segunda-feira, 7 de março de 2011

As ciências do desporto no seu labirinto

Na Europa e no mundo as ciências do desporto surgem e avançam na medida dos objectivos e das necessidades.

Será possível indicar os momentos de aparecimento de cada ciência surgindo na década de sessenta a sociologia através do Conselho da Europa. Nos anos setenta a União Europeia é confrontada com as solicitações de agentes desportivos que situados em países europeus diferentes lhe solicitam respostas que se encontram acima das jurisdições nacionais. Nos anos oitenta com o segundo choque petrolífero é a economia que surge para explicar como actuam os agentes desportivos no mercado. Simultaneamente a diversificação da procura desportiva devido ao investimento continuado da União Europeia no bem-estar desportivo dos seus concidadãos viabiliza a oferta desportiva com finalidade lucrativa através dos ginásios e academias suscitando o aparecimento da gestão do desporto, já na transição dos anos oitenta para os anos noventa. A meio desta década surge o Caso Bosman e a União Europeia constata que a política desportiva exige cada vez mais uma intervenção ao nível da União e em 2007 consagra-a no Tratado de Lisboa.

A economia do desporto acompanhou os cursos de gestão de desporto nos Estados Unidos onde em geral em cada curso a economia do desporto está presente. Também é frequente os grandes projectos desportivos serem acompanhados por estudos económicos.

Na Europa destaca-se a experiência de Limoges que desde início estabeleceu uma parceria entre o direito e a economia. Os países da Europa do norte, centro e sul também acompanham os seus projectos desportivos com estudos económicos, para além de possuírem programas e planos de desenvolvimento sustentado incluindo diferentes ciências do desporto.

Portugal acompanhou o desenvolvimento das ciências do desporto na Europa. Com Mirandela da Costa e João Boaventura na ex-Direcção Geral dos Desportos o país chegou a estar na frente da produção científica entre todos os países europeus.

Sem programas estruturais conjugando as diferentes ciências do desporto para maximizar o potencial das políticas nacionais o direito assumiu uma posição predominante junto dos políticos do desporto devido à sua presença na elaboração da Lei de Bases do Sistema Desportivo (LBSD) em 1990.

Na mesma altura da elaboração da LBSD, Mirandela da Costa fez o Plano Integrado de Desenvolvimento Desportivo (PROIDD), por solicitação de Roberto Carneiro, cujo princípio de avançar a par, o direito e a economia, se perdeu em Portugal.

Vinte anos depois observam-se diferenças fundamentais:
1.       A União Europeia tem um comportamento legislativo liberal deixando aos três níveis de subsidiariedade europeia (a União, os países e as autarquias) as responsabilidades próprias, definindo princípios éticos e legislativos gerais para suporte aos diferentes instrumentos de política. Neste sentido a União Europeia marcou a sua política desportiva com os seguintes instrumentos nos últimos sete anos:
a.       Relatório Independente em 2004;
b.      Livro Branco do Desporto em 2005;
c.       Conta Satélite do Desporto e 2006;
d.      Tratado de Lisboa em 2007;
e.      Estudos económicos a partir de 2008 para a produção de estatísticas europeias.
2.       Portugal se acompanha os projectos europeus em curso não o promove e concentra-se no direito do desporto:
a.       Portugal criou três leis de bases para o desporto o que é um caso único na Europa e nenhum outro sector económico português o fez;
b.      O direito do desporto desenvolveu-se e tem mercado para duas conferências anuais simultâneas.
c.       Tem cursos de licenciatura e de mestrado com predominância ou apenas de direito do desporto.
d.      Do ponto de vista administrativo as organizações do desporto podem trabalhar apenas com base na legislação pública, sendo que, a própria gestão do desporto enquanto área desportiva por excelência forma os seus alunos para o desemprego ou para outras áreas ou para tratarem da aplicação das leis e não para aplicarem os princípios que a gestão lhes ensina e aplicarem.
e.      As instituições públicas do desporto não possuem áreas relacionadas com as ciências sociais.

Em 2012, por ser o ano dos Jogos Olímpicos de Londres, Portugal deveria realizar uma grande conferência anual na Fundação Calouste Gulbenkian ou na Alfândega do Porto juntando o maior número de participantes para debater o futuro do seu desporto.

