Disciplinar as instituições, ver aqui
Falar na honra de uma instituição é falar nas pessoas que a fazem funcionar bem. Se falamos em instituições sem honra nem mérito estamos a falar nas pessoas que, do topo às bases, no modo como planeiam, decidem, executam e controlam essas instituições lhe dão má fama. E que, portanto, de uma maneira ou de outra constroem essa má fama para si e para as instituições que deviam servir.
As instituições são entidades abstratas que, por vezes, atravessam várias gerações. As pessoas que as fazem funcionar deixam atrás de si um rasto de boas ou de más práticas, de bons ou maus princípios de ação.
Por isso há instituições que ganham bom-nome e o conservem. Outras, que perdem o bom-nome que tinham. Ou nunca o chegaram a ter porque nunca o mereceram. Como se sabe, enquanto uma boa reputação leva muito tempo a construir, a desonra é rápida como labareda.
Nas instituições, ao longo dos anos, entram e saem muitas pessoas. A instituição, por boa fama que tenha, fica refém das pessoas que a governam e as podem deitar a perder. Ou seja, ficam dependentes da competência, da inteligência, do caráter das pessoas que, do topo à base, mantêm a instituição e são dela o espelho e o reflexo para todos os cidadãos. E, obviamente, ficam reféns dos sentimentos que estão por debaixo e acompanham todas essas formas de ação.
Mas, como os sentimentos não existem senão nas pessoas, as instituições, para lá dos princípios gravados em documentos antigos, ou propalados pelos responsáveis nas cerimónias solenes, revelam em todas as situações e em todas as ações os sentimentos e o carácter das pessoas que num dado momento histórico ocupam os lugares da instituição e a fazem funcionar bem. Ou mal.
Assim, para além dos objectivos de uma instituição, quase sempre altissonantes e pomposos, interessa saber como é que se atua nas situações correntes, como é que se resolvem os pequenos (e os grandes) problemas, como é que se relaciona com os cidadãos comuns, que respeito tem por eles. E como é que trata os que não têm “padrinhos”, nem andam a influenciar decisões, bichanando pelos corredores dos importantes do momento. É entre estas duas atitudes que se escolhe entre a grandeza e ou a miséria das instituições. E dos povos.
Infelizmente, em Portugal, há instituições que se especializaram no faz de conta, no faz que faz mas não faz. Ou faz mal, ou deixa por fazer, ou esquece o essencial para se gastar nas aparências e no desnecessário. Há demasiadas instituições que são exemplos acabados de corpos sem vida e sem carácter, vítimas de espíritos mesquinhos e desonestos que as comandam ou boicotam.
Precisamos de uma renovação moral, porque há, tem havido, demasiada gente sem qualidade em muitas instituições portuguesas. Veja-se este inqualificável caso do BPN e os enormes estragos que provocou na nossa fraca economia. E a benevolência desleixada e criminosa de quem devia vigiar. Há demasiadas instituições que se esqueceram já das razões por que foram criadas.
E isto, que é sabido, não é fácil de resolver, porque o problema está precisamente nas pessoas, que são elemento essencial e que falham muitas vezes. Os que o deviam fazer carecem muitas vezes das qualidades necessárias. A democracia devia encontrar meios de os cidadãos poderem disciplinar instituições que, no segredo dos deuses, nos tramam a vida e se estão marimbando.
João Boavida
Posted by De Rerum Natura at 16:10 0 comments Links to this post
Labels: sociedade, ética
O sentido do que não se passa no menos excitante mercado económico de Portugal mas passa-se no mais excitante mercado económico do mundo
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quinta-feira, 11 de agosto de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
Os intelectuais (não) vão à bola
Debate entre a atriz Sandra Barata Melo do Sporting e o escritor José Luís Peixoto do Benfica sobre a bola em 7 minutos aqui.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
O desporto abandonado
Depois de fazer um estudo sobre a Cultura, a Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS)desta vez com a Associação Comercial de Lisboa assinaram ontem um protocolo para realizar um estudo sobre justiça económica.
