domingo, 8 de maio de 2011

Programa do PSD

O programa do PSD está aqui.

A utilidade dos programas é a possibilidade de conseguir manter um discurso coerente com as eleições e para depois das eleições transmitir ao programa de governo ou da oposição um fio condutor.

Pareceu-me que o programa do PS era uma continuação da legislatura, como aliás isso está afirmado.

Este programa do PSD tem aspectos interessantes e limitações:

1.      Aspectos relevantes:
a.       Põe a Cultura em paralelo com o Desporto;
b.      Fala de um programa
c.       Inclui o desporto em várias áreas como a educação, o exterior, o Estado social e o turismo
2.      Limitações
a.       Não fala da junção dos comités olímpicos e da CDP
b.      Não adianta estatísticas ou índices de realização
c.       Não fala das empresas do desporto fala da concorrência e isso pode aplicar-se às federações também
d.      Não fala das leis do desporto e o que vai fazer com elas

Foi uma leitura muito rápida que suscita as notas que deixo.

O Estado deveria fazer um estudo sobre o futebol ou melhor ainda um Livro Branco sobre o desporto português

As outras modalidades estão convencidas de tudo o que lhes dizem sobre a maravilha da política desportiva nacional ficarão preocupados quando a Liga de Clubes de Futebol apresentar o seu estudo.

Mas o relevante é que o estudo da Liga vai de facto trazer as preocupações privadas do futebol e colocarão essas preocupações como objectivos públicos que interessam a todas as modalidades.



A história não é nova e temos comportamentos diferentes na União Europeia e na Austrália e em Portugal.
A União Europeia fez um estudo em parceria com a UEFA, o Relatório Independente (Arnaut). As outras federações criticaram o RI e a União Europeia fez rapidamente o Livro Branco onde aprofundou o trabalho anterior e manteve a estrutura e a formulação de política desportiva.

Na Austrália o Governo vai fazer um estudo sobre o seu futebol. Ver aqui. Trata-se de um estudo sobre o mega-evento da Taça da Ásia e que o Governo analisa os problemas de toda a modalidade.

Nos anos mais recentes a história em Portugal foi a destruição dos poucos esforços privados e não criação de estudos e análises por entes públicos sobre a produção desportiva nacional. Vejamos o exemplo da Liga de Clubes.

A Liga de Clubes fez há anos um estudo económico sobre a arbitragem que suportava o modelo da arbitragem liderado por Vítor Pereira o qual considerava ser o adequado para Portugal de acordo com o modelo da FIFA e UEFA que ele conhecia bem, como melhor árbitro nacional.

Quando o estudo foi apresentado na Alfândega do Porto Houve quem criticasse e disse que se procurava dar um passo maior do que a perna e que ia fazer diferente. Nada fez ao fim destes anos todos. A história restante é conhecida:
  1. A arbitragem da Liga foi queimada em lume brando pelo campeonato dos clubes profissionais falidos e pela comunicação social com as pequenas histórias de cada jogo;
  2. A federação não desenvolveu um novo modelo de arbitragem;
  3. Outros focos de instabilidade que podiam ter sido analisados e solucionados como a violência, a corrupção, a falência dos clubes, o fracasso das selecções de futebol e a sua reputação dão sinais para a sociedade negativos continuados.
Na perspectiva pública os elementos que interessa analisar são:
  1. O futebol português tem uma base social de apoio magnífica nacional e internacional;
  2. O futebol português pode chegar ao milhão de praticantes federados (desde que se equaciona assumir essa meta) e apenas tem 150.000;
  3. Os clubes de base, os clubes amadores pagam salários a amadores estrangeiros estão falidos e necessitam de aumentar o número dos seus praticantes e de resolver o problema dos amadores remunerados;
  4. Não há dinheiro público para dar prática formal através dos ginásios, academias e escolinhas à maior parte da juventude portuguesa, mas é através destas organizações que os actos de política se orientam colocando a racionalidade do edifício de produção do futebol de pernas para o ar;
  5. Na prática profissional há contradições relacionadas com os direitos de propriedade do associativismo desportivo que está a ser expropriado pelos agentes e pelos comportamentos liberalizantes que impedem a criação de uma massa crítica de capital humano, social e organizacional única capaz de sustentar quer o desporto profissional e a geração sustentada de capital financeiro nos clubes na I Liga, quer o aumento do produto apropriado pelos sectores a jusante consumidores de conteúdos relacionados com a comunicação social, o marketing, etc, quer a transfiguração das selecções nacionais de futebol.
Ou seja, o mais fácil seria o Estado fazer um Livro Branco do Desporto português para todas as modalidades, como fez a Europa.

Alguém virá dizer mas isso é o que é feito no Conselho Nacional de Desporto.

Ora isso não é correcto porque o que faz o CND nada é público.

A União Europeia e todos os países desenvolvidos do mundo que fazem estudos anunciam publicamente o que fazem e quem o faz. O CND tem um regime de concobinato naturalmente sigiloso e incapaz de resolver os problemas do país.

A União Europeia tem reuniões com os agentes privados do desporto europeu e tem uma base científica nos documentos de política que faz, que se sustentam em estudos e todos são do domínio público.

Os trabalhos da CND não se conhecem e quando as consequências dos seus putativos actos chegam ao domínio público verifica-se que são uma miséria para o interesse dos praticantes e dos agentes menos influentes e os grandes contentam-se com as migalhas que lhes chegam às mãos. Toda a situação é por demais deprimente e degradante e todos estão contentes dentro e fora do CND.


Quanto ao estudo da Liga de Clubes de futebol é mais provável que alguém faça o mesmo que já fez com Hermínio Loureiro, ex-presidente da Liga de Clubes e com Vítor Pereira presidente da arbitragem profissional.

Quando Fernando Gomes, actual presidente da Liga de Clubes, apresentar o seu estudo da I Liga virá alguém queimar o estudo e dizer que para nada serve e não vai apresentar nada em alternativa, prejudicando objectivamente o futebol e os agentes privados para toda a legislatura e mais uma década de divergência europeia.

Criticar por criticar sem a assumpção de fazer e dar a cara pelo feito é o que se faz.

Mas em Portugal remunera destruir o trabalho alheio, em particular o económico e o social, e se quando se tem a jactância de atentar contra o trabalho do melhor árbitro português, o que é que não se será capaz de fazer mais?

Com a crítica feroz ao estudo de Vítor Pereira destruindo o seu suporte técnico e económico a mensagem que se passou foi: se no desporto português vocês fizerem estudos económicos eu irei destruir o que fizerem.

