo."
"Fiz esta promessa e responsabilizo-me por ela, porque realmente acredito que chegaremos lá, isto se não a ultrapassarmos."


 Mais à frente fala do que não sabe:

"Para já, eu apenas quero que o Estado perceba que somos capazes de fazer um trabalho bem feito, com rigor, e muito mais económico, porque o que estamos aqui a fazer com meia duzia de pessoas, teria que fazer o IDP com mais de quinhentas, e os gastos administrativos seriam muitissimo maiores."



Desconhece ou não equaciona a relevância do associativismo para a definição da prática desportiva da população na Europa:

"Apesar de estar a lutar por resultados nos próximos Jogos Olímpicos, se eu tivesse que escolher entre esses resultados ou ter 40% dos jovens Portugueses a praticar Desporto, eu escolheria perder a minha aposta em relação às medalhas. "



Palavras para quê?

"então eu disse que, como até tenho um inimigo de estimação, só para o aborrecer, vou ficar...
...porque a minha intenção real é retirar-me em março de 2009, depois dos Jogos Olímpicos.
O que vai acontecer é que, se for um fracasso, evidentemente isso vai-se cumprir, se não for, e só para irritar este meu inimigo, pode ser que fique..."

"Em Portugal diz-se: "Este ano vou ser campeão nacional, este ano vou ganhar as três taças..." - e depois não se ganha nada, e tudo fica como antes. O que eu estou a querer dizer é que, comigo, nada ficará como antes! Portanto, tem que começar a haver uma responsabilização, há que pagar o preço e eu estou disposto a pagá-lo. Digo mais: o Desporto, é, em Portugal, a única área que aumenta a auto-estima do povo, que nos junta a ouvir o Hino e a chorar a olhar para a Bandeira hasteada num mastro. Todos os outros sectores só nos dão vontade de emigrar para outro país, por isso temos que começar a tratar de nós próprios, temos que ter orgulho nas coisas que estamos a fazer, ou daqui a dez ou vinte anos estamos completamente dissolvidos na Europa!... "



Por fim surgem os Jogos Olímpicos em Portugal embrulhado num programa que só não diz quem o vai fazer, porque ele até já está feito e pensado:

"Acho que temos que arranjar um objectivo redundante, que junte à volta de uma mesa o Governo, as Autarquias, o Comité Olímpico, as Federações, as Empresas - e traçar um objectivo, um plano de desenvolvimente desportivo!
(a iniciativa) Tem que ser minha, sim.
Mas o que acontece é que o COP precisa que as pessoas estejam receptivas, não a uma hipotética candidatura, mas sim a estudar o problema, ver se é possivel e para quando, ou, se não fôr possivel, então não é, mas que se estude!"

(o governo) "Não está interessado. De facto, até reage mal quando eu falo desta matéria, porque deve pensar que a opinião pública vai achar que estou louco ao querer com isto e gastar 2 ou 3 mil milhões de euros, mas eu tenho isto tudo projectado e planeado.
Por exemplo, o Aeroporto da Portela vai sair dali, a área daria uma Aldeia Olímpica excepcional, porque tem uma auto-estrada, poderia construir-se uma estação de metro, espaços verdes, eu tenho tudo projectado já, mas de facto não é possível uma candidatura ter sucesso se não tiver o apoio unânime de todas as entidades públicas do país."


Ainda não conseguiu os Jogos Olímpicos de Portugal mas vai haver o Museu do Desporto.

terça-feira, 15 de março de 2011

O desporto, o Museu e a austeridade

O anúncio do Museu Olímpico pelo COP é uma situação estranha a que a sociedade portuguesa se habituou observar no desporto.

O Museu o Desporto é um objectivo que teve no desporto grandes dirigentes como Orlando Azinhais, ex-dirigente da ex-Direcção-Geral dos Desportos, e que o desporto durante os últimos trinta anos não resolveu.

Mais recentemente na década de 90 o projecto do COP terá crescido após a construção da sede à semelhança de outros comités olímpicos internacionais e nacionais cujo espólio olímpico era incontornável.

Este talvez o elemento interessante que é o facto dos resultados olímpicos do desporto português serem humildes longe de outros países e daí o Museu do Desporto nunca surtir efeito porque o esforço das políticas se centrava na produção e na ultrapassagem das dificuldades da produção desportiva e se compreendia que pouco haveria para mostrar ou ser difícil mostrá-lo.

Hoje, quando a negação da conquista das medalhas por Portugal é respeitada pela comunicação social, ver entrevista de Vicente Moura ao Record e à Antena Um, é que o COP vem dar o Museu como um facto a custar 4 milhões de euros.

Como se o número apresentado fosse sinónimo do valor ser cumprido e de não haver custos de oportunidade de necessidades dos atletas e do desporto protuguês, quando as crises do país são as maiores de muitas décadas e o desporto se dever preparar para cortes certos que irá sofrer nos próximos anos.