A Europa suporta a sua política desportiva e o seu direito desportivo em estudos sociais para garantir aos agentes privados europeus um mercado racionalmente competitivo.

Numa palavra a economia do desporto português tem lacunas e falhas no mercado privado e na regulação pública provenientes das políticas desportivas nacionais, as quais se baseiam fundamentalmente no direito como instrumento de política.

Outras ciências do desporto deveriam levantar os olhos da bola e observar o campo de jogo.

Enquanto ciência e cientistas é isso que a sociedade lhes pede que façam.

Nada como olhar para o que a Cultura faz

Tenho elogiado a Cultura e aqui fica um exemplo a evitar.

Segundo o Público uma comissão criada para um projecto da área da Cultura acaba de ser demitido porque nada fez.

Será bom que o Desporto siga os melhores exemplos da Cultura e evite casos como estes a que a Cultura não está imune.

Como o Desporto pode ver por estes casos, da casa do vizinho a arder, eles parecem mal e o Desporto deveria evitar os fracassos que cultiva com abundância.

sábado, 5 de março de 2011

Fernando Mota não é um líder desportivo qualquer

O motivo próximo da saída de Fernando Mota parece irrisório.

Não é menor se se considerar que Fernando Mota é um líder desportivo claramente acima da média pelo output desportivo, pelas posições que tomou e pelo respeito que suscitou ao longo de mais de vinte anos dentro e fora da modalidade e do desporto.

Ao decidir sair como alerta, para o que não podia ser admitido, assume uma posição que exige a sua presidência e ele assume essa consequência.

Têm-se dito que vai voltar. Tudo é possível e para já reconheçamos que a demissão é um acto extraordinário e não habitual em Portugal. Poucos ou nenhuns o fizeram e essa raridade permanece e deve ser compreendida.

Assumamos o seguinte:

1 - O que está mal que leva à impotência de um bom líder desportivo nacional é o modelo de desenvolvimento.

2 - Materialmente Fernando Mota demonstrou que está acima da concorrência.

3 - A demissão é um pequeno alerta interno que tem o impacto de um tremor de terra que abala todo o desporto português.

Assumir esse abalo é o nó da questão.

Fala-se que existe uma crise e quando um sinal da crise aparece discute-se o tremor individualizado e não o efeito do abalo na estrutura.

O que esperar dos campeonatos da Europa e do mundo em 2011 e 2012

Portugal tem de apresentar em 2011 e 2012 atletas que afirmem a sua capacidade de se baterem por medalhas olímpicas nos Jogos de Londres.

Em todas as modalidades olímpicas Portugal tem menos de ano e meio para demonstrar que o ciclo de 2009 a 2012 não foi um fracasso como os Jogos Olímpicos de Barcelona em que Portugal não ganhou nenhuma medalha.

Ontem um dos nossos atletas com maior potencial Marco Fortes, bateu o récorde nacional uma vez mais.

Marco Fortes necessita de um país e lhe permita o seu potencial.

Portugal tem de deixar de bater recordes nacionais para se concentrar nos mundiais e nos olímpicos.

Freitas do Amaral, o Expresso e a PwC

Segundo o Expresso, de 5 de Março de 2011, pg. 40, do primeiro caderno, as três entidades pretendem medir Portugal com países iguais na população e no PIB.

Tenho feito estudos neste sentido e o Manifesto que promovi há dois anos começava com o quadro 1.
Quadro 1 - Indicadores desportivos europeus
Países abaixo da média
Média europeia, países na média
Topo europeu
Participação da população
(1) Portugal 22%, Grécia, 19%
35% - Itália, Alemanha, Espanha, França, Bélgica, Áustria, Luxemburgo
Dinamarca, 53%, com 70%, Finlândia, Suécia
Praticantes federados, % população, ocidente
Portugal 4,8%, Itália, 6%, Espanha 7%
21%, Finlândia, Irlanda, Bélgica, França
Áustria, 40%, Dinamarca, 55%
Praticantes federados, % população, ex-Leste
Polónia, 0,3%, com 1% Roménia, Bulgária
7% - Eslováquia, Estónia
República Checa, 24%
Técnicos no desporto, empregos / 1.000 hab.
Portugal 2, Chipre, Grécia
5, Estónia, Alemanha
Holanda, 7
Praticantes federados por técnico, número
Hungria, 7, Estónia 14
38, Portugal 30, Holanda 44
França, 79
Voluntários no desporto, % população
(1) Portugal, 1,7%, Itália, Irlanda
3,7%, Áustria, Luxemburgo, Rep. Checa
Finlândia, Holanda, 10%
Jogos Olímpicos, total medalhas, ocidente
Portugal 22, (2), Luxemburgo, 3, Islândia, 4
268, Holanda, Polónia, Finlândia
Alemanha, 845, Reino Unido, 738
Jogos Olímpicos, total medalhas, ex-Leste
Macedónia, 1, Lituânia, 16
161, República Checa
Rússia, 565, Hungria, 468

