quarta-feira, 15 de junho de 2011

A economia e as demais ciências do desporto

O fracasso do desporto português observa-se nos níveis de ineficácia do seu produto desportivo.

Por um lado, estão os resultados do alto rendimento e, por outro, está o consumo desportivo da população.

Durante as legislaturas que passaram não houve um pensamento uma acção dos conselheiros nacionais do desporto a exigirem o conhecimento da prática desportiva da população portuguesa nos seus termos mais gerais.

Os trabalhos do Eurobarómetro não impedem o trabalho de casa que os países devem fazer e que justificam uma atenção qualificada principalmente em Portugal quando depois da crise de 2008 começaram os primeiros sinais da crise social com efeitos no decréscimo da procura desportiva da população.

Não se compreende o que discute e faz o Conselho Nacional do Desporto com os clubes de base falidos, com as federações em dificuldades que a falência das pequenas federações mostra, com o fracasso dos resultados olímpicos e depois todo o processo Vanessa Fernandes, os conhecidos salários em atraso, os níveis inferiores de prática dos jovens e que a Educação não actua para obtenção de maiores níveis de conforto desportivo, a crise que vive o futebol português, etc. Aliás a contradição maior será a presença de conselheiros ligados ao futebol e a crise que a modalidade sofre há décadas sem medidas de reforma estrutural.

Há a necessidade de compreender para que serve uma instituição como o CND e a presença de lobistas que representando interesses relevantes apresentam limitações na medida e concepção do óptimo nacional e da compreensão da eficiência na aplicação de recursos escassos para melhorar o interesse da maioria.

A economia tem instrumentos que ajudam a decidir sobre a existência de recursos escassos, mas a economia necessita de outras ciências para melhor sensibilizar a sociedade para o trabalho a fazer em prol do desporto nacional.

O CND tem sido um instrumento sem nervo usado para apaziguar descontentamentos mal estruturados porque esmorecem à mais fugaz das promessas sem futuro e sem sustentação ou relação com a realidade e a as crises que vão surgindo.

Por paradoxal que pareça, para o não economista, o desporto terá beneficiado de milhares de milhões de euros desde o nível central ao local e em toda a estrutura de produção existem níveis de ineficiência da escassa produção nacional.

Centrando a compreensão da crise do desporto no produto observa-se que a produção é pouca e ineficiente e, mesmo assim, não se fazem estudos sociais para compreender o que se está a passar com as famílias, os praticantes e os jovens.

O novo Governo talvez venha a iniciar estudos do que não foi feito no passado. Porém, o melhor seria ter um modelo bem definido para actuar segundo um processo bem concebido, firme e consensualizado com múltiplos agentes desprotivos e não-desportivos.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Já me esquecia desta notícia

Sabia que na primeira década do século XXI se criarem mais ou menos 6 federações 6 ou reorganizaram-se ou reiniciaram trabalhos?

Sabia que no mesmo período faliram cerca de 10 federações 10 ou reintegraram outras federações ou trataram de outros assuntos, etc?

Quer isto dizer que as novas pequenas federações têm alguma dificuldade em sobreviver.

Quer isto dizer que se passarão coisas que justificariam uma análise sobre a base de trabalho das outras federações e também das maiores.

As pequenas federações são importantes ou são as grandes é que interessam?

Como é que se distribui o financiamento público entre as grandes e as pequenas?

E as autarquias, como é que as autarquias olham para as pequenas federações?

Houve alguma pequena federação que tenha chegado a grande federação nas últimas décadas em Portugal?

Não faz bem ao desporto trabalhar para o calendário eleitoral

As questões no desporto têm de ser realizadas com o escrutinio próprio do sector.

Os atletas de alto rendimento são sujeitos a provas de aptidão únicas em todos os sectores da actividade e todos os sectores competitivos procuram ter sistemas tão completos quanto os do desporto.

Por exemplo, os cientistas sociais analisam o desporto para compreenderem a forma de replicarem a essência das competições desportivas noutros sectores.

Os cientistas portugueses garantem que nenhum sector é tão sujeito a auditorias como a ciência razão porque eles são capazes de apresentar excelentes produtos e instrumentos para o aumento da produtividade nacional.


