terça-feira, 29 de março de 2011

This country is hungry for greatness

Esta frase atribuída a Nelson Mandela, no filme Invictus de Clint Eastwood e protagonizado por Morgan Freeman, encerra a acutilância da percepção de Mandela para o que de essencial concebia para a África do Sul.
Mandela serviu a África do Sul fracturada através de um instrumento do regime racista percepcionando a essência do desporto olímpico de todos os tempos: a galvanização dos povos através do ideário em torna da excelência desportiva.
Em nenhum momento do filme se observa que Mandela se tenha servido do rugby e do desporto em proveito próprio.

Devemos ter vergonha de frases e discursos que realçam a pequenez de Portugal o que é uma redonda mentira.
Na Europa os países mais pequenos possuem produtividades olímpicas superiores aos grandes países.
A pequenez existe e reside nos líderes que são incapazes de equacionar um objectivo de grandiosidade para Portugal no desporto global.
Essa pequenez é infame para além de passar inteiramente à margem da ética olímpica que a Europa toda pratica e que em Portugal há quem assegure que se pratica.
Podia lá ser de outra forma?

Procura-se um Mandela para o desporto português!

segunda-feira, 28 de março de 2011

No Sporting o importante é tratar da sua vidinha?

Já por duas vezes chamei à atenção para a importância de umas eleições transparentes no caso do Atletismo, que afinal não se concretizaram, e no caso do COP para 2000 e tal.

Porém, a situação do desporto nacional é muito mais difícil.


As eleições do Sporting demonstraram como pequenas coisas como o regulamento eleitoral são relevantes para a democracia interna e para a imagem do futebol e do desporto.

Isto tem menos a ver com leis da república e regulamentos da UEFA e FIFA do que de pessoas que se esperaria ter a casa arrumada e, afinal, pouco fazem e falham serviços mínimos quando ocupam cargos.

Não tendo ouvido certas pessoas queixar-se de salários, cartões de débito e outros benefícios em atraso, supõe-se que receberam em tempo oportuno todo o acordado com a instituição.

Ouvir estas pessoas na televisão e ver as entrevistas nos jornais é um exercício da mais alta erudição pelo ideário exposto com veemência, por vezes em altos berros.



O trabalho para o futuro do desporto português é grande, é preciso ser humilde, é preciso arriscar, é preciso assumir as suas responsabilidades no momento certo, é preciso estudar, conceber novas soluções, discutir, consensualizar, criar objectivos possíveis e europeus, instrumentos eficientes, e é preciso tanto fazer cumprir o que se acorda, como reanalisar e encontrar soluções de continuidade face aos princípios que se acordaram prosseguir.

Este trabalho é de muito longo prazo e de elevado nível de exigência porque haverá sempre um Bruno Carvalho que, com as suas limitações, poderá trazer novo sangue, como haverá um Godinho Lopes assente em valores tradicionais, independentemente das restrições que possam introduzir ao desenvolvimento.

É a democracia dos debates, do funcionamento das instituições e do respeito pelos princípios superiores em prol da população, dos praticantes e dos adeptos que manterá este processo no sentido certo.



Dias Ferreira é um duplo derrotado nas urnas e na turva eleição que deveria ter sido o primeiro a garantir a transparência e a eficácia e também o bom comportamento dos seus associados mais intransigentes.

Agora os votos estão nas mãos da polícia.

Um lindo serviço e amanhã vão pedir ao Tribunal Arbitral do Desporto em Lausane na Suíça para resolver a situação depois do Tribunal Arbitral do Ministério da Justiça de Portugal ter decidido aquilo que alguém intransigentemente não vai concordar.

Há PEC's e PEC's, há ir e voltar

As afirmações de Braga de Macedo, ex-ministro das finanças dão algumas pistas para a situação do desporto quanto ao Plano de Austeridade em Curso. Ver link do Jornal de Negócios aqui.

BM refere que "Um programa de ajustamento é austeridade e crescimento, tem de ser verdade dos dois lados. Senão as pessoas começam a pensar que lhes vão ao bolso só por incompetência.”

No desporto nos últimos anos o que se assistiu foi ao financiamento no alto rendimento, à relevância das infra-estruturas desportivas e à recusa objectiva de apoiar o fomento da prática desportiva da população e da modernização do tecido associativo de base relacionado com os clubes de bairro.

Em virtude destas opções de política desportiva o crescimento da produção de desporto é nulo ou negativo, tanto no alto rendimento, como nos outros níveis de produção desportiva. As federações têm menos praticantes inscritos e do informal nada se sabe mas pensar-se que há mais praticantes com a actual crise é capaz de não ser muito certo.


Sobre o FMI diz o artigo: “Será inevitável a intervenção do FMI e do Fundo de Estabilização em Portugal? “Inevitabilidade não é maneira de pôr. É um instrumento". “

E acrescenta sobre a qualidade do PEC: “Quanto ao plano de austeridade, Braga de Macedo diz ser fatal o facto de as medidas estarem a forçar os impostos em vez de forçarem as despesas. "O PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento) tem de existir, tem de ser credível politicamente e para os mercados. Este não era uma coisa nem outra".”

Estes dois elementos o PEC e a sua qualidade sugerem ao desporto a oportunidade de propor a adequação das medidas de austeridade ao desporto e colocar medidas alternativas que navegando nas águas nacionais, para não surgir como uma recusa intransigente, aproveitar os meandros das decisões tomadas para obter vantagens decisivas na grave crise que Portugal atravessa.


Por fim refere o Jornal de Negócios: “O ex-ministro das Finanças defende que as contas portuguesas deviam ser auditadas pelo FMI. "Está a haver inquietação excessiva com o pedido, mas eu preferia queria saber a situação da economia e das contas públicas". “

 
O desporto necessita de se conhecer.

Só com estudos e estatísticas esse conhecimento pode ser frutuoso para todos.

Os estudos e as estatísticas abrirão oportunidades para a dinamização e racionalidade do mercado do desporto.

domingo, 27 de março de 2011

Maravilhoso mundo da distribuição

No Caderno de Economia do Expresso, de 26 de Março de 2011, Nicolau Santos ilustrando o mercado da distribuição dá a imagem do que se passa em alguns sectores do desporto e da explicação para a morte dos clubes de bairro.

O que acontece na distribuição é que a concentração do comércio nas mãos dos hipermercados continente e Pingo Doce alcança 50% do mercado nacional da distribuição enquanto em Espanha os correspondentes Mercadona e El Corte Inglés têm uma quota inferior a 13%.

Se a história da morte das mercearias de bairro está por fazer quanto aos seus impactos sociais, no desporto essa realidade é fácil de equacionar no alto rendimento e no capital humano e social que é retirado ao país para o seu desenvolvimento sustentado.

Portugal está no último lugar europeu porque lhe falta o tecido associativo de base especializado para apurar localmente as valias humanas que os clubes locais fazem bem e de forma económica.

No desporto a morte do tecido associativo desportivo faz-se pela maior actuação das federações a nível local com preços socialmente mais elevados, pelo decréscimo da relevância das associações que acompanha o estrangulamento dos clubes locais, pelo surgimento dos ginásios nos bairros das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto e das cidades médias aproveitando o desenraizamento das populações urbanas e pela valorização dos clubes médios e dos grandes clubes que conseguem ter sucesso num ambiente empresarial com finalidade lucrativa. Há clubes médios como Lisboa Ginásio ou o Ateneu com dificuldades de afirmação que anunciam a falência.

O associativismo desportivo de base e toda a sua estrutura são a base do desporto moderno.

A estrutura de produção privada criada em Portugal nos últimos anos não tem capacidade de se sustentar no mercado onde não consegue colocar a totalidade dos seus débitos e dependendo muito da acção do Estado caminha para a falência porque nenhum Estado europeu tem dinheiro para financiar toda a actividade desportiva e consegue através da racionalidade económica financia o potencial da actividade desportiva pelo seu custo mínimo.

