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terça-feira, 23 de agosto de 2011

Os estudos económicos e os fracassos do mercado do conhecimento desportivo nacional

Mirandela da Costa determinou a realização dos primeiros estudos económicos no desporto nacional, o Programa Integrado de Desenvolvimento Desportivo e desde aí as coisa foram morrendo por actos directos e pelo deixar andar das coisas no desporto.

Os dinheiros escorriam com relativa facilidade pelo tem de ser do boca a boca dos líderes institucionais privados e públicos.

O estudo do Euro2004 foi um paradigma, contrataram-se muitas faculdades e os resultados a obter tinham de dizer que o modelo escolhido era o correcto. Nada foi discutido com base em alternativas de investimento servindo um modelo de desenvolvimento desportivo. Nada foi analisado tecnicamente sobre o pós-evento. O Estado nunca se preocupou. A sua única preocupação foi mostrar que o Estado conseguia o equilíbrio entre aquilo que investia e os resultados do evento na óptica da contabilidade nacional.

O desporto e os resultados desportivos do investimento pré e pós-evento nunca se analisaram.

Quem levantou dúvidas sobre este modelo ficou muito mal visto e sofreu consequências. Que consequências? Apenas um exemplo do género que quem levantou dúvidas não teve bilhetes para nenhum dos jogos do Euro2004 oferecidos por quem oferecia essas benesses às pessoas que concordavam com o estudo realizado.

Chama-se a este fenómeno de captura do investigador universitário, que deveria ser independente e o deixou de ser, pelo proprietário do estudo.

Outro exemplo paradigmático são os estudos encomendados pelo Estado a empresas multinacionais sediadas em Portugal e que regra geral têm custos incomportáveis (estas empresas são caras mesmo ignorando as peculiaridades  do mercado do desporto) nada dizendo de inovador e pouco se conhecendo de resultados práticos após o fim do projecto.

Este é o caso dos estudos económicos encomendados pelo Estado para a área do desporto.

O que ressalta destes comportamentos é a inexistência de funções desportivas, económicas e sociais bem fundamentadas na administração do desporto capazes de conceber e equacionar processos de desenvolvimento do conhecimento desportivo, económico e social do desporto português.

As decisões tomadas e inquestionáveis por imperativo superior, da secretaria de estado, do ministro e do governo, eventualmente suportadas em documentos jurídicos que se auto-justificam mesmo quando entram em domínios não-jurídicos e acertadas pelo interesse de parceiros indiferenciados são a base do fracasso do desporto português em termos gerais.


O exemplo europeu é claro. Basta ler o Livro Branco do Desporto e os múltiplos actos da União Europeia para observar a sustentação desportiva, económica e social das decisões e dos programas efectuados em estatísticas e estudos que se vão desenvolvendo e surgindo.

A abordagem técnica do desporto é um processo cultural antes de ser sectorial.

Hoje no desporto português muitos técnicos do desporto vêem as suas funções de concepção do produto e das funções de gestão de desporto serem substituídas por actos administrativos e jurisdicionais ineficazes e ineficientes determinados por cadeias de decisão redundantes e avessas à concepção e à racionalidade da produção de desporto.

Há sectores técnicos que conseguem alguma actuação dentro da racionalidade própria dos seus sectores como a medicina e o doping, por via das consequências da sua não implementação que redundam em mortes ou numa imagem social muito negativa. A engenharia e a arquitectura conseguindo produzir instalações desportivas tecnicamente consolidadas na sua área de especialização. Porém, a medicina não consegue passar ao desporto as dimensões da prática que consegue noutros países desenvolvidos e as instalações desportivas são amplamente desenquadradas de resultados desportivos, económicos e sociais.

A extensão do fracasso cultural do conhecimento desportivo pela apropriação política e jurisdicional é o desafio a defrontar na actualidade do desporto nacional.

Mais um naco do mesmo sobre os Estádios do Euro2004, a custo zero

Esta está aqui, escrita por João Cândido da Silva, no Jornal de Negócios.

"...
Para ilustrar como Portugal chegou ao que chegou, a Parque Expo é um caso entre muitos outros. O Euro 2004 também foi vendido como uma iniciativa a "custo zero". Mais: nos balanços sobre o impacto do evento elaborados após a sua realização, os peritos davam como certa a sustentabilidade futura dos estádios. 

