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sábado, 13 de agosto de 2011

Para quem nos quer convencer de que no desporto tudo está bem

Os reis vão nus, diz Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios, aqui.


Alguma, muita nata da alta finança nacional está falida, como tantas outras coisas deste país.

O desporto português não é uma ilha, porque também sofre dos mesmos males.

O que acontece no desporto é que não existem estatísticas e análises e nada se sabe, mas pressente-se.

Aqui ficam estratos do artigo de Pedro Santos Guerreiro:

"O mundo não se divide hoje entre ricos e pobres, mas entre os que têm capital e dívidas. Portugal tem dívidas. Os seus banqueiros, empresários, cidadãos têm dívidas. E quando chegar a liquidação, liquidação será.
...
Esta lista (da revista Exame) dos mais ricos de Portugal é um monumento à decadência do capitalismo português. Ao listar apenas o património, mede-se a opulência. Ao ignorar as dívidas, ocultam-se os caídos. Metade dos magníficos empresários Dr. Jekyll transformam-se à noite em endividados Mr. Hyde. Só não estão executados porque em Portugal há muito respeitinho - e porque uma dívida grande não é um problema do devedor, é um problema do credor.

A semente da destruição está numa elite capitalista sem capital. Em parte porque foi expropriada em 1975 com fracas indemnizações depois. Noutra parte, porque foi recebendo dividendos na Suíça e distribuindo pelas famílias. Depois, porque nunca quis abdicar do controlo de 10 em vez de partilhar 100 (o medo de ter sócios..., sobretudo se forem - credo! - estrangeiros). E finalmente: porque há muitas empresas grandes mal geridas.

Esta estrutura empresarial está a ruir, 4% ao dia, na bolsa. A falta de capital, as cascatas de dívida, os dividendos não suportam um problema: a desvalorização dos colaterais. As acções são hoje casas decimais do que eram quando foram dadas como contrapartidas de dívidas. O caso mais famoso é o dos accionistas do BCP, num processo que foi aqui muitas vezes denunciado: o patrocínio da Caixa e do próprio BCP a uma guerra sem quartel, financiando guerreiros e guerrilheiros contra acções que não valiam o que cotavam. Os activos desvalorizam, os passivos ficaram. Agora, quem paga?

Joe Berardo, Teixeira Duarte, Manuel Fino... Os "donos" do BCP estão nas mãos dos bancos, que estão com as mãos na cabeça. Mas há mais. As dívidas da Impresa, da Ongoing, da Zon, da Brisa, das construtoras, das imobiliárias, tudo isto são dívidas também dos seus accionistas. Como o Estado: prepara-se para vender o controlo da EDP sem prémio de controlo.
...
Não estão todos assim. Amorim está mais rico que nunca depois de ter encontrado petróleo. Soares dos Santos está mais rico que nunca depois de ter criado o seu próprio petróleo na Polónia. Queiroz Pereira, que não foi em loucuras e teve os apoios certos dos Governos, prepara-se para mobilizar centenas de milhões para comprar parte da Secil (ou para disputar parte da Cimpor?). São excepções.

O cerco é financeiro. A venda de activos será acelerada e o Governo já escolheu os predilectos: alemães e franceses, talvez brasileiros e angolanos. Que venham por bem, não para desmantelar, mas para investir e gerir bem. Se assim for, que venham eles. Viva o Verão, viva este Verão, este Verão de ilusão."


Há uma pequenina diferença para o desporto.

PSG diz que o cerco é financeiro e que os predilectos do Governo são alemães e franceses, talvez brasileiros e angolanos, se vierem por bem. PSG sabe que que a finança nunca vem pelo bem dos outros.
Ficar-lhe-á bem deixar uma réstea de esperança.

A pequenina diferença para o desporto é que o passivo acumulado não tem comprador.

Primeiro - Há coisas que não têm verdadeiramente valor no mercado privado e ninguém as vai comprar porque o associativismo desportivo é composto maioritariamente por bens públicos e de mérito e não bens privados.

Segundo - O passivo acumulado não tem rendibilidade financeira. O que existe é óptimo a dar resultados com financiamentos públicos. O que se coomeça a sentir é que estes financiamentos públicos entram desavergonhadamente pelos bolsos de quem não tem nada a ver com as negociatas desportivas que se fazem com o dinheiro da população.