Hoje encontramos na parte desportiva do Público várias notícias que mostram que há algum trabalho a fazer neste domínio no desporto nacional.

Por exemplo a notícia sobre Vanessa Fernandes diz que 'Paulo Colaço tornou-se treinador de Vanessa Fernandes em Novembro de 2009, depois de uma temporada muito atribulada e da ruptura da atleta com Sérgio Santos, então seu treinador e director técnico da Federação Portuguesa de Triatlo.
“Todos exigimos de mais da Vanessa. Ela era a cara de Portugal no estrangeiro e todos os portugueses se reviam nela e exigiam de mais de uma atleta tão jovem”, referiu o treinador, em declarações à Lusa.
“Todos nos esquecemos que o descanso é tão importante como o treino e a Vanessa esteve demasiado tempo sem tempo para descansar. Qualquer cidadão em situações normais precisa de repousar após uma fase mais dura, quanto mais uma atleta como ela que competia frequentemente nos mais diversos pontos do mundo”, defendeu o professor da Universidade do Porto.'

Estas afirmações são claramente indiciadoras de uma actuação lesiva da atleta e de que não se conhecem as responsabilidades que deveriam ser avaliadas cientificamente.

O potencial de uma atleta é destruído e o actual modelo de alto rendimento limpa o que foi feito sem uma análise capaz de tudo o que se passou.

Quando se pede a um atleta que dê o seu máximo de tal forma que ele é marcado para a vida quer tenha ou não sucesso, todo o modelo de produção tem de ser escrutinado se há um desastre e se há sucesso. no primeiro caso para evitar a sua repetição e no segundo caso para o replicar e adaptar a outras situações.

Ainda mais. A única análise possível / defensável é a científica porque o domínio do alto rendimento é o dos limites do corpo e da mente.

Menos do que a ciência é mau.


Também não é curial trabalhar para as eleições e deixar passar anos sem a mínima informação e de repente em cima das eleições sai o que se diz ser tudo. Ou seja, sai uma coisa que não é ciência. Para ser ciência tem de ser escrutinado e contraditado.

A comunicação social não sabe ciência e põe no ar tudo o que houve e que lhe parece óptimo para o negócio.

Até aquilo que parece ciência e não é ciência serve para o negócio da comunicação social.

Há sectores que fazem da ciência o seu cartão de visita e a demonstração da sua excelência.

Era bom que o desporto usasse estes exemplos cada vez mais.

A ciência é a única saída possível para as crises do desporto e do país.

Sem ciência não se compreende sequer que o momento fulcral que o desporto falhou foi em 2008 quando não efectuou eleições democráticas no COP para renovar a sua liderança e não se teve a coragem e a Visão para juntar COP e CDP.

Caso o novo Governo queira, será necessário compreender bem o passado para estruturar um novo futuro.

Mais uma vez se nota como o novo Governo está sózinho porque afinal como dizem os atletas o COP está envolvido nas dificuldades dos atletas da Vela, como esteve envolvido na falência da Vanessa Fernandes.

O calendário eleitoral faz mal ao desporto, mesmo que haja alguém que esteja agradecido ao dito calendário.

Qual o nível de reformas para o desporto português

Cortar a fundo ou trabalhar decididamente um projecto de grande complexidade e sensibilidade?

Em Portugal muitas reformas são radicais pelo âmbito e incidência que assumem, por exemplo, quando alteram a orgânica ou a estrutura legal e quando não aborda as características essenciais do sector a que se aplicam como tem acontecido no desporto.

Há fracassos da produção desportiva para a população que não encontra nas leis e nos procedimentos de política desportiva uma solução útil.

Ao atacar a democraticidade interna das federações há a possibilidade de se ter deixado sem tratamento a actuação das mesmas federações no mercado do desporto, tanto mais quanto as mesmas federações são financiadas pelo Estado para atingir objectivos de produção desportiva que são desconhecidos da opinião pública e pela opinião desportiva em particular.

Se há federações como a de Rugby e a de Canoagem que recentemente produzem resultados crescentes no alto rendimento o mesmo não se consegue perceber na Natação e no Andebol.

