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quarta-feira, 6 de julho de 2011

O Museu do Desporto do Comandante Vicente Moura

Depois do Secretário de Estado do Desporto Alexandre Mestre ter referido na posse dos corpos directivos da CDP que se vivem tempos de austeridade o Comandante Vicente Moura procura o comprometimento do Ministro do Desporto Miguel Relvas com o seu Museu do Desporto.

Ver o site do COP aqui.

Não há razão plausível para que o Presidente do COP não se recandidate a novo mandato de 2013 a 2017.

O governo e os portugueses só vão ter boas notícias deste modelo de desenvolvimento desportivo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

O que o desporto devia fazer bem

A produção de desporto, consideremos hipoteticamente para 80% da população portuguesa, tem de ser o objectivo para o desenvolvimento desportivo sustentado de Portugal.

Para que este objectivo seja alcançado há que definir um prazo de realização e as taxas de crescimento faseadas.

Por exemplo, o Reino Unido tem desde há décadas planos decenais para o seu desenvolvimento desportivo sustentado os quais foram realizados mesmo durante os períodos de liberalização como durante a Sra. Tatcher quando foram iniciados os contratos de privatização de serviços desportivos autárquicos denominados 'sport competitive tenders'.

Recorde-se que foi neste período que o Reino Unido passou pela vergonha do Heisel Park em que morreram dezenas de italianos e que houve um corte radical com as claques no Reino Unido.

A produção de desporto é o que o desporto português deveria fazer bem feito porque é aquilo que se relaciona com o seu 'saber fazer'.

Falar de investimento em museus, no actual momento de crise nacional acentuada, só se concebe pelo desconhecimento do custo da actividade para os consumidores e das barreiras que existem para o usufruto do bem-estar através do desporto.

Tanto o tecido associativo, como o tecido empresarial do desporto necessitam de programas de longo prazo para aumentarem a sua produção desportiva respondendo à predisposição de consumo de segmentos da população diferenciados que existem desde os carenciados até aos cidadãos com maior literacia e riqueza.

A definição de um museu olímpico como meta imediata representa tanto como o apoio público anual à prática dos atletas de alto rendimento e isso acontece pela ausência de uma estratégia que definindo com clareza a filosofia de um museu nacional olímpico e desportivo defina igualmente o prazo e as condições da sua realização.

O desporto não pode estar ligado ao que certos líderes do desporto habituaram o país.

Tenho apresentado exemplos mostrando que o país está farto das loucuras do desporto porque está a relegar o desporto nas hipóteses nacionais de financiamento e de desenvolvimento.

A produção de prática desportiva é o produto por excelência que o desporto pode oferecer à sociedade mesmo que actualmente tenha dificuldades nalguns segmentos de mercado do desporto.

É precisamente essa clarificação sobre os desafios da produção desportiva que deve incidir a promoção do desporto como sector da actividade nacional com objectivos claros de alcançar níveis de competitividade e produtividade com impactos positivos no desenvolvimento nacional.

Em síntese justifica-se:

1 - Estabelecer as características e as dimensões dos segmentos de produção desportiva, privados e públicos;

1.1 - Identificar os níveis de produção do tecido associativo e do empresarial;

1.2 - Indicar as falhas do mercado privado e as características e níveis de produção pública;

2 - Redefinir os direitos de propriedade das federações e dos agentes privados e promover esses direitos de acordo com princípios de eficiência económica.


Estes dois pontos ajudarão a esclarecer a forma do desporto passar de 45% para níveis superiores de consumo desportivo nacional.

Será o dar 'o seu, a seu dono', o que actualmente nem sempre está esclarecido como é o caso da crise das associações de futebol.


Uma questão interessante será fazer ao contrário do que faz o legislador desportivo português e em vez de esmiuçar as suas responsabilidades públicas, dar-lhes direitos de propriedade privados, como diria Coase, sobre o seu produto material e o intangível, defendê-los dos custos de transacção exorbitantes e ser severo na aplicação da lei geral, muito próxima da lei que se aplica às empresas de outros sectores.


