quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Discutir o sentido das políticas desportivas e nacionais

Hoje o jornal i lança o alerta sobre as rendas pagas pelas instituições nomeadamente das lojas do cidadão e do IPJ lançando milhões inflamados para a opinião pública.

O jornal i foi atrás do discurso do xix governo que quer poupar milhões com o desporto e a juventude e nada mais anuncia, quando Londres ardeu após medidas de igual jaez do governo conservador e liberal do Reino Unido.

O jornal i está certamente do lado do governo e presta-se a indicar os milhões e milhões que se gastam por esse país em tudo, e mais alguma coisa, sem uma relação de causalidade pública ou social.

Quem já foi a uma loja do cidadão e saiu de lá minimamente satisfeito com o problema resolvido, apesar das bichas e outras inconveniências sabe que a utilidade das lojas do cidadão não se discute apenas com as rendas pagas.

Quem tem estado a desenvolver este espírito é certamente o xix governo quando não consegue equacionar as políticas sectoriais no todo das obrigações eleitorais e confunde os portugueses com o memorando da Troika e o seu nervosismo de querer fazer bem.

No caso do desporto é patente a incapacidade do xix governo transmitir com cabeça, tronco e membros a sua política tanto do desporto como da juventude, uma vez que os vai juntar e é aceitável a existência de mexidas nas políticas ensimesmadas do PS.

Os dias do xix governo passam-se, o silêncio torna-se ensurdecedor e a oposição joga nos pontos que lhe parecem fracos.

O ex-SED Laurentino Dias chama o Ministro Miguel Relvas não chama o SED Alexandre Mestre. Terá isto algum significado? Já o COP o tinha feito.

No desporto o PSD e o CDS parecem ter medo da herança do PS. Falam pouco, como antes acontecia e faziam, renomeiam personalidades de antanho...

Quanto ao desporto e à juventude que medidas deveriam aparecer no debate do Parlamento:
  • A ideia política de vários instrumentos para determinar bem a legislatura do desporto e da juventude: uma Visão com objectivos e metas, um Programa / Livro Branco equacionando o curto, o médio e o longo prazo, um Líder e uma Equipa, as instituições públicas e privadas com quem se vai trabalhar e o modo como se vai fazê-lo.
  • Equacionar novas orgânicas institucionais e técnicas, alternativas ao modelo pretérito, é consequência do ponto anterior. Quando se fala das rendas e das poupanças fundidas é bom que se saiba muito bem quais são e onde estão todas as letras ou a falta de detalhe técnico pode transmitir uma imagem errónea, como se vê no jornal i.

O pedido, ver o poste anterior, do deputado Laurentino Dias não é usual

Para um Parlamento genericamente iliterato desportivamente e habituado ao comportamento sem guarda  dos governos, o oportuno pedido do deputado Laurentino Dias sugere várias questões:
  • No jogo jogado assiste-se à passividade do PSD e à iniciativa do PS:
    • O PSD nunca teve no Parlamento um deputado conhecedor e interventor sobre a política desportiva dos governos à medida que era feita, como este pedido que agora surge. Segundo parece, não terá questionado significativamente Pedro Silva Pereira ou Laurentino Dias em seis anos de mandato PS.
    • Laurentino Dias poderá passar a ser um referencial na política desportiva do Parlamento, quando o PS historicamente tem criticado as medidas legislativas do PSD como inócuas ou ineficientes.
    • A especialização do deputado Laurentino Dias é tão relevante quando surge como um especialista de política desportiva coisa que os seus pares não possuem esse conhecimento nem os restantes partidos acumularam conhecimento sobre o que é a politica desportiva moderna e as federações em geral 'comeram da mão' do ex-SED (estou obviamente a elogiá-lo positiva e negativamente).
    • O PSD acompanhou a performance do PS nos últimos anos e aceitou participar, através dos seus elementos mais significativos, em iniciativas de política desportiva contrárias aos princípios das ciências do desporto e aos princípios da União Europeia e das federações internacionais, quando, por exemplo, o PS lançou o Tribunal Arbitral dependente do Ministério da Justiça e não do Comité Olímpico de Portugal , o que as federações 'comeram e calaram'.
    • Os governos PS nunca usaram o desporto como exemplo maior da sua politica nacional como o actual governo quando usa a fusão de 4 órgãos públicos e a poupança de milhões em que o desporto surge como figura maior.
  • Há a necessidade de compreender como se chega a esta situação de um governo fundir institutos:
    • Não se percebe qual o serviço público e a política de juventude, que nos anos anteriores colocaram a administração central a produzir retalho do turismo, quando a lógica seria atribuir essa produção local a agentes locais às autarquias, a associações sem finalidade lucrativa ou a empresas.
    • O associativismo jovem é um sector transversal a muitos sectores como a cultura e o desporto e outras e a manutenção da juventude duplica funções que deveria estar claramente unificadas.
    • O desporto e a cultura precisam de associativismo e a manutenção do associativismo da juventude é uma forma de ruído e despesa pública duplicada com objectos distintos.
    • Provavelmente para não deitar a perder um investimento nacional acumulado seria útil pensar bem o que fazer e não actuar o Governo contra o Parlamento e o Parlamento contra o Governo chamando cada um a si a razão do que devia ser bem feito.
    • Como José Constantino já refere no Colectividade Desportiva há a necessidade de proteger o desporto. Fazer uma junção apressada sem tempo para estudar, por causa do papão da Troika que exige estudos públicos para outros sectores e não os exige no desporto, é um erro que o desporto irá pagar, como costumam ser as coisas para o desporto.
  • O que se irá passar equaciona-se antecipadamente:
    • Os protagonistas e o conteúdo do discurso são velhos conhecidos.
    • O modelo de Laurentino Dias bateu no fundo e tem problemas nas novas instalações, nos subsídios ao Turismo e às actividades desportivas que o sustentam, na governance das federações, no associativismo de base, no uso e abuso dos talentos desportivos nacionais, etc.
    • Todas estas características o turismo, os talentos, as instalações, etc são aspectos que o xix governo resume no seu programa, como o PS faria.
  • O que se devia passar, face a estas limitações?
    • A proposta de fusão do PSD deve ser vista como uma oportunidade de corrigir coisas que estão mal.
    • Seria pedir muito aos deputados da Nação portuguesa que por uma vez conseguissem olhar para a criação de um desporto bem concebido e bem debatido no Parlamento.
    • O deputado Laurentino Dias daria ao país e ao seu desporto um contributo inestimável conseguindo transformar o seu conhecimento especializado para corrigir aspectos menores e prejudiciais ao desporto da proposta do PSD.
    • O deputado Laurentino Dias deveria ser humilde ajudando o país e o Parlamento a corrigir alguns dos seus actos menos conseguidos, a evitar encher o debate com os seus feitos e a colocá-los numa perspectiva de relativização de uma realidade complexa como actualmente é a do desporto e a do país.
    • O ministro Miguel Relvas deveria dizer como pensa abrir o desporto à sociedade e ao seu escrutínio e como. Só este ponto seria um debate ganho para o desporto.
Por ser um primeiro debate sobre o desporto de uma oportunidade que o PSD deu e o PS aproveitou este não pode ser tomado como um debate final mas o início de um processo complexo e envolvente da sociedade e dos seus parceiros empreendedores e da área do conhecimento.

