quarta-feira, 6 de julho de 2011

Programa do XIX governo 5 várias medidas

As medidas seguintes todas para o alto rendimento não referem o que está a ser feito, poderá contribuir para nova despesa ou não existiam nesta formulação nos governos anteriores. São elas:
  • Apostar num projecto de identificação e desenvolvimento de jovens talentos no desporto, em particular no âmbito dos Programas de Preparação Olímpica e Paralímpica e das Esperanças Olímpicas (a identificação e o desenvolvimento de talentos tem como paradigma experiências boas como Nelson Évora e experiências más como Vanessa Fernandes. Esta formulação deveria ser mais cautelosae ter algum juízo de valor face ao actual)
  • Ajustar os estatutos de acesso ao alto rendimento, compatibilizando-os com a formação escolar dos atletas (“carreiras duais”), com modelos de gestão mista dos centros de alto rendimento; (para além do 'carreiras duais' a frase mistura-as com a gestão mista dos CAR o que é muito confuso)
  • Promover o “mecenato desportivo” e integrá-lo no Estatuto dos Benefícios Fiscais; (não fala da Fundação do Desporto que continuará a pagar salários e vem propor algo de improvável na actual conjuntura porque nada no programa sugere onde se vai cortar para obter rendimentos adicionais como nos benefícios fiscais)
  • Profissionalizar os agentes desportivos e qualificá-los através de um Plano Nacional de Formação, v.g. nas vertentes da gestão e do treino em parceria com as universidades e, internamente, nas federações; (um programa já existe e as federações estão a trabalhar nele. o governo vai mexer neste programa e como?)
Começa-se a perceber como foi feito o programa com palavras sonoras, as 'buzzwords', sem uma interpretação e compreensão da actividade real que está na base do trabalho dos agentes privados e sem a proposta de um novo modelo de desenvolvimento.

A medida seguinte é interminável e sintomática da dificuldade de concepção de um novo modelo:
  • Avaliar e redefinir os critérios públicos de apoio às práticas desportivas tendo em conta o contexto macroeconómico e os novos pressupostos de integração no estatuto de alto rendimento e a sua conciliação com outros financiamentos das federações e comités Olímpico e Paralímpico. Neste contexto, cabe assegurar a requalificação e a melhoria das infra-estruturas e materiais de apoio à prática desportiva como o Centro de Alto Rendimento do Jamor, alterando o seu modelo de gestão, e através da reestruturação do modelo gestionário do serviço público de medicina desportiva, privilegiando a instalação de unidades médicas e de controlo de treino nos Centros de Alto Rendimento com parcerias com o sector privado; (há 1 questão: os critérios públicos de apoios, articulado com o contexto macroeconómico e o novo estatuto de AR. Depois referem-se outras questões a referir isoladamente ou noutro ponto: o CAR do Jamor, o serviço público de medicina, as parcerias com o sector privado. Mais uma vez começa-se num ponto geral e acaba-se num ponto específico que nunca mais se fala. Como tudo tem a ver com tudo, quem quer compreender a racionalidade do modelo apanha uma desorientação de palavras fortes)
Numa medida seguinte retoma-se as instalações onde deviam estar os CAR's que são uma componente à parte e significativa do capital acumulado de infra-estruturas desportivas:
  • Modernizar e desenvolver o parque desportivo nacional e viabilizar a gestão e utilização das instalações, equipamentos e infra-estruturas existentes com vista ao seu integral aproveitamento;
Por fim surge mais uma medida que costuma ser o desporto a pagar e o Turismo a arrecadar as rendas:
  • Projectar o Desporto Nacional internacionalmente e de forma concertada com o Turismo através de um criterioso apoio à organização de candidaturas a grandes eventos desportivos internacionais na base de um efectivo retorno económico, turístico e desportivo. (isto já se faz desde 1991 quando Portugal organizou o Mundial de futebol junior e depois o Euro 2004 atingiu o seu máximo com os dez estádios, o Pavilhão Atlântico e as Empresas Municipais de Desporto. A fórmula habitual é: o desporto paga a despesa e o turismo arrecada os lucros. A particularidade é que num período de crise o Turismo vai cobrar e algumas federações vão querer ter rendas de eventos mesmo sem ter praticantes ou sem futuro da modalidade)

terça-feira, 5 de julho de 2011

Programa do XIX governo 4, medida 2

A medida destina-se a promover o desporto universitário e tem o mesmo problema da medida anterior, parece que vai tratar do consumo desportivo de todos os universitários e acaba nas Universíadas.