A complexidade da produção desportiva pelo nível alcançado no Futebol e no Atletismo exige instrumentos de um nível de detalhe que outras federações ainda não exigem.

Não há Magnas Cartas que corrijam de uma vez por todas!

Nas legislaturas anteriores foram feitas leis de bases e centros de alto rendimento tanto para federações que deles necessitam como para outras de grande perplexidade como a Parkalgar e o automobilismo.

Investiu-se em tempo e muitos milhões de euros de recursos escassos, ao mesmo tempo que se observava que o alto rendimento fracassava em múltiplos domínios no acesso aos Jogos Olímpicos, nos Jogos Olímpicos, no conceito de desenvolvimento sustentado para os Jogos Olímpicos e no pós-Jogos Olímpicos.

A política desportiva tem de ser sensível às necessidades da estrutura da produção desportiva, tanto privada como pública.

Uma nova política desportiva deverá ter o domínio do conhecimento, da democracia, da concepção e criação de estruturas exemplares (organizativas, técnicas, científicas) tanto para a base, o informal e os micro-clubes, para o nível amador intermédio e para o topo, alto rendimento e profissional.

Já falta pouco para compreender o que se vai passar na legislatura do PSD e do PP.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Portugal tem dinheiro para preparar bem os seus melhores atletas

O problema dos campeões da Vela não devia / podia ter chegado aqui, à suspensão da sua actividade.

O problema do dinheiro para a boa preparação dos nossos campeões tem de ser colocado à sociedade e à economia com seriedade e transparência.

Deve ser colocado em tal nível que a sociedade e a economia compreendam que o objectivo é cumprir o acordado e se o objectivo e as metas fracassarem então há consequências.

A economia e a sociedade portuguesas têm de ficar cientes de que há consequências.


Segundo parece há um problema jurídico relacionado com a defesa dos direitos dos atletas.

Os contratos jurídicos realizados entre diferentes agentes privados e o Estado português serão insuficientes para promoverem o bem comum, que é a realização das metas desportivas pelos melhores atletas portugueses, quando uma federação vai à falência por um motivo desportivo, jurídico, económico, ético ou outro.

O desafio que a política desportiva deverá colocar ao direito é, por exemplo:
  • Como fazer um acordo ou um contrato que defenda o bem comum, proteja os nossos atletas, assegurando a realização do óptimo desportivo?
  • Juridicamente existe uma solução? duas? mais? ... quais os seus prós e contras? que critérios de aprovação para as soluções apresentadas?

Obviamente há algumas questões económicas a colocar.
  • Qual o custo do projecto para um lugar medalhável?
  • Qual o custo até ao 8.º lugar?
  • Qual o custo até ao 16.º lugar?
  • Que repartição de receitas entre financiadores públicos e privados?
  • Que beneficios privados como forma da ssumpção de um maior risco por parte de investidores privados?
  • Portugal que valias tem para se bater por cada um dos resultados atrás indicados?
Do ponto de vista técnico:
  • Há campeões nacionais?
  • Há uma escola nacional, internacionalmente reconhecida, na modalidade?

As questões técnicas e económicas ajudariam a dar substância ao instrumento jurídico, mas a pergunta principal seria a da existência de um contrato que protegesse os praticantes e o bem comum.

A palavra ao direito do desporto.

A parte interessante do debate é se se caminhar para uma fórmula jurídica que necessite de transformações / reformas da estrutura jurídica vigente.