23.Agosto.2011 - Audição do Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares (15h00).

A Comissão de Educação, Ciência e Cultura vai ouvir o Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, na sequência da aprovação de um requerimento apresentado pelo GP/PS, que solicita esclarecimentos sobre a proposta de reorganização dos serviços sob a sua tutela. O texto do requerimento encontra-se em anexo. Carregue na imagem para a aumentar.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Nilton do Diário Económico diz que vai chover e conta duas sobre o desporto

Ver o link aqui.

O artigo é o seguinte:


Subir novamente os impostos mas não cortar na despesa do Estado é o mesmo que alguém querer emagrecer mas continuar a comer que nem um alarve!
Esta subida, anunciada a uma sexta-feira, só prova que o ministro das Finanças queria estragar o fim de semana aos portugueses por a maioria estar de férias e ele a trabalhar. Ninguém me tira da cabeça que foi por vingança.
Sobre o facto do IVA do gás e da electricidade passar de 6% para 23%, acho bem porque somos um país de ricos. Para quem acha que estou a ser irónico deixo duas provas de que somos sobejamente abastados. Repare o leitor em duas despesas feitas pelo último governo. Um automóvel encomendado pelo gabinete do então secretário de Estado da Energia e Inovação já nos últimos dias da legislatura (Março) vai custar ao Estado 95 mil euros. E se isto não chega para o convencer fica a curiosa história da factura que a Vodafone reclama ao actual Executivo e que diz respeito à anterior Secretaria de Estado da Juventude e Desporto e resume-se da seguinte forma: Governo PS muda da Vodafone para a TMN, mas os antigos telemóveis, em vez de desactivados, foram entregues a funcionários que gastaram €30.507,80 que vamos agora pagar. Então, somos ou não um país rico?
Se ainda não está convencido basta lembrar-se que o IVA para o Golfe está a 6%.






O desporto tem daquelas coisas que mesmo que esteja calado, agachado e encolhido as más notícias colam-se instantaneamente e perduram.


Não esquecer que as obras feitas são imensas e saltam aos olhos dos outros como pecados mortais, o que infelizmente no desporto ninguém acredita. 


Enquanto assim for, o calado e o agachado, a reputação do desporto português vai bater recordes mundiais e olímpicos nunca alcançados.


Há quem tenha trabalhado para estas medalhas afincadamente.

Dois estudos que sugerem que um estilo de vida activo através do desporto dá anos de vida

O título do poste é uma conclusão minha dos estudos que estão aqui e aqui, respectivamente no Correio da Manhã sobre gordinhos e no Expresso sobre o impacto em anos de vida do exercício físico ligeiro, 15 minutos por dia.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Diz um mega-rico americano: Stop Coddling the Super-Rich

Warren Buffet diz no New York Times aqui e aqui um resumo em português do Jornal de Negócios.

O artigo do NYT é o seguinte:

OUR leaders have asked for “shared sacrifice.” But when they did the asking, they spared me. I checked with my mega-rich friends to learn what pain they were expecting. They, too, were left untouched.


While the poor and middle class fight for us in Afghanistan, and while most Americans struggle to make ends meet, we mega-rich continue to get our extraordinary tax breaks. Some of us are investment managers who earn billions from our daily labors but are allowed to classify our income as “carried interest,” thereby getting a bargain 15 percent tax rate. Others own stock index futures for 10 minutes and have 60 percent of their gain taxed at 15 percent, as if they’d been long-term investors.

These and other blessings are showered upon us by legislators in Washington who feel compelled to protect us, much as if we were spotted owls or some other endangered species. It’s nice to have friends in high places.

Last year my federal tax bill — the income tax I paid, as well as payroll taxes paid by me and on my behalf — was $6,938,744. That sounds like a lot of money. But what I paid was only 17.4 percent of my taxable income — and that’s actually a lower percentage than was paid by any of the other 20 people in our office. Their tax burdens ranged from 33 percent to 41 percent and averaged 36 percent.

If you make money with money, as some of my super-rich friends do, your percentage may be a bit lower than mine. But if you earn money from a job, your percentage will surely exceed mine — most likely by a lot.

To understand why, you need to examine the sources of government revenue. Last year about 80 percent of these revenues came from personal income taxes and payroll taxes. The mega-rich pay income taxes at a rate of 15 percent on most of their earnings but pay practically nothing in payroll taxes. It’s a different story for the middle class: typically, they fall into the 15 percent and 25 percent income tax brackets, and then are hit with heavy payroll taxes to boot.

