Ontem Laurentino Dias terá dito na sua simpática despedida aos funcionários do Instituto do Desporto de Portugal que alguns erros tinham sido cometidos.
A questão é mais complexa do que a existência de meros erros.
Com Laurentino Dias dizia-se que os líderes desportivos estavam condicionados e face às suas medidas de política desportiva preferiam ter um perfil concordante com a tutela governamental.
A incapacidade de Joaquim Evangelista e Gilberto Madail em equacionarem medidas de política desportiva para tornarem eficiente a contratação dos jogadores nacionais de futebol no mercado de trabalho profissional sugere a existência de um condicionamento dos líderes desportivos atingindo um extremo de gravidade sem precedentes no desporto português.
Afinal o mercado do futebol profissional cuja cerimónia ambos apresentavam não é tutelarmente público mas é em todo o mundo e em particular um mercado privado onde se produz com risco e enriquece e se vai à falência trata-se de uma forma de falência o apelo que ambos fizeram à contratação de jogadores nascidos em Portugal.
Sendo JE um jurista esperar-se-ia um discurso mais sustentado tecnicamente para além do mero apelo à contratação que é pouco mais do que inócuo para um mercado que se rege por regras de deve e haver muito claras e determinantes.
Em termos gerais o que se observa é a incapacidade dos líderes desportivos em equacionar quer o produto desportivo numa perspectiva estruturada de desenvolvimento sustentado, quer o equacionar de princípios de actuação de toda a área das ciências sociais da sociologia, à gestão e ao marketing até à economia que sustente um mercado desportivo dinâmico no competitivo continente europeu.
Aos sucessos dos treinadores nacionais e estrangeiros com praticantes e equipas portugueses falta-lhes o conforto das condições e dos factores que os protejam do improviso, da escassez e da insegurança dos projectos bem alavancados segundo as éxigentes necessidades da produção desportiva moderna.
A dificuldade de equacionar em 22 de Junho de 2011 medidas urgentes de política para promoção do jogador português de futebol deve ser vista como uma limitação extrema de esclarecer o governo seguinte de problemas que subsistem no mercado do futebol e simultaneamente sustentarem as medidas de política que lhes parecem conformes ao interesse da modalidade, dos jogadores e das suas organizações.
Como tentativamente tenho chamado a atenção em inúmeros postes, afinal a dificuldade dos líderes desportivos estará menos no 'domínio' do Governo de José Sócrates e de Laurentino Dias mas na sua própria limitação para projectarem o seu futuro na difícil conjuntura de austeridade que ainda nem começou e de acordo com princípios científicos e técnicos em que se movem todos os seus concorrentes europeus.
A afirmação de Tomás Morais de que o Rugby não tem capacidade nem meios de aceitação de convites é uma auto-restrição que se adivinhava e que se junta à dificuldade de equacionar soluções distintas das prosseguidas no passado.
A presente legislatura tem um desafio igualmente imenso de descondicionar do Estado omnipresente o comportamento dos agentes privados, associativismo e empresas, dando-lhes a provar o virus da iniciativa privada e do risco para a realização de objectivos sociais amplos visando a média europeia e da sua própria sobrevivência desportiva e social.
Sem comentários:
Enviar um comentário