Já ninguém se lembrará das promessas do Euro 2004 que foram iguais a estas. O Estado não ia gastar nada, os clubes e o desporto iam ter cornucópias de infra-estruturas, as receitas cresceriam de forma nunca vista e o custo estimado ia ser financiado pelos patocinadores privados.


Um outro facto demonstra como o desporto trabalha por vezes não consolidando os esforços realizados.

Por um lado, a Câmara Municipal de Lisboa apreciou um modelo de Museu do Desporto a que deu a sua aprovação de princípio e que, por exemplo, José Manuel Constantino também teve conhecimento e elogiou no blogue Colectividade Desportiva.

Por outro lado, o Panathlon Clube de Lisboa alertou para a perda de espólio desportivo que poderia estar a acontecer no país chamando a atenção para medidas de salvaguarda descentralizadas com a actuação do associativismo desportivo e das autarquias locais.

O anúncio do COP parece não olhar para estes esforços de outrém no domínio da museologia desportiva e não terá tentado consolidar os esforços verificados, ou talvez tenha.


Afinal a Câmara Municipal de Lisboa que teria em mente criar o Museu do Desporto no Pavilhão Carlos Lopes é a instituição que dá os terrenos para o Museu Olímpico.

Talvez se possa compreender a actuação e as boas intenções da Câmara Municipal de Lisboa se se compreender que as cidades actuam como monopólios em competição diferenciando as suas ofertas e instalando capacidade excedentária para competir no mercado das cidades do mundo. Os dois museus são também um activo da cultura que aqui benefícia e beneficia-se do desporto.

Os dois museus, o do Desporto e o Olímpico, parecem ganhar uma lógica nova na perspectiva da qualificação da oferta cultural de Lisboa mas do ponto de vista do desporto haverá dúvidas que os dois sejam um benefício e não há garantias que a prazo não se transformem em novos desafios como já acontece com outras infra-estruturas desportivas por esse país fora.


Confuso e 'para o' deprimido?

Espere pelas cenas dos próximos capítulos.

domingo, 13 de março de 2011

Para que servirão o COP e a CDP juntos?

Há um fracasso da actuação separada do COP e CDP e que a junção COP/CDP exige áreas e funções tratadas de forma inovadora.

As áreas serão três:
1.      A regulação privada visando a maximização do produto desportivo 
a.       Informal, relações com o associativismo de base, as autarquias e as escolas
b.      Recreação, racionalidade dos campeonatos amadores
c.       Alto Rendimento e desporto profissional, actividades dos atletas, treinadores e outros especialistas, CAR's
2.      Arbitragem de conflitos e auditorias
a.       Informal e preventiva junto das federações
b.      Auditorias técnicas e financeiras
3.      Cultura e ciência olímpica e desportiva
a.       Museu Olímpico e o Desporto
b.      Ciência e investigação

Podem ser mais ou menos ou organizadas de forma distinta da apresentada atrás.
Relevante é a descentralização de funções do Estado, IDP e autarquias, para o associativismo e a capacidade de execução de funções de maximização do produto desportivo.
Para que esse objectivo se concretize há que observar novas funções do COP/CDP:
1.       Conceber e actuar mediante um plano de longo prazo a vários ciclos olímpicos;
a.       Negociar com o Estado os objectivos privados e os objectivos públicos;
b.      Negociar com o Estado as responsabilidades do financiamento público;
c.       Articular com as suas federações os objectivos desportivos, os custos, as perspectivas de receitas;
d.      Acompanhar a aplicação do programa pelas federações;
2.       Receber do Estado montantes plurianuais, geri-los de acordo com os compromissos assumidos e prestar contas quanto aos resultados desportivos e à aplicação das receitas;
3.       Avaliar e prestar contas aos patrocinadores dos resultados dos compromissos assumidos;

Estas áreas e funções devem ser desenvolvidas na perspectiva da descentralização de responsabilidades com o Estado.
As áreas e funções de actuação do Estado passariam a ser outras que já desenvolvi noutros lados e a que certamente voltarei.

Neste momento, o objecto do poste foi indicar soluções para o fracasso da actuação da regulação privada que se assiste com a separação entre COP e CDP.

sábado, 12 de março de 2011

Perguntas a Vicente Moura pela comunicação social

A entrevista à Antena 1 e Record decorre em bom ritmo e para além das perguntas feitas algumas mais poderiam ser feitas. Não seria nesta entrevista e aqui ficam questões adicionais:

- Quantas medalhas olímpicas é Portugal candidato em Londres 2012? Quantos lugares até ao 8.º lugar? Quantos lugares até ao 16º?

- Porque é que o futebol está a falhar e o que é que o o presidente do COP fez para corrigir o fracasso do futebol em 2008?

- O que é que pretendeu fazer no seu mandato depois de Pequim e o que é que conseguiu até agora 2011?

- O desporto não tem como refere mas o COP tem actualmente um programa de longo prazo?

- Quem é que deveria fazer o programa de longo prazo do desporto, que referiu a necessidade várias vezes?