Assinalavam, em favor da tese, que apenas o recinto de Faro/Loulé não dispunha de um clube residente e que, nas restantes situações, as responsabilidades dos municípios estavam defendidas. Até poderiam ganhar dinheiro com o arrendamento das infra-estruturas. Poderiam, sim, mas só no papel onde cabem todas as fantasias que se quiser. Seria interessante saber o que diriam agora os mesmos especialistas, contratados a diversas universidades, se fossem confrontados com aquilo que se passa em Leiria e em Aveiro, onde as autarquias asfixiam sob o peso de bancadas vazias. 

..."

O custo zero é utilíssimo para a decisão superior, o chefe mandou, já está decidido, tem de se fazer assim, está decidido, o secretário de estado disse, o primeiro-ministro pensa, é para andar, lá vens tu com as tuas complicações, a UEFA e a FIFA quando tomarem conhecimento disto não vão gostar, o partido vê essa sua posição com maus olhos.

Estas frases e outras equivalentes são a base do custo zero de não fazer estudos desportivos, económicos ou sociais para sustentar a decisão ou para avaliar os resultados do investimento. Nunca se analisa as consequências dos investimentos ou do impacto das leis e dos regulamentos.

As leis que se fazem no desporto também são a custo zero, mesmo quando estão erradas no mesmo dia da sua publicação.

De qualquer forma o desporto continua a não ser capaz, com o seu confrangedor silêncio, de explicar quais os erros do Euro2004 e de demonstrar que os erros cometidos estão diagnosticados e não se repetirão.

O que acontece é que a sociedade cada vez que dá uma cavadela encontra uma minhoca, e que minhocas vai encontrando! Agora chama-se Pavilhão Atlântico e ainda ninguém descobriu que a privatização também é a custo zero.

A fusão do desporto e da juventude também vai ser a custo zero segundo os estudos que estão feitos.

É questão para perguntar: Essa do custo zero é para quem? É que pelo que se vê há quem viva no melhor dos mundos com o custo zero que as suas decisões ineficientes lhes acarretam.






João Cândido da Silva termina com as seguintes frases mostrando como ele não possui a melhor das literacias desportivas mas simplesmente a possível face à escassez e ineficácia de informação produzida pelo desporto para justificar os seus actos:


"O anúncio, pelo Governo, da extinção da Parque Expo gerou choro, lamentos e a acusação de que se trata de uma decisão "economicista". Em conjunto com "custo zero", aquela é uma das palavras que explica o descalabro financeiro do País. Agir sem considerações "economicistas" é comprar um Ferrari quando apenas se tem dinheiro para adquirir e assegurar a manutenção de um Smart. É fazer uma exposição universal ou um campeonato internacional de futebol sem olhar aos custos de oportunidade num País que tinha, e tem, graves falhas na saúde, na educação, na justiça ou no apoio social. 

Se o futuro passa por começar a fazer contas sérias antes de tomar decisões, poderá ser menos vistoso mas será mais saudável para os bolsos dos contribuintes. O "custo zero" e os complexos do "economicismo" saem demasiado caros."

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A captação de rendas à actividade desportiva está a atingir níveis brutais

O aumento do IVA das actividades desportivas segundo deu a entender um governante do desporto para castigar a falta de lealdade dos ginásios ao governo e agora a captura de meio milhão de euros ao Estádio Universitário de Lisboa pelo Ministério das Finanças são de uma desproporção imensa.

Estas medidas dever-se-ão a características cumulativas próprias do desporto e da iliteracia desportiva que a sociedade portuguesa goza:
  1. a reputação de que no desporto há muito dinheiro e corrupção
  2. a imagem de que todos os que fazem desporto podem pagar mais
  3. a incapacidade de reconhecerem que parte substancial da população necessita vitalmente da prática desportiva e não o pode pagar ou não tem predisposição para tal
  4. a ignorância dos impactos positivos das externalidades do desporto na geração de capital desportivo, humano, cultural e social
  5. a actuação de poderes que actuam sobre o desporto com a desfaçatez de um poder e do saber que não serão julgados socialmente pela sua incompetência e profunda ignorância dos princípios e da forma como se constroem as sociedades modernas
  6. ...
A situação do desporto parece muito grave e a expectativa é que piore economicamente.

domingo, 29 de maio de 2011

Eficiência económica, externalidades desportivas e política pública

Quando observamos um mercado que gera um produto de 9 mil milhões de euros em 6 anos devemos ter em atenção os objectivos que se procuram maximizar com o seu produto.


