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quarta-feira, 30 de março de 2011

Desporto e Actividade Física

Para a identificação do sector este deveria ter apenas um nome: Desporto.

Muitos outros sectores são conhecidos como Economia, Cultura, Direito, Engenharia, Saúde, Transportes, Finanças, etc.

No domínio da economia do desporto investigadores como Gratton e Taylor (1985, 2000) Sport and Recreation, e Downward, Dawson e Dejonghe (2009), Sports Economics: theory, evidence and policy, entre outros usam a definição do Conselho da Europa. Para os economistas a definição do Conselho da Europa mantém-se actual.



Tenho a ideia de que a actividade física, que acompanha o desporto em inúmeros documentos em voga na Europa, surgiu para além do querer das instituições desportivas federadas.

O título ‘desporto e actividade física’ ou vice-versa parece uma redundância se se considerar a definição de desporto de acordo com a sua essência.

A definição da Carta Europeia do Desporto do Conselho da Europa é um conceito útil porque tem os elementos bastantes para conseguir uma definição de desporto.

Nesta definição de desporto encontram-se os seguintes elementos:
1.    Todas as formas de actividade física;
2.    Jogos tradicionais e competições;
3.    Organização casual ou regular;
4.    Expressar o:
a.    Aumento da capacidade física;
b.    Bem-estar mental;
c.    Formando grupos sociais;
d.    Obter resultados em todos os níveis.

Como ler estes elementos na perspectiva de definição de desporto:
1.    A actividade física é o elemento nuclear de toda a actividade desportiva seja amadora ou profissional;
2.    A competição é a actividade que mede a actividade física nuclear seja a amadora ou a profissional;
3.    Toda a prática de desporto da base ao topo gera co-produtos e externalidades, por exemplo para poupar dinheiro na saúde;
4.    Existem níveis distintos de prática desportiva daí o amador e o profissional como níveis de uma estrutura.


Ou seja, a definição em múltiplos documentos europeus de ‘desporto e actividade física’ é uma redundância porque desporto é e contém na sua essência actividade física.

Há questões adicionais que reforçam a pirâmide de produção desportiva e que foca a pirâmide de produção desportiva cuja propriedade pertence às federações.

A actividade física individual é uma forma de trazer para fora da pirâmide a actividade de base dizendo que são as pessoas que não querem pertencer à estrutura federada.

Podendo aceitar-se o movimento do consumo desportivo para a informalidade o essencial acaba por ser para muitas pessoas a pertença a uma estrutura social chamada clube e que se encontra integrada numa estrutura produtiva vertical.

Esta a razão para as federações não terem compreendido o que se estava a passar à medida que lhes eram propostas definições de actividade física desintegradas do conceito de desporto.

Se a actividade física aparece fora do desporto então as actividade física pode existir plenamente fora da estrutura federada.

A questão é que é a estrutura federada que melhor possui os níveis de apuramento eficiente das actividades físicas de cada nível de produto desportivo.

O informal sendo uma possibilidade é de dificil acompanhamento e é mais cara do que a produção federada eficiente.

terça-feira, 15 de março de 2011

Eficiência económica e convergência ou divergência com a União Europeia

Os conceitos económicos são definições cuja aplicação ajuda os abentes, as instituições e os sectores a progredirem económica e socialmente.

A eficiência relaciona o output e o seu custo.

A produção eficiente é aquela que é feita pela melhor aplicação dos recursos existentes.

Na verdade o desporto poderá estar a fazer a melhor aplicação dos recursos que estão disponibilizados ao desporto.

A única forma de verificar se o desporto português é eficiente é compará-lo com os resultados de eficiência de outros países.

Sem fazer esses estudos o desporto português desconhece onde está, como se está a comportar e para onde vai.