Desta forma se demonstra uma vez mais que o problema é o país e o desporto tem uma menor 'culpa' do caminho que leva a falência do desporto nacional.

O Desporto não é uma ilha rodeado de crise

Diz Daniel Bessa, no Expresso de 26 de Março, pg 3, do Caderno de Economia que:

"O Estado português está há muito em processo de falência."
...
"Não vejo outra solução que não seja falar verdade (enfrentar a realidade, dizia aqui, apenas duas semanas atrás) Saber do que falamos e de quanto falamos (municípios e regiões autónomas, empresas públicas, BPN, parcerias público-privadas, avales prestados) e tentar um recomeço. Não vai ser fácil; e, sem verdade, será impossível. É a maior de todas as mudanças que espero de um novo ciclo político."



O desporto não é uma ilha isolada rodeada de crise nacional.

O desporto deveria ser capaz de falar da sua produção de alto rendimento, do desporto dos jovens em idade escolar, da finalização do ciclo de Londres 2012, da falência dos clubes, das licenciaturas de desporto, da investigação em desporto aplicável ao desenvolvimento desportivo, da criação de um único Museu do Desporto e qual a melhor oportunidade para o fazer, e, principalmente, da definição de um objectivo consensual que chegue a todos estes segmentos relevantes.

Tocar em cada uma destas matérias mexe com interesses que determinam o nível de produção do desporto que está na cauda da Europa.

Se um responsável tem interesse lucrativo numa compra ou venda para a sua organização o produto da organização é corroído por uma margem que o mercado não justifica. Estas margens pequenas e irrisórias quando acumuladas impedem a definição e o assumir de objectivos maiores que são ínfimos no contexto nacional.

Portugal necessita de levantar 8,3 mil milhões de euros nos próximos dois meses e vai pagar juros anuais de 8% que corresponde a um valor anual de mais de 600 milhões de euros. Este valor fica próximo de quase do dobro do que o desporto recebe das autarquias e do Estado.

Ou seja, o desporto 'não conta' para a falência nacional de que fala Daniel Bessa e que é muito maior do que as necessidades de curto prazo, mas é compreensível que vai 'comer pela medida grossa' por essa sua insignificância como demonstrou o caso do aumento do IVA para 23%. Alguns dirão que há sectores do desporto mais iguais do que outros e passarão incólumes desta tempestade e essa é das questões que importava analisar com verdade.

A verdade que sugere DB é o desporto não saber dizer que faz parte da grande solução nacional para a situação de falência do país e que a pequenez nacional do desporto foi feita pelos mesmos princípios e processos que criaram a falência do país.

O desporto está silencioso porque ‘tratou da sua vida’ e de vez em quando produziu um resultado que deixava todos contentes. Depois vinham os escândalos que o sector nunca criticava e corrigia, porque outros faziam o mesmo, e as coisas tornavam-se difíceis.

Passaram-se décadas nisto, os clubes de base faliram, os ginásios são a solução científica que as universidades alimentam com licenciados empreendedores para o desemprego ou para arejarem as poupanças das famílias que rapidamente se arrependem, as novas empresas de desporto são alimentadas pelo Estado central e local porque são eles que produzem o desporto bom e sofrem a concorrência dos clubes de bairro.

A verdade de Daniel Bessa é um caminho longo porque o discurso está contaminado pelo que os agentes se envolveram na melhor das boas vontades para produzirem mais e melhor desporto e o melhor que conseguiram foi ficar no último lugar europeu.

É este o processo de falência desportiva em que nos encontramos e sobre o qual importa falar verdade.

sábado, 26 de março de 2011

A crise económica sugere que o modelo do desporto nacional possa estar desajustado

A crise macroeconómica de Portugal exige que todos os sectores da actividade se ajustem a uma realidade diferente da que viveram na última década.

O desporto tem problemas próprios e tem desafios que lhe vão ser colocados pela realidade macroeconómica.

Que problemas tem o desporto português?
1.       Tem um problema no modelo de desenvolvimento cujas características principais são a regulação pública estar centrada no alto rendimento, a regulação privada não maximizar o interesse humano, social e económico do seu produto e haver uma captura sistemática dos produtos que são propriedade do associativismo desportivo de base;
2.       Tem instituições formais e informais insuficientemente e também tem algumas mal definidas;
3.       Não se rege e não instrumentaliza os princípios desportivos maiores relacionados com o olimpismo, a ética e o fair-play;
4.       Tem uma definição de objectivos políticos inadequada para os termos que regem os competidores directos de Portugal ou seja os países com dez milhões de habitantes, de média dimensão territorial no continente europeu mas que são por tradição os produtores de bens e serviços desportivos de referência em todo o mundo.
5.       A imagem do desporto na sociedade e economia portuguesa caiu depois do Euro2004 fruto de erros de estratégia dos líderes desportivos

Quais são as características da crise macroeconómica nacional?
1.       Existe uma dependência nacional do financiamento público;
2.       Há sectores que conseguem alterar a sua produção valorizando os produtos transaccionáveis enquanto outros que geraram maiores benefícios financeiros recentemente atravessam maiores dificuldades;
3.       As margens de lucro que garantem o rendimento das famílias e patrocina as actividades desportivas estão e ainda vão ser esmagadas;
4.       Os sectores não transaccionáveis como a educação, saúde e segurança social, entre outros, e que financiaram alguma actividade desportiva, cortarão igualmente a sua despesa relacionada com o desporto;
5.       As políticas de austeridade nacionais e europeias irão ter um impacto adverso e particular no desporto.

O que fazer neste quadro genericamente descrito será, por exemplo, pensar, debater, estudar, consensualizar objectivos e estratégias para lá chegar, actuar e fazer por cumprir o consensualizado e, por fim, reanalizar os resultados para acertar a melhor via para os objectivos definidos.

Esta actuação tem uma diferença em relação ao passado.
No passado tudo o que era feito, era estupendo e em coisas estupendas não se mexe.
No futuro para bem dos nossos filhos é bom que as coisas que devem mexer se mexam e se mexam para melhor.

Nenhum país do mundo enfraquece o investimento no alto rendimento

O prémio Nobel Paul Krugman fala de Portugal e dos impactos esperados da austeridade. Ver link aqui.


Apliquemos estas preocupações à essência e viabilidade do alto rendimento nacional.


A austeridade actual alerta-nos para o modelo de produção desportivo nacional.

O alto rendimento tem uma das intensidades de capital por resultado produzido, tão alta como os sectores de ponta na ciência e na investigação.

Fazem-se investimentos de muito longo prazo para contratação dos melhores especialistas e trabalha-se com os melhores de acordo com as condições que o seu trabalho exige.

O Reino Unido assumiu por inteiro o custo dos Jogos Olímpicos de Londres apesar da crise que atravessa.

A Grécia já o tinha feito anteriormente em 2004 com as consequências que se observam na falência do país e que chamam a atenção para a necessidade de não fazer os projectos megalómanos dos gregos.


O problema de Portugal é não trabalhar visando objectivos segundo os princípios científicos e técnicos mas andar atrás de ideias que equipas de pessoas voluntariosas definem e que são reconhecidos como os únicos possíveis num quadro já coarctado do seu potencial.

É esta a essência do debate que se faz no Conselho Nacional do Desporto e que acontece há décadas.

Há projectos que se fazem como os Centros de Alto Rendimento que necessitam de estruturas que vão da prática desportiva informal da população ao envolvimento económico e social em torno do alto rendimento e que Portugal não tem porque nunca entregou o trabalho de concepção do desporto nacional a pessoas a quem foi dado esse objectivo específico.

O processo de política desportiva mais complexo que o desporto português possui é o de conversar com os líderes desportivos sobre os problemas que possuem para manterem as suas organizações em funcionamento.

Isto foi feito por exemplo em meados dos anos noventa para decidir que infra-estruturas iam ser financiadas com os dinheiros comunitários e depois veio a ideia da candidatura ao europeu de futebol para salvar o Dr. Gilberto Madail e o Governo pegou logo nela e depois fizeram-se as instalações até chegar à construção dos CAR’s.