Velejadores olímpicos suspendem actividade por falta de financiamento

Há dois responsáveis, para a notícia que está aqui.
  1. O Estado
  2. O associativismo, na pessoa do seu órgão máximo, o COP
Os próximos líderes deverão olhar para questões como as seguintes:
  1. Há quanto tempo é que esta situação é conhecida e o que é que foi feito para proteger os atletas?
  2. É aceitável que os atletas portugueses, quando se preparam para competições internacionais como os Jogos Olímpicos sofram por via dos fracassos de instituições privadas, financiadas pelo Estado numa parte significativa das suas actividades?
  3. É aceitável que os atletas sejam prejudicados por opções do Estado que direccionados para terceiros, sejam os praticantes colocados na linha de fogo?
  4. Quando as organizações privadas falham por qualquer que seja o motivo não pode o Estado accionar medidas de urgência que protejam os atletas de alto rendimento candidatos aos Jogos Olímpicos?
  5. As federações vão continuar a depender do Estado e a ser tratadas como instituições públicas? Ou de outra forma: as federações vão passar a ser organizações privadas ou públicas?
  6. Porquê atribuir meios públicos ao COP se não há forma do COP resolver desafios como este da Vela? Ou de outra forma: que tipo de acordo diferenciado deve o Estado fazer para que estes problemas sejam resolvidos também e de imediato ou preventivamente pelos entes privados?

Trichet: Crise mostra que Europa precisa de regras orçamentais mais duras

O presidente do Banco Central Europeu, aqui, refere a necessidade de medidas orçamentais mais duras.

No actual momento há vários sinais que demonstraram como o desporto teve sinais de que algumas coisas não corriam bem e deveria ter agido de outra forma.

Houve dois sinais importantes e que sugeriram um terceiro:
  1. o primeiro foram os resultados desportivos de Pequim em 2008 que deveriam ter alertado para outro posicionamento do desporto português voltado para a revisão do seu paradigma
  2. o segundo foi a crise económica de 2008 que sugeriu que as dificuldades ecoonómicas do sector estavam a ser mal resolvidas a par da excessiva dimensão legislativa
  3. a terceira foi a necessidade de uma nova liderança, instituições e governance
Não há uma bola de cristal para dizer o que se vai passar mas os inúmeros sinais internos e externos ao desporto são demasiado fortes.

Paul Krugman, um prémio Nobel da Economia de 2008, dizia há pouco que a Europa está mais indefesa do que a América porque eles têm o Partido Democrático de Obama e a Europa tem líderes europeus e nacionais localizados à direita do espectro político.

Já o tenho dito, no desporto europeu ninguém se preocupa com os países que estão na cauda do bem-estar desportivo.

No desporto é cada um por si custe o que custar.

Por isso as vitórias nacionais na Europa são tão festejadas e as derrotas rapidamente esquecidas a não ser para preparar a vitória (desforra) no ciclo seguinte.

É este o desafio maior do desporto português: ter de contar consigo próprio.

PORTUGAL VENCE JAGUARES POR 25-21

Esta foi uma vitória do Rugby, aqui.

O Rugby deu a volta a volta que outras modalidades colectivas ainda não conseguiram alcançar.

Porque será?

Portugal falha acesso ao Euro-2012

Ver a notícia aqui sobre o Andebol nacional.

Seria útil que a comunicação social desse notícias mais desenvolvidas sobre o percurso dos atletas e das selecções nacionais.

Essas notícias mais documentadas dando uma imagem fundamentada do momento, dos feitos e das condições de realização dos mesmos ajudariam a compreender as razões do sucesso e os problemas surgidos.

Benfica critica "excessiva violência" da PSP no final do jogo de futsal contra o Sporting

'Olha o lobo' grita o Benfica. ver aqui.

Esta notícia é verdadeira ou é uma brincadeira?

Depois dos fortes confrontos com as claques do Porto o Benfica agora voltou-se para a polícia colocando à frente jovens e idosos?


Por definição o Benfica deveria ganhar tudo.

O Benfica não ganha nada e entretém-se arriscando o bem-estar dos seus associados.

Dentro de pouco tempo o Benfica vai dizer que está sem associados por causa dos '25%' do IVA.

Presidente e jogador de clube de futebol de Portalegre morre no intervalo de jogo

Esta notícia é uma contradição nos seus termos, porque um presidente de um clube deveria proteger-se e ser conhecedor do risco da prática desportiva.