- Como é que o COP trabalha sem um programa de longo prazo, considerando que a construção de um campeão é um trabalho de décadas?

- Era possível o COP arbitrar informalmente os lítígios do associativismo desportivo, mesmo sem haver a legislação que o Estado está a preparar?

- Quais as condições fundamentais para que as eleições do COP permitissem a eleição do melhor presidente do COP para o desporto português?

- Porque é que não promoveu a junção do COP e da CDP?

- Quem ou que factores impedem este projecto?

- Acha-o viável e útil para Portugal?

- Quais as suas relações e principais resultados com a Secretaria de Estado do Desporto? O que melhoraria nessas relações? O que é que acha que se deveria corrigir?

- Existe alguma condição que impessa a sua saída e exija a sua continuação por mais um mandato para 2017 à frente do COP?

Entrevista de Vicene Moura ao Record e Atena 1

Ver link: http://tv1.rtp.pt/noticias/?t=Entrevista-a-Vicente-Moura.rtp&article=421892&visual=16&layout=55&tm=67

sexta-feira, 11 de março de 2011

O cálculo económico do investimento num museu do desporto

Haverá dúvidas sobre a oportunidade da iniciativa do COP e também que existam investidores privados dispostos a trabalhar um projecto cuja rendibilidade não está demonstrada nem sequer se tentou no artigo do Expresso de hoje.


Linearmente aqui ficam alguns elementos que deveriam estar subjacentes à protecção da memória do desporto português, adequado ao momento difícil que o país atravessa.

Este é um exercício 'escolar' que poderia solicitar a apresentação da análise económica necessária para fundamentar a decisão pública sobre a realidade da museologia do desporto em Portugal e que maximizasse o bem-estar social e o produto olímpico.


1 - Face ao actual momento medidas cautelares seriam úteis. Portugal não tem tradição na promoção da história do seu desporto. Há memória do desporto, há cidadãos que dedicaram a sua vida ao desporto e famílias que guardam o espólio de familiares, há ideias e projectos. Desconhecesse a sua sustentação económica e principalmente o custo de oportunidade entre este investimento e as necessidades do olímpismo que deixam de ser realizados com esta aplicação.

2 - Houve três iniciativas: Sob a liderança de Maria Emília Azinhais o Panathlon Clube de Lisboa desenvolveu algumas ideias de protecção do espólio desportivo nacional existente desde o nível autárquico e do alertar para a perda irreparável, nada se fazendo. A Câmara Municipal de Lisboa parece querer transformar o Pavilhão Carlos Lopes num Museu do Desporto para o qual possuirá um conceito desportivo e histórico apelativo. O Museu Olímpico é um projecto antigo do COP e que agora parece avançar.

3 - O nosso desporto deveria equacionar se de facto existe dinheiro e procura para dois museus do desporto em Lisboa. Investir agora milhões de euros em projectos duplicados quando o dinheiro é escasso, quer para acudir aos erros do passado que para potenciar o futuro, pode ser um erro que irá acrescer exigências de financiamento ao futuro com a gestão de projectos que por mais tecnologicamente evoluídos que sejam não se conhecem estudos a suportar o esforço exigido.

4 - Para resolver da melhor forma este desafio economicamente colocam-se os seguintes pontos:

a - Analisar 4 alternativas museológicas a serem explicadas científica e tecnicamente nos domínios desportivo, da história, da filosofia, entre outros:
i - Um conceito museulógico para a CML;
ii - Um conceito museulógico para o COP;
iii - Um conceito museulógico e desportivo único agregando a iniciativa da CML e do COP;
iv - A hipótese de atrasar o projecto, não fazendo nenhum museu mas criando uma política activa de salvaguarda do espólio nacional de todo o desporto. Neste caso deveria ser explicitado quais as características do prazo necessário a que as condições do desporto e do país justificassem uma determinada solução museulógica.

b - Qual o custo de cada uma das alternativas desde o investimento, à gestão durante o período de pagamento do investimento realizado. A procura pela museologia do desporto e o desenvolvimento de áreas adicionais como a investigação histórica são apontamentos de avaliação dos custos e das receitas .

c - Estudo de questões adicionais como as soluções de direito de propriedade e de gestão das quatro soluções por uma ou mais do que uma organizações privadas e da expectativa do envolvimento do Estado na sua dimensão Central e Local estendendo-se não só a Lisboa mas a todo o país como uma rede de interessados sem o qual alguns espólios locais correrão o risco de desaparecer.

d - Avaliação económica custo-benefício dos impactos das quatro alternativas, da criação de postos de trabalho, e dos custos de oportunidade face a necessidades alternativas que se deixariam de realizar.

Estes pontos parecem demasiados, mas são possíveis de fazer desde que se queira fazer e impossíveis de fazer se se acredita que nada adianta.


Nota final, de um processo que exige um trabalho de grande fôlego:

A agregação do COP e da CDP seria um contributo que daria outra dimensão e legitimidade às pretensões amplas do associativismo desportivo no domínio da museologia.