quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ainda as estatísticas e auditorias por Soares dos Santos, dono do Pingo Doce, na SIC

Como tenho defendido a necessidade do desporto ter estatísticas aqui fica a posição do empresário:

"Há quem diga que não se pode fazer fazer auditorias por causa dos ratings.

Os portugueses não têm o direito de saber como estão as suas contas!?

Isto é crime!"


Há quem consiga dizer, sem lhe caírem os dentes, que o desporto é diferente ou de passar os anos sem meter fora da gaveta um único número desportivo e fartar-se de dizer que o Estado Isto e aquilo e mais financiamento e estatísticas da produção de desporto nem sombras.

Pelos vistos há quem sugira haver crime ...

A dimensão da crise é um iceberg

Diz Soares dos Santos, dono do Pingo Doce, ao Negócios da Semana, da SIC, que 1% do Pingo Doce está penhorado pelos funcionários superendividados que os tribunais exigem à empresa que retenha à cabeça 30% dos salários.


Que desporto praticarão estas pessoas com o salário cativado?

Estas pessoas e as suas famílias terão direito ao desporto?

Há dinheiro para estas pessoas praticarem desporto ou deverão também cortar na despesa desportiva?

Quanto é o custo de dar actividades desportivas a estas pessoas?

Qual é o custo de não dar desporto a estas pessoas?

Qual é a diferença entre dar e não dar desporto às famílias de carenciados?

Começa a ser recorrente

Desta vez foi Alexandre Soares dos Santos ao programa Negócios da Semana da SIC.

Disse que devia haver quem no PS assumisse a nova face para o futuro.

Face às exigências do país alguém deverá sacrificar-se.

Indicou José Vitorino.

(Há quem indique José Seguro ou quem refira Francisco Assis.)


Num ponto é peremptório: José Sócrates deveria ter coragem de dizer: vou-me embora já!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O cluster da cultura e do desporto

A imagem do desporto é péssima e isso observa-se na crispação que se observa em agentes culturais quando falam de desporto subentendendo o exemplo do futebol.
O que não quer dizer que agentes culturais se furtem aos aspectos mais característicos do futebol, em versão cor-de-rosa ou de ‘soap-opera’ como o realizador José Pedro Vasconcelos.
Economicamente a cultura e o desporto são bens de características de mérito e públicas, produzem resultados semelhantes como os co-produtos e as externalidades, sendo praticados pelos jovens e ao longo da vida de toda a população. No extremo oposto ambos atingem níveis de excelência globais como Portugal demonstrou saber fazer.
Contudo, na cultura não existem federações porque não há direitos de propriedade embora os agrupamentos culturais beneficiem de áreas de influência de monopólio como qualquer clube desportivo.
Há vantagens na criação de um cluster direccionado simultaneamente para os consumos culturais e desportivos de toda a população, assim como, para a identificação da excelência que promove globalmente e galvaniza o país.

Dizem os economistas europeus e investigadores da área da saúde de todo o mundo que um euro investido no desporto pelo Governo e por cada um de nós gera dois euros em benefícios directos e indirectos.
No caso das Finanças em Portugal estas recebem pelo menos 224 milhões de euros de impostos com a actividade desportiva e financiam através da administração central o desporto em cerca de 80 milhões.
Os benefícios do Estado são ainda maiores porque o corte nas despesas de saúde pela prática desportiva, a recuperação mais rápida na doença, o menor número de mortes prematuras, o menor número de ausências ao trabalho por doença, a maior produtividade no trabalho são centenas de milhões de euros adicionais e não contabilizados.

Há espaço para o maior investimento público em desporto, nomeadamente na sua base, que gerará impostos adicionais provenientes da nova actividade das famílias e do envolvimento das empresas.

Ao contrário do desporto a cultura desenvolveu vários instrumentos que lhe permitiram criar um ministério e conceber programas de desenvolvimento.

A situação de crise do país abre a oportunidade a soluções inovadoras que podem ser benéficas a ambos os sectores.
Muitos clubes têm actividades culturais e desportivas e os eventos desportivos são acompanhados por actividades da cultura.
Estes dois exemplos são a amostra de benefícios comuns que nunca foram explorados.

Os pés em terra do novo líder do desporto

O líder do desporto deveria ser convidado a apresentar eixos fundamentais relacionados com:
  1. A sua Visão para o desenvolvimento sustentado do desporto;
  2. Quais os princípios nacionais, europeus e olímpicos que prosseguiria;
  3. Qual a concepção para o modelo nacional de produção desportiva;
  4. Condições para a criação de um programa de desenvolvimento desportivo nesta altura pelo menos para 2030.

Há depois questões básicas da produção desportiva que o líder pode equacionar como as seguintes:
1.      Quanto aos três níveis de produção desportiva:
a.      Informal – alcançar uma percentagem elevada de prática pela população e promover e racionalizar a produção individual e familiar, a associativa dos micro e médios clubes e a empresarial das micro e médias empresas;
b.     Formal recreativo / amador – fazer crescer os praticantes federados recreativos para um terço do informal. A actual massa de micro federações até mil praticantes federados deverá crescer para federações de outro nível organizativo e institucional enquanto as médias e as grandes federações deverão procurar consolidar as unidades produtivas de base clubes e empresas respondendo às suas necessidades para aumentarem o número de praticantes e melhorarem a sua qualidade de produção. A discriminação de actividades e de preços por parte da federação deve acompanhar o movimento das novas procuras e formas de aproveitar o desporto familiares e sociais;
c.      Formal alto rendimento – a produção de uma maior intensidade desportiva para produzir praticantes e equipas, treinadores e escolas de excelência global exige tanto o aumento de capital crítico para este nível de produção desportivo como níveis superiores de ética e de transparência de todos os protagonistas envolvidos;
2.      Quanto à promoção de desporto:
a.      Cada um dos níveis atrás referidos necessita de informação abundante sobre os benefícios e malefícios das actividades, sobre os aspectos técnicos de como os praticar bem, assim como, dos meios para a sua concretização;
3.      Quanto às infra-estruturas desportivas:
a.      Quanto às estatísticas, rever muito do que está feito e que contribui para a falência dos orçamentos das autarquias, publicar ‘em 15 dias’ as estatísticas das instalações desportivas públicas tal como estão, articular com as autarquias e outros proprietários a criação de uma base de dados com a oferta de actividades desportivas na internet, publicar a procura dos espaços desportivos com periodicidade;
b.     Quanto ao investimento, trabalhar as necessidades de reconversão do parque instalado e com problemas, rever profundamente os programas de investimentos futuros a partir dos actuais indicadores da procura e do estado do parque desportivo actual;
4.      Criar uma política de eventos internacionais estreitamente relacionados com a produção de resultados no alto rendimento. Um princípio simples é o de fazer eventos e megaeventos em Portugal apenas se Portugal tem condições de arrasar a concorrência no terreno de jogo, ou seja, sem campeões num determinado nível de prática não há eventos internacionais;
5.      Um programa de médio prazo é um compromisso com a sociedade. Se o Governo de maioria não quiser apresentar resultados e não quiser dar meios acrescidos necessários ao desenvolvimento do desporto nacional não tem de fazer nenhum programa, basta continuar como até agora. Muitos programas de financiamento foram apresentados por governos anteriores e era bom que o Governo de maioria evitasse um desses modelos para o desporto, até pela bancarrota nacional de que esses programas e cornucópias de financiamento foram coniventes;
6.      Por fim, a ciência deve ser incentivada a acompanhar as necessidades do desporto, os objectivos de política e a avaliar os resultados das políticas aplicadas ao desporto e a outras que têm impactos positivos e negativos no consumo desportivo da população portuguesa.