 Diz a medida:
'Promover o aumento da prática desportiva no ensino superior, incentivando a criação de serviços desportivos académicos e preparando o estatuto estudante-atleta, bem como o apoio à participação nas Universíadas.'

Partindo o parágrafo em frases obtém-se:

  • 'Promover o aumento da prática desportiva no ensino superior, (seria útil uma quantificação e alguma identificação do tipo de consumo que se pretende se esporádico (informal), regular (quantas horas/vezes por semana) e intenso)
  • incentivando a criação de serviços desportivos académicos e (privados ou públicos ou privados financiados pelo Estado, que serviços são estes?
  • preparando o estatuto estudante-atleta, (afinal estamos no alto rendimento, o que não tinha sido afirmado antes porque quem lê o programa pensa que ainda era o 'desporto com todos')
  • bem como o apoio à participação nas Universíadas.' (Portugal tem uma história nas Universíadas? O que se pretende com esta participação? Porque é que se fala agora desta prova?)
Há a necessidade de explicar bem toda a produção do desporto para a população em idade escolar.

O documento fractura o desporto escolar e o universitário e parece dar uma prioridade à produção pública, quando esta é incapaz de produzir com eficiência desporto para jovens como demonstram as estatísticas do desporto de inúmeros produtores desportivos.

Um outro aspecto relaciona-se com as opções estratégicas. Se o objectivo é o consumo desportivo ao longo da vida as medidas apresentadas até este momento não identificam a forma como este objectivo que é estratégico se concretiza.

Tudo se prepara para que o consumo de 'desporto com todos' não tenha uma formulação cuidadosa e clara para indicar aos agentes privados, associativos e empresariais, quais as preferências do Estado no presente ciclo legislativo e permitir-lhes obter os melhores resultados das medidas do governo.

Não havendo políticas para a base da pirâmide então a hipótese que começa a tomar forma é o desporto de alto rendimento, o qual foi definido em cada um dos pontos até agora tocados pelo programa.

Crianças portuguesas são das que mais têm excesso de peso na Europa

Ver aqui a notícia do SOL.

Precisamente a obesidade é um dos desafios que o Programa do XIX Governo não trata ... ou não terei lido bem.

Programa do XIX governo 3, medida 1

A discussão da viabilidade económica da medida não pode ser feita porque a escrita da medida é confusa; é como partir do Rossio e querer metê-lo na Rua da Betesga ali ao lado.



Diz a medida:
'Realizar um programa que fomente a prática desportiva contínua ao longo da vida, contemplando inicialmente a introdução à prática desportiva e à competição através da dinamização do desporto escolar, clubes e associações e promovendo a identificação, desenvolvimento e profissionalização de talentos em centros de alto rendimento'

Vamos por partes dividindo o parágrafo em frases com sentido:

  • 'Realizar um programa que fomente a prática desportiva contínua ao longo da vida,' (sugiro um ponto final. Este é o Rossio de partida)
  • 'contemplando inicialmente a introdução à prática desportiva e à competição através da dinamização do desporto escolar,' (começa a falar de desporto escolar, mas quer-se referir ao desporto para os jovens quando mete os clubes)
  • 'clubes e' (cá estão eles)
  • 'associações e' (que associações são estas? Serão as amigas do futebol de Laurentino Dias? Serão ginásios? Porque é que não se fala das escolinhas? Porque é que não se fala das empresas de desporto?)
  • 'promovendo a identificação, desenvolvimento e profissionalização de talentos em centros de alto rendimento.' (cá está a Betesga onde se quer meter o Rossio. A prática desportiva ao longo da vida para toda a população não se relaciona com os 2% ou 3%, ou percentagem inferior nos níveis actuais de prática, que chegam aos Centros de Alto Rendimento)
Este tipo de coisas acontecem quando há alguém que escreve um texto e depois existe outro alguém que revê o texto final e junta várias coisas para diminuir o texto.
 