Back in the 1980s and 1990s, tax rates for the rich were far higher, and my percentage rate was in the middle of the pack. According to a theory I sometimes hear, I should have thrown a fit and refused to invest because of the elevated tax rates on capital gains and dividends.

I didn’t refuse, nor did others. I have worked with investors for 60 years and I have yet to see anyone — not even when capital gains rates were 39.9 percent in 1976-77 — shy away from a sensible investment because of the tax rate on the potential gain. People invest to make money, and potential taxes have never scared them off. And to those who argue that higher rates hurt job creation, I would note that a net of nearly 40 million jobs were added between 1980 and 2000. You know what’s happened since then: lower tax rates and far lower job creation.

Since 1992, the I.R.S. has compiled data from the returns of the 400 Americans reporting the largest income. In 1992, the top 400 had aggregate taxable income of $16.9 billion and paid federal taxes of 29.2 percent on that sum. In 2008, the aggregate income of the highest 400 had soared to $90.9 billion — a staggering $227.4 million on average — but the rate paid had fallen to 21.5 percent.

The taxes I refer to here include only federal income tax, but you can be sure that any payroll tax for the 400 was inconsequential compared to income. In fact, 88 of the 400 in 2008 reported no wages at all, though every one of them reported capital gains. Some of my brethren may shun work but they all like to invest. (I can relate to that.)

I know well many of the mega-rich and, by and large, they are very decent people. They love America and appreciate the opportunity this country has given them. Many have joined the Giving Pledge, promising to give most of their wealth to philanthropy. Most wouldn’t mind being told to pay more in taxes as well, particularly when so many of their fellow citizens are truly suffering.

Twelve members of Congress will soon take on the crucial job of rearranging our country’s finances. They’ve been instructed to devise a plan that reduces the 10-year deficit by at least $1.5 trillion. It’s vital, however, that they achieve far more than that. Americans are rapidly losing faith in the ability of Congress to deal with our country’s fiscal problems. Only action that is immediate, real and very substantial will prevent that doubt from morphing into hopelessness. That feeling can create its own reality.

Job one for the 12 is to pare down some future promises that even a rich America can’t fulfill. Big money must be saved here. The 12 should then turn to the issue of revenues. I would leave rates for 99.7 percent of taxpayers unchanged and continue the current 2-percentage-point reduction in the employee contribution to the payroll tax. This cut helps the poor and the middle class, who need every break they can get.

But for those making more than $1 million — there were 236,883 such households in 2009 — I would raise rates immediately on taxable income in excess of $1 million, including, of course, dividends and capital gains. And for those who make $10 million or more — there were 8,274 in 2009 — I would suggest an additional increase in rate.

My friends and I have been coddled long enough by a billionaire-friendly Congress. It’s time for our government to get serious about shared sacrifice.

Warren E. Buffett is the chairman and chief executive of Berkshire Hathaway.

 
 
A última frase é particularmente tocante quanto à verdade dos factos.

O Desporto deve olhar para as coisas desassombradas que são ditas

D. Manuel Martins, Ex-Bispo de Setúbal, disse ao Expresso, em 13 de Agosto, algumas frases:
  • Isso dos brandos costumes são história. Temos boa gente, mas quando for preciso também deixamos de ser boa gente. Tenho muito medo disso.
  • As nomeações, por exemplo. Começam a aparecer umas figuras que seria bom que não aparecessem. Já têm o pecado original...
  • É uma Europa esfrangalhada, desorientada, que é a 2 e não a 27. Ao fim e ao cabo, fomos associar-nos para engordar mais aqueles cavalheiros e nos minimizarmos a nós. Queimaram-se os campos, as vinhas, destruíram-se as produções, acabou-se com as pescas e tudo isso com que o Cavaco embarcou, meio embebedado. (o meu amigo João diz isto há muito tempo a esta parte)
  • Devíamos ser capazes de vender esse ouro que anda ao pescoço dos santos nas procissões. Os cordões e os anéis que o povo quer ver pendurados nos santos, para que prestam? Podem prestar para um salteador mas não para um santo. Por que não vendemos isso tudo, deixando as coisas só com valor histórico e artístico?
  • O Santo Padre Paulo VI dizia que estamos cheios de palradores e do que precisamos é de testemunhos.
  • Fomos criados como amigos do presidente daJunta, amigos do presidente da Câmara, andamos assim neste casamento e não queremos ofendê-los. Mas a Igreja tem de viver sempre em texsão com o poder. Caso contrário,não cumpre o seu dever, porque tem um ideal de vida que não se pode conformar com nenhum programa de governo.
  • No final da missa em vez de 'ide em paz' devia dizer-se 'ide em guerra pela justiça'.
As duas últimas frases são à consideração do associativismo desportivo, das federações e das universidades.

Afinal haverá pensamentos que podendo ser tomados por desassombrações há quem não tenha receio de as dizer em Portugal.

sábado, 13 de agosto de 2011

Um teutão metalicamente reluzente no INA

Quado Portugal integrou a Comunidade Económica Europeia o INA fez cursos dirigidos aos funcionários públicos superiores portugueses que iriam integrar os quadros nacionais da União Europeia e também trabalhar os projectos em Portugal.

Apenas me lembro de um alemão alto que fechava as prelecções e que apareceu com um fato reluzente em tons metálicos que falava com altivez e referia as belas mulheres portuguesas...

Talvez tenha sido a única coisa que fizesse sentido e aquela que me ficou na memória.

Ele falava sobre os altos desígnios da União, dos cuidados para investir bem os dinheiros recebidos e seguir as regras da União.

Na altura havia líderes nacionais que garantiam que a Europa nunca tinha visto uma capacidade de aprender como a dos portugueses e que muito rapidamente Portugal estaria entre os melhores do mundo.