Não vale a pena continuar a aprofundar pressupostos básicos de actuação de uma liderança nova para o desporto.


Dar o litro, dedicando-se 25 horas por dia a esta tarefa é uma das condições para arcar com o cargo.
Partir a pedra nestes seis pontos é um trabalho consumidor de recursos desde a concepção à negociação com todos os parceiros e que exige uma grande abertura de espírito.
Na medida em que este trabalho se concretizar o relacionamento com a sociedade e de projecção do desporto nacional começará a libertar-se dos actuais constrangimentos históricos e a pisar novo terreno e perspectivas de desenvolvimento sustentado.

Se o desporto concretizasse com sucesso alguns destes pontos, nessa altura seria a Cultura a procurar acertar o passo com o Desporto para criar um cluster de produção de cultura e desporto nacional.

terça-feira, 5 de abril de 2011

À atenção do futuro Governo maioritário

O Desporto necessita de um líder nacional visionário, carismático e equilibrado capaz de definir um rumo ético e patriótico assumindo esse propósito com intransigência e atento ao que se passa no país e no mundo.
Não chega ser do partido da maioria, da família do líder máximo, chegado ou da confiança do barão das obras feitas, da família da mulher do deputado da AR ou ter a inscrição em dia na loja lá do bairro.

Isto é estar a pedir muito mas o desporto arrisca-se a perder futuro se não conseguir mudar de vida e para isso necessita mais de um líder, do que de um patrão ou um membro influente do partido.

Quanto a membros dos partidos, o desporto sempre os teve e está na caudada Europa.

Era bom o desporto mudar de ares.

O líder do desporto deve ser definido em função da nação e de princípios a partir dos quais equacionará o produto desportivo em benefício estrito e superior da população portuguesa.
A sua capacidade de liderança deve compreender o diálogo com os académicos das universidades, os capitães da indústria, economia e turismo, os pedagogos da educação, os Damásios e Lobo Antunes da saúde, os doutores das igrejas, os voluntários das IPSS e os patrocinadores inveterados, para além de possuir uma curiosidade insanável em relação a tudo o que de melhor se faz na Europa e no mundo com o desporto moderno.
O seu relacionamento com os ministérios, todas as federações, organizações empresariais e organismos internacionais deve ser suportado por uma equipa de doutores e especialistas do desporto esfomeados pelo potencial de desporto português.
O Modelo Europeu de Desporto deve ser um dos seus pregões para criar condições do seu desenvolvimento pleno em Portugal.
Cientificamente deverá ter a capacidade de promover as melhores soluções de entre as complexas alternativas colocadas por investigadores empenhados e sérios produzindo em competitividade e transparência entre os melhores tal como é exigido aos praticantes de todos os níveis competitivos.
Saber concatenar e potenciar as preocupações dos agentes privados e os objectivos definidos a partir dos princípios nacionais, europeus e mundiais é um trabalho que lhe consumirá tempo e dinheiro do seu orçamento escasso.

Não há a necessidade de prolongar mais a lista de ‘mercearia’ desportiva sendo certo que apenas a visão desinteressada e o envolvimento humano pleno poderão interessar e gerar os melhores resultados procurados pelo Governo de maioria.

Este conjunto de ideias não é o espelho de ninguém nem muito menos a crítica a alguém.

Este personagem não existe e trata-se apenas de alertar para a necessidade de encontrar um português capaz de fazer um cargo díficil e de elevada dimensão moral, humana e social de entre tantos outros cargos.

O lucro do desporto para o país

A obstinação de não chamar o fundo de equilíbrio financeiro da União Europeia é equivalente à forma como a política desportiva foi prosseguida nas legislaturas passadas.

A formalização do apoio internacional que grandes economistas nacionais indicam para a profunda crise nacional poupariam milhares de milhões de euros, como calcularam João Duque e Trigo Pereira do ISEG.

Este cálculo demonstra que os setenta ou oitenta milhões de orçamento anual que o desporto recebe são irrisórios. O mesmo se colocaria para por exemplo para 120 milhões de euros para financiamento das actividades desportivas de base direccionadas para os jovens e os carenciados das repercussões destas crises.

Definitivamente o desporto nacional não contribuiu para a crise e certamente sofreu as mais graves consequências das crises nacionais.

Quando o país andou nas nuvens o desporto esteve abaixo desses voos e quando o país vai ao fundo, o mergulho do desporto é ainda mais fundo e mais prolongado.

Há quem ganhe com a situação como quem constrói estádios, infra-estruturas e centros de alto rendimento, por exemplo.

Porém, o produto de desporto visa garantir o bem-estar da população e em Portugal este máximo está mitigado.


O valor do envolvimento público no desporto contrasta fortemente com os impactos do sector positivos e potenciadores de poupanças de centenas de milhões de euros directa e indirectamente noutros sectores como na saúde para além de benefícios intangíveis para a qualidade de vida da população.

Os cortes que o desporto nacional sofre por parte da política desportiva sacrificam os dedos e poupam os anéis.

Definitivamente falta ao desporto um líder capaz de afirmar que a realidade do desporto é distinta dos outros sectores porque tem produtos e impactos diferenciados.

Tenha-se a certeza que o país perceberia que o desporto é diferente caso a imagem que o desporto dá de si e o discurso de convencimento social fosse distinto do actual silêncio e confusão de princípios e objectivos como quando alguns dirigentes falam dos seus problemas dimensionando-os à escala nacional.


Actualmente a estrutura de produção do desporto está a ser distorcida e está a ser estiolada e torna-se insustentável para o Estado suportar o sector na produção de alto rendimento no modelo que cristalizou ao longo dos últimos vinte anos.

O modelo de produção de desporto nacional não consegue alavancar os sectores que estão a montante e libertar os sectores a jusante relacionados com o marketing, publicidade e comunicação social.

A montante é difícil compreender o actual impacto do desporto devido a limitações da produção de estatísticas do desporto.


Como curiosidade deve dizer-se que o Estado tem no desporto um sector que produz lucro.

A administração central tem uma despesa de cerca de 70 milhões de euros e o valor dos impostos provenientes do desporto somam cerca de 180 milhões de euros.

As finanças ao aumentarem o IVA sabem o que recebem e o rendimento líquido de mais de 100 milhões de euros por ano.

Cortar na despesa pública do desporto é um erro pelos princípios que são falseados de criação de bem-estar para a população portuguesa através do desporto e é um contra-senso do ponto de vista económico pelos benefícios líquidos que o desporto português já gera e pelo potencial que o Estado tem sido reiteradamente incapaz de colocar no mercado do desporto.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

As claques são economicamente nefastas

Uma das lacunas do futebol português é a lacuna de investigação abundante.

A investigação, por outro lado, não se pode dar por satisfeita por identificar toda uma série de características sociológicas das claques que poderão ser intelectualmente estimulantes.

Provavelmente o mais importante seria compreender os factores que incentivam os adeptos a aderirem à performance dos clubes e das equipas e a gastarem euros e tempo do seu lazer para irem aos estádios e os encherem.

Deve ser a política desportiva orientada para a resolução dos desafios colocados aos agentes desportivos a indicar qual a investigação a realizar em vez de ir atrás do que faz a universidade.

É importante a universidade investigar e propor linhas de investigação e é importante estar aberta aos problemas do desporto.

É a análise e a investigação continuada que cria os instrumentos e as soluções que permitem aos políticos não terem o receio de desenvolver políticas voltadas para o futuro e que combatem os estrangulamentos da produção desportiva.

