segunda-feira, 11 de abril de 2011

Actividade física versus desporto

Quer o anónimo que eu responda às perguntas que fiz.

Na verdade não tenho de o fazer.

Há artigos que saem na imprensa e parecem insuficientes no seu relacionamento com o desenvolvimento desportivo nacional produzido pelo associativismo e pelas empresas.

A avaliação da condição física só poderá ser sustentável em Portugal se estiver relacionada com a política desportiva.

Por exemplo, o caso do programa Marcha e Corrida do Atletismo, e outros de outras federações, terão uma relação com a avaliação da condição física daqueles que os pratiquem.

Na Europa 65% da população pratica desporto e, desses, 30% estão nas federações.

Em Portugal 45% da população pratica desporto e só 10% estão nas federações.

Nós, não só, temos uma percentagem 20% mais baixa ao nível de toda a população, como 90% dos poucos praticantes que temos, estão fora das federações. As federações são fundamentais para a formalização e especialização do capital desportivo individual e colectivo e falta-nos esse tecido desportivo fundamental.

É óbvio e é essa proposta que coloco é que é relevante que na observação da condição física dos portugueses haja um conhecimento claro das modalidades praticadas para conhecer o benefício de cada cidadão e que esse conhecimento lhes seja concedido.

A estrutura federada é a unidade de produção desportiva mais eficiente na produção de desporto na Europa. Ela produz melhor desporto com menores recursos. Caso no futuro o estado português, através do governo de maioria, decidisse continuar a não financiar o associativismo desportivo de base como o fazem os países europeus, as percentagens de prática desportiva nacionais atrás indicadas não evoluiriam para a média europeia.

Há problemas graves com o modelo de desenvolvimento desportivo nacional e esse modelo não está a ser instrumentalizado para demonstrar à população portuguesa e às suas organizações e instituições o que é o modelo, para que serve, que relações estabelece entre a universidade, as autarquias, o associativismo e o Estado.

Os projectos não podem parecer que vêem de um país estrangeiro mas devem ter um propósito nacional que enalteça a acção dos agentes desportivos como os do associativismo desportivo ou mesmo os das empresas e que estão num modelo de desenvolvimento desportivo que é nacional e que prossegue objectivos europeus.
Mas é fundamental deixá-lo bem claro, principalmente quando aparece um jornalista a fazer perguntas, que ele próprio talvez saiba a resposta ou talvez não perceba nada, mas que está preocupado com a elaboração da peça a apresentar ao director do jornal. Da minha relação com os jornais sei que dar mais matéria aos jornalistas não cai em saco roto.

A não ser que se pretendesse que saísse apenas determinada matéria e, nesse caso, creio ter acrescentado razões que demonstram a perca de oportunidade em maior benefício não só do desporto mas da avaliação da condição física que, se continuar desligada das federações, vão ser elas a sugerir a alguém que há outras coisas mais importantes do que estar a incomodar as pessoas como uma coisa que ninguém sabe para que serve na relação entre o Estado e a produção associativa desportiva.
Ou, talvez, o objectivo seja levar o projecto para a saúde e nesse caso responde aos fundamentalismos que defendem que o desporto é para produzir desporto e que tudo o mais é heresia.
Ele há gente muito confusa…

Actividade física versus desporto e Modelo Americano de Desporto versus Modelo Europeu de Desporto

A actividade física é o núcleo do bem-estar físico e psíquico de americanos e europeus e as competições são o instrumento de avaliação dessa actividade física.

A partir daqui existe mais uma qualidade que é comum aos dois modelos. Ambos produzem desporto através de pirâmides de actividades físicas ordenadas segundo a intensidade de capital desportivo, em que na base estão as actividades mais simples e no topo as mais complexas.

Adicionalmente para sustentar as estruturas amadoras os estados americanos e os governos europeus financiam largamente a actividade desportiva de base como bens e serviços públicos e de mérito.

No modelo americano a estrutura tanto amadora como profissional tem organizações com finalidade lucrativa permitindo aos agentes desportivos internalizar no mercado privado as externalidades humanas e sociais geradas pela sua actividade. Os direitos de propriedade da produção desportiva pertencem às organizações privadas com finalidade lucrativa.

No modelo europeu a estrutura amadora e profisisonal possui organizações sem finalidade lucrativa e também tem organizações com finalidade lucrativa. Porém, os direitos de propriedade pertencem às federações que não possuem finalidade lucrativa mas que de qualquer forma devem ser organizações económicas saudáveis e que geram lucro em cada ano desportivo e económico para sustentarem as actividades que não geram lucro e que são essenciais ao sucesso das lucrativas.


Sem alongar mais

Esta introdução sugere porque é que o projecto de avaliação da condição física será um instrumento americano e porque os governos europeus ainda não terão aderido em grande número a este projecto. Ver Expresso de 9ARB2011.

A investigação desportiva na Europa está imbrincada na sua produção desportiva.
Assim, na Europa  a quantidade de desporto produzido é dado pela actividade associativa desportiva possuindo os países europeus centenas de milhares de clubes para o desenvolvimento da actividade física que é promovida e contabilizada nos praticantes inscritos nas federações.

Os Estados Unidos não possuindo federações usam um projecto científico para medir a condição física dos seus concidadãos.

É importante Portugal fazer investigação sobre a condição física e a qualidade do exercício físico dos portugueses e é importante Portugal seguir o que de melhor tem o Modelo Europeu de Desporto como é a sua estrutura associativa de produção desportiva.

De qualquer modo, se Portugal não quer assumir o Modelo Europeu de Desporto e seguir o Modelo Americano de Desporto que não o faça pela metade e o assuma.


Agora o que não deve fazer é ter uma estrutura associativa há décadas a morrer sem responsabilização e sem risco aplicando fundos públicos, sem medir a eficiência desses resultados e procurar medir sugerindo soluções que parecem flutuar acima do modelo de produção implantado na Europa.

Isto não é carne nem é peixe!

Quando se desenvolvem instrumentos públicos estes devem deixar claro as relações de causalidade porque se aplicam dinheiros públicos e devem assumir-se os resultados produzidos por essas decisões.


As perguntas essenciais são, por exemplo:

O projecto de avaliação da condição física dos portugueses é para ser desenvolvido para as federações?

Se não são as federações e a sua estrutura associativa quem são os produtores das actividades físicas: os cidadãos independentes e informalmente, os clubes fora da estrutura associativa federada, as empresas, o manchester united com escolinhas privadas a espalhar pelo país, as delegações dos grandes clubes Benfica, Sporting e Porto?

Estamos perante um projecto universitário que se relaciona com o associativismo desportivo de que forma?

Qual a função do regulador público e da sua agência técnica?

Se o Passos tirar mais coelhos da cartola

O PS mantiver o ritual da cicuta em torno do seu narciso

As eleições podem tornar-se previsíveis

domingo, 10 de abril de 2011

As palavras do ministro sueco estão aqui

O Público, aqui, deixa as palavras:

"O Governo português tem uma grande responsabilidade pela situação em que o país se encontra por causa do défice e dívida pública que se mantém elevados durante um longo período de tempo”, afirmou Borg no final de uma reunião dos ministros europeus das Finanças, em Gödölö, Hungria. “Tem havido sinais de alarme claros, e foi pedido aos portugueses para enfrentar a situação e assumir a responsabilidade numa fase anterior. Se o tivessem feito no início do Outono, Portugal e a Europa estariam hoje numa situação melhor do que estão hoje”.

Borg criticou igualmente o Governo pela forma como conduziu o pedido de ajuda. “O pedido chegou na quinta-feira à noite para tomarmos uma decisão na sexta. Impor um montante tão elevado num período de tempo tão curto é uma exigência muito grande que um Estado-membro faz aos outros”, acusou, considerando que “há aqui muitos argumentos para críticas”.


Os europeus do norte estão irritados porque esta não é a forma como actuam e demonstram como os erros se acumularam, na sua perspectiva e por estarem a serem empurrados para a embrulhada da forma de actuar portuguesa.

Mosqueteiras de bairro

O exemplo descrito pelo Expresso, aqui, das jovens do bairro problemático de Quinta da Fonte em Loures dentro do Contrato Local de Segurança de Loures é um exemplo das soluções públicas.

As soluções podem ser inesperadas mas todas devem ser aproveitadas.