Na perspectiva da opinião pública nacional o desporto não é um sector onde seja urgente efectuar mudanças e os outros sectores são mais urgentes.
Conta-se que em França houve um acidente em que morreu uma criança a praticar desporto, nos anos sessenta. Imediatamente reuniu-se o Conselho de Ministros com todos os ministros para o governo francês decidir o que fazer para resolver o problema. Não tenho outra informação para além do ouvir dizer e já há muito tempo.
O desafio do desenvolvimento desportivo é o potenciar do futuro para os jovens e da preservação da vida e da sua qualidade para os que trabalham e os que se aproximam do seu fim.
Economicamente sabe-se que uma vida activa através do desporto gera anos de vida, que a sua prática pelos doentes dá-lhes outras condições para a sua ultrapassagem, que para os doentes crónicos o desporto é um lenitivo saudável e económico, que estes e outros benefícios em inúmeras doenças têm uma dimensão económica que os países mais desenvolvidos do mundo não desdenham.
Alguém devia dizer ao país, a começar pela AR, que deixar o desporto para o fim quando o país embandeira em arco e quando está em crise isso é mau para o próprio país.
Em tempos de crise mais o desporto se desmorona e nem sequer quer ver, o como, o porquê e a saída.
Não há no desporto líderes capazes de captar a economia e a sociedade para as externalidades cruzadas do desporto que são abundantes nas sociedades modernas. Afinal os estudos da FFMS surgem porque determinados problemas justificam a iniciativa pela sua gravidade ou porque os sectores são suficientemente visíveis para remunerarem o investimento do agente privado.
A gravidade da situação do desporto não é socialmente visível nem a remuneração por um investimento no seu conhecimento é socialmente aceitável.
Depender absolutamente do Estado tem a consequência de gerar a invisibilidade do produto social mesmo que laboriosamente produzido e insuficiente para as necessidades europeias da produtividade da população portuguesa.
Na perspectiva da opinião pública nacional o desporto não é um sector onde seja urgente efectuar mudanças e os outros sectores são mais urgentes.
Conta-se que em França houve um acidente em que morreu uma criança a praticar desporto, nos anos sessenta. Imediatamente reuniu-se o Conselho de Ministros com todos os ministros para o governo francês decidir o que fazer para resolver o problema. Não tenho outra informação para além do ouvir dizer e já há muito tempo.
O desafio do desenvolvimento desportivo é o potenciar do futuro para os jovens e da preservação da vida e da sua qualidade para os que trabalham e os que se aproximam do seu fim.
Economicamente sabe-se que uma vida activa através do desporto gera anos de vida, que a sua prática pelos doentes dá-lhes outras condições para a sua ultrapassagem, que para os doentes crónicos o desporto é um lenitivo saudável e económico, que estes e outros benefícios em inúmeras doenças têm uma dimensão económica que os países mais desenvolvidos do mundo não desdenham.
Alguém devia dizer ao país, a começar pela AR, que deixar o desporto para o fim quando o país embandeira em arco e quando está em crise isso é mau para o próprio país.
Em tempos de crise mais o desporto se desmorona e nem sequer quer ver, o como, o porquê e a saída.
Não há no desporto líderes capazes de captar a economia e a sociedade para as externalidades cruzadas do desporto que são abundantes nas sociedades modernas. Afinal os estudos da FFMS surgem porque determinados problemas justificam a iniciativa pela sua gravidade ou porque os sectores são suficientemente visíveis para remunerarem o investimento do agente privado.
A gravidade da situação do desporto não é socialmente visível nem a remuneração por um investimento no seu conhecimento é socialmente aceitável.
Depender absolutamente do Estado tem a consequência de gerar a invisibilidade do produto social mesmo que laboriosamente produzido e insuficiente para as necessidades europeias da produtividade da população portuguesa.
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