A actividade física é o núcleo do bem-estar físico e psíquico de americanos e europeus e as competições são o instrumento de avaliação dessa actividade física.
A partir daqui existe mais uma qualidade que é comum aos dois modelos. Ambos produzem desporto através de pirâmides de actividades físicas ordenadas segundo a intensidade de capital desportivo, em que na base estão as actividades mais simples e no topo as mais complexas.
Adicionalmente para sustentar as estruturas amadoras os estados americanos e os governos europeus financiam largamente a actividade desportiva de base como bens e serviços públicos e de mérito.
No modelo americano a estrutura tanto amadora como profissional tem organizações com finalidade lucrativa permitindo aos agentes desportivos internalizar no mercado privado as externalidades humanas e sociais geradas pela sua actividade. Os direitos de propriedade da produção desportiva pertencem às organizações privadas com finalidade lucrativa.
No modelo europeu a estrutura amadora e profisisonal possui organizações sem finalidade lucrativa e também tem organizações com finalidade lucrativa. Porém, os direitos de propriedade pertencem às federações que não possuem finalidade lucrativa mas que de qualquer forma devem ser organizações económicas saudáveis e que geram lucro em cada ano desportivo e económico para sustentarem as actividades que não geram lucro e que são essenciais ao sucesso das lucrativas.
Sem alongar mais
Esta introdução sugere porque é que o projecto de avaliação da condição física será um instrumento americano e porque os governos europeus ainda não terão aderido em grande número a este projecto. Ver Expresso de 9ARB2011.
A investigação desportiva na Europa está imbrincada na sua produção desportiva.
Assim, na Europa a quantidade de desporto produzido é dado pela actividade associativa desportiva possuindo os países europeus centenas de milhares de clubes para o desenvolvimento da actividade física que é promovida e contabilizada nos praticantes inscritos nas federações.
Os Estados Unidos não possuindo federações usam um projecto científico para medir a condição física dos seus concidadãos.
É importante Portugal fazer investigação sobre a condição física e a qualidade do exercício físico dos portugueses e é importante Portugal seguir o que de melhor tem o Modelo Europeu de Desporto como é a sua estrutura associativa de produção desportiva.
De qualquer modo, se Portugal não quer assumir o Modelo Europeu de Desporto e seguir o Modelo Americano de Desporto que não o faça pela metade e o assuma.
Agora o que não deve fazer é ter uma estrutura associativa há décadas a morrer sem responsabilização e sem risco aplicando fundos públicos, sem medir a eficiência desses resultados e procurar medir sugerindo soluções que parecem flutuar acima do modelo de produção implantado na Europa.
Isto não é carne nem é peixe!
Quando se desenvolvem instrumentos públicos estes devem deixar claro as relações de causalidade porque se aplicam dinheiros públicos e devem assumir-se os resultados produzidos por essas decisões.
As perguntas essenciais são, por exemplo:
O projecto de avaliação da condição física dos portugueses é para ser desenvolvido para as federações?
Se não são as federações e a sua estrutura associativa quem são os produtores das actividades físicas: os cidadãos independentes e informalmente, os clubes fora da estrutura associativa federada, as empresas, o manchester united com escolinhas privadas a espalhar pelo país, as delegações dos grandes clubes Benfica, Sporting e Porto?
Estamos perante um projecto universitário que se relaciona com o associativismo desportivo de que forma?
Qual a função do regulador público e da sua agência técnica?