A história hoje conhece-se e talvez se possa concluir que a única coisa que os líderes portugueses aprenderam do teutão foi a ostentação do fato reluzente e metálico.

No mínimo pode-se sugerir, apenas sugerir, que a origem de alguma corrupção, organização criminosa, peculato e bancarrota nacional terá aprendido mal as lições do teutão reluzente que passou pelo INA há vinte anos.

O fato do teutão foi tremendamente desadequado perante funcionários nacionais que mal sabiam o que era vestir bem e vestir mal segundo os padrões europeus e que vinte anos depois tantos líderes portugueses usaram diligentemente para levar o país à bancarrota.

É para isto que serve o desporto?

A junção do IDP com outras instituições poupará milhões e afinal parece que será a única medida de corte na despesa do governo.

Isto vai acabar com o desporto a poupar milhões de euros para pagar às outras instituições por perda de expectativas criadas pelo XVIII governo.

Era bom que alguém explicasse bem, a dimensão e a consequência económica da decisão de junção de instituições.

Onde estão os outros cortes na despesa de 2011 para além do desporto, anunciados profusamente antes das eleições?

Como em todos os períodos de restrições anteriores há que ter a certeza que o desporto vai contribuir para as restrições e poupar no financiamento e nos resultados desportivos.

Há federações que se mostram disponíveis para baixar a produção desportiva na medida em que o Estado diminua o seu financiamento.

A sua única preocupação é saberem quanto vão poupar para eles próprios cortarem na sua produção desportiva.

Se isto parece uma contradição e um contrasenso ele tem sido aplicado abundantemente no passado mais lonngo e mais recente: são as federações desportivas que cortam na sua produção desportiva.

Assim, encontra-se um mesmo comportamento público e privado quando, por um lado, o XIX governo parece ter o comportamento liberal que Cameron no Reino Unido que antes dos tumultos 'poupa' milhões de libras esterlinas de financiamento público aos clubes de jovens e, por outro lado, a aceitação por parte dos líderes privados de todas as ilusões virtuosas de políticas restritivas sobre o bem-estar social da população portuguesa.

Era bom que se faça um bom discurso sobre o futuro do desporto português, não apenas quanto às ilusões do programa do governo mas igualmente quanto às consequências.

Estas avaliações até podem ser como a TSU que não convencem ninguém a não ser os oficiais da troika que pedem 'barba e cabelo'.

Era útil que alguém no desporto fizesse contas ao paraíso ou ao purgatório que se aproxima.

Economicamente não se trata de prejudicar o XIX governo mas antes de ajudar os líderes privados a ter uma ideia da complicada situação em que se encontra o desporto e depois a encontrarem uma saída a que têm direito e que é obrigação do Estado não só a eventualmente financiar mas também a ensinar e a dar condições para o sucesso da produção desportiva das federações, o que é um valor raro na governação desportiva nacional.

Para quem nos quer convencer de que no desporto tudo está bem

Os reis vão nus, diz Pedro Santos Guerreiro no Jornal de Negócios, aqui.


Alguma, muita nata da alta finança nacional está falida, como tantas outras coisas deste país.

O desporto português não é uma ilha, porque também sofre dos mesmos males.

O que acontece no desporto é que não existem estatísticas e análises e nada se sabe, mas pressente-se.

Aqui ficam estratos do artigo de Pedro Santos Guerreiro:

"O mundo não se divide hoje entre ricos e pobres, mas entre os que têm capital e dívidas. Portugal tem dívidas. Os seus banqueiros, empresários, cidadãos têm dívidas. E quando chegar a liquidação, liquidação será.
...
Esta lista (da revista Exame) dos mais ricos de Portugal é um monumento à decadência do capitalismo português. Ao listar apenas o património, mede-se a opulência. Ao ignorar as dívidas, ocultam-se os caídos. Metade dos magníficos empresários Dr. Jekyll transformam-se à noite em endividados Mr. Hyde. Só não estão executados porque em Portugal há muito respeitinho - e porque uma dívida grande não é um problema do devedor, é um problema do credor.

A semente da destruição está numa elite capitalista sem capital. Em parte porque foi expropriada em 1975 com fracas indemnizações depois. Noutra parte, porque foi recebendo dividendos na Suíça e distribuindo pelas famílias. Depois, porque nunca quis abdicar do controlo de 10 em vez de partilhar 100 (o medo de ter sócios..., sobretudo se forem - credo! - estrangeiros). E finalmente: porque há muitas empresas grandes mal geridas.

Esta estrutura empresarial está a ruir, 4% ao dia, na bolsa. A falta de capital, as cascatas de dívida, os dividendos não suportam um problema: a desvalorização dos colaterais. As acções são hoje casas decimais do que eram quando foram dadas como contrapartidas de dívidas. O caso mais famoso é o dos accionistas do BCP, num processo que foi aqui muitas vezes denunciado: o patrocínio da Caixa e do próprio BCP a uma guerra sem quartel, financiando guerreiros e guerrilheiros contra acções que não valiam o que cotavam. Os activos desvalorizam, os passivos ficaram. Agora, quem paga?

Joe Berardo, Teixeira Duarte, Manuel Fino... Os "donos" do BCP estão nas mãos dos bancos, que estão com as mãos na cabeça. Mas há mais. As dívidas da Impresa, da Ongoing, da Zon, da Brisa, das construtoras, das imobiliárias, tudo isto são dívidas também dos seus accionistas. Como o Estado: prepara-se para vender o controlo da EDP sem prémio de controlo.
...
Não estão todos assim. Amorim está mais rico que nunca depois de ter encontrado petróleo. Soares dos Santos está mais rico que nunca depois de ter criado o seu próprio petróleo na Polónia. Queiroz Pereira, que não foi em loucuras e teve os apoios certos dos Governos, prepara-se para mobilizar centenas de milhões para comprar parte da Secil (ou para disputar parte da Cimpor?). São excepções.