Há no 'alguém inicial' uma formatação europeia já detectada na frase sobre 'a aprendizagem ao longo da vida'.

O 'savoir-faire' luso é que deita tudo a perder porque sem alto rendimento a começar nos jovens não há desporto. Vanessa espera pela volta que ainda não foi o suficiente.

Começa-se a perceber que o programa fala de coisas mas faltam-lhe outras mais simples e de base, como escrever uma boa primeira medida de política desportiva.

Alexandre Mestre acentua que crise obriga a rigor na distribuição e utilização de recursos financeiros

Ver aqui no Diário de Notícias.

Afinal a austeridade vai tocar ao desporto, também.

Miguel Relvas recebe COP na terça-feira

ver aqui no Record.

Programa do XIX governo 2 objectivos estratégicos

Portugal tem necessidades estratégicas de desenvolvimento sustentado que o resumo de 4 pontos é europeu e, ficando lá por cima, não alcança Portugal.

Fala da população saudável, dos carenciados, da sociedade civil (a Europa fala do diálogo social), e fala da corrupção, violência, etc.

Falta Portugal:
  • poderia (deveria?) falar das mulheres. A Associação das Mulheres do Desporto vai ser obrigada a convidar o Secretário de Estado e explicar-lhe o que estrategicamente são as mulheres no desporto português ou o que não são e deveriam ser.
  • não fala da racionalização e competitividade da produção de desporto pelo associativismo, 
  • não fala das empresas de desporto que tanta importância têm no processo produtivo do desporto nacional,
  • não fala do produto do alto rendimento, as medalhas.
Numa palavra há fracassos de mercado nacional que o programa em três ou quatro pontos deveria identificar e estruturar a sua resolução pelo programa do governo.

Quem ler o Livro Branco e os documentos recentes da União Europeia nota que os 4 pontos estão lá ditos com outras palavras e isso é a estratégia correcta da União.

Se o objectivo estratégico é a média europeia, isso deveria ter sido escrito e concretizado com exemplos temporais.

Sendo o desporto um projecto de longo prazo, o programa trata o que vai fazer intemporalmente.

Referindo coisas europeias o programa não estabelece afinal o que estrategicamente vai concretizar em 4 anos.

Como o PS fez em 6 anos, começou por falar em ética e no Congresso das grandes coisas e no meio fez o que quis. No fim estava tudo feito, o que tinha feito, e não teve de ver o que tinha prometido, com o resultado final.

Estes objectivos estratégicos do PSD e do CDS prestam-se a isso mesmo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Programa do XIX governo - desporto 1

Diz na página 96:

'O Governo entende o Desporto como uma componente essencial do desenvolvimento integral dos cidadãos – Desporto com todos e para todos - e pretende criar condições para estimular o desporto escolar, o de alto rendimento, as selecções nacionais e o desporto profissional.'
 
Era útil que os partidos quando fazem programas usassem os conceitos correntes sem inovarem para que a mensagem seja clara e directa aos interessados.
 
Quando fala em 'desporto com todos e para todos', parece ser um jogo de palavras, que coloca questões que não responde e aliás a formulação seguinte contradiz.
 
Fala seguidamente em 'criar condições para estimular o desporto escolar, o de alto rendimento, as selescções nacionais e o desporto profissional' sendo que os dois últimos são parcelas do alto rendimento que os precedem.
 
Portanto, o 'desporto com todos' refere-se ao desporto escolar e ao alto rendimento.
 
Se esta é a leitura 'os todos' ficam diminuídos ou então o desporto escolar e o alto rendimento é uma particularização do 'com todos' antes referido.
 