O país tem 20% de pobres e pessoas com fome e 40% de pessoas que não pagam IRS, ou seja uma percentagem acumulado de 60% de população carenciada de desporto e houve a coragem de durante os últimos anos não se fazer o mínimo estudo sobre as características sociais e económicas da prática desportiva nacional.

Os líderes do desporto portugueses não têm a mínima ideia do que é que estão a fazer e quais os impactos das medidas que negociam.

Acerca do exercício físico e da Marcha e Corrida

A investigação na Universidade Técnica de Lisboa dá passos de gigante acerca do exercício físico e do programa Marcha e Corrida.
  1. Um estudo recente realizado pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que, em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano. Conclusão: Segundo conclusão do Instituto Superior de Economia e Gestão, da Universidade Técnica de Lisboa, cada português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, concluindo pela sua economia e que há áreas em que os portugueses não precisam da troika para nada.

sábado, 7 de maio de 2011

No desporto e na cultura a troika somos nós

Portugal, nós nunca ambicionámos ter cem por cento dos praticantes.

Nós não acompanhámos o século XX do desporto europeu. Esse fardo de ignorância tolhe a nossa disponibilidade para nos engrandecermos no desporto europeu.

Pensámos ser mais fácil ambicionar ter medalhas que elas apareciam, como apareceram e aparecem.

Deixámo-nos enganar pelas medalhas ganhas em valor absoluto. Eusébio, Carlos Lopes, Rosa Mota, Carlos Queiroz, a geração de ouro, Euro2004, Ronaldo, Mourinho, final portuguesa de Dubblin, são tudo medalhas que ilustram que não temos limites e que os nossos limites somos nós próprios, as nossas mentiras a nós próprias, a nossa falta de ética e arrogância.

Quando relativizamos e comparamos os nossos resultados com os outros vemos que as coisas são diferentes e acobardamo-nos.

Tornamo-nos pequenos e aceitamos ser inferiores aos outros.


Temos de ambicionar valores desportivos da média europeia.

Devemos começar pelos nossos filhos.

Necessitamos de fazer a nossa troika do desporto e estabelecer um Memorando de Entendimento aceite por todos os agentes do desporto e dirigido à sociedade apra a mobilização de vontades e recursos extraordinários e escassos.

A participação desportiva é esse o objecto nacional maior.

Nele devem estar medidas horizontais e estudos e intrumentos a que nos obrigamos a cumprir.

Porquê aceitar que troikas estrangeiras façam a nossa responsabilidade?

O PS, CNAPEF e a SPEF, por exemplo, e a APOGESD também laboram num erro comum

O Partido Socialista, o Conselho Nacional das Associações de Professores e Profissionais de Educação Física, a Sociedade Portuguesa de Educação Física, a Associação Portuguesa de Gestão do Desporto falam das condições gerais do funcionamento do desporto português como se aquilo que dizem se aplique da mesma forma a uma indústria com 10% de praticantes desportivos jovens ou para uma indústria com 50%, 60%, 70% ou mais praticantes desportivos no seio da população em idade escolar.

Já a Associação Portuguesa Mulheres e Desporto laboram outro erro e deveriam inundar o país com o fracasso da equidade da prática desportiva desportiva e pecam por défice clamoroso de fazerem ouvir a sua voz e as suas razões. Tem havido uma convergência da prática das mulheres para os índices dos homens mas os valores são medíocres.
Todas estas organizações estão erradas ou falham o essencial.

O problema não é estarem erradas.

O problema é não estudarem, não conhecerem o exemplo europeu, não assumirem uma ambição plena e não reconhecerem o erro nacional e o seu e não trabalharem consistentemente para actuar sobre outra perspectiva condicente com a realidade nacional no seio da Europa do desporto.

Ainda não foram publicados os programas do PSD, PCP, CDS, PV ou BE mas o mais certo é laborarem deste erro comum em Portugal.

O documento da troika é quantificado e os documentos do desporto também devem ser quantificados.

A CNAPEF e a SPEF, assim como, a APOGESD parece que ficam com os seus interesses corporativos todos resolvidos. Os prejudicados são a juventude e a população portuguesa, ou seja, sem prática os prejudicados são os profissionais do desporto.

A APMD não deveria contemporizar com a sua menorização objectiva.



Agora passo às palavras mais duras:

I
Intelectualmente não é muito inteligente como estratégia, pois não?

Esta situação nacional é uma vergonha, não é?

Quem são os líderes desportivos que serão capazes de se envergonhar desta situação e estão na disposição de dar a sua cara e a sua palavra por um desporto na média europeia?



II
Há um argumento de que somos pequenos e não podemos produzir mais desporto é incoerente porque os países mais pequenos da Europa são os que possuem indicadores agregados mais desenvolvidos e superiores aos dos grandes países.

Países europeus com 3, 4, 5 milhões de habitantes estão quase todos à nossa frente.

Isto é uma vergonha, isto é contrário ao interesse da população portuguesa e com os resultados desportivos de Portugal a espessura das suas instituições, do seu aparelho produtivo e do seu mercado privado é mais fina e são os próprios postos de trabalho dos profissionais destas organizações que estão em causa.

As lideranças desportivas objectivamente não defendem os interesses dos seus associados. As lideranças prejudicam os seus associados.

Só lideranças fracas não assumem e não impõem negociações sobre o aumento da prática da população portuguesa para níveis europeus numa geração.
Essa é a razão porque estamos em último lugar na Europa: os lideres nas universidades, na políticas, nas corporações, no associativismo e nas empresas são medíocres porque não assumem objectivos que comportem o risco de cumprir metas europeias para Portugal subir na média europeia.

Há duas consequências:
  1. Portugal diverge na Europa do desporto;
  2. O desporto não acompanha a competitividade dos outros sectores nacionais.


III
Mas é assim que todos temos actuado há décadas.

Os partidos políticos que não são atrasados mentais, de ética política andam distraídos e contam os euros recebidos entre fazer política com negligência, preferem não se comprometer nada e dão aquilo que é pedido pelas corporações de desporto que dizem que são obviamente quem mais sabe de desporto e o que o desporto precisa.

Se são quem mais sabe de desporto porque é que aceitam soluções menores no quadro europeu, quando medidas as suas acções perante os princípios desportivos, culturais e nacionais?

