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terça-feira, 26 de julho de 2011

Temos discurso com sentido. Puxemos por ele.

Segundo a comunicação social na Comemoração da República no Desporto houve duas intervenções sobre a definição de desporto. Diz a notícia:

"A questão da diversidade da nomenclatura do sector – desde educação física até desporto, passando por cultura física e tantas outras expressões – também mereceu um comentário de Manuel Brito, vereador camarário, e uma sugestão de Alexandre Mestre, para ser tida em sede de revisão constitucional.


O secretário de Estado apelou para que o meio académico chegue a um consenso terminológico. "Será porventura uma oportunidade boa para as Ciências do Desporto chegarem a uma uniformização conceptual, se é que Desporto em si não encerra já todas as outras definições", disse."

Uma definição deste género não poderá ser universal porque a sua riqueza relaciona-se com a apropriação dos agentes de acordo com os seus interesses particulares.
 
Cada instituição, organização e documento tem a sua missão e objectivo que pode ou não ser explícito no conceito geral. Para isso cada instituição, organização e documento deverá particularizar a sua razão desportiva.
 
A Motricidade é seguida em Lisboa e o Desporto no Porto.
 
A liberdade total dos agentes é reconhecida na aceitação de um  nome comum para a área, para o seu padrão. Desporto não é Direito, Saúde, Engenharia, Arquitectura, etc.
 
A frase "se é que Desporto em si não encerra já todas as outras definições" é fulcral, porque o nome de guerra do Direito é Direito e de Economia é Economia, tal como, Matemática, Português, Educação, Saúde, etc.
 
A legislatura anterior não compreendeu que ao colocar a Actividade Física estava a andar para trás no conceito fundamental.
 
O mais importante da Actividade e da Condição Física são os programas que a operacionalizam no seio da produção desportiva nacional.
 
Se se indicar na Constituição o conceito de Desporto por uma vez ficaria claro o nome do sector.
 
Esta parece a posição do PSD.
 
Será que o PS e o PCP concordarão em deixar cair a actividade física e a cultura física?

terça-feira, 26 de abril de 2011

A palavra aos políticos: critérios para a apreciação dos seus programas

O desporto tem de produzir mais produto.

O novo modelo económico do desporto português tem de ser eficiente para produzir mais desporto com o mesmo ou menos dinheiro.

Provavelmente terá que mexer na sua estrutura de produção, gerando economias em projectos que agora são ineficientes e concentrando os recursos escassos em projectos com maior potencial ou nos locais de maior carência.
Também não se trata de relançar a economia do desporto português porque este nunca teve uma economia lançada.

O desporto português necessita de uma economia capaz de produzir desporto segundo a estrutura e a racionalidade económica europeia.




São soluções para este modelo de produção desportiva nacional que deve ser pedido aos partidos que proponham aos eleitores.

Como esta solução de eficiência nunca foi exigida aos partidos políticos para o fazerem quando a economia e os meios financeiros fluiam abundantemente, agora tem de se pedir uma racionalidade capaz de responder positivamente, na óptica dos agentes privados desportivos, às restrições introduzidas pelos negociadores internacionais que talvez não tenham o desporto na primeira das preocupações.




Por exemplo, olhemos para os programas dos partidos que aí vêm quanto ao:
  • Interesse em corrigir as políticas erradas;
  • Comprometimento na inovação das instituições privadas do desporto;
  • Desburocratização, simplificação e eficiência administrativa privada e pública;
  • Valorização das estruturas de regulação privadas quanto à sua desconcentração para um tecido associativo e empresarial competitivo;
  • Incentivos à prática desportiva baseada no associativismo e nas organizações económicas e sociais de base;
  • Existência de políticas claramente envolvidas com o bem comum através do desporto;
  • Resolução dos problemas com as infra-estruturas desportivas que estão mal concebidas, por excesso, por carência de consumo, por incapacidade de liderança técnica, por falta de estatísticas e de estudos, etc;
  • Incentivos aos recursos humanos diferenciados em toda a estrutura de produção desportiva da base ao topo;
  • ...