Esta introdução chama a atenção para a necessidade de ver no resto do programa qual a relevância dos possíveis beneficiários do 'com todos'.
 
Teria preferido usar apenas a primeira fase: 'O Governo entende o Desporto como uma componente essencial do desenvolvimento integral dos cidadãos.'
 
Acrescentaria qualquer coisa do género por esta ou outra ordem: através do desporto para todos, desporto escolar e alto rendimento.
 
De qualquer modo considero uma falta não referir o associativismo desportivo de base.

Não concordo que quem vê um programa vê todos

Tenho ouvido várias vezes esta frase que me parece ter várias leituras alternativas: não querer dizer a sua opinião, um cansaço com o que se passa, uma preguiça de investir na caracterização exacta do produto, uma incapacidade de ir mais longe, uma pequena mentira que se quer passar ...

Aceito todas estas alternativas sem nenhum juízo de valor.

Concorde ou não com o programa do PSD CDS para o desporto, o mais fácil é deixar a interpretação do que lá está apenas aos próprios que o fizeram.

Descreverei a minha posição sobre o programa nos próximos dias.

A organização que você sabe enferma, convida-o para ser o rei ou a rainha do baile

O que é que você faz?

Em termos fiscais a melhor situação para se estar, quando o Estado lança um imposto, é você passá-lo para os seus clientes que têm uma situação inelástica e não podem fugir quando você aumenta o preço com o novo imposto.

A hipótese de passar o convite a outro, por exemplo ao chefe, não será plausível e ele é capaz de não gostar.

Sem poder passar o convite a outro, a dúvida neste caso é ir ou não ir à festa sabendo que as alternativas têm uma leitura sobre nós, por terceiros, que nos é incómoda.

Há uma outra hipótese que é haver uma utilidade da dita instituição para o convidado no futuro. Ou seja, a hipótese é brincar com o fogo como faz o aprendiz de feiticeiro. Estar para não estar e deixar passar o tempo. Este filme já se viu e e não dá os melhores resultados.

O melhor será mesmo não estar na pele do feliz convidado.

Estatísticas do Desporto

O Instituto do Desporto de Portugal acaba de colocar no seu site as estatísticas das federações.

Ver o link aqui.

Podem consultar-se as publicações do instituto e as estatísticas que actualmente estão no seu site e que irão estar no futuro no site da Fundação Francisco Manuel dos Santos, na base de dados PORDATA.

Os pequenos exemplos são fulcrais

Há que cultivar o rigor dos 'pequenos exemplos'.

Sem o rigor dos 'pequenos exemplos' estamos sem metade dos subsídios de Natal, fora tudo o mais que vem aí.

Sem os pequenos exemplos que são pequenos, a partir de determinada altura estamos em políticas que exigem imensos investimentos e em que os pequenos exemplos já não fazem mossa.

Os opinion makers da comunicação social deveriam enaltecer os pequenos exemplos e procurar que em todos os actos do Governo houvesse exemplaridade de intenções, de capacidade de realização efectiva e de salvaguarda do valor do euro investido.

Os 'pequenos exemplos' são a nova fronteira do futuro do nosso país.

O pesadelo em que o PS envolveu o país

Houve pessoas que toda a vida votaram PS e que nos últimos anos questionaram as suas convicções a ponto de tomarem outra alternativa.

São pessoas que não estão dependentes da palavra do chefe e do cartão de crédito.

O grupo que comandou o PS deveria a começar a perceber que existem razões para a areia lhes fugir debaixo dos pés.

Os legionários que contiveram as vozes discordantes agora desapareceram e esperam novo toque a reunir para cumprir o pensamento de um novo chefe.

Mário Soares já disse que o PS necessita de ser refundado o que apela a uma reconstrução impensável há pouco.

Isto que estou a dizer relaciona-se com a percepção do que foi sendo dito nos blogues ao longo dos anos.

Foi dito, por exemplo, que existem limites na Lei de Bases quanto aos fundamentos económicos que a apoiam.