Os políticos se não se querem comportar como mal deveriam colocar a situação fundamental que era perguntar:

"Vossas Excelências que sabem tanto de desporto digam-me o que é necessário para darmos prática desportiva a toda a população portuguesa.
Nós necessitamos de economizar na saúde, educação e segurança social, prometi conteúdos desportivos e culturais ao turismo para eles trazerem euros para pager as nossas dívidas e prometi empregos sustentáveis no desporto às famílias quando lhes peço votos.
Digam-me como fariam e vamos a ver se isso interessa à política do meu partido para o bem-estar nacional?"

As reuniões entre políticos e organizações corporativas a CNAPEF e a SPEF, assim como, a APOGESD, as reuniões do Conselho Nacional do Desporto correm sempre com intenso cheiro a rosas, salvo seja, e afinal é objectivamente inaceitável muito do resultado do trabalho feito.



Conclusão
Recomendo vivamente aos líderes desportivos a consulta urgente ao psiquiatra para definir se a sua incapacidade de definir e exigir objectivos de aumento da participação desportiva dos portugueses para a média europeia não se deve a masoquismo. A outra hipótese é serem incompetentes ou estarem a receber dinheiro, benefícios e mordomias para definir metas abaixo do óptimo europeu de Portugal. Quem é que vos compra são os partidos, os empresários, os vossos associados?

Assumir metas acima do 'business as usual' é um risco que Vossas Exas. não correm e presidem aos pobres destinos do desporto português.


Nota acessória
Pois é caros amigos porque tenho a certeza de ter amigos em todas essas organizações e a leitura que faço do Vosso output organizacional e ético é claramente insustentável como pessoas que se prezam e amam o Vosso país.

O futuro de Portugal está também nas nossas mãos, há pessoas que já não alcançam a realidade e é necessário encontrar soluções, por vezes imaginativas, para as ultrapassar e também ter a força para colocar no terreno as medidas que beneficiarão o todo e os nossos filhos indubitavelmente e que afastam as pessoas que já não vão lá.

Começo a estar desesperado por Portugal não definir a curto prazo as suas políticas desportivas com base em estatísticas claras e se comprometer pela sua honra a cumprir essas metas mediante os recursos atribuídos pela sociedade para chegar à média europeia no médio prazo.


As troikas da vida
A troika não fala de desporto como não fala de cultura.

Era o que faltava que viessem pessoas de fora a dizer ao desporto português o que fazer para resolver a sua crise.

Ou será que estou enganado?

Redondamente enganado?

Terei sido mal-educado e desrespeitador no que atrás digo e sugiro?

Ou terei sido duro e frontal demonstrando as consequências e a face real do desporto português e das políticas que todos fazemos e colocado a responsabilização do que se passa nas Vossas mãos?

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Estamos num regime que é democrático?

Sem uma bitola independente, sem liberdade de expressão, sem democracia ou na ausência de princípios inamovíveis sobre o certo e o errado, o errado, o erradíssimo e o inadmissível tornam-se moeda corrente, boa moeda, em nome de entes superiores sacrificados e inomináveis.

Também sem princípios e sem políticas expressas de que se prestam contas há pachorra para todos os peditórios, mesmo para aqueles que sendo ricos sabem as esquinas para a captura de recursos públicos mesmo os escassos como no desporto.

As leis, os programas públicos e os tribunais estão a jeito e são inamovíveis na sua incapacidade e na sua prepotência para a aceitação da sua negligência.

E afinal o que fazer no desporto?

Produzir desporto para 80% da população?

Como é que se produz desporto para 80% da população?

Dar desporto escolar a 10% dos jovens é europeiamente aceitável?

É legal defender que 100% da população portuguesa deveria praticar alguma forma de desporto, chame-se recreação, desporto para todos, ou exercício físico?

Se não é para dar o bem-estar social, também através do desporto, o regime democrático português para que serve?

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Na Grécia antiga Cronus e Rea comiam os filhos quando estes nasciam

Rea para proteger o sexto filho, Zeus, esconde-o nas montanhas de Creta com o apoio de Cretans e a cabra sagrada Amalteia alimenta Zeus no início da sua vida.


O facto de Portugal não estruturar claramente um projecto de usufruto do desporto para a maior parte da sua juventude é um exemplo próximo da lenda grega.

Nos últimos vinte anos Portugal recusa-se a cativar e canalizar para a sua juventude os meios necessários (humanos, monetários, organizativos, científicos, ...) e objectivamente alimenta-se do que não atribui à sua juventude impedindo a sua juventude de crescer e prosperar a 100%.

Portugal não concebe definir a necessidade de financiamento para a prática desportiva de toda a sua juventude e não considera como intocáveis os meios destinados a elevar o usufruto pleno e potencial de desporto da sua população jovem ao nível da Europa ou ao nível dos seus mais ambiciosos objectivos neste domínio.

Cronus rever-se-ia no comportamento dos portugueses. Como somos deuses podemos alimentar-nos dos alimentos dos nossos filhos e não somos europeus.



É nesta contradição que melhor se materializa o Estado Exíguo definido por Adriano Moreira.

A contradição é entre as necessidades da juventude e a inépcia desportiva nacional, pública e privada, no que respeita a um domínio que deveria ser intocável e primordial como a juventude.

Portugal alimenta-se desses valores sagrados em vez de os aplicar nos seus filhos e dar o gozo da prática desportiva a todos sem excepção.



Os eleitos que lideram o desporto escolar são orgulhosos dos menos de 10% dos jovens que praticam desporto, mesmo quando lhes dizem que na Catalunha são 70% os jovens em idade escolar a usufruir de desporto.

Há duas décadas que as políticas desportivas para a juventude falham e os governos nada fizeram de efectivo para fazer crescer a participação dos jovens para valores europeus. O Estado aumentou os subsídios e os resultados continuaram a não aparecer primeiro com o Totoloto e depois com o Euromilhões. As federações não se interessaram o bastante para assumirem a liderança da produção desportiva de base actuando em parceria com escolas, autarquias e clubes.



 

Necessitamos que a troika chegue ao desporto português para podermos passar de adoradores de Cronos, a europeus e cidadãos do mundo que amam, protegem e potenciam a sua juventude também através do desporto.

Tal como o país só a troika poderá dar ao desporto a cabeça que não tem com os princípios, os instrumentos e a perseverança necessária para alcançar a média europeia apesar das medidas de austeridade que aí estão.

Sem a adequação das medidas da troika ao desporto a situação que me serviu de ilustração, de absoluto desajustamento entre as necessidades da nossa juventude e o que foi atribuído a inúmeras gerações de jovens portugueses durante os últimos vinte anos, irá tornar-se ainda mais insuportável se nos tornarmos europeus com as medidas que a troika aplicar a outros sectores.