Foram encontrados os indicadores desportivos possíveis dos países da Europa do Atlântico aos Urais e do Mediterrâneo ao Círculo Polar Ártico.

Os indicadores encontrados foram: participação desportiva da população, percentagem de praticantes federados na população do ocidente e do leste, emprego de técnicos no desporto por mil habitantes, número de praticantes federados por técnico, voluntários no desporto em percentagem da população , medalhas dos jogos olímpicos do ocidente e do leste.

A pergunta era saber qual a situação genérica de Portugal se no topo europeu, na média ou na base.

A resposta veio clara: estamos abaixo da média europeia e mesmo os países de leste ainda mais pequenos do que Portugal começam a estar à nossa frente nestes indicadores de conforto e competitividade desportiva.

O facto de Portugal estar na média europeia no número praticantes por técnico, a realidade é que o valor de Portugal neste caso deveria ser menor para dar um maior conforto técnico aos praticantes. O valor médio da Holanda é o de um país que terá o dobro da prática desportiva de Portugal, ou seja, com uma estrutura de produção desportiva tecnicamente mais complexa.

Uma segunda pergunta foi saber a distância de Portugal aos valores da média e do topo europeu.
Quadro 2 – Quadro sintético da distância desportiva nacional para a Europa, crescimento percentual

Indicadores
Portugal
Europa
Crescimento % (1)
Média
Topo
Média
Topo
Participação da população, % população
22
35
70
159
318
Praticantes federados, % população, ocidente
4,8
21
55
488
1279
Técnicos no desporto, empregos por 1.000 habitantes
2
5
7
250
350
Voluntários no desporto, % população
1,7
3,7
10
218
588
Jogos Olímpicos, total medalhas, ocidente
22
268
845
1218
3841

Nota (1): A coluna do crescimento mostra para a participação da população que Portugal deve crescer 59% acima dos actuais 100%. Os praticantes federados para alcançarem a média devem crescer 388% para além dos actuais 100%, etc.

Ignorando a dificuldade de encontrar as estatísticas certas para esta realidade de mais do que 27 países europeus, os valores sugerem que a distância de Portugal à Europa do desporto é imensa.
A análise de Freitas do Amaral, do Expresso e da PwC é o exemplo que afinal também os outros sectores nacionais têm tido orientações que não são propriamente os níveis de competitividade com os nossos iguais por esse mundo fora.

Faz sentido usar as estatísticas do desporto para ajudar a criar melhores políticas desportivas e para avaliar os seus impactos e compreender as características do comportamento dos agentes privados.

Há cada vez menos papel

Diz o Expresso, de 5 de Março de 2011, no suplemento Economia, pg 24, que os jornais perderam 100.000 compradores de jornais diários e os jornais estão a aumentar noutras plataformas, concluindo que os jornais estão a ir ao encontro dos seus consumidores.

Só o desporto é que não o compreende.

Há instituições desportivas que para além de não terem órgãos e técnicos vocacionados para compreenderem os segmentos de prática desportiva tradicionais também não possuem capacidade científica e técnica para novas leituras.

As diabruras das finanças com o IVA da prática desportiva dos ginásios está neste caso de incapacidade de leitura do consumo e das necessidades de desporto do país.

Por outro lado, o desporto não tem 'novas plataformas' como os jornais porque tendo uma base associativa incontornável ela está falida e o desporto tem de ajudar os seus clubes a produzirem mais desporto moderno e na qualidade e na quantidade exigida pela população.

Na situação desportiva vigente vai haver cada vez menos desporto consumido pela população mesmo que o 'papel' desportivo dos praticantes profissionais de desporto aumente nos próximos dez anos.

Se a comunicação social pode trabalhar apenas pela dinâmica dos agentes privados o mesmo não acontece com o desporto que necessita do associativismo desportivo e do Estado central e local e estes trabalham em dissintonia.