Sendo os recursos escassos a primeira pergunta é se os recursos colocados à disposição pela sociedade atingem os objectivos com eficiência. Sumariamente será a de obter o máximo de produto com o mínimo de despesa.

É isso que fazemos quando vamos ao mercado e trazemos um cabaz de compras que obtivemos comprando os produtos que mais nos agradavam pelo preço mais baixo. Para isso negociámos com os vendedores, perguntando os preços, comparando a qualidade e decidindo por uma compra.

Se um governo tem o potencial de 70 milhões de euros para investir no desporto por ano ou de 420 milhões de euros por parte de uma das suas agências e de 1,8 mil milhões por parte das autarquias estes são montantes muito elevados e que exigem desde início da governação a afirmação dos objectivos do investimento.

Ao trabalhar com políticas de desporto sem ter uma preocupação de eficiência económica pode acontecer que o investimento realizado seja ineficiente ou mau por vários motivos:

1. se se fazem infra-estruturas sem uso, como parte dos estádios do Euro2004 fica-se à mercê dos 'opinion-makers' atacam todo o projecto quando existe um erro com as infra-estruturas bem claro
2. outro tipo de erros é a predominância das preferências dos agentes públicos que impõem soluções desajustadas, erradas, porque desconhecem de facto como agem os produtores desportivos ou como se deve produzir desporto com eficiência
3. os agentes públicos também erram quando beneficiam agentes pontuais em prejuízo da sociedade e da população em geral
4. o processo de negociação no mercado é susceptível de ser apropriado pelos agentes mais activos
5. os direitos de propriedade não sendo bem definidos geram situações de ineficiência

Existem outros problemas mas vamos fixar apenas estes como demonstrativos que o produto do mercado desportivo pode não ser eficientemente maximizado pela acção do Estado.


Outra razão da ineficiência do mercado é a produção de externalidades que são benefícios que terceiros se apropriam sem terem feito parte da transacção de mercado que gerou esse benefício.

O exemplo mais comum é o dos benefícios da saúde que aumentam a produtividade dos cidadãos e trabalhadores e que a economia como um todo beneficia mas quem paga a transacção privada é o seu consumidor.


Estamos portanto perante duas acções possíveis do Estado ou de política pública desportiva:

1. Assegurar a eficiência da produção e da transacção de desporto cuja dimensão deverá procurar alcançar a totalidade da população

2. Internalizar os benefícios externos apropriados pela sociedade e pela economia graças à produção desportiva eficiente

Então e a democracia do funcionamento das organizações desportivas? perguntam algumas pessoas. As federações são corruptas! acrescentam logo de seguida.

A aplicação dos princípios sejam os constitucionais, sejam os olímpicos dão aos agentes desportivos e ao Estado instrumentos que aplicados ao mercado lhes permitem trabalhar melhor e alcançar um maior produto desportivo, no caso concreto deste sector. A literatura científica demonstra que as sociedades com melhores instituições e menor corrupção produzem um maior produto desportivo em cada um dos seus segmentos sejam o informal, a recreação formal e o alto rendimento.


Conclusão


Face ao nível frágil de produto desportivo nacional é plausível que haja aspectos relacionados com a falta de democracia e de eficiência no seio das organizações privadas e no funcionamento das instituições públicas associadas ao desporto.

A eficiência económica é um instrumento útil ao desporto quando a economia está bem e para a resolução do que está mal a eficiência é ainda mais útil, porque aconselha a investir melhor para resolver os problemas existentes.

Na actual situação desportiva nacional em que os recursos se vão tornar ainda mais escassos, com as medidas de austeridade da troika, conviria ao desporto atentar à boa aplicação dos seus recursos escassos e a conseguir também internalizar as externalidades que vai gerando para a sociedade.

Este exercício para o Governo de maioria é também relevante porque existem desafios a transformar tanto na regulação privada no seio do associativismo desportivo, como com as empresas produtoras de desporto, como nas organizações públicas que trabalham e que regulam o mercado do desporto.

sábado, 28 de maio de 2011

Como fazer uma ponte no deserto é importante numa lista de obra eleitoral

Este é um exemplo clássico da economia.