O desporto europeu e mundial evoluiu e talvez a troika consiga regular o desporto nacional para manter os jovens no desporto, combinado acordos vantajosos entre a pluralidade de parceiros relevantes, para elevar a prática desportiva dos nossos jovens rapidamente aos 70%.

As regras da troika deveriam proteger o jovem e a sua prática desportiva, deveria ser exigente quanto às responsabilidades das grandes instituições do desporto e da educação e também envolver responsavelmente toda a estrutura associativa e a empresarial, deveria exigir transparência e ser severo na protecção dos direitos dos jovens e na correcta aplicação dos recursos destinados ao sector, assim como, na auditoria e apreciação periódica dos resultados. Por fim a troika deveria criar novos poderes no desporto e eventualmente na sociedade para ajudar os responsáveis a controlar futuras crises na produção de desporto para os jovens portugueses.

Apesar do que digo, acho mesmo que só com a troika a acompanhar.



Como certos líderes nacionais vivemos no reino do subliminar e do oblívio onde os outros povos concebem a vida dos seus deuses bárbaros.


Há coisas que não devia ser necessário ninguém exaltar-se para serem feitas.
E não vai ser por alguém se exaltar que serão feitas, nem que seja algo primordial como a juventude de Portugal.

Mas porque somos deuses necessitamos de troikas.

Atentamente de Vossas Excelências

Fernando Tenreiro

Puro como o cristal (do inglês 'cristal clear')

Nenhum partido apresentou as medidas estruturais da troika.

Todos concordarão que o caminho de Portugal era directo para o abismo.

Todos concordarão com os propósitos subjacentes às iniciativas da troika, embora discordando da sua formulação, dimensões e impactos particulares, são vitais para o país.

Conclusão

Se este é pacificamente o cenário nacional, é certo que a troika não falou do desporto, não vai falar e ninguém exterior ao desporto dará ao desporto o que a troika deu ao país ou dará o equivalente às características e necessidades do desporto.

Há quem engane João Lagos

O conhecido empresário do Estoril Open veio afirmar que paga mais impostos do que recebe de subsídios.

Enfim, toda a gente gostaria de receber do Estado mais do que paga de impostos mas isso tem a conhecida consequência de levar o Estado à falência e depois pedir muito dinheiro para pagar não só o capital que necessita para fornecer bens essenciais, como também para pagar os juros devidos à finança nacional e internacional.

Estão a enganar João Lagos!

Quem disse a João Lagos que ele devia exigir mais subsídios enganou-o e está a levá-lo a um beco sem saída que é a situação que o Open do Estoril tem há décadas a receber apoios públicos e o ténis nacional não tem estrelas, nenhum português vai longe no ténis como os espanhóis e apenas os mais ricos que praticam ténis engrossam as bancadas do Jamor.

João Lagos deveria assumir uma lógica empresarial mais agressiva perante o Estado português na óptica das políticas desportivas europeias.

Dizem a João Lagos que ele deveria exigir um estádio mas o Estado central e local não vê grande espingarda no pequeno Estoril Open sem estrelas portuguesas e sem estádios cheios e adeptos enlouquecidos às centenas de milhares, apenas com um mega-evento anual em território nacional e vai atrasando o passo ao centro de ténis de raiz para o maior evento português nesta modalidade.

João Lagos deveria exigir um programa para fomento da prática desportiva pelos jovens, pela oferta de ténis nas escolas e nos clube de bairro, por um programa de acompanhamento de talentos sério, por um programa de especialização e desenvolvimento de estrelas do ténis com base numa Escola Nacional de Ténis que bebesse das melhores mundiais e alguma coisa aprendesse com os espanhóis.

Com estas exigências a criatividade e empreendedorismo de João Lagos iria encontrar nichos de actividades no seio de um mercado competitivo de produção de ténis em múltiplas camadas sobrepostas capazes de gerar rendas eventualmente monopolistas interessantes em qualquer negócio, como se faz no desporto europeu. Passar de poucos milhares de praticantes para dezenas e centenas de milhar é o objectivo material de criação de massa crítica para suportar um alto rendimento com rendibilidades financeiras interessantes.

Enquanto João Lagos for aconselhado a capturar rendas dos frágeis líderes e orçamentos públicos, directamente para o seu mini-mega-evento nacional as taxas de rendibilidade que naturalmente consegue são desmotivadoras como João Lagos tantas vezes afiança na comunicação social nestes anos todos de Estoril Open.

Era bom que alguém convencesse João Lagos que neste momento de crise é relevante mexer no errado modelo de produção do ténis e do desporto português.

Essa pessoa deveria também asseverar a João Lagos que não pense em olhar apenas para o umbigo do ténis e exigir medidas para o ténis sem olhar e abranger a totalidade do desporto.

João Lagos deve ser convencido a, a partir da sua modalidade e do seu mega-evento, incentivar a modernização simultânea de todo o desporto português.

Sem o todo do desporto nacional o ténis é, salvo seja, uma mercearia no bairro do desporto europeu.

Com algumas adaptações os conselhos deste género aplicam-se a modalidades como o futebol, o atletismo, o voleibol, o andebol, o basquetebol, a ginástica, a natação para focar as modalidades com um discurso próximo de João Lagos com algumas matizes e peculiaridades.

O desafio das frágeis chefias intermédias

Um doutorando faz uma abordagem quantitativa demonstrando três aspectos:
  1. menos de 10% de praticantes de um segmento da prática desportiva em Portugal;
  2. mais de 70% de praticantes no mesmo segmento da prática desportiva na Catalunha;
  3. a situação de Portugal é insustentável e o doutorando apresenta um modelo alternativo baseado em inúmeras experiências europeias, cientificamente demonstrando a exequibilidade.
Segue-se o líder intermédio do sector que denota três aspectos:
  1. apresenta números absolutos da realidade actual, não os relativizando e citando apenas a realidade nacional;
  2. tem erros de raciocínio, de construção do modelo e apresenta uma política desacreditada;
  3. reafirma estar convencido que a política que apresentou é a melhor, apesar de ter conhecimento da intervenção que acaba de ser feita pelo doutorando e que esmaga a sua apresentação.
Os líderes desportivos actuais do desporto português, intermédios no exemplo que estou a apresentar, não têm cultura desportiva europeia em termos gerais, não assumem a cultura e a camisola da sua instituição baseando a sua actuação em princípios éticos, desportivos e sociais, não sabem defrontar e debater as dificuldades nacionais face a modelos teóricos e europeus alternativos.