A peça não fala de clube ou organização local e devia ser uma preocupação primeira ter a acção ancorada a uma organização local e à disponibilidade de meios para a pratica.

O país não está morto.

sábado, 9 de abril de 2011

Para bem de Portugal dizem os líderes europeus

Um alto responsável sueco diz que não acredita que os portugueses cumpram os seus compromissos e que não estão disponíveis para dar dinheiro para Portugal.

Um alto responsável nacional, o presidente da república, aqui, pede aos responsáveis europeus que tenham imaginação.

Em resposta um comissário europeu diz que espera que os dirigentes portugueses sejam responsáveis.

E que espera não ter de continuar a falar com os responsáveis portugueses através da comunicação social e estão dispostos a trabalhar com todos os que estão dentro do barco.


Isto é o que os dirigentes do futebol fazem quando falam com a UEFA e FIFA através da coomunicação social, sem terem assumido as suas responsabilidades para tratarem cabalmente dos problemas com que foram coniventes e depois andam a pedir a terceiros para os resolver de acordo com a especificidade portuguesa.

Há quem não se lembre ter sido gozado há uns anos por um líder centro europeu e agora faz propostas que gera a unanimidade e reprovação entre os líderes europeus.

Gostei do artigo da Ministra da Cultura ao Expresso

Aconselho a leitura do artigo de Gabriela Canavilhas, na página 51, do caderno principal do Expresso, de 9Abril2011, às pessoas que gostam e vivem o desporto nacional porque é a peça de um político de um sector como a Cultura, que se assume da Cultura, incorpora a responsabilidade governativa e o risco de exercer esta última.

O artigo vai à história das instituições, à relação com o seu público, à problemática do desenvolvimento das instituições de excelência da cultura nacional, às opções da sua política, foca a complexidade da crise e da governação e referindo a perenidade dos políticos exalta a qualidade, entrega e profissionalismo nos seus corpos artísticos.

Não sei nada de Cultura, do passado de Gabriela Canavilhas para além do que os jornais vão trazendo e muito menos o que andou a fazer nestes últimos anos.

Enalteço o saber honrar e dar a cara pela camisola, uma coisa que se aprende também quando se pratica Desporto e que aqui uma artista de gabarito global dá uma lição de mão cheia ao Desporto.

Muito Bem Ministra Gabriela Canavilhas!

Esqueceram-se do Sr. Comandante

O Expresso, aqui, lança o seu 'Um compromisso nacional' que contém mais de quarenta personalidades no qual:
  1. uma vez mais não se vê ninguém do desporto
  2. fala-se de alguns sectores e não se fala da cultura e do desporto
duas questões:
  1. Portugal não criou uma personalidade desportiva nos últimos 30 anos
  2. a cultura não é referida porque não estará em crise como a educação, a justiça e a saúde e o desporto também não é referido porque não será relevante fazê-lo
Fica a pergunta: quando será relevante olhar para o desporto como uma das solução para os grandes desafios nacionais?

O desporto vai comer pela medida grande

Os economistas da direita à esquerda, e sem ordenação, nos Ladrões de Bicicletas, no The Portuguese Econoomy, no Gato do Cheshire, não são auspiciosos sobre o futuro do país.

O problema não são as organizações desportivas que fazendo por viver, foram vivendo cada vez mais pequeno e só querem garantir as suas margens independentemente do produto desportivo útil para o potencial do país.

O problema é a população para quem o desporto seria uma parte da solução e que por não se falar é um problema e um problema também cada vez mais pequeno.

Há algum problema se 70% da população de Portugal nunca usar o desporto para beneficiar de um estilo de vida activo?

Qual seria o impacto nas medidas dde combate à crise se um milhão de pessoas em Portugal fizessem 3 horas de exercício físico activo durante 45 minutos?

Irá o FMI e o FEEF exigir ao Governo de maioria repor níveis europeus de bem-estar através da prática desportiva?

Onde está o PS de Jorge Sampaio e de António Guterres?

No Cachimbo de Margritte, aqui:

"Qual o significado do mote do congresso PS? O significado é iniludível e inaceitável. É este: os adversários de Sócrates são inimigos de Portugal."


Mais à frente por Manuel Pinheiro:
"Aplausos que ficam para a história
Para tomar nota e relembrar no futuro: Sócrates não fez o que fez sozinho."

sexta-feira, 8 de abril de 2011

No Desporto Escolar aproveitemos as dez horas do Despacho 5328/2011

O texto é de Bruno Avelar Rosa cujas preocupações sobre o Desporto Escolar procuram soluções para além das difíceis condições que a crise acentua.
Agradeço a sua disponibilidade para o debate público.



Tem sido cada vez mais frequente a discussão relativamente ao Desporto Escolar, principalmente a partir da publicação do Despacho 5328/2011, o qual veio retirar a consideração deste enquanto actividade no âmbito da carga lectiva concedida aos Professores de Educação Física dos Centros Escolares. Este desaparecimento é “compensado” com a possibilidade dada às Escolas de distribuírem 10 horas de actividade extra-lectiva segundo critério da administração escolar.

A preocupação em torno desta nova realidade tem sido alvo de debate e indignação por parte do corpo docente vinculado a esta área. Por um lado, a diminuição de horários levará a que muitos professores contratados percam o seu lugar na Escola Pública. Por outro, muitos professores que ansiavam a sua colocação terão agora ainda maiores dificuldades para o conseguir. Esta é uma preocupação legítima e que augura um flagelo na classe docente em que também me incluo.

Contudo, além da preocupação natural que sinto relativamente ao futuro da classe profissional a que pertenço – e, logicamente, em relação ao meu próprio futuro – considero que o nível da discussão ainda não atingiu o seu eixo mais relevante enquanto medida política. Refiro-me naturalmente às consequências despoletadas por uma Escola Pública sem prática desportiva escolar.

Numa fase em que a obesidade e o sedentarismo são cada vez mais patologias que assombram o bem-estar social e o seu próprio desenvolvimento, fazer desmerecer o valor do Desporto Escolar é de uma imprudência político-sanitária sem paralelo. Aumentam os Programas de Perca de Peso, não apenas no seu sentido terapêutico como também enquanto business-show tal como poderemos observar na recente versão portuguesa do “Biggest Looser” (concurso entre casais com sobrepeso em que ganharão aqueles que mais consigam emagrecer – poderá ser visto brevemente em canal aberto), mas não se tomam as medidas preventivas necessárias para que a médio prazo tenhamos uma população fisicamente activa e que goste e o procure estar (não apenas no que à saúde fisiológica se refere). É função do Ensino Público, não apenas a transmissão de conhecimentos para a construção de cidadania como também a criação de hábitos que possam promover estilos de vida fisicamente activos e intelectualmente ágeis.

É neste sentido que sinto alguma preocupação relativamente à ausência de sensibilização por parte do corpo profissional afectado por esta medida relativamente às alterações que sofrerá o seu objecto de trabalho, apesar de correrem petições com vista à alteração do referido Despacho de maneira a que estes mesmos docentes não tenham o desemprego como perspectiva de futuro imediato.

Como anteriormente assinalado, o Despacho 5328/2011 prevê 10 horas distribuídas ao critério das direcções escolares. Estas 10 horas representam uma batalha perdida pelo Desporto Escolar nos seus anos de existência. Mas representam também uma oportunidade de transmitirmos a nossa crença de que a prática de Desporto em Idade Escolar é um elemento fundamental na educação dos nossos jovens, bem como um factor de promoção da coesão social. Deveremos juntar-nos no sentido de que se faça a sensibilização, nacional e local, de que essas 10 horas deverão ser revertidas para a prática desportiva. A nossa força deverá ser, também e de ora em diante, canalizada nesse sentido.

Mas deveremos também ter muita atenção. Espera-se a publicação de um Despacho que regule concretamente a prática de Desporto na Escola. Há indicações que se promoverá a presença autárquica na organização das actividades bem como pontes de relação entre o sistema educativo e o sistema desportivo através da participação dos clubes locais no desenvolvimento das actividades escolares. É praticamente assumido que o modelo de Desporto Escolar em que nos encontrávamos estava caduco. Na observação de outros modelos levados a cabo noutros países – o “Marco Nacional para la Actividad Física y el Deporte Escolar” desenvolvido pelos Ministério da Educação e CSD espanhóis, com base no “Pla de l’Esport en Edat Escolar” da cidade de Barcelona, ou o “Learning Through PE and Sport” desenvolvido pelo Ministério da Educação Inglês – podemos constatar que a ideia não é de todo descabida, bem pelo contrário. Contudo, é fundamental que todos possamos construir um modelo de qualidade, isto é, desencadeado por um projecto pedagógico-organizativo consistente, de forma a que não voltemos a cometer o pecado, e passar por ele, que é destruir na prática aquilo que na teoria até é uma boa ideia, tal como demonstra o “sucesso” do Projecto da “Escola a Tempo Inteiro” e respectivas Actividades de Enriquecimento Curricular.