O cerco é financeiro. A venda de activos será acelerada e o Governo já escolheu os predilectos: alemães e franceses, talvez brasileiros e angolanos. Que venham por bem, não para desmantelar, mas para investir e gerir bem. Se assim for, que venham eles. Viva o Verão, viva este Verão, este Verão de ilusão."


Há uma pequenina diferença para o desporto.

PSG diz que o cerco é financeiro e que os predilectos do Governo são alemães e franceses, talvez brasileiros e angolanos, se vierem por bem. PSG sabe que que a finança nunca vem pelo bem dos outros.
Ficar-lhe-á bem deixar uma réstea de esperança.

A pequenina diferença para o desporto é que o passivo acumulado não tem comprador.

Primeiro - Há coisas que não têm verdadeiramente valor no mercado privado e ninguém as vai comprar porque o associativismo desportivo é composto maioritariamente por bens públicos e de mérito e não bens privados.

Segundo - O passivo acumulado não tem rendibilidade financeira. O que existe é óptimo a dar resultados com financiamentos públicos. O que se coomeça a sentir é que estes financiamentos públicos entram desavergonhadamente pelos bolsos de quem não tem nada a ver com as negociatas desportivas que se fazem com o dinheiro da população.

Mesmo quendo uma empresa municipal paga milhares de euros ao administrador do estádio que o mantém durante anos e anos sem geração de rendimentos adicionais, a origem do dinheiro do seu salário é a população que paga a incompetência não só da concepção económica da infra-estrutura desportiva como do processo de gestão equacionado.

Alguém acredita em PSG que os ricos estão falidos e também acredita, como dizem os anónimos do Colectividade Desportiva, que os últimos anos foi tudo uma maravilha no desporto português?

Na finança a solução é vender a estrangeiros.

E no desporto como vai ser?

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Exclusão da Champions League de clube grego

Pode ser vista aqui a notícia sobre a exclusão da Champions League do clube grego aqui.

Estes problemas têm afectado alguns países, pelo que surge a necessidade de saber porque surgem, em que condições e o que esses países fazem com a 'casa roubada'.

As instituições, a sua reputação e as pessoas que por lá passam, um texto de João Boavida no Rerum Natura

Disciplinar as instituições, ver aqui
Falar na honra de uma instituição é falar nas pessoas que a fazem funcionar bem. Se falamos em instituições sem honra nem mérito estamos a falar nas pessoas que, do topo às bases, no modo como planeiam, decidem, executam e controlam essas instituições lhe dão má fama. E que, portanto, de uma maneira ou de outra constroem essa má fama para si e para as instituições que deviam servir.

As instituições são entidades abstratas que, por vezes, atravessam várias gerações. As pessoas que as fazem funcionar deixam atrás de si um rasto de boas ou de más práticas, de bons ou maus princípios de ação.

Por isso há instituições que ganham bom-nome e o conservem. Outras, que perdem o bom-nome que tinham. Ou nunca o chegaram a ter porque nunca o mereceram. Como se sabe, enquanto uma boa reputação leva muito tempo a construir, a desonra é rápida como labareda.

Nas instituições, ao longo dos anos, entram e saem muitas pessoas. A instituição, por boa fama que tenha, fica refém das pessoas que a governam e as podem deitar a perder. Ou seja, ficam dependentes da competência, da inteligência, do caráter das pessoas que, do topo à base, mantêm a instituição e são dela o espelho e o reflexo para todos os cidadãos. E, obviamente, ficam reféns dos sentimentos que estão por debaixo e acompanham todas essas formas de ação.

Mas, como os sentimentos não existem senão nas pessoas, as instituições, para lá dos princípios gravados em documentos antigos, ou propalados pelos responsáveis nas cerimónias solenes, revelam em todas as situações e em todas as ações os sentimentos e o carácter das pessoas que num dado momento histórico ocupam os lugares da instituição e a fazem funcionar bem. Ou mal.

Assim, para além dos objectivos de uma instituição, quase sempre altissonantes e pomposos, interessa saber como é que se atua nas situações correntes, como é que se resolvem os pequenos (e os grandes) problemas, como é que se relaciona com os cidadãos comuns, que respeito tem por eles. E como é que trata os que não têm “padrinhos”, nem andam a influenciar decisões, bichanando pelos corredores dos importantes do momento. É entre estas duas atitudes que se escolhe entre a grandeza e ou a miséria das instituições. E dos povos.

Infelizmente, em Portugal, há instituições que se especializaram no faz de conta, no faz que faz mas não faz. Ou faz mal, ou deixa por fazer, ou esquece o essencial para se gastar nas aparências e no desnecessário. Há demasiadas instituições que são exemplos acabados de corpos sem vida e sem carácter, vítimas de espíritos mesquinhos e desonestos que as comandam ou boicotam.

Precisamos de uma renovação moral, porque há, tem havido, demasiada gente sem qualidade em muitas instituições portuguesas. Veja-se este inqualificável caso do BPN e os enormes estragos que provocou na nossa fraca economia. E a benevolência desleixada e criminosa de quem devia vigiar. Há demasiadas instituições que se esqueceram já das razões por que foram criadas.

E isto, que é sabido, não é fácil de resolver, porque o problema está precisamente nas pessoas, que são elemento essencial e que falham muitas vezes. Os que o deviam fazer carecem muitas vezes das qualidades necessárias. A democracia devia encontrar meios de os cidadãos poderem disciplinar instituições que, no segredo dos deuses, nos tramam a vida e se estão marimbando.

João Boavida
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O problema do desporto português são as leis e os líderes públicos

Começam a surgir e a resurgir questões que não encontram respostas mesmo depois de passados anos, legislaturas e décadas.