Um governante resolve fazer uma ponte no deserto para salvar a economia da recessão e contrata uma empresa que cria postos de trabalho, anima a economia, os jornais vendem-se mais com os trabalhadores na ponte, os bancos emprestam e fazem o dinheiro circular, há visitas de engenheiros e outros empresários e os hóteis e restaurantes animam-se, durante 3 semanas a região comemora a construção da ponte havendo romarias à ponte no deserto.

Passada a festa a ponte deixou de ser visitada e foi abandonada.

Quem ganhou e quem perdeu com a construção da ponte no deserto?

Quem ganhou foram os empreiteiros, os bancos, as empresas fornecedoras de materiais, alguma população teve emprego, o governante teve publicidade pela obra feita, a comunicação social e o turismo.

Quem perdeu foi a população que ficou com a ponte para pagar e não tem benefício da sua utilização.

Diga-se que o governante tinha feito a ponte no deserto porque numa região vizinha duas comunidades separadas por um rio tinham construído uma ponte e o seu sucesso tinha sido instantâneo gerando novas relações entre as duas comunidades que antes para se encontrarem tinham de percorrer dezenas de quilómetros. Com a ponte sobre o rio surgiram novas actividades económicas, novas industrias, novos postos de trabalho e o governo pagou a ponte com o diferencial de aumento da actividade económica.



A listagem de obra anunciada nos últimos anos e a crise que ajudou à bancarrota do país mostram que os investimentos feitos por Portugal estiveram entre a ponte no deserto e a ponte no rio.

No caso de alguns estádios e de outras obras como centros de estágios muito caros concluímos que definitivamente são pontes no deserto.

Um centro de estágio para o atletismo pode justificar-se porque existe capital para a sua viabilização desportiva e financeira, enquanto outros centros de estágio fecham porque não existe suficiente acumulação de capital desportiva para a viabilizar. O remo de Montemor o Velho e o ciclismo de Sangalhos poderão ser verdadeiras pontes no deserto.

O hábito de fazer obra surgiu com a entrada às resmas dos dinheiros comunitários ainda no tempo do ex-primeiro-ministro Cavaco Silva onde o critério de decisão era a eficácia da aplicação dos dinheiros e não a boa aplicação dos mesmos.

Estes hábitos perduraram e depois de se esgotarem os dinheiros grátis da UE inventou-se o endividamento dos nossos filhos e da nossa velhice para o ritmo de obra se manter e mostrar no dia anterior às eleições.


O desenvolvimento económico e social é mais do que uma lista de obra.

As pessoas deveriam votar no desenvolvimento sustentado de Portugal e não nas listas de obra que por aís circulam obsessivamente.

A lista de obra é fácil de fazer e de promover.

Mais relevante será trabalhar para o bem comum e sem alarde na comunicação social deixar que a opinião pública decida se pretende manter o estilo de governação ou quer alterar para outro governante.

A possibilidade real de alternância seria melhor servida com estudos económicos que facilitassem o conhecimento dos ganhadores e perdedores da obra realizada.

Sem estudos ecoonómicos as pessoas até podem pensar que o direito de ficarem 50 anos no governo é um acto que as festas das inaugurações e as festas eleitorais justificam abundantemente.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

O projecto económico Vanessa Fernandes valeu 2 milhões de euros

O caso de Vanessa Fernandes afinal até pode ser uma das características pesadas e bem negativas do desporto português e não ter valor extraordinário por não ser único e ser mais um exemplo comum de uma má característica.

A destruição de um talento extraordinário pode demonstrar bem que o desporto português destrói capital desportivo na pessoa dos atletas jovens e que a estrutura federada não tendo competência há muito que sabe o que faz.

Segundo me conta um técnico de desporto numa acção da natação o conceituado treinador Vasconcelos Raposo terá dito que existe uma especialização precoce e uma saturação do treino com demasiadas horas que destroem a vitalidade juvenil dos nossos talentos na natação e noutras modalidades.

Este facto a ser real e ser conhecido por parte dos treindaores nacionais demonstra um facto que é o da existência de um problema de competência técnica dos treinadores que destróem os atletas jovens e da incapacidade dos treinadores e do modelo para identificarem um problema estrutural e lutarem pela sua modificação cabal.

Os treinadores até alertam para casos de jovens que deram os primeiros passos e depois abandonaram e dá-se o caso de Susana Feitor campeã antes do tempo e de outros jovens que acompanharam Vanessa Fernandes e desapareceram com menos estrépido e principalmente menos desperdício.

