Na verdade não tenho de o fazer.
Há artigos que saem na imprensa e parecem insuficientes no seu relacionamento com o desenvolvimento desportivo nacional produzido pelo associativismo e pelas empresas.
A avaliação da condição física só poderá ser sustentável em Portugal se estiver relacionada com a política desportiva.
Por exemplo, o caso do programa Marcha e Corrida do Atletismo, e outros de outras federações, terão uma relação com a avaliação da condição física daqueles que os pratiquem.
Na Europa 65% da população pratica desporto e, desses, 30% estão nas federações.
Em Portugal 45% da população pratica desporto e só 10% estão nas federações.
Nós, não só, temos uma percentagem 20% mais baixa ao nível de toda a população, como 90% dos poucos praticantes que temos, estão fora das federações. As federações são fundamentais para a formalização e especialização do capital desportivo individual e colectivo e falta-nos esse tecido desportivo fundamental.
É óbvio e é essa proposta que coloco é que é relevante que na observação da condição física dos portugueses haja um conhecimento claro das modalidades praticadas para conhecer o benefício de cada cidadão e que esse conhecimento lhes seja concedido.
A estrutura federada é a unidade de produção desportiva mais eficiente na produção de desporto na Europa. Ela produz melhor desporto com menores recursos. Caso no futuro o estado português, através do governo de maioria, decidisse continuar a não financiar o associativismo desportivo de base como o fazem os países europeus, as percentagens de prática desportiva nacionais atrás indicadas não evoluiriam para a média europeia.
Há problemas graves com o modelo de desenvolvimento desportivo nacional e esse modelo não está a ser instrumentalizado para demonstrar à população portuguesa e às suas organizações e instituições o que é o modelo, para que serve, que relações estabelece entre a universidade, as autarquias, o associativismo e o Estado.
Os projectos não podem parecer que vêem de um país estrangeiro mas devem ter um propósito nacional que enalteça a acção dos agentes desportivos como os do associativismo desportivo ou mesmo os das empresas e que estão num modelo de desenvolvimento desportivo que é nacional e que prossegue objectivos europeus.
Mas é fundamental deixá-lo bem claro, principalmente quando aparece um jornalista a fazer perguntas, que ele próprio talvez saiba a resposta ou talvez não perceba nada, mas que está preocupado com a elaboração da peça a apresentar ao director do jornal. Da minha relação com os jornais sei que dar mais matéria aos jornalistas não cai em saco roto.
A não ser que se pretendesse que saísse apenas determinada matéria e, nesse caso, creio ter acrescentado razões que demonstram a perca de oportunidade em maior benefício não só do desporto mas da avaliação da condição física que, se continuar desligada das federações, vão ser elas a sugerir a alguém que há outras coisas mais importantes do que estar a incomodar as pessoas como uma coisa que ninguém sabe para que serve na relação entre o Estado e a produção associativa desportiva.
Ou, talvez, o objectivo seja levar o projecto para a saúde e nesse caso responde aos fundamentalismos que defendem que o desporto é para produzir desporto e que tudo o mais é heresia.
Ele há gente muito confusa…