'País assustado' diz a Bola de hoje 5Março2011

Talvez não seja pelas boas razões.

Já antes do Euro 2004 a partir da altura em que se definiu que o Euro 2004 iam ser os estádios e o selecionador brasileiro que o futebol português necessitava de mais coisas.

1 - A inexistência de atletas jovens para as selcções de futebol não parece preocupar.

2 - Também é motivo de menor atenção a inexistência de um plano de longo prazo para o futebol mesmo quando pensamos ser campeões dos campeonatos em que entramos.

3 - A falência dos clubes de base não é relevante.

4 - Os processos que acabam na acusação dos líderes dos clubes médios e a falência dos clubes também não. Porque é que Faro não tem um clube na primeira divisão ou o Estrela da Amadora são exemplos sintomáticos de crise associativa nos clubes médios.

5 - A formação escolar dos jovens e das estrelas que andam pelas selecções não tem análises de situação.

6 - A promoção de ex-grandes atletas na estrutura de liderança do futebol também é um facto sem relevância.

Qualquer que seja a razão imediata do país como o Porto, Benfica e Sporting a ficarem uns dias sem a Liga Europa ou as selecções percam uns jogos ou campeonatos na secretaria da UEFA e da FIFA sempre se podem acrescentar mais seis argumentos que os afastarão por décadas.

Mas estes seis casos aqui indicados não assustam em Portugal.

M & M: Ética e Desfaçatez

Fernando Mota sai porque uma atleta não foi incorrectamente inscrita e assume a responsabilidade do erro precisamente porque Fernando Mota exigiu aos atletas e aos treinadores que fossem perfeitos nas suas responsabilidades perante a modalidade e o país. Fernando Mota tem um projecto para o Atletismo e reconheceu que a sua continuação na Federação Portuguesa de Atletismo era o contrário do melhor que ele concebe ser o futuro do Atletismo. O erro da inscrição foi o elemento que accionou a decisão capital.

Gilberto Madail negociou durante anos com o Governo o novo Regime Jurídico das Federações Desportivas, levou-o à UEFA e à FIFA para compreender os seus limites e possibilidades e agora dois anos depois da aprovação em Conselho de Ministros não consegue que vários associados chumbarem a proposta.

Fernando Mota ultimamente negociou com o Governo o pós-carreira dos seus atletas de alto rendimento, ganhou o Centro de Alto Rendimento no Estádio do Jamor e apoiou e foi apoiado no Programa Marcha e Corrida que se adapta na perfeição ao atletismo.

Nos tempos mais recentes não me recordo de iguais conseguimentos de Gilberto Madail. Agradeço que me recordem de iguais resultados de política entre o atletismo e o futebol.

Agora do ponto de vista da política desportiva é interessante ver a mentira contada aos massagistas, deles serem delegados com relevância na Assembleia-Geral da FPF. Só eles acreditaram e os apanha-bolas que também estiveram representados nas mais altas instâncias do futebol português ou como quando há vinte anos o Major Valentim Loureiro garantia que ele tinha plena capacidade de representar os interesses dos jogadores. Estes foram tempos gloriosos e que agora cobram o seu custo. Ver o trabalho de 4 páginas na Bola de hoje dia 5 de Março, sábado.

As associações fazem a rábula porque compreendem que o associativismo de base tem extremas dificuldades de sobrevivência e as áreas profissionais alcançam maior preferência pela concentração de poderes que antes estava nas suas mãos. Por outro lado, não vêm e não compreendem que essa concentração de poderes tenha efeitos no desenvolvimento da modalidade.

Por estes motivos e outros Gilberto Madail quer ser reeleito.

Longa vida ao Futebol e ao seu Presidente.
O Rei morreu! Viva o Rei e o Atletismo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Poste de João Boaventura que se agradece

A demissão de Fernando Mota é apenas um sinal de que o edifício desportivo está doente, mas torna-se necessário saber qual é o edifício, porque a FPA é apenas uma pequena parcela.