As análises poderão falhar devido a metodologias mal concebidas, à falta de material de análise, aos pressupostos e conclusões incertas.

Os políticos poderão errar de várias formas na definição, na atribuição da análise, na leitura das conclusões e na sua aplicação.

De qualquer forma fazer investigação e avançar medidas de política desportiva baseadas nas investigações das universidades é uma solução superior a não fazer nada ou fazer escondido ou ficar dependente de uma hipotética clarividência de pessoas que têm os problemas e os desafios de colocar as estruturas de produção de desporto a andar e que preferem trabalhar com coisas e ideias simples acompanhadas por meios financeiros sempre necessários.

A violência das claques é insustentável

Diz o José Manuel Meirim, aqui, acerca das claques algo que deveria nortear a ética e a política desportiva:

"Diga-se desde já, para que não se gerem equívocos, que tenho para mim que os núcleos duros de determinadas claques – que não se restringem somente aos denominados «3 grandes» (veja-se o recentíssimo caso de uma claque do Vitória de Guimarães) – são um espaço promotor de violência e banditismo. Por essa razão, o Estado, em vez de pretender transformá-las em associações de jovens e adultos bem comportados, com os elevados custos que consigna a tal missão impossível, primando por uma ineficácia absoluta comprovada por muitos anos, tudo deveria fazer para alcançar a sua extinção. Por isso, frise-se para a leitura seguinte, não há muito a distinguir entre claques “legalizadas” ou ilegais, designadamente quanto ao grau de violência, banditismo e perigosidade."

Economicamente os custos da violência clara e da invisível, da claramente assumida e da escondida, os custos da falta de ética e de princípios da política desportiva levam o futebol para uma situação difícil.

A violência actual não encontra resposta nas autoridades e as políticas de combate à violência estão associadas a outras limitações que impedem os agentes privados e públicos de actuar com firmeza e rapidez sobre os prevaricadores.

As autoridades públicas são as últimas no actual momento a quererem meter-se com os mal comportados do futebol e este é o coroar final de várias legislaturas que passam ao lado do que deve ser investido no desporto e do que deve ser combatido decididamente.

Quanto pode custar a brincadeira do apagão na Luz?

Os patrocinadores do Benfica terão pelo menos quatro hipóteses:
  1. Considerarem muito giro o apagão na Luz e assumirem o custo tanto do seu benefício contratual fracassado como a evidência de falta de fair-play a que a sua imagem fica associada ao patrocinar os jogos do Benfica.
  2. Exigirem o ressarcimento financeiro pelo apagão num dos momentos mais relevantes do jogo em que os jogadores do Porto celebravam a vitória.
  3. Rescindirem o contrato e exigirem uma indemnização adequada às suas receitas esperadas.
  4. Rescindirem o contrato considerando a sua ignorância da falta de perfil promocional do seu patrocinado.
Se o mercado funcionasse com eficiência o que se assistiria seria as empresas patrocinadoras do Benfica uma solução entre a 2, 3 e a 4.

Não sendo o mercado eficiente é provável que os patrocinadores escolham a solução 1.

Poderão actuar, numa segunda fase, revendo em baixa uma renovação do patrocínio dos jogos do Benfica assim como de todos os clubes de futebol, tendo em consideração o escalar dos actos de hooliganismo, violência, hipocrisia e desnorte que o negócio do futebol apresenta em Portugal.

domingo, 3 de abril de 2011

Com as eleições o desporto tem uma vida diferente

Não se trata de fazer um juízo de valor sobre o passado ou sobre o futuro do que se passa no desporto.
É relevante para o desporto português olhar para o que acontece e dizer uma palavra procurando relacioná-la com a realidade do produzido e o futuro melhor.
É o que vai acontecer com os programas dos partidos tanto na parte atribuída por cada partido ao desporto e, igualmente, ao que de resto for surgindo.
A orgânica do Governo é importante porque dela vai depender como é que o Estado vai pensar e actuar no desporto nesta legislatura.
A experiência do passado mostra como a Educação de Roberto Carneiro deu independência ao desporto e como anos depois com o Caso INDESP essa independência foi progressivamente retirada tornando a orgânica do desporto no Governo uma matéria de relevância exclusivamente jurisdicional.
Por outro lado, o desporto deve procurar alianças e cumplicidades noutros sectores. A Cultura é um parceiro interessante porque teve uma estratégia que lhe permitiu crescer em múltiplos domínios, valorizou a sua imagem social e vai perder estatuto na sanduíche de Educação e Ciência, segundo diz o Epresso.
O Desporto e a Cultura possuem dimensões equivalentes e do ponto de vista da essencialidade nacional do seu produto servem a totalidade da população, produzem excelência global, o desporto garante vidas longas e condições de apropriação de vida sustentáveis e a cultura permite um máximo de condições de conhecimento.
Era positivo que o desporto conseguisse dizer palavras positivas em relação a este cluster nacional único, junto da comunicação social e com repercussões na opinião pública.

A criação do cluster poderia ter duas configurações alternativas:
  1. A criação de um ministério da Cultura e Desporto
  2. A criação de uma Secretaria de Estado da Cultura e Desporto no seio de um ministério com outros sectores.

sábado, 2 de abril de 2011

Como nos comportamos quando temos incentivos errados

Vitos Bento terá indicado no lançamento do seu último livro a investigação de Dan Ariely acerca de condutas morais.
No blogue SEDES Pedro Pita Barros indica dois links, aqui e aqui, e um comentador apresentou ou link, aqui, sobre esta matéria.

A matéria é interessante por sugerir uma interpretação do que se passou na crise financeira mundial e tanto do que se passa conosco há tanto tempo.

O nosso comportamento relacionar-se-á com a predisposição geral para a batota do local onde as pessoas se encontram, para os comportamentos de grupo, a batota é pontual, que quando há valores morais ela tende a decrescer, e se o grupo faz batota a batota tende a crescer.

O prémio de arquitectura de Souto Moura

Fernando Parente apresenta no blogue Colectividade Desportiva, aqui, um poste sobre o estádio do Braga e dos erros que desportivamente enferma e que são os seguintes:

"O Estádio de Braga, uma instalação vocacionada fundamentalmente para o espectáculo desportivo, tem do ponto de vista funcional muitos pontos negativos, dos quais se destacam entre outros: a difícil acessibilidade ao local a pé ou em veículo; a distribuição e locais de estacionamento; as bancadas com acesso ou inferior ou superior e que exigem uma grande deslocação por parte de quem quer chegar ao seu lugar; poucos elevadores para as pessoas de mobilidade reduzida ou idosos; espaço muito frio devido à sua localização; e áreas administrativas sem luz natural ou inadequada. Quando o estado da arte sobre localização, construção e funcionalidade de Estádios de Futebol está tão desenvolvido e divulgado há mais de três décadas, é de certa forma inconcebível cometerem-se alguns destes erros básicos, facilmente detectados por todos os destinatários finais deste “produto”, nomeadamente os adeptos de Futebol. "


O comentário que coloquei no referido poste é o seguinte:


"Gostei do seu poste porque acrescenta matéria crítica ao celebrado estádio do Braga.

De facto os estádios são o ponto contraditório do Euro 2004.

Numa palavra o que falhou foi a concepção da modernização dos estádios de futebol.

Este é uma característica do modelo de desenvolvimento desportivo nacional.

Investiram-se milhões de euros com demasiada liberdade dos promotores, com afinal pouca informação sobre as dimensões técnicas do elevado investimento e sem informação do realizado.

Souto Moura fez o que lhe pediram e deixaram fazer.