Enquanto o PS se refunda vai ter de ser o PSD a equacionar uma saída deste labirinto na certeza que os agentes privados dominantes vão querer coisas simples e que não mexam muito no que se fazia no passado.

É, por isso, que eles não têm razão e tem de ser o PSD a fazer alguma coisa, até porque do CDS/PP nada se conhece de pensamento desportivo.

Respeitar o valor de cada euro

A importância dos pequenos gestos é relevante quando está instalada uma cultura de não fazer contas, ou de não ter projectos de acordo com os limites que se dispõe.

Quando se aplica como critério o simbolismo dos 'pequenos gestos', por exemplo, a compra de dezenas de computadores passa a ser feita de forma mais criteriosa.

Na verdade face às condições do país dezenas de milhares de euros de despesa são úteis para sectores que necessitam deles imensamente.

O caso dos computadores é interessante porque é possível melhorar a performance dos computadores velhos a ponto de os deixar com performances equivalentes a computadores mais novos.

Tendo bons informáticos é possível corrigir e adequar as muitas funções que os novos computadores têm e que na realidade são escusadas para a maior parte das aplicações feitas pelos funcionários públicos.

Haverá uma minoria de funcionários públicos com graus de exigência superior nas suas funções profissionais e de responsabilidade administrativa que justificam maiores performances e mesmo aí é possível trabalhar.

O mesmo se aplica aos centros de alto rendimento como parece ser o caso do surf em que estão previstos muitos e cujos custos se não avaliaram.

Quem assistiu ao cavalgar do endividamento do país e do garrote que agora todos passamos a ter, rapidamente conclui a importância dos 'pequenos gestos'.

Caso os 'pequenos gestos' sejam desvalorizados pelos opinion makers e tocarem a opinião pública ninguém se vai admirar se um dia o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho anunciar todos os dias um novo PEC.

Segundo João Duque até Maio o governo de José Sócrates endividou-se em mais de dez mil milhões de euros quando o valor do endividamento para todo o ano autorizado pela Assembleia da República era de 12 mil milhões de euros.

Num pequeno serviço público a decisão de comprar 150 computadores por algumas dezenas de milhares de euros é irrisória perante o que o governo fez e, no entanto, são os pequenos gestos os mais relevantes e que serão capazes de levar o país a respeitar cada euro gasto e não contribuir para a bancarrota do país.

domingo, 3 de julho de 2011

Tenho tido o privilégio de trabalhar no IDP

Cheguei ao desporto e à ex-Direcção-Geral dos Desportos nos anos 80 de Mirandela da Costa e João Boaventura os quais abriam a agência técnica do desporto aos ares da Europa através da colocação de técnicos em todas as áreas que o Conselho da Europa dinamizava com estudos sobre os problemas reais dos sistemas desportivos nacionais.

Desde essa data a institucionalização jurídica foi uma tentação para os líderes públicos do desporto português a ponto de actualmente as reuniões técnicas que a União Europeia promove por essa Europa serem abandonados apesar de conhecidas ou terem o acompanhamento de um jurista, desconhecedor de matérias de outras ciências e que não apresenta relatórios das viagens que realiza.

O espírito inicial de Mirandela da Costa e de João Boaventura sempre foi o de acompanhar os projectos europeus, replicá-los, introduzir essas inovações nas políticas desportivas em Portugal e traduzir e publicar os documentos técnicos que se traziam.

As bibliotecas de desporto nacionais têm exemplares desse trabalho feito na ex-DGD e são muitos os especialistas e professores universitários que passaram pelos grupos de trabalho do Conselho da Europa levados pela mão de uma agência promotora de ciência e técnica.

Pode encontrar-se um paralelismo com o período que José Constantino esteve na Confederação do Desporto de Portugal em que produziu estudos vários ao contrário de líderes que nada publicaram.


Para o novo desporto há que reinventar novas instituições

Quando se sabe pouco de uma matéria, o que se faz parece imenso. Quando são conhecidos exemplos nacionais a realização é relativizada e pode ser tomada pela sua real valia.

