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sábado, 28 de maio de 2011

Como fazer uma ponte no deserto é importante numa lista de obra eleitoral

Este é um exemplo clássico da economia.

Um governante resolve fazer uma ponte no deserto para salvar a economia da recessão e contrata uma empresa que cria postos de trabalho, anima a economia, os jornais vendem-se mais com os trabalhadores na ponte, os bancos emprestam e fazem o dinheiro circular, há visitas de engenheiros e outros empresários e os hóteis e restaurantes animam-se, durante 3 semanas a região comemora a construção da ponte havendo romarias à ponte no deserto.

Passada a festa a ponte deixou de ser visitada e foi abandonada.

Quem ganhou e quem perdeu com a construção da ponte no deserto?

Quem ganhou foram os empreiteiros, os bancos, as empresas fornecedoras de materiais, alguma população teve emprego, o governante teve publicidade pela obra feita, a comunicação social e o turismo.

Quem perdeu foi a população que ficou com a ponte para pagar e não tem benefício da sua utilização.

Diga-se que o governante tinha feito a ponte no deserto porque numa região vizinha duas comunidades separadas por um rio tinham construído uma ponte e o seu sucesso tinha sido instantâneo gerando novas relações entre as duas comunidades que antes para se encontrarem tinham de percorrer dezenas de quilómetros. Com a ponte sobre o rio surgiram novas actividades económicas, novas industrias, novos postos de trabalho e o governo pagou a ponte com o diferencial de aumento da actividade económica.



A listagem de obra anunciada nos últimos anos e a crise que ajudou à bancarrota do país mostram que os investimentos feitos por Portugal estiveram entre a ponte no deserto e a ponte no rio.

No caso de alguns estádios e de outras obras como centros de estágios muito caros concluímos que definitivamente são pontes no deserto.

Um centro de estágio para o atletismo pode justificar-se porque existe capital para a sua viabilização desportiva e financeira, enquanto outros centros de estágio fecham porque não existe suficiente acumulação de capital desportiva para a viabilizar. O remo de Montemor o Velho e o ciclismo de Sangalhos poderão ser verdadeiras pontes no deserto.

O hábito de fazer obra surgiu com a entrada às resmas dos dinheiros comunitários ainda no tempo do ex-primeiro-ministro Cavaco Silva onde o critério de decisão era a eficácia da aplicação dos dinheiros e não a boa aplicação dos mesmos.

Estes hábitos perduraram e depois de se esgotarem os dinheiros grátis da UE inventou-se o endividamento dos nossos filhos e da nossa velhice para o ritmo de obra se manter e mostrar no dia anterior às eleições.


O desenvolvimento económico e social é mais do que uma lista de obra.

As pessoas deveriam votar no desenvolvimento sustentado de Portugal e não nas listas de obra que por aís circulam obsessivamente.

A lista de obra é fácil de fazer e de promover.

Mais relevante será trabalhar para o bem comum e sem alarde na comunicação social deixar que a opinião pública decida se pretende manter o estilo de governação ou quer alterar para outro governante.

A possibilidade real de alternância seria melhor servida com estudos económicos que facilitassem o conhecimento dos ganhadores e perdedores da obra realizada.

Sem estudos ecoonómicos as pessoas até podem pensar que o direito de ficarem 50 anos no governo é um acto que as festas das inaugurações e as festas eleitorais justificam abundantemente.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A democracia no desporto e o seu uso

Os economistas portaram-se mal como se subentende das palavras dirigidas à sua geração de Eduardo Catroga.

Deveriam ter sido mais cautelosos e actuar com prudência e evitar actos de negligência que também houve ao avaliar os projectos económicos em que o país saiu prejudicado.

Contudo, a análise económica é importante porque é a que melhores respostas tem para a crise económica.

Paul Krugman o Prémio Nobel da Economia de 2008 demonstra que existe um posicionamento dos economistas da direita que baseiam a sua actuação em pensamentos ilusórios e que Portugal, como a Grécia, Irlanda e Esapanha estão apanhados por estes pensamentos e actos e que deverão vir a reformular as suas dívidas, porque existe um risco elevado de não cumprimento.

A posição dos economistas e dos políticos da Europa central não é muito inteligente porque a reestruturação da dívida e o agravamento do incumprimento vai afectar as economias periféricas e seguidamente os bancos dos países que possuem maior dívida dos países periféricos e que são bancos franceses e alemães.

O mundo espera que o euro se aguente e que as políticas suicidárias de Jean-Claude Trichet e da Sra. Merckel surtam efeito independentemente do custo para as populações desses países.

Numa perspectiva mais ampla a sociedade portuguesa está a cometer erros semelhantes que outros países cometeram o que não iliba as pessoas que tenham contribuído para o sarilho corrente em que o país está metido.




No dia 24 de Maio reuniram-se na Casa de Mateus pensadores nacionais e estrangeiros como José Gil, Jorge Vasconcelos, Miguel Poiares Maduro e Teresa Albuquerque para 'Repensar Portugal' e onde se falou de Culturae um poucochinho de desporto.

Há poucos dias a SEDES e e o DN discutiram a Cultura.

É possível acompanhar na comunicação social estes encontros e debates mas houve encontros de desporto em faculdades organizados por AM e MJC e não houve a apresentação dos debates e de conclusões para a opinião pública desportiva.

Entretanto o PS apresentou o seu programa eleitoral e um anónimo que será seu apresentou uma lista de obra feita no blogue Colectividade Desportiva e que transcrevi para este blogue, o que creio gerou alguma confusão. O que é possível e permite o debate.

Temos de ser capazes de assumir que a democracia só funciona com a participação plural.

Se não participamos, se fazemos coisas só para os nossos próximos e não usamos a democracia que actualmente até podem ser anónima e electrónica, então o problema é nosso não é de quem politicamente usa os instrumentos democráticos em seu proveito.


Através deste blogue divulguei a posição do PS sobre o desporto e critiquei o que me parecem os seus erros e digo o que me parece ser melhor para o desporto na perspectiva da economia.

Os programas eleitorais são importantes assim como a lista de feitos porque permite debatter se a formulação e o conteúdo veiculados são os ajustados ao momento de crise que o desporto português vive.


O desporto na pessoa de todos os que querem estar vivos, tem de fazer mais.