Com estes pequenos passos será possível transformar e tornar mais eficiente economicamente a produção de desporto em Portugal.

Este será o passo para o desporto beneficiar mais das medidas de combate à crise que a curto prazo se abaterão sobre o desporto e que projectos como o do museu olímpico irá ser muito mais prejudicial para o desporto e os seus agentes.

terça-feira, 15 de março de 2011

O desporto, o Museu e a austeridade

O anúncio do Museu Olímpico pelo COP é uma situação estranha a que a sociedade portuguesa se habituou observar no desporto.

O Museu o Desporto é um objectivo que teve no desporto grandes dirigentes como Orlando Azinhais, ex-dirigente da ex-Direcção-Geral dos Desportos, e que o desporto durante os últimos trinta anos não resolveu.

Mais recentemente na década de 90 o projecto do COP terá crescido após a construção da sede à semelhança de outros comités olímpicos internacionais e nacionais cujo espólio olímpico era incontornável.

Este talvez o elemento interessante que é o facto dos resultados olímpicos do desporto português serem humildes longe de outros países e daí o Museu do Desporto nunca surtir efeito porque o esforço das políticas se centrava na produção e na ultrapassagem das dificuldades da produção desportiva e se compreendia que pouco haveria para mostrar ou ser difícil mostrá-lo.

Hoje, quando a negação da conquista das medalhas por Portugal é respeitada pela comunicação social, ver entrevista de Vicente Moura ao Record e à Antena Um, é que o COP vem dar o Museu como um facto a custar 4 milhões de euros.

Como se o número apresentado fosse sinónimo do valor ser cumprido e de não haver custos de oportunidade de necessidades dos atletas e do desporto protuguês, quando as crises do país são as maiores de muitas décadas e o desporto se dever preparar para cortes certos que irá sofrer nos próximos anos.

Já ninguém se lembrará das promessas do Euro 2004 que foram iguais a estas. O Estado não ia gastar nada, os clubes e o desporto iam ter cornucópias de infra-estruturas, as receitas cresceriam de forma nunca vista e o custo estimado ia ser financiado pelos patocinadores privados.


Um outro facto demonstra como o desporto trabalha por vezes não consolidando os esforços realizados.

Por um lado, a Câmara Municipal de Lisboa apreciou um modelo de Museu do Desporto a que deu a sua aprovação de princípio e que, por exemplo, José Manuel Constantino também teve conhecimento e elogiou no blogue Colectividade Desportiva.

Por outro lado, o Panathlon Clube de Lisboa alertou para a perda de espólio desportivo que poderia estar a acontecer no país chamando a atenção para medidas de salvaguarda descentralizadas com a actuação do associativismo desportivo e das autarquias locais.

O anúncio do COP parece não olhar para estes esforços de outrém no domínio da museologia desportiva e não terá tentado consolidar os esforços verificados, ou talvez tenha.


Afinal a Câmara Municipal de Lisboa que teria em mente criar o Museu do Desporto no Pavilhão Carlos Lopes é a instituição que dá os terrenos para o Museu Olímpico.

Talvez se possa compreender a actuação e as boas intenções da Câmara Municipal de Lisboa se se compreender que as cidades actuam como monopólios em competição diferenciando as suas ofertas e instalando capacidade excedentária para competir no mercado das cidades do mundo. Os dois museus são também um activo da cultura que aqui benefícia e beneficia-se do desporto.

Os dois museus, o do Desporto e o Olímpico, parecem ganhar uma lógica nova na perspectiva da qualificação da oferta cultural de Lisboa mas do ponto de vista do desporto haverá dúvidas que os dois sejam um benefício e não há garantias que a prazo não se transformem em novos desafios como já acontece com outras infra-estruturas desportivas por esse país fora.


Confuso e 'para o' deprimido?