Noutro nível o líder intermédio não foi capaz de dialogar com o doutorando nem durante a realização do evento, nem no seu final.

Este fracasso da liderança nacional continuará enquanto os líderes do desporto continuarem a ser escolhidos sem relação com o mérito e a capacidade de efectivamente terem e gerarem valor acrescentado para o desporto e a população portuguesa.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Memorando de Entendimento

Este documento deveria ser atentamente trabalhado pelo desporto nacional.

A leitura às primeiras páginas mostra como o passado a que as federações se habituaram a trabalhar terá sido passado.

Poderá sempre haver criatividade nacional mas o desporto já está a pagar ainda antes do comboio arrancar.

Vamos a ver se os amigos de sempre conseguem uma saída airosa para os amigos do coração das federações.

O documento que a comunicação social disponibiliza tem 34 páginas e segundo parece existem outros. Ver o poste com o link aqui.

Não fala da cultura nem do desporto.

É tecnicamente denso e sucinto sem 'floreados' e dizendo apenas o essencial do que quer dizer.

Tem os seguintes capítulos:
  1. fiscal policy
  2. finantial sector regulation and supervision
  3. fiscal-structural measures
  4. labour market and education
  5. goods and services markets
  6. housing market
  7. framework conditions
O Memorando exige um trabalho com duas questões principais:
  1. estar aberto à concepção e criação de um novo modelo para a produção desportiva nacional
  2. explorar o Memorando da troika e outros que sejam disponibilizados desenvolvendo as melhores condições para o desporto
Há algumas questões interessantes no documento que tanto podem ser positivas como terem um impacto negativo significativo no desporto, por exemplo:
  1. ...
  2. minimizar o impacto das medidas de austeridade nos grupos vulneráveis
  3. recalibrar o sistema fiscal
  4. na administração central eliminar redundâncias, aumentar a eficiência,
  5. reduzir e eliminar serviços e manter a qualidade da oferta
  6. avaliar economicamente o valor dos resultados dos investimentos do Estado 
  7. reduzir as transferências do Estado para organizações públicas e outras organizações
  8. reduzir subsídios para produtores privados de bens e serviços
  9. ...
Desconheço se estas questões fazem tocar campainhas a alguém no desporto português actual.

Do ponto de vista económico a única forma do desporto fazer face a este memorando e a estes negociadores é saber o que quer e o que está disposto a fazer, olhando olhos nos olhos estes negociadores ou apenas a sociedade portuguesa e avançar com processos firmes baseados na palavra dada e no compromisso para o seu cumprimento.

Não vale a pena aprofundar a análise do documento se nada se for fazer de diferente.

Pescador desportivo morre em naufrágio perto de Moledo

No Diario de Noticias de hoje, aqui:
"Um homem com 50 anos morreu ao início da tarde de hoje no mar, em Moledo, Caminha, confirmou o capitão de porto daquela zona.
O alerta para as autoridades locais foi dado cerca das 12.30 por tripulantes de um outro barco do género que se encontrava perto do local e que "se terá apercebido do ocorrido", apontou ainda.
Os meios marítimos foram de "imediato accionados", mas quando chegaram ao local "o homem já estava cadáver", avançou ainda o capitão de porto.
Mamede Alves desconhece as causas do acidente, mas apontou as possibilidades de "doença súbita ou uma vaga de mar mais forte". "

Alguém deveria ter a ética de assumir a promoção do bem-estar nacional através do desporto

O Memorando de Entendimento, ver documento aqui, assinado entre a Troika e Portugal deveria alertar os líderes desportivos para o facto do desporto, quer queira quer não queira, ir mexer como nunca aconteceu no passado.

E o filme diz que vai mexer para pior.

O poste de José Manuel Constantino, aqui, mostra como as coisas más abundam referindo-se à má reputação do desporto e da administração pública, nomeadamente à crise da justiça, realça/alerta para a necessidade da defesa do interesse público e deixa a preocupação que apontam para melhores instituições no desporto.

Pelo seu lado o Memorando da Troika não fala do desporto como não fala da cultura.

Mas o Memorando vai afectar o produto desportivo e o da cultura tanto o produzido pelas organizações privadas como a actuação dos entes públicos.

A questão relevante é a necessidade do debate no desporto se voltar para o presente/futuro que aí está com toda a sua força e que o desporto não está a acompanhar.

É uma coincidência do arco-da-velha que a cultura receba 5 milhões de euros, e o desporto com 15% descontados às maiores federações se aproxime deste valor.

A questão relevante que subjaz ao poste de José Manuel Constantino é a questão das instituições do desporto que são frágeis.

Alguns factos demonstram como o desporto, com más instituições, perde o pé relacionado por exemplo com a perda do Tribunal Arbitral para o Ministério da Justiça à revelia do que acontece na Europa, com as dificuldades de distinguir juridicamente se as organizações desportivas são privadas ou públicas e agora a perda de 5 milhões de euros que por coincidência a cultura ganha.

Para encontrar um paralelo que o desporto poderia imitar veja-se que a ascendência da cultura começou nos anos noventa e enquanto o desporto se entreteve com o Euro2004 e malbaratou o capital aí conseguido com o sucesso desportivo, a cultura obteve maiores financiamentos e programas estruturais. Pode dizer-se que efectivamente os dinheiros dos estádios foram pagos pelas outras federações desportivas.

Os 15% são uma amostra da porta aonde o desporto vai bater violentamente.

Economicamente o desporto português está falido querendo com isto dizer que as suas organizações não têm estrutura, competitividade e agora acumulam a falta de reputação que lhes impede obter recursos e factores de produção na sociedade portuguesa.

A média do PIB desportivo europeu é de 2%, correspondente a mais de 8 mil milhões de euros se se aplicar a percentagem ao PIB nacional. O desporto português tem menos de 0,36% equivalente a 1,5 mil milhões de euros. Estes valores demonstram como a filosofia ou o modelo de produção de Portugal é ineficiente e impossível de ser rentável em termos europeus e necessita de ser alterado para que as organizações privadas desportivas trabalhem com o mercado privado e não estejam sob a dependência dos governos. É impossível qualquer governo nacional alcançar a dimensão de financiamento desportivo que os mercados privados geram.

O desporto português não tem instituições capazes de fazer a mínima análise económica capaz e serão escassos os líderes capazes de assumir decisões competentes e competitivas caso sejam produzidos os instrumentos económicos necessários à racionalização da produção desportiva nacional para a média europeia.