A locação do edifício desportivo, que poderá ter outro desenho, variável com o projecto ideológico de quem o vai construir, compõe-se de, por exemplo:

7.º andar – Outros
6.º andar – Clubes Amadores
5.º andar – Associações
4.º andar – Clubes Profissionais
3.º andar – COP, CDP
2.º andar – Federações e Ligas
1.º andar – IDP
Rés-do-chão – Secretários de Estados
Alicerces – o Governo e seus Ministérios

Toda a locação dos elementos de fundação bem dimensionada e executada de maneira precisa e correcta é fundamental para a qualidade final do edifício porque a execução de todo o restante vai depender deste posicionamento, já que constitui a referência para a execução da estrutura, que passa a ser referência para as alvenarias e estas, por sua vez, são referências para os revestimentos bem armado, e de mais material. Isto é o que dizem ao da arte, depois de bem escolhido o terreno pela sua fiabilidade.

Vê-se assim como uma boa base sólida pode dar um edifício confiável, duradouro, estável e bem estruturado. E quanto maior e mais firme a área de sustentação, maior as probabilidades de todos o edifício permanecer em harmonia e crescimento. Mas, qualquer que seja a sua dimensão no terreno, se os alicerces forem agredidos por trepidações sísmicas, ou oscilações inesperadas, todo o edifício vai sofrer as consequências, exactamente como as pernas desiguais de um indivíduo vai provocar deficiências na coluna.

O caso da FPA, bem como as mudanças paradigmáticas dos modelos de desporto, têm vindo a registar, como um sismógrafo, que a base de segurança, a base do terreno, acusa, a cada novo modelo ou projecto desportivo, deficiências gradativas que vão degradando o edifício desportivo. Os sinais que Fernando Tenreiro aponta são testemunhos de que, estando a base doente, todo o edifício se ressentirá.

Se examinarmos a evolução da estrutura-etiqueta do desporto (Direcção-Geral da Educação Física, Desporto e Saúde Escolar – Direcção-Geral de Educação Física e Desporto – Direcção-Geral dos Desportos – INDESP – IND) vem diminuindo na mesma proporção em que vem reduzindo a sua eficácia, e as suas funções. São sinais não desprezíveis porque constituem sintomas da doença que se tem agravado, cumulativa e consequentemente como reflexo do mal-estar das base do edifício.

Isto para concluir que o edifício desportivo, quaisquer que sejam os projectos, os paradigmas, os planos, os programas, os documentos programáticos que pretendam emancipar o desporto, estão condenados à partida, porque a base está apoderecida, e em terreno malsão nada cresce nem floresce.

Existem 3 Modelos de Desenvolvimento Desportivo a partir de 1974

No poste anterior sugeri dois modelos de desenvolvimento desportivo assumidos pelo desporto português.

Irei partir o segundo modelo de Mirandela da Costa em dois, criando um último modelo que apelido Euro 2004:

1 - O modelo Melo de Carvalho a seguir a 1974 foi um modelo voluntarista direccionado para a base da pirâmide de prática desportiva e o bem-estar da população e beneficiando de dinheiros que nunca mais o desporto beneficiou tanto.

2 - O modelo Mirandela da Costa iniciado na década de oitenta e terminando em 1995 com o Caso INDESP. Foi um modelo cada vez mais direccionado para o topo da pirâmide para o desporto profissional e o alto rendimento, que beneficiou de fundos europeus significativos e do Totoloto e criou uma lei de bases do desporto dando um sentido à dispersão legislativa acumulada ao longo do século XX. Este modelo manteve a recreação como uma actividade secundária nitidamente inferior à dimensão assumida no modelo de Melo d Carvalho. Até ao início dos anos 90 foi um período fecundo para a política desportiva que as zero medalhas de Barcelona demonstraram ser ainda imperfeito e sujeito a melhorias urgentes no plano conceptual, científico e da governance da política desportiva.

3 - O modelo Euro 2004, para não apelidar segundo um líder desportivo, tem o seu esboço inicial com o programa de financiamento Desporto Século XXI que prometeu às federações infraestruturas especializadas, começou por suportar os estádios do Euro 2004 e instalações de modalidade nos municípios e acabou por criar os centros de alto rendimento, CAR's. É neste período que são feitas duas leis de bases. A recreação enquanto prática desportiva de base tem uma expressão menor nunca assumindo a relevância dos países do centro e norte da Europa. As crises orçamental, económica e financeira atingem o desporto neste período fortemente sugerindo alguns dados que existe uma divergência da Europa do desporto por parte de Portugal. O modelo de desenvolvimento desportivo termina com a demissão de Fernando Mota. Contudo, o actual modelo poderá viver em negação até daqui a ano e meio em Londres onde se verificará que Portugal só por sorte ganhará alguma medalha olímpica.