Agora, antes da demissão do governo, pretende-se fazer um programa de longo prazo e as federações esfregam as mãos de contentes porque o programa vai ser feito por elas no seio do CND.

O desenvolvimento desportivo nacional conseguido com a acumulação de capital desportivo que apesar de tudo se faz nas federações e nas estruturas desportivas gera resultados pontuais que morrem seguidamente à medida que os factores decisivos que suscitaram o crescimento fenecem.

Assim, os projectos desportivos nacionais nascem e estão sujeitos às dificuldades que a sua actividade de intensidade técnica e económica sofrem do meio envolvente.

A crise actual estará a repercutir na produção de alto rendimento as dificuldades do país porque faltando ao projecto os meios, estes deixam de fluir e políticas como as de austeridade são aplicadas sem proteger a especificidade do alto rendimento.
Para terminar, como realcei a fraca estrutura envolvente acaba por afectar o produto do alto rendimento em vez de o potenciar.

Se não há prática desportiva informal e praticantes federados em dimensões críticas elevadas para alavancar a complexidade da estrutura produtiva, por si só, o modelo do alto rendimento é incapaz de suster o impacto da austeridade e de manter o nível de prestação próprio do alto rendimento de nível europeu.

Esta é uma situação que a generalidade dos líderes desportivos não entende, não quer ouvir e recusa-se a equacionar senão para discutir a quadratura do seu círculo familiar.

Afinal o sucesso de hoje da seu alto rendimento que tanto orgulho dá a alguns dos nossos políticos, pelo menos é o que eles deixam entender, é o sucesso pequeno de pessoas de boa vontade que dão o seu melhor e que consideram a mais não serem obrigados.

Daí o assumirem serem o alfa e o ómega do bom desenvolvimento desportivo nacional.

Sem nenhum segundo sentido tenho de admitir que estão absolutamente certos.



Só que … Só que esse desporto dos grandes líderes desportivos portugueses está na cauda da Europa e olhar para o futuro mostra que este posicionamento é insuficiente, incapaz, incompetente e eticamente inaceitável para aqueles que são os beneficiários do desporto moderno e que são a juventude e a população portuguesa.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Alguém devia-lhe dizer que basta, o que basta

Terá falado demasiado em mais de uma ocasião, disse coisas que há pessoas que não o dizem e as coisas descontrolaram-se.


Portugal perdeu o Mundial e Portugal foi enxovalhado ao levar um caso ao Tribunal estrangeiro, o que não devia lá ter chegado.


Era bom que tivesse amigos que o aconselhassem bem.


As crises actuais que afectam o desporto português exigem a atenção de todas as pessoas e o Tribunal colocou um ponto final que deve ser respeitado.


As pessoas já compreenderam alguma coisa de tudo o que se passou e tiram as ilações desses factos.


É mais importante para o seu currículo continuar a sua vida e fazer o que sabe fazer melhor ganhando competições para aqueles que o contratam do que tirar o esforço adicional daquilo que a Justiça já deu.


É rico porque é um profissional de sucesso e de fama mundial e deve ser magnânimo fazendo coisas que levem a população portuguesa a admirá-lo ainda mais pelos seus feitos nos campos de jogos de futebol e não nas salas dos tribunais.

Pede ao supremo magistrado da nação que actue, envolvendo terceiros num processo em que quem atirou uma das primeiras pedras está claramente definido por todos os tribunais.

A sua riqueza aumentará ainda mais se se concentrar no seu trabalho e ganhar muito mais competições, inclusive procurando compreender o que se passou na África do Sul, e estava na sua mão e de mais ninguém trazer a Taça para Portugal, como ele tinha prometido aos portugueses que ia fazer.

O desporto pode ajudar a identidade europeia

Neste link é possível aceder às declarações de Laurent Thieule, presidente de o think-tank europeu Sport et Citoyenneté, acerca da construção da identidade europeia através do desporto.


Diz Laurent Thieule telegraficamente:
  1. O desporto é uma porta para a construção de uma identidade europeia comum;
  2. O desporto é um meio para a União Europeia mobilizar os seus cidadãos;
  3. O desporto pode, especialmente em tempos de crise, ser um catalisador para a política da União Europeia o qual pode valer o seu peso em ouro;
  4. É do conhecimento comum que o desporto unifica e quebra barreiras entre as pessoas permitindo-lhes conhecer-se reciprocamente;
  5. Acreditamos que o desporto pode ser considerado como uma cultura comum europeia e um denominador para todos os povos europeus;
  6. Descreve o desporto como um veículo tremendo para a educação e a cidadania;
  7. Muitos membros do Parlamento Europeu acreditam no poder do desporto;
  8. O investimento da UE deveria focar na promoção da igualdade e desenvolver o desporto como um instrumento para a inclusão para combater a discriminação relacionada com o racismo, sexismo e a homofobia;
  9. Rejeita as acusações de dominação do futebol e afirma que o futebol pode servir como um modelo para outras modalidades;
  10. O que interessa é a existência de desejo político.


A questão é semelhante para Portugal que constatou com o Euro2004 como o desporto foi um catalisador da população, organizações e instituições nacionais quanto à sua identidade única e que num momento de crise como o que actualmente vivemos poderia resultar em benefícios extraordinários semelhantes.

Portugal também sabe que em todos os Jogos Olímpicos a mobilização da sua população é um momento de exaltação e que tem pecado por manifesta exiguidade.
Este é mais um dos inúmeros argumentos que demonstra como o desporto é um instrumento que contribui para o fortalecimento da identidade, para a acumulação do capital humano e social e a produtividade nacional.

As medidas de austeridade que recaem sobre o desporto podem ser fortemente contestadas pela sua irracionalidade cega e contribuição para a destruição de capital humano e social nacional, precisamente no momento em que as valias do desporto mais deveriam ser incentivadas.

Acontece que não existem dirigentes desportivos nacionais capazes de fazer este discurso e de se baterem por estes valores europeus em benefício do desporto nacional.

Portugal tem de ganhar o interesse pelos seus jovens através do desporto

De uma turma de 20 alunos de gestão de organizações desportivas, de 2010, apenas 3 alunos conseguiram emprego. Uma percentagem de 85% está desempregada há mais de 360 dias para conseguir o primeiro emprego.

As novas orientações da Educação fragilizaram o desporto escolar que produzia actividades desportivas para cerca de 150.000 jovens de um universo de menos de dois milhões, uma percentagem inferior a 10% e certamente uma das marcas mais baixas na Europa.

Independente dos resultados eleitorais o desporto está enrascado nos seus problemas mais do que aflito com as limitações nacionais para potenciar o seu produto desportivo.

O potencial de crescimento do desporto português é significativo quer quanto ao consumo, quer quanto ao capital humano desperdiçado.

Alavancar a massa crítica da actividade desportiva de dois milhões de jovens é garantir que no futuro as mais-valias co-produzidas e externalizadas para a educação, a saúde, a economia e a segurança social terá uma dimensão de centenas de milhões de euros e milhares de milhões de euros à medida que o investimento agora dado aos jovens frutificar ao longo dos anos.

O desporto é dos sectores cujas necessidades de investimento actual são pequenas mas cujas mais-valias humanas, culturais e sociais serão fundamentais para desenvolver sustentadamente Portugal no médio e no longo prazo.

Retirar a actividade física e o desporto a milhão e meio de jovens como foi feito ao longo dos anos é um acto perdulário que apenas se compreende pela iliteracia desportiva nacional.


O problema central do desporto é a armadilha do alto rendimento em que os políticos 'do desporto' preferem distribuir o orçamento público pelas federações sem se comprometerem mutuamente pelos resultados desportivos da civilização europeia.

Há que ater ao fortalecimento das instituições desportivas para prosseguirem os mais altos desígnios europeus.