De momento, o desporto não está preparado institucionalmente para compreender a sua realidade tanto desportiva, como económica, como social e face ao desvio que sofre da média europeia, não tem meios organizacionais e científicos para conceber um modelo novo e para equacionar soluções que compaginem e maximizem o seu interesse com o do país.

Era tempo de haver coragem e ir bastante fundo para encontrar a melhor saída para a crise do desporto.

Como se observa no Memorando e nos documentos da União Europeia a deriva e afastamento do desporto português não terá uma tábua de salvação miraculosa ou de última hora.

Ou o desporto tem a coragem de afastar desentendimentos pessoais e menores que marcaram o seu passado e responde a uma voz a estes imensos desafios ou vai cair fundo.

Eventualmente haverá agentes particulares a passarem por entre os pingos da chuva o que corresponderá a posições medíocres do ponto de vista do óptimo social europeu porque o seu lucro vai acompanhar a quebra mais geral do sector.

Ou o desporto se salva todo e por inteiro ou vai tudo ao fundo com os realmente pequenos ganhadores do costume.

É agora que o desporto português mais necessita de líderes de enorme dimensão ética, desportiva, social e política.

O desporto português descolou da Europa e está seguramente a descolar do país.

O desporto irá mais fundo do que os outros sectores com destaque para a cultura como os exemplos actuais bem demonstram.

Os líderes desportivos deveriam insistir que o desporto é um sector social

Sem porta-vozes sociais reconhecidos e com alguns maus protagonistas o desporto não consegue colocar as suas características junto dos locais onde se produz a política nacional.

Passaram-se vinte anos quando Porter reconheceu como um sector relevante para Portugal e o desporto português perdeu essa vantagem.

O desporto é considerado como um sector não social ligado a fracassos clamorosos como os estádios do Euro2004, que todos os dias os jornais glozam como fundamento da falência do país, os apitos, a dopagem e os processos judiciais intermináveis largamente protagonizados na comunicação social para uma discussão mais conseguida do que se torna a miséria do sector.

O desporto não tem protagonistas na comunicação social para dar a volta ao resultado falando das questões relevantes da política desportiva e dos interesses desportivos da população portuguesa.

A diferença com os outros sectores é imensa e o actual silêncio do desporto cava mais fundo a queda do sector.

As maiores federações perderão 15% de financiamentos base porque não pertencerão aos sectores sociais que a Troika não terá mexido,segundo se garante ao intervalo de um jogo da Champions League.

Ainda há algumas semanas a Cultura recebeu um pacote adicional de 5 milhões de euros.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O caso do ténis

O ténis é uma das modalidades que nunca conseguiu conquistar um título razoável de primeira grandeza para Portugal e, no entanto, tem empresários que se queixam constantemente da falta de apoio público para as suas iniciativas privadas.

Alguém deveria dizer a estes empresários que o dinheiro que lhes é dado impede Portugal de criar uma massa crítica de praticantes e consumidores de ténis de base capaz de alavancar o seu alto rendimento.

Mais, alguém deveria sugerir a estes empresários que, compreendendo que o seu empreendedorismo é de sucesso, que não se acanhem e uma vez que os seus esforços são mal protegidos pelos governos e autarcas, no desporto então era melhor levar a sua criatividade para outros sectores da actividade que os acolhessem como os empresários desejam.

Há alguns empresários que singraram no desporto e que sem saída no actual beco pressionam a esfera pública por vezes com maior sucesso que os líderes das federações.

Uns e outros encontram nas soluções com finalidade lucrativa a possibilidade de obterem rendas acessíveis e de curto prazo.

Tudo bem.

Agora o que uns e outros não se devem queixar é das dificuldades e do Estado lhes cortar o financiamento principalmente no actual momento de crise.

Há que escolher: ou o dinheiro público, de todos os portugueses, é colocado em rendas nos empresários e nas suas ligações desportivas ou há coerência e princípios para a aplicação dos dinheiros públicos e estes são aplicados na resolução das falhas dos mercados privados visando muito concretamente o aumento do produto desportivo nacional facilitando o desenvolvimento do consumo e da procura desportiva que os agentes privados capturarão a jusante com abundância.

A actual situação do desporto português demonstra que as opções de política no passado foram economicamente insustentáveis porque não geraram produto desportivo em toda a estrutura da pirâmide de produção desportiva.

Ouvir falar da João Lagos, da Parkalgar, do Euro2004 e de tantos outros projectos desportivos sustentados exclusivamente pelo esforço público por mais rendas que tenham sido pagas a organizações desportivas associativas a questão principal não é o dinheiro que foi empatado.

Haverá sempre agentes privados com finalidade lucrativa capazes de captar rendas desportivas com qualquer nível de produto desportivo.

O erro principal que se mantém é a incapacidade de tomar opções de fundo de acordo com princípios europeus e nacionais e trabalhar para alavancar o produto desportivo para níveis europeus.

O passado demonstrou que todo o financiamento recebido por João Lagos, a Parkalgar e o Euro2004 entre tantos outros gerou desporto para 45% dos portugueses e escassas medalhas e campeões mundiais e olímpicos.

O desafio para o futuro na óptica deste poste são dois:
  1. investir os dinheiros públicos para aumentar o produto desportivo, em vez de suportar as rendas dos agentes privados;
  2. incentivar os agentes privados do desporto como a João Lagos, a Parkalgar e os donos dos estádios, com uma política fiscal activa no fomento da produção desportiva em vez de subsídios públicos a fundo perdido;
  3. esperar que os empresários históricos do desporto português consigam manter o seu sucesso e ser ainda mais bem sucedidos com um desporto português com um produto acima da média europeia.

Na Europa as federações são organizações de direito privado não são organizações de direito público


Segundo o professor José Manuel Meirim no Público de ontem, 1 de Maio de 2011:
“Um tema aliciante no âmbito do Direito do Desporto é o da dupla natureza do agir das federações desportivas, em particular em países que encaram essas entidades como, facilitando, uma forma de extensão dos poderes públicos. Saber o que é privado ou público no agir federativo tem implicações práticas, como bem o demonstra o processo de adaptação dos estatutos ao regime das federações desportivas.

Como refiro na minha tese as federações, agindo como monopólios em competição, são o elemento racionalizador da produção desportiva cujo modelo económico para funcionar com eficiência e maximizar o produto nacional ou o europeu tem dois reguladores: o privado e o público.