O actual governo tem nas suas mãos o início de um novo período em que terá de criar políticas novas e instituições que actualmente 'não existem'.

Hoje o Público tem um artigo na sua revista Pública sobre o o surf intitulado 'Surfar para sair da crise'.

É um artigo de Alexandra Prado Coelho que descreve os novos horizontes que o surf abre para o desporto, o turismo e o país, terminando por salientar o que parecem para as pessoas entrevistadas os excessos de centros de alto rendimento nesta modalidade.

Definitivamente não basta ocupar os lugares e autoelogiar-se.

O desporto é uma construção laboriosa de muitas gerações cujos ganhos podem ser perdidos por pessoas que não tendo capacidades para o lugar a que chegam, destróem mesmo que sem querer o que gerações anteriores de líderes e técnicos acumularam.

Actualemtne assiste-se também à destruição do futuro com medidas e actos que prejudicam o futuro mesmo quando, por exemplo, se compram computadores novos.

As pessoas que passam em primeiro lugar deveriam respeitar o trabalho dos seus predecessores, em segundo deveriam promover a protecção desse capital acumulado no passado, em terceiro criar condições para que a acumulação de capital se continue a realizar durante toda a sua passagem e em quarto deveriam ser humildes quanto às características positivas da sua própria passagem.

É interessante notar como para pessoas que se autoelogiaram tanto durante tantos anos, surjam pessoas das universidades e produtores desportivos de base e uma revista de largo espectro a colocarem reticências a excessos realizados.

A ética e o respeito pelo trabalho dos outros e a humildade pelo seu próprio trabalho é a melhor forma de conseguir passar pelos cargos ajudando a criar instituições que projectam o desporto nacional para suportar e resolver da melhor forma as crises surgidas.


Afinal a principal questão a retirar é que é relevante começar por analisar atentamente o trabalho feito anteriormente para beneficiar de algum bom trabalho que tenha sido feito.

Isso parece surgir na questão da revisão da legislação do desporto.

sábado, 2 de julho de 2011

Os desafios de Alexandre Mestre

Para ter sucesso o desporto depende da liderança pública dada a falência da governance e da eficiência do mercado privado, assim como, da regulação pública do passado.

Há quem suspire por um Alexandre Mestre equivalente a um Laurentino Dias II.

A questão interessante será compreender:
  1. A mão que embala o berço: a sua cabeça ou uma terceira.
  2. O que esperar de um perfil liberal, num sentido positivo, no mais pobre desporto europeu.
Os meus colegas economistas da Europa conhecem-me pelas posições que tomo explicando quais as características do desporto português e da apresentação de ideias que sugerem a riqueza do modelo europeu do desporto pelas características que apresento do desporto português.

Na mesma altura em que Alexandre Mestre integrou a equipa restrita de José Luís Arnaut para fazer o Relatório Independente patrocinado pela União Europeia e pela UEFA, fiz parte dos economistas que relataram a situação do futebol em cada país europeu e que suportou o modelo económico do Relatório Independente.

Na reunião na sede da UEFA, em Nyon, perante alguns dos seus líderes, foram apresentados os relatórios nacionais, cujo caderno de encargos tinha sido distribuído meses antes e que os economistas nacionais tinham respondido. Após a apresentação dos relatórios nacionais outro grupo de economistas serviu de árbitro e criticou e realçou os aspectos princípais dos relatórios nacionais os quais constituíram os contributos económicos para o Relatório Independente.

Posso dizer que o relatório português passou como um dos que interpretou bem o caderno de encargos e abriu algumas expectativas, estando nessa altura Portugal sob os holofotes por via do Euro2004 e da recém-nomeação de Durão Barroso.

Ora o grupo de trabalho de Laurentino Dias não estava à procura de ir atrás destes procedimentos europeus.

Capturou o Congresso do Desporto da sua esquerda e do PCP dando-lhe a imagem de um acompanhamento amigo e companheiro liquidando hipóteses de reforma equivalente à europeia que o Relatório Independente prometia e que, depois, se abriu do futebol a todo o desporto com o Livro Branco, até chegar ao Tratado de Lisboa e à definiçao pela primeira vez no mundo de uma política desportiva para um continente.

