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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Os Estádios do Euro 2004

A notícia do JN atrás referida tem três aspectos a considerar:

  1. O custo dos estádios
  2. O custo agregado, público e privado, que se obtém com a consulta dos relatórios do Tribunal de Contas
  3. A programação desportiva e a procura actual destas infraestruturas
O estádio de Braga é interessante porque tem associado um projecto de arquitectura de excelência, embora faltem custos que a situação da Câmara de Braga tenda a minorar. De qualquer forma o sucesso desportivo do Braga ajuda a pagar a factura o que não tem sido conseguido nos restantes pequenos palcos do Euro2004.
O de Guimarães que o artigo não refere porque não foi feita uma obra de raiz.

O programa do governo propõe a realização de eventos para gerar activos para o Turismo

Este artigo do JN alerta para a importância do governo fazer o que nunca se fez desde que com o Mundial de Juniores de 1991 se prometeu que é Portugal ter um programa de eventos articulando os benefícios de sectores como o Turismo com os custos dos investimentos desportivos que não têm de ser assumidos pelo desporto, principalmente quando as exigências das federações internacionais para a venda do megaevento se relacionam com características acima das condições desportivas nacionais.

A pista de canoagem de Montemor-o-Velho

O artigo do DN que ocupa as duas páginas centrais foca as seguintes questões:

  1. faz a cronologia do projecto e descreve a sua inserção na região de Montemor-o-Velho 
  2. refere o nome dos atletas como Beatriz Gomes, Fernando Pimenta, Teresa Portela e João Ribeiro
  3. descreve o projecto escolar associado ao alto rendimento
  4. diz vários custos do projecto
  5. refere que existem quatro federações associadas ao projecto a natação de águas profundas, o triatlo, a canoagem e remo
  6. Fala sobre os responsáveis do projecto o presidente da câmara, o presidente da canoagem e os outros, o treinador e o coordenador do projecto educativo de "excelência"
É uma boa peça jornalística sobre a canoagem e que raramente se observa noutras modalidades.

Este poderá ser um exemplo daquilo que o programa do governo refere como uma nova relação entre a comunicação social e o desporto

Estádios do Euro 2004 custam 55 mil euros/dia às câmaras municipais

No tícia do Jornal de Notícias, ver aqui.

Onde nascem e treinam os campeões, canoagem, Mondego

O Diário de Notícias tem aqui a indicação de uma notícia sobre a infra-estrutura da canoagem e remo em Montemor o Velho.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ainda os estádios do Euro2004

A questão do investimento em infra-estruturas é um dos fracassos fundamentais da política desportiva vigente porque é um dos pilares das desconformidades desportivas nacionais.

Isto não tem a ver apenas com o PS porque veja-se que o PSD não tem um modelo alternativo e não conseguiu na primeira metade da década passada criar elementos racionalizadores do modelo na área das infra-estruturas. Aliás as mesmas pessoas, o mesmo conceito, as estruturas do costume passam pelas décadas fora sem o mínimo pestanejar às contradições que se avolumam.

Agora é Estela Barbot, aqui, que refere que 'não foi agora que o Estado Social foi posto em causa. Foram as pessoas que resolveram fazer estádios de futebol - dez quando chegavam oito - e tantas autoestradas. ... era melhor com esse dinheiro fazer um hospital novo, dar pensões dignas aos reformados'

A falência do Estado português aguça a crítica social social ao desporto e desde há muito os estádios constituem o exemplo acabado do despesismo e do inaceitável.

O exemplo clássico da economia é o Presidente da Câmara que decide fazer uma ponte no meio do deserto. Dá o investimento a um empreiteiro que emprega umas dezenas de pessoas durante uns meses, faz uma inauguração de estadão e depois a ponte fica às moscas porque não é necessária económica e socialmente.

O empreiteiro ganhou dinheiro, o banco movimentou capitais e ganhou juros do empréstimo, o presidente da câmara subiu no partido, houve pessoas que estiveram empregadas durante alguns meses e a população local paga impostos mais caros para pagar o investimento, o serviço da dívida e a manutenção de uma coisa que não serve de nada. No concelho vizinho outro autarca investe na criação de uma indústria e de postos de trabalho e todos os meses a autarquia exporta milhões com a nova infra-estrutura.

Este é o exemplo simples de investir dinheiros públicos para perder dinheiro e futuro e o investimento para o desenvolvimento sustentado.

O modelo actual do desporto português não sabe duas coisas:
  1. O que é o Estado Social no desporto;
  2. O que é fazer investimentos públicos que beneficiem o Estado Social no desporto.
O desporto não está preparado para os tempos muito difíceis que aí vêm e que vão ser muito violentos como assegura a consultora do FMI Estela Barbot.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

As infra-estruturas desportivas de Matosinhos

Aqui, descreve-se que a Câmara de Matosinhos aprovou a aquisição, a prestações, dos estádios do Leça e Leixões.

A comunicação social também anuncia a venda de três jogadores jovens do Leixões ao Benfica.

A história tem todos os ingredientes para deixar o Pacheco Pereira 'aos berros'. Evidentemente que o PP 'aos berros' é uma contradição nos termos.

O facto de Narciso Miranda ter votado contra e Guilherme Aguiar a favor são elementos de enriquecedores do processo.

Vejamos muito sucintamente alguns elementos:
  1. Há muitos clubes falidos e os seus líderes nada fazem;
  2. As estruturas do futebol não resolvem estes problemas que decorrem há muito tempo;
  3. Os estádios e espaços de prática são apetecíveis para os empresários do imobiliário por estarem no centro das cidades e terem um valor patrimonial significativo;
  4. As instalações desportivas são um capital público que pertence às respectivas populações e não é curial que os políticos locais ou centrais não criem condições para a manutenção desses espaços como capital público; 
  5. No passado quando as câmaras permitiam ao clube vender os espaços directamente aos empresários do imobiliário;
  6. A Câmara vai comprar a prestações o que é muito estranho no período de crise que atravessamos e face à enorme dívida que a Câmara de Matosinhos já tem;
  7. Haverá a possibilidade daqueles terrenos valerem mais do que o preço da compra?
  8. Na Europa esta venda de espaço desportivo para o imobiliário é proibido pelos lucros imorais que geram em benefício de um conjunto de pessoas e à custa do património público;
  9. À partida a Câmara de Matosinhos irá pagar um preço razoável, mas não se conhece quem avaliou o preço...
Um caso a acompanhar tanto na perspectiva da falência dos clubes envolvidos, da situação da Câmara de Matosinhos e do destino do património desportivo pertencente à população de Matosinhos.