Talvez eu esteja enganado e todos estaremos para ver o que acontecer.

A descrição que faço é necessariamente breve.

Há a necessidade de compreender profundamente o que se passa para criar o quarto modelo de desenvolvimento desportivo do desporto português moderno que permita a convergência com a média europeia.

Este poste inicial baliza e ajudar o diálogo.

As características do 4.º modelo passará pelos seguintes pontos:

1 - prática desportiva de base trabalhando segmentos como os jovens, mulheres, carenciados, idosos, etc.
2 - capacidade crítica de competir convergindo para as médias desportivas europeias.
3 - revisão do modelo de regulação pública do desporto nomeadamente quanto à criação legislativa e à avaliação dos seus resultados.
4 - novo modelo de produção desportiva e eficiência do mercado privado de produção desportiva.
5 - concepção do novo modelo económico e de financiamento do desporto português.

Há um trabalho imenso pela frente.

Notas sobre a demissão de Fernando Mota: A queda do segundo modelo de desenvolvimento desportivo português

Nota sobre a decisão – Há a necessidade de olhar, olhos nos olhos, o que aconteceu e retirar ilações. Alguns dados serão especulação e aqui ficam sinteticamente:
1.      Quanto aos modelos
a.      O primeiro modelo de desenvolvimento foi o prosseguido por Melo de Carvalho entre outros e foi implementado após o 25 de Abril de 1974.
b.      Mirandela da Costa e toda a sua vasta equipa foi o cérebro que concebeu mais fundo e implementou o segundo modelo feito dos automatismos do alto rendimento e do edifício legislativo. Apesar de ter também apostado nas ciências sociais e na economia, foi o direito o seu instrumento por excelência. O modelo teve a primeira morte em 1995 com o Caso INDESP.  A segunda morte dá-se, antes de ontem, com a demissão de Fernando Mota.
2.      Quanto aos sinais dos fracassos do segundo modelo:
a.      A situação do desporto está pior do que há alguns anos e isso sente-se no atletismo. Os clubes terão maior dificuldade de trabalho, os resultados desportivos serão piores do que em 2007 relativamente a 2008.
b.      A situação vai ficar pior: os melhores atletas têm a performance ao nível de Pequim em risco e não existem alternativas materiais.
c.      Especulando direi que Fernando Mota se apercebeu que o erro administrativo da inscrição foi o sinal de outras falhas que ele vinha detectando: falhas de administração, governance, de racionalidade do processo de produção da modalidade, do agudizar e complexidade das soluções futuras e a consequente angariação de fundos estava comprometida para o equilíbrio das contas e a projecção futura, e, apesar dos sucessos recentes do projecto Marcha e Corrida e do CAR do Atletismo, considerou que estava incapaz de as resolver.
d.      Em consequência face à gravidade desta situação dentro e fora da modalidade e da federação o melhor era deixar de forçar o seu modelo para o atletismo e sair da presidência da federação.

Nota sobre a situação gerada fora da FPA – A situação gerada por Fernando Mota chama a atenção de vários agentes privados e públicos:
1.      Os resultados do atletismo cobriram a incapacidade do desporto português conseguir outros resultados europeus e mundiais.
2.      Fernando Mota é relevante porque foi quem liderou o atletismo e forçou directa e indirectamente grande parte da estrutura de produção do desporto e do alto rendimento nacional nas últimas duas décadas.
3.      Ultimamente tinha-se concentrado na modalidade e ‘dado rédea solta’ a outros protagonistas.
4.      Actualmente estes protagonistas ficaram sem rede.
5.      Há líderes que já deveriam ter feito coisas como juntar o COP e a CDP e não o fizeram.
6.      Também não apresentando projectos de longo prazo não se demitiram.
7.      Pensam continuar a continuar estando a juntar votos para serem reeleitos.