A economia ajuda a compreender a enormidade do feito:

Uma atleta extraordinária como a Vanessa Fernandes é um activo desportivo, económico e social que pode ser monetariamente avaliado para quantificar a relevância para o mercado do desporto.

Uma atleta de excepção gera mais-valias significativas e cria postos de trabalhos, para além de ter um contributo positivo para a Balança de Transacções Correntes numa escala que pode varia conforme o sucesso alcançado.

Face à sua juventude esperar-se-ia que Vanessa Fernandes tivesse um percurso longo dos 19 anos até aos 34 anos, na hipótese optimista. Algumas coisas correram tão mal que a jovem arrancou e caiu destruída no primeiro ciclo olímpico.

Se a Vanessa Fernandes pudesse competir até a 2020 alcançando os 34 anos e 4 ciclos olímpicos e se
tivesse ganho 500 milhões de euros no ciclo 2005-2008, então teria uma expectativa de ganhos de 2 milhões de euros de receita bruta.

Acontece que a Vanessa Fernandes ficou destruída ao fim do primeiro ciclo olímpico.

Ganhou apenas meio milhão de euros e perdeu um milhão e meio de euros.

Este é um valor preliminar de uma análise rápida que exige outro tipo de cálculos para alcançar o valor potencial do projecto económico Vanessa Fernandes.

Segundo parece o COP reconhece alguma responsabilidade e quer pagar-lhe 44 ou 45 mil euros, não se percebe a que título e como é que as contas são feitas. Parecem ser feitas em cima do joelho porque não têm uma base técnica mínima. Parece ser uma conta de merceeiro o que tem os seus méritos ao nível da mercearia mas limites evidentes por se tratar de um bem público e por sinal complexo.

Por exemplo, há outros interessados pelas vitórias de Vanessa Fernandes e foram a sua equipa técnica, os clubes onde trabalhava, a federação, o COP e o Estado.

Todos estes agentes e instituições beneficiaram das vitórias impostas que foram destruidoras do talento da jovem.

Há várias questões que estão aqui em causa:
  1. Se há um aspecto limpo neste processo é compreender que a responsabilidade do que se passou não é da família. Tal como quando vamos ao médico a família não interessa e a responsabilidade do que se passa com a cura da doença é dos médicos e das suas equipas e não é da família. Para um atleta de alta competição tudo o que a Vanessa fez e a destruiu foi da responsabilidade das equipas técnicas nos diferentes níveis clube, federação, COP, Estado. Se as equipas científicas e técnicas se deixaram corromper pela família então só tinham um passo a dar e era afastarem-se do processo.
  2. Nenhuma equipa técnica parece ter tido a competência e a capacidade profissional para detectar científica e tecnicamente o que se passava antecipadamente e definir e propor outros ritmos de formação, treino e competição.
  3. As mesmas questões colocam-se ao nível da liderança cujas chefias e responsáveis não tiveram o sentido das responsabilidades do que se passava e não actuou ao nível exigido.
  4. Falando com outros treinadores desportivos nomeadamente os relacionados com as federações, alguns defendem corporativamente o trabalho da equipa técnica e recusam aceitar que o trabalho foi, por exemplo, a levar a instituição Vanessa Fernandes à bancarrota. 
  5. O prejuízo da Vanessa Fernandes pode avaliar-se em valores ainda superiores a 500 mil euros bastando para isso somar todos os prémios directos e indirectos recebidos pela atleta e distribuídos também pelos clubes a que pertenceu e as equipas técnicas envolvidas. Esse valores devem estar na posse da atleta e da sua família. Depois há dois cenários possíveis aceitar que a VF tinha ainda 3 ciclos olímpicos, vindo a ganhar para cima de 1,5 milhões de euros, ou noutro cenário menor com 2 c.o. ultrapassar uma receita de um milhão de euros.
Os 45 mil euros definidos pelo COP não fazem sentido do ponto de vista formal quanto à sustentação da missão e do objecto do projecto Vanessa Fernandes.

Há uma responsabilidade técnica clara dos treinadores portugueses em que existem casos de sucesso como no atletismo com a Neide Gomes e Nelson Évora e no judo e canoagem entre mais algumas.

Não se percebe também de onde saiu o dinheiro que o COP deu e se existe formalização legal para a despesa que não foi explicada publicamente ou se saiu dos cofres do COP segundo decisão da sua Direcção que será solidária.