Teixeira dos Santos compreendeu que o modelo tinha chegado ao fim

A constatação dos banqueiros da impossibilidade de comprarem dívida soberana assinalou o fim do modelo económico em que assentou o desenvolvimento nacional das últimas décadas.

Os bancos foram o suporte económico do regime assegurando o financiamento imobiliário, que lhes permitiam interiorizar as garantias do património edificado pelas famílias e empresas, e dando ao Estado, em contrapartida das garantias públicas, os financiamentos para os projectos não transaccionáveis como as auto-estradas, escolas, hospitais, submarinos, helicópteros, tanques, armas e mega-eventos desportivos, culturais e políticos.
Fernando Ulrich (FU) tem uma frase clara desta realidade ao Expresso, aqui, quando diz que Teixeira dos Santos pretenderia que os bancos continuassem a financiar o modelo de governação.
Diz FU que “Percebi que o Governo não tinha condições para se financiar porque estava a pensar que eram os bancos que o iam suportar indefinidamente”.
FU não explica porque é que o Governo haveria de manter tal concepção das relações entre os bancos e o Governo e essa é a parte interessante.

Se o desporto aprofundasse o conhecimento da sua utilidade para o modelo de produção do país poderia chegar a conclusões próximas das de FU.
O desporto português não se questiona sobre a sua razão nacional, de ser económico ou do social e, por isso, é-lhe indiferente que o país viva ou morra dado não conceber que tenha uma função a mpreencher num processo de produção social.

Perguntas e respostas de Pedro Lains sobre o Governo e os bancos

Aqui, no blogue Massa Monetária, do Jornal de Negócios, Pedro Lains trata de dois pontos
  1. relação do universitário e da comunicação social
  2. o Governo e os bancos

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O receio das estatísticas desportivas é político

São os políticos que actuam no desporto que receiam a publicação de estatísticas e a realização de estudos e análises.

O seu receio é o da debilidade da sua decisão.

A sua decisão começa por ser frágil quando concebem que as suas responsabilidades vão ser questionadas por resultados quantificáveis.

Existe uma diferença entre o político europeu e o português em que o europeu tem a experiência do sucesso da produção desportiva e ele sabe que se fizer as coisas minimamente bem conquista medalhas e alcança o sétimo céu.

No desporto em Portugal os políticos têm pesadelos de dois em dois anos nos jogos olímpicos e nos mundiais de futebol apesar de terem dado tudo o que os líderes desportivos lhe pediram, desde as micro às grandes federações. Não confia nos primeiros e sabe que os segundos lhe vão dar todo o protagonismo frente à comunicaçao social.

O problema maior é o de transformar os programas eleitorais em medalhas olímpicas e resultados de prática desportiva para toda a população nacional.

São coisas que a política desportiva nacional não controla por definição e por incapacidade das equipas governamentais trabalharem essa matéria há muito tempo.

O político desportivo dá dinheiro para infra-estruturas, não quer saber do desporto escolar porque isso são coisas da educação e as federações recebem dinheiro para medalhas e não para aumentarem a sua massa crítica de praticantes e valorizarem o seu tecido desportivo.


Os bons líderes desportivos sabem produzir desporto e quando lhes dão estatísticas que explicam o que devem fazer para crescer eles agradecem.

Já contei noutros lados que um presidente de uma federação me disse:

"Aquelas coisas terríveis que você diz no livro de estatística são as mesmas que eu digo aos meus dirigentes e técnicos. Quando é que produz a próxima análise?"

Descer às estatísticas do desporto para o Governo de maioria

Como convencer o Governo de maioria que o desporto tem de ter uma política desportiva diferente do passado, porque os resultados actuais são vergonhosos ao nível da Europa?

Vejamos alguns números segundo as Contas Nacionais de 2007, do INE:
  1. Consumo empresas: 347 milhões de euros;
  2. Consumo das famílias: 727 milhões de euros;
  3. Gastos do Estado (Governo): 77 milhões de euros;
  4. Consumo do associativismo: 366 milhões de euros;
  5. Total: 1517 milhões de euros.

A receita líquida de impostos por parte do Estado foi em 2007 de 114 milhões de euros.


A produção desportiva apresenta números como os seguintes:
  1. Praticantes desportivos informais segundo o Eurostat, em 2008, 45% da população;
  2. Praticantes de desporto escolar cerca de 150.000 jovens, menos de 10 por cento da;
  3. População jovem um valor aproximado a 1.800.000 jovens.
Vamos supor que o Governo de maioria decidia dar actividades a 70% dos jovens portugueses como faz o Governo da Catalunha.

Vamos supor que o Governo de maioria considere uma obrigação nacional inquestionável dar aos jovens portugueses, principalmente em tempo de crise profunda, aquilo que os jovens da Catalunha já têm, ou seja, mais de 70% praticam desporto na escola, clubes, autarquias e empresas.

A prática desportiva em Portugal para 70% de 1,8 milhões de jovens são 1,3 milhões de jovens

Com esta política desportiva vamos supor que o Governo de maioria constata no fim do ano que a prática desportiva nacional aumentou 1 milhão de praticantes.

A prática da população nesse caso passa de 45% da população para 55% da população.

Considerando as outras variáveis económicas iguais, as indicadas em primeiro lugar, então o valor nas contas nacionais do produto desportivo passa de 1,5 mil milhões de euros para 1,8 mil milhões de euros.

Aplicando a mesma taxa de relação entre os impostos líquidos de 8% ao valor do produto de 1,8 mil milhões então os impostos líquidos aumentariam de 114 milhões de euros para 140 milhões de euros.

Este aumento de impostos seria possível porque não são só os jovens a praticar desporto, haveria um impacto no produto desportivo das famílias e haveria um um aumento da despesa dos técnicos, orientadores e voluntários envolvidos pelo projecto do desportivo do Governo de maioria.

É evidente que o Estado teria de aumentar as subvenções às organizações que trabalham com os jovens ao nível dos bairros e a questão é que mesmo subsidiando iria ter um lucro mais do que proporcional.

Assim dizem os livros e a experiência de professores e técnicos, médicos e investigadores.

Estas contas são demasiado simples e exigem cálculos adicionais.

A melhor política desportiva seria aproveitar o princípio que se de facto cada euro investido gera dois euros então o aproveitamento deste princípio ajusta-se perfeitamente ao período de crise que Portugal vive.


Nesse caso o novo líder do desporto tem de convencer o Governo de maioria de que:
  1. O desporto faz parte da solução e não é um problema face às múltiplas crises nacionais;
  2. O desporto dá lucro directo ao Estado gerando mais receita fiscal do que a despesa pública em desporto;
  3. Pode sempre ir dizendo ao Governo de maioria que os impactos indirectos serão substanciais e que se observarão a prazo na educação e na saúde para não ir mais longe.

Há muitos mais números aliciantes a trabalhar sistematicamente em Portugal e na Europa que abrirão portas ao novo desporto português.

O trabalho inicial será maior porque o desporto português não está habituado a fazê-lo, não quer ouvir falar de estudos e análises e 'odeia' quem o faz.


O texto da Catalunha foi cedido pelo Bruno Rosa e chama-se 'Etudi dels hàbits esportius de la població en edat escolar: A la Ciutat de Barcelona", Maio 2007, Ajuntament de Barcelona. Existe um link: www.bcn.cat/esports

O modelo de desenvolvimento desportivo em vigor

Por vezes o debate nos blogues tornou-se agreste fruto de posições contraditórias entre o modelo de desenvolvimento prosseguido pelo PS e o de pessoas que sem estarem sujeitas a um modelo partidário encontravam limitações no modelo em vigor.