O arquitecto fez no estádio do Braga uma coisa bonita e bem esgalhada do poonto de vista da arquitectura e com erros para a actividade a que se destina a instalação.

Há infra-estruturas que mal são feitas apresentam problemas, há as questões que refere, há os conhecidos problemas de localização e de dimensão dos espaços de desporto.

Estes erros têm duas consequências:
1 - O investimento é excessivo para as necessidades locais.
2 - Os custos acrescidos para a manutenção futura das infra-estruturas que comportam os erros do investimento.


Diga-se que na nova orgânica há alguns anos da administração pública o governo da altura decidiu retirar o departamento das infra-estruturas da administração central.

Há desde há décadas erros na concepção das políticas de investimentos em infraestruturas desportivas."

A inclusão do Desporto no ministério da Presidência é um erro

A inserção do desporto no MP prejudica o desporto e o país.

A experiência já leva bastantes anos para se concluir que a solução falhou.

As peculiariedades do desporto exigem um investimento voluntarioso na base da pirâmide desportiva, uma regulação motivadora do risco de clubes e empresas de desporto e uma regulação de intensidade de capital elevada (ao nível do que melhor se faz no mundo) para o alto rendimento.

As funções de produção do desporto exigem níveis de conhecimento e de capacidade científica e técnica em inúmeras ciências que não se coadunam com espartilhos políticos e legislativos como os que o desporto tem sido sujeito.

Portugal tem médias nacionais no fim das europeias porque passa ao lado da racionalidade de produção do desporto moderno para além de não assumir princípios de democracia e de assumpção do risco de governar e de assumir objectivos quantificados para a produção desportiva em todas as suas funções de produção.

O modelo institucional e o de produção de desporto vigente são incomportáveis para objectivos nacionais no seio da Europa.

Nos anos oitenta houve o Ministério da Qualidade de Vida em que o desporto esteve integrado.

O desporto e a cultura são actividades éticas e civilizacionais voltados para a espírito e para a excelência e o absoluto com projecção global.

Os dois sectores não são o Governo, do Primeiro-Ministro ou de outro responsável ou personalidade são sectores plenamente integrados na modernidade e no desenvolvimento dos países mais desenvolvidos do mundo.

Por fim, como ontem Pedro Pita Barros dizia no blogue SEDES, a periferia da Finlândia, Noruega e Suécia é igual à de Portugal só que nós estamos num extremo e eles no outro.

O último lugar de Portugal nas estatísticas desportivas nacionais são um problema de Portugal e não uma indissincrasia ou mal genético.

O ministério da Presidência é um erro como os resultados desportivos actuais de Portugal bem ilustram.

O core do desporto são os dez milhões de portugueses que deveriam ter um estilo de vida activo através da prática regular de actividades desportivas.

Sai uma entremeada de Cultura

Entre grandes agrupamentos de sectores equivalentes, coube à Cultura a sandes de Educação e Ciência.

Segundo o Expresso, as propostas do PSD e do CDS são diversas:
  1. Educação, Ciência e Cultura
  2. Presidência e Assuntos Parlamentares
  3. Telecomunicações e Economia
  4. Obras Públicas e Finanças
  5. Turismo, Indústria e Inovação
  6. Ambiente, Energia e Ordenamento Território
  7. Administração Interna e Justiça
  8. Agricultura e Mar
Naturalmente não se fala de Desporto que é um não-sector ou um morto-vivo. conforme se quiser.

Tenho proposto a junção da Cultura, Desporto e Juventude para além da agregação da Fundação INATEL ao Desporto criando funções de recreação que não têm sido incrementadas.

Estes três sectores são pequeníssimos. O INE diz que o produto do Desporto é de 1,5 mil milhões de euros e o da Cultura de mil milhões de euros.

Se alguém perguntar o que se está a gerar de conhecimento instantâneo de Portugal no mundo a Cultura e o Desporto aparecerão com N exemplos dando conta da peculiariedade de ser português enquanto os outros sectores apresentam valências nacionais distintas.

A Cultura e o Desporto são duas actividades que todos temos de consumir, praticar, interiorizar conceitos básicos quando somos jovens e devemos manter um consumo regular ao longo da vida.

Estamos a falar de sectores que colocados sozinhos na Educação perdem expressão facto, que o Desporto suportou quando esteve metido na grande máquina da Educação durante décadas.

A partidarização e entrega às suas juventudes do Desporto e da Juventude está a retirar potencial de crescimento à juventude portuguesa.

Portugal deveria dar espaço a estes dois importantes produtores essenciais do ser português a Cultura e o desporto promovendo-os com a Juventude.

Um novo Governo deveria ter uma atitude de racionalidade potenciando a Cultura e o Desporto sem os desvanecer, quer num ministério grande como a Educação, quer limitando-o sob a tutela do ministério da Presidência e das forças partidárias do Governo.

Na Suíça as reformas máximas são de 1700 euros e sem acumulação

Nós estamos muito mais avançados em todos os sentidos.
Apenas a RTP2 transmitiu, aqui.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A regra dos 70 anos

Segundo os economistas se um país crescer a uma taxa de 1% leva 70 anos a duplicar o seu Produto Interno Bruto.

A Alemanha terá actualmente uma taxa de 2% o que quer dizer que levará 35 anos a duplicar o seu PIB.

Um país do extremo oriente que cresça com uma taxa de 7% em 10 anos duplica o seu PIB.

Agora que o Banco de Portugal diz que o país vai crescer a uma taxa de -1,4% é uma questão de fazer as contas aos anos que vão passar até Portugal conseguir duplicar o seu PIB ou nestes termos se alguma vez conseguirá duplicar o seu PIB.

O PS desinteressa-se de Portugal?

Pedro Pita Barros, no blogue SEDES, ver aqui, usa a diferença entre desigualdade e desconfiança para definir um problema de Portugal em dez pontos:

...
7 - "não vale a pena escandalizarmo-nos com a desigualdade de rendimento no país se os gritos de escândalo não forem extensíveis aos muitos interesses corporativos que se instalaram no país, se não se fizer mais, muito mais, por se legislar isonomicamente, se não se fizer mais, muito mais, por denunciar o perdularismo, impedir o “aproveitismo”, as capelinhas, as famílias, e, sobretudo, se não se tirarem consequências políticas do fraco desempenho da ética pública. É que, como tenho tantas vezes insistido, a ética pública é o maior promotor de confiança interpessoal."
...
10 - "A confiança não se institui por decreto, nem basta proclamá-la. A confiança custa a ganhar e perde-se num ápice. Agora que vamos a eleições, há um pacto de confiança que se esperaria de quem se propõe governar este país. Não se pode um dia dizer uma coisa e no seguinte outra, não se pode fingir que não se previa dias antes o que todos sabíamos que iria acontecer a seguir, não se pode dizer uma coisa e fazer o seu contrário. Não se pode faltar à verdade. E não pode faltar a coragem de a dizer."
...

Vale a pena ler a peça de PPB de que tirei duas citações.

Creio que existe uma relação entre a confiança de que fala PPB e o que se passa no, até agora, mais importante partido português.


O PS será uma contradição daquilo que diz e daquilo que terá sido, por exemplo, com Jorge Sampaio e António Guterres como contrastes do que se passa.

Se o PS quiser ser a alternativa, na sua perspectiva, ao pior que pode acontecer ao país passando o poder para o PSD, o PS deve ir à luta assumindo o pesado custo do fracasso vigente e estabelecer alternativas viáveis, quanto mais cedo melhor.

Agora como em 2008, quando a crise internacional apareceu e os sinais da economia e do orçamento começaram a ficar negros, o PS não reagiu e não reage.