O desporto é um sector que não se exporta, é não transaccionável, e isso limita o prosseguir os objectivos da moda.

O sector é diferente porque o desporto está na base da formação do capital humano, cultural, social e tecnológico que está na base das sociedades modernas do mundo.

Os jovens são a única saída do desporto para conseguir combater e sair das crises em crescimento gerando simultaneamente valias abundantes para a sociedade e a economia sejam os sectores orientados para as políticas sociais como a educação, a saúde e a segurança social como para os sectores vocacionados para a produção de bens transaccionáveis.

Conseguirá o desporto fazer passar a sua mensagem e potenciar o produto agregado do desporto nacional deixando para trás os 'dias de pedra' do seu subdesenvolvimento?

Qual o cenário ideal e o possível para o futuro

O que vai o desporto ter a curto prazo e no meio de seis crises política, social, económica, financeira, orçamental e desportiva?
  1. Um secretário de Estado diferente, para criar com determinação um futuro europeu;
  2. O mesmo segundo o interesse das organizações desportivas, para o 'business as usual'.
Podendo parecer melhor ao desporto a solução mais fácil, a indicada alterrnativamente seria equacionar o futuro pretendido para decidir como chegar lá.

A pergunta a colocar é se José Sócrates vencer as eleições ou formar governo em coligação se haverá, apesar de tudo, a esperança de haver 'vinho novo em odres velhos'.

O bom direito não é para colocar processos e para arrastar para os tribunais

O desporto devia aprender com o Caso INDESP e não aprende.

Com o Caso INDESP a agência técnica do desporto ficou decapitada da sua liderança desportiva e o desporto ficou sem o lugar do saber da produção do desporto.

As finanças, turismo, segurança social, transportes, saúde, educação são órgãos do Estado que tomam conta de áreas da produção desportiva porque as secretarias de Estado não vão lá.

Quando o Caso INDESP aconteceu já as coisas estavam mal porque as coisas boas passaram-se nos anos noventa com a criação da Lei de Bases do Sistema Desportivo, o estudo da procura desportiva, a importância económica do desporto, os manuais de infra-estruturas e o PROIDD, entre outros como as colecções de documentação técnica.

O CEFD ainda é um desenvolvimento tardio deste impulso e que o Caso INDESP tinha traçado o destino para acabar, porque o objecto da agência técnica era regular a produção desportiva por decreto.

Os agentes desportivos privados convenceram-se da sua independência para liderarem as suas organizações vivendo do subsídio público e não tendo de apresentar contas da produção desportiva por esse dinheiro público.

Hoje, o Estado português, para além das leis e dos decretos sem consequências directas para o produto desportivo, captura o Tribunal Arbitral do Desporto e exterioriza-o do desporto para o Ministério da Justiça e demonstrando a sua incompetência para resolver os litígios envia para instâncias internacionais a decisão soberana dos infindáveis processos instruídos internamente.

Os países europeus têm orgulho em resolver os seus próprios problemas e desafios e consideram uma ingerência quando instituições internacionais se envolvem nos assuntos internos.

Em Portugal por uma estranha teimosia deixa-se nas mãos da Justiça a regulação do direito desportivo e pela incrível incapacidade desta não se tem peias de colocar a incompetência nacional aos olhos da Europa e do mundo. Como o futebol tem feito, para gozo da FIFA, da UEFA e o Tribunal Arbitral do Desporto, todos com sede na Suíça.

Também hoje líderes desportivos nacionais falam demasiado, e dão importância a minudências que aquecidos por profissionais do ruído tomam o caminho da incompetência provada dos tribunais nacionais.

Também o Caso INDESP começou a encher desta forma, com o que se diz, se escreve e se envia para a comunicação social e para órgãos do Estado, e a partir de determinada altura o escândalo nacional vende notícias e o desporto vê diminuído mais alguns graus de liberdade da sua realidade já enfraquecida.

Trata-se do mau direito que sem princípios pretende tudo determinar e que colocado como o instrumento de democracia tolhe o respirar mínimo da vida do desporto português.

Em síntese o desporto português necessita de:
1.       Privatizar o exercício da justiça desportiva trazendo para o associativismo desportivo o Tribunal Arbitral do Desporto;
2.       Combater a litigância militante que é excelente negócio para os juristas e a comunicação social e uma perda de valor económico para os envolvidos.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Porque caiu Gilberto Madail?

As razões são várias:
  1. Do ponto de vista internacional o futebol português:
    1. Não é vibrante: as selecções inovaram há vinte anos e morre de Mundial para Mundial e o Porto por tradição o subsídio dos clubes de futebol portugueses saiu da Champions;
    2. É quesilento: Carlos Queiroz e José Mourinho não conhecem o fair-play europeu e arrogantemente combatem o fair-play europeu;
    3. A candidatura ao Mundial 2018 com a Espanha não tornou clara a relevância de Portugal e retirar GM é uma diminuição do actual apoio de Espanha;
  2. O futebol português sugere que é incompetente para resolver os seus problemas em casa e fazer subir à Europa apenas os grandes desafios e aqueles que marcam a diferença para o futuro europeu:
    1. O caso de Carlos Queiroz é um erro que nunca deveria ter saído de Portugal;
    2. O caso dos estatutos deveria ser resolvido entre-fronteiras;
  3. Os clubes grandes apresentam dificuldades financeiras e Portugal e a FPF não antecipam o fair-play financeiro de Michel Platini.

Gilberto Madail sempre actuou como José Sócrates forçando projectos extraordinários.

Nunca actuou no sentido de fortalecer o tecido desportivo do futebol, não reformou a federação, com o Euro 2004 passou a gerir com dinheiro na mão e o olho no negócio, como confessou ser o seu objectivo na candidatura conjunta com a Espanha para o Mundial de 2018.

O presidente da FPF durante inúmeros mandatos projectou-se servindo a UEFA e a FIFA, tendo usado as posições destas organizações internacionais para forçar os governos no sentido de interesses que nunca foram colocados com transparência.

Agora a FIFA deixou-o cair porque Gilberto Madail não sabe sair como tantos outrosentre nós. Tendo o hábito de forçar a mão espera que a queda não tenha consequências, porque ninguém em Portugal vai analisar publicamente os benefícios e as limitações da sua passagem pela FPF.


Na ausência de uma cultura desportiva nacional o desporto português presta-se à existência de líderes das organizações desportivas que resolvem problemas que são pontuais, na perspectiva do desenvolvimento desportivo sustentado, enquanto é a política nacional que permite suportar projectos de efeito instantâneo como os eventos desportivos europeus e mundiais em inúmeras modalidades.

A queda de Gilberto Madail é todo um tratado do fim do modelo de desenvolvimento relacionado com o Euro 2004.

A vertigem do Sporting Clube de Portugal

O SCP vive um momento extraordinário em que a queda da direcção trouxe alguma má moeda que inviabiliza o debate transparente e 'sério'.

É evidente que os candidatos ao Sporting são sérios.

As condições em que esse debate é feito é que são difíceis de ler.

As desconformidades devem ser observadas por limitações da actuação privada da Liga, da federação e pública.

A oferta de capital para o Sporting pode fazer-se por dois motivos:
  1. Por espírito altruísta de um empresário ficando a gerir o capital directa, indirectamente ou doando-o ao clube mediante a liderança de um presidente da sua confiança;
  2. Pelo cálculo financeiro e a expectativa de obter no Sporting um retorno superior a outras aplicações financeiras no mercado bancário nacional e europeu.
A ausência de uma regulação transparente para a gestão dos clubes portugueses afastará o primeiro tipo de patrocinadores e levanta dúvidas sobre a capacidade do Sporting gerar com transparência recursos suficientes para remunerar o capital com valores superiores ao mercado bancário nacional e internacional preservando simultaneamente o capital social e cultural do clube.