Há vários pontos que é relevante afirmar para se encontrarem soluções alternativas e profícuas.
  1. O modelo do PS foi pensado de acordo com a história desportiva nacional e corresponde fielmente ao interesse que se formou entre o PS como Governo, o associativismo desportivo, a universidade e empresários do desporto.
  2. A economia e a sociedade compraram o modelo sem o discutir anestesiados pelo maior feito do desporto português o Euro2004 e as doses maciças de 'soap-opera' diária em versão Pinto da Costa, o cão e o gato.
  3. Quem consumia desporto, continuou a fazê-lo, quem não consumia o desporto que era oferecido não tinha voz para questionar o modelo vigente.
  4. As pessoas como os técnicos, os líderes, os políticos, os investigadores, as escolas de pensamento e todos os recursos humanos e organizacionais colocados ao serviço do modelo foram os melhores nas suas áreas específicas e constituíam o capital suficiente para levar o modelo ao seu sucesso específico.
  5. Eles tiveram uma performance à altura da expectativa.
  6. Os que de início levantaram dúvidas foram afastados, depois mandados calar, foram vilipendiados, igualmente, rudemente ameaçados e outras coisas.
  7. Em desespero de causa 2009 foi o ponto máximo.

O problema do modelo do PS foi basear-se no passado e não olhar para a Europa e para o futuro. 


Três perguntas podem colocar-se:
  1. Teria sido possível ter feito melhor na actual e nas legislaturas imediatamente anteriores?
  2. Teria sido possível ter produzido mais desporto?
  3. Teria sido possível Portugal produzir mais desporto e convergir efectivamente com a média europeia?

Eventualmente poderá haver quem diga que politicamente foi extraordinário e que quanto ao produto desportivo não havia possibilidade de produzir mais desporto porque o país é pequeno, porque a Administração públic financia muito o desporto e porque no desporto há muito dinheiro.

A resposta que será interessante responder é se efectivamente o modelo do PS visou produzir mais desporto e se todos os modelos e submodelos anteriores de que o modelo do PS é o herdeiro visaram produzir mais desporto ou se o objecto foi manter sem expressão económica e social o desporto nacional.


As questões a colocar para o futuro relacionam-se com o novo modelo introduzindo variáveis éticas, de democracia e governance europeia, técnicas e científicas que estão afastadas do modelo em vigor em Portugal há vinte anos.

Um novo modelo de desenvolvimento, centrando-se na produção desportiva da população, tem condições de sucesso por se dirigir a vertentes técnicas e a princípios não exploradas pelo modelo vigente.

Ainda as estatísticas e auditorias por Soares dos Santos, dono do Pingo Doce, na SIC

Como tenho defendido a necessidade do desporto ter estatísticas aqui fica a posição do empresário:

"Há quem diga que não se pode fazer fazer auditorias por causa dos ratings.

Os portugueses não têm o direito de saber como estão as suas contas!?

Isto é crime!"


Há quem consiga dizer, sem lhe caírem os dentes, que o desporto é diferente ou de passar os anos sem meter fora da gaveta um único número desportivo e fartar-se de dizer que o Estado Isto e aquilo e mais financiamento e estatísticas da produção de desporto nem sombras.

Pelos vistos há quem sugira haver crime ...

A dimensão da crise é um iceberg

Diz Soares dos Santos, dono do Pingo Doce, ao Negócios da Semana, da SIC, que 1% do Pingo Doce está penhorado pelos funcionários superendividados que os tribunais exigem à empresa que retenha à cabeça 30% dos salários.


Que desporto praticarão estas pessoas com o salário cativado?

Estas pessoas e as suas famílias terão direito ao desporto?

Há dinheiro para estas pessoas praticarem desporto ou deverão também cortar na despesa desportiva?

Quanto é o custo de dar actividades desportivas a estas pessoas?

Qual é o custo de não dar desporto a estas pessoas?

Qual é a diferença entre dar e não dar desporto às famílias de carenciados?

Começa a ser recorrente

Desta vez foi Alexandre Soares dos Santos ao programa Negócios da Semana da SIC.

Disse que devia haver quem no PS assumisse a nova face para o futuro.

Face às exigências do país alguém deverá sacrificar-se.

Indicou José Vitorino.

(Há quem indique José Seguro ou quem refira Francisco Assis.)


Num ponto é peremptório: José Sócrates deveria ter coragem de dizer: vou-me embora já!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O cluster da cultura e do desporto

A imagem do desporto é péssima e isso observa-se na crispação que se observa em agentes culturais quando falam de desporto subentendendo o exemplo do futebol.
O que não quer dizer que agentes culturais se furtem aos aspectos mais característicos do futebol, em versão cor-de-rosa ou de ‘soap-opera’ como o realizador José Pedro Vasconcelos.
Economicamente a cultura e o desporto são bens de características de mérito e públicas, produzem resultados semelhantes como os co-produtos e as externalidades, sendo praticados pelos jovens e ao longo da vida de toda a população. No extremo oposto ambos atingem níveis de excelência globais como Portugal demonstrou saber fazer.
Contudo, na cultura não existem federações porque não há direitos de propriedade embora os agrupamentos culturais beneficiem de áreas de influência de monopólio como qualquer clube desportivo.
Há vantagens na criação de um cluster direccionado simultaneamente para os consumos culturais e desportivos de toda a população, assim como, para a identificação da excelência que promove globalmente e galvaniza o país.

Dizem os economistas europeus e investigadores da área da saúde de todo o mundo que um euro investido no desporto pelo Governo e por cada um de nós gera dois euros em benefícios directos e indirectos.
No caso das Finanças em Portugal estas recebem pelo menos 224 milhões de euros de impostos com a actividade desportiva e financiam através da administração central o desporto em cerca de 80 milhões.
Os benefícios do Estado são ainda maiores porque o corte nas despesas de saúde pela prática desportiva, a recuperação mais rápida na doença, o menor número de mortes prematuras, o menor número de ausências ao trabalho por doença, a maior produtividade no trabalho são centenas de milhões de euros adicionais e não contabilizados.

Há espaço para o maior investimento público em desporto, nomeadamente na sua base, que gerará impostos adicionais provenientes da nova actividade das famílias e do envolvimento das empresas.

Ao contrário do desporto a cultura desenvolveu vários instrumentos que lhe permitiram criar um ministério e conceber programas de desenvolvimento.

A situação de crise do país abre a oportunidade a soluções inovadoras que podem ser benéficas a ambos os sectores.
Muitos clubes têm actividades culturais e desportivas e os eventos desportivos são acompanhados por actividades da cultura.
Estes dois exemplos são a amostra de benefícios comuns que nunca foram explorados.

Os pés em terra do novo líder do desporto

O líder do desporto deveria ser convidado a apresentar eixos fundamentais relacionados com:
  1. A sua Visão para o desenvolvimento sustentado do desporto;
  2. Quais os princípios nacionais, europeus e olímpicos que prosseguiria;
  3. Qual a concepção para o modelo nacional de produção desportiva;
  4. Condições para a criação de um programa de desenvolvimento desportivo nesta altura pelo menos para 2030.