Instalado nos mais altos cargos, que fez tensão que ficassem 'nas boas mãos', como as armas do Otelo, a ganharem desproporcionalmente face aos resultados de competitividade e produtividade que o país necessita o PS está incomodado.

Ao esvaziar a sociedade portuguesa de democracia e as instituições de ética, ao partido falta a vitalidade para defrontar o destino que os próprios traçaram.

Quando não consegue renovar a sua liderança interna num momento crucial da vida do país e o abandona a uma solução nacional e internacionalmente fracassada, como está a acontecer, alguma coisa está mal.

Alguns factos são de assinalar:
  1. O país está a ser levado à bancarrota, segundo refere a comunicação social e líderes nacionais respeitados e conhecidos pela sua independência política e visão aguda dos desafios nacionais.
  2. Os sinais de alarme tocaram desde antes de 2008.
  3. No mesmo período de tempo outros países, instituições e personalidades actuaram e demonstraram soluções alternativas que foram recusadas teimosamente por Portugal.
  4. Os outros países estão a controlar as suas crises sendo lestos e assertivos na eficácia das políticas.
  5. A imprensa internacional realça o carácter quezilento de personalidades nacionais do PS.

Perante este quadro:
  1. Por uma razão de bom senso o PS hoje sabe que os culpados dos erros não podem ou não devem ser atribuídos por inteiro a terceiros nacionais e internacionais e que parte das dificuldades nacionais são devidas a si próprio e que algumas malfeitorias foram por si perpetradas, equivalendo-o por inteiro a outros protagonismos nefastos nacionais.
  2. O PS sabe que vai perder nas urnas a confiança de liderar os destinos do país.
  3. O PS faz eleições internas e mantém por maioria a mesma liderança.
O partido de Jorge Sampaio e António Guterres, como exemplos recentes, existe?

Assumindo o pensamento de Pedro Pita Barros, quem tem a coragem para liderar o PS de Jorge Sampaio e António Guterres?

Desportivamente era melhor que frente ao PSD e ao CDS houvesse um PS competitivo e respeitador do fair-play do saber vencer e saber perder.

No futebol alemão "o negócio" é a sério

Gilberto Madail dizia que o a candidatura ao Mundial de 2018 com a Espanha ia ser um bom negócio.

GM tem toda a razão porque há em todos os projectos económicos ganhadores e também há perdedores e a sua perspectiva de negócio é a de se incuir na primeira categoria.

Gilberto Madail conhece apenas a face risonha e não faz como os alemães.

Um jornal diário dizia há dias que havia mais de 360.000 consumidores para o jogo da final do campeonato de futebol da Alemanha espantado-se com o número indicado.

Há vários elementos para compreender como os alemães tratam o seu futebol e se encontram entre os países com melhores resultados nos clubes e nas selecções.
  1. Os clubes alemães têm contas em dia e o máximo que lhes acontece é baixarem de divisão;
  2. A profilaxia da passagem pela divisão inferior tem consequências positivas como relata Michael Drewes em "Management, competition and efficiency in professional sports leagues" onde compara principalmente as ligas americanas e a alemão enquanto exemplo europeu. Ver aqui.
  3. Drewes dá o exemplo do Werder Bremen, FC Kaiserlautern, Hertha Berlin, entre outros, como clubes pequenos que usando métodos de gestão competentes conseguem bater o pé aos maiores clubes.
  4. O que ressalta do texto é a racionalidade económica dos campeonatos alemães que lhes permite ter ligas competitivas que permitem o movimento vertical dos clubes sem terem de ir à falência para além da elevada competitividade dos clubes que o artigo referindo a afluência de 360.000 adeptos valoriza os processos de gestão da federação, da liga e dos clubes.
O futebol alemão vai mais longe onde GM não chegou ou não quis até hoje chegar.

Quando foi o Mundial da Alemanha em 2006 os alemães fizeram estudos sobre o investimento que iam fazer nos estádios, ver por exemplo papers de Markus Kurdscheidt, que previam o investimento a realizar e o retorno no médio e no longo prazo.

Agora a final onde centenas de milhares de adeptos querem estar far-se-á no Signal-Iduna-Park, antigo Westfalenstadion, que é o maior estádio da Alemanha, com uma lotação de 80.720 lugares.

O modelo de futebol português deve ser feito segundo as características nacionais e não é dado adquirido que os clubes tenham de falir por azares da classificação desportiva ou da gestão de um empenhado líder popular.

Saltou a tampa ao José Gomes Ferreira

Aqui, o José Gomes Ferreira na SIC Notícias demonstra em poucas palavras a mentira dos défices e das obrigações da União Europeia e o desrespeito pelos portugueses por parte dos políticos que não exigem contas transparentes.

Voltando ao caso do poste anterior das dívidas ao fisco por parte dos clubes de futebol o que acontece é que os grandes senhores do futebol vivem uma atitude miseranda para fugirem às suas responsabilidades de líderes privados.

O futebol amador e profissional para viver não depende do Estado mas depende antes da predisposição a consumir futebol da população portuguesa a qual possui muitas formas de o fazer desde praticar futeboladas, levar os filhos aos treinos e jogos, fazerem-se sócios de clubes, pertencerem aos seus órgãos sociais da estrutura federadas, ir aos jogos nos estádios dos clubes, das selecções em Portugal e no estrangeiro, comprarem toda a panerfenelia de objectos de merchandizing e de anúncios de marketing promovidos pela modalidade, etc.

Cabe às pessoas do futebol assumirem as suas responsabilidades ou não as assumirem como fazem há décadas.

Não há razão para o Estado não exigir o pagamento imediato da dívida.

Só um Estado fraco o aceita.

Só um Estado fraco aceita a continuação da existência de um mercado ineficiente ao longo das décadas.

O Estado fraco não estuda, não analisa resultados desportivos, financeiros e económicos, não promove a racionalidade e a produção competitiva de futebol, não respeita os adeptos, os espectadores e a população que quer que Portugal tenha o melhor futebol do mundo.

Eu não gosto do futebol dos espanhóis por eficaz que possa ser.

A primeira parte do jogo com os espanhóis na África do Sul e de tantas outras vezes em que a selecção joga bem e bonito será o modelo de jogo para Portugal e isso faz-se trabalhando o futebol por inteiro.

Com esse estilo de jogo o mundo do futebol aceitará melhor a eleição de líderes portugueses nos seus órgãos máximos.

Como sugere José Gomes Ferreira: deixem de nos enganar e trabalhem bem, que é para isso que no Estado e nos órgãos do futebol as pessoas são eleitas e são pagas.

Os 13 milhões de dívida do futebol ao fisco

As dívidas ao fisco são uma responsabilidade dos clubes que não pagaram atempadamente obrigações várias ao Estado, quando todo o país fazia o mesmo na medida das suas possibilidades.

O Estado há vinte anos, creio durante as governações de Cavaco Silva, decidiu que se as empresas não pagavam ao fisco então eram inviáveis e deveriam falir.

Um caso emblemático foi do empresário da Oliva que assumiu em Tribunal o desvio dos dinheiros devidos ao Estado para pagamento de salários e foi condenado.

Nos clubes foi diferente porque tinham direitos de imagem a receber do Totobola e procedeu-se a um acerto de contas no Plano Mateus.

Entretanto, a majestática e corporativa Santa Casa da Misericórdia de Lisboa gestora do Totobola e de todos os outros jogos de fortuna e azar actuou durante anos para falir o Totobola e valorizar os jogos que beneficiavam mais as suas actividades sociais não promovendo o Totobola e criando sempre novos jogos no mercado das apostas populares.