A pergunta mais interessante é a seguinte:

Com os recursos que aplica e os resultados que produz no desporto, Portugal está a convergir para as médias da União Europeia ou está a divergir?

terça-feira, 8 de março de 2011

O futebol de Portugal e da Alemanha

A propósito da venda do estádio do Borussia de Dortmund o Gato Maltez faz uma comparação entre o futebol português e alemão.
Procuremos aprofundar um pouco mais estas diferenças

Na economia do desporto alemã se o Borussia não acertasse as contas ia à falência e baixava de divisão.
O Borussia compete num campeonato nacional competitivo entre todos os seus participantes e onde a gestão da liga garante que os estádios encham em todos os jogos.
A economia do desporto português é diferente.
As direcções dos clubes podem ter comportamentos de governance de risco que podem levar os clubes à falência como aconteceu com um ex-presidente da Liga de Clubes. 
A governance da federação, liga de clubes e Estado aceitam demasiados riscos. As cidades aceitam que os seus principais clubes vão à falência e não pressionam as direcções dos clubes e da Liga de clubes a corrigir os erros que se acumulam e que são do conhecimento público do topo à base da I Liga. Os patrocinadores aceitam financiar os clubes e os campeonatos falidos.
O fracasso principal do futebol português está na ética e na governance.
As vitórias europeias dos clubes nacionais são o exemplo que Portugal sabe construir equipas que todos os anos perdem os melhores jogadores para a Europa. Falta ao futebol português investir na credibilização do futebol da primeira liga e simultaneamente investir no equilíbrio da base do futebol amador e dos respectivos campeonatos.
Os resultados seriam extraordinários mas existe um peso excessivo dos princípios que sustentam que a actividade profissional é a determinante no futebol moderno.
Não é como o demonstram não só os alemães omo o Barcelona. O futebol europeu já não acredita que o futebol da I liga dos países e da Champions sirvam para alavancar mais-valias financeiras extraordinárias.
Há grandes negócios no futebol de topo mas segundo princípios de fair-play financeiro.
Esse é o sentido da UEFA e que a União Europeia aceita.
Nós temos casos de sucesso extraordinário como Ronaldo, Mourinho e Jorge Mendes mas estes são excepções que o futebol cria e permite e faz dele um sect0or económico entusiasmante mas isso é tudo.
Ronaldo, Mourinho e Jorge Mendes são excepções como Belmiro de Azevedo, Warren Buffet ou outro multimilionário mundial qualquer.
O exemplo do Gato Maltez com o Borussia tem interesse porque as boas ideias devem ser mostradas para compreendermos da sua viabilização em Portugal.
Não será economicamente viável ao Benfica, Sporting ou Porto venderem os seus estádios porque economicamente podem viver nesta economia do futebol português nos seus próprios estádios e falidos financeiramente ou a caminhar para lá.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

As leis boas beneficiam os agentes desportivos e a população

O debate que se faz sobre o Regime Jurídico das Federações Desportivas reflete a proximidade da sua aplicação à federação de futebol.

Economicamente é relevante que as leis sejam boas.

Os recursos são escassos e fazer uma má lei, ou com erros, custa o tempo de todos os envolvidos e das instituições e gera menor valor social.

Uma lei má dá sinais errados aos agentes privados e estes procuram encontrar soluções que poderão prejudicar a sociedade e a eles também não lhes fará bem.

Há vários critérios para a avaliação das leis. Os que se irão utilizar relacionam-se genericamente com a eficiência, a eficácia e a equidade.

Quer isto dizer que a análise das leis não se fará sobre a sua elegância jurídica ou forma de aplicação pelos agentes mas sobre os resultados materiais da criação legislativa no desporto.

É habitual ouvir juristas dizerem que as anteriores ou as actuais leis são melhores.

Esta afirmação deve ser aceite como um desejo. É decisivo para o bem de todos os agentes desportivos avaliar a relação entre a lei criada, os desejos dos seus autores e os resultados produzidos.

Por exemplo, o facto de termos tido três leis de bases no desporto mostra que os agentes desportivos valorizam a produção legislativa. A situação de atraso persistente, na cauda da Europa, sugere que as intensões de desenvolvimento não se concretizaram plenamente e que eventualmente a qualidade das leis do desporto portuguesas está noutro lado, mas não no produto desportivo nacional que se pretende comparar com o melhor produto desportivo europeu.

Ou seja, a realidade desportiva europeia demonstra que eventualmente inadvertidamente o processo legislativo nacional e a economia que tem subjacente têm sido incapazes, ao longo de 35 anos de legislaturas de fornecer aos agentes privados desportivos condições de competição desportiva equivalentes ao que beneficiam os adversários dos atletas portugueses por essa Europa.