Há depois questões básicas da produção desportiva que o líder pode equacionar como as seguintes:
1.      Quanto aos três níveis de produção desportiva:
a.      Informal – alcançar uma percentagem elevada de prática pela população e promover e racionalizar a produção individual e familiar, a associativa dos micro e médios clubes e a empresarial das micro e médias empresas;
b.     Formal recreativo / amador – fazer crescer os praticantes federados recreativos para um terço do informal. A actual massa de micro federações até mil praticantes federados deverá crescer para federações de outro nível organizativo e institucional enquanto as médias e as grandes federações deverão procurar consolidar as unidades produtivas de base clubes e empresas respondendo às suas necessidades para aumentarem o número de praticantes e melhorarem a sua qualidade de produção. A discriminação de actividades e de preços por parte da federação deve acompanhar o movimento das novas procuras e formas de aproveitar o desporto familiares e sociais;
c.      Formal alto rendimento – a produção de uma maior intensidade desportiva para produzir praticantes e equipas, treinadores e escolas de excelência global exige tanto o aumento de capital crítico para este nível de produção desportivo como níveis superiores de ética e de transparência de todos os protagonistas envolvidos;
2.      Quanto à promoção de desporto:
a.      Cada um dos níveis atrás referidos necessita de informação abundante sobre os benefícios e malefícios das actividades, sobre os aspectos técnicos de como os praticar bem, assim como, dos meios para a sua concretização;
3.      Quanto às infra-estruturas desportivas:
a.      Quanto às estatísticas, rever muito do que está feito e que contribui para a falência dos orçamentos das autarquias, publicar ‘em 15 dias’ as estatísticas das instalações desportivas públicas tal como estão, articular com as autarquias e outros proprietários a criação de uma base de dados com a oferta de actividades desportivas na internet, publicar a procura dos espaços desportivos com periodicidade;
b.     Quanto ao investimento, trabalhar as necessidades de reconversão do parque instalado e com problemas, rever profundamente os programas de investimentos futuros a partir dos actuais indicadores da procura e do estado do parque desportivo actual;
4.      Criar uma política de eventos internacionais estreitamente relacionados com a produção de resultados no alto rendimento. Um princípio simples é o de fazer eventos e megaeventos em Portugal apenas se Portugal tem condições de arrasar a concorrência no terreno de jogo, ou seja, sem campeões num determinado nível de prática não há eventos internacionais;
5.      Um programa de médio prazo é um compromisso com a sociedade. Se o Governo de maioria não quiser apresentar resultados e não quiser dar meios acrescidos necessários ao desenvolvimento do desporto nacional não tem de fazer nenhum programa, basta continuar como até agora. Muitos programas de financiamento foram apresentados por governos anteriores e era bom que o Governo de maioria evitasse um desses modelos para o desporto, até pela bancarrota nacional de que esses programas e cornucópias de financiamento foram coniventes;
6.      Por fim, a ciência deve ser incentivada a acompanhar as necessidades do desporto, os objectivos de política e a avaliar os resultados das políticas aplicadas ao desporto e a outras que têm impactos positivos e negativos no consumo desportivo da população portuguesa.

Não vale a pena continuar a aprofundar pressupostos básicos de actuação de uma liderança nova para o desporto.


Dar o litro, dedicando-se 25 horas por dia a esta tarefa é uma das condições para arcar com o cargo.
Partir a pedra nestes seis pontos é um trabalho consumidor de recursos desde a concepção à negociação com todos os parceiros e que exige uma grande abertura de espírito.
Na medida em que este trabalho se concretizar o relacionamento com a sociedade e de projecção do desporto nacional começará a libertar-se dos actuais constrangimentos históricos e a pisar novo terreno e perspectivas de desenvolvimento sustentado.

Se o desporto concretizasse com sucesso alguns destes pontos, nessa altura seria a Cultura a procurar acertar o passo com o Desporto para criar um cluster de produção de cultura e desporto nacional.

terça-feira, 5 de abril de 2011

À atenção do futuro Governo maioritário

O Desporto necessita de um líder nacional visionário, carismático e equilibrado capaz de definir um rumo ético e patriótico assumindo esse propósito com intransigência e atento ao que se passa no país e no mundo.
Não chega ser do partido da maioria, da família do líder máximo, chegado ou da confiança do barão das obras feitas, da família da mulher do deputado da AR ou ter a inscrição em dia na loja lá do bairro.

Isto é estar a pedir muito mas o desporto arrisca-se a perder futuro se não conseguir mudar de vida e para isso necessita mais de um líder, do que de um patrão ou um membro influente do partido.

Quanto a membros dos partidos, o desporto sempre os teve e está na caudada Europa.

Era bom o desporto mudar de ares.

O líder do desporto deve ser definido em função da nação e de princípios a partir dos quais equacionará o produto desportivo em benefício estrito e superior da população portuguesa.
A sua capacidade de liderança deve compreender o diálogo com os académicos das universidades, os capitães da indústria, economia e turismo, os pedagogos da educação, os Damásios e Lobo Antunes da saúde, os doutores das igrejas, os voluntários das IPSS e os patrocinadores inveterados, para além de possuir uma curiosidade insanável em relação a tudo o que de melhor se faz na Europa e no mundo com o desporto moderno.
O seu relacionamento com os ministérios, todas as federações, organizações empresariais e organismos internacionais deve ser suportado por uma equipa de doutores e especialistas do desporto esfomeados pelo potencial de desporto português.
O Modelo Europeu de Desporto deve ser um dos seus pregões para criar condições do seu desenvolvimento pleno em Portugal.
Cientificamente deverá ter a capacidade de promover as melhores soluções de entre as complexas alternativas colocadas por investigadores empenhados e sérios produzindo em competitividade e transparência entre os melhores tal como é exigido aos praticantes de todos os níveis competitivos.
Saber concatenar e potenciar as preocupações dos agentes privados e os objectivos definidos a partir dos princípios nacionais, europeus e mundiais é um trabalho que lhe consumirá tempo e dinheiro do seu orçamento escasso.

Não há a necessidade de prolongar mais a lista de ‘mercearia’ desportiva sendo certo que apenas a visão desinteressada e o envolvimento humano pleno poderão interessar e gerar os melhores resultados procurados pelo Governo de maioria.

Este conjunto de ideias não é o espelho de ninguém nem muito menos a crítica a alguém.

Este personagem não existe e trata-se apenas de alertar para a necessidade de encontrar um português capaz de fazer um cargo díficil e de elevada dimensão moral, humana e social de entre tantos outros cargos.

O lucro do desporto para o país

A obstinação de não chamar o fundo de equilíbrio financeiro da União Europeia é equivalente à forma como a política desportiva foi prosseguida nas legislaturas passadas.

A formalização do apoio internacional que grandes economistas nacionais indicam para a profunda crise nacional poupariam milhares de milhões de euros, como calcularam João Duque e Trigo Pereira do ISEG.

Este cálculo demonstra que os setenta ou oitenta milhões de orçamento anual que o desporto recebe são irrisórios. O mesmo se colocaria para por exemplo para 120 milhões de euros para financiamento das actividades desportivas de base direccionadas para os jovens e os carenciados das repercussões destas crises.

Definitivamente o desporto nacional não contribuiu para a crise e certamente sofreu as mais graves consequências das crises nacionais.

Quando o país andou nas nuvens o desporto esteve abaixo desses voos e quando o país vai ao fundo, o mergulho do desporto é ainda mais fundo e mais prolongado.

Há quem ganhe com a situação como quem constrói estádios, infra-estruturas e centros de alto rendimento, por exemplo.

Porém, o produto de desporto visa garantir o bem-estar da população e em Portugal este máximo está mitigado.


O valor do envolvimento público no desporto contrasta fortemente com os impactos do sector positivos e potenciadores de poupanças de centenas de milhões de euros directa e indirectamente noutros sectores como na saúde para além de benefícios intangíveis para a qualidade de vida da população.

Os cortes que o desporto nacional sofre por parte da política desportiva sacrificam os dedos e poupam os anéis.

Definitivamente falta ao desporto um líder capaz de afirmar que a realidade do desporto é distinta dos outros sectores porque tem produtos e impactos diferenciados.

Tenha-se a certeza que o país perceberia que o desporto é diferente caso a imagem que o desporto dá de si e o discurso de convencimento social fosse distinto do actual silêncio e confusão de princípios e objectivos como quando alguns dirigentes falam dos seus problemas dimensionando-os à escala nacional.


Actualmente a estrutura de produção do desporto está a ser distorcida e está a ser estiolada e torna-se insustentável para o Estado suportar o sector na produção de alto rendimento no modelo que cristalizou ao longo dos últimos vinte anos.

O modelo de produção de desporto nacional não consegue alavancar os sectores que estão a montante e libertar os sectores a jusante relacionados com o marketing, publicidade e comunicação social.

A montante é difícil compreender o actual impacto do desporto devido a limitações da produção de estatísticas do desporto.


Como curiosidade deve dizer-se que o Estado tem no desporto um sector que produz lucro.

A administração central tem uma despesa de cerca de 70 milhões de euros e o valor dos impostos provenientes do desporto somam cerca de 180 milhões de euros.

As finanças ao aumentarem o IVA sabem o que recebem e o rendimento líquido de mais de 100 milhões de euros por ano.

Cortar na despesa pública do desporto é um erro pelos princípios que são falseados de criação de bem-estar para a população portuguesa através do desporto e é um contra-senso do ponto de vista económico pelos benefícios líquidos que o desporto português já gera e pelo potencial que o Estado tem sido reiteradamente incapaz de colocar no mercado do desporto.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

As claques são economicamente nefastas

Uma das lacunas do futebol português é a lacuna de investigação abundante.

A investigação, por outro lado, não se pode dar por satisfeita por identificar toda uma série de características sociológicas das claques que poderão ser intelectualmente estimulantes.