O desporto, a Liga e a Federação e o Desporto, público e privado, depois de Mirandela da Costa, aceitaram fazer figura de corpo presente na mesa do Departamento de Jogos da SCML e não valorizaram os seus direitos de longo prazo e a sua eficiência na aplicação de dinheiros públicos acima de outros sectores sociais.

No caso concreto do futebol tanto a Liga de Clubes como a Federação foram negligentes nunca apresentando um programa ao Estado de resolução da dívida e de fomento do mercado do futebol.

Os clubes médios continuam a falir na procura de rendibilidades financeiras de alto risco na compra barata de capital humano africano, sul-americano e de leste (quando foi o tempo dele).

Os grandes clubes acumulam défices e todos acham normal tendo acabado com o único instrumento capaz de demonstrar a rendibilidade das contas que eram os relatórios da Deloite publicados pela Bola.

Os reguladores não se importam que o relatório não se publique nem que o futebol não tenha horizontes de longo prazo.

Há vários instrumentos que a Federação e a Liga deveriam criar e apresentar ao Estado como modelo de produção para o século XXI. Sucintamente:
  1. Um relatório dos relatórios e contas sobre todos os campeonatos amadores e profissionais;
  2. Racionalidade dos campeonatos e programa de longo prazo;
  3. Concepção do estilo de jogo português e dos objectivos técnicos e desportivos no longo prazo.
Isto para não dizer que deveria ser o Estado a promover todos os estudos.

Na Europa a UEFA fez um documento com a Visão do seu negócio e em conjugação com a União Europeia fizeram o Relatório Independente.

Isto faz-se na Europa.

Lá longe na Europa.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Um euro no desporto poupará pelo menos dois euros em custos na saúde e em termos sociais

A afirmação do deputado finlandês Hanno Takkula à revista Sport et Citoyenetté, ver aqui, não tem eco em Portugal.
Diríamos mesmo mais. Há em Portugal responsáveis que sabem desta realidade porque frequentam reuniões internacionais e o debate científico do desporto demonstra há mais de meia dúzia de anos que o desporto é custo-eficiente.
Este conceito económico significa que o custo com a actividade desportiva é uma aplicação óptima face ao valor assumido.
Não se houve na comunicação social nacional nenhum responsável do desporto discutir nestes termos a política desportiva, não se observa a Assembleia da República assumir uma posição, não existem agentes desportivos privados a dizer que o desporto por, por exemplo, ter um IVA de 23% para as actividades físicas contraria tudo o que a Europa desenvolvida faz.
A contradição gritante é ter-se feito uma Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto para depois não se ser capaz de assumir o impacto custo-eficiente do desporto.
Mais uma vez recordo que a economia está óptima mas que quem é prejudicado por este tipo de política é o desporto, a população portuguesa e os jovens.
Sem a interiorização do efeito custo-eficiente, por exemplo, os responsáveis da educação reflectem nas políticas escolares de desporto a austeridade na sua pior expressão porque de facto nada durante anos tem demonstrado aos portugueses que estão a perder capital humano, social, desportivo e cultural com o desinvestimento praticado sobre o desporto português.

Sem mais comentários, deixo algumas frases do ‘finlandês louco’:
“Sports and sports related activity is Finland's biggest "national movement" and it can be seen in daily life in various ways. This is evidenced by the considerable amount of space in daily newspapers, as well as news programmes, that is devoted to sports coverage. Sport as a health promoting activity is very fashionable in Finland, in both the public and private sectors. Through sports, it is easy to convey values related to health and tolerance. Sport greatly influences and supports activities aimed at fighting against racism, anti-Semitism, xenophobia, homophobia and other forms of discrimination.”


“Given the tight economic times, we “were aware of the budget related challenges, and therefore my sport enthusiastic colleagues and I wanted to launch the Working
Declaration (62) on "Increased European Union Support for Grassroots Sport". We especially wanted to highlight the voluntary and grassroots side of sports, because too often people associate sport with elite organisations, elite athletes and elite competitions such as the Olympics. Indirectly, we also wanted to emphasise the fact that sport has such enormous health benefits. My view has always been that a euro spent on sport will save at least two euros in social- and healthcare related costs. Among the main health areas which sport can play a major role include tackling weight problems, obesity, and chronic conditions such as cardio-vascular diseases and diabetes that arise from them. These must especially be tackled at the grassroots level.
We must make investments in sports since it will always save us money in the long-term and improve Europe's competitiveness. The working declaration which was signed by some 400 MEP's has helped to bring these issues to the wider attention of politicians as well as the general public.”

Está por fazer este discurso sobre o desporto português e está como é este o caso um think tank ter uma revista com intervenções sobre o futuro do desporto, as suas características e princípios.

Programas eleitorais

Agora que vão começar a surgir programas para as eleições e afim de os analisar na parte do desporto

Agradeço que me indiquem por comentário de um qualquer poste onde consultar ou me enviem para ftenreiro@clix.pt

Darei aos programas partidários uma contribuição crítica neste blogue

Não há golpe de asa possível

O cancelamento pela Assembleia da República da cerimónia do 25 de Abril é daqueles que nos explicam instantaneamente porque é que se cancela o desenvolvimento desportivo nacional.

Há quem desconheça o que foi o 25 de Abril, o conteúdo de valores universais que o criaram e a oportunidade de o debater, neste momento, ao mais alto nível.

Com isto, o desporto é um negócio, o Estado é para ajudar os amigos e atrasar a solução competente da crise, a qual pode ser provocada por interesses particulares de quem se recusa a sair e os partidos são incapazes de corrigir a mão de quem terão eleito democraticamente.

Pelo andar da carruagem surge a dúvida de saber de facto as eleições foram democráticas ou terá sido um golpe de um grupo melhor organizado, ou uma panelinha das várias capelas para a partilha do Estado.

Estas dúvidas, que podem questionar a seriedade nas instituições nacionais, alertam como a pressa de assumir o poder pode ter resultados que só mais tarde se verifica serem catastróficos a ponto de ninguém pôr as mãos no lume por elas.

O garantismo do edifício legislativo português assegura os maiores prazos face a exemplos europeus como a Irlanda e o Reino Unido e não protege face aos maiores dislates praticados pelos partidos do arco do governo como a história tão bem está a demonstrar.

Uma certeza na área do desporto: os países que são exemplos universais de produção desportiva possuem regimes democráticos solidamente implantados.

Sobre o debate da privatização da CGD

No blogue The Portuguese Economoy, aqui, diz Ricardo Reis que:

"This debate puzzles me. When I think of the big policy challenges in the Portuguese financial markets in the next 6-12 months, it is not privatizing the State bank that comes to my mind. Rather, it is whether or not to (partially) nationalize the private banks."

A questão sobre as opiniões distintas que as pessoas podem ter é o mais corriqueiro que pode haver para a saúde intelectual da sociedade portuguesa.


Entre os economistas a privatização da CGD toma posições diferentes prós, Álvaro Santos Pereira, e contra, Pedro Lains, enquanto Ricardo Reis coloca em cima da mesa a hipótese da nacionalização de alguns bancos privados portugueses.



No debate no Colectividade Desportiva sobre as questões do Direito do Desporto assumir posições diferentes da nomenclatura é heresia por parte de pessoas que assinam anonimamente e sugerindo que assumem posições oficiais.

A sugestão que instituições públicas e privadas de topo apenas se expressem pelo anonimato é uma figura inteiramente comprometedora, para não ir mais longe, para as ditas instituições.