Aqui fica a notícia.

domingo, 12 de junho de 2011

Areia branca Buscas de homem desaparecido continuam até às 21.00

Por LusaOntem, aqui.
As buscas para encontrar o homem de 26 anos que desapareceu na sexta-feira na praia da Areia Branca, Lourinhã, vão continuar até às 21.00, disse fonte da Polícia Marítima de Peniche.
"Neste momento não existem novidades e as buscam continuam. Vamos continuar as buscas até às 21.00, tal como na sexta-feira, e se não houver novidades as buscas serão retomadas pela manhã de domingo", disse a mesma fonte policial. "Estamos no local com duas embarcações a efectuar as buscas", acrescentou.
O homem desapareceu na sexta-feira quando tomava banho no mar na praia da Areia Branca, que ainda está sem vigilância balnear, que só começa a partir de 15 de Junho, tendo o alerta do desaparecimento sido dado às 18.30.
Na área de jurisdição da capitania de Peniche, entre Caldas da Rainha e Torres Vedras, este é o primeiro caso de desaparecimento, segundo as autoridades marítimas.

O desporto tem dez dias depois da posse

Aqui, segundo o Jornal i 'As bases programáticas saídas das negociações (entre o PSD e o PP) não vão constituir um programa de governo encerrado uma vez que cada ministro terá uma palavra a dizer nas questões mais operacionais. O programa terá de ser entregue até dez dias após a tomada de posse para depois ser discutido no Parlamento mas entre os dois partidos há o consenso de encurtar os prazos.'

Está o desporto pronto e apto a ter uma discussão urgente com o novo ministro do desporto, caso este tenha essa necessidade, sobre o fundamental para o sector para nos próximos anos fazer frente à austeridade e lançar as bases da conquista das metas europeias?

Caso exista esta oportunidade, quem negoceia com o governo?

Todos os presidentes das federações?

Só alguns?

Gilberto Madail, Vicente Moura, Fernando Mota, ...?

O Conselho Nacional do Desporto?

Os tempos que aí vêem vão ser certamente estimulantes do ponto de vista da feitura da política e muito mais pressionantes do que foram há seis anos os da maioria PS.

Parece que o Governo vai ter de avançar sózinho, mesmo que estabeleça um mínimo de contactos em sigilo. As razões para avançar sózinho serão:
  1. o desporto não está preparado programaticamente para equacionar alternativamente austeridade e reforma estrutural
  2. o desporto não tem um líder num cargo de topo direccionado para o futuro
  3. o desporto não tem uma organização líder COP/CDP que represente o interesse comum dos produtores nacionais de desporto
  4. o desporto não tem nem reconhece em ninguém uma equipa de técnicos, cientistas e investigadores que lhe preparem em muito pouco tempo as alternativas fundamentais do seu futuro
  5. se o ministro do desporto disser hoje ao desporto que necessita de uma resposta face aos aspectos operacionais colocados pelo governo, a resposta do desporto será fragilmente sustentada
  6. o desporto está nas nuvens e não fez nada desde início da crise e na entrevista que deu o responsável pelo COP continuou a falar dos Jogos Olímpicos em Lisboa como motivo para a estruturação do sector
  7. os principais líderes do desporto estão de saída por antiguidade e é no mínimo complicado comprometer o desporto com quem está de saída ou com quem perdeu recentemente eleições internacionais que esperava ganhar para continuar
  8. a reestruturação orgânica e novas eleições, com líderes respeitados, dar-se-ão apenas dentro de muitos meses e vai ter de fazer parte das negociações do futuro
Mais uma vez o desporto parece continuar a não estar preparado para defrontar as necessidades do futuro qualquer que seja a forma que ele tome, sejam as necessidades do país que o governo vai assumir seja a sobrevivência de inúmeros sectores do desporto que vão sofrer imenso, como nunca viram, à medida que se efectivar o caderno de responsabilidades da troika.

O desporto necessita de um líder público enormemente comprometido com o desporto para além de uma dimensão intrinsecamente nacional.

Ana Hormigo conquista ouro e Telma Monteiro bronze

Mais duas medalhas para o Judo, aqui.

sábado, 11 de junho de 2011

O trabalho da Deloitte

Acaba de sair o relatório da Deloitte sobre as contas dos maiores clubes europeus de futebol em 2010-2011. Ver aqui.

A Deloitte é uma multinacional que faz anualmente um trabalho de comparação das contas dos maiores clubes de futebol.