Espere pelas cenas dos próximos capítulos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

O cálculo económico do investimento num museu do desporto

Haverá dúvidas sobre a oportunidade da iniciativa do COP e também que existam investidores privados dispostos a trabalhar um projecto cuja rendibilidade não está demonstrada nem sequer se tentou no artigo do Expresso de hoje.


Linearmente aqui ficam alguns elementos que deveriam estar subjacentes à protecção da memória do desporto português, adequado ao momento difícil que o país atravessa.

Este é um exercício 'escolar' que poderia solicitar a apresentação da análise económica necessária para fundamentar a decisão pública sobre a realidade da museologia do desporto em Portugal e que maximizasse o bem-estar social e o produto olímpico.


1 - Face ao actual momento medidas cautelares seriam úteis. Portugal não tem tradição na promoção da história do seu desporto. Há memória do desporto, há cidadãos que dedicaram a sua vida ao desporto e famílias que guardam o espólio de familiares, há ideias e projectos. Desconhecesse a sua sustentação económica e principalmente o custo de oportunidade entre este investimento e as necessidades do olímpismo que deixam de ser realizados com esta aplicação.

2 - Houve três iniciativas: Sob a liderança de Maria Emília Azinhais o Panathlon Clube de Lisboa desenvolveu algumas ideias de protecção do espólio desportivo nacional existente desde o nível autárquico e do alertar para a perda irreparável, nada se fazendo. A Câmara Municipal de Lisboa parece querer transformar o Pavilhão Carlos Lopes num Museu do Desporto para o qual possuirá um conceito desportivo e histórico apelativo. O Museu Olímpico é um projecto antigo do COP e que agora parece avançar.

3 - O nosso desporto deveria equacionar se de facto existe dinheiro e procura para dois museus do desporto em Lisboa. Investir agora milhões de euros em projectos duplicados quando o dinheiro é escasso, quer para acudir aos erros do passado que para potenciar o futuro, pode ser um erro que irá acrescer exigências de financiamento ao futuro com a gestão de projectos que por mais tecnologicamente evoluídos que sejam não se conhecem estudos a suportar o esforço exigido.

4 - Para resolver da melhor forma este desafio economicamente colocam-se os seguintes pontos:

a - Analisar 4 alternativas museológicas a serem explicadas científica e tecnicamente nos domínios desportivo, da história, da filosofia, entre outros:
i - Um conceito museulógico para a CML;
ii - Um conceito museulógico para o COP;
iii - Um conceito museulógico e desportivo único agregando a iniciativa da CML e do COP;
iv - A hipótese de atrasar o projecto, não fazendo nenhum museu mas criando uma política activa de salvaguarda do espólio nacional de todo o desporto. Neste caso deveria ser explicitado quais as características do prazo necessário a que as condições do desporto e do país justificassem uma determinada solução museulógica.

b - Qual o custo de cada uma das alternativas desde o investimento, à gestão durante o período de pagamento do investimento realizado. A procura pela museologia do desporto e o desenvolvimento de áreas adicionais como a investigação histórica são apontamentos de avaliação dos custos e das receitas .

c - Estudo de questões adicionais como as soluções de direito de propriedade e de gestão das quatro soluções por uma ou mais do que uma organizações privadas e da expectativa do envolvimento do Estado na sua dimensão Central e Local estendendo-se não só a Lisboa mas a todo o país como uma rede de interessados sem o qual alguns espólios locais correrão o risco de desaparecer.

d - Avaliação económica custo-benefício dos impactos das quatro alternativas, da criação de postos de trabalho, e dos custos de oportunidade face a necessidades alternativas que se deixariam de realizar.

Estes pontos parecem demasiados, mas são possíveis de fazer desde que se queira fazer e impossíveis de fazer se se acredita que nada adianta.


Nota final, de um processo que exige um trabalho de grande fôlego:

A agregação do COP e da CDP seria um contributo que daria outra dimensão e legitimidade às pretensões amplas do associativismo desportivo no domínio da museologia.