O livro de estatísticas de desporto assinado pelo jurista e Ex-Secretário de Estado Laurentino Dias e pelo Ex-Presidente do Instituto do Desporto de Portugal, Professor Doutor Luís Bettencourt Sardinha da Faculdade de Motricidade Humana, é peremptório ao demonstrar que a prática desportiva nacional decresceu as taxas de crescimento e estas estão estagnadas nos últimos anos. Os autores do documento estão acima de toda a suspeita de que houvesse manipulação de dados por analistas preconceituosos.

Com a taxa de crescimento dos últimos anos a andar entre os 0% e os 2% o associativismo desportivo nacional levaria décadas ou quase um século a obter a média europeia de praticantes desportivos inscritos nas federações e nos seus clubes. Isto significa que as políticas dos últimos anos são erradas e definitivamente não visam desenvolver eficiente e sustentadamente o desporto português.

E, contudo, o PSD/CDS decalcam os aspectos liberais e empresariais de uma proposta de governo como a do PS. O novo governo faz mais e nomeia figuras gradas da equipa anterior demonstrando que o PSD/CDS não tem alternativas para a política desportiva seguida pelo PS depois do Euro2004, acontecimento este que travou o desenvolvimento desportivo nacional nos últimos quase dez anos. Obviamente houve alguns vencedores e resultados desportivos mas o que interessa são os resultados agregados.

Ao fim de quase 40 anos há questões que roçam a perplexidade.
  • O desenvolvimento desportivo sustentado em termos europeus é o principal objectivo da política desportiva portuguesa, não é?
  • Porque é que se nomeiam há décadas juristas preferencialmente para resolver problemas do desenvolvimento desportivo sustentado?
  • Porque se nomeiam juristas que não conseguem aproximar Portugal da média europeia, nem conseguem conceber um programa e uma estratégia de sucesso, quando estes são elementos fundamentais para o desenvolvimento de outros países com sucesso desportivo?
  • A conclusão da relação entre o direito do desporto e o desenvolvimento desportivo português não devia ser da ineficiência do direito desportivo nacional para gerar o desenvolvimento sustentado em termos europeus?
  • Que leis e políticas são estas, as feitas pelos juristas portugueses, que não transmitem aos líderes privados do associativismo e das empresas desportivas condições de competitividade e desenvolvimento sustentado europeu mas que lhes permitem retornar ao controlo do sector e renomear elementos que se eternizam no carrocel político apesar da nulidade dos resultados de política?
  • Porque é que as equipas políticas podem revesar-se no poder político com projectos, ideias e protagonistas e os presidentes das federações têm de sair?

Em vez de criar leis em que apenas os deputados da nação e os líderes públicos acreditam, porque não fazer a avaliação do desempenho destes senhores e dar condições de trabalho aos líderes associativos e 'deixá-los trabalhar' como diz o Presidente da República, o Professor Doutor Anibal Cavaco Silva?

Com a ajuda do PSD e do CDS, seguindo o programa e a liderança desportiva do Ex-Primeiro-Ministro José Sócrates, Portugal vai chegar ao meio século com políticas desportivas recessivas e gravemente lesivas do interesse da sua população e do interesse nacional.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Os blogues como espaço de liberdade, de sobressalto e exaltação

A exaltação que refiro é o encontrar de soluções superiores. Não é a exaltação da exaltação.

Há momentos em que as coisas devem ser colocadas e depois esses momentos passam e não voltam para trás.

O discurso da ética e da determinação de combater as externalidades negativas do desporto faz-se inicialmente e depois retoma-se, fortalecendo-se na medida em que as circunstâncias o suscitam.

Não o fazendo, acaba-se por correr atrás do prejuízo que contamina não só quem teve o receio de equacionar o futuro, como o todo orgânico de que se faz parte.

O exemplo da agressão ao árbitro de futebol Pedro Proença é claramente o deixar-se ser ultrapassado pela circunstâncias porque não há uma posição inicial clara.

Houve um encontro com as polícias em que nada ficou para a história. Perdeu-se o momento. Agora o processo é o de correr atrás do prejuízo. As pessoas não sabiam que isto ia acontecer? Ou estas pessoas actuam por hábito em Portugal atrás do prejuízo do desporto e agora do Pedro Proença que ficou sem dois dentes? Parece que o processo não se agravou nos últimos anos e as pessoas estão virgens perante a complexidade da realidade desportiva que se deixou evoluir livremente e se contemporizou.


Há extremos nos blogues e há usos equilibrados e a capacidade de envolver a sociedade e o desporto no debate que devem ser usados.

O exemplo governamental recente é pré-século XXI com o controlo dos órgãos de comunicação social que se compram e vendem, com aspas e sem aspas, mas que é possível ter elementos que controlam e sugerem o que seria melhor. A preocupação de controlar existirá sempre.

O século XXI com a Internet exige estruturas de diálogo mais complexas capazes de evoluir positivamente com a abundância de informação e de interpretações avulsas e contraditórias.

Os blogues são uma fronteira actual a ser alimentada para melhor compreender o mercado, a política, a sociedade e os ideais.

A força da má moeda

Esperar-se-ia que com a saída de cena de certos elementos com discurso duro e intimidatório, os anónimos tendessem a diluir-se e a desaparecer da pisagem.

Contrariamente hoje o diálogo no Colectividade Desportiva é de inúmeros anónimos que alguns opondo-se ao diálogo corrente e cordato também escolhem a forma de expressão conservadora e silenciosa.

É interessante assistir-se no desporto, com o PSD e CDS no poder, ao agravamento deste facto nefando.

Agravar-se-á ainda mais no futuro?

Porque têm as pessoas medo de falar no desporto sobre os desafios e as soluções do seu dia-a-dia e da sua concordância e discordância do pensamento de outros?

Será que foi porque as pessoas pressentem que quem foi nomeado e o modelo que se definiu não dá garantias de liberdades sociais ao mercado do desporto?