A partir da década de noventa a colocação no mercado do capital social, histórico e cultural dos clubes portugueses fez-se num período de euforia bolsista através do desporto europeu que a proposta de fair-play financeiro consensualiza os interesses éticos e públicos da União Europeia e da UEFA, para além de corresponder ao modelo que países como a Alemanha, a França e outros países de menor expressão possuem no seu território.

As imagens que passam na comunicação social do saco de gatos verde e branco é menos bonito de se ver considerando o que deveria ser a maximização do interesse do futebol português e dos sportinguistas.

A existência de soluções privadas é relevante mas a produção de mais-valias nos grandes clubes profissionais depende igualmente da racionalidade do modelo de produção profissional e das externalidades abundantes do modelo que o clube e a sua SAD poderão beneficiar.

Sem a garantia de governance europeia, como acontece no modelo da FPF de Gilberto Madail, o futuro do Sporting não é diferente do Porto, Benfica, Estrela da Amadora ou Farense.

Há demasiados graus de liberdade no futebol português e no seu produto profissional quando a escrita neste nível e em todo o mercado deveria ser de rigor.

Sendo o património leonino que está em causa ele depende sobremaneira de factores que assistem à eleição como a inexistência de um programa de desenvolvimento sustentado para a modalidade e para o desporto português de que o SCP como clube ecléctico depende sobremaneira.

Os diferentes segmentos amadores e profissionais, tangíveis e intangíveis, para além das dimensões local, nacional e internacional dos nossos grandes clubes estão interrelacionados, para além de uma regulação pública capaz de fazer boas leis, fazê-las cumprir e exercer a obrigação do seu cumprimento caso os agentes presentes no mercado prevariquem.

Hoje, em Março de 2011 é duvidoso que todos estes elementos estejam presentes e acautelados no desporto português e o esforço e entusiasmo de todos os sportinguistas poderá estar condenado e sem rumo como os sócios dos seus competidores directos, mesmo que assegurem o contrário.

No trambolhão de Gilberto Madail

As razões são várias:
  1. Do ponto de vista internacional o futebol português:
    1. Não é vibrante: as selecções inovaram há vinte anos e morre de Mundial para Mundial e o Porto, por tradição o subsídio dos clubes de futebol portugueses, saiu da Champions;
    2. É quezilento: Carlos Queiroz e José Mourinho não conhecem o fair-play europeu e arrogantemente chegam a combater o fair-play europeu;
    3. É perdulário: a FIFA e a UEFA sabem que a desculpa do desastre dos estádios do Euro2004 lhes é atirado quando sabem que países como a Suíça, Áustria, Bélgica e Holanda têm processos desportiva e economicamente impecáveis, com as mesmas regras que Portugal atira culpas para as regras europeias e mundiais;
    4. A candidatura ao Mundial 2018 com a Espanha não tornou clara a relevância de Portugal e retirar GM é uma diminuição do actual apoio de Espanha;
  2. O futebol português sugere que é incompetente para resolver os seus problemas em casa e fazer subir à Europa apenas os grandes desafios e aqueles que marcam a diferença para o futuro europeu:
    1. O caso de Carlos Queiroz é um erro que nunca deveria ter saído de Portugal;
    2. O caso dos estatutos deveria ser resolvido entre-fronteiras;
  3. Os clubes grandes apresentam dificuldades financeiras e Portugal e a FPF não antecipam o fair-play financeiro de Michel Platini.
  4. Gilberto Madail terá sido incapaz de chamar a si Luís Figo e transformá-lo no grande líder do desporto português.
Houve resultados positivos mas estes não alavancaram o futebol português para o único resultado aceitável:
Gilberto Madail não conseguiu, com uma geração de ouro em jogadores e treinadores, vencer o campeonato do mundo, só 150.000 praticantes estão inscritos na federação e as falências dos clubes existem, assim como, a praga dos salários em atraso que é a forma de sobrevivência de clubes falidos desportiva e financeiramente.


Gilberto Madail sempre actuou como José Sócrates forçando projectos extraordinários.

Nunca actuou no sentido de fortalecer o tecido desportivo do futebol, não reformou a federação, com o Euro 2004 passou a gerir com dinheiro na mão e o olho no negócio, como confessou ser o seu objectivo na candidatura conjunta com a Espanha para o Mundial de 2018.

O presidente da FPF durante inúmeros mandatos projectou-se servindo a UEFA e a FIFA, tendo usado as posições destas organizações internacionais para forçar os governos no sentido de interesses que nunca foram colocados com transparência.

Agora a FIFA deixou-o cair porque Gilberto Madail não sabe sair como tantos outros entre nós. Tendo o hábito de forçar a mão espera que a queda não tenha consequências, porque ninguém em Portugal vai analisar publicamente os benefícios e as limitações da sua passagem pela FPF.


Na ausência de uma cultura desportiva nacional o desporto português presta-se à existência de líderes das organizações desportivas que resolvem problemas que são pontuais, na perspectiva do desenvolvimento desportivo sustentado, enquanto é a política nacional que permite suportar projectos de efeito instantâneo como os eventos desportivos europeus e mundiais em inúmeras modalidades.

A queda de Gilberto Madail é todo um tratado do fim do modelo de desenvolvimento relacionado com o Euro 2004 e José Sócrates.

A ausência de laços duradouros e transformadores com as grandes estrelas do futebol português e de outras modalidades, mostra como o desporto português está longe do futuro e dos valores que o podem tornar grande.

Disse Sérgio Godinho

Hoje é o primeiro dia do resto das nossas vidas ...

Palavras de Vicente Moura em 2007

As frases, que estão aqui, falam por si:
(bold do autor do blogue)

"Outro resultado desse protocolo foi ter passado para o Comité Olímpico a responsabilidade de gestão do projecto, ou, por outras palavras: recebemos do IDP, com a mão esquerda, a verba de catorze milhões de euros, orçamentada para o projecto Pequim 2008, e com a mão direita entregamos essa verba às federações, mediante critérios definidos por nós. Acompanhamo-las depois e trabalhamos directamente com elas. Penso que se cumpriu com isto um slogan que é "menos Estado, melhor Estado!"."

VM confunde o facto de receber e entregar dinheiro com o aumento do produto que nesta altura esperava fosse muito significativa. Ver a frase seguinte:


"Nunca se obtiveram resultados sequer aproximados aos do ano passado,(em 2006) quer a nível continental, quer a nível mundial.
Já este ano (em 2007) Portugal está a progredir, com as federações e os técnicos a fazerem um belissimo trabalho.
Tenho também mencionado isto em diversas ocasiões: pela primeira vez temos onze atletas no nível de medalhados dum Projecto Olímpico, ou seja, temos onze atletas com possibilidades reais de ganhar medalhas nas proximas Olimpiadas!"


Depois continua com afirmações que se verificaram em Pequim em 2008 nunca se concretizarem:

"Em troca dos catorze milhões de Euros, escrevi uma carta, que está no IDP, a dizer que se dessem o apoio obteríamos quatro a cinco medalhas e sessenta e quatro pontos, quando nós nunca conseguimos ultrapassar os quarenta e quatro, quarenta e cinco.
Isto está escrito, o que significa que quando acabarem os Jogos Olimpicos alguem vai cobrar essa promessa…e eu próprio cobrarei a mim mesmo."
"Fiz esta promessa e responsabilizo-me por ela, porque realmente acredito que chegaremos lá, isto se não a ultrapassarmos."


 Mais à frente fala do que não sabe:

"Para já, eu apenas quero que o Estado perceba que somos capazes de fazer um trabalho bem feito, com rigor, e muito mais económico, porque o que estamos aqui a fazer com meia duzia de pessoas, teria que fazer o IDP com mais de quinhentas, e os gastos administrativos seriam muitissimo maiores."



Desconhece ou não equaciona a relevância do associativismo para a definição da prática desportiva da população na Europa:

"Apesar de estar a lutar por resultados nos próximos Jogos Olímpicos, se eu tivesse que escolher entre esses resultados ou ter 40% dos jovens Portugueses a praticar Desporto, eu escolheria perder a minha aposta em relação às medalhas. "



Palavras para quê?