Provavelmente o mais importante seria compreender os factores que incentivam os adeptos a aderirem à performance dos clubes e das equipas e a gastarem euros e tempo do seu lazer para irem aos estádios e os encherem.

Deve ser a política desportiva orientada para a resolução dos desafios colocados aos agentes desportivos a indicar qual a investigação a realizar em vez de ir atrás do que faz a universidade.

É importante a universidade investigar e propor linhas de investigação e é importante estar aberta aos problemas do desporto.

É a análise e a investigação continuada que cria os instrumentos e as soluções que permitem aos políticos não terem o receio de desenvolver políticas voltadas para o futuro e que combatem os estrangulamentos da produção desportiva.

As análises poderão falhar devido a metodologias mal concebidas, à falta de material de análise, aos pressupostos e conclusões incertas.

Os políticos poderão errar de várias formas na definição, na atribuição da análise, na leitura das conclusões e na sua aplicação.

De qualquer forma fazer investigação e avançar medidas de política desportiva baseadas nas investigações das universidades é uma solução superior a não fazer nada ou fazer escondido ou ficar dependente de uma hipotética clarividência de pessoas que têm os problemas e os desafios de colocar as estruturas de produção de desporto a andar e que preferem trabalhar com coisas e ideias simples acompanhadas por meios financeiros sempre necessários.

A violência das claques é insustentável

Diz o José Manuel Meirim, aqui, acerca das claques algo que deveria nortear a ética e a política desportiva:

"Diga-se desde já, para que não se gerem equívocos, que tenho para mim que os núcleos duros de determinadas claques – que não se restringem somente aos denominados «3 grandes» (veja-se o recentíssimo caso de uma claque do Vitória de Guimarães) – são um espaço promotor de violência e banditismo. Por essa razão, o Estado, em vez de pretender transformá-las em associações de jovens e adultos bem comportados, com os elevados custos que consigna a tal missão impossível, primando por uma ineficácia absoluta comprovada por muitos anos, tudo deveria fazer para alcançar a sua extinção. Por isso, frise-se para a leitura seguinte, não há muito a distinguir entre claques “legalizadas” ou ilegais, designadamente quanto ao grau de violência, banditismo e perigosidade."

Economicamente os custos da violência clara e da invisível, da claramente assumida e da escondida, os custos da falta de ética e de princípios da política desportiva levam o futebol para uma situação difícil.

A violência actual não encontra resposta nas autoridades e as políticas de combate à violência estão associadas a outras limitações que impedem os agentes privados e públicos de actuar com firmeza e rapidez sobre os prevaricadores.

As autoridades públicas são as últimas no actual momento a quererem meter-se com os mal comportados do futebol e este é o coroar final de várias legislaturas que passam ao lado do que deve ser investido no desporto e do que deve ser combatido decididamente.

Quanto pode custar a brincadeira do apagão na Luz?

Os patrocinadores do Benfica terão pelo menos quatro hipóteses:
  1. Considerarem muito giro o apagão na Luz e assumirem o custo tanto do seu benefício contratual fracassado como a evidência de falta de fair-play a que a sua imagem fica associada ao patrocinar os jogos do Benfica.
  2. Exigirem o ressarcimento financeiro pelo apagão num dos momentos mais relevantes do jogo em que os jogadores do Porto celebravam a vitória.
  3. Rescindirem o contrato e exigirem uma indemnização adequada às suas receitas esperadas.
  4. Rescindirem o contrato considerando a sua ignorância da falta de perfil promocional do seu patrocinado.
Se o mercado funcionasse com eficiência o que se assistiria seria as empresas patrocinadoras do Benfica uma solução entre a 2, 3 e a 4.

Não sendo o mercado eficiente é provável que os patrocinadores escolham a solução 1.

Poderão actuar, numa segunda fase, revendo em baixa uma renovação do patrocínio dos jogos do Benfica assim como de todos os clubes de futebol, tendo em consideração o escalar dos actos de hooliganismo, violência, hipocrisia e desnorte que o negócio do futebol apresenta em Portugal.

domingo, 3 de abril de 2011

Com as eleições o desporto tem uma vida diferente

Não se trata de fazer um juízo de valor sobre o passado ou sobre o futuro do que se passa no desporto.
É relevante para o desporto português olhar para o que acontece e dizer uma palavra procurando relacioná-la com a realidade do produzido e o futuro melhor.
É o que vai acontecer com os programas dos partidos tanto na parte atribuída por cada partido ao desporto e, igualmente, ao que de resto for surgindo.
A orgânica do Governo é importante porque dela vai depender como é que o Estado vai pensar e actuar no desporto nesta legislatura.
A experiência do passado mostra como a Educação de Roberto Carneiro deu independência ao desporto e como anos depois com o Caso INDESP essa independência foi progressivamente retirada tornando a orgânica do desporto no Governo uma matéria de relevância exclusivamente jurisdicional.
Por outro lado, o desporto deve procurar alianças e cumplicidades noutros sectores. A Cultura é um parceiro interessante porque teve uma estratégia que lhe permitiu crescer em múltiplos domínios, valorizou a sua imagem social e vai perder estatuto na sanduíche de Educação e Ciência, segundo diz o Epresso.
O Desporto e a Cultura possuem dimensões equivalentes e do ponto de vista da essencialidade nacional do seu produto servem a totalidade da população, produzem excelência global, o desporto garante vidas longas e condições de apropriação de vida sustentáveis e a cultura permite um máximo de condições de conhecimento.
Era positivo que o desporto conseguisse dizer palavras positivas em relação a este cluster nacional único, junto da comunicação social e com repercussões na opinião pública.

A criação do cluster poderia ter duas configurações alternativas:
  1. A criação de um ministério da Cultura e Desporto
  2. A criação de uma Secretaria de Estado da Cultura e Desporto no seio de um ministério com outros sectores.

sábado, 2 de abril de 2011

Como nos comportamos quando temos incentivos errados

Vitos Bento terá indicado no lançamento do seu último livro a investigação de Dan Ariely acerca de condutas morais.
No blogue SEDES Pedro Pita Barros indica dois links, aqui e aqui, e um comentador apresentou ou link, aqui, sobre esta matéria.

A matéria é interessante por sugerir uma interpretação do que se passou na crise financeira mundial e tanto do que se passa conosco há tanto tempo.

O nosso comportamento relacionar-se-á com a predisposição geral para a batota do local onde as pessoas se encontram, para os comportamentos de grupo, a batota é pontual, que quando há valores morais ela tende a decrescer, e se o grupo faz batota a batota tende a crescer.

O prémio de arquitectura de Souto Moura

Fernando Parente apresenta no blogue Colectividade Desportiva, aqui, um poste sobre o estádio do Braga e dos erros que desportivamente enferma e que são os seguintes:

"O Estádio de Braga, uma instalação vocacionada fundamentalmente para o espectáculo desportivo, tem do ponto de vista funcional muitos pontos negativos, dos quais se destacam entre outros: a difícil acessibilidade ao local a pé ou em veículo; a distribuição e locais de estacionamento; as bancadas com acesso ou inferior ou superior e que exigem uma grande deslocação por parte de quem quer chegar ao seu lugar; poucos elevadores para as pessoas de mobilidade reduzida ou idosos; espaço muito frio devido à sua localização; e áreas administrativas sem luz natural ou inadequada. Quando o estado da arte sobre localização, construção e funcionalidade de Estádios de Futebol está tão desenvolvido e divulgado há mais de três décadas, é de certa forma inconcebível cometerem-se alguns destes erros básicos, facilmente detectados por todos os destinatários finais deste “produto”, nomeadamente os adeptos de Futebol. "


O comentário que coloquei no referido poste é o seguinte:


"Gostei do seu poste porque acrescenta matéria crítica ao celebrado estádio do Braga.

De facto os estádios são o ponto contraditório do Euro 2004.

Numa palavra o que falhou foi a concepção da modernização dos estádios de futebol.

Este é uma característica do modelo de desenvolvimento desportivo nacional.

Investiram-se milhões de euros com demasiada liberdade dos promotores, com afinal pouca informação sobre as dimensões técnicas do elevado investimento e sem informação do realizado.

Souto Moura fez o que lhe pediram e deixaram fazer.

O arquitecto fez no estádio do Braga uma coisa bonita e bem esgalhada do poonto de vista da arquitectura e com erros para a actividade a que se destina a instalação.