Como Laurentino Dias II, Alexandre Mestre tenderá a fazer política sem estudos económicos segundo certa tradição portuguesa de política desportiva.

Caso Alexandre Mestre faça isso estará a negar a governance europeia. As duas alternativas de política desportiva serão:
  1. Gerir políticas estritas (à portuguesa) do ponto de vista administrativo e jurídico facultando rendas que aprofundarão fracturas actuais. A captura de rendas teve com Laurentino Dias uma institucionalização crescente e este modelo tenderá a assegurá-lo.
  2. Assumir o risco de passar à história do desporto português como o Secretário de Estado do Desporto que soube elevar a política desportiva de Portugal ao nível equivalente à política desportiva prosseguida pelos Estados desportivamente avançados do norte e do centro da União Europeia. Afinal a captura de rendas como faz o desporto europeu tem sido bastante melhor para o bem comum, não tem?
Obviamente que a política desportiva do Tratado de Lisboa não tem uma formulação nacional, a qual é encontrada nos Estados do norte e centro como modelos de sucesso conhecidos e que Portugal ainda não conseguiu internalizar e alavancar em seu benefício.

Alexandre Mestre está sózinho.

Alguns ministros do novo governo têm surpreendido pela positiva na Assembleia da República e o que se espera é que Alexandre Mestre esteja à altura dos melhores dos seus pares.

É necessário simplificar as coisas: A CDP de Luís Santos, Castelo Branco e José Constantino morreu

Eu estava a tornar tudo complicado.

A CDP morreu e as únicas pessoas interessadas na sua existência são as que lá estão.

Estas nem sequer representam nenhuma grande federação desportiva portanto o seu afastamento da realidade desportiva foi realizado pelos próprios que lá estão.

É necessário convencer o Estado que o dinheiro que é entregue à CDP é perdido para o desporto.

A função recreativa e as funções mais complexas que o associativismo não possui, não tem de ser 'pedidas' à CDP porque esta nunca as assumiu.

O COP pode avançar para novas medidas estruturas e funções de regulação privada sem negociar nada com a CDP.

A junção das duas instituições era apenas uma função de retórica que afinal pensando melhor não faz sentido, até porque as pessoas que estão na CDP não pescam absolutamente nada do que serão as novas funções necessárias ao associativismo português.

A CDP vai morrer por si própria se o Estado e as autarquias e as federações deixarem de financiar o CDP em critérios de amizade e de conveniência que não são públicos e aceites pela massa do associativismo desportivo.

A CDP de Luís Santos, Castelo Branco e José Constantino morreu.

Há que trabalhar o COP e com o COP, mesmo que ele não queira nem faça a mínima ideia do que faz e do que deverá fazer.

O que fazer com o novo governo

Sábado de manhã e desconheço o que trarão as notícias do fim de semana para além das notícias do futebol profissional. Refiro-me às notícias do associativismo desportivo.

As notícias do Governo mostram uma alteração de paradigma pela impossibilidade de manter níveis de iniquidade social crescentes e impeditivos do funcionamento liberal do mercado.

Uso liberal num sentido positivo para o distinguir da matriz anterior.

Mais uma vez Pedro Mota Soares, ministro da segurança social, refere a questões sociais fracturantes da actual situação transferindo para o nível local a produção de serviços públicos protectores das crianças e dos idosos.

Para quem é do desporto a Fundação INATEL é o paradigma de um erro que os governos anteriores aprofundaram mantendo no Estado, central, a produção de serviços de retalho como os de restauração e alojamento das pousadas, da cultura, e do desporto. Mesmo que sob o manto de um benefício para sectores carenciados estes serviços são transversais a outros 3 sectores do turismo, cultura e desporto e não tem razãoa sua manutenção no Ministério de Pedro Mota Soares.