A União Europeia admite-o quando diz que cabe às federações gerirem a peculiaridade da sua produção respeitando a legislação europeia e a nacional dos diferentes países, sendo as federações inteiramente livres de regularem as suas competições, o seu processo de produção de desporto segundo o interesse dos seus associados e os seus objectivos sociais.

A União Europeia não tem um modelo de economia das federações e, por isso, ainda não definiu a racionalidade económica das federações.

Anda lá perto mas ainda não descobriu o caminho marítimo...


A afirmação do professor José Manuel Meirim de que, segundo o direito, há países que encaram as federações como uma forma de extensão dos poderes públicos é para a economia uma solução que não clarifica a natureza da propriedade e da racionalidade da decisão de produção da federação.

A economia considera a propriedade das modalidades desportivas como pertencente às federações, as quais são as entidades mais eficientes para produzirem através de processos de regulação privada a actividade desportiva, de cujo processo de produção são proprietárias.

Os contratos públicos com o Estado são contratos públicos que não alteram a propriedade privada e a maximização do produto segundo a óptica privada.

O contrato público é uma transacção (?) com o Estado para que o produto desportivo da federação alcance um nível superior de produção que a federação e a sua estrutura de produção, sem os incentivos atribuídos por contratos públicos, é incapaz de produzir e de oferecer no mercado do desporto.


O processo jurídico descrito pelo professor José Manuel Meirim para distinguir o privado do público é uma contradição e gera um prejuízo da legislação nacional sobre a estrutura federada.

É a eficiência da sua produção privada que o Estado procura quando contratualiza mais produto desportivo pela atribuição de meios públicos. Todos os interveneientes federações, associações, clubes e empresas são privados e não há vantagem para actuarem como entes e segundo racionalidade pública.

As federações em termos económicos não possuem uma dupla natureza que simplesmente não funciona. Os resultados desportivos nacionais demonstram que esta confusam jurídica nacional não resulta porque estamos na cauda da Europa.

O objecto do Estado no contrato programa é obter mais produto desportivo não é transformar a propriedade da federação.

A jurisdicionalização do desporto deveria ter limites porque é ineficaz e prejudica o desporto e o país.

As federações desportivas portuguesas têm objectivos privados e mantêm-nos apesar da confusão do legislador nacional que impede a responsabilização do agente privado de acordo com o direito de propriedade que lhe é reconhecido nacional e internacionalmente.

Tal como acontecerá nas legislações dos países mais desenvolvidos do mundo o direito público fica do lado do contrato programa e não altera o ser e os actos privados das federações desportivas.

Economicamente, penso eu de que...



Era bom que os juristas, os governos, as federações portuguesas do desporto conseguissem resolver definitivamente esta questão para que os desígnios públicos deixem  de fazer mossa na actuação das federações nacionais pela mão jurídica e elas consigam alcançar os níveis de produção da média europeia sem a trepidação permanente dos tantos conceitos imperfeitos que alguma ciência e doutrina nacionais possuem principalmente por parte do desporto.


Veja-se que enquanto a União Europeia resolveu as questões jurídicas que lhe chegavam a partir dos anos 70, até ao Tratado de Lisboa, tendo passado pelo Caso Bosman, sempre com soluções superiores os processos jurídicos portugueses continuam no ponto de partida das Leis de Bases que não conseguem resolver o ponto central que é o de definir com simplicidade cristalina se uma federação é privada ou é pública e onde acaba a pública para se dar a máxima latitude ao querer e ser privados.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Recorde mundial absoluto para o Futebol Clube do Porto dos 80 em 90 pontos possíveis

Há dois fracassos económicos para o facto do FCP ganhar 89% dos pontos, 80 pontos em 90 pontos possíveis, no campeonato de 2010/2011, da I Liga nacional:
  1. na regulação privada: federação e liga nacional;
  2. na regulação pública: governo.
Os dois reguladores, o público e o privado, falham ao admitirem a possibilidade de um clube acumular uma percentagem superior a 50% dos pontos possíveis a um clube do campeonato profissional.

Em consequência desta situação o campeonato da I Liga tem menores audiências nos campos e nas televisões e menores receitas de publicidade.

A falha da I Liga em criar um campeonato mais competitivo é uma consequência de não apenas esta falha da admissibilidade de percentagens anormais, que não se observa nos campeonatos europeus mais competitivos, e deve-se também a outras falhas, por exemplo, como a impossibilidade da Liga negociar os direitos de transmissão em conjunto para todos os clubes.


A federação e o Estado aceitam que haja inúmeros agentes que obtêm rendas de monopólio enormes para a pequena dimensão do desporto português.

O exemplo claro das mais valias geradas pelo desporto português está a criação de um grupo económico baseado nos direitos de transmissão televisiva. Não estou a adjectivar esse facto estou a evidenciar que o desporto português gera meios financeiros avultados. É evidente que houve mérito de alguém para que esse grupo se formasse e eventualmente alguma coisa que não corre bem porque há margens que continuam a sair do desporto sem que o regulador privado na federação ou o regulador público tenham uma atitude sequer que acompanhamento do que se faz na Europa.
A federação deveria ser a primeira interessada a suscitar a racionalidade económica dos campeonatos profissionais mas prefere não o fazer.

A actuação da federação de futebol prejudica o desporto quando os clubes vão à falência por actos de gestão sem nexo e equilíbrio e principalmente porque não racionalizando a regulação privada é fautora das condições de falência dos clubes.


Para os associados do Porto é uma maravilha mas a questão do ponto de vista do líder desportivo racional é se a existência de maior competitividade no campeonato e dentro da liga entre os diferentes campeonatos, do topo, do meio e do fim da tabela não deveriam ser maiores para entusiasmarem e predisporem os adeptos para a despesa em futebol profissional.

Afinal estamos a falar de quem também não consegue organizar as selecções nacionais para o mais alto nível de competição que a Espanha demonstra saber fazer.


Os 89% de pontos possíveis do FCP são uma anormalidade como tantas outras do futebol português e que prejudicam o desporto e o país.

domingo, 1 de maio de 2011

Como dinamizar o debate das políticas: o exemplo europeu e o português

I
A Europa nos anos sessenta verificou que o desenvolvimento desportivo lhe colocava questões sociais e através do Conselho da Europa encomendou estudos sociológicos.

Na década de setenta começaram a a surgir questões jurídicas entre as relações comerciais de agentes desportivos de países diferentes e a Europa iniciou decisões de índole jurídica.

Nessa altura chegaram as crises petrolíferas que alteraram a relação fiscal dos contribuintes europeus com a despesa pública em desporto e que impedia a realização dos objectivos sociais que a Europa desenvolvia há duas décadas e uma vez mais o Conselho da Europa foi chamado a responder às necessidades do desporto desta vez no domínio económico.