Tomemos um caso em concreto relacionado com a economia do desporto e o tratamento que lhe é dado pela legislação portuguesa.

A comunidade espanhola de Valência publicou uma Lei do Desporto e da Actividade Física a qual possui inúmeras referências à economia e aos princípios económicos a que sujeita a produção da actividade desportiva valenciana.

Por este exemplo se vê o péssimo preconceito intelectual e o unanimismo do legislador e do decisor que na Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto de Portugal não usa uma única vez o termo economia e dela foge como 'o diabo da cruz'.

Mais importante ainda é que as consequências desse procedimento de retirar por lei a economia ao desporto português tem consequências que ou o legislador ignora ou actua com determinação clara, assumindo o prejuízo para o desporto, o que num caso e noutro é um acto preconceituoso contra o desporto português.

Estes actos não são contra a economia, eles são contra o desporto português porque para tratar das questões económicas do desporto os instrumentos mais eficientes são instrumentos económicos e não de qualquer outra ciência do desporto.

O que não quer dizer que a economia seja a única mas o que torna a liquidação efectiva da economia no desporto um acto gravoso para o desporto português é que se oferecem outras soluções como se fossem igualmente eficientes ou matando o debate técnico sobre o conteúdo e as implicações das políticas em todas as suas dimensões.

A história dos fundamentos e das consequências destes comportamentos poderá ser feita no futuro quando passar a haver mais informação e estatísticas que actualmente ou não são divulgadas ou não se sabe como analisar e compreender.

Desporto escolar desliga actividades desportivas

O desporto escolar depois de tentar acabar com o desporto escolar secando os professores passou para outro nível sugerindo que se limitassem actividades desportivas.

Desligar actividades é mais um erro a juntar aos anteriores.

A actividade desportiva para os jovens não se desliga, esteja o país como estiver.

A actividade desportiva para os jovens incentiva-se para acumular ininterruptamente capital humano e social num momento em que deve ser acumulado ou nunca mais o será.

Em Portugal há políticos, responsáveis públicos e ministérios que desconhecem estas questões simples da produtividade nacional.

Na avaliação das agências de rating

A avaliação do rating do desporto é realizado pelas próprias federações que competem entre si para conseguirem melhores resultados quanto ao impacto nacional, europeu e global das suas competições e pela performance nos Jogos Olímpicos para as modalidades lá representadas.

A União Europeia, ver aqui, questionou a agência S&P pelo último rating atribuído à Grécia iniciando um processo de retroversão no que até agora era domínio de intervenção apenas destas sociedades americanas de avaliação financeira.

Esta acção da UE mostra a plasticidade das novas e competitivas relações económicas e financeiras mundiais levando a incerteza através de uma intervenção pública para um domínio onde as agências privadas eram soberanas.

Na verdade a relação entre o domínio público e o privado das actividades económicas deve ser competitivo visando objectivos de desenvolvimento e estabilidade.

Ao desporto português faltam os objectivos de desenvolvimento e os agentes privados e públicos comungam de relações malsãs de estabilidade do 'business as usual' na cauda do desporto europeu.

O rugby discrimina produtos e preços

Os jogos de rugby das selecções nacionais são o exemplo da gestão de discriminação de actividades do rugby e de preços que outras federações deveriam prosseguir.

Quando há jogos da selecção nacional de rugby a federação organiza logo de manhã actividades com escalões dos jovens para os concentrar para a competição principal que acontece na parte da tarde.

Para além desta discriminação de actividades para interessar e levar ao estádio os adeptos e praticantes do rugby a federação cobra as entradas através de preços diferenciados.

Há vantagens de duas ordens com este procedimento:
  1. praticantes de rugby
    1. promover a excelência do rugby nos adeptos e praticantes jovens para criar os adeptos do futuro da modalidade
  2. receitas da federação
    1. directas - angariar alguma receita que no início será de menor monta para investir na estrutura da promoção
    2. indirectas - conseguir encher o estádio e assegurar para os patrocinadores uma maior audiência dando um maior retorno para o financiamento dos patrocinadores que neste caso terão sido a CGD e a Superbock
O rugby quando conseguiu vitórias significativas com as selecções de Tomás Morais ganhou uma visibilidade que lhe permitiu avançar para a remuneração dos espectáculos de rugby dados pela selecção.

Outras modalidades não poderão de um momento para o outro começar a cobrar receitas dos seus jogos, haverá que criar produto de excelência para conseguirem começar a obter receitas privadas.

Este transformação e alavancagem de receitas pode ser fortemente remuneradora conseguindo a modalidade alcançar um limiar de massa crítica.

A discriminação de produtos é um complemento da actividade regular ao nível dos clubes mais pequenos e o investimento no carácter lúdico das actividades ao nível mais baixo e suscitadas por um evento com a selecção nacional são dois aspectos onde a actividade das federações deveria ser incentivada.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Desporto e Actividade Física

Para a identificação do sector este deveria ter apenas um nome: Desporto.

Muitos outros sectores são conhecidos como Economia, Cultura, Direito, Engenharia, Saúde, Transportes, Finanças, etc.

No domínio da economia do desporto investigadores como Gratton e Taylor (1985, 2000) Sport and Recreation, e Downward, Dawson e Dejonghe (2009), Sports Economics: theory, evidence and policy, entre outros usam a definição do Conselho da Europa. Para os economistas a definição do Conselho da Europa mantém-se actual.



Tenho a ideia de que a actividade física, que acompanha o desporto em inúmeros documentos em voga na Europa, surgiu para além do querer das instituições desportivas federadas.

O título ‘desporto e actividade física’ ou vice-versa parece uma redundância se se considerar a definição de desporto de acordo com a sua essência.

A definição da Carta Europeia do Desporto do Conselho da Europa é um conceito útil porque tem os elementos bastantes para conseguir uma definição de desporto.

Nesta definição de desporto encontram-se os seguintes elementos:
1.    Todas as formas de actividade física;
2.    Jogos tradicionais e competições;
3.    Organização casual ou regular;
4.    Expressar o:
a.    Aumento da capacidade física;
b.    Bem-estar mental;
c.    Formando grupos sociais;
d.    Obter resultados em todos os níveis.

Como ler estes elementos na perspectiva de definição de desporto:
1.    A actividade física é o elemento nuclear de toda a actividade desportiva seja amadora ou profissional;
2.    A competição é a actividade que mede a actividade física nuclear seja a amadora ou a profissional;
3.    Toda a prática de desporto da base ao topo gera co-produtos e externalidades, por exemplo para poupar dinheiro na saúde;
4.    Existem níveis distintos de prática desportiva daí o amador e o profissional como níveis de uma estrutura.


Ou seja, a definição em múltiplos documentos europeus de ‘desporto e actividade física’ é uma redundância porque desporto é e contém na sua essência actividade física.

Há questões adicionais que reforçam a pirâmide de produção desportiva e que foca a pirâmide de produção desportiva cuja propriedade pertence às federações.

A actividade física individual é uma forma de trazer para fora da pirâmide a actividade de base dizendo que são as pessoas que não querem pertencer à estrutura federada.

Podendo aceitar-se o movimento do consumo desportivo para a informalidade o essencial acaba por ser para muitas pessoas a pertença a uma estrutura social chamada clube e que se encontra integrada numa estrutura produtiva vertical.

Esta a razão para as federações não terem compreendido o que se estava a passar à medida que lhes eram propostas definições de actividade física desintegradas do conceito de desporto.

Se a actividade física aparece fora do desporto então as actividade física pode existir plenamente fora da estrutura federada.