A nova direcção da CDP igual à anterior nunca tratou das questões da recreação e não percebeu o vazio institucional aí existente no desporto português.

Nesta altura a separação entre COP e CDP é um erro porque também o COP vê-se como caixa multibanco dos dinheiros que transitam do Estado para as federações, garantindo rendas a estruturas ociosas no respeitante à transformação e racionalização do modelo de desenvolvimento que se quer integrador da produção associativia e empresarial da base ao topo da pirâmide desportiva.

Tal como o INATEL e a Juventude são organizações da Administração Central a merecerem uma actuação rápida como quer fazer o Governo, o COP e a CDP são organizações privadas que justificam um tipo de actuação igualmente expedito.

Dentro da matriz liberal do actual governo existe um espaço para a captura de funções várias que dariam outro sentido e outra dinâmica ao mercado privado do desporto português.

É nestes factores que se nota a relevância de instituições democráticas e competitivas para além das estruturas corporativas, no bom sentido, cuja dinâmica deveria ser mais efectiva na defesa dos seus interesses para além daqueles que a história produziu e se encontram numa situação sem saída ou pelo menos com atraso de reacção em relação ao que se passa com uma velocidade superior.

Numa palavra ninguém vai dar ao desporto aquilo que o desporto não conseguir colocar em cima da mesa tanto na administração central como na organização associativa para melhor regular e produzir desporto.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Quantos jogadores deve o Benfica contratar para maximizar o seu lucro?

Rui Costa garantiu que tudo estava em boas mãos e que o Benfica ia ter o número certo. Ver aqui no DN.

É reconhecido que a maior parte dos grandes clubes contrata demasiados jogadores, faz estádios ou joga em estádios grandes demais e gasta mais dinheiro do que aquele que a sua capacidade de produção consegue de receitas.

Isto acontece nos Estados Unidos com empresas propriedade de milionários que não se importam de perder dinheiro no desporto desde que promovam a marca e os produtos dos seus conglomerados industriais.

Na Europa diz-se que os clubes não têm finalidade lucrativa e por maioria de razão contrata jogadores para além do rendimento desses mesmos jogadores.

Os gestores dos clubes deveriam parar de contratar quando o rendimento marginal do último jogador contratado fosse igual ao custo marginal da contratação desse mesmo jogador. Nesse ponto o clube venderia o espectáculo pelo preço de mercado com lucro equivalente à diferença entre o custo médio e o preço de mercado.

Esta é das matérias que os alunos prestam atenção e sabem na ponta da língua.

Parece que Rui Costa ex-estrela do Benfica, da selecção e de muitos outros clubes tem como critério de decisão a maximização da utilidade e contrata para além da possibilidade de lucro do clube.

Os 28 jogadores definidos no regulamento do campeonato podem ser ineficientes e levar o clube a assumir riscos que regras racionais evitariam e dariam melhor finalidade à riqueza dos clubes e contribuíriam para a sustentabilidade dos clubes.

Faltará ao regulamento a avaliação da sua eficiência económica para ajudar os clubes a contratar o número ideal de jogadores que maximizem a vitória no campeonato e o lucro nas contas.

Os líderes do desporto deveriam prestar atenção

Quando um ministro do CDS, Pedro Mota Soares diz que “o sistema de pensões tem sempre de ser justo e assegurar a protecção dos que têm rendimentos mais baixos”. “É precisamente para isso que é preciso libertar o Estado de pagar, no futuro, pensões extraordinariamente elevadas porque isso já não é protecção social, é sim gestão de fortunas”, classificou."


Este ministro não é do BE, do PEV, do PCP, nem do PS.


Ver aqui no Jornal de Negócios.


Tenho defendido que as federações têm andado a perder bom dinheiro nos últimos anos.


Alguns presidentes estão muito agradecidos ao divino espírito santo e ao além, pela sua sorte de receberem cada vez menos e terem de cortar projectos. 


Não sei se as palavras do Ministro do CDS lhes faz tocar algumas campainhas...


Mas quem sou eu para dizer que as federações têm sido levadas.