"então eu disse que, como até tenho um inimigo de estimação, só para o aborrecer, vou ficar...
...porque a minha intenção real é retirar-me em março de 2009, depois dos Jogos Olímpicos.
O que vai acontecer é que, se for um fracasso, evidentemente isso vai-se cumprir, se não for, e só para irritar este meu inimigo, pode ser que fique..."

"Em Portugal diz-se: "Este ano vou ser campeão nacional, este ano vou ganhar as três taças..." - e depois não se ganha nada, e tudo fica como antes. O que eu estou a querer dizer é que, comigo, nada ficará como antes! Portanto, tem que começar a haver uma responsabilização, há que pagar o preço e eu estou disposto a pagá-lo. Digo mais: o Desporto, é, em Portugal, a única área que aumenta a auto-estima do povo, que nos junta a ouvir o Hino e a chorar a olhar para a Bandeira hasteada num mastro. Todos os outros sectores só nos dão vontade de emigrar para outro país, por isso temos que começar a tratar de nós próprios, temos que ter orgulho nas coisas que estamos a fazer, ou daqui a dez ou vinte anos estamos completamente dissolvidos na Europa!... "



Por fim surgem os Jogos Olímpicos em Portugal embrulhado num programa que só não diz quem o vai fazer, porque ele até já está feito e pensado:

"Acho que temos que arranjar um objectivo redundante, que junte à volta de uma mesa o Governo, as Autarquias, o Comité Olímpico, as Federações, as Empresas - e traçar um objectivo, um plano de desenvolvimente desportivo!
(a iniciativa) Tem que ser minha, sim.
Mas o que acontece é que o COP precisa que as pessoas estejam receptivas, não a uma hipotética candidatura, mas sim a estudar o problema, ver se é possivel e para quando, ou, se não fôr possivel, então não é, mas que se estude!"

(o governo) "Não está interessado. De facto, até reage mal quando eu falo desta matéria, porque deve pensar que a opinião pública vai achar que estou louco ao querer com isto e gastar 2 ou 3 mil milhões de euros, mas eu tenho isto tudo projectado e planeado.
Por exemplo, o Aeroporto da Portela vai sair dali, a área daria uma Aldeia Olímpica excepcional, porque tem uma auto-estrada, poderia construir-se uma estação de metro, espaços verdes, eu tenho tudo projectado já, mas de facto não é possível uma candidatura ter sucesso se não tiver o apoio unânime de todas as entidades públicas do país."


Ainda não conseguiu os Jogos Olímpicos de Portugal mas vai haver o Museu do Desporto.

Oxigenar as soluções

O desporto português está sufocado.

É comum ouvir que os dirigentes desportivos dizer não estão preocupados com os praticantes dos clubes.

A política desportiva dirige-se para pequenos e micro líderes de organizações que lutam pela sua sobrevivência num mercado falido e subsídio-dependente do Estado.

Com essas micro e pequenas organizações conseguem subir aos níveis mais altos da nação.

Falta estatura, a quem com eles lida, para lhes indicar princípios e soluções de responsabilização e risco que os tornem homens de maior impacto social e económico geradores de produto desportivo competitivo e de externalidades abundantes na educação, saúde, economia e segurança dos portugueses.

Os políticos no desporto não ouvem nem conversam partindo para soluções de complexidade crescente que aliás não admitem porque a sua capacidade de diálogo é curta.

Gilberto Madail perdeu a eleição na Europa porque a UEFA percebeu que quem não consegue aprovar estatutos, está num país em bancarrota, nem tem resultados nas selecções nem na champions league então é de uma segunda ordem. Não percebeu que o modelo do Euro2004 chegou ao fim e que a Europa percebeu que a magia de Portugal chegou ao fim.

Não percebeu que deveria já ter projectado Luís Figo para os areópagos europeus do futebol, como não percebeu que as selecções de jovens já não vencem nada e que todo o pudor foi perdido quando Portugal leva à Europa problemas de má educação entre dirigentes de topo como se fossem assuntos de Estado. Não é o único líder a trabalhar mal as suas estrelas porque outros dirigentes de outras federações e organizações desportivas nacionais fazem o mesmo.



As soluções que tenho apresentado neste blogue não têm a pretensão de se projectarem no sistema desportivo.

As máquinas políticas têm uma vida própria e todas as ideias levam uma volta significativa até sair um instrumento de política acabado.

As ideias que vou colocando visam oxigenar as soluções de política desportiva.

O medo de levar instrumentos inovadores aos dirigentes desportivos portugueses aceita as suas características: são fechados, pensam que sabem tudo, fazem o que pensam, destróem a diferença, falam do que não sabem.

Os dirigentes desportivos portugueses pensam que o Estado existe exclusivamente para lhes dar dinheiro.

Estão redondamente enganados.

Os dirigentes desportivos dos países mais ricos do mundo recebem muito menos dinheiro do Estado, por vezes nenhum, e movimentam montantes de capital que os dirigentes desportivos portugueses nem sonham alcançar. Também têm o orgulho de não dependerem do Estado para cumprir os seus objectivos sociais e económicos.

Ouvir os dirigentes desportivos é importante para conhecer os limites e os fracassos da produção desportiva privada.


A política desportiva nacional necessita do oxigénio das ciências do desporto e das outras áreas o que actualmente, ou é recusado, ou são encontradas formas de forçar a mão da política menor sem fôlego de longo prazo.

Há vários anos fiz calculos estatísticos e caracterizei certo nível de prática desportiva.
Anos depois uma investigação noutra área da ciência coincidiu na caracterização.
Foi correcto ter feito a investigação. Ambas as investigações.
O problema é não promover a divulgação, o debate e as conclusões sobre o que fazer com esse conhecimento.
O debate deve ser umacto fácil como respirar sendo igualmente vital.

A característica que detectei há alguns anos corresponde a uma falha da produção desportiva, permanece e não é resolvida.

Os dirigentes desportivos não olham, não vêem e menorizam.
Chegam a ser arrogantes na sua teimosia.
A sociedade portuguesa sabe disso.

Oxigenar as soluções é um atentado à forma de fazer a política desportiva nacional porque as pessoas que actualmente fazem a política desportiva vivem um mundo pequeno e à parte com um modelo de trabalho que se apurou apenas em Portugal nos últimos vinte anos.

Irá esse modelo ser questionado ou continuarão as suas características reverênciais?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Disse António Barreto à SIC notícias, Edição da Noite, agora às 22,30

Frases com um conteúdo aproximado do que disse e que apanhei:
Ver estas e outras frases aqui.

... o primeiro-ministro não tem cortesia ...

... o PS é forte a bater nos fracos e nos frágeis

... resolve bem os problemas dos amigos ...

... o país não sobrevive com o radicalismo destes pequenos políticos ...

... foi um gesto deliberado para forçar a ira; se não foi deliberado, este homem precisa de descanso, acredito que foi deliberado ...

... das poucas boas notícias de hoje é ele ter saído ...

... Portugal necessita de se defender de José Sócrates ...

... os políticos correm o risco de actuarem com enorme deslealdade para com a população porque desconhecendo a real situação económica ...

... em dois meses é possível informar os portugueses e se isso não fôr dito, isso será desleal com os portugueses ...

...

terça-feira, 22 de março de 2011

O Benfica, a Olivedesportos e o fisco

O jornal i entrevista o dirigente do Benfica, Domingos Soares Oliveira, acerca da marca Benfica.

Obviamente o Benfica é o maior e ainda o será muito mais maior no futuro.


Uma parte importante da entrevista são as relações com a Olivedesportos.

O Benfica como todos os clubes, as federações e os operados de eventos desportivos não estão satisfeitos com o que recebem e o mais importante é que a existência da Olivedesportos poderia ajudar mais o desporto de que vive.