Nota sobre o futuro:
1.      Dentro da FPA:
a.      O futuro tem de ser bem preparado com as eleições.
b.      A eleição vai fazer-se no desconhecimento do terceiro modelo de desenvolvimento desportivo nacional.
c.      O confronto tranparente dos diferentes agentes deve ser assegurada sob pena de dar à modalidade um líder fraco ou uma situação pantanosa.
2.      Fora da FPA – Fernando Mota retirou o pé de apoio do segundo modelo de desenvolvimento e mata-o pela segunda vez:
a.      O exemplo da FPA só pode ser usado para retirar ilações para o futuro do modelo de desenvolvimento do desporto nacional.
b.      Outros presidentes de organizações desportivas deveriam sair, porque o seu tempo também chegou ao fim se nenhum outro sinal foi bastante para lhes mostrar as suas limitações.
c.       Alguém deveria iniciar um debate sobre o modelo de desenvolvimento desportivo que agora chegou ao fim e lançar as bases para o futuro.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Na demissão de Fernando Mota

Fernando Mota foi o único presidente de federação a saber conquistar medalhas olímpicas com regularidade nos jogos em que participou a sua modalidade.

Se o atletismo português não ganhou mais foi porque as condições políticas e institucionais eram frágeis e não permitiram ir mais longe.

Vai haver um antes e um depois de Fernando Mota no atletismo português porque a maior parte das suas vitórias foram-no nos últimos trinta anos, com a tendência que já vinha de trás com o trabalho de Moniz Pereira, por exemplo, Fernando Mota liderou a diversificação para as disciplinas mais técnicas, chamemos-lhes assim, da prática de alto rendimento mantendo o nível que o fundo e o meio-fundo tinha alcançado.

No Atletismo português não fomos pequeninos e pobres como costuma dizer quem não se responsabiliza quando deve fazê-lo, segundo a ética que prega aos atletas e treinadores, e nada ganha de nível mundial.

Também na responsabilização acaba por haver uma diferença na praxis de Fernando Mota.

O futuro dirá como o desporto português estará ainda no período de altissima performance que Fernando Mota demonstrou estar ao alcance de Portugal.

Está por demonstrar que havendo uma liderança de política desportiva pelos mais altos padrões europeus o potencial da liderança desportiva de Fernando Mota esteja afinal ainda por alcançar.

terça-feira, 1 de março de 2011

As lições dos primeiros dias deste blogue

Não tenho usado o potencial da internet mas tive resultados interessantes.

Actualmente estou a tentar descobrir como colocar figuras no blogue para poder mostrar a teoria económica e as estatísticas sobre a realidade desportiva.

Apuro algumas questões para continuar a trabalhar:

1 - A juventude como área emergente de produção desportiva por uma atitude ética, cultural e económica. Porque é que o desporto português não tem líderes jovens?

2 - A irmanação do desporto e da cultura como activo de largo espectro que beneficiará o país. Porquê ter um Ministério da Cultura com custos elevados que podem ser repartidos com vantagem por dois sectores a cultura e o desporto que muito ganharão se caminharem a par?

3 - A afirmação de um direito desportivo novo, avaliação económica sobre o direito e sobre a sua praxis, para a criação de boas leis e instituições. Como é possível ter instituições como o COP e a CDP e outras que estão mal definidos e possuem lideranças frágeis?

4 - A aprendizagem com a Europa e a criação da sua política continental para o desporto. Portugal vai convergir ou divergir para as médias europeias?

5 - Investir na teoria económica para ler o potencial do desporto e da cultura
portugueses. Afinal até se poderá colocar a hipótese de que a cultura e o desporto são mais próximos do que alguns pensam: porque é que grandes líderes desportivos têm medo das medalhas olímpicas, como grandes cineastas têm medo de fazer filmes para vencerem um Óscar?

Na verdade, na verdade, o desporto e a cultura são dois pequenos sectores com um potencial extraordinário na sociedade portuguesa porque talento e transpiração é coisa que não lhes faltam.

Obrigado pela atenção e ...

... e fecho a loja por hoje.

A Cultura dá cartas

Ontem houve um Prós e Contras na RTP 1 e lá esteve a Cultura presente através do jovem dramaturgo Tiago Rodrigues e do Desporto nem um jovem atleta ou jovem dirigente que o debate era sobre os jovens e a crise da actual geração.

A plateia estava cheia de jovens, incluindo de escuteiros e todos publicitando as suas actividades, dúvidas, problemáticas e perguntas que colocavam à sociedade e à economia.

Este é mais um sinal como o desporto perdeu o pé ao que quer a sociedade portuguesa.

A sociedade desconhece que o desporto existe.