Será que as coisas que se vão dizendo está ao nível do passado, por pessoas cujo comportamento é esperadamente socialmente intimidatório?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A gota tem de dar com a perdigota

Só depois de conhecer o programa de governo é que se percebeu o que lá estava.

Com a nomeação completa do quadro humano de liderança compreende-se melhor o que estava escrito no programa.

Depois fazem-se contas para trás e para a frente e chegam-se a conclusões que se procuram sejam objectivas.

Fazer contas para trás e para a frente é ver o que se fez no passado, quais os resultados das políticas e projectar um futuro.

Isto nada tem de pessoal, há que compreender os factos e obter conclusões que sejam válidas para um conjunto de pessoas algumas das quais têm certamente ideias opostas e que é necessário demonstrar as sucessivas contradições encontradas e possíveis soluções.

Após o programa e as nomeações começam a surgir lacunas, por vezes pequenas fissuras que apenas se observam ao microscópio de quem está a olhar para o local certo.

Uma conclusão actual em que pouco se conhece das verdadeiras intensões é que a gota não estará a dar com a perdigota.

Respeito todas as pessoas mas quando se nomeiam as mesmas pessoas sucessivamente em legislaturas que fazem dezenas de anos a conclusão é que as coisas no desporto português vão continuar a ser iguais porque é isso que está escrito nos programas e é isso que fazem as pessoas nomeadas.


Vejamos um pequeno exemplo que as pessoas têm a sensibilidade que alguma coisa se passou de mal e não compreendem o quê.

Toda a gente sabe esta história.

Portugal tinha-se candidatado à Expo 98 e ganho, anos antes tinha feito o Mundial de Juniores de 1991 e tinha ganho a festa e o campeonato.

O país eufórico começava a mexer nos fundos comunitários e a saber levar esse dinheiro ao desporto e às suas infra-estruturas e as federações propunham o máximo de eventos que podiam.

O do futebol não foi o único mas foi o que mais ganhou porque a festa foi muito maior.

Os líderes políticos do desporto gostavam muito destas obras de desporto e incentivavam por escrito ou pela sua palavra os líderes desportivos a avançarem com propostas de eventos portugueses nas federações europeias e mundiais e eles assim faziam.

Alguns nem atletas de alta competição tinham e faziam eventos para os portugueses verem as estrelas dos outros.

Nunca. Repita-se: Nunca, nenhum grande líder político do desporto, de pois de 1995, fez um programa de longo prazo ou pediu aos líderes desportivos que justificassem o seu mega-evento num programa de longo prazo.

Este procedimento adaptado a um tempo de 'vacas gordas' nunca foi compreendido enquanto tal, nem qual o seu custo, lucro ou prejuízo para o desporto e que alternativas haveria para o desenvolvimento sustentado do desprto português.

Nunca foi feita uma avaliação dos milhões investidos e da sua relação entre o investimentode milhares de milhões de euros em infra-estruturas desportivas e o produto desportivo em benefício da população portuguesa.

Não há estatísticas e pode sugerir-se que a falha de produção de estatísticas das infra-estruturas se não foi propositada foi uma clamorosa negligência. Como é possível investir milhares de milhões de euros em infra-estruturas desportivas e nunca produzirestatísticas quer do investimento quer da sua produtividade e rentabilidade?

Nem o Tribunal de Contas nem as Finanças questionam esta realidade do desporto.

O hábito de Cavaco Silva de não fazer estudos económicos para apoiar a melhor decisão política enraizou-se na sociedade portuguesa, porque foi ele que recebeu o grosso dos grandes montantes e deveria ter agido com princípios económicos estritos e não o fez. Se os princípios económicos não foram aplicados em algum momento histórico fundamental foram no início da década de noventa.

Hoje o programa dos estádios do Euro 2004 fracassou enormemente e verifica-se que tudo está montado para criar eventos para beneficiarem o turismo, a trazer turistas para Portugal e oferece-se o Desporto numa bandeja de especialistas que já demonstraram todo o seu saber, tanto no Euro 2004 como em todas as dezenas de eventos desportivos que o desporto português pagou para as federações europeias e mundiais receberem as rendas que outros países e federações nacionais se recusavpor compreender quem ~são os ganhadores destas políticas de vacas gordas para fora do desporto.

As fissuras surgem de inúmeros factores que estão a ser mal articulados e vão transformar-se primeiro em rachas e depois em fracturas de maior dimensão.


O programa e as pessoas estão voltados para os eventos e o tempo das vacas gordas passou. Há quem diga que nunca existiu verdadeiramente e continua a haver pessoas que vivem noutro planeta.

A crise da dívida soberana dos Estados Unidos mostra que a solução liberal de não investir e de não combater a retração económica com investimento vai causar estragos eventualmente globais.

Os dados que estão lançados no desporto são capazes de fazer frente a este processo?

Parece que a gota não está a dar com a perdigota.

Quem sou eu para sugerir que as apostas estão erradas?

Afinal se os mais altos expoentes desportivos ficam até ao fim, porque é que aqueles que os suportam não agem em conformidade com aquilo que os seus olhos vêem os seus maiores fazer contra toda a racionalidade ou mesmo simples bom-senso?

A herança de políticas desportivas falhadas são as cabeçadas nos árbitros e tudo o mais que se fez nas épocas passadas

Durante os últimos 6 anos o desporto não combateu a violência no desporto.

De ética também pouco ou nada se falou e tratou.

O congresso falou, teve contributos e o Governo ouviu e tomou a devida nota.

No final da legislatura os jogos do Benfica e do Porto eram acompanhados por forças militarizadas.

O Conselho Nacional do Desporto terá feito importantes debates, estudos e muitas mais coisas sobre a matéria da violência, da ética e do doping ou não tivesse grandes expoentes perfeitamente conhecedores das matérias.

Agora a época ainda não começou e o árbitro Pedro Proença é agredido no Colombo pelo que parece um sócio do Benfica, um dos expoentes das épocas anteriores.