Apura os valores dos vinte maiores clubes europeus e para isso baseia-se nos relatórios e contas dos clubes. Este é um modelo de sucesso que as suas sucursais fazem nos países europeus há muitos anos.

Outras multinacionais fazem trabalhos semelhantes sobre outras modalidades e actividades desportivas na Europa, Estados Unidos e por esse mundo.

A sucursal portuguesa da Deloitte realizou e publicou na Bola relatórios sobre as ligas portuguesas e a partir de determinada altura o projecto faliu.

Será útil que o futebol português volte a beneficiar de um relatório equivalente ao que outros clubes e ligas de futebol de outros países beneficiam.

Há variadas formas de produzir estes relatórios e eles são instrumentos de informação fundamentais para a concorrência dos mercados privados e para o acesso por parte dos decisores públicos a informação corrente sobre a competitividade e equilíbrio dos campeonatos profissionais.

A existência deste relatório é uma questão de objectivo de política pública.

Patrocinadores, bancos, grandes empresas, organizações nacionais e internacionais, autarquias e universidades e simples adeptos e curiosos ou estudiosos estão entre os consumidores desta informação tão importante para o sucesso do futebol europeu.

Questões que vão ser esclarecidas no curtíssimo espaço de tempo e são fundamentais para o futuro do desporto

Equacionar algumas perguntas ajuda a encontrar respostas sobre as possibilidades do desporto na próxima legislatura.

São três as respostas imediatas com maior ou menor estruturação:
  1. qual é a localização do desporto:
    1. situação da cultura, ministério ou secretaria de estado
    2. o desporto acompanha a cultura ou não
    3. o desporto tem uma secretaria de estado sozinho ou acompanhado
    4. o desporto tem uma direcção-geral ou um instituto público
  2. quem são os responsáveis
    1. o secretário de estado do desporto
    2. o director-geral ou presidente do instituto
  3. o que é o programa de governo
    1. para o curto prazo
      1. elevar o consumo desportivo dos carenciados da população portuguesa
      2. o impacto das medidas da crise nos vários segmentos de produção desportivas
      3. Londres 2012
      4. a estrutura de produção desportiva de base, ligado com o número 1 do curto prazo
    2. para o longo prazo
      1. o equacionar do desporto português na Europa ou não. Nomeadamente não indicando metas de realização como tem acontecido
      2. que Estado, respondendo a questões como:
        1. uma nova orgânica pública?
          1. o instituto regulador
          2. a desconcentração para as regiões e a relevância local
          3. a descentralização de funções para o associativismo
        2. uma reforma da lei de bases?

Com critérios mais apertados fechavam metade dos cursos

Alberto Amaral, presidente da Agência de Avaliação do Ensino Superior tem no Expresso de 3 de Junho, página 28 do caderno principal, uma frase que diz 'É o que chamo a síndroma dos galinheiros. Quando se fez o primeiro aviário e se viu que dava dinheiro, toda a gente se pôs a fazer o mesmo. Depois foram as minhocas para estrume e os kiwis. No ensino superior aconteceu o mesmo'.


No desporto também, digo eu.

Só que houve um efeito que nos outros sectores é possível funcionar um mercado de concorrência esgotando rapidamente o lucro do mercado.

No desporto a formação do primeiro monopólio esgotou condições para outros empresários se instalarem o que a inacção do Estado permitiu ao monopolista instalado garantir as suas rendas. Há vários exemplos e apenas deixarei o exemplo dos eventos do ténis. Acontece no desporto que o Estado também foi um promotor desses monopólios entrando em concorrência com os agentes privados ao nível da produção local cujo exemplo paradigmático é o INATEL que sendo uma instituição da administração central oferece retalho na restauração, hotelaria, desporto e cultura.

Onde está a falha do mercado no caso do desporto? A regulação do Estado é fundamental para permitir dois objectivos principais: a eficiência e competitividade e a equidade e democracia. Sem a regulação eficiente economicamente do Estado há rendas que são capturadas e externalizadas liquidando a internalização da produção desportiva de base.