Há infra-estruturas que mal são feitas apresentam problemas, há as questões que refere, há os conhecidos problemas de localização e de dimensão dos espaços de desporto.

Estes erros têm duas consequências:
1 - O investimento é excessivo para as necessidades locais.
2 - Os custos acrescidos para a manutenção futura das infra-estruturas que comportam os erros do investimento.


Diga-se que na nova orgânica há alguns anos da administração pública o governo da altura decidiu retirar o departamento das infra-estruturas da administração central.

Há desde há décadas erros na concepção das políticas de investimentos em infraestruturas desportivas."

A inclusão do Desporto no ministério da Presidência é um erro

A inserção do desporto no MP prejudica o desporto e o país.

A experiência já leva bastantes anos para se concluir que a solução falhou.

As peculiariedades do desporto exigem um investimento voluntarioso na base da pirâmide desportiva, uma regulação motivadora do risco de clubes e empresas de desporto e uma regulação de intensidade de capital elevada (ao nível do que melhor se faz no mundo) para o alto rendimento.

As funções de produção do desporto exigem níveis de conhecimento e de capacidade científica e técnica em inúmeras ciências que não se coadunam com espartilhos políticos e legislativos como os que o desporto tem sido sujeito.

Portugal tem médias nacionais no fim das europeias porque passa ao lado da racionalidade de produção do desporto moderno para além de não assumir princípios de democracia e de assumpção do risco de governar e de assumir objectivos quantificados para a produção desportiva em todas as suas funções de produção.

O modelo institucional e o de produção de desporto vigente são incomportáveis para objectivos nacionais no seio da Europa.

Nos anos oitenta houve o Ministério da Qualidade de Vida em que o desporto esteve integrado.

O desporto e a cultura são actividades éticas e civilizacionais voltados para a espírito e para a excelência e o absoluto com projecção global.

Os dois sectores não são o Governo, do Primeiro-Ministro ou de outro responsável ou personalidade são sectores plenamente integrados na modernidade e no desenvolvimento dos países mais desenvolvidos do mundo.

Por fim, como ontem Pedro Pita Barros dizia no blogue SEDES, a periferia da Finlândia, Noruega e Suécia é igual à de Portugal só que nós estamos num extremo e eles no outro.

O último lugar de Portugal nas estatísticas desportivas nacionais são um problema de Portugal e não uma indissincrasia ou mal genético.

O ministério da Presidência é um erro como os resultados desportivos actuais de Portugal bem ilustram.

O core do desporto são os dez milhões de portugueses que deveriam ter um estilo de vida activo através da prática regular de actividades desportivas.

Sai uma entremeada de Cultura

Entre grandes agrupamentos de sectores equivalentes, coube à Cultura a sandes de Educação e Ciência.

Segundo o Expresso, as propostas do PSD e do CDS são diversas:
  1. Educação, Ciência e Cultura
  2. Presidência e Assuntos Parlamentares
  3. Telecomunicações e Economia
  4. Obras Públicas e Finanças
  5. Turismo, Indústria e Inovação
  6. Ambiente, Energia e Ordenamento Território
  7. Administração Interna e Justiça
  8. Agricultura e Mar
Naturalmente não se fala de Desporto que é um não-sector ou um morto-vivo. conforme se quiser.

Tenho proposto a junção da Cultura, Desporto e Juventude para além da agregação da Fundação INATEL ao Desporto criando funções de recreação que não têm sido incrementadas.

Estes três sectores são pequeníssimos. O INE diz que o produto do Desporto é de 1,5 mil milhões de euros e o da Cultura de mil milhões de euros.

Se alguém perguntar o que se está a gerar de conhecimento instantâneo de Portugal no mundo a Cultura e o Desporto aparecerão com N exemplos dando conta da peculiariedade de ser português enquanto os outros sectores apresentam valências nacionais distintas.

A Cultura e o Desporto são duas actividades que todos temos de consumir, praticar, interiorizar conceitos básicos quando somos jovens e devemos manter um consumo regular ao longo da vida.

Estamos a falar de sectores que colocados sozinhos na Educação perdem expressão facto, que o Desporto suportou quando esteve metido na grande máquina da Educação durante décadas.

A partidarização e entrega às suas juventudes do Desporto e da Juventude está a retirar potencial de crescimento à juventude portuguesa.

Portugal deveria dar espaço a estes dois importantes produtores essenciais do ser português a Cultura e o desporto promovendo-os com a Juventude.

Um novo Governo deveria ter uma atitude de racionalidade potenciando a Cultura e o Desporto sem os desvanecer, quer num ministério grande como a Educação, quer limitando-o sob a tutela do ministério da Presidência e das forças partidárias do Governo.

Na Suíça as reformas máximas são de 1700 euros e sem acumulação

Nós estamos muito mais avançados em todos os sentidos.
Apenas a RTP2 transmitiu, aqui.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A regra dos 70 anos

Segundo os economistas se um país crescer a uma taxa de 1% leva 70 anos a duplicar o seu Produto Interno Bruto.

A Alemanha terá actualmente uma taxa de 2% o que quer dizer que levará 35 anos a duplicar o seu PIB.

Um país do extremo oriente que cresça com uma taxa de 7% em 10 anos duplica o seu PIB.

Agora que o Banco de Portugal diz que o país vai crescer a uma taxa de -1,4% é uma questão de fazer as contas aos anos que vão passar até Portugal conseguir duplicar o seu PIB ou nestes termos se alguma vez conseguirá duplicar o seu PIB.

O PS desinteressa-se de Portugal?

Pedro Pita Barros, no blogue SEDES, ver aqui, usa a diferença entre desigualdade e desconfiança para definir um problema de Portugal em dez pontos:

...
7 - "não vale a pena escandalizarmo-nos com a desigualdade de rendimento no país se os gritos de escândalo não forem extensíveis aos muitos interesses corporativos que se instalaram no país, se não se fizer mais, muito mais, por se legislar isonomicamente, se não se fizer mais, muito mais, por denunciar o perdularismo, impedir o “aproveitismo”, as capelinhas, as famílias, e, sobretudo, se não se tirarem consequências políticas do fraco desempenho da ética pública. É que, como tenho tantas vezes insistido, a ética pública é o maior promotor de confiança interpessoal."
...
10 - "A confiança não se institui por decreto, nem basta proclamá-la. A confiança custa a ganhar e perde-se num ápice. Agora que vamos a eleições, há um pacto de confiança que se esperaria de quem se propõe governar este país. Não se pode um dia dizer uma coisa e no seguinte outra, não se pode fingir que não se previa dias antes o que todos sabíamos que iria acontecer a seguir, não se pode dizer uma coisa e fazer o seu contrário. Não se pode faltar à verdade. E não pode faltar a coragem de a dizer."
...

Vale a pena ler a peça de PPB de que tirei duas citações.

Creio que existe uma relação entre a confiança de que fala PPB e o que se passa no, até agora, mais importante partido português.


O PS será uma contradição daquilo que diz e daquilo que terá sido, por exemplo, com Jorge Sampaio e António Guterres como contrastes do que se passa.

Se o PS quiser ser a alternativa, na sua perspectiva, ao pior que pode acontecer ao país passando o poder para o PSD, o PS deve ir à luta assumindo o pesado custo do fracasso vigente e estabelecer alternativas viáveis, quanto mais cedo melhor.

Agora como em 2008, quando a crise internacional apareceu e os sinais da economia e do orçamento começaram a ficar negros, o PS não reagiu e não reage.

Instalado nos mais altos cargos, que fez tensão que ficassem 'nas boas mãos', como as armas do Otelo, a ganharem desproporcionalmente face aos resultados de competitividade e produtividade que o país necessita o PS está incomodado.

Ao esvaziar a sociedade portuguesa de democracia e as instituições de ética, ao partido falta a vitalidade para defrontar o destino que os próprios traçaram.

Quando não consegue renovar a sua liderança interna num momento crucial da vida do país e o abandona a uma solução nacional e internacionalmente fracassada, como está a acontecer, alguma coisa está mal.