A produção do produto desportivo é o elemento que os partidos políticos portugueses trabalharam deficientemente nos últimos 30 anos não gerando o seu potencial nacional nem respondendo às suas carências.

Valerá a pena analisar os programas e votar naqueles que consigam demonstrar um envolvimento sério com o produto desportivo para alcançar as médias europeias.

As medidas direccionadas para o produto alavancarão as melhores estruturas federadas e que projectarão o seu produto em todos os níveis de produção da base ao topo.

Os programas dos partidos que realçarem resultados no alto rendimento devem ser tomados com cautela porque esse tem sido o receituário tradicional para a estagnação desportiva nacional.

Durante os últimos 30 anos apostámos mal nos resultados do alto rendimento gerados por investimentos públicos milagrosos.

O nosso último lugar europeu demonstra como esse objectivo fracassou.




Agora cabe a palavra aos políticos do desporto para conceberem a política de desporto equivalentes às que tiveram sucesso na União Europeia nos últimos 60 anos.

A 5 de Julho chegará a vez dos eleitores escolherem o modelo e a política que preferem.



Mais tarde chegará o programa de Governo.

Vamos avançando passo a passo.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Desporto e Actividade Física

Para a identificação do sector este deveria ter apenas um nome: Desporto.

Muitos outros sectores são conhecidos como Economia, Cultura, Direito, Engenharia, Saúde, Transportes, Finanças, etc.

No domínio da economia do desporto investigadores como Gratton e Taylor (1985, 2000) Sport and Recreation, e Downward, Dawson e Dejonghe (2009), Sports Economics: theory, evidence and policy, entre outros usam a definição do Conselho da Europa. Para os economistas a definição do Conselho da Europa mantém-se actual.



Tenho a ideia de que a actividade física, que acompanha o desporto em inúmeros documentos em voga na Europa, surgiu para além do querer das instituições desportivas federadas.

O título ‘desporto e actividade física’ ou vice-versa parece uma redundância se se considerar a definição de desporto de acordo com a sua essência.

A definição da Carta Europeia do Desporto do Conselho da Europa é um conceito útil porque tem os elementos bastantes para conseguir uma definição de desporto.

Nesta definição de desporto encontram-se os seguintes elementos:
1.    Todas as formas de actividade física;
2.    Jogos tradicionais e competições;
3.    Organização casual ou regular;
4.    Expressar o:
a.    Aumento da capacidade física;
b.    Bem-estar mental;
c.    Formando grupos sociais;
d.    Obter resultados em todos os níveis.

Como ler estes elementos na perspectiva de definição de desporto:
1.    A actividade física é o elemento nuclear de toda a actividade desportiva seja amadora ou profissional;
2.    A competição é a actividade que mede a actividade física nuclear seja a amadora ou a profissional;
3.    Toda a prática de desporto da base ao topo gera co-produtos e externalidades, por exemplo para poupar dinheiro na saúde;
4.    Existem níveis distintos de prática desportiva daí o amador e o profissional como níveis de uma estrutura.


Ou seja, a definição em múltiplos documentos europeus de ‘desporto e actividade física’ é uma redundância porque desporto é e contém na sua essência actividade física.

Há questões adicionais que reforçam a pirâmide de produção desportiva e que foca a pirâmide de produção desportiva cuja propriedade pertence às federações.

A actividade física individual é uma forma de trazer para fora da pirâmide a actividade de base dizendo que são as pessoas que não querem pertencer à estrutura federada.

Podendo aceitar-se o movimento do consumo desportivo para a informalidade o essencial acaba por ser para muitas pessoas a pertença a uma estrutura social chamada clube e que se encontra integrada numa estrutura produtiva vertical.

Esta a razão para as federações não terem compreendido o que se estava a passar à medida que lhes eram propostas definições de actividade física desintegradas do conceito de desporto.

Se a actividade física aparece fora do desporto então as actividade física pode existir plenamente fora da estrutura federada.

A questão é que é a estrutura federada que melhor possui os níveis de apuramento eficiente das actividades físicas de cada nível de produto desportivo.

O informal sendo uma possibilidade é de dificil acompanhamento e é mais cara do que a produção federada eficiente.