Onde falha o sistema desportivo actual?
  1. Há que criar projectos complexos de acordo com o produto e o processo produtivo em causa: Vanessa Fernandes é um projecto raro e de extrema complexidade e isso não foi respeitado.
  2. A falha técnica surge como primeiro aspecto porque não teve em conta o longo prazo que deveria ter em consideração o potencial de médio prazo e não a exploração imediata.
  3. A s dimensões jurídicas relacionadas com os direitos de propriedade e as responsabilidades foram / são mal construídas e acumulam à primeira falha.
  4. A análise económica deveria ter sido desencadeada no trajecto para Pequim em 2008 à medida que a certeza do potencial da atleta se aprofundava. A chegada de dinheiro fresco, as páginas dos jornais com publicidade e as multidões deram a dimensão da captura financeira e tapou a protecção à jovem talento e a todo o projecto que deveria ser protegido.
  5. Sem a análise ao erro qde destruir talentos do desporto português e sem o benchmark dos resultados e das desistências internacionais em todo o percurso dos atletas a ilusão do sucesso foi fatal.

Conclusão
O COP como já referi várias vezes não parece capaz de liderar genericamente os destinos dos jovens talentos portugueses.

Há necessidade de fazer investigação e auditorias para compreender o que está mal no alto rendimento nacional e ajudar os agentes privados a tomar as melhores decisões para que estas não aconteçam esporadicamente como acontece nalgumas modalidades mas que os exemplos positivos sejam mais comuns e sustentados.

Não se trata de levar ninguém a juízo mas precisamente trata-se de evitar que os técnicos e líderes desportivos associativos desportivos cometam mais erros do que os que estão a ser regularmente cometidos sobre os jovens atletas e talentos nacionais e também que venham a responder em tribunal pelas consequências negativas de alguns dos seus actos.


Como se demonstra de novo, numa nova matéria o trabalho de renovação do desporto é grande em profundidade e extensão.

O modelo do desporto português está falido científica e tecnicamente, juridicamente e os resultados ecoonómicos criados são frágeis e soçobram na primeira contrariedade.

Os dinheiros ganhos actualmente são os do fracasso e não se comparam aos milhões que seriam o sucesso económico do desporto português potencial.

O défice ainda é maior porque para além dos cortes orçamentais e má condução técnica e de liderança que destrói carreiras vale no caso do projecto de VF, pelo menos, menos 1,5 milhões de euros de capital desportivo e social destruído por incompetência ou negligência ou avidez.

O valor de Vanessa Fernandes não tem custo é um custo imenso.

Esta matéria não está esgotada.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Vanessa Fernandes estará errada

Há um problema económico com os 44.000 euros 'dados' pelo COP ou por excesso ou por defeito.

A solução até poderá ser politicamente hábil e após uma discussão técnica em determinado sentido ser aceite pelas partes mas noutros sentidos não analisados pode não fazer sentido e o prejuízo ser uma continuação do que aconteceu.

Este é um problema recorrente no desporto português a imprecisão e insuficiência na análise económica do produto desportivo.


O desafio maior é que após Pequim o desporto não reagiu inquirindo e fazendo mudanças racionais e modernizadoras.

O desporto português fez pior que foi estruturar à volta de um líder que estava ultrapassado pela história.

Continua a tomar decisões como esta de Vanessa Fernandes que parece insuficientemente sustentada do ponto de vista económico na perspectiva da jovem atleta.

A crise vai ser ainda pior e o Sr. Comandante Vicente Moura é uma pessoa que não ouve, como existe o hábito de não ouvir e de não discutir noutros líderes desportivos.

Há duas hipóteses de transformação:
  1. O governo de maioria trazer um novo protagonismo mas que pode ser contrariado pela nomeação de alguém com um currículo, político ou desportivo, do 'business as usual'.
  2. O COP fazer eleições democráticas e eleger alguém com a cultura da ética, do fair-play e do saber fazer do desporto e do olimpismo europeu moderno e que também pode ser contrariado pelo 'business as usual'.

A minha hipótese é que a Vanessa Fernandes está a perder dinheiro e a sua auto-estima e valorização em todas as suas dimensões extraordinárias, como ela já demonstrou possuir, só sairá a perder com a actual liderança desportiva.

Nenhum atleta de alto rendimento merece o que terá sido feito à Vanessa Fernandes e deste desastre ninguém está interessado em saber o que se passou na realidade e o que é que falhou, para ser evitado noutros casos.

Business as usual