Alguns factos são de assinalar:
  1. O país está a ser levado à bancarrota, segundo refere a comunicação social e líderes nacionais respeitados e conhecidos pela sua independência política e visão aguda dos desafios nacionais.
  2. Os sinais de alarme tocaram desde antes de 2008.
  3. No mesmo período de tempo outros países, instituições e personalidades actuaram e demonstraram soluções alternativas que foram recusadas teimosamente por Portugal.
  4. Os outros países estão a controlar as suas crises sendo lestos e assertivos na eficácia das políticas.
  5. A imprensa internacional realça o carácter quezilento de personalidades nacionais do PS.

Perante este quadro:
  1. Por uma razão de bom senso o PS hoje sabe que os culpados dos erros não podem ou não devem ser atribuídos por inteiro a terceiros nacionais e internacionais e que parte das dificuldades nacionais são devidas a si próprio e que algumas malfeitorias foram por si perpetradas, equivalendo-o por inteiro a outros protagonismos nefastos nacionais.
  2. O PS sabe que vai perder nas urnas a confiança de liderar os destinos do país.
  3. O PS faz eleições internas e mantém por maioria a mesma liderança.
O partido de Jorge Sampaio e António Guterres, como exemplos recentes, existe?

Assumindo o pensamento de Pedro Pita Barros, quem tem a coragem para liderar o PS de Jorge Sampaio e António Guterres?

Desportivamente era melhor que frente ao PSD e ao CDS houvesse um PS competitivo e respeitador do fair-play do saber vencer e saber perder.

No futebol alemão "o negócio" é a sério

Gilberto Madail dizia que o a candidatura ao Mundial de 2018 com a Espanha ia ser um bom negócio.

GM tem toda a razão porque há em todos os projectos económicos ganhadores e também há perdedores e a sua perspectiva de negócio é a de se incuir na primeira categoria.

Gilberto Madail conhece apenas a face risonha e não faz como os alemães.

Um jornal diário dizia há dias que havia mais de 360.000 consumidores para o jogo da final do campeonato de futebol da Alemanha espantado-se com o número indicado.

Há vários elementos para compreender como os alemães tratam o seu futebol e se encontram entre os países com melhores resultados nos clubes e nas selecções.
  1. Os clubes alemães têm contas em dia e o máximo que lhes acontece é baixarem de divisão;
  2. A profilaxia da passagem pela divisão inferior tem consequências positivas como relata Michael Drewes em "Management, competition and efficiency in professional sports leagues" onde compara principalmente as ligas americanas e a alemão enquanto exemplo europeu. Ver aqui.
  3. Drewes dá o exemplo do Werder Bremen, FC Kaiserlautern, Hertha Berlin, entre outros, como clubes pequenos que usando métodos de gestão competentes conseguem bater o pé aos maiores clubes.
  4. O que ressalta do texto é a racionalidade económica dos campeonatos alemães que lhes permite ter ligas competitivas que permitem o movimento vertical dos clubes sem terem de ir à falência para além da elevada competitividade dos clubes que o artigo referindo a afluência de 360.000 adeptos valoriza os processos de gestão da federação, da liga e dos clubes.
O futebol alemão vai mais longe onde GM não chegou ou não quis até hoje chegar.

Quando foi o Mundial da Alemanha em 2006 os alemães fizeram estudos sobre o investimento que iam fazer nos estádios, ver por exemplo papers de Markus Kurdscheidt, que previam o investimento a realizar e o retorno no médio e no longo prazo.

Agora a final onde centenas de milhares de adeptos querem estar far-se-á no Signal-Iduna-Park, antigo Westfalenstadion, que é o maior estádio da Alemanha, com uma lotação de 80.720 lugares.

O modelo de futebol português deve ser feito segundo as características nacionais e não é dado adquirido que os clubes tenham de falir por azares da classificação desportiva ou da gestão de um empenhado líder popular.

Saltou a tampa ao José Gomes Ferreira

Aqui, o José Gomes Ferreira na SIC Notícias demonstra em poucas palavras a mentira dos défices e das obrigações da União Europeia e o desrespeito pelos portugueses por parte dos políticos que não exigem contas transparentes.

Voltando ao caso do poste anterior das dívidas ao fisco por parte dos clubes de futebol o que acontece é que os grandes senhores do futebol vivem uma atitude miseranda para fugirem às suas responsabilidades de líderes privados.

O futebol amador e profissional para viver não depende do Estado mas depende antes da predisposição a consumir futebol da população portuguesa a qual possui muitas formas de o fazer desde praticar futeboladas, levar os filhos aos treinos e jogos, fazerem-se sócios de clubes, pertencerem aos seus órgãos sociais da estrutura federadas, ir aos jogos nos estádios dos clubes, das selecções em Portugal e no estrangeiro, comprarem toda a panerfenelia de objectos de merchandizing e de anúncios de marketing promovidos pela modalidade, etc.

Cabe às pessoas do futebol assumirem as suas responsabilidades ou não as assumirem como fazem há décadas.

Não há razão para o Estado não exigir o pagamento imediato da dívida.

Só um Estado fraco o aceita.

Só um Estado fraco aceita a continuação da existência de um mercado ineficiente ao longo das décadas.

O Estado fraco não estuda, não analisa resultados desportivos, financeiros e económicos, não promove a racionalidade e a produção competitiva de futebol, não respeita os adeptos, os espectadores e a população que quer que Portugal tenha o melhor futebol do mundo.

Eu não gosto do futebol dos espanhóis por eficaz que possa ser.

A primeira parte do jogo com os espanhóis na África do Sul e de tantas outras vezes em que a selecção joga bem e bonito será o modelo de jogo para Portugal e isso faz-se trabalhando o futebol por inteiro.

Com esse estilo de jogo o mundo do futebol aceitará melhor a eleição de líderes portugueses nos seus órgãos máximos.

Como sugere José Gomes Ferreira: deixem de nos enganar e trabalhem bem, que é para isso que no Estado e nos órgãos do futebol as pessoas são eleitas e são pagas.

Os 13 milhões de dívida do futebol ao fisco

As dívidas ao fisco são uma responsabilidade dos clubes que não pagaram atempadamente obrigações várias ao Estado, quando todo o país fazia o mesmo na medida das suas possibilidades.

O Estado há vinte anos, creio durante as governações de Cavaco Silva, decidiu que se as empresas não pagavam ao fisco então eram inviáveis e deveriam falir.

Um caso emblemático foi do empresário da Oliva que assumiu em Tribunal o desvio dos dinheiros devidos ao Estado para pagamento de salários e foi condenado.

Nos clubes foi diferente porque tinham direitos de imagem a receber do Totobola e procedeu-se a um acerto de contas no Plano Mateus.

Entretanto, a majestática e corporativa Santa Casa da Misericórdia de Lisboa gestora do Totobola e de todos os outros jogos de fortuna e azar actuou durante anos para falir o Totobola e valorizar os jogos que beneficiavam mais as suas actividades sociais não promovendo o Totobola e criando sempre novos jogos no mercado das apostas populares.

O desporto, a Liga e a Federação e o Desporto, público e privado, depois de Mirandela da Costa, aceitaram fazer figura de corpo presente na mesa do Departamento de Jogos da SCML e não valorizaram os seus direitos de longo prazo e a sua eficiência na aplicação de dinheiros públicos acima de outros sectores sociais.

No caso concreto do futebol tanto a Liga de Clubes como a Federação foram negligentes nunca apresentando um programa ao Estado de resolução da dívida e de fomento do mercado do futebol.

Os clubes médios continuam a falir na procura de rendibilidades financeiras de alto risco na compra barata de capital humano africano, sul-americano e de leste (quando foi o tempo dele).

Os grandes clubes acumulam défices e todos acham normal tendo acabado com o único instrumento capaz de demonstrar a rendibilidade das contas que eram os relatórios da Deloite publicados pela Bola.

Os reguladores não se importam que o relatório não se publique nem que o futebol não tenha horizontes de longo prazo.

Há vários instrumentos que a Federação e a Liga deveriam criar e apresentar ao Estado como modelo de produção para o século XXI. Sucintamente:
  1. Um relatório dos relatórios e contas sobre todos os campeonatos amadores e profissionais;
  2. Racionalidade dos campeonatos e programa de longo prazo;
  3. Concepção do estilo de jogo português e dos objectivos técnicos e desportivos no longo prazo.
Isto para não dizer que deveria ser o Estado a promover todos os estudos.

Na Europa a UEFA fez um documento com a Visão do seu negócio e em conjugação com a União Europeia fizeram o Relatório Independente.

Isto faz-se na Europa.

Lá longe na Europa.