Uma primeira questão relaciona-se com as audiências dos jogos que diminuem com a transmissão e que por essa Europa existem exemplos documentados em várias modalidades para além do futebol. Para contrariar esta situação é de ter políticas de espectadores atraentes e dinâmicas para os sócios e adeptos.

Uma segunda questão diz respeito ao poder de monopólio dos operadores televisivos e à existência de barreiras à entrada de operações no mercado das transmissões desportivas que a Olivedesportos conquistou ao longo dos anos e que torna muito difícil aos operadores televisivos entrarem no mercado.

Do ponto de vista da política pública o Estado deveria estabelecer direitos de propriedade diferenciados que permitissem aos agentes desportivos maximizarem a sua receita desportiva.

O Estado ao favorecer operadores acaba por afectar o futuro do desporto.

Isto acontece porque não tendo o Estado meios financeiros bastantes para fomentar e alavancar o desporto português para a média europeia, deveria incentivar a competitividade dos mercados a jusante das competições desportivas podendo inclusive beneficiar fiscalmente toda a área dos patrocínios aos direitos de  imagem para se libertar de financiamentos que são ruinosos para o orçamento do Estado mas que são bastante interessantes para os patrocinadores privados.

Estão neste caso o Estoril Open de que João Lagos se queixava de falta de financiamentos públicos, pelos vistos que também não eram necessários, e, também, de provas de modalidades com uma imagem mediática significativa como o golfe, ténis, automobilismo e motociclismo, etc.

Os beneficios fiscais não se fariam para estas modalidades ao nível do IVA mas ao nível das operações de marketing, patrocínios e de transmissão de eventos. Apenas fazendo contas se encontrariam os valores apropriados para maximizar o interesse do desporto e do país.

Disse Lídia Jorge à Antena 2, agora às 18,55

Frases do género:

... Não creio que os portugueses sejam um povo de castrados ...

... Há pessoas que farão coisas para impedir a continuação das dificuldades e essas eventualmente não serão conhecidas ...

...

Salvar os dedos, preservar o futuro

A prática desportiva dos jovens deveria ser preservada a todo o custo.

O desporto já há muito deveria estar a passar a mensagem para a sociedade definindo as necessidades básicas, as novas relações e soluções de defesa do essencial para a actividade corrente.


Receio não haver condições para uma atitude de avaliação profunda das condições da situação do desporto porque o Conselho Nacional do Desporto é uma caixa de ressonância dos agentes mais activos, não existe o reconhecimento de líderes que tenham posições desenvolvimento sustentado, existe a reverência perante o curto prazo e as solicitações pontuais e não existe a capacidade de liderar um projecto de investigação rápido para projectar o desporto na actual situação de crise do país.


O desporto está assim por sua própria culpa.


As crises económica, orçamental, social e política começou há pelo menos dois anos e o desporto entreteu-se com os seus problemas e não sabe pensar a sua situação em contexto dinâmico do que faz a economia e a sociedade e ter a capacidade de dinamicamente responder a esses desafios que lhe exigem acção e não inação e cabeça na areia.


O Presidente do COP e o do Atletismo usam as entrevistas na Antena Um e no Record para anunciarem o Museu Olimpico e trocarem de galhardetes, os blogues do desporto discutem efemérides e o 'meu umbigo', os juristas a conformidade e a desconformidade da magnífica lei do desporto e arredores, e as Universidades cientificamente formam para o desemprego ... desportivo.

Se há sector em Portugal que não está à rasca é o do Desporto!


Diz-se que nos fornos de asfixia alemães as próprias mães quando chegava o momento final abandonavam os filhos e lutavam por um lugar na escapatória que inexoravelmente estava fechada.

O Desporto sem Princípios procura iludir a asfixia que vai sentindo e acenar para uma escapatória que não vai estar lá.

Sem uma visão estruturada do desporto, seja Pedro Passos Coelho, seja José Sócrates, terão uma dificuldade muito grande em resolver os actuais desafios do desporto visando o seu desenvolvimento.

O que irão fazer será responder aos agentes do desporto e do não-desporto mais activos e matar o futuro do desporto português em nome de uma ou das quatro crises que nenhuma se preocupa com a crise do próprio desporto.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Corrupção: Crime é impune em Portugal por causa da prescrição de processos judiciais

Notícia da Visão refere que a prescrição dos processos judiciais torna a corrupção impune em Portugal, segundo o pólo nacional da Transparency International.

Já Maria José Morgado tinha dito no sábado ao Expresso, pg. 25, de 19 Março 2011, que 'há lodo nos tribunais' e que 'as reformas criminais laxistas dos últimos anos, produto de patos-bravos legislativos, corroeram a autoridade do Estado e a força da lei.'

Independentemente das palavras ditas, estas duas notícias sugerem causas para o país arder e que agora olhando desporto não deveremos deixar de lado a hipótese da ineficácia legislativa, qualquer que seja a razão do seu fracasso.

Garante-se que o regime jurídico tem boas intensões e que Lourenço Pinto, entre tantos outros, são uns malandros.

O desporto tem de saber criar boas instituições e prosseguir os princípios europeus para conseguir desenvolver o desporto.

O desporto não tem sabido criar boas instituições e não prossegue princípios europeus.

No momento em que são oficiais da Justiça e organizações independentes a coincidirem nas criticas ao modelo legislativo nacional, era útil que o desporto focasse a sua atenção no seu direito, não como solução milagrosa para tudo, mas que olhasse criticamente para o que está feito e o que há para fazer, considerando o direito do desporto como um instrumento entre tantos outros que tomados em complementaridade criarão soluções eficazes com o menor esforço organizacional e financeiro.

É a ética que está em causa que aplicada às boas instituições toma o nome de governance

A história mais recente que aconteceu ao futebol português levou os seus líderes desportivos a aprovarem os estatutos na generalidade e a não aprovarem com quórum três dos artigos.

Se esta situação redundar numa tragédia então:
1 - Alguém não está a agir bem.
2 - Alguém não está a ter a capacidade de liderar a federação.

Estas pessoas deveriam ser responsabilizadas pelo que estão a fazer através das instituições da modalidade, porque estes actos prejudicam a prática do futebol pelos portugueses, e do país, porque o futebol tem uma dimensão tal que os seus actos têm consequências nacionais que deveriam ser bem avalisadas.

Há a percepção da possibilidade de se estar à espera de enganar a UEFA e a FIFA que foram chamadas para tratar do problema nacional, quando nunca deveriam ter sido chamadas.

Houve um atestado de menoridade quando alguém em Portugal se dirige a organismos internacionais e lhes perguntam se o que estão a fazer no seu nível de subsidieridade está bem, porque a partir desse momento passam a depender e a não ser soberanos.

O poder desportivo da principal modalidade desportiva é fraco e disso foi dado conhecimento internacional.

Se no fim disto tudo alguém se recandidata e sacode a chuva das suas acções é porque ao mais alto nível não se quer saber o que se passa, nem querem problemas com uma modalidade ou com os agentes que estão no sector.

O mesmo é dizer que o desporto está isolado e abandonado e tem de partir de si uma nova orientação e visibilidade perante a sociedade e, como se vê no caso presente, perante a Europa e o mundo.

O desporto português necessita de boas instituições para permitir beneficiar de melhorias como sejam a maior democraticidade dos órgãos directivos das federações.

Se o objectivo é um princípio político, como a introdução de democracia, e ele levanta as desconformidades tão evidentemente prejudiciais que podem afectar clubes e selecções, então há que repensar os instrumentos de introdução da democracia.

Se se considerar que não é tragédia a FIFA não actuar sobre a FPF e os estatutos aprovados na generalidade entrarem em vigor, alguém sabe dizer qual a validade formal desse instrumento jurídico aprovado na generalidade e com menos três artigos na especialidade e que serão fulcrais para a dita democracia?

As competições desportivas de Lisboa e do Porto exemplos de discriminação de produto

As provas de Lisboa e do Porto mostram o interesse destas áreas metropolitanas oferecerem provas desportivas e culturais que atraiam turistas nacionais e estrangeiros e fixem as suas populações.