Assim se chega à década de noventa quando, já para o seu final e depois do Caso Bosman, a União Europeia constata pela primeira vez que o desporto é um mercado peculiar e pensa que os países não respondem por inteiro às necessidades de produção desportiva europeia por falhas no produto e na regulação nacional e faz um estudo sobre o mercado desportivo mais relevante.

O Relatório Independente, liderado pelo português José Luís Arnaut, equaciona as relações entre o futebol e a União Europeia. As outras modalidades recusam a futebolização e a União Europeia faz o Livro Branco e com esse documento lança pela primeira vez uma política desportiva de um continente, o europeu.

Actualmente a União Europeia contrata estudos a instituições universitárias em múltiplos domínios nomeadamente na sociologia e na economia.


Aqui chegados deve ainda acrescentar-se que a consistência das políticas europeias foram acompanhadas pelas universidades que responderam aos incentivos da União Europeia e depois fortaleceram as áreas de investigação nacional e são as mais activas que acompanham as actuais e continuadas solicitações europeias.

Acrescente-se que as federações europeias de desporto nacionais e continentais, são interessados activos no produto da investigação incentivando e beneficiando dos seus resultados.

Este processo europeu é claramente incentivado pelo Estado desde há mais de cinquenta anos.


II
Mirandela da Costa e João Boaventura, e a operacionalização de Manuel Boa de Jesus, foram dois líderes desportivos que colocaram Portugal durante os anos oitenta e início de noventa no panorama dos estudos europeus nas diferentes áreas do conhecimento. Houve uma participação alargada de dezenas de quadros nacionais nas reuniões europeias, foram realizados estudos que nunca mais se fizeram com a mesma intensidade em novas áreas do conhecimento, traduziram-se livros, manuais, fizeram-se conferências.

Depois deste período tal como na Europa as universidades acumularam de forma exponencial massa crítica nas ciências do desporto que perdiam, contudo, o contacto com a política nacional e a europeia.

Recentemente fazem-se tropelias como partidarizar a participação em conferências temáticas e onde pontificam juristas obviamente ignorantes das múltiplas áreas da ciência do desporto mas que por razões estranhas ao interesse do desporto nacional vão às reuniões e não fazem como se fazia nos anos oitenta e noventa em que havia relatórios das deslocações e documentos europeus que circulavam.


III
Hoje a Europa vai à frente e bem segura na criação de instrumentos de política desportiva novos, adequados ao continente mais competitivo do mundo, que os países europeus acompanham participando nos projectos, nas conferências temáticas e no incentivo à investigação em ciências do desporto intimamente relacionadas com as políticas para o desenvolvimento sustentado do desporto europeu nacional e continental.


IV
Sistematizando, há vários níveis e parceiros de intervenção no desenvolvimento das ciências do desporto e no debate da política desportiva nacional:
1.      O Estado é fundamental para promover o conhecimento novo que responde exactamente às necessidades do desenvolvimento desportivo nacional face aos objectivos nacionais e aos princípios definidos para o desporto europeu;
2.      As universidades para incentivarem a investigação nas suas instituições segundo as normas científicas que as colocarão entre as melhores;
3.      As organizações associativas e empresariais na resposta às oportunidades de mercado e da sociedade e na colocação de desafios ao Estado para a sustentação de novas áreas e nichos de produção desportiva portuguesa;
4.      A comunicação social tem um papel relevante mas que responderá primeiro aos seus objectivos sociais. Não têm que ser altruístas em relação ao desporto porque os seus objectivos serão a maximização do seu lucro e não o desenvolvimento desportivo. O Estado e o associativismo poderão ter um papel relevante neste domínio;
5.      Os blogues são elementos que as universidades e os líderes desportivos não aproveitam suficientemente porque os 4 pontos anteriores apresentam limitações e não alcançaram o seu potencial.

V
Mirandela da Costa e João Boaventura foram líderes que responderam às necessidades do desporto no seu tempo e cujo exemplo se mantém como uma referência para o futuro.

Falta vitalidade na sociedade civil do desporto

O desporto tem suficientes organizações e terá intelectuais capazes de intervir publicamente.
Outra situação é a vitalidade e a abertura de uma sociedade competitiva visando objectivos sociais e civilizacionais maiores.
Há inúmeras instituições que deveriam ser centros de debate, centro de transmissão de vitalidade à sociedade reflectindo as dificuldades e abrindo portas a ideias e a instrumentos antes da decisão de as aplicar e também com capacidade de observar a sua aplicação.

Não haverá necessidade de mais organizações sociais, clubes, grupos de reflexão, associações de finalidades desportivas diversas, blogues já não sei mas se houvesse mais o debate seria mais relaxado e variado.

Obviamente se há determinadas organizações políticas que estarão pela sua filosofia e prática recente reticentes à abertura à sociedade e ao debate público, outras deveria haver capazes de abrir novas fronteiras.
Há alguns anos propus num clube essa abertura e não consegui, mais tarde propus um manifesto, depois um blogue e actualmente estou para aqui…
Culpar o PS, José Sócrates e este Governo há-de render muito. A questão é que são necessários mais do que um para o tango e o que acontece pior é quando se sai da pista de dança apenas porque se procura outro para dançar o mesmo tango.

No desporto nada se aprende com os erros próprios e os dos outros.
O desporto tem de olhar para si próprio e conseguir ir mais longe.
É factual economicamente que o desporto está a patinar em gelo fino e a afundar seguramente no quadro europeu.
Este foi o procedimento do líder do PS em relação ao país durante os anos mais recentes e compreende-se que os dirigentes desportivos pelas condições dificílimas da sua governação federada e nas suas pequenas organizações em conseguirem comportar-se, verem mais longe e forçar o seu destino.
Um facto que demonstra como o desporto vai ser comido na grande voragem das medidas de austeridade é o Governo determinar cortes no apoio financeiro nas principais federações. Ora o desporto é um sector que gera externalidades abundantes para a educação e a saúde havendo propostas para que os cortes orçamentais em todos os sectores económicos tenham a excepção dos dois sectores da actividade, a educação e a saúde.
Há mais exemplos, relacionados com o mercado do produto desportivo, que deveriam ter sido apresentados publicamente ajudando o Governo e os partidos a compreenderem melhor os princípios desportivos europeus e a elaborarem melhores programas de desporto.
Isso era para ontem, definitivamente não é para depois de amanhã…