Todos aguardamos sentados o que vai ser feito e deviamos proteger o nosso dinheiro destas políticas que envolvem as forças de segurança e não combatem a raiz dos problemas da violência e marginalidade no desporto nacional.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Europa e Portugal: a diferença pelo produto desportivo

São duas realidades opostas no domínio do desporto.

A análise económica e de outras áreas do conhecimento é inequívoca no que a Europa constrói no domínio do desporto e aquilo que Portugal faz.

A Europa é o único elemento que permite construir um horizonte material sólido.

O comportamento dos agentes desportivos nacionais, públicos e privados, contradiz o que a Europa faz e impede o bem-estar europeu da população nacional.

Não há que confundir os elementos nacionais que vogam a estratosfera europeia e aquilo que fazem e trazem para o todo nacional.

A actuação europeia dos especialistas de desporto nacionais faz-se segundo o 'saber-fazer' e a liderança europeia e em Portugal os especialistas de desporto portugueses comportam-se como os operários e os funcionários de base portugueses em qualquer outra função e que os fazem tão apreciados, segundo dizem, dos europeus mesmo dos mais desenvolvidos.

Os especialistas nacionais transferidos para Portugal ou nascidos no solo nacional o seu objecto é a captura de rendas e a externalização de benefícios dos segmentos vitais da produção desportiva, minando a racionalidade peculiar do produto desportivo europeu.

A capacidade de acompanhar os modelos de pensamento desportivo europeus mais avançados não lhes dá a compreensão do que se passa no solo pátrio e querendo impor racionalidades que julgam fundamentais não compreendem, e até que ponto quererão compreender, a diferenciação nacional que faz a riqueza europeia e o mercado desportivo mais competitivo do mundo.

Enquanto na Europa o processo de produção de política desportiva afasta elementos menos significativos em Portugal é possível pelos jogos partidários e corporativos haver elementos que legislatura após legislatura falham objectivos nacionais simples, como a produção de estatísticas e a prestação de contas desportivas, e que impedem a construção de um modelo que internalize as valias e impeça o acumular de erros e singularidades nefastas.

Houve a oportunidade de criar uma realidade com jogadores de grande qualidade existentes no mercado da política desportiva nacional. Porém, escolhem-se jogadores que não fizeram história em campeonatos anteriores e que também fracassaram.

Algumas limitações do programa para a legislatura até não seriam graves havendo agentes capazes de levantar a cabeça dos negócios pequenos em que se envolvem e olhar a totalidade do tabuleiro de jogo.

A magia do desporto de Carlos Lopes a Nelson Évora, de Eusébio, Figo a Cristiano Ronaldo e de tantos outros que noutras modalidades alcançam os mais altos lugares é a sua capacidade de jogarem para além do espaço desportivo em que se defrontam com o adversário directo e do seu conhecimento acima e para além do imediato.

Mas os elementos capazes de levantar a cabeça e pensar o jogo onde estão e quem são?

Porque é que em Portugal esses elementos são preteridos, vilependiados e escorraçados?

Uma coisa é certa: Certa bancarrota e alguns dos limites do desporto português deve-se certamente aos elementos que se vão sentando em cima do pote e principalmente daqueles que justificam o injustificável não percebendo o seu contributo decisivo para o caminho que o desporto trilha e que foi por si escolhido.

A dificuldade de Portugal singrar não se deve à dificuldade dos cargos e à oposição das condições de base nacionais mas sim à clara incapacidade de quem está em cima do pote de lhe dar a aplicação útil para o futuro desportivo nacional.

domingo, 7 de agosto de 2011

A equipa do Titanic está reconduzida

O trabalho do Expresso de ontem mostra que os estádios foram um Titanic para alguns clubes.

Obviamente que a equipa que trabalha em Leiria é a que tem os pés menos assentes no desporto e é o elo fraco da equipas gestoras dos estádios do Euro 2004. No Expresso observa-se que os resultados da gestão da sociedade autárquica de gestão do complexo de Leiria é a que apresenta piores resultados desportivos e financeiros.

O que acontece, porém, é que todo o projecto dos estádios do Euro2004 apresenta dificuldades, alguns que o artigo refere e estendendo-se a todos os outros, como um dos clubes grandes o Sporting cujos resultados são baixos. Do Porto e do Benfica pouco se sabe para além das taxas de ocupação mais elevadas.

O mais interessante é que elementos que construíram os estádios, directa e indirectamente, foi reconduzida sugerindo que o Euro2004 continua a vender bem, apesar da realidade dos estádios demonstrada pelo Expresso ser bem clara para quem quiser ver. Esta é uma incapacidade bem portuguesa de não avaliar os resultados e as soluções que foram usadas para os obter.

Parte-se para mais outra legislatura cheia de líderes do Titanic ou de cidadãos cujos sucessos no mercado do desporto são desconhecidos e eventualmente desconhecedores do que é o desporto e de como o produzir com eficiência, o que é um péssimo sinal para o desporto português.

O Expresso são os olhos da sociedade portuguesa e mais uma vez demonstrou à sociedade que o desporto está em contradição com o actual momento nacional, não havendo um líder público ou privado no desporto que apresente corajosamente uma explicação para o que aconteceu de 1997 a 2005 e dê garantias que a solução a encontrar será a melhor para os portugueses e o desporto.

Este silêncio é ensurdecedor o que a análise que tenho feito neste blogue demonstra haver problemas e dificuldades vastas e sistémicas, o que o atraso na sua resolução só prejudicará as federações, os clubes e os atletas para além daqueles que trabalham no desporto.

Ou os responsáveis dão a cara e as suas soluções aparecem ou poderá concluir-se que o facto de não ter havido oposição ao desporto de José Sócrates apenas se deveu à inexistência de um projecto de oposição alternativo.

Será a equipa do Titanic capaz de pôr os estádios a flutuar e de rumar o desporto português para a média europeia?