A questão é que é a estrutura federada que melhor possui os níveis de apuramento eficiente das actividades físicas de cada nível de produto desportivo.

O informal sendo uma possibilidade é de dificil acompanhamento e é mais cara do que a produção federada eficiente.

Será o futebol a salvação do país

Os economistas discutem a venda ou a não venda da Caixa Geral dos Depósitos e da TAP agora que estão baratinhos e os aforradores e grandes empresários portugueses não têm dinheiro para as comprar.

Por exemplo, Álvaro Santos Pereira, aqui, não tem objecções intransponíveis e Pedro Lains, aqui, já apresenta dúvidas substanciais. A distinção é que Pedro Lains conhece a história da CGD e daí a sua relutância em promover a sua venda.

Contudo a venda de património público é mais complexa e o património do Estado está actualmente a ser transaccionado para a uma sociedade pública chamada Estamo que paga por 10 para vender por 100 ou para arrendar aos próprios, que acabaram de ser beneficiados com os 10 e que com as rendas que irão pagar dentro de alguns anos definitivamente retirarão benefícios negativos do negócio colocado pela empresa pública.

Estas actividades dão uma pálida ideia do que se faz com a contratação de jogadores de futebol sendo que no caso do futebol compram-se e vendem-se direitos de jogadores que cada vez mais são estrangeiros e não activos nacionais e geradores de valias financeiras entre outras funções sociais de não menor monta.

A Estamo terá actividades equivalentes aos clubes de futebol sendo que neste caso algumas são actividades que deixam os sócios desesperados.

De qualquer modo o desporto tem nestas compras e vendas vantagens definitivas, quanto ao saber-fazer, sobre o Estado português porque há décadas que os líderes desportivos do futebol são capazes de criar equipas vencedoras da Champions League, depois vendem os melhores jogadores e treinadores que conseguiram a vitória e no ano seguinte partem para novas vitórias, como é do conhecimento de todos.

É espantoso do momento que vivemos observar como procedimentos que se pensavam ser de melhorar no futebol e encontrar e trabalhar filosofias de acumulação de capital humano e social nos grandes clubes para lhes garantir performance estáveis no topo do futebol europeu e no longo prazo, afinal os comportamentos a evitar surgem como soluções de eleição do Estado português.

Pessoas que dá gosto falar e trabalhar, particularmente

Há muitos anos tinha acabado de fazer e de ser publicado um livro de estatísticas do desporto e diz-me um presidente de uma federação.

"Estive a ler o livro e você fala muito mal da minha federação!"

"Ainda bem que o escreveu porque é aquilo mesmo que eu tenho dito a todos na minha modalidade."

Há outros presidentes e funcionários das federações que não falam, não discutem, apesar de lerem.

Há outros que discordam, porque sim.

Para outros ainda é indiferente e odiarão falar desse tipo de coisas.

É evidente para mim que o primeiro tipo é o mais interessante.

Todos são importantes e para todos é necessários trabalhar.

Os primeiro são muito poucos e há que trabalhar para que o seu número aumente independentemente do risco.

É um desafio aliciante trabalhar essa realidade nacional.

Dimensões reais e potenciais

As dimensões desportivas, organizacionais, económicas e sociais dos clubes portugueses são desajustadas da realidade desportiva europeia.
Pode especificar-se que a actual dimensão associativa do desporto é incomportável com uma dimensão potencial do desporto português.

Distribuem-se recursos públicos aleatoriamente como no passado e com a dimensão do protagonista privado sem uma avaliação do custo e do benefício da decisão.
As organizações desportivas actuais não têm estrutura de autonomia e assumpção do risco própria dos agentes privados e dessa forma a contratação pública é frágil porque negoceia com agentes menores sem relevância no exigente mercado desportivo europeu, dos mais fortes em todo o mundo.
O potencial do desporto português apenas se resolverá com programas dirigidos ao associativismo do desporto no respeito das suas responsabilidades e na garantia de remunerações para o nivelar europeu, às instituições privadas desportivas que acompanharem as exigências colocadas por programas nacionais bem definidos legislativa e financeiramente.

Isto é fácil de dizer e é mais difícil de fazer.
Para isso haverá de se saber o que se quer dizer, para onde se está a ir e como se irá cumprir o que se disser como vai ser.
O tempo nacional que leva a responder e alcançar os desafios da média europeia demonstra ‘preto no branco’ como existem diferenças de grau e dimensões distintas que materialmente irão manter Portugal no lugar onde está, face aos seus concorrentes directos no mercado do desporto.

Dizia ontem António Nóvoa, que por sinal já demonstrou saber melhor que outras pessoas o que é o desporto, que a universidade não tem estado activa a resolver os problemas nacionais e que a universidade não lida bem com a exposição pública.
Creio que a universidade do desporto vive neste mundo ausente e mesmo quando colocada à mesa da administração pública trás os seus arquétipos e problemas em vez de assumir o papel transformador de uma visão articulada entre Estado e universidade.

Conviria que o desporto beneficiasse da resolução das contradições kafkianas que António Nóvoa sugeriu que a universidade sofre por parte do Estado e que o desporto igualmente acolhe.

Ontem foi mais um momento de convulsão da consciência nacional no prose contras a discutir a universidade e o país.

O desporto não estava e não esteve lá.

Quando Krus Abecassis queria a Feira Popular em Belém

O repúdio da população aumentou quando se começou a concretizar o projecto que visava aproveitar os terrenos da Feira Popular para o imobiliário.

O melhor sítio para colocar a Feira Popular era frente aos Jerónimos e ao palácio do Presidente da República.


Desde há alguns anos a ideia de vender a Lapa para o imobiliário para salvar a dívida das finanças e da República é de igual jaez.

Afinal se existe bairro mais nobre é o da Lapa onde existem embaixadas, palácios, uma faculdade, a Assembleia da República, a residência do Primeiro-Ministro para além de um bairro popular que se vai transformando como já aconteceu com o Bairro Alto e que mantém também populações modestas.

É neste nicho alfacinha que se quer colocar um imobiliário e eventualmente um centro comercial e sabe-se lá mais o quê.

O Complexo Desportivo da Lapa de facto pode perder algumas das suas características desportivas actuais mas deveria ser o centro cultural de uma zona de excepção.

Tanto no tempo de Krus Abecassis como agora "há pessoas que não as pensam" são ignorantes e perigosas e não concebem o que é o potencial da Lapa e do Complexo que deveria ser um centro de vida comunitária com áreas culturais, desportivas e de outras valências que não me cabe aqui discorrer.


De facto o Complexo da Lapa deveria ser apropriado pelos seus residentes, principalmente pelos intelectualmente mais interessantes e interessados, para que dissessem o que esperavam daquele espaço e as instituições locais deveriam ter o direito de propriedade do mesmo.

O inquérito à população e às suas forças vivas e um concurso de ideias certamente traria para o bairro da Lapa uma face renovada e a capacidade de resolução de desafios que certamente este bairro possui e que pela sua história mereceria ver concebida e criada, para alem de abrir janelas para o futuro e o bem-estar comum de lisboetas de diversa origem.

Construir mais propriedade imobiliária e centros comerciais iguais ao que por aí prolifera é uma solução que retira valor económico à propriedade da Lapa que está num patamar superior de oferta de história e cultura para bem viver e ser lisboeta.

Para isso é necessário que haja líderes que assumam o projecto de excelência único para a Lapa.

Sendo a Lapa residência de tantas pessoas importantes é de ter a certeza que se o imobiliário tiver sucesso no Bairro da Lapa de Lisboa então pouco mais haverá que esperar de muito mais coisas neste país.