A Agência de Avaliação do Ensino Superior é uma instituição pública que avalia as condições de produção e de competitividade do mercado do ensino superior e corrige as falhas do mercado impedindo que a oferta excessiva consuma as margens de lucro e torne improvável a qualidade do ensino.

No desporto não existe uma instituição e um saber administrativo, científico e técnico capaz de fazer o que a actuação presidida por Alberto Amaral faz que é em primeiro lugar ter um registo rigoroso do que se passa no mercado e caracterise esse produto segundo factores positivos e negativos e passando a uma fase decisiva de forçar a correcção dos factores negativos e valorização dos positivos.

Portanto, só tendo líderes superiores e capazes de passar políticas desportivas coerentes é definitivo para o sucesso do desporto português conseguindo acertar gradualmente os critérios para levar as federações a corrigirem a sua actuação.

Há líderes das federações que têm sido incapazes de acompanhar algum movimento de correcção que o Estado procura fazer no seu comportamento, assim como, existem líderes que são verdadeiros senhores na antecipação das transformações do sistema desportivo e no diálogo com aqueles que com eles tratam.

A bola para que tudo ande melhor no desporto continuará a estar do lado do Estado.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O desporto merece um secretário de estado capaz de um nascimento de Portugal para o desporto europeu

Diz Joaquim Aguiar na RTPN no programa Directo ao Assunto, aqui, que a geração dos funcionários dos partidos criou pessoas que se deixam estar no sítio certo até alcançarem os lugares cimeiros. Finaliza dizendo que 'renovar é com os fundadores'.

Tem havido a nomeação de funcionários partidários no desporto que depois são substítuídos por outros funcionários partidários e essa nomeação é glosada pelos líderes associativos. Os cargos públicos da cadeia de liderança pública do desporto são ocupados por funcionários dedicados ao partido começando a ocupação dos lugares pelos lugares dos técnicos que trabalham com as direcções. Isto tem sido mau para o desporto e para os partidos porque ao prejudicar o desporto deveria prejudicar o partido.

Há as histórias sobre coisas que não dignificam quem ocupa os lugares e os partidos que nomearam os seus funcionários para líderes do desporto.

Desconhecendo o que é produzir a actividade desportiva é comum ouvi-los dizer questões que não são correctas ou não ouvi-los de todo porque se apercebem que o melhor é de facto calarem-se para não demonstrarem a sua ignorância sobre as matérias que tutelam.

Por vezes, também fazem promessas que depois não sabem cumprir e porventura não sabem que deviam cumprir, nem avaliam o mal que fazem pelas promessas que não cumprem.

Era bom que isto começasse a ser corrigido.


O desporto necessita de levantar voo para a Europa e isso apenas se fará com equipas bem formadas em múltiplos domínios, conhecedoras do que é o desporto e capazes de dialogar, assumir decisões, conseguir caracterizar os erros cometidos e propor soluções sem perder a face e sem diminuir os outros parceiros de viagem.

Conceber um desporto para a média europeia é um feito que o desporto não alcançou ainda.

Isso tem sido por vezes equacionado mas os caminhos percorridos nem sempre são os aconselhados e a falha surge mais cedo ou mais tarde.

Tem de ser uma pessoa com coragem política e capaz de trabalhar o partido sem sufocar o desporto porque tem de colocar o desporto a ajudar a resolução da crise nacional e colocar o desporto em trilhos definitivamente diferentes do passado.

Passos Coelho e Paulo Portas têm a palavra, mesmo que desconheçam a sua importância decisiva para a renovação do nosso desporto.

Ciência – fonte de ideias para inovar Portugal

Veja aqui o manifesto pela ciência.

São mais de 1100 os cientistas que já assinaram o manifesto pela ciência tal como antes houve vários da cultura.

No desporto não existe um grupo de catedráticos, um grupo de líderes federativos, uma mão cheia de personalidades do desporto a conceber e avançar e a motivar todo o desporto para um acto equivalente.

O desporto nõ precisa? Eu concordo que o desporto que é medíocre não necessita de manifestos nenhuns!