As provas de maior sucesso são as que conseguem discriminar actividades e simultaneamente consigam a discriminação de preços para garantir o maior lucro para os seus investidores com finalidade lucrativa.

Estas corridas geram externalidades públicas para outros segmentos económicos como a restauração e os transportes razão para o interesse e o envolvimento das respectivas Câmaras Municipais.

A meia maratona de Lisboa inclui:
1 - avós e netos
2 - mini maratona
3 e 4 - meia maratona amadores e profissionais
5 e 6 - cadeira de rodas amadores e profissionais

O circuito da Boavista do Porto inclui:
1 e 2 - motas e exposição
3 - automóveis antigos
4 - circuito europeu

Um e outro exemplo foram construídos ao longo das décadas com políticas locais consistentes e que a formação de uma população consumidora destas actividades gera benefícios acrescidos no longo prazo.

Economicamente as áreas metropolitanas são exemplos de monopólios em competição e que procuram diversificar a sua oferta sobre os seus concorrentes nacionais e internacionais.

Portugal por tradição não faz estudos sobre estas realizações ao contrário de outras cidades que conhecem através de estudos económicos como e onde investir para maximizar o bem-estar das suas populações.

domingo, 20 de março de 2011

Ver entrevista de Fernando Mota

Fernando Mota dá uma entrevista em muitos meses ao Jornal Record e Antena Um.

Afinal as coisas com Vicente Moura passaram-se de forma diferente.

Ver a entrevista aqui.

Sabe a pouco ...

É razoável como aquecimento.

Naturalmente FM é um fundista...

Portugal vence em pólo aquático

A federação de natação está de parabéns ao ter vencido só com vitórias o torneio de seis nações compostas por Portugal, Suíça, Dinamarca, Irlanda, República Checa e Suécia. ver aqui.

Não são países qualquer do desporto europeu e mundial.

Sem ser uma vitória num europeu ou mundial é uma disciplina de equipa onde Portugal apenas agora parece destacar-se pela primeira vez.

Para os especialistas da natação aqui deixo a necessária provocação:
  1. Porque é que a natação não ganha medalhas como o atletismo?
  2. O que é que o atletismo tem que a natação não vai lá?

Na reconsideração de Fernando Mota

As causas que geraram a demissão de Fernando Mota não se resolveram em alguns dias.

O tempo dirá qual foi o conjunto de causas internas e externas que levaram à demissão em primeiro lugar.

O atletismo e Fernando Mota têm sido o subsídio olímpico do desporto português e os erros que envolvem o olimpismo português relacionam-se com a insuficiente compreensão dos graus de liberdade que influenciam exteriormente o atletismo e as suas características internas, para estabelecer patamares de desenvolvimento nacional baseados na boa experiência e na correcção dos desafios que ainda não se resolveram

A reconsideração de FM tem de ser acompanhada com preocupação porque os seus graus de liberdade poderão ter diminuído.

Se houve razões da demissão, relacionadas com as condições de funcionamento do modelo de produção desportivo nacional, essas razões não se resolveram, nem foram explicadas e agora Fernando Mota arca sobre si responnsabilidades que estão para além da federação de atletismo.

Isto poderá não ser bom para o desporto, para o atletismo e a sua federação e para Fernando Mota.

Os Jogos de Londres estão feitos porque não é credível que as coisas se desajustassem ou melhorassem em um ano e poucos meses que faltam.

Vamos colocar os limites da produção desportiva em dois pontos:
  1. Não existe um programa de criação de liderança moderna no sistema desportivo nacional. Há a necessidade de formar os dirigentes actuais nomeadamente os mais novos e há que preparar os atletas para o assumir de cargos e níveis de responsabilidades modernos. A reforma da governance e das instituições é fundamental. Tenho sugerido começar por juntar o COP e a CDP que constituíriam sinais às federações do que deveriam e poderiam fazer;
  2. Seria útil actuar sobre a base do modelo de produção promovendo um estilo de vida activo dos portugueses através da prática de actividade física e de desporto. A remoção das barreiras de acesso e a difusão de informação são actos necessários. Promover a oferta de oportunidades de prática através da disponibilização de infra-estruturas e de técnicos e voluntários qualificados é um outro vector de incentivo da prática.
Apenas atendendo aos princípios em primeiro lugar e possuindo mecanismos de debate público baseados em instituições fortes conseguiremos, por um lado, não destruir o capital que existe acumulado e, por outro, conseguiremos alavancar capital novo onde actualmente apenas se capturam valias fugazes e se delapida a sustentabilidade do desenvolvimento.

Boa sorte a  Fernando Mota

sábado, 19 de março de 2011

De choque em choque até ao suicídio final

Ontem dizia-me um economista que 'o que isto precisa de vez em quando é de um choque' para poder avançar.

Quem não se lembra dos choques de há anos atrás, dos resultados a que socialmente estamos a assistir e do prolongar para o futuro desses choques para a nossa bancarrota?

Este economista pertence a um dos sectores que medem em milhões de euros de benefícios próprios todos os choques possíveis e imaginários. 'A bem da nação'?

O que é bom para os grandes clubes, é bom para o desporto e para os portugueses?

Os nossos grandes clubes são uma boa solução a nível europeu mas é necessário internalizar os seus benefícios sob pena da externalização, que se mantém, destruir a criação dos grandes clubes.

O caso das associações e dos estatutos da federação de futebol mostram que soluções que promovem apenas a partilha do bolo são difíceis de aceitar pelos perdedores.

Quando os níveis de procura desportiva nacional são os mais atrasados na Europa existem soluções que podem ajudar a rededifinir a partilha em crescimento.

O fracasso do Benfica na Champions League é o exemplo de que o modelo tem de ser melhorado para garantir uma maior sustentabilidade ao modelo dos nossos grandes clubes.

O Benfica parece estar preso por arames, o Porto tem um modelo que ninguém põe as mãos no lume, embora seja desportivamente exemplar na Europa e no mundo, e o Sporting está cheio de figuras que eventualmente se desvanecem com o prosseguir do campeonato como já aconteceu e ninguém se responsabiliza por nada do que se vai passando de menos bom.

A governance dos grandes clubes deve sustentar um  modelo de produção de desporto que tenha os pés bens assentes na vitalidade da base e das estruturas intermédias do desporto português que actualmente está por dinamizar.

O modelo social, sem finalidade lucrativa, à semelhança do Barcelona, foi destruída nos anos noventa com a dispersão dos activos sociais acumulados durante décadas em bolsa, sem se garantir um modelo atraente para os grandes empresários portugueses que seriam os naturais investidores nos grandes clubes.

A política desportiva, a regulação pública, não assegurou condições de trabalho a investidores nacionais predispostos a arriscarem e a investirem a sua imagem num dos grandes clubes nacionais.

Se os seus propósitos são tão bons como os dos líderes tradicionais dos grandes clubes então é o modelo que não está cultural e civilizacionalmente a ser debatido.

A externalização de capitais a que se assiste não tem nome quanto àqueles que capturam as mais-valias e desse modo o débito acumulado não tem responsáveis visíveis.

Há alguns anos foi destruído o único instrumento que fazia luz sobre a saúde dos grandes clubes e da I e II Liga e que era o Relatório feito pela Deloite e publicado pelo jornal a Bola.

O regulador privado a federação deixou morrer a iniciativa e não exigiu à sua associada a Liga de Clubes e ao Estado, o regulador público, para a necessidade desse relatório, assim como, para outros níveis de competição.

Os grandes clubes nacionais tanto podem chegar à final e vencer a Liga Europa como ficarem pelo caminho.

Neste momento existe um bom produto e há que melhorá-lo e dar-lhe melhores princípios europeus do fair-play financeiro, às lideranças que acumulam capital desportivo, humano e social, aos associados com direitos claros sem a presença de claques e de arruaças em todos os jogos ou de jogadores dopados commo refere a instituição que controla o doping.