Mesmo quendo uma empresa municipal paga milhares de euros ao administrador do estádio que o mantém durante anos e anos sem geração de rendimentos adicionais, a origem do dinheiro do seu salário é a população que paga a incompetência não só da concepção económica da infra-estrutura desportiva como do processo de gestão equacionado.

Alguém acredita em PSG que os ricos estão falidos e também acredita, como dizem os anónimos do Colectividade Desportiva, que os últimos anos foi tudo uma maravilha no desporto português?

Na finança a solução é vender a estrangeiros.

E no desporto como vai ser?

sábado, 9 de julho de 2011

A raposa no galinheiro?

João Bibe, segundo dizem assessor na Secretaria de Estado do Desporto, tem uma terceira viagem ao mundo do Desporto:
  1. na sociedade, criada pelo Estado que acompanhou a aplicação dos meios públicos ao Euro 2004, e que foi liderada pelo ex-Secretário de Estado do Desporto Vasco Lynce de Faria, como especialista do ministério das Finanças
  2. como estrela financeira da liderança de Luís Sardinha, estando pouco tempo e saindo por razões que na altura não foram elogiosas como são muitas das saídas de todo o sítio
  3. adjunto ou assessor de Alexandre Mestre, passando a acompanhar superiormente a saída de Luís Sardinha
A presença de João Bibe parte do pressuposto tradicional que o desporto é uma caixa multibanco e o que se precisa é da mão forte e directa de funcionários superiores das finanças, dada a má reputação e as questões de corrupção que vão surgindo que os políticos não resolvem e os tribunais limpam parcimoniosamente.



Se me for permitida uma opinião o problema dos funcionários das finanças nos organismos é o do risco moral.
O exemplo clássico do risco moral é o da pessoa que faz um seguro de saúde e depois corre demasiado e tem um enfarte. O risco moral é a da alteração de comportamento de diligência para fazer as coisas.

No Euro2004 com um fiscal das finanças a controlar as contas deixou de se fazer a avaliação dos estádios para além da despesa pública e do impacto estrito em 2004 o que resultou por exemplo à criação de empresas municipais gastadoras do erário público e incompetentes desportivamente para gerir patrimónios desajustados das estrutura produtiva instalada no terreno.

Há informação económica incompleta no desporto e a generalidade das decisões tomadas no desporto e sobre o desporto procuram soluções de senso comum ou importada por especialistas particulares, como os das finanças, mas que não focam as características peculiares do desporto.

No seio da União Europeia as características peculiares do desporto têm feito o seu caminho com um debate aceso sobre o que é e o que não é desporto dentro dos princípios europeus.

Para as finanças colocar um técnico noutro sector é um investimento porque existe sempre por parte das finanças o problema da informação assimétrica entre o comprador e o vendedor.

É o caso do mercado dos limões. O mercado dos carros em segunda mão tende a ser dominado pela estrutura de informação existente e se por exemplo não houver fiscalizações periódicas os vendedores vão saber mais do que os compradores sobre a qualidade dos carros e os carros em piores condições poderão ser vendidos por preços mais elevados dificultando a venda de bons carros pelo seu preço correcto.

Colocar técnicos nos sectores permite às finanças saber como aplicar bem as suas medidas que não são as mesmas preocupações de eficiência de mercado dos líderes do desporto.

O fiscal das finanças sabe exactamente tudo o que deve ser feito de acordo com a lei para aplicar bem a lei do orçamento e tantas outras, mas não sabe como é que se produz actividade desportiva para um jovem ou um idoso.

O Euro 2004 é mais uma vez um exemplo útil. Foram feitos 10 estádios e muitos de 30.000 lugares porque a UEFA exigia e o Estado se tinha comprometido e as Finanças comprometeram-se com esse programa.

Houve falta de debate frio, democrático e competente sobre o interesse do desporto nacional e se não era melhor Benfica e Sporting e Porto e Boavista jogarem juntos ou se os estádios de 30.000 lugares não podia ter apenas 15 mil lugares e outros tantos amovíveis a desmontar depois do evento.

Este é o tipo de debate sobre o interesse desportivo e sobre o produto desportivo que o desporto não assume e embarca em todo o projecto nacional chame-se Euro2004 ou programa de austeridade da troika.

João Bibe tem uma terceira hipótese eventualmente para corrigir para si ou para terceiros a má imagem deixada na segunda passagem.

Para o desporto poderá ser um novo dar de informação às Finanças e um adiar de criação de um projecto de desenvolvimento desportivo.

O programa do PSD/CDS começa a tomar forma não sendo relevante, agora para as medidas de austeridade, as peculiaridades do desporto e um tratamento adequado sobre onde e como trabalhar para o século XXI.

Com o técnico das Finanças o risco moral vem da parte dos políticos que os nomeiam porque pensam que com funcionários das Finanças o comportamento das outras variáveis como as do óptimo desportivo funciona no melhor dos mundos.

Este pensamento é equivalente àquele do político que usa o direito do desporto para criar um mundo ideal contra os mouros e os corruptos das federações e dos clubes. Depois quando há estatísticas do desporto observa-se que o produto desportivo se mantém insuficiente e na cauda da Europa.

Não se trata de felicitar e de dar os parabéns e de boa sorte a ninguém Caso os objectivos das finanças sejam cumpridos e os do desporto protelados haverá um passivo que se arrastou para o futuro por exemplo o da população que deveria ter consumido mais desporto e não o fez. As finanças irão pagar mais dinheiro na saúde e na segurança social. Mas também isso pode não ser uma perda assumida pelas finanças. Pelo menos será dificil demonstrá-lo porque não vai haver técnicos do desporto a explicarem isso às finanças e depois poderá haver políticos que digam que haverá uma parceria público privada para resolver esse aumento de despesa na saúde.

Fica claro que afinal o modelo do PS é seguido pelo PSD/CDS com a particularidade destes dois último não terem percebido o que se passou há alguns anos atrás nas contas do desporto.

Outra solução que o PSD/CDS poderá repetir é a externalização de serviços como já fez o PS há poucos anos e não ter havido consequências mas ter havido fortes pagamentos dos escassos orçamentos do IDP.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Respeitar o valor de cada euro

A importância dos pequenos gestos é relevante quando está instalada uma cultura de não fazer contas, ou de não ter projectos de acordo com os limites que se dispõe.

Quando se aplica como critério o simbolismo dos 'pequenos gestos', por exemplo, a compra de dezenas de computadores passa a ser feita de forma mais criteriosa.

Na verdade face às condições do país dezenas de milhares de euros de despesa são úteis para sectores que necessitam deles imensamente.

O caso dos computadores é interessante porque é possível melhorar a performance dos computadores velhos a ponto de os deixar com performances equivalentes a computadores mais novos.

Tendo bons informáticos é possível corrigir e adequar as muitas funções que os novos computadores têm e que na realidade são escusadas para a maior parte das aplicações feitas pelos funcionários públicos.

Haverá uma minoria de funcionários públicos com graus de exigência superior nas suas funções profissionais e de responsabilidade administrativa que justificam maiores performances e mesmo aí é possível trabalhar.

O mesmo se aplica aos centros de alto rendimento como parece ser o caso do surf em que estão previstos muitos e cujos custos se não avaliaram.

Quem assistiu ao cavalgar do endividamento do país e do garrote que agora todos passamos a ter, rapidamente conclui a importância dos 'pequenos gestos'.

Caso os 'pequenos gestos' sejam desvalorizados pelos opinion makers e tocarem a opinião pública ninguém se vai admirar se um dia o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho anunciar todos os dias um novo PEC.

Segundo João Duque até Maio o governo de José Sócrates endividou-se em mais de dez mil milhões de euros quando o valor do endividamento para todo o ano autorizado pela Assembleia da República era de 12 mil milhões de euros.

Num pequeno serviço público a decisão de comprar 150 computadores por algumas dezenas de milhares de euros é irrisória perante o que o governo fez e, no entanto, são os pequenos gestos os mais relevantes e que serão capazes de levar o país a respeitar cada euro gasto e não contribuir para a bancarrota do país.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

É o Presidente do ACP que sugere que o desporto dá lucro ao Estado

Carlos Barbosa no Público diz que o Rally de Portugal gera 90 milhões de euros, o que significa que as Finanças arrecadam com 23% de imposto mais de 15 milhões de euros. Por este andar ao exigir 3 milhões para segurança o ACP leva as Finanças à ruína.

Os números do ACP até poderão estar inflaccionados mas o que importa realçar é que a sua equação é verdadeira e ao desporto falta a adequação da política fiscal como já sugeri aqui .

Ler o documento SEC(2011) 68 final, denominado "Desenvolver a dimensão europeia do desporto" observam-se as múltiplas funções que a Europa espera o desporto desenvolva.

Para as Finanças portuguesas o importante é a sua receita fiscal no desconhecimento do impacto material e intangível do desporto que a União Europeia preconiza aumentar ainda mais.