Barry Hatton um estrangeiro a residir em Portugal escreveu um livro chamado os Portugueses e onde diz no DN de hoje, na última página do caderno principal, que 'às vezes penso que estou a apregoar no deserto qunado digo que Portugal é um grande país'.

Diz o que creio já sugeri no caso do desporto: 'Há o bairro dos médicos, o bairro dos juízes, o bairro dos políticos ... vai-se multiplicando até chegar ao próprio carro, que é o bairro mais pequeno do País. Em vez de se juntarem e de remarem para o mesmo lado'.

Vamos fazer como os cientistas, que não podem ser acusados de não ter boas cabeças a pensar, e criar um manifesto pelo desporto português para ajudar o PSD e o PP a acertarem à primeira em cheio com as necessidades do desporto?

O desafio maior para o novo governo é o quadro de regulação pública

O desporto está cheio de juristas que sabem tudo das três Leis de Bases feitas para o desporto português.

O facto de haver predisposição social para usar o direito e os seus profissionais para tudo no desporto prejudica a vida e a riqueza dos agentes desportivos.

Nos últimos 20 anos foi construído um edifício mental que tem sido extremamente difícil combater.

Porém, os resultados negativos acumulam-se e ou o paradigma evolui para formas mais reprodutivas do capital produzido pelos agentes privados desportivos ou assistir-se-á a uma queda do paradigma que pode ser rápida.

O que aconteceu com as infra-estruturas nacionais mostrou como tudo pára quando o país entra em bancarrota.

Já aqui sugeri que o desporto tem problemas graves e pode estar falido como o país.

Fazer direito do desporto novo é possível porque existe capacidade para isso, como demonstra o trabalho de alguns poucos juristas do direito.

Aqui o mau direito é mais forte porque as pessoas preferem-no porque não foram colocadas perante a situação de beneficiar mais do bom direito e preferirem-no ao mau direito.

Porém, o bom direito tem um problema para as corporações dos juristas e dos políticos do desporto porque exigem para alcançar o seu óptimo abrirem o diálogo para além das suas fronteiras.

O círculo restrito das conferências organizadas pelas corporações mostra como cada uma funciona em círculo restrito com estreitos pontos de contacto com outras áreas e discussão frontal dos desafios maiores do desporto.

Joaquim Aguiar no programa Directo ao Assunto da RTPN dizia que um determinado candidato à liderança do PS tem excesso de verbo para o conteúdo que lá mete. Falava de Francisco Assis.

Esta situação é nacional fala-se imenso têm-se todas as oportunidades e o conteúdo deixa a desejar.

Mas aqui o que acontece é que as pessoas, e no desporto isto acontece imenso, é a escassez de conteúdo relevante.

O mais difícil é que as pessoas se habituaram à escassez que carrega tudo e mais alguma coisa e falha o essencial para o bem-estar.

As Leis de Bases do desporto são disso exemplo porque o essencial no desporto é o seu produto e neste domínio específico há que produzir mais conteúdo.

As Leis de Bases como 'Magnas Cartas', segundo disse Roberto Carneiro para a primeira, deveriam ter permitido ao desporto que se desenvolvesse e a sua falha está na sua incapacidade de incutir à sociedade desportiva uma forma alternativa de actuação. Pelo contrário as Leis de Bases foram em excesso e o desporto está sem saída com inúmeras crises para resolver e um instrumental uni direccionado.

O direito do desporto pelo que está feito e é necessário melhorar e transformar e pelo que existe dentro da cabeça dos líderes desportivos é um desafio tremendo para o novo governo.

O PSD e o PP podem perguntar mas em concreto onde actuar? Algumas ideias:
  • libertar as federações do Governo
  • defender as federações que correm riscos maximizando o bem comum
  • mostrar que as federações que prejudicam o bem comum podem ter problemas
  • mostrar que a persistência de erros pode ser péssimo para a saúde dos prevaricadores
  • abrir uma nova área da regulação pública direccionada para o fomento da regulação privada
  • investir na valorização da regulação privada visando a maximização do bem comum ou do bem público
Confusos?

Pode acontecer quando há a necessidade de tentar ajudar o associativismo a avançar mais